segunda-feira, 22 de maio de 2017

Estimativas mais baixas para a inflação em 2017 e 2018

Expectativa dos economistas de bancos, divulgada hoje 22 de maio pelo Banco Central, é de inflação em 3,92% neste ano e de 4,34% em 2018.

Os economistas das instituições financeiras reduziram sua estimativa de inflação para este ano e para 2018.


As expectativas dos analistas do mercado financeiro foram coletadas pelo Banco Central na semana passada e divulgadas hoje dia 22 de maio por meio do relatório de mercado, também conhecido como Focus. Mais de cem instituições financeiras foram ouvidas.

Para o comportamento do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2017 – a "inflação oficial" do país –, o mercado baixou sua previsão de 3,93% para 3,92%. Foi a décima primeira redução seguida do indicador.

Com isso, manteve-se a expectativa de que a inflação deste ano ficará abaixo da meta central, que é de 4,5%. A meta de inflação é fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e deve ser perseguida pelo Banco Central, que, para isso, eleva ou reduz a taxa de juros (Selic).

A meta central de inflação não é atingida no Brasil desde 2009. À época, o país ainda sentia os efeitos da crise financeira internacional de forma mais intensa, que acabou se espalhando pelo mundo.

Pelo sistema vigente no Brasil, a meta de inflação é considerada formalmente cumprida quando o IPCA fica dentro do intervalo de tolerância também fixado pelo CMN. Para 2017, esse intervalo é de 1,5 ponto percentual para baixo ou para cima do centro da meta. Assim, o BC terá cumprido a meta se o IPCA terminar este ano entre 3% e 6%.

No ano passado, a inflação ficou acima da meta central, mas dentro do intervalo definido pelo CMN. Já em 2015, a meta foi descumprida pelo BC – naquele ano, a inflação superou a barreira dos 10%.

Para 2018, a previsão do mercado financeiro para a inflação recuou de 4,36% para 4,34%. Com isso, o índice está abaixo da meta central de inflação para o período (4,5%) e também do teto de 6% fixado para o ano que vem.

Produto Interno Bruto

Para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2017, o mercado financeiro manteve sua estimativa de crescimento estável em 0,50%.

O PIB é a soma de todos os bens e serviços feitos no país, independentemente da nacionalidade de quem os produz, e serve para medir o comportamento da economia brasileira.

Em 2016, o PIB brasileiro caiu pelo segundo ano seguido e confirmou a pior recessão da história do país, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Para 2018, os economistas das instituições financeiras mantiveram sua estimativa de expansão do PIB estável em 2,50%.

Taxa de juros

O mercado financeiro manteve sua previsão para a taxa básica de juros da economia, a Selic, em 8,5% ao ano no fechamento de 2017. Ou seja, os analistas continuam estimando novas reduções de juros neste ano. Atualmente, a SELIC está em 11,25% ao ano.

Para o fechamento de 2018, a estimativa dos economistas dos bancos para a taxa Selic continuou em 8,5% ao ano. Com isso, estimaram que os juros fiquem estáveis no ano que vem.

A taxa básica de juros é o principal instrumento do BC para tentar conter pressões inflacionárias. A instituição tem de calibrar os juros para atingir índices pré-determinados pelo sistema de metas de inflação brasileiro.

As taxas mais altas tendem a reduzir o consumo e o crédito, o que pode contribuir para o controle dos preços. Entretanto, também prejudicam a economia e geram desemprego.

Câmbio, balança e investimentos

Na edição desta semana do relatório Focus, a projeção do mercado financeiro para a taxa de câmbio do dólar no fim de 2017 recuou de R$ 3,25 para R$ 3,23. Para o fechamento de 2018, a previsão dos economistas para a moeda norte-americana continuou em R$ 3,36.

A projeção do relatório Focus para o resultado da balança comercial (resultado do total de exportações menos as importações) em 2017 subiu de US$ 55,15 bilhões para US$ 56 bilhões de resultado positivo. Para o próximo ano, a estimativa dos especialistas do mercado para o superávit ficou estável em US$ 42,9 bilhões.

