segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Governo gasta toda receita e mais um pouco para pagar despesas


O Governo Federal já compromete toda a receita líquida com o pagamento de despesas obrigatórias, mesmo que cortasse todo o investimento e gastos para o funcionamento da máquina pública, o resultado primário continuaria sendo deficitário. Segundo dados do Tesouro Nacional, as despesas obrigatórias representam 105% da receita líquida considerando o acumulado encerrado em julho.

Desde 2016, essas despesas estão em patamar mais elevado que a receita líquida, nesta época era 101,3%. A preocupação da equipe econômica, no entanto, e que essa deterioração está intensificando e achatando os investimentos fundamentais para a retomada sustentável da economia. Em 2010, quando o crescimento econômico chegou a 7,5% as despesas obrigatórias representavam 72,6% da receita líquida.

A equipe econômica tem ressaltado que o governo cortou na “carne”, mas não há mais espaço para ajustes que compensem o forte crescimento das despesas obrigatórias, que só podem ser reduzidas com aprovação de mudanças na legislação. Mesmo com a queda nas despesas, o déficit primário do governo central chegou a R$ 83,7 bilhões no acumulado em 12 meses encerrados em julho.

Nesse cenário, o governo terá que controlar gastos, o que tem se mostrado cada vez mais difícil, ou ampliar receitas por meio, por exemplo, de venda de ativos para garantir que esse rombo caia e, com isso, a meta de R$ 159 bilhões para o ano seja atingida.

Segundo levantamento do Tesouro, as despesas obrigatórias tiveram expansão real de 31% de 2010 a 2017 e, no acumulado em 12 meses até julho, somaram R$ 1,147 trilhão. Para piorar a situação, o governo tem controle de fluxo (ou seja, pode distribuir o pagamento ao longo do ano) de apenas R$ 125,7 bilhões desse valor. O restante das despesas obrigatórias (R$ 1.020 trilhão) se refere a gastos como benefícios previdenciários e pessoal, que precisam ser pagos todos os meses.

Já os gastos discricionários com controle de fluxo, ou seja, o governo pode cancelar e ainda distribuir a liberação ao longo do ano conforme o comportamento das receitas, tiveram queda real de 11,01% somando R$ 129,2 bilhões no acumulado de 12 meses. O patamar dessa despesa é o mais baixo dede pelo menos 2010. O gasto com investimentos não superou o total de R$ 57,4 bilhões, o menor patamar desde 2012. O valor está corrigido pelo IPCA de julho.
 
Um dos programas que mais sofrem com a diminuição dos gastos com investimentos é o Minha Casa Minha Vida, que após atingir seu pico de R$ 19,7 bilhões em 2014, vem minguando aos poucos. No acumulado em 12 meses, a destinação de recursos do governo para o programa foi de apenas R$ 7,1 bilhões. Na conservação de estradas/obras em andamento, o dispêndio em 12 meses até julho foi de R$ 12,3 bilhões – menor patamar desde 2010, quando a destinação chegou a R$ 25,8 bilhões.

Os números reforçam o discurso da equipe econômica sobre a necessidade de aprovação de reformas, como a da Previdência e de uma discussão futura sobre o tamanho do Estado. “O Orçamento está engessado por dispositivos legais. Com isso, a sociedade brasileira perdeu o espaço para fazer escolhas”, e isso que as autoridades econômicas estão falando no governo, destacando que a sociedade vai precisar discutir uma reforma de Estado e as vinculações orçamentárias, assim como a indexação de programas à inflação, tudo isso é o governo que fala.

A reforma Previdenciária é considerada pelo Governo como fundamental para o controle das despesas e para o cumprimento do teto dos gastos. Sem mudanças nas regras de concessão de aposentadorias e pensões no setor privado e público, os gastos com Benefícios de Prestação Continuada (BPC) vão comprometer mais de 60% do teto em 2020. Em 2017 essas despesas consomem 54,5% do teto.

Mas também tem um alternativa que o Governo ignora e que pode ser muito boa para diminuição dos gastos, mas que dependem da aprovação do Congresso Nacional, neste caso não é fazer reformas que diminuem ainda mais o que se chama de renda do trabalhadores e muito menos aumentando impostos e ou diminuindo os Benefícios dos velhinhos e velhinhas sem renda e sem responsáveis como é o caso dos beneficiários do BPC, mas sim diminuindo os inúmeros benefícios das autoridades do judiciário e também do executivo, pode-se com isso reverter muitas dessas despesas em receitas para o Orçamento e aumentar os investimentos, neste país temos muitos benefícios para o executivo e para o judiciário cujos salários são altíssimos e não justifica tanta despesa para essas categorias.


