segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Estimativas projetadas da inflação foi elevada a 3,5% este ano

O mercado financeiro reagiu a instabilidade econômica e as incertezas em torno da meta para o déficit primário deste ano. O Boletim Focus de hoje segunda-feira (14/8), divulgado pelo Banco Central (BC), apresentou nova alta na estimativa da inflação para este ano.

O indicador, que é medido pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), teve nova alta ao passar de 3,45% para 3,50% este ano, segundo os economistas ouvidos pelo Banco Central para a produção do Boletim Focus . Essa é a quarta revisão do indicador entre julho e agosto.

Para o próximo ano os economistas mantiveram a projeção para inflação em 4,2%, sendo a quarta semana que o indicador permaneceu inalterado no Boletim Focus. Mesmo com as novas expectativas em relação ao IPCA , as projeções permanecem abaixo do centro da meta estipulada pelo governo, que é de inflação de 4,5% ao ano. A meta tem ainda um intervalo de tolerância entre 3% e 6%.

Juros

A estimativa dos economistas em relação a taxa básica de juros, a Selic , é que ela encerre 2017 em 7,5% ao ano. Atualmente, a Selic é de 9,25% ao ano. A estimativa é igual para o próximo ano, e ao que tudo indica, a perspectiva deve se concretizar já que o Comitê de Política Monetária ( Copom ) afirmou que dará continuidade aos cortes na taxa na próxima reunião, que será em setembro.

Quando o Copom aumenta a Selic, a meta é conter a demanda aquecida, e isso gera reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.
Já quando o Copom diminui os juros básicos, a tendência é que o crédito fique mais barato com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle sobre a inflação .

PIB

Os economistas ouvidos pelo Banco Central mantiveram suas estimativas em relação ao Produto Interno Bruto ( PIB ) para este ano, sendo que a estimativa é de leve alta de 0,34%. A projeção chegou a 0,5% este ano, mas o cenário político fez com que a estimativa fosse revista. Para o próximo ano a projeção não foi alterada, permanecendo em 2% de alto do PIB para 2018.

*Com informações da Agência Brasil


quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Com inflação menor, poupança tem ganho maior como muito tempo não tinha

A poupança apresentou ganho real de 4,37% no acumulado de 12 meses até maio, segundo levantamento da Economatica. Trata-se da maior taxa de retorno desde 2006, quando o rendimento ficou em 5,1%.

“O que explica esse resultado é o fato de que a inflação vem caindo. Antes disso, a poupança vinha perdendo poder de compra”, diz o diretor executivo da Anefac (Associação Nacional de Executivos de Finanças), Miguel José Ribeiro de Oliveira.

Em maio, a inflação oficial, medida pelo IPCA, ficou em 0,31%, acumulando alta de 3,6% em 12 meses. Com isso, o ganho real da poupança no mês passado foi de 0,27%.

No ano passado, o retorno da caderneta, descontada a inflação, ficou em 1,90%. Em 2015, ano em que a inflação atingiu dois dígitos, a poupança teve uma perda real de 2,28%.

Apesar do ganho maior neste ano, a poupança continua perdendo para investimentos como Tesouro Direto, fundos com taxas administração baixas e CDI. Oliveira afirma, no entanto, que a perspectiva de novos cortes na taxa básica de juros ao longo do ano contribui para aumentar a atratividade da caderneta, que tem como vantagem a isenção de Imposto de Renda. “Isso deve se manter no curto prazo, mas não quer dizer que a poupança está ganhando dos fundos de investimentos”, afirma.

Com a Selic hoje em 10,25% ao ano, a poupança já começa a ganhar dos fundos de investimento com taxa de administração acima de 1,5%, segundo levantamento feito pela Anefac. Considerando uma aplicação em CDB, o investidor teria que obter uma taxa de juros de cerca de 85% do CDI para atingir o mesmo ganho obtido pela poupança.

Como a Selic está acima de 8,5%, a poupança rende hoje 6,17% ao ano mais a TR (Taxa Referencial). Se a taxa básica de juros cair para 8,5%, o que está previsto pelos economistas para o final de 2017, ou menos, o ganho passa a ser 70% da Selic mais TR.