A projeção do relatório para a entrada de investimentos estrangeiros diretos no Brasil, em 2017, subiu de US$ 78,5 bilhões para US$ 79,5 bilhões. Para 2018, a estimativa dos analistas avançou de US$ 75 bilhões para US$ 78,75 bilhões.


Fonte: Banco Central e Globo.com

terça-feira, 16 de maio de 2017

Segundo o CAGED, País cria 59.856 vagas formais de emprego e apresenta saldo positivo no mês de abril

Sete dos oito setores de atividade econômica apresentaram crescimento

O Brasil teve saldo positivo de empregos formais em abril, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados hoje terça-feira 16/05 pelo Ministério do Trabalho. O crescimento foi de 59.856 postos de trabalho, equivalente a uma variação positiva de 0,16% em relação ao estoque do mês anterior. Foram 1.141.850 admissões e 1.081.994 desligamentos.

“Nos últimos dois anos, se compararmos o primeiro trimestre de 2016 com o de 2017, veremos um sinal muito forte de que o emprego está sendo retomado em sua condição de normalidade no Brasil", destacou o ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira. 

Sete dos oito setores de atividade econômica apresentaram crescimento no nível de emprego. Os destaques foram Serviços (+24.712 postos ou variação relativa de +0,15%), Agricultura (+14.648 postos ou +0,95%), Indústria de Transformação (+13.689 postos ou +0,19%) e Comércio (+5.327 postos ou +0,06%). A Construção Civil, mesmo apresentando saldos negativos (-1.760 postos ou -0,08%), teve desempenho bem melhor do que o de abril do ano anterior (-16.036 postos).

Setores – No setor de Serviços, a expansão de abril foi de 24.712, o que representou uma reversão da tendência verificada em abril de 2016, quando o saldo foi negativo (-9.937). O crescimento na Agricultura em abril de 2017 (+14.648) seguiu a tendência de maior crescimento quando comparada ao mesmo mês do ano anterior (+8.051). Na Indústria de Transformação, também houve expansão de vagas (+13.689). No mesmo mês do ano passado, houve retração (-15.982).

O setor do Comércio (+5.327) teve desempenho muito superior ao de abril de 2016 (-30.507). A expansão ocorreu no segmento Varejista (+6.588 postos). O setor Atacadista teve saldo negativo (-1.261 postos), concentrado no segmento do Comércio Atacadista de Soja (-1.238 postos) e Comércio de Animais Vivos, Alimentos para Animais e Matérias-Primas Agrícolas, Exceto Café e Soja (-1.084 postos).

Regiões – No recorte geográfico, três regiões apresentaram crescimento do nível de emprego em abril: Sudeste (+46.039 postos em abril de 2017 contra -23.985 em abril de 2016; Centro-Oeste (+10.538 postos em abril de 2017 +4.186 em abril de 2016) e Sul (+5.537 postos em abril de 2017 contra -11.318 em abril de 2016. Em contrapartida, as regiões Norte e Nordeste apresentaram retrações (-1.139 postos em abril de 2017 contra -5.735 em abril de 2016 e -1.119 em abril de 2017 contra -25.992 em abril de 2016, respectivamente).

Entre as 27 unidades da federação, destacaram-se com resultados positivos São Paulo (+30.227 postos), Minas Gerais (+14.818 postos), Bahia (+7.192 postos), Goiás (+7.170 postos), Paraná (+6.742 postos).


Fonte: MTE

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Petrobras tem lucro de R$ 4,45 bi no 1º trimestre, melhor resultado desde 2015

Trata-se do segundo lucro trimestral seguido e o melhor resultado desde o 1º trimestre de 2015; endividamento líquido recua para R$ 300,9 bilhões.