Para tentar reverter esse cenário, que cai comprimi ainda mais os investimentos, a esperança do governo é que as discussões da reforma da Previdência sejam retomadas neste mês para que seja aprovada na Câmara em outubro. Mas a matéria ainda enfrenta resistência devido, principalmente, à proximidade das eleições.

Legendas importantes para o entendimento

As despesas obrigatórias são aquelas cujo pagamento está definido na Constituição ou outra legislação infraconstitucional. É o caso dos pagamentos de duração continuada como pessoal e encargos sociais, benefícios da previdência, transferências constitucionais a Estados e municípios como o Fundo de Participação dos Estados e o Fundo de Participação dos Municípios.

Superávit PrimárioO superávit primário é basicamente um resultado positivo nas contas do governo. Se depois de fazer a conta de receitas menos despesas, o governo consegue um saldo positivo, a gente diz que houve um superávit primário em suas contas. Em outras palavras, é quanto o governo conseguiu economizar em um período.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Como um líder pode motivar sua equipe sem estímulo financeiro?

 Sofia Esteves
Em tempos de crise econômica, muitas empresas quebram a cabeça para encontrar formas de motivar as pessoas que integram seus times. Isso acontece porque grande parte delas está acostumada a promover a felicidade por meio de recompensas financeiras. Mas será mesmo que essa é a única forma de fazer com que um colaborador se sinta motivado e engajado?
A resposta para essa pergunta é não, por mais estranho que isso possa parecer. Claro que dinheiro é importante e as pessoas valorizam e precisam disso, porém, existem várias outras formas de motivar as equipes. Inclusive, a edição de 2017, da nossa pesquisa Carreira dos Sonhos fala justamente sobre isso: o que as empresas podem fazer, gastando pouco, para deixar as pessoas felizes.
O primeiro ponto importante para motivar e engajar as pessoas é trabalhar a liderança e a equipe, como um todo, para aumentar o nível de confiança na empresa e entre as pessoas. Para que isso seja possível, é fundamental entender que confiança não se ganha na declaração, mas em um processo de construção que envolve comportamentos consistentes. Ou seja, basicamente, é preciso ter coerência entre fala e prática: falar o que se faz e fazer o que se fala.
A segunda coisa que uma empresa pode fazer para que as pessoas se sintam mais felizes tem a ver com empoderamento, ou seja, elas querem poder vir inteiras para o trabalho, poder ser quem elas são e ter mais autonomia no seu dia a dia, para decidir quando, onde e com o que trabalhar.
Por último, mas não menos importante, está o valor do aprendizado e existem muitas formas de se trabalhar essa questão na empresa. Uma delas é por meio de treinamentos, que podem ser no estilo mais formal, ou não. Imagine como pode ser gratificante para o time interno se a organização opta por usar aquilo que as equipes já conhecem, já sabem e podem ensinar para mais gente. Além de ser eficiente é recompensador para as pessoas envolvidas.
Como você pode ver não é tão difícil fazer com que o time se sinta feliz e motivado, mesmo que não aja recompensas financeiras. Muito mais que dinheiro, as pessoas querem sentir que há um propósito naquilo que fazem, que o tempo que dedicam ao trabalho trará satisfação pessoal, ou seja, elas querem ter certeza de que tudo o que fazem tem algum sentido.
Olhe mais para o seu time e perceba o que está faltando para que o engajamento se instaure e a motivação aconteça. Quando você fizer isso, será muito mais fácil entender quais ações são necessárias para fazer as pessoas mais felizes.
(*) Sofia Esteves é presidente do conselho do Grupo Cia de Talentos.
Fonte: Exame.com, por Sofia Esteves (*), 04.09.2017
http://exame.abril.com.br/carreira/como-um-lider-pode-motivar-sua-equipe-sem-estimulo-financeiro/

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Privatização da Casa da Moeda do Brasil

Com a privatização da Casa da Moeda, anunciada nesta quarta feira pelo Governo Federal, o Brasil seguirá modelo de fabricação de papel-moeda já adotado por outros países como Reino Unido, Canadá, Suíça, Nova Zelândia e Chile, onde ao menos parte da produção já é feita por empresas privadas.

Não há um modelo único e predominante entre as maiores economias do mundo, segundo um levantamento da consultoria legislativa da Câmara dos Deputados.

