terça-feira, 7 de março de 2017

PIB recua 3,6% em 2016, e Brasil tem pior recessão da história

 

Essa sequência, de dois anos seguidos de baixa, só foi verificada no Brasil nos anos de 1930 e 1931; ritmo de corte em 2015 e 2016 foi o maior já registrado pelo IBGE.


Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro caiu pelo segundo ano seguido em 2016 e confirmou a pior recessão da história do país, segundo dados divulgados nesta terça-feira dia 7/3 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A retração foi de 3,6% em relação ao ano anterior.

Em 2015, a economia já havia recuado 3,8%. Essa sequência, de dois anos seguidos de baixa, só foi verificada no Brasil nos anos de 1930 e 1931, quando os recuos foram de 2,1% e 3,3%, respectivamente.

Como a retração nos anos de 2015 e 2016 superou a dos anos 30, essa é a pior crise já registrada na economia brasileira. O IBGE e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) dispõem de dados sobre o PIB desde 1901.

“Se a gente olhar o biênio, a retração foi de 7,2%. A gente nunca teve um biênio com uma queda acumulada destas”, disse Rebeca de La Rocque Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE. A série histórica do IBGE vai até 1948.

Em valores correntes, o Produto Interno Bruto Brasileiro (PIB) chegou a R$ 6,266 trilhões em 2016, e o PIB per capita ficou em R$ 30.407 – uma redução de 4,4% diante de 2015.

Queda generalizada

 

A crise foi generalizada e os três setores que entram no cálculo do PIB recuaram no ano – agropecuária (-6,6%), indústria (-3,8%) e serviços (-2,7%). Desde pelo menos 2012, a retração não era generalizada como a observada em 2016.

De acordo com a coordenadora de Contas Nacionais, a produção agrícola sofreu por conta das condições climáticas, que afetaram a produção dos principais produtos agrícolas do país. “Milho cana e soja pesam quase 60% no valor da produção da agricultura brasileira.”

No caso do resultado da indústria, a atividade extrativa, que reúne as mineradoras, teve queda de
Rebeca La Rocque Palis - IBGE
2,9%, ainda foi influenciada pela tragédia de Mariana, segundo
Rebeca. “É um setor que a gente viu que tem sido bastante afetado por tudo que tem acontecido. Inclusive a parte fiscal é muito importante. Como, obviamente, o governo tem segurado os gastos, isso tem uma influência grande na construção. A parte pública é muito importante na infraestrutura.”

Investimento e consumo menor

 

Os investimentos também pesaram contra o PIB. A chamada Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), como o indicador de investimentos é conhecido, teve uma retração pelo terceiro ano seguido e caiu 10,2% em 2016. De acordo com o IBGE, esse resultado negativo pode ser explicado, principalmente, pela queda da produção interna e da importação de bens de capital.

Nesse cenário, a taxa de investimento no ano de 2016 caiu para 16,4% do PIB, abaixo do observado no ano anterior (18,1%). Trata-se do menor nível de investimento na economia já registrado pela série histórica do IBGE, que começa em 1996.

O consumo das famílias, que por muitos anos sustentou o crescimento do PIB do Brasil, também seguiu ladeira abaixo em 2016. Em 2016, as famílias consumiram 4,2% a menos do que em 2015, acima da queda registrada entre 2014 e 2015, de 3,9%.

Segundo o IBGE, a alta dos juros, a restrição ao crédito, o aumento do desempenho e a queda da renda explicam esse resultado. Também recuou, mas de forma menos intensa, a despesa do consumo do governo: 0,6% sobre 2015. De 2014 para 2015, a retração havia sido de 1,1%.

Seguindo o que já havia sido visto em 2015, com a valorização do dólar, as exportações de bens e serviços cresceram 1,9%, e as importações de bens e serviços caíram, 10,3%. "A gente teve uma contribuição positiva do setor externo na economia, com o aumento das exportações de bens e serviço.”