A Petrobras registrou lucro de R$ 4,45 bilhões no 1º trimestre, revertendo o prejuízo de R$ 1,25 bilhão registrado nos 3 primeiros meses do ano passado, informou a estatal nesta quinta-feira 11 de maio.. Trata-se do segundo lucro trimestral seguido e o melhor resultado desde o 1º trimestre de 2015.

O resultado positivo veio acima das previsões de analistas compiladas pela Reuters, que apontavam um lucro de R$ 3,773 bilhões no período.

O presidente Petrobras, Pedro Parente, afirmou em coletiva de imprensa realizada após a divulgação do balanço que o desempenho atingido pela companhia no primeiro trimestre de 2017 resulta de uma conjunção de redução nos gastos, aumento da produtividade e manutenção da curva de produção.

"O controle de custos e a redução de gastos respondem por esse resultado", afirmou Parente, em entrevista coletiva na sede da empresa, no Centro do Rio. Ele destacou que o único dado negativo é a queda de 5% nas vendas de derivados de petróleo, causadas pela retração do mercado e pela forte concorrência.

O resultado do 1º trimestre também superou o dos 3 meses anteriores, quando a petroleira reportou lucro de R$ 2,51 bilhões. A Petrobras acumulou em 2016, entretanto, prejuízo de R$ 14,8 bilhões, no 3º ano seguido de perdas.

A estatal atribuiu o resultado do 1º trimestre à redução de gastos com importações do petróleo e gás e pelo aumento de 72% das exportações. Segundo a petroleira, as despesas administrativas e com vendas 27% menores também ajudaram o resultado.

A receita da companhia somou R$ 68,36 bilhões no trimestre, queda de 3% ante o faturamento de R$ 70,34 bilhões do mesmo intervalo de 2016.

A produção média de petróleo da companhia no Brasil no 1º trimestre foi de 2.182 mil barris por dia (bpd), 10% acima do registrado 1 ano antes. Já a produção total de petróleo da Petrobras nos 3 primeiros meses do ano subiu 9% em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Maior Ebidta da história

O resultado operacional medido pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação) ajustado somou R$ 25,254 bilhões, ante R$ 21,193 bilhões no mesmo período do ano passado.

Parente ressaltou que o resultado do primeiro trimestre trouxe o maior Ebitda trimestral da história da Petrobras, com resultado é 19% superior ao do mesmo período de 2016, com margem de 37%.

Endividamento cai 4%

No final de março, a dívida líquida da Petrobras somou R$ 300,9 bilhões, o que representa queda de 4% ante os R$ 314,1 bilhões do final de 2016.

No balanço, a Petrobras destacou que o fluxo de caixa livre ficou positivo pelo 8º trimestre consecutivo, atingindo R$ 13,37 bilhões, mais de 5 vezes maior o registrado 1 ano antes. "Esse resultado reflete a combinação entre a melhora expressiva da geração operacional da empresa e a redução de investimentos", informou.

Fluxo de caixa

No balanço, a Petrobras destacou que o fluxo de caixa livre ficou positivo pelo 8º trimestre consecutivo, atingindo R$ 13,37 bilhões, mais de 5 vezes maior o registrado 1 ano antes.

"Esse resultado reflete a combinação entre a melhora expressiva da geração operacional da empresa e a redução de investimentos", informou.

Redução de custos

A estatal apontou uma expressiva redução de despesas. Os custos de produtos vendidos foram de R$ 44,5 bilhões, valor 6% inferior ao quarto trimestre, refletindo menos gastos com atividades no exterior, com a produção de petróleo e a importação de gás natural, diz a estatal.

As despesas tributárias também caíram, em 66%, em função, principalmente, das "menores despesas de imposto de renda sobre remessa ao exterior e pelo efeito da adesão aos programas de anistia estadual de débitos de ICMS no quarto trimestre", diz a Petrobras.

Outras despesas operacionais recuaram 61%, para R$ 3.895 milhões, em relação ao trimestre anterior. As despesas financeiras, contudo, subiram 46%, para R$ 7,7 bilhões. Segundo a petroleira, o resultado foi puxado por variações no câmbio.

