quinta-feira, 29 de março de 2018


Banco Central do Brasil Reduz percentual dos depósitos compulsórios

O Banco Central decidiu ontem em uma reunião conturbada reduzir de 40% para 25% a alíquota de recolhimento compulsório pelos bancos nos depósitos à vista, esta medida visa liberar ao mercado cerca de R$ 25,7 bilhões e ainda pode haver diminuição dos juros bancários para empréstimos pessoais.

No caso da poupança, o recolhimento passou de 21% para 20%, na modalidade rural, e de 24,5% para 20%, nas demais modalidades. De acordo com o Banco Central, o novo patamar de recolhimento nos depósitos na poupança voltou ao nível anterior à crise de 2008.

Os novos percentuais entram em vigor em abril.

Quando um correntista faz depósitos à vista, à prazo ou na poupança, o banco é obrigado a guardar parte desse montante em uma conta no BC. Ou seja, esses recursos não podem ser utilizados em outras operações.

O objetivo do depósito compulsório é controlar os recursos disponíveis na economia e, com isso, fazer com que as taxas de juros praticadas pelos bancos fiquem próximas à da taxa de juros básica da economia (Selic).

A redução do percentual do compulsório, portanto, libera mais dinheiro para que os bancos possam, por exemplo, emprestar a seus clientes. Portanto é uma medida animadora para o mercado e certamente é considerada uma medida eleitoreira em plena crise.

Entre os objetivos da medida estão a redução do spread bancário, que é a diferença entre a taxa que o banco paga ao tomar um empréstimo e o que ele cobra ao conceder crédito, e a concessão de crédito mais barato.

De acordo com especialistas do mercado e do próprio BACEN, é sempre mais fácil imaginar a redução no spread com os recursos estando diretamente nas instituições [financeiras] e não [depositadas no Banco Central]. Estando nas mãos das instituições, elas podem estudar a melhor forma de usar esses recursos e acredita-se que uma parte significativa vai para o mercado de crédito, essa é a expectativa.

Além da redução da alíquota, o BC tomou outras medidas em relação ao recolhimento compulsório. Entre elas está o aumento de R$ 70 milhões para R$ 200 milhões de uma espécie de faixa isenta para contabilização de compulsórios. Isto é, o cálculo dos valores que deverão ter um percentual recolhido ao BC só será feito a partir de R$ 200 milhões em depósitos – o que beneficia especialmente os pequenos bancos. Daí vejamos que esta é uma medida capitalista e que certamente irá beneficiar muitos banqueiros contribuintes da nossa política.


segunda-feira, 19 de março de 2018


Custo Brasil, quem paga é o Consumidor

Cliente Itaú no Brasil paga em um Mês o que o do Paraguai paga no ano

Cansado de pagar juros mensais de 8,77% a 13,40% (174,34% a 352,12% ao ano) no cartão de crédito Itaú? Quer pagar bem menos? Que tal, 13,35% ao ano para um cartão da própria bandeira do Itaú, o maior banco privado da América Latina? Pois bem, a situação é muito fácil para quem mora nos estados fronteiriços ao Paraguai. Ou mesmo para qualquer brasileiro, que mora mais distante. Basta uma visita a Foz do Iguaçu.

Além das belezas naturais das Cataratas do Iguaçu, uma simples travessia da Ponte da Amizade pode render boas economias. Não. Não se trata das tradicionais muambas paraguaias. Ou de uma noitada sortuda num dos cassinos do lado de lá da fronteira. Basta uma visita a uma das agências do Banco Itaú em qualquer cidade do Paraguai. 

Lá, o Itaú usa o mesmo slogan que bombardeia os espectadores diariamente na TV. Só que o “Feito para você”, vira “Hecho para vos”. Tem a mesma logomarca da @ com o I imaginário no meio. Mas a realidade é muito melhor do que sonha a nossa vã imaginação. 


Cliente do Itaú no Paraguai tem as mesmas facilidades eletrônicas, mas a grande vantagem está nos juros, bem mais baixos do que no Brasil

Os juros que o Itaú cobra dos nossos “Hermanos” paraguaios são muito menores do que pagamos por aqui. No Brasil, paga-se em um mês, o que os donos de cartão do Itaú Unibanco pagam em um ano. Ou seja, em um ano, os clientes paraguaios ganham, na conta de juros do cartão, nada menos que 11 meses em relação aos clientes brasileiros. Uma diferença de 161 a 338,77 pontos percentuais, conforme o emissor do cartão dentro da Organização Itaú Unibanco. 

No Paraguai o custo anual do financiamento do cartão de crédito é menor do que 13,35% ao ano. Ou seja, menor que a taxa mensal de um dos cartões operados pelo oligopólio do Itaú no Brasil. Conheço um amigo brasileiro que está vivendo de comprar artigos “made in” Paraguai para revender no Brasil. Os ganhos são duplos: nas taxas de juros do cartão e nas pechinchas de qualidade duvidosa... 

Mas terá o Paraguai algum segredo econômico? Além dos juros baixos, uma tributação bem menor que a nossa. Resultado: muitos empresários brasileiros mudaram para lá para produzir e exportar para o Brasil. O país de pouco mais de 6,8 milhões de habitantes (quase igual ao total do município do Rio de Janeiro), tem uma inflação anual na faixa 4% (o Brasil fechou 2017 com 2,95% e deve fechar 2018 entre 3,5% e 4%) e o piso dos juros anuais é de 5,25%.  No Brasil, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) deve reduzir nesta quarta-feira a taxa Selic (o piso bancário brasileiro) para 6,50% ano. 

A economia paraguaia é bem mais modesta do que a brasileira. Seria equivalente à de um estado médio do Nordeste, mas seu grau de endividamento público é bem menor. A dívida pública equivale a 22,8% do Produto Interno Bruto (PIB) do Paraguai. No Brasil, a dívida pública bruta está na faixa de 74% do PIB. 

