quinta-feira, 4 de abril de 2019

Um breve entendimento sobre o aparecimento das Fintechs na economia brasileira

Com o crescimento do número de startups e a popularização do termo, nasceram as categorias de startups financeira. Uma dessas categorias criadas foi a fintech, e podemos definir como:

“Uma fintech é uma startup que fornece serviços com foco em finanças”.

Assim, qualquer startup que possua sua atividade relacionada a finanças, ou ao mercado financeiro, se encaixa dentro dessa categoria.

No Brasil, atuam mais de 450 fintechs, número que cresceu cerca de 30% em relação ao ano de 2017. É um mercado que possui bastante interesse de aceleradoras e investidores, o que auxilia no crescimento do número de fintechs.

Existem fintechs em diversas áreas de atuação, segue abaixo os detalhes de algumas delas.

Intermediação de Pagamentos

São as startups que processam pagamentos. Esses pagamentos são feitos via cartão de crédito, onde também disponibilizam a opção de parcelamento, ou até mesmo as formas de pagamento como boleto e transferência.

Na maioria das vezes, cobram taxas percentuais sobre a intermediação dos pagamentos ou um valor fixo, como nos casos de pagamento por boleto.

Algumas empresas fazem o gerenciamento de risco, pois, quem recebe os pagamentos, pode sofrer fraudes ou chargebacks(nos pagamentos com cartão de crédito).

Nesta categoria temos os intermediadores de pagamentos, sistemas de cobrança e gerenciamento de cobrança recorrente. Essa categoria possui mais de 25% do número de startups no Brasil.

Gestão financeira

Nesta categoria temos os softwares e plataformas que ajudam na gestão financeira de outras pessoas e empresas. Normalmente nas atividades das fintechs de gerenciamento financeiro, não existe nenhum tipo de operação financeira.

Podemos incluir nesta categoria os apps de gestão financeira pessoal, ERPs, gestão de pagamento e controle financeiro para empresas.

Empréstimos

Assim com um banco tradicional, estas startups fazem empréstimos a outras pessoas e empresas. Cobram taxas baseadas no risco do empréstimo, tempo e valor.

Possuem alto risco na sua operação, por isso, normalmente recusam fazer empréstimos a clientes que possuam um histórico ruim, onde essas informações são obtidas através de ferramentas específicas, como, por exemplo Serasa Experian e Boa Vista Serviços.

Se diferenciam dos bancos tradicionais, em oferecer uma forma diferenciada e prática nas solicitações de empréstimo. Podendo oferecer isso via internet ou até mesmo por app, sem solicitar uma grande quantidade de documentação.

Seguros

As fintechs de seguros são bem parecidas com as empresas de seguro tradicionais, se diferenciando apenas pela praticidade na contratação das apólices, que podem ser feitas pela internet ou por apps.

Também costumam focar em áreas específicas, como seguro de carros, pessoal, residencial, etc.

Criptomodas

Com o nascimento do Bitcoin em 2009, nos primeiros anos já começaram a nascer as
primeiras empresas de compra e venda de criptomoedas. Funcionam praticamente como uma bolsa de valores, dando até painéis de trade aos seus clientes.

Além do serviço de compra e venda, ou trade, também oferecem a opção de troca entre diferentes criptomoedas, assim como uma casa de câmbio.

Também oferecem a opção de compra de criptomoedas com dinheiro, o que causa bastante problemas para esse tipo de fintech, pois, os bancos utilizados por elas, não aceitam o mercado de criptomoedas como algo legal.

As corretoras de criptomoeda costumam cobrar um valor sobre as transações e em alguns casos pelo saque do valor das criptomoedas para dinheiro.

Investimento

Essas fintechs possibilitam o investimento no mercado de ações de uma forma muito mais simples e prática.

A inovação, além da possibilidade de fazer os investimentos de forma simples por apps ou pela internet, também é destacada pelo uso de bots e inteligência artificial que automatizam as operações de compra e venda usam algoritmos avançados.