Em países como Estados Unidos, Japão, Coreia do Sul, Austrália e África do Sul, o processo de fornecimento de cédulas e moedas permanece inteiramente estatizado.

O estudo "Fornecimento de papel-moeda e moeda metálica: a experiência de outros países" disponível em: http://bd.camara.gov.br/bd/handle/bdcamara/32140 , do consultor legislativo Fabiano Jantalia, realizado em outubro de 2016, mostra que de 18 países da América Latina, 10 são abastecidos por empresas privadas, 5 por órgão ou ente público, 2 por importações de numerário fabricado por outros países e 1 por produção pública e privada. 

Modelos em outros países

Uma característica comum pelo mundo, segundo o estudo, é a fabricação de cédulas e de moedas metálicas por empresas ou órgãos distintos. É o contrário do que é feito no Brasil. Aqui tanto a produção de cédulas quanto a de moedas são feitas pela Casa da Moeda.

"Na grande maioria dos modelos pesquisados, o que se observa é que, mesmo quando produção de numerário é inteiramente estatizada, os processos fabris de cédulas e de moedas metálicas são confiados a empresas ou órgãos diferentes", destaca o relatório.

Medida provisória aprovada em dezembro pela Câmara, autorizou o Banco Central a comprar no exterior papel-moeda e moeda para abastecer a circulação de dinheiro no país, abrindo caminho para a importação de cédulas impressas em outros países.

Após uma série de problemas com fornecimento no ano passado, o Banco Central fechou contrato com a empresa sueca Crane AB para receber 100 milhões de cédulas de R$ 2 ao custo de R$ 20,2 milhões, segundo reportagem de abril da Revista Época Negócios disponível para consulta livre na url abaixo: (http://epocanegocios.globo.com/Economia/noticia/2017/04/epoca-negocios-bc-importa-100-milhoes-de-cedulas-de-r-2-da-suecia.html). O Brasil já havia feito encomendas de papel-moeda no exterior em 1994, quando o Plano Real foi lançado. Na ocasião, as notas foram impressas pela gigante alemã Giesecke & Devrient.


A Casa da Moeda também já fabricou notas para outros países, como Argentina e a Venezuela.

Não podemos esquecer ainda que este Governo tem pretensões de privatizar outras empresas, isto é, como se tem chamado, desestatizar, veremos cenas dos próximos capítulos.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Estimativas projetadas da inflação foi elevada a 3,5% este ano

O mercado financeiro reagiu a instabilidade econômica e as incertezas em torno da meta para o déficit primário deste ano. O Boletim Focus de hoje segunda-feira (14/8), divulgado pelo Banco Central (BC), apresentou nova alta na estimativa da inflação para este ano.

O indicador, que é medido pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), teve nova alta ao passar de 3,45% para 3,50% este ano, segundo os economistas ouvidos pelo Banco Central para a produção do Boletim Focus . Essa é a quarta revisão do indicador entre julho e agosto.

Para o próximo ano os economistas mantiveram a projeção para inflação em 4,2%, sendo a quarta semana que o indicador permaneceu inalterado no Boletim Focus. Mesmo com as novas expectativas em relação ao IPCA , as projeções permanecem abaixo do centro da meta estipulada pelo governo, que é de inflação de 4,5% ao ano. A meta tem ainda um intervalo de tolerância entre 3% e 6%.

Juros

A estimativa dos economistas em relação a taxa básica de juros, a Selic , é que ela encerre 2017 em 7,5% ao ano. Atualmente, a Selic é de 9,25% ao ano. A estimativa é igual para o próximo ano, e ao que tudo indica, a perspectiva deve se concretizar já que o Comitê de Política Monetária ( Copom ) afirmou que dará continuidade aos cortes na taxa na próxima reunião, que será em setembro.

Quando o Copom aumenta a Selic, a meta é conter a demanda aquecida, e isso gera reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.
Já quando o Copom diminui os juros básicos, a tendência é que o crédito fique mais barato com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle sobre a inflação .

PIB

Os economistas ouvidos pelo Banco Central mantiveram suas estimativas em relação ao Produto Interno Bruto ( PIB ) para este ano, sendo que a estimativa é de leve alta de 0,34%. A projeção chegou a 0,5% este ano, mas o cenário político fez com que a estimativa fosse revista. Para o próximo ano a projeção não foi alterada, permanecendo em 2% de alto do PIB para 2018.

*Com informações da Agência Brasil


quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Com inflação menor, poupança tem ganho maior como muito tempo não tinha

A poupança apresentou ganho real de 4,37% no acumulado de 12 meses até maio, segundo levantamento da Economatica. Trata-se da maior taxa de retorno desde 2006, quando o rendimento ficou em 5,1%.