“Se a gente não tivesse nenhuma ligação com o setor externo, a gente teria uma queda de 5,3% no PIB”, destacou Rebeca, enfatizando a relevância de o país ter exportado mais do que importado no ano.

Três últimos meses de 2016

 

No quarto trimestre do ano passado, o PIB caiu 0,9% em relação aos três meses anteriores. Foi a oitava queda seguida nesse tipo de comparação. Ao contrário do que ocorreu no consolidado do ano, no último trimestre um setor conseguiu registrar resultado positivo - a agropecuária, que cresceu 1%, influenciada pela agricultura. Já a indústria recuou 0,7%, porque a indústria de transformação foi mal, e os serviços, 0,8%, que não tiveram taxa positiva em nenhuma atividade.

“Olhando para o resultado do quarto trimestre, nós voltamos ao mesmo patamar do terceiro trimestre de 2010”, afirmou Rebeca.

Em relação ao quarto trimestre de 2015, a queda do PIB foi ainda mais intensa. O recuo, de 2,5%, foi o 11º negativo seguido. Todos os setores tiveram desempenho negativo: agropecuária (-5%), indústria (-2,4%) e serviços (-2,4%).

A coordenadora do IBGE destacou que, comparando com os outros trimestres de 2016, o ritmo de queda do PIB diminuiu. No primeiro trimestre do ano, a queda foi de 5,8% em relação ao trimestre anterior. “A gente viu que em outros períodos, algumas atividades econômicas davam uma segurada na economia. Neste biênio, a gente viu que foi uma coisa disseminada em todos os setores.”

Repercussão

Após a divulgação do PIB, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou que o PIB de 2016 é “o espelho retrovisor” mas outros dados mostram que haverá crescimento no primeiro trimestre de 2017.

O titular da Fazenda destacou que, apesar da nova queda do PIB, o Brasil está agora em processo de saída da crise e começa, "claramente", a crescer.

Prof. Juan Jensen - INSPER
Para Juan Jensen, professor de economia do Insper e Sócio da 4, o resultado deixa a expectativa ruim para 2017. "Como caímos em todos os trimestres em 2016, a gente parte de um nível deprimido de atividade econômica, mesmo crescendo ao longo deste ano”, diz.

Para os próximos anos, a expectativa de alguns economistas é menos pessimista. “O lado positivo dessa situação é que muitos erros estão sendo corrigidos, como, por exemplo, a redução do endividamento das empresas e das famílias, bem como o retorno do equilíbrio fiscal. Dessa forma, a economia ganha fôlego em 2017 para retomar o crescimento de forma mais consistente e, em maior intensidade, a partir de 2018”, disse Alex Agostini.

Na esteira das medidas que deverão ser aprovadas e adotadas neste ano pelo governo, o economista Jason Viera também prevê que o PIB deverá crescer na ordem de 0,5%, “concentrado na segunda metade de 2017 e avançando por 2018".

Previsões

A previsão do mercado financeiro era que o PIB encerraria o ano em queda de 3,5%, de acordo com o último boletim Focus que trazia as estimativas para 2016. A expectativa do Banco Central era ainda mais pessimista. O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), considerado uma espécie de "prévia do PIB", indicava que a economia brasileira havia recuado 4,34% no ano passado

Em relatório publicado no início de 2017, o Fundo Monetário Internacional (FMI) indicava que PIB de 2016 teria caído 3,5%.

O que é o PIB

O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia. O resultado negativo do ano passado é reflexo da crise econômica, do aumento do desemprego e da taxa de inadimplência.

Em 2015, a economia brasileira já havia registrado encolhimento de 3,8%. Já em 2014, houve um crescimento de 0,1% no Produto Interno Bruto (PIB).