Segundo o diretor financeiro Ivan Monteiro, a redução de 17% nos custos com pessoal, de 18% nos custos operacionais e de 27% nas despesas gerais mostra que a Petrobras está entregando tudo aquilo com o que se comprometeu ao apresentar seu plano de negócios, impactando o bom resultado do trimestre.

"Nossa percepção é de que, com os resultados que estamos entregando, o interesse pelos próximos leilões de blocos de exploração é enorme, como pudemos verificar em recentes visitas a Tóquio e a Pequim. Hoje, a Petrobras tem à disposição todas as fontes de financiamento disponíveis no mercado: capitais, agências de fomento, bancos nacionais e estrangeiros. E vamos utilizá-las de acordo com o melhor interesse da companhia", explicou Monteiro na entrevista coletiva após a divulgação do balanço, lembrando que a venda do gasoduto NTS por R$ 6,7 bilhões já representa uma expectativa de resultado positivo no segundo trimestre.

Ações e valor de mercado

As ações da Petrobras fecharam em leve alta nesta quinta, ao redor de 0,4%. No ano, os papeis acumulam queda ao redor de 1%, após terem acumulado ganhos de 121% no ano passado.

A petroleira segue como a 3ª maior em valor de mercado na Bovespa, com os papéis avaliados em cerca de R$ 196 bilhões. A máxima histórica foi registrada no dia 21 de maio de 2008, quando a estatal atingiu na Bovespa valor de mercado de R$ 510,3 bilhões, segundo a Economatica.

Número de empregados cai 17% em 1 ano

As despesas de vendas caíram 22%, a R$ 2,3 bilhões, refletindo cortes de pessoal, principalmente, “pelo impacto dos desligamentos de empregados pelo plano de incentivo ao desligamento voluntário”.

A empresa informou também no balanço que o número de empregados no final de março totalizou 65.220 trabalhadores, o que corresponde a uma queda de 17% em comparação ao final de março de 2016, em decorrência do plano de demissão voluntária (PDV).

O presidente da Petrobras citou a redução nos quadros de pessoal da empresa como fator sigiificativo para o bom resultado do trimestre.

Crise e venda de ativos

Em meio à crise detonada pela Lava Jato e pela queda dos preços internacionais do petróleo, o endividamento líquido da Petrobras passou de um patamar de R$ 100 bilhões no final de 2011 e chegou a R$ 392 bilhões no final de 2015.

Para melhorar suas finanças, a estatal cortou investimentos e iniciou um programa de venda de ativos. O plano de negócios da Petrobras prevê arrecadar mais US$ 21 bilhões com a venda de ativos (os chamados desinvestimentos) e parcerias entre 2017 e 2018. Até março, o valor total de transações já assinadas somava US$ 13,6 bilhões.

Nesta semana, a Petrobras anunciou que inclui na sua carteira de ativos à venda a refinaria de Pasadena, nos EUA, que em 2006 levantou suspeitas de superfaturamento e de evasão de dividas, além da Petrobras Oil & Gas B.V., que detém ativos na África.

Em março, a empresa apontou que deveriam também ser colocadas à venda a sua participação na BR Distribuidora; a concessão dos campos de Baúna e Tartaruga Verde; a participação no campo de Saint Malo, no Golfo do México; a cessão de concessões em águas rasas nos Estados de Sergipe e Ceará e a cessão de um conjunto de campos terrestres.

Em comunicado nesta quinta-feira, a estatal informou que vai contabilizar para o 2º trimestre o recebimento de R$ 6,7 bilhões pela venda de 90% das ações da unidade de gasodutos Nova Transportadora do Sudeste (NTS).