Funding

As startups que ajudam na captação de valores se encaixam nessa categoria. Essa captação pode ser tanto para ideias, iniciativas e causas, quanto para empresas que necessitam de investimentos, que podem ser obtidos de investidores anjo e Venture Capital.

Essas empresas costumam cobrar um valor na conclusão da captação dos valores.

Eficiência Financeira

As fintechs desta categoria, são uma das mais disruptivas do mercado. Elas vão de encontro aos grandes bancos tradicionais. São consideradas bancos digitais.

Trazem verdadeiras inovações, criando bancos totalmente online e sem agências, taxas mais baixas ou até inexistentes ao contrário dos grandes bancos que cobram altíssimas taxas até por serviços básicos como emissão de extrato bancário e ainda oferecem péssimos serviços e atendimento burocrático. O maior exemplo desta categoria é o Nubank.

Também entram nesta categoria as fintechs de cartão de crédito, por do mesmo jeito que os bancos digitais, irem contra aos padrões dos emissores de cartões de crédito que possuem os mesmos problemas dos bancos tradicionais.

Eficiência-Financeira

São as fintechs é ajudam outras fintechs em suas operações diárias. Trazem soluções e plataformas para ajudar na eficiência e velocidade dos processos.

São principalmente utilizadas por fintechs que possuem grande risco em suas atividades, como nos casos de intermediação de pagamento, empréstimos e cartões de crédito.

Algumas empresas ajudam no reconhecimento de clientes através de documentações, já outras analisam cenários de possíveis fraudes e maus pagadores. Também podem contribuir na segurança das informações e dos sistemas utilizados nas transações financeiras.  As fintechs, por terem(na maioria das vezes) contato com grande volume de transações financeiras, estão diretamente ligadas a pesadas e burocráticas regulações através de instituições como FEBRABAN E BANCO CENTRAL DO BRASIL.

Além disso, na intermediação de pagamentos, algumas empresas solicitam para fintechs, que possuem grande volume de transações, certas certificações que autentiquem a segurança da infraestrutura dos sistemas a garantia do sigilo das informações dos clientes e das transações.

O processo de regulamentação costuma ser demorado, por causa da grande documentação necessária e critérios a serem seguidos. Contudo, atualmente as instituições, reconhecendo o grande crescimento do número de fintechs, vem otimizando e desburocratizando os processos de regulamentação e até criando regulamentações mais simples e específicas para cada área de atuação das fintechs.

Fonte: www.formasdepagamento.com.br
Evandro Zanatta

sexta-feira, 22 de março de 2019


Lançamento de nova linha de crédito do BNDES para as MPE’s

Empresários individuais também poderão requerer créditos nessa nova linha. Limite de crédito é de R$ 500 mil, com uma carência de até dois anos e prazo de pagamento de até 5 anos.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) lançou hoje sexta-feira (22/3) uma linha de crédito especial voltada a micro e pequenas empresas (MPEs), incluindo empresários individuais. O lançamento já havia sido antecipado pelo presidente do banco, Joaquim Levy a imprensa.

A nova linha de crédito tem teto de financiamento no valor de R$ 500 mil. São oferecidos três tipos de taxas de juros: TFB, TLP ou Selic. A escolha da melhor taxa será feita em uma negociação entre banco e cliente.

O prazo para pagamento do empréstimo é de até cinco anos, sendo que os dois primeiros podem ser de carência. Com a carência, ponderou o presidente do BNDES, Joaquim Levy, o empresário tem a oportunidade de começar a ter o retorno financeiro esperado a partir da contratação do financiamento antes de iniciar o pagamento.

Para Levy, a nova linha oferece “condições atraentes” e “com as novas perspectivas existe a possibilidade de voltarmos a crescer”.

Dados do Caged mostram que cerca de 80% das vagas formais de emprego são geradas pelas MPEs, destacou Levy. “É a base de uma economia saudável e com capacidade de inovação”, disse.