“O que explica esse resultado é o fato de que a inflação vem caindo. Antes disso, a poupança vinha perdendo poder de compra”, diz o diretor executivo da Anefac (Associação Nacional de Executivos de Finanças), Miguel José Ribeiro de Oliveira.

Em maio, a inflação oficial, medida pelo IPCA, ficou em 0,31%, acumulando alta de 3,6% em 12 meses. Com isso, o ganho real da poupança no mês passado foi de 0,27%.

No ano passado, o retorno da caderneta, descontada a inflação, ficou em 1,90%. Em 2015, ano em que a inflação atingiu dois dígitos, a poupança teve uma perda real de 2,28%.

Apesar do ganho maior neste ano, a poupança continua perdendo para investimentos como Tesouro Direto, fundos com taxas administração baixas e CDI. Oliveira afirma, no entanto, que a perspectiva de novos cortes na taxa básica de juros ao longo do ano contribui para aumentar a atratividade da caderneta, que tem como vantagem a isenção de Imposto de Renda. “Isso deve se manter no curto prazo, mas não quer dizer que a poupança está ganhando dos fundos de investimentos”, afirma.

Com a Selic hoje em 10,25% ao ano, a poupança já começa a ganhar dos fundos de investimento com taxa de administração acima de 1,5%, segundo levantamento feito pela Anefac. Considerando uma aplicação em CDB, o investidor teria que obter uma taxa de juros de cerca de 85% do CDI para atingir o mesmo ganho obtido pela poupança.

Como a Selic está acima de 8,5%, a poupança rende hoje 6,17% ao ano mais a TR (Taxa Referencial). Se a taxa básica de juros cair para 8,5%, o que está previsto pelos economistas para o final de 2017, ou menos, o ganho passa a ser 70% da Selic mais TR.

Nesse cenário de juros a 8,5%, explica Oliveira, tanto os fundos como a poupança perdem atratividade. Os fundos continuarão ganhando da poupança, caso cobrem taxas baixas de administração, o que exige investimentos mais elevados. Para o pequeno investidor, a caderneta seguirá atrativa, diz o diretor da Anefac. 

De acordo com a consultoria Economatica, Veja o desempenho de cada aplicação, já descontada a inflação:
  • Ibovespa: +11,99%
  • CDI: +9,54%
  • CDI: +9,54%
  • Poupança: +5%
  • Euro: -0,37%
  • Dólar: -5,9%
  • Ouro: -12,08%






sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Fundo rende como Tesouro Direto, não tem IR e aceita aplicação de Mil Reais.
Em tempo de juro baixo, o investidor precisa buscar novos produtos e estar disposto a correr mais riscos se quiser obter rendimento mais elevado para o seu dinheiro. Que tal um fundo de investimento que aceita aplicação a partir de R$ 1.000, rende tanto quanto um título do Tesouro Direto vinculado à inflação (Tesouro IPCA) e é isento de Imposto de Renda? 
Trata-se do fundo de debêntures incentivadas. É um produto financeiro relativamente novo, que vem chamando atenção dos especialistas pela boa rentabilidade, aliada à isenção do IR. De janeiro a julho deste ano, o ganho acumulado chegou a 8%, superando a taxa do CDI no período (6,5%). Entenda como funciona esse investimento e quais os riscos.
O que é uma debênture?
É um título de crédito privado, ou seja, é um papel de dívida emitido por uma empresa. Esse papel paga uma taxa de juros e tem um prazo de vencimento.
"É parecido com um CDB. Só que, em vez de ser emitido por um banco, quem oferece debêntures são empresas em geral. Na prática, é como se você tivesse emprestando dinheiro para uma empresa", explica Roberto Indech, analista de investimentos da corretora Rico.
As debêntures incentivadas, também conhecidas como debêntures de infraestrutura, são um tipo específico desses papéis de dívida, emitidas por empresas que atuam em projetos de infraestrutura, como rodovias, aeroportos e hidrelétricas. Em geral, esse tipo de debênture tem prazo de vencimento mais longo, como cinco ou dez anos, e paga remuneração equivalente à inflação (IPCA) mais uma taxa de juros ao ano, mesmo formato de rendimento do Tesouro IPCA (antiga NTN-B).
Por que é isento de Imposto de Renda?
A lei 12.431, de 2011, criou a debênture incentivada com objetivo de tornar esse papel uma alternativa para as empresas que buscavam captar recursos para projetos de infraestrutura.
Como o próprio nome diz, essa debênture conta com um incentivo, que é a isenção do Imposto de Renda para pessoas físicas. A isenção vale independentemente do tamanho da aplicação ou do prazo do investimento.
Os fundos de debêntures incentivadas investem a maior parte dos recursos (pelo menos 85% do patrimônio do fundo) nesses papéis. Quem aplica dinheiro nesses fundos têm direito à mesma isenção de imposto de quem compra as debêntures incentivadas diretamente no mercado financeiro.
Principal risco é levar calote na debênture
O principal risco ao comprar uma debênture, incentivada ou não, é a empresa que emitiu o papel não honrar os pagamentos de juros e ainda dar um calote na hora de devolver o valor investido no vencimento do papel.
"É o que a gente chama de risco de crédito. Ao se adquirir qualquer tipo de título de crédito privado, é preciso fazer uma análise criteriosa e rigorosa da situação financeira da empresa que emitiu aquela dívida. Tem que verificar, por exemplo, se o projeto onde a empresa vai usar o dinheiro é viável", afirma Sandra Blanco, consultora de investimentos da Órama.
Ela diz que, como a chance de uma empresa deixar de pagar uma dívida, em tese, é maior do que o risco de o governo não pagar um título público, as debêntures precisam oferecer ao investidor um rendimento mais atraente. "Essa é uma das razões porque o investimento em debêntures incentivadas é interessante, além de oferecer a isenção do Imposto de Renda."
Rendimento pode superar o Tesouro IPCA
Apesar do risco, o investidor não deve ficar assustado, afirma Indech. "Há empresas muito sólidas que oferecem debêntures incentivadas, como a Vale, por exemplo. O que acontece, nesse caso, é que o papel deixa de oferecer um prêmio (taxa de juros maior) porque todo mundo sabe que a chance de a Vale dar calote é mínima. A vantagem da debênture acaba sendo apenas a isenção do imposto, mas já é algo relevante."
Como as debêntures incentivadas, em geral, pagam uma remuneração equivalente à inflação (IPCA) mais uma taxa de juros ao ano (prêmio), os fundos desse tipo apresentam rendimento líquido próximo ou ligeiramente superior ao rendimento bruto (que ainda sofrerá retenção de imposto) dos fundos que aplicam em títulos públicos do tipo Tesouro IPCA (antiga NTN-B).
De janeiro a julho deste ano, o ganho líquido médio dos fundos de debêntures incentivadas foi de 8%. "São fundos que rendem acima de 105% do CDI, podendo chegar a 120% do CDI em alguns momentos. Ou seja, rendem mais do que uma LCI ou LCA e contam com a mesma vantagem de isenção de imposto", afirma Blanco.
Hoje, as LCIs e LCAs de bancos médios pagam em torno de 90% do CDI, chegando a 95% em alguns casos.
Fundo dilui risco e permite investimento a partir de R$ 1.000
O investidor pessoa física pode comprar debêntures incentivadas diretamente no mercado financeiro, por meio de uma corretora de valores. Hoje, há papéis de cerca de 70 empresas diferentes disponíveis, como a Vale (mineração, ferrovia e energia), ALL e MRS (ferrovias) e CPFL e Copel (energia).
Porém, os especialistas em investimento recomendam que o pequeno investidor aplique por meio de um fundo dedicado a esse tipo de papel, já que a debênture e o fundo apresentam a mesma vantagem de isenção de imposto.
"Como a maioria das pessoas não conhece o mercado de debêntures nem tem informação suficiente para analisar o risco de uma empresa, o melhor a fazer é investir por meio de um fundo, onde há um gestor e uma equipe de profissionais qualificados para escolher os melhores papéis e minimizar riscos", diz Blanco.
O investimento por meio de um fundo dilui o risco de crédito, porque o gestor consegue aplicar os recursos em papéis de várias empresas ao mesmo tempo. "Dificilmente uma pessoa vai ter capital para comprar várias debêntures. Você consegue comprar papéis de duas ou três empresas. Logo, o risco de crédito da sua carteira de investimento fica muito concentrado", afirma Ricardo Rocha, professor de Finanças do Insper.
Como o produto é relativamente novo (o fundo mais antigo tem apenas três anos), ainda não há muitos fundos de debêntures incentivadas disponíveis. O investidor interessado terá que garimpar nas corretoras e plataformas de investimento. Entre as gestoras que oferecem o produto estão a XP, Órama, AZ Quest, Brasil Plural e Geração Futuro.
Na Órama, por exemplo, o valor mínimo de aplicação é de R$ 1.000. Já a XP exige aporte de R$ 10 mil para ingressar nesse tipo de fundo. A taxa de administração gira em torno de 1% ao ano, mas os fundos cobram ainda taxa de performance (de 20%) sobre o rendimento que exceder um determinado indicador, como o CDI.
Resgates são pagos somente após 30 dias ou mais
O mercado de debêntures ainda é pouco desenvolvido no Brasil. Por essa razão, a liquidez dos papéis é baixa, o que impõe algumas restrições aos investidores. Se você quiser se desfazer do papel antes do vencimento, pode ter que esperar alguns dias até que apareça um comprador disposto a assumir aquele título.
Por essa razão, os fundos de debêntures incentivadas apresentam uma carência para resgates, que varia de 30 a 60 dias, dependendo do fundo. "Esse prazo é justamente para que o gestor consiga vender as debêntures no mercado para levantar os recursos necessários para pagar o resgate", diz Blanco.
"Quem vai investir em fundo de debênture incentivada precisa ter em mente que existe essa carência de resgate. Não é para colocar lá o dinheiro das despesas do mês ou da reserva de emergência. Essa parte da grana deve ir para um título do Tesouro Direto ou para um CDB que tenha liquidez diária", afirma Rocha, do Insper.
Fundo está sujeito à volatilidade e não tem garantia do FGC
As debêntures incentivadas estão sujeitas à marcação a mercado, como qualquer outro tipo de investimento prefixado, como o Tesouro IPCA. Logo, o rendimento dos fundos pode ficar negativo durante alguns períodos de maior volatilidade do mercado financeiro.
"É uma aplicação com horizonte de longo prazo. No curto prazo pode haver momentos de perdas", diz a especialista em investimentos da Órama.
Além disso, as debêntures não contam com a proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que só reembolsa investimentos feitos em títulos emitidos por bancos, como CDBs, LCAs ou LCIs.
"Se eventualmente a empresa que emitiu uma debênture der calote, o fundo que possui aquele papel na carteira terá que fazer uma provisão e isso terá impacto negativo sobre o rendimento de todos os investidores do fundo", afirma Rocha.