Sobre o plano de desinvestimentos, Parente disse que os critérios para venda ainda serão definidos e apresentados à diretoria, para só então levar esses e outros ativos como itens da empresa na África, Pasadena (EUA) e a BR Distribuidora ao mercado. "Cada ativo terá seu modelo de venda definido. Após essa definição, apresentaremos ao mercado um fato relevante específico para cada ativo. E isso será feito o mais rapidamente possível. Se o resultado melhora sem aquele ativo, faz todo o sentido vender".

Lava Jato

Diretor de governança da petrolífera, João Elek reforçou o compromisso da empresa em colaborar com investigações de corrupção, como as da operação Lava-Jato, e disse que as apurações internas já levaram à aplicação de 594 sanções diversas e à demissão de 37 funcionários por envolvimento em malfeitos. O diretor ressaltou que não há nenhum fato concreto que desabone o ex-presidente da Petrobras Aldemir Bendine, que teve o nome citado por delatores da Lava-Jato.

Elek explicou que os critérios para suspender o bloqueio a empresas envolvidas em escândalos de desvios de dinheiro público e operações ruinosas para a Petrobras já estão em vigor. "Temos como exigências principais a celebração de acordo de leniência com o poder público e o compromisso com uma série de boas práticas de governança. Já há acertos em andamento para retirar algumas empresas dessa 'lista negra'".


terça-feira, 9 de maio de 2017

Retrocessos da reforma trabalhista

As dez mudanças mais graves na CLT propostas por Rogério Marinho

O substitutivo da reforma trabalhista foi apresentado pelo deputado Rogério Marinho, do PSDB. O que era ruim, na versão inicial, ficou ainda pior. O projeto executa o desmonte de direitos conquistados ao longo de quase cem anos pelos trabalhadores brasileiros.

E assim foi aprovado o substitutivo a reforma trabalhista.

Tamanha é a desfaçatez, que o deputado tucano apresentou seu relatório no dia seguinte à divulgação das delações da Odebrecht, onde aparece como beneficiário de repasses ilegais. Isso revela a arriscada estratégia de “fuga para a frente” adotada pela Câmara, declarada sem pudores pelo próprio Rodrigo Maia. A ordem é apressar as pautas antipopulares para mostrar à elite econômica que, mesmo desmoralizado, o Congresso lhes é funcional e, portanto, deve ser preservado.

Assim, pretendem aprovar o projeto da mesma forma sorrateira como fizeram com a terceirização. E não se trata de “mais um ataque”, num momento em que os retrocessos se tornaram quase cotidianos. A reforma trabalhista é muito pior do que você imagina. Ela mexe em mais de cem pontos da CLT. Vejamos dez deles, especialmente graves.

1. Negociado sobre o legislado. Por trás desse nome técnico está a criação de um balcão de negócios dos direitos trabalhistas. A ideia é permitir que os acordos entre patrões e empregados fiquem acima da lei. Entre os temas passíveis de negociação estão o parcelamento das férias, a redução salarial e o aumento da jornada acima do limite legal, podendo chegar a 12 horas diária (regime 12x36) e 48 horas semanais. Mas isso depende do acordo com os trabalhadores, diriam de modo hipócrita os liberais. Sim, o chamado acordo com a faca no pescoço: ou os trabalhadores concordam ou há uma fila de milhões de desempregados dispostos a aceitar.

2. Individualização da negociação trabalhista. No mesmo sentido, o projeto cria mecanismos para individualizar cada vez mais a relação de trabalho, reduzindo assim a força de pressão dos trabalhadores. Prevê a sobreposição dos acordos coletivos em relação às convenções. No tête-à-tête com o patrão, o trabalhador sempre é mais vulnerável.

3. Regulamentação do trabalho intermitente. É a liberação do contrato por horas de trabalho, sem garantias. No período de inatividade, o trabalhador não será remunerado, ficando à mercê do chamado do patrão. Vai precarizar a contratação para eventos, bares e outros espaços sem funcionamento contínuo.