Segundo Levy, no ano passado o BNDES desembolsou quase R$ 15 bilhões a cerca de 136 mil clientes. “Acho que isso pode aumentar ainda mais dado o número de MPEs no Brasil”, destacou.

Agente financeiro

Essa modalidade de empréstimo do BNDES, voltada para as MPEs, está sendo ofertada somente de forma indireta. Isso significa que a contratação do financiamento é intermediada por um dos cerca de 50 bancos parceiros do banco de fomento.

O presidente do BNDES, Joaquim Levy, destacou que foi criado um canal online, no site do próprio banco, para viabilizar a intermediação do processo de contratação do crédito.

O Presidente Joaquim Levy disse: “A gente tem procurado usar as novas tecnologias para poder criar uma ponte entre o tomador do empréstimo e os diversos bancos que podem atender a ele. A forma de fazer isso é um canal na página do nosso site já dá uma indicação de que tipo de banco tem mais afinidade com o perfil dele. Com isso, quando o cliente chega em uma agência ele já tem tudo organizado para fazer o pedido e obter o seu crédito”.

Dois dos bancos parceiros estiveram presentes no lançamento da nova linha, o Sicredi que é uma instituição financeira cooperativa e o Bradesco, segundo maior banco privado do País. Os representantes de ambos elogiaram a iniciativa e reforçaram a perspectiva de retomada do crescimento econômico do país.

De acordo com Gustavo Freitas do Sicredi “Ela vem num momento importante, no início de retomada (econômica). E nós, como agentes financeiros, temos um papel importante por conta da presença em municípios de pequeno porte, onde estão concentradas a maioria dessas micro e pequenas empresas”.
E o Executivo do Bradesco Osmar Sanches Biscuola aproveitou a oportunidade para dizer: “Isso é muito importante [a oferta de crédito para as MPEs, até porque estamos falando geração de receita e de empregos”.

segunda-feira, 18 de março de 2019

Banco Central registra ‘prévia’ do PIB em queda de 0,41% em janeiro

Antes de falar da prévia do Banco Central vamos falar sobre o que é o PIB, primeiro é bom saber que PIB quer dizer PRODUTO INTERNO BRUTO, Abaixo segue uma explicação básica e conceitual para que possam entender, espero que  eu consiga ser didático o suficiente e após os conceitos segue a informação da prévia  do Banco Central.

O produto interno bruto (PIB) representa a soma (em valores monetários) de todos os bens e serviços finais produzidos numa determinada região (quer sejam países, estados ou cidades), durante um período determinado (mês, trimestre, ano etc). Na hora de considerarmos a soma isso inclui bens como o pãozinho de todo dia até o apartamento de luxo, isto é, todos os bens e serviços. O índice só considera os bens e serviços finais, de modo a não calcular a mesma coisa duas vezes. Sendo assim vamos falar de como se calcula o PIB.

A matéria-prima usada na fabricação não é levada em conta. No caso de um pão, a farinha de trigo usada não entra na contabilidade.

Um carro de 2006 não é computado no PIB de 2007, pois o valor do bem já foi incluído no cálculo daquele outro ano.

O primeiro fator que influencia diretamente a variação do PIB é o consumo da população. Quanto mais as pessoas gastam, mais o PIB cresce. Se o consumo é menor, o PIB cai.

O consumo depende dos salários e dos juros. Se as pessoas ganham mais e pagam menos juros nas prestações, o consumo é maior e o PIB cresce. Com salário baixo e juro alto, o gasto pessoal cai e o PIB também. Por isso os juros altos atrapalham o crescimento do país.

Os investimentos das empresas também influenciam no PIB. Se as empresas crescem, compram máquinas, expandem atividades, contratam trabalhadores, elas movimentam a economia. Os juros altos também atrapalham aqui: os empresários não gastam tanto se tiverem de pagar muito pelos empréstimos para investir.