Para tentar reaquecer a economia, o governo Michel Temer tem anunciado medidas como a liberação de saques das contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). O Banco Central também vem reduzindo a taxa Selic, o que deve se traduzir em queda dos juros dos empréstimos bancários.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

COPOM faz mais um corte na SELIC e juros vai a 13% aa

Primeira reunião do COPOM em 2017 já moatra que este ano será de redução dos juros.

O comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou hoje quarta 1/1 o terceiro corte seguido na taxa básica de juros da economia brasileira, de 13,75% para 13% ao ano.

O corte, de 0,75 ponto percentual, é o maior em quase cinco anos - a última vez que a Selic teve queda semelhante foi em abril de 2012, quando passou de 9,75% para 9% ao ano. A decisão mostra que o BC decidiu acelerar o ritmo de redução da taxa de juros em meio às previsões de que a retomada do crescimento da economia brasileira pode demorar mais para acontecer e aos sinais de desaceleração da inflação.

Mais cedo nesta quarta, o IBGE divulgou que a inflação oficial fechou o ano de 2016 em 6,29%, abaixo do teto da meta perseguida pelo Banco Central, que era de 6,5%.

Com a decisão, a Selic recua ao menor patamar desde o fim de abril de 2015, quando estava em 12,75% ao ano. O corte promovido pelo BC foi maior que o esperado pela maioria dos economistas do mercado financeiro, que apostava em 0,50 ponto percentual. Os analistas das instituições financeiras ouvidos pelo BC preveem que, nos próximos meses, o Copom continuará a reduzir a Selic, que chegaria a 10,25% ao ano no final de 2017.
 
Decisão

Segundo o Banco Central, a decisão do comitê foi unânime e sem viés. Em comunicado divulgado logo após a reunião, o Copom informou que avaliou a alternativa de reduzir a taxa básica de juros para 13,25% e sinalizar uma intensidade maior de queda para a próxima reunião, mas que o cenário atual de inflação e de atividade econômica aquém do esperado tornou apropriado antecipar o ciclo.

“Entretanto, diante do ambiente com expectativas de inflação ancoradas, o Comitê entende que o atual cenário, com um processo de desinflação mais disseminado e atividade econômica aquém do esperado, já torna apropriada a antecipação do ciclo de distensão da política monetária, permitindo o estabelecimento do novo ritmo de flexibilização”, diz o comunicado.

Para o comitê, a convergência da inflação para a meta de 4,5% em 2017 e 2018 é compatível com intensificação da flexibilização monetária em curso.

O BC afirmou ainda que a extensão do ciclo e possíveis revisões no ritmo de flexibilização “continuarão dependendo das projeções e expectativas de inflação e da evolução dos fatores de risco”, como as incertezas do mercado externo, o processo de desinflação de alguns componentes do IPCA e o processo de aprovação e implementação das reformas e ajustes necessários na economia.

O comunicado afirma, no entanto, que a inflação recente continuou mais favorável que o esperado e que a atividade econômica mais fraca pode produzir desinflação mais rápida que as previstas nas projeções.

A autoridade monetária cita que o Focus – pesquisa do BC com economistas do mercado financeiro – recuou a previsão de inflação de 2017 para 4,8% e a manteve ancoradas ao redor de 4,5% para 2018 e horizontes mais distantes.

O BC menciona ainda que o processo de encaminhamento e aprovação das reformas fiscais têm sido positivos até o momento.

Inflação x atividade

O aumento da Selic, ou sua manutenção em um patamar elevado, é o principal mecanismo usado pelo BC para frear a inflação. O objetivo é encarecer o crédito para reduzir o consumo no país.

Juros altos, no entanto, prejudicam a atividade econômica e, consequentemente, inibem a geração de empregos. Quando o Banco Central julga que a inflação está compatível com as metas preestabelecidas, pode baixar os juros.

Isso aconteceu a partir de outubro, quando o Copom passou a promover cortes na Selic tendo em vista as indicações de que o IPCA, a inflação oficial do país, caminhava para dentro da meta de 2016 perseguida pelo BC.