4. Dificuldade de acesso à Justiça do Trabalho. A proposta é liquidar com a Justiça do Trabalho, chamada recentemente por Gilmar Mendes de “laboratório do PT”. O projeto atua em duas frentes. Primeiro, dificultar os ritos processuais: limitam o acesso à justiça gratuita, passam a exigir que o trabalhador pague os honorários de peritos mesmo se demonstrar não ter recursos e facilitam as condições de prescrição do processo. Depois, limita os poderes do juiz do Trabalho em arbitrar, por exemplo, indenizações por danos morais.

5. Padrão de vestimenta. O projeto autoriza a empresa a definir o padrão de vestimenta dos trabalhadores. Sim, exatamente. Não é preciso muito para visualizar como essa regra será utilizada como assédio moral, de forma machista, contra as mulheres.

6. Fim da ultratividade do acordo ou convenção coletiva. Atualmente, quando se encerra o prazo de um acordo coletivo, ele permanece válido até a assinatura de um novo. É o princípio da ultratividade. A proposta é encerrar os efeitos ao fim do prazo, independentemente da assinatura do novo. O vácuo entre os acordos poderá significar perdas para os trabalhadores e um instrumento de pressão dos patrões para a assinatura de acordos piores.

7. Enfraquecimento da organização sindical. O projeto enfraquece os sindicatos de várias maneiras. Ataca a representação sindical nos locais de trabalho, retira a obrigatoriedade de homologação sindical das rescisões e, mais grave, autoriza demissões em massa sem a necessidade de negociação coletiva, hoje exigida por jurisprudência.

8. Fim da responsabilidade dos tomadores de serviços. A empresa que contratar a prestação de serviço de outra não terá qualquer responsabilidade em relação à garantia de direitos trabalhistas da contratada. É “lavar as mãos”, que favorece a contratação indireta por grandes empresas de trabalhadores superexplorados ou mesmo em condições de escravidão.

9. Explicitação da terceirização, com salvaguardas irrisórias. A reforma legitima a desastrosa lei da terceirização aprovada no mês passado e sancionada por Temer, trazendo uma redação ainda mais inequívoca quanto à liberação para todas as atividades. As prometidas "salvaguardas" aos trabalhadores, que corrigiriam os "excessos" da lei aprovada, são limitadas a exigir condições de transporte e alimentação iguais aos terceirizados e a impor uma quarentena de 18 meses para recontratação de um trabalhador direto como terceirizado.

10. Liberação de trabalho de grávidas em ambientes insalubres. A que ponto o espírito da casa-grande contamina a mentalidade da elite. A proposta é liberar gestantes e lactantes a trabalhar em ambientes insalubres, hoje expressamente proibido. A única condição é um atestado médico, que pode ser dado pelo próprio médico da empresa.

Friedrich Engels escreveu em 1845 um livro chamado "A situação da classe trabalhadora na Inglaterra". Descrevia ali as condições degradantes de trabalho na indústria do século XIX. Dois séculos viraram, mas a voracidade do capital parece não ter mudado. O que está em jogo é restabelecer no Brasil do século XXI as condições denunciadas por Engels no XIX.

E tudo isso levado a cabo pelo Congresso mais desmoralizado da história nacional, a pedido de um governo sem legitimidade, aprovado por menos de 10% da população. E ainda em meio a um escândalo de corrupção generalizada, que colocou sob suspeita o presidente, oito ministros, os chefes do Legislativo e ainda o relator do projeto da reforma. 

É de incrível atrevimento a estratégia que adotaram de virar as costas à sociedade e pisar no acelerador. Em xadrez, corresponderia a responder a um xeque com uma tresloucada ofensiva com a dama. Pode dar certo, se o adversário estiver desorganizado. Mas, se tivermos a força necessária, a resposta poderá ser um xeque mate.



segunda-feira, 8 de maio de 2017

Entenda a nova regra do Cartão de Crédito

Dado da Abecs considera os 5 maiores bancos; taxa média do cheque especial e do empréstimo pessoal também diminuiu, segundo o Procon-SP.