Os gastos do governo são outro fator que impulsiona o PIB. Quando faz obras, como a construção de uma estrada, são contratados operários e é gasto material de construção, o que ele eleva a produção geral da economia.

As exportações também fazem o PIB crescer, pois mais dinheiro entra no país e é gasto em investimentos e consumo.

A fórmula utilizada para calcular o PIB é:

PIB= C+I+G+X-M

Sendo que:

C representa o consumo privado
I é a totalidade de investimentos realizada no período
G equivale aos gastos do governo
X é o volume de exportações
M é o volume de importações

Agora que já entenderam o conceito de PIB acho que podemos falar da ‘prévia’ do Banco Central.

Índice foi criado para tentar antecipar o resultado do Produto Interno Bruto. Em 2018, O PIB cresceu 1,1%, segundo números divulgados pelo IBGE.

Em janeiro, o chamado Índice de Atividade Econômica do BC (IBC-Br), considerado uma "prévia" do resultado do PIB, registrou um recuo de 0,41%, na comparação com dezembro de 2018. O resultado foi calculado após ajuste sazonal (uma espécie de "compensação" para comparar períodos diferentes).

Na comparação com janeiro de 2018, porém, foi registrada uma alta de 0,79% no indicador (indicador sem ajuste sazonal, pois considera períodos iguais). Em doze meses até janeiro, por sua vez, houve uma expansão de 1% na "prévia" do PIB.

O Produto Interno Bruto (PIB) é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia.

A queda do índice de atividade em janeiro veio após dois meses de alta. Em novembro e dezembro do ano passado, na mesma comparação contra o mês anterior, o indicador apresentou uma alta de, respectivamente, 0,27% e 0,21%.

Em 2018, o PIB teve uma expansão de 1,1% O desempenho da economia brasileira no ano foi decepcionante diante das expectativas iniciais, repetindo o avanço registrado em 2017.

Para este ano, o mercado financeiro estima uma expansão do PIB de cerca de 2,01%, segundo pesquisa feita pelo Banco Central com mais de 100 instituições financeiras na semana passada.

PIB x IBC-r

O IBC-Br foi criado para tentar antecipar o resultado do PIB, que é divulgado pelo IBGE. Os resultados do IBC-Br, porém, nem sempre mostraram proximidade com os dados oficiais do PIB.

O cálculo dos dois é um pouco diferente - o índice do BC incorpora estimativas para a agropecuária, a indústria e o setor de serviços, além dos impostos.

O IBC-Br é uma das ferramentas usadas pelo BC para definir a taxa básica de juros do país. Com o menor crescimento da economia, por exemplo, teoricamente haveria menos pressão inflacionária.

Definição juros básicos da economia

O IBC-Br ajuda o Banco Central na definição dos juros básicos da economia. Atualmente, a taxa Selic está em 6,5% ao ano, na mínima histórica, e a estimativa do mercado é de que permaneça neste patamar até o fim do ano.

Pelo sistema que vigora no Brasil, o BC precisa ajustar os juros para atingir as metas preestabelecidas de inflação. Quanto maiores as taxas, menos pessoas e empresas ficam dispostas a consumir, o que tende a fazer com que os preços baixem ou fiquem estáveis.

Para 2019, a meta central de inflação é de 4,25%, com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Desse modo, o IPCA, considerado a inflação oficial do país e medida pelo IBGE, pode ficar entre 2,75% e 5,75%, sem que a meta seja formalmente descumprida.