Texto de Téo Takar Extraído de:

em 04 de agosto de 2017

quinta-feira, 6 de julho de 2017

PGBL ou VGBL??? Entenda a diferença entre os planos de previdência privada

Antes de fazer uma previdência privada, o investidor precisa entender as características de cada plano. São dois tipos: o Plano Gerador de Benefícios Livres (PGBL) e o Vida Gerador de Benefícios Livres (VGBL). A principal diferença entre eles é quanto você irá pagar no imposto de renda.

A previdência privada é uma aplicação financeira voltada para a aposentadoria.

Veja as diferenças entre os planos de previdência PGBL e VGBL:

PGBL

O PGBL é recomendado para quem faz a declaração completa do imposto de renda. O investidor pode deduzir do imposto o que investiu durante o ano no plano de previdência até chegar no limite de 12% de sua renda bruta.

Quando for sacar esse dinheiro, pagará o imposto sobre o valor total resgatado ou sobre a renda recebida. Ou seja, o dinheiro que você investiu e também o rendimento dele.

VGBL

O VGBL é indicado para quem declara o imposto de renda no formulário simplificado e também para quem é isento. Nesse caso, o investidor não pode abater suas aplicações feitas ao longo do ano no imposto de renda. Mas, quando for sacar o dinheiro, pagará imposto apenas sobre o valor dos rendimentos e não sobre o valor total acumulado.

 

Aposentadoria complementar

 

"As duas modalidades estão construídas num tripé básico: servir como investimento, obter bom planejamento tributário e organizar o planejamento da sucessão patrimonial", é o mais apropriado segundo economista consultados.


Vale lembrar que as incertezas sobre os rumos da Previdência Social, que tem novas regras em discussão no Congresso Nacional, impõem uma necessidade de avaliar alternativas para a aposentadoria, como a previdência complementar.

Qual a melhor opção: PGBL ou VGBL?
Se pararmos para analisar rapidamente, fica parecendo que o VGBL é o melhor modelo para qualquer pessoa. Mas não é bem assim! Para trabalhadores assalariados que têm o IR retido na fonte, o PGBL pode ser muito mais vantajoso.
Por isso é tão importante receber atendimento de um agente autônomo de investimento. Ele saberá traduzir as melhores possibilidades para sua situação.