Nesse cenário de juros a 8,5%, explica Oliveira, tanto os fundos como a poupança perdem atratividade. Os fundos continuarão ganhando da poupança, caso cobrem taxas baixas de administração, o que exige investimentos mais elevados. Para o pequeno investidor, a caderneta seguirá atrativa, diz o diretor da Anefac. 

De acordo com a consultoria Economatica, Veja o desempenho de cada aplicação, já descontada a inflação:
  • Ibovespa: +11,99%
  • CDI: +9,54%
  • CDI: +9,54%
  • Poupança: +5%
  • Euro: -0,37%
  • Dólar: -5,9%
  • Ouro: -12,08%






sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Fundo rende como Tesouro Direto, não tem IR e aceita aplicação de Mil Reais.
Em tempo de juro baixo, o investidor precisa buscar novos produtos e estar disposto a correr mais riscos se quiser obter rendimento mais elevado para o seu dinheiro. Que tal um fundo de investimento que aceita aplicação a partir de R$ 1.000, rende tanto quanto um título do Tesouro Direto vinculado à inflação (Tesouro IPCA) e é isento de Imposto de Renda? 
Trata-se do fundo de debêntures incentivadas. É um produto financeiro relativamente novo, que vem chamando atenção dos especialistas pela boa rentabilidade, aliada à isenção do IR. De janeiro a julho deste ano, o ganho acumulado chegou a 8%, superando a taxa do CDI no período (6,5%). Entenda como funciona esse investimento e quais os riscos.
O que é uma debênture?
É um título de crédito privado, ou seja, é um papel de dívida emitido por uma empresa. Esse papel paga uma taxa de juros e tem um prazo de vencimento.
"É parecido com um CDB. Só que, em vez de ser emitido por um banco, quem oferece debêntures são empresas em geral. Na prática, é como se você tivesse emprestando dinheiro para uma empresa", explica Roberto Indech, analista de investimentos da corretora Rico.
As debêntures incentivadas, também conhecidas como debêntures de infraestrutura, são um tipo específico desses papéis de dívida, emitidas por empresas que atuam em projetos de infraestrutura, como rodovias, aeroportos e hidrelétricas. Em geral, esse tipo de debênture tem prazo de vencimento mais longo, como cinco ou dez anos, e paga remuneração equivalente à inflação (IPCA) mais uma taxa de juros ao ano, mesmo formato de rendimento do Tesouro IPCA (antiga NTN-B).
Por que é isento de Imposto de Renda?
A lei 12.431, de 2011, criou a debênture incentivada com objetivo de tornar esse papel uma alternativa para as empresas que buscavam captar recursos para projetos de infraestrutura.
Como o próprio nome diz, essa debênture conta com um incentivo, que é a isenção do Imposto de Renda para pessoas físicas. A isenção vale independentemente do tamanho da aplicação ou do prazo do investimento.
Os fundos de debêntures incentivadas investem a maior parte dos recursos (pelo menos 85% do patrimônio do fundo) nesses papéis. Quem aplica dinheiro nesses fundos têm direito à mesma isenção de imposto de quem compra as debêntures incentivadas diretamente no mercado financeiro.
Principal risco é levar calote na debênture
O principal risco ao comprar uma debênture, incentivada ou não, é a empresa que emitiu o papel não honrar os pagamentos de juros e ainda dar um calote na hora de devolver o valor investido no vencimento do papel.
"É o que a gente chama de risco de crédito. Ao se adquirir qualquer tipo de título de crédito privado, é preciso fazer uma análise criteriosa e rigorosa da situação financeira da empresa que emitiu aquela dívida. Tem que verificar, por exemplo, se o projeto onde a empresa vai usar o dinheiro é viável", afirma Sandra Blanco, consultora de investimentos da Órama.
Ela diz que, como a chance de uma empresa deixar de pagar uma dívida, em tese, é maior do que o risco de o governo não pagar um título público, as debêntures precisam oferecer ao investidor um rendimento mais atraente. "Essa é uma das razões porque o investimento em debêntures incentivadas é interessante, além de oferecer a isenção do Imposto de Renda."
Rendimento pode superar o Tesouro IPCA
Apesar do risco, o investidor não deve ficar assustado, afirma Indech. "Há empresas muito sólidas que oferecem debêntures incentivadas, como a Vale, por exemplo. O que acontece, nesse caso, é que o papel deixa de oferecer um prêmio (taxa de juros maior) porque todo mundo sabe que a chance de a Vale dar calote é mínima. A vantagem da debênture acaba sendo apenas a isenção do imposto, mas já é algo relevante."