quarta-feira, 13 de março de 2019


Economia colaborativa: o que é e por que é uma tendência
O termo “economia colaborativa” tem sido cada vez mais dito. E o seu significado será cada vez mais importante, pois é uma excelente maneira de pessoas e empresas reduzirem gastos.
Economia colaborativa é uma economia em que bens e serviços são obtidos de forma compartilhada. Por exemplo: ao invés de ir a uma loja de materiais de construção e comprar uma furadeira, você pode, por exemplo, usar um aplicativo de celular para alugar uma furadeira durante algumas horas.
Assim, você fica com posse do item somente enquanto precisa utilizá-lo, e depois o devolve para que outras pessoas o usem.
Além disso, esse fenômeno, que em inglês é conhecido como “sharing economy”, pode resultar em economias de até 25% em relação ao que se gastaria se você fosse comprar produtos por meios tradicionais.
A Folha de São Paulo fez uma pesquisa para comparar o orçamento de uma festa de casamento usando produtos obtidos de forma tradicional, e de uma festa de casamento com produtos adquiridos via economia compartilhada. O resultado foi um orçamento 24,3% mais barato para o segundo caso.
E claro que sites e aplicativos de celular são veículos excelentes para a criação de plataformas de compartilhamento. São nesses “redutos” que diversos negócios têm sido criados: aluguel de vagas de garagem; venda de roupas usadas; contratação de pessoas para serem guias turísticos (cicerones); troca de objetos e favores entre vizinhos; dentre outros.
Contudo, muitas iniciativas de compartilhamento não se baseiam apenas no empréstimo ou no aluguel de bens e serviços, mas também na troca – o famoso escambo. Alguns professores de idiomas podem trocar, por exemplo, suas aulas de inglês por aulas de dança, em vez de trocar por dinheiro.
Coworking é ótimo exemplo

Outro exemplo de economia colaborativa no mercado de trabalho é o coworking, ou seja, o compartilhamento de um mesmo escritório por várias empresas diferentes. Em muitos casos, existe uma empresa que paga o aluguel do espaço (normalmente a empresa que chegou primeiro) e as outras que lá se instalam, ao invés de ratear o aluguel, “pagam” prestando serviços para essa primeira empresa.
No final das contas, trata-se de um novo paradigma econômico que pode pulverizar a oferta de produtos, transferindo a pessoas autônomas a possibilidade de proporcionar ao mercado bens e serviços que antes só eram disponibilizados por empresas especializadas.
Isso barateia o custo, pode agilizar o processo de entrega e democratiza o trabalho.
Por falar em baratear custos, você já conhece a estratégia para sua empresa crescer sem gastar aos tubos?
Fonte: Luca Venturini da Qualitá Comunicação

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018


FEBRABAN lança livro que traz ideia de como reduzir os juros no brasil - GRATUITO

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) lançou este mês o livro gratuito Como fazer os juros serem mais baixos no Brasil. A publicação discute temas como a concentração bancária, spread bancário e cheque especial, entre outros, além de trazer comparativos entre o setor bancário brasileiro e de outros países e propõe medidas para reduzir os juros no país.

O livro é gratuito. O download pode ser feito por meio do link www.jurosmaisbaixosnobrasil.com.br. A obra também está sendo distribuída de graça em 14 lojas das redes das livrarias Cultura e Saraiva em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.

O diretor de Regulação Prudencial, Riscos e Economia da entidade, Rubens Sardenberg, explicou que um dos objetivos da Febraban é debater o tema com a sociedade e o governo e desconstruir ideias equivocadas que fazem parte do senso comum, como a de que a razão de os juros serem altos no país é o fato de a concentração bancária ser responsável pela formação da margem de lucro dos bancos.

“Muitos acham que os bancos têm um lucro muito grande porque são concentrados, ou que
o crédito é caro porque tem poucos bancos que lucram muito alto. O livro é uma tentativa de mostrar que a questão é mais complexa que isso”, disse. “A ideia toda da campanha é mostrar que o Brasil tem custos muito altos de intermediação financeira. Assim como carros, celulares e energia elétrica são mais caros no país, o juro, que é o custo do dinheiro, também é mais alto”, explicou.