No primeiro mês das novas regras do rotativo do cartão de crédito, as taxas de juros da modalidade dos principais bancos caíram praticamente pela metade, segundo pesquisa divulgada hoje segunda feira dia 8/5/17 pela Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs).

Na terceira semana de abril, as taxas dos cinco maiores emissores de cartão foram de 456,6% ao ano para 233,9% ao ano, em média. Considerando os juros ao mês, a queda foi de 15,4% para 10,6%.

Pela nova regra do o cartão de crédito, em vigor desde o dia 3 de abril os clientes passaram a ter restrições para fazer o pagamento mínimo da fatura e acessar o crédito rotativo. Diferente do que ocorria antes, quem optar por pagar o valor mínimo da fatura não poderá fazer essa opção por vários meses consecutivos. Entenda abaixo como funciona.



A restrição foi criada para coibir o uso do rotativo e obrigar os bancos a oferecer uma solução de parcelamento para o cartão de crédito com juros mais baratos.

Empréstimo pessoal e cheque especial

Em maio, a taxa média de juros do empréstimo pessoal e do cheque especial também diminuíram, segundo pesquisa do Procon-SP.

Entre os bancos pesquisados, a taxa média registrada para o cheque especial foi de 13,53% ao mês para 13,48%. A maior taxa foi verificada no Santander, com 15,35%, e a menor, no Safra, de 12,6%.

Para o empréstimo pessoal, a taxa média foi de 6,4% ao mês para 6,37%. O Santander também se destacou com a maior taxa para essa modalidade de crédito entre os bancos pesquisados, com 7,89%, e a Caixa Econômica Federal com a menor, de 5,7%.

Fonte: www.globo.com/g1



terça-feira, 11 de abril de 2017

Início de retomada na Indústria brasileira

Em fevereiro, a produção industrial cresceu em 9 dos 14 locais pesquisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de janeiro para fevereiro, conforme pesquisa divulgada hoje terça-feira dia 11 de abril

Os maiores avanços foram na Bahia (2,8%), que eliminou parte da perda de 4,2% registrada em janeiro, e em Santa Catarina (2,8%), no 4º mês consecutivo de crescimento, acumulando expansão de 7,4%. Rio Grande do Sul (2,2%), Rio de Janeiro (2,2%), Goiás (2,1%), Minas Gerais (2,0%), Paraná (1,9%), Região Nordeste (1,1%) e São Paulo (0,2%) completaram o conjunto de locais que mostraram aumento na produção em fevereiro.

Por outro lado, Pernambuco (-7,8%), Pará (-4,1%) e Espírito Santo (-3,9%) apontaram os resultados negativos mais acentuados em fevereiro, após crescimento no mês anterior: 2,6%, 4,6% e 4,3%, respectivamente. As demais taxas negativas foram assinaladas por Amazonas (-1,1%) e Ceará (-1%).

Considerando todas as regiões, a produção da indústria brasileira variou 0,1% em fevereiro No entanto, frente a fevereiro de 2016, a atividade fabril caiu 0,8%, após avançar 1,4% em janeiro, quando interrompeu 34 meses consecutivos de resultados negativos nesse tipo de comparação. Em 12 meses, a produção industrial acumula queda de 4,8%, permanecendo no ritmo de queda que começou em junho de 2016 (-9,7%). Nos dois meses de 2017, a indústria variou positivamente 0,3%.

Variação interanual

Em relação a fevereiro de 2016, a indústria caiu em nove dos 15 locais pesquisados. De acordo com o IBGE, fevereiro, com 18 dias úteis, teve um a menos do que no mês do ano anterior que teve 19.