Como as debêntures incentivadas, em geral, pagam uma remuneração equivalente à inflação (IPCA) mais uma taxa de juros ao ano (prêmio), os fundos desse tipo apresentam rendimento líquido próximo ou ligeiramente superior ao rendimento bruto (que ainda sofrerá retenção de imposto) dos fundos que aplicam em títulos públicos do tipo Tesouro IPCA (antiga NTN-B).
De janeiro a julho deste ano, o ganho líquido médio dos fundos de debêntures incentivadas foi de 8%. "São fundos que rendem acima de 105% do CDI, podendo chegar a 120% do CDI em alguns momentos. Ou seja, rendem mais do que uma LCI ou LCA e contam com a mesma vantagem de isenção de imposto", afirma Blanco.
Hoje, as LCIs e LCAs de bancos médios pagam em torno de 90% do CDI, chegando a 95% em alguns casos.
Fundo dilui risco e permite investimento a partir de R$ 1.000
O investidor pessoa física pode comprar debêntures incentivadas diretamente no mercado financeiro, por meio de uma corretora de valores. Hoje, há papéis de cerca de 70 empresas diferentes disponíveis, como a Vale (mineração, ferrovia e energia), ALL e MRS (ferrovias) e CPFL e Copel (energia).
Porém, os especialistas em investimento recomendam que o pequeno investidor aplique por meio de um fundo dedicado a esse tipo de papel, já que a debênture e o fundo apresentam a mesma vantagem de isenção de imposto.
"Como a maioria das pessoas não conhece o mercado de debêntures nem tem informação suficiente para analisar o risco de uma empresa, o melhor a fazer é investir por meio de um fundo, onde há um gestor e uma equipe de profissionais qualificados para escolher os melhores papéis e minimizar riscos", diz Blanco.
O investimento por meio de um fundo dilui o risco de crédito, porque o gestor consegue aplicar os recursos em papéis de várias empresas ao mesmo tempo. "Dificilmente uma pessoa vai ter capital para comprar várias debêntures. Você consegue comprar papéis de duas ou três empresas. Logo, o risco de crédito da sua carteira de investimento fica muito concentrado", afirma Ricardo Rocha, professor de Finanças do Insper.
Como o produto é relativamente novo (o fundo mais antigo tem apenas três anos), ainda não há muitos fundos de debêntures incentivadas disponíveis. O investidor interessado terá que garimpar nas corretoras e plataformas de investimento. Entre as gestoras que oferecem o produto estão a XP, Órama, AZ Quest, Brasil Plural e Geração Futuro.
Na Órama, por exemplo, o valor mínimo de aplicação é de R$ 1.000. Já a XP exige aporte de R$ 10 mil para ingressar nesse tipo de fundo. A taxa de administração gira em torno de 1% ao ano, mas os fundos cobram ainda taxa de performance (de 20%) sobre o rendimento que exceder um determinado indicador, como o CDI.
Resgates são pagos somente após 30 dias ou mais
O mercado de debêntures ainda é pouco desenvolvido no Brasil. Por essa razão, a liquidez dos papéis é baixa, o que impõe algumas restrições aos investidores. Se você quiser se desfazer do papel antes do vencimento, pode ter que esperar alguns dias até que apareça um comprador disposto a assumir aquele título.
Por essa razão, os fundos de debêntures incentivadas apresentam uma carência para resgates, que varia de 30 a 60 dias, dependendo do fundo. "Esse prazo é justamente para que o gestor consiga vender as debêntures no mercado para levantar os recursos necessários para pagar o resgate", diz Blanco.
"Quem vai investir em fundo de debênture incentivada precisa ter em mente que existe essa carência de resgate. Não é para colocar lá o dinheiro das despesas do mês ou da reserva de emergência. Essa parte da grana deve ir para um título do Tesouro Direto ou para um CDB que tenha liquidez diária", afirma Rocha, do Insper.
Fundo está sujeito à volatilidade e não tem garantia do FGC
As debêntures incentivadas estão sujeitas à marcação a mercado, como qualquer outro tipo de investimento prefixado, como o Tesouro IPCA. Logo, o rendimento dos fundos pode ficar negativo durante alguns períodos de maior volatilidade do mercado financeiro.
"É uma aplicação com horizonte de longo prazo. No curto prazo pode haver momentos de perdas", diz a especialista em investimentos da Órama.
Além disso, as debêntures não contam com a proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que só reembolsa investimentos feitos em títulos emitidos por bancos, como CDBs, LCAs ou LCIs.
"Se eventualmente a empresa que emitiu uma debênture der calote, o fundo que possui aquele papel na carteira terá que fazer uma provisão e isso terá impacto negativo sobre o rendimento de todos os investidores do fundo", afirma Rocha.