Custos

Um dos pontos debatidos no livro é o spread bancário, que consiste na diferença entre o custo de captação do dinheiro emprestado e o valor cobrado de quem toma o empréstimo. Segundo a Febraban, 85% do spread no Brasil se deve aos custos da atividade de intermediação financeira, como os custos associados à inadimplência (37%), às despesas tributárias, regulatórias e fundo garantidor de créditos (23%) e aos gastos administrativos (25%). A entidade afirma que apenas 15% representam o lucro dos bancos.

De acordo com Sardenberg, quando se compara o Brasil com outros países, percebe-se que mesmo em outros países que têm poucos bancos e mercados concentrados, como a Austrália e o Chile, os spreads são mais baixos.

Entre as medidas para reduzir os custos da atividade de intermediação financeira, e assim os juros para o consumidor final, o livro propões a aprovação do cadastro positivo e da nova lei de falências, maior facilidade para que os bancos recuperem os bens dados em garantia por empréstimos em caso de não pagamento e a eliminação da tributação indireta, que onera o crédito, e não o lucro.

Fonte: FEBRABAN


quarta-feira, 28 de novembro de 2018


Livraria Cultura e Saraiva entram em crise



Lojas da Livraria Cultura e Saraiva são presença certa em shoppings e regiões comerciais de grandes cidades brasileiras. Algumas delas, como a Livraria Cultura da Avenida Paulista, em São Paulo, são tão visitadas que parecem até pontos turísticos. Mas, por trás da aparente bonança, essas empresas enfrentam uma crise capaz de levá-las à falência.

A Livraria Cultura foi a primeira a tomar decisões drásticas. A companhia assumiu o controle da Fnac no Brasil em 2017, mas, neste ano, fechou todas as unidades da rede, incluindo a loja virtual. Dias depois, a companhia fez um pedido de recuperação judicial. As dívidas da Livraria Cultura são estimadas em pelo menos R$ 285 milhões.

Cerca de um mês depois, a principal concorrente seguiu pelo mesmo caminho: com dívidas na casa dos R$ 675 milhões, a Livraria Saraiva pediu recuperação judicial em 23 de novembro, ironicamente, no dia da realização da Black Friday, uma das datas mais importantes para o comércio.
Ninguém esperava por isso. Resta, então, a pergunta: o que levou as duas maiores livrarias do Brasil a mergulhar em uma crise tão profunda?

O primeiro sinal de alerta: a estranha aquisição da Fnac

Por razões culturais e econômicas, vender livros no Brasil nunca foi uma atividade fácil. Apesar disso, livrarias e editoras não só sobreviveram como expandiram as suas operações ao longo das últimas décadas. Elas aparentavam conhecer tão bem as peculiaridades do mercado brasileiro que conseguiam se desvencilhar com maestria das dificuldades do setor.

Mas, em 2017, o tapete que encobria os estragos começou a ficar pequeno. As duas maiores livrarias brasileiras adotaram a estratégia de “continuar sorrindo e acenando”, mas as editoras, principalmente as pequenas, sentiram as consequências.

Reclamações sobre atrasos nos pagamentos às editoras começaram a ganhar força em 2016, mas tinham relação com livrarias de pequeno ou médio porte que, provavelmente, estavam sendo afetadas pela crise econômica do país.

Em 2017, ficou claro que as livrarias maiores também estavam enfrentando dificuldades. A Livraria Cultura, por exemplo, já estava há meses atrasando pagamentos aos fornecedores. No entanto, uma estranha manobra camuflou a situação: a Livraria Cultura adquiriu as 12 unidades brasileiras da Fnac, que meses antes já falava em sair do Brasil.

Na verdade, não foi bem uma aquisição. A família Hertz, dona da Livraria Cultura, topou
assumir as operações da Fnac no Brasil em troca de € 36 milhões (na ocasião, algo em torno de R$ 130 milhões). Para a Fnac, repassar esse dinheiro pareceu ser um bom negócio, pois o simples encerramento de suas operações no país poderia custar muito mais.

Para a Livraria Cultura, o dinheiro poderia aliviar as contas. Só que uma mudança de mãos não faz os problemas sumirem magicamente. Além do caos dentro de casa, a Livraria Cultura agora tinha que desarmar a bomba deixada pelos franceses da Fnac.