Segundo o IBGE, o IPCA, que em 2015 havia acumulado alta de 10,67%, desacelerou para 6,29% em 2016. Apesar da queda, a inflação ficou próxima do teto da meta do ano passado perseguida pelo Banco Central (6,5%) e ainda distante do centro da meta, que era de 4,5%.

Recessão

A desaceleração da inflação em 2016, e a previsão do governo de que ela deve cair um pouco mais em 2017, abre espaço para que o BC continue a fazer cortes na Selic, o que pode favorecer a retomada do crescimento da economia brasileira.

Os indicadores mais recentes do desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) apontam que a economia pode demorar mais que o previsto para voltar a crescer, o que aumentou as pressões para que o Banco Central acelere a redução da Selic. A expectativa é que isso leve ao barateamento do crédito e, consequentemente, incentive o consumo de bens e serviços no país.

No final de novembro, o Ministério da Fazenda admitiu oficialmente que a economia
brasileira vai crescer menos em 2017 e anunciou a revisão de sua estimativa de alta do PIB, de 1,6% para 1%. Na época, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, atribuiu a condição à demora no enfrentamento da crise financeira.

Também no final de novembro, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anunciou que, no terceiro trimestre de 2016, o PIB recuou 0.8% em relação ao trimestre anterior - a sétima retração seguida nessa base de comparação e a mais longa de toda a série histórica do indicador, que teve início em 1996.

Em outubro, primeiro mês do quarto trimestre de 2016, a atividade econômica continuou no vermelho, de acordo com o Banco Central. O chamado Índice de Atividade Econômica do BC, o IBC-Br, um indicador criado para tentar antecipar o resultado do PIB, teve queda de 0,48% em outubro, na comparação com setembro.

Em dezembro, o presidente Michel Temer anunciou que pretende adotar duas novas medidas para tentar ajudar no reaquecimento da economia. Uma delas é a liberação do saque de dinheiro de contas inativas do FGTS, que deve ocorrer a partir de fevereiro. Com esse dinheiro extra, avalia o governo, os trabalhadores poderão quitar dívidas e também consumir novos produtos. A outra medida visa reduzir os juros do cartão, que hoje chegam a 482% ao ano.


segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Inflação: entre o possível e o provável

Não está fácil criar cenários e fazer previsões no Brasil. Não há modelo econômico que consiga medir o tamanho do risco que a governabilidade (ou a sua implosão) impõe ao país. Ainda assim os economistas tentam e conseguem preencher suas planilhas. Não estou desmerecendo o trabalho deles, ao contrário. Até porque, com estas estimativas calibramos a expectativa individual, num movimento que acaba confirmando, ou não, a trajetória da economia.  

Quer ver como funciona? Na pesquisa Focus da semana passada os analistas esperavam que o IPCA fechasse o ano em 6,52%. Apenas uma semana depois este número caiu para 6,49% - o que significa que o índice de preços voltará para dentro do sistema de metas de inflação que, por sua vez, é balizador essencial da formação das expectativas. Quando olhamos para o dado da semana anterior, passamos a acreditar que seria bem provável que o IPCA voltasse para limites do sistema. Agora, acreditamos que é bem possível que isto realmente aconteça.

A meta de inflação virou um símbolo importante para nos mostrar em que pé caminha a economia brasileira. O sistema tem, entre outras funções, a de promover a previsibilidade, mesmo quando ela aponta tempos ruins. A adesão à meta é um sinal bastante positivo de como o brasileiro não aceita mais correr riscos com a estabilidade da moeda. O modelo adotado aqui permite que o IPCA flutue numa banda de até dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Mas a meta a ser cumprida é a central, que desde 2005 é de 4,5%. 