Texto de Téo Takar Extraído de:

em 04 de agosto de 2017

quinta-feira, 6 de julho de 2017

PGBL ou VGBL??? Entenda a diferença entre os planos de previdência privada

Antes de fazer uma previdência privada, o investidor precisa entender as características de cada plano. São dois tipos: o Plano Gerador de Benefícios Livres (PGBL) e o Vida Gerador de Benefícios Livres (VGBL). A principal diferença entre eles é quanto você irá pagar no imposto de renda.

A previdência privada é uma aplicação financeira voltada para a aposentadoria.

Veja as diferenças entre os planos de previdência PGBL e VGBL:

PGBL

O PGBL é recomendado para quem faz a declaração completa do imposto de renda. O investidor pode deduzir do imposto o que investiu durante o ano no plano de previdência até chegar no limite de 12% de sua renda bruta.

Quando for sacar esse dinheiro, pagará o imposto sobre o valor total resgatado ou sobre a renda recebida. Ou seja, o dinheiro que você investiu e também o rendimento dele.

VGBL

O VGBL é indicado para quem declara o imposto de renda no formulário simplificado e também para quem é isento. Nesse caso, o investidor não pode abater suas aplicações feitas ao longo do ano no imposto de renda. Mas, quando for sacar o dinheiro, pagará imposto apenas sobre o valor dos rendimentos e não sobre o valor total acumulado.

 

Aposentadoria complementar

 

"As duas modalidades estão construídas num tripé básico: servir como investimento, obter bom planejamento tributário e organizar o planejamento da sucessão patrimonial", é o mais apropriado segundo economista consultados.


Vale lembrar que as incertezas sobre os rumos da Previdência Social, que tem novas regras em discussão no Congresso Nacional, impõem uma necessidade de avaliar alternativas para a aposentadoria, como a previdência complementar.

Qual a melhor opção: PGBL ou VGBL?
Se pararmos para analisar rapidamente, fica parecendo que o VGBL é o melhor modelo para qualquer pessoa. Mas não é bem assim! Para trabalhadores assalariados que têm o IR retido na fonte, o PGBL pode ser muito mais vantajoso.
Por isso é tão importante receber atendimento de um agente autônomo de investimento. Ele saberá traduzir as melhores possibilidades para sua situação.

terça-feira, 4 de julho de 2017

Afinal, aconteceu a queda nas metas de inflação

Contribuição do Leitor 

Arthur Jorge Costa Pinto é Administrador, com MBA em Finanças pela UNIFACS (Universidade Salvador)

Na semana passada, apesar da indomável crise política que nos aflige e das incertezas que só fazem se multiplicar, entravando o futuro da economia, o Conselho Monetário Nacional (CMN) decidiu retomar o processo gradual de desinflação, fixando para 2019 o centro da meta de inflação em 4,25% pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e, para 2020, em 4,00%, sendo que a de 2021 somente será conhecida em 2018. Esta meta ficou levemente abaixo do nível de 4,5% que vigora desde 2005. As metas para 2017 e 2018 continuam em 4,5%, mas o horizonte de fixação foi ampliado de dois para três anos, ainda sem mexer na margem de tolerância em 1,5 % para mais ou para menos. Outra razão não menos importante é que essas decisões decorrem de uma visão unicamente estrutural e guardam pouca relação com as atuais turbulências que estamos enfrentando.