Até hoje não está claro se a Livraria Cultura tinha mesmo intenção de reavivar as operações da Fnac ou se planejava fechar as lojas da rede gradativamente. O fato é que nenhuma das 12 unidades sobreviveu. A loja online também fechou. Olhando em retrocesso, a gente percebe que essa incomum negociação foi o preâmbulo de uma crise devastadora.

Livraria Laselva: a primeira gigante a cair

Em um passado não muito distante, o meu ritual consistia em fazer check-in e, logo em seguida, comprar revistas na Laselva para ler durante o voo. Apesar de ter tido lojas em shoppings e rodoviárias, a rede ficou conhecida por instalar unidades nos principais aeroportos do Brasil.

A Laselva chegou a ter mais de 80 lojas espalhadas pelo país. Sabe quantas restaram? Isso mesmo, nenhuma. Atolada em dívidas que somavam mais de R$ 120 milhões, a empresa entrou em recuperação judicial em 2013. Em março de 2018, a 2ª Vara de Falências e Recuperação Judicial de São Paulo decretou a falência da rede.

Foi um susto para o mercado editorial, mas não a ponto de causar pânico generalizado. Enquanto a Laselva seguia o seu plano de recuperação — ou, pelo menos, deveria seguir —, Cultura e Saraiva expandiam as suas operações auxiliadas com empréstimos de bancos, incluindo o BNDES.

O problema é que essa expansão foi pautada principalmente pela expectativa de crescimento, não pelo aumento da demanda. Em outras palavras, as duas empresas montaram mais lojas esperando que elas iam naturalmente atrair mais clientes, e não necessariamente porque a procura por livros e outros produtos relacionados estava aumentando.

Como uma bola de neve, as dívidas começaram a se acumular. Mas não foram os bancos que sentiram o impacto. As editoras é que estavam na linha de frente. Como Saraiva e Cultura respondem por cerca de 35% das vendas do setor — esse número pode passar de 50% com relação às pequenas editoras —, muitas delas podem fechar as portas se uma solução não surgir em tempo hábil.

Isso porque o mercado editorial segue uma dinâmica própria. Em vez de comprar livros para revendê-los, geralmente, as livrarias recebem lotes das editoras para remunerá-las conforme as vendas vão sendo realizadas. Trata-se de um sistema conhecido como consignação.

Com a crise das livrarias, as editoras não têm recebido pelos livros que forneceram e que, em muitos casos, foram comercializados há tempos pelas livrarias. É um efeito dominó que atinge editoras de todos os portes.

Muitas diminuíram a produção ou o ritmo de lançamentos por falta de capital de giro ou por conta das incertezas que assombram o setor. Outras estão se negando a fornecer livros para Cultura e Saraiva ou apenas estão topando fechar negócio fora do sistema de consignação.

Por que as livrarias grandes entraram em crise?

A decadência da Laselva aconteceu em um contexto diferente do atual. A companhia atribuiu o problema aos resquícios da crise internacional de 2008 e a mudanças no sistema de licitação da Infraero, por exemplo.

Já Livraria Cultura e Saraiva apontam para fatores como os preços praticados pela Amazon, a recente crise econômica do Brasil, a defasagem dos preços dos livros no país e a falta do hábito de leitura pelo brasileiro.

Esses argumentos podem fazer sentido, mas só até certo ponto. Nos três casos, a principal causa da crise parece ser uma só: falha de gestão. O caso da Livraria Cultura talvez seja o mais emblemático: se a Fnac estava pagando para que outra empresa assumisse as operações brasileiras, não estava visível que alguma coisa não ia bem ali?

Apontar o dedo para a Amazon é contraproducente. A gigante norte-americana tem crescido no Brasil por, entre outras estratégias, comprar lotes de livros em vez de consigná-los, o que eventualmente a permite negociar valores e, assim, baixar preços.