A última vez em que o BC cumpriu seu mandato foi em 2009, quando a inflação fechou em 4,31%. De lá para cá, o IPCA ficou perigosamente perto do teto de 6,5%, até estourar o limite e fechar em 10,67% em 2015. Olhando mais para trás, a inflação oficial não refletiu com precisão o que acontecia no mercado porque o governo de Dilma Rousseff controlou preços importantes como energia, combustível e dólar. Sem as distorções geradas pela petista, o estouro do IPCA teria acontecido já em 2014 e evitaria que os choques da liberação dos preços em 2015 fossem tão altos.  

O IPCA que tivermos em 2016 será, tampouco, fruto de um ambiente mais organizado. A queda da casa dos 10% para a casa dos 6% em um ano é um movimento muito brusco e só foi possível pelo aprofundamento da recessão e do desemprego. O processo de desinflação nos custou caríssimo – ainda custa. A taxa de juros nas alturas por tanto tempo serviu para evitar uma alta ainda maior da inflação e, tão grave quanto isto, impediu que as expectativas sobre o futuro se perdessem no oceano das incertezas – pelo menos no que diz respeito à estabilidade da moeda. 

Voltando ao “como funciona” a formação das expectativas, a partir dos números revelados pelo boletim Focus constatamos que o BC não tem mais porque soltar a taxa de juros a conta gotas. A previsibilidade de um ano menos pior do que 2016 precisa atuar fortemente se quiser ajudar na recuperação da economia. Até porque, para 2017 os economistas preveem um IPCA de 4,90% - ainda mais perto da meta. É muito provável que este número se confirme. Mas é também possível que ele melhore, dependendo da atuação do BC com a taxa de juros.  