O regime monetário de metas de inflação é um padrão de conduta da política monetária que tem como seu objetivo principal diminuir e manter a inflação em níveis baixos, evitando o risco de hiperinflação, a exemplo do que foi vivenciado pelos brasileiros nas décadas de 80 e 90, proporcionando segurança ao mercado sobre os rumos da economia.

O governo estabelece, para cada ano, uma meta de inflação, que é uma taxa fixa tecnicamente definida. A partir desse número, é estipulada uma faixa de tolerância – quanto à inflação real pode oscilar acima ou abaixo dessa meta.  No Brasil, ela foi implantada em meados de 1999, após passarmos por uma perigosa crise cambial, tendo vindo a substituir o regime das bandas cambiais que predominava até então.

O Brasil, em 2015, não conseguiu atingir a meta estipulada para a inflação, que já vinha superando o teto máximo permitido de 6% quando, perigosamente, alojou-se em 10,67%. No ano passado, com a robusta retração pela qual passou a economia brasileira, ela, a partir do segundo semestre, começou a desacelerar gradualmente e, hoje, já se encontra tranquilamente abaixo do ponto central de 4,5%, possibilitando, dessa forma, uma admirável projeção para o final de 2017.

 Tivemos uma situação um pouco parecida em 2006, quando o resultado da inflação ficou abaixo da meta (3,14%), embora sua redução tenha sido ignorada pela equipe econômica. Na época, os economistas ligados ao governo petista tentaram justificar que um pouquinho de inflação seria saudável para o crescimento econômico. Na verdade, a economia já vinha dando sinais de que iria definhar, iniciando a inconsequente deterioração fiscal.

Comparando-se a meta de inflação do Brasil com outros países, a nossa é literalmente exagerada. Enquanto que outras nações desenvolvidas têm uma meta de inflação média em torno de 2,00%, os emergentes, em média, apresentam 3,3%. Ambas estão bem abaixo dos 4,5% praticados por nós, podendo atingir 6% apenas até 2018 na sua banda superior de tolerância, uma acomodação espaçosa para acolher os choques que por ventura venham a produzir desvios temporários da inflação. Este limite máximo ficou alterado para 2019, declinando para 5,75% e, o mínimo, sinalizando 2,75%. No caso de 2020, as bandas ficarão da seguinte forma: a máxima será 5,50% e, a mínima, 2,50%.

Nesse contexto, somente a Turquia e África do Sul têm metas superiores ao Brasil. É extremamente interessante para a economia brasileira a convergência para metas mais baixas uma vez que isso abre espaço para a prática de juros menores, baixando outros custos econômicos que estão ligados à incerteza e às distorções causadas por uma inflação alta.

Sem dúvida, a nossa economia na maioria das vezes, tem se revelado pouco suscetível à taxa de juros devido às distorções que vêm sendo acumulativas durante um longo período. Um bom exemplo vem de um passado próximo - foi seguramente a expansão anticíclica do crédito através dos bancos públicos, durante a gestão “venerável” da seita petista, quando houve divergência em relação ao aperto dos juros. A indexação também faz com que o efeito direto provocado pela elevação dos juros alcance os preços em menor intensidade e mais lentamente.

Tenho apreciado algumas discussões entre analistas econômicos que consideram prematura a redução realizada, por não existir, pelo menos, um ano decorrido que a inflação está obedecendo à meta estabelecida. Argumentam, também, que é necessário consolidar o patamar atual antes de propor a sua redução, abrindo espaço para a manutenção da queda de juros e assegurando a recuperação da economia.

Na última década, foram poucas as vezes em que o Banco Central (BC) teve a oportunidade de alocar a inflação na meta firmada.  A nossa meta central não é atingida desde 2009. Portanto, já se vão sete anos.  Lembro-me de que, naquele momento, o país ainda sentia de forma mais intensa os efeitos da crise financeira internacional que acabou se disseminando pelo mundo. 

O corte ocorrido recentemente me parece uma iniciativa oportuna, pois poderá contribuir para o nosso crescimento, em função de que uma menor volatilidade da inflação traduz uma menor volatilidade na política monetária e, portanto, uma baixa volatilidade nos preços dos produtos.  Existe uma ressalva relevante, já que não pode provocar custos adicionais em termos de produto.