Mas, antes mesmo de a Amazon chegar ao Brasil, Saraiva e Cultura já praticavam descontos agressivos. Em muitos casos — muitos, mesmo —, os preços das lojas online eram mais convidativos do que os das lojas físicas. Certamente, esse é um dos fatores que afastaram os clientes das livrarias de tijolo e cimento.
Também não adianta colocar a culpa nos ebooks. A linha Kindle faz cada vez mais sucesso, mas os leitores brasileiros que estão preferindo livros digitais aos físicos representam uma minoria dos consumidores.

As livrarias também reclamam dos preços dos livros que, nos últimos anos, não acompanharam a inflação. O contrassenso desse argumento é que, apesar disso, os livros continuam sendo caros para a maioria dos consumidores.

Há alguma movimentação no sentido de negociar com o governo a desoneração do setor ou promover uma política de controle de preços, mas esses não parecem ser os melhores caminhos, pelo menos não isoladamente.

Já o argumento da falta de hábito de leitura retrata um cenário real, mas que tem pouco impacto sobre a atual crise das grandes livrarias, pois o problema existe há tempos e aparece como consequência da falta de políticas públicas voltadas à educação e cultura. Esse, sim, é um problema que o governo deveria priorizar.

Certa vez, no metrô, uma senhora me elogiou por eu estar lendo a Bíblia. Na verdade, o que eu lia era uma versão pocket de um dos livros de As Crônicas de Gelo e Fogo. Não sou de responder com prepotência ou sarcasmo, então apenas agradeci. Mas essa situação me perturbou porque, naquele instante, eu me dei conta de que, provavelmente, a Bíblia é o único livro que um sem-número de brasileiros tem acesso.

Mudar essa realidade requer tempo e boa vontade política. Não dá para esperar que uma solução surja no curto prazo, muito menos que ela seja orientada pelos interesses das livrarias.

Há luz no fim do túnel para as livrarias?

Recuperação judicial é coisa séria. Quando uma empresa chega a esse ponto, não há solução óbvia ou fácil para o problema. Mas, definitivamente, demonizar novas tecnologias ou insistir em modelos de negócios que funcionavam anos atrás não resolve.

Exemplos de que uma gestão mais realista dá resultados estão bem abaixo dos nossos
narizes. Enquanto Cultura e Saraiva agonizam, a livraria mineira Leitura cresce apostando em lojas mais enxutas e localizadas em regiões que não recebiam muita atenção das grandes redes, a exemplo das cidades de Mogi das Cruzes (SP) e Sete Lagoas (MG).

Hoje, a Leitura tem cerca de 70 lojas e poderá ter mais se a Saraiva aceitar a proposta de vender cinco de suas unidades fechadas a ela. Cortar o mal pela raiz também é uma estratégia mandatória ali: se uma loja da Leitura dá prejuízo por mais de dois anos, ela é fechada sem dó. Foi o que aconteceu com a unidade que a companhia mantinha em um ponto mainstream: a Avenida Paulista.

Outra rede que vem se sobressaindo é a Livrarias Curitiba, que completou 55 anos neste mês. A companhia também tem crescido seguindo a fórmula de olhar para locais que eram pouco visados pelas concorrentes maiores. Na capital paulista, por exemplo, a Curitiba tem lojas fora das áreas mais nobres: no Shopping Aricanduva (Zona Leste) e no Shopping Tucuruvi (Zona Norte).

É difícil saber se Livraria Cultura e Saraiva irão conseguir dissipar as nuvens carregadas que pairam sobre elas, mas os exemplos das livrarias menores mostram que, a despeito de todas as dificuldades, o mercado editorial brasileiro não está morto.

Reorganizar a casa, cortar excentricidades e negociar com as editoras com mais empatia — e não como se elas fossem um mal necessário, como tem acontecido — é um bom começo. Ou recomeço.

Fonte: Tecnoblog - Emerson Alecrim