Do Blog da Thaís Herédia

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Copom anuncia 2º corte seguido na Selic, e juros caem a 13,75% ao ano
Decisão foi tomada após PIB registrar nova retração, de 0,8%, no 3º trimestre. Apesar de corte na Selic, Brasil ainda lidera ranking mundial de juros reais.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa básica da economia brasileira pela segunda vez seguida nesta quarta-feira (30), de 14% para 13,75% ao ano, um corte de 0,25 ponto percentual. A decisão, unânime entre presidente e diretores do BC, veio no mesmo dia em que o IBGE divulgou que o Brasil continuou em recessão no terceiro trimestre.
Com o novo corte na Selic, os juros recuaram ao menor patamar desde o início de junho de 2015, quando estavam em 13,25% ao ano, ou seja, em cerca de um ano e meio. Entretanto, segundo levantamento feito pelo MoneYou e pela Infinity Asset Management (veja mais abaixo), o país ainda lidera o ranking mundial de juros reais.
A decisão do BC ficou dentro da expectativa da maior parte dos economistas do mercado financeiro, que há algumas semanas apostava num corte maior na Selic, de 0,50 ponto percentual, mas mais recentemente reduziu para 0,25 ponto percentual devido à vitória de Donald Trump. O resultado das eleições nos EUA espalhou incertezas nos mecados, gerou alta do dólar e queda da bolsa nas economias emergentes.
Os analistas das instituições financeiras preveem que o Copom continuará a reduzir a Selic nos próximos meses, chegando a 10% ao ano em abril de 2018.
Copom Selic Banco Central (Foto: Arte/G1)
O que diz o Banco Central
O Copom informou que entende que a "convergência da inflação" para a meta central de 4,5% no horizonte relevante para a condução da política monetária, que inclui os anos de 2017 e 2018, é "compatível com um processo gradual de flexibilização monetária [corte de juros]".
Segundo o BC, suas projeções indicam um IPCA - a inflação oficial - ao redor de 6,6% para este ano e entre 4,4% e 4,7% para 2017. Para 2018, a estimativa varia de 3,6% a 4,6%.
Para 2016, 2017 e 2018, a meta central de inflação, determinada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), é de 4,5%. Entretanto, o sistema prevê um piso e um teto, que é de inflação em 6,5%, em 2016, e em 6% em 2017 e 2018.
A instituição acrescentou que a "magnitude da flexibilização monetária e a intensificação do seu ritmo" [de redução da taxa básica] dependerão das projeções e expectativas de inflação e da evolução dos fatores de risco.
"Nesse sentido, o Copom destaca que o ritmo de desinflação nas suas projeções pode se intensificar caso a recuperação da atividade econômica seja mais demorada e gradual que a antecipada. Essa intensificação do processo de desinflação depende de ambiente externo adequado", acrescentou.
Segundo o BC, indicadores sugerem "atividade econômica aquém do esperado no curto prazo, o que induziu reduções das projeções para o PIB em 2016 e 2017". "A evidência disponível sinaliza que a retomada da atividade econômica pode ser mais demorada e gradual que a antecipada previamente", informou.
A instituição avaliou também que a "inflação recente mostrou-se mais favorável que o esperado, em parte em decorrência de quedas de preços de alimentos, mas também com sinais de desinflação mais difundida".
Por outro lado, o BC avaliou que "sinais de pausa" no processo de desinflação de alguns componentes do IPCA mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária (definição dos juros) persistem, o que pode sinalizar "convergência mais lenta da inflação à meta"; e que o processo de aprovação e implementação das reformas e ajustes necessários (PEC do teto e reforma da Previdência) na economia é "longo e envolve incertezas".
PIB - variação trimestral (Foto: G1)
Inflação X atividade
O Banco Central reduz os juros quando julga que as estimativas de inflação, para os próximos anos, estão em linha com as metas predeterminadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
Juros mais baixos, por sua vez, podem ajudar a estimular a economia brasileira, que passa por um período de baixo nível de atividade e alta do desemprego, além de resultar em uma despesa menor com os juros da dívida pública.
Nesta quarta-feira, o o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o Produto Interno Bruto (PIB) recuou 0,8% no terceiro trimestre deste ano, em relação ao trimestre anterior. É a sétima retração seguida nessa base de comparação - a mais longa de toda a série histórica do indicador, que teve início em 1996.
Apesar do corte dos juros, a taxa segue elevada para padrões internacionais, e não tem caído mais rápido para evitar pressões inflacionárias. Com juros elevados, o objetivo é encarecer o crédito e reduzir o consumo no país e evitar a alta dos preços. O efeito secundário é justamente a contenção da atividade econômica.
Juros reais e poupança
Mesmo com a redução de juros promovida pelo Copom nesta quarta-feira, o Brasil ainda permanece na liderança disparada do ranking mundial de juros reais (calculados com abatimento da inflação prevista para os próximos 12 meses), compilado pelo MoneYou e pela Infinity Asset Management.
Com os juros básicos em 13,75% ao ano, a taxa real soma 8,53% ao ano. Com isso, permanece bem acima do segundo colocado, que é a Rússia, com 4,46% ao ano, seguida pela Colômbia, com 3,61% ao ano. Nas 40 economias pesquisadas, a taxa média está negativa em 1,9% ao ano.
De acordo com cálculos da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), mesmo com a redução dos juros para 13,75% ao ano, os fundos de investimento continuam mais atrativos do que a poupança, ganhando em rendimento na maioria das situações.
A poupança continua atrativa somente para fundos com taxas de administração acima de 2,5% ao ano. Isso ocorre porque o rendimento dos fundos de renda fixa sobe junto com a Selic. Já o rendimento das cadernetas, quando a taxa de juros está acima de 8,5% ao ano, como atualmente, está limitado em 6,17% ao ano mais a variação da Taxa Referencial (TR).

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Nível de Educação Financeira no Brasil está abaixo da média mundial

Quando você pensa em um investimento, chega a avaliar o comportamento da inflação para saber se o retorno prometido por quem oferece a aplicação é vantajoso? Ao tentar colocar suas contas em ordem, organiza um orçamento para enxergar sua renda e despesas com clareza? Tem o hábito de realmente comparar preços antes de consumir produtos e serviços? 