Mato Grosso (-11%) assinalou a perda mais intensa, pressionado, principalmente, pelo recuo na produção do setor de produtos alimentícios (carnes de bovinos congeladas, frescas ou refrigeradas, tortas, bagaços, farelos e outros resíduos da extração do óleo de soja e óleo de soja em bruto). Bahia (-4,6%), Pará (-4,2%), Espírito Santo (-3,2%), Ceará (-2,5%), Pernambuco (-2,2%), Região Nordeste (-2,1%) e São Paulo (-1,6%) também registraram perdas mais elevadas do que a média da indústria (-0,8%). Goiás (-0,2%) também apresentou recuo na produção nesse mês.


segunda-feira, 27 de março de 2017

Vendas do Tesouro Direto somam R$ 1,78 bilhão em fevereiro
Tesouro Direto é o programa de venda de títulos públicos pela internet.
Em 12 meses, número de investidores cadastrados aumentou 85%.

As emissões de novos títulos pelo Tesouro Direto somaram US$ 1,78 bilhão em fevereiro, informou o Tesouro Nacional hoje segunda-feira 27 de março de 2017. Já os resgates somaram R$ 900 milhões no mês passado.

O programa, criado em janeiro de 2002, permite que pessoas físicas comprem títulos públicos pela internet, via banco ou corretora, sem precisarem aplicar em um fundo de investimentos.

“Os títulos mais demandados pelos investidores foram os indexados ao IPCA (Tesouro IPCA+ e Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais), cuja participação no volume total de investimentos atingiu 50,3%. Os títulos indexados à taxa Selic (Tesouro Selic) corresponderam a 26,5% do total e os prefixados (Tesouro Prefixado e Tesouro Prefixado com Juros Semestrais), a 23,3%”, informou o governo.

Em fevereiro, 50.478 novos investidores se cadastraram no Tesouro Direto, que alcançou, no total, 1.249.281 investidores - aumento de 85% em relação ao mesmo mês do ano passado.

Saldo do programa

Já o saldo total (estoque) de títulos em mercado alcançou o montante de R$ 42,9 bilhões em fevereiro, um aumento de 3% em relação a janeiro (R$ 41,7 bilhões) e de 53,2% sobre fevereiro de 2016 (R$ 28,0 bilhões).

O aumento do interesse dos investidores pelo Tesouro Direto também tem coincidido com a queda na rentabilidade e atratividade da poupança. Enquanto o rendimento dos fundos de renda fixa sobe junto com a Selic (a taxa básica de juros determinada pelo Banco Central), o das cadernetas fica limitado a 6,17% ao ano mais a variação da Taxa Referencial (TR), quando a Selic está acima de 8,5% ao ano.

A alta da inflação também tem feito as cadernetas perderem atratividade. Títulos do Tesouro Direto, por exemplo, oferecem rentabilidade acima da inflação - mas há a incidência do Imposto de Renda. O resultado é que, em 2016, os saques da poupança voltaram a superar os depósitos, desta vez em R$ 40,7 bilhões.

Em dezembro, o governo anunciou o lançamento de um aplicativo oficial do Tesouro Direto, pelo qual os investidores poderão realizar as principais transações, como investimentos, resgates, agendamentos e consultas de extratos, além da ampliação do horário de resgate (venda) dos papéis, entre outras facilidades.

Tesouro Direto

O investimento no Tesouro Direto pode ser uma boa opção para quem não tem muito dinheiro, mas busca um investimento de médio e longo prazos. Ao investir em títulos públicos, a pessoa se torna credora, emprestando dinheiro para o governo. Em troca, recebe juros.

Para aplicar no programa, o interessado deve fazer um cadastro em uma instituição financeira no
site do Tesouro Direto. O investidor recebe uma senha por e-mail e pode começar a aplicar seu dinheiro.

No Tesouro Direto, assim como nos fundos de investimento, há cobrança do Imposto de Renda. A alíquota do IR é regressiva em ambos os casos. Ou seja, quanto mais tempo os recursos ficam aplicados, menor será o IR pago pelo investidor.

Para aplicações de até seis meses, a alíquota do IR é de 22,5%, caindo para 20% entre seis meses e um ano. Se o prazo da aplicação superar um ano, mas for retirada antes de completar o segundo ano, o IR fica em 17,5%. Acima de dois anos de prazo, a alíquota é de 15%.