A redução só será eficiente caso diminuam as incertezas no cenário internacional, especialmente, no doméstico, em função da velocidade surpreendente da degradação da crise política. Uma previsão para um final parece-me um pouco difícil porque a cada nova investigação na operação Lava Jato outras descobertas surgem, gerando um processo longo que apesar de positivo para a sociedade, provoca significativa inquietação na economia. Se por um lado essa operação pode apresentar ainda inúmeros desdobramentos, por outro, a cada dia que passa a situação do Governo fica iminentemente insustentável.

O ambiente de baixa inflação que estamos atravessando aponta boas expectativas que nos permitem, até então, vê-la ancorada. Creio que está bastante compatível com a atual gestão de política monetária relacionada à recente decisão do CMN. Abre-se dessa forma, uma janela de oportunidade para que se inicie o processo de convergência da meta para padrões internacionais que são semelhantes a exitosas experiências que foram praticadas em outros lugares.

A resistência da inflação à elevação dos juros desde 2013 explica-se, especialmente, pela inquietante realidade econômica e, sobretudo, política, observada no período.

A abertura dessa janela passa por três pontos fundamentais: dar seguimento às reformas o mais breve possível e, em especial, a polêmica Previdência, promovendo um ajuste fiscal sustentável sem apresentar possibilidades de ter que refazê-lo daqui a uns quatro anos; é importante a evolução do ambiente externo e desejável uma queda mais generosa da inflação. Provavelmente, durante o segundo semestre desse ano possamos ter uma visão mais consistente acerca desses temas.

Acontecendo a tão ambicionada retomada da economia, que vem apresentando um elevado grau de ociosidade, abrindo dessa forma uma profunda lacuna no mercado de trabalho em virtude de um elevadíssimo desemprego (14 milhões de trabalhadores), isso vem, de certo modo, influenciando na pressão desinflacionária e, evidentemente, facilitando a queda da inflação.

Portanto, se esses três pontos citados realmente acontecerem, provavelmente veremos o declínio na meta de inflação, sem alimentar custos em termos de produto como já foi dito, ou melhor, neste aspecto, sem ter que prolongar ou diminuir o ritmo de recuperação da atividade econômica.

A credibilidade do BC é crucial nesse processo, um predicado que não falta à sua atual equipe, pois ela contribui preferencialmente para a redução do custo da política monetária quando se relaciona ao Produto Interno Bruto (PIB).

Portanto, a efetividade da mudança da meta de inflação sobre o equilíbrio macroeconômico brasileiro dependerá, em grande parte, dos esforços para harmonizar os gastos ao tamanho do Estado. Nesse sentido, as reformas são cada dia mais imprescindíveis, pois além de terem que ser vigorosamente abrangentes são necessariamente contínuas, não só para conseguir o equilíbrio fiscal, mas, também, para modernizar o País, permitindo a expansão da demanda para acelerar a recuperação cíclica da economia sem a corrosão do poder de compra da moeda.

Arthur Jorge Costa Pinto é Administrador, com MBA em Finanças pela UNIFACS (Universidade Salvador)



sexta-feira, 9 de junho de 2017

Canal no Youtube Economia em Quadros - divulgação - 

Olá meus amigos leitores do meu Blog, hoje estou aqui para partilhar com vocês uma ótima oportunidade para um aprendizado de qualidade, neste eu confio plenamente. O Canal Economia em Quadros é um canal de um profissional sério e competente, o Prof. Fábio Neves é um profissional dedicado no que faz, estudamos juntos Economia na UFRRJ e desde aquela época já era dedicado, então meus amigos, tenham certeza de que estou divulgando um produto de qualidade e que eu confio.

O canal no YOUTUBE, Economia em Quadros, foi construído com o propósito de abordar temas relevantes do universo de negócios, são eles finanças, economia e tomada decisão. Com vídeos práticos, onde os conceitos são apresentados de forma direta e útil. Assista aos vídeos, comente e compartilhe.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Estimativas mais baixas para a inflação em 2017 e 2018

Expectativa dos economistas de bancos, divulgada hoje 22 de maio pelo Banco Central, é de inflação em 3,92% neste ano e de 4,34% em 2018.