Questionamentos simples sobre educação financeira como esses não chegam a fazer parte da rotina de grande parte da população brasileira - a exemplo do que acontece com diversas regiões ao redor do globo. Isso foi o que apontou estudo feito pela Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o qual teve por objetivo comparar o índice de letramento financeiro de 30 países. Ao todo, foram ouvidos 51.650 adultos com idade entre 18 e 79 anos. O Brasil ficou 1,2 pontos percentuais abaixo da média mundial. No entanto, o alarde é global, tendo em vista que, em geral, todos os países tiveram uma pontuação inferior ao desejável. 

Sobre conhecimento financeiro, por exemplo, menos da metade dos brasileiros conseguiu acertar a pontuação mínima desejável: de cinco acertos em sete perguntas. Quando o assunto é juro, o resultado chamou ainda mais a atenção. Somente 30% dos brasileiros acertaram uma questão sobre juros compostos. O percentual ainda caiu para 18% quando a pergunta fazia uma combinação entre juros simples e compostos. 

O tema pode parecer pouco agradável para muita gente, mas veja bem: juros simples e compostos fazem parte de operações comerciais, das compras parceladas que são feitas diariamente, dos empréstimos que todos tomam constantemente, seja diretamente com o banco, pelo cheque especial ou com o atraso de uma fatura de cartão de crédito. Ter conhecimento escasso sobre o tema é abrir espaço para ser enganado ou se atrapalhar com dívidas fora de controle. 

No caso da organização financeira, a pesquisa apontou que somente quatro a cada dez brasileiros têm o hábito de montar um orçamento. Percentual baixo, tendo em vista que a elaboração de um orçamento é um dos passos iniciais para quem deseja se livrar de dívidas e reduzir despesas. Em tempos de sufoco financeiro, o orçamento é o principal aliado para evitar que as contas fujam do controle.

Aprimorar os conhecimentos sobre educação financeira não é somente algo a mais para acrescentar no currículo, é um modo de garantir a sua independência. É a única forma de cuidar bem do seu dinheiro, não importa o tamanho do seu patrimônio. Enquanto você somente delegar esse conhecimento a outros - como o gerente do banco - seus interesses sempre ficarão em segundo plano. 


Prof. Samy Dana – FGV/SP

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Índice de confiança sobre o comércio cai no Brasil

 

Índice recuou 3,6 pontos, para 78,3 pontos neste mês.

'Chegada do último trimestre não vem confirmando a melhora da confiança.'
  
A avaliação sobre a situação atual piorou com força em novembro e o Índice de Confiança do Comércio (Icom) brasileiro voltou a cair, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV.

Os dados divulgados nesta sexta-feira (25) mostraram que o Icon recuou 3,6 pontos, para 78,3 pontos neste mês, depois de subir 1,5 ponto no mês anterior e cair 1,7 ponto em setembro.

A principal influência para o resultado foi a queda de 6,0 pontos do Índice da Situação Atual (ISA), para 68,1 pontos, patamar mais baixo desde julho. O Índice de Expectativas (IE) também apresentou piora ao recuar 1,2 ponto, para 89,4 pontos.

"A chegada do último trimestre não vem confirmando a melhora da confiança do setor que vinha sendo registrada nos índices até agosto. Além disso, o movimento de ajuste das expectativas persiste, o que deve se traduzir na manutenção do quadro de desempenho negativo do Comércio para os próximos meses", afirmou Silvio Sales, consultor da FGV/IBRE, em nota.

Na véspera, a FGV informou que a confiança do consumidor no Brasil também caiu em novembro, interrompendo seis sequências seguidas de alta, diante da forte piora das expectativas em meio à piora crescente no mercado de trabalho.

A retomada da confiança como um todo é considerada pelo governo como primordial para a recuperação econômica do país.