Os economistas das instituições financeiras reduziram sua estimativa de inflação para este ano e para 2018.


As expectativas dos analistas do mercado financeiro foram coletadas pelo Banco Central na semana passada e divulgadas hoje dia 22 de maio por meio do relatório de mercado, também conhecido como Focus. Mais de cem instituições financeiras foram ouvidas.

Para o comportamento do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2017 – a "inflação oficial" do país –, o mercado baixou sua previsão de 3,93% para 3,92%. Foi a décima primeira redução seguida do indicador.

Com isso, manteve-se a expectativa de que a inflação deste ano ficará abaixo da meta central, que é de 4,5%. A meta de inflação é fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e deve ser perseguida pelo Banco Central, que, para isso, eleva ou reduz a taxa de juros (Selic).

A meta central de inflação não é atingida no Brasil desde 2009. À época, o país ainda sentia os efeitos da crise financeira internacional de forma mais intensa, que acabou se espalhando pelo mundo.

Pelo sistema vigente no Brasil, a meta de inflação é considerada formalmente cumprida quando o IPCA fica dentro do intervalo de tolerância também fixado pelo CMN. Para 2017, esse intervalo é de 1,5 ponto percentual para baixo ou para cima do centro da meta. Assim, o BC terá cumprido a meta se o IPCA terminar este ano entre 3% e 6%.

No ano passado, a inflação ficou acima da meta central, mas dentro do intervalo definido pelo CMN. Já em 2015, a meta foi descumprida pelo BC – naquele ano, a inflação superou a barreira dos 10%.

Para 2018, a previsão do mercado financeiro para a inflação recuou de 4,36% para 4,34%. Com isso, o índice está abaixo da meta central de inflação para o período (4,5%) e também do teto de 6% fixado para o ano que vem.

Produto Interno Bruto

Para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2017, o mercado financeiro manteve sua estimativa de crescimento estável em 0,50%.

O PIB é a soma de todos os bens e serviços feitos no país, independentemente da nacionalidade de quem os produz, e serve para medir o comportamento da economia brasileira.

Em 2016, o PIB brasileiro caiu pelo segundo ano seguido e confirmou a pior recessão da história do país, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Para 2018, os economistas das instituições financeiras mantiveram sua estimativa de expansão do PIB estável em 2,50%.

Taxa de juros

O mercado financeiro manteve sua previsão para a taxa básica de juros da economia, a Selic, em 8,5% ao ano no fechamento de 2017. Ou seja, os analistas continuam estimando novas reduções de juros neste ano. Atualmente, a SELIC está em 11,25% ao ano.

Para o fechamento de 2018, a estimativa dos economistas dos bancos para a taxa Selic continuou em 8,5% ao ano. Com isso, estimaram que os juros fiquem estáveis no ano que vem.

A taxa básica de juros é o principal instrumento do BC para tentar conter pressões inflacionárias. A instituição tem de calibrar os juros para atingir índices pré-determinados pelo sistema de metas de inflação brasileiro.

As taxas mais altas tendem a reduzir o consumo e o crédito, o que pode contribuir para o controle dos preços. Entretanto, também prejudicam a economia e geram desemprego.

Câmbio, balança e investimentos

Na edição desta semana do relatório Focus, a projeção do mercado financeiro para a taxa de câmbio do dólar no fim de 2017 recuou de R$ 3,25 para R$ 3,23. Para o fechamento de 2018, a previsão dos economistas para a moeda norte-americana continuou em R$ 3,36.

A projeção do relatório Focus para o resultado da balança comercial (resultado do total de exportações menos as importações) em 2017 subiu de US$ 55,15 bilhões para US$ 56 bilhões de resultado positivo. Para o próximo ano, a estimativa dos especialistas do mercado para o superávit ficou estável em US$ 42,9 bilhões.

A projeção do relatório para a entrada de investimentos estrangeiros diretos no Brasil, em 2017, subiu de US$ 78,5 bilhões para US$ 79,5 bilhões. Para 2018, a estimativa dos analistas avançou de US$ 75 bilhões para US$ 78,75 bilhões.


Fonte: Banco Central e Globo.com