Um banco por R$ 1 

Vale lembrar que o Itaú Unibanco conseguiu abrir as operações no Paraguai pagando o valor simbólico de R$ 1. A rede de agências do Paraguai pertencia ao antigo Interbanco, que foi criado no país vizinho, nos anos 80 e 90 pelo extinto Banco Nacional. O Nacional foi comprado em 1995 pelo Unibanco pelo valor simbólico de R$ 1. E o Itaú fez uma fusão com o Unibanco (na qual passou a deter quase dois terços da nova instituição líder do mercado brasileiro) no final de 2008, quando a crise financeira mundial atingiu as linhas de crédito externas do banco da família Moreira Salles.  

A concentração bancária que se acelerou no Brasil nos últimos 15 anos, também ocorreu na América Latina. O motivo externo são as exigências de capitalização dos bancos pelo Acordo de Basileia, regulado pelo PIS, o Banco Central dos Bancos Centrais. 

Nos últimos anos, o Itaú consolidou sua presença na Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai. Com a fusão entre o Itaú Chile e o CorpBanca, o grupo chegou à Colômbia e ao Panamá.  O ItaúUnibanco tem operações na Europa (França, Alemanha, Portugal, Reino Unido, Espanha e Suíça), nos Estados Unidos (Miami e Nova Iorque), e nos paraísos fiscais do Caribe (Ilhas Cayman e Bahamas), do Oriente Médio (Dubai) e da Ásia (Hong Kong), além de agências em Xangai (China) e Tóquio (Japão). São centros financeiros que facilitam captar recursos para o Brasil a custos mais baixos e ampliar os ganhos de arbitragem nas taxas de juros com as elevadíssimas taxas praticadas no Brasil.


quarta-feira, 14 de março de 2018


Mercado dá como certo que taxa básica de juros (SELIC) cairá para 6,5% aa na próxima reunião

Diante de uma inflação abaixo do patamar esperado para o começo deste ano, o mercado já dá como certo que o Comitê de Política Monetária (Copom) vai diminuir a taxa básica de juros (Selic) de 6,75% para 6,5% em sua próxima reunião, marcada para os dias 20 e 21 de março. Caso a redução se confirme, será o 12.º corte consecutivo na taxa, que voltará a bater mínima histórica. O resultado do IPCA de fevereiro, que será divulgado hoje, poderá indicar se haverá espaço para mais um corte da Selic em maio, de acordo com economistas.
A possibilidade de a taxa cair a 6,5% neste mês chegou a 88% esta semana, conforme precificação feita pelo mercado nos contratos de juros futuros de curto prazo. Há um mês, logo após a última reunião do Copom, essa probabilidade era de 30%. No dia em que a ata do Copom foi divulgada, porém, o porcentual já subiu para 45%, em decorrência de o documento afirmar que um novo corte não estava descartado e que poderia ocorrer caso a inflação se mantivesse “em níveis confortáveis”.
No início desta semana, o mercado elevou ainda mais suas apostas em uma nova redução da Selic após o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, afirmar que os últimos resultados da inflação vieram abaixo do esperado. No fim do ano passado, o Banco Central projetava uma inflação de 0,53% em janeiro, mas o IPCA veio em 0,29%.
A Tendências Consultoria Integrada e o Banco Pine estão entre os que reviram, depois da fala de Ilan, suas projeções para a Selic. “Vínhamos trabalhando com a expectativa de 6,75%, mas, nas últimas semanas, a inflação surpreendeu para baixo. Até o Banco Central se mostrou surpreendido”, disse um especialista da consultoria Tendências.
Maio

Os economistas que estão antenados no assunto dizem que há ainda chances de que, na reunião deste mês, o Copom sinalize que poderá haver um novo corte em maio. “Apesar da recuperação da atividade econômica, a velocidade está menor do que se esperava. Também há um descolamento da inflação esperada em relação à meta. Isso justifica manter essa possibilidade (de redução da Selic em maio)”.

Há ainda a possibilidade de que o Copom poderá deixar as portas abertas para outro corte, apesar de não trabalhar com esse cenário como base. Essa decisão do Copom dependerá dos próximos resultados da inflação, Outros especialistas vem prevendo uma Selic a 6,5% há cerca de duas semanas.
Já para os economistas, do Banco Santander, dizem que a redução na taxa de juros que deverá ocorrer em março marcará o fim do ciclo de quedas. “Projetamos que a Selic se mantenha em 6,5% até meados deste ano”, “É pouco provável estender esse ciclo, dado que sua trajetória já é bastante longa. Uma redução em maio só acontecerá se houver mais uma surpresa inflacionária”,
Os economistas também reduziram, nas últimas semanas, suas projeções para a taxa de inflação de 2018. A Consultoria Tendências, por exemplo, previa que os preços avançassem 4,1% neste ano; agora, estima uma alta de 3,8%. A Modal Asset diminuiu sua projeção de 3,7% para 3,4%. “Pode ser que fique até abaixo disso (3,4%). Os alimentos continuam surpreendendo e recuando”, o que surpreende.



quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Salário mínimo: o menor reajuste em 24 anos

O reajuste de 1,81% no salário mínimo para o ano de 2018, de R$ 937 para R$ 954, é o menor desde o Plano Real, anunciado em 1994 e que controlou a hiperinflação na economia brasileira, aponta série histórica do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Isso significa que o reajuste que será aplicado no salário mínimo no ano que vem o menor em 24 anos.

Até então, o menor aumento havia ocorrido em 1999, quando o salário mínimo, que serve de referência para 45 milhões de pessoas no Brasil, havia avançado 5,79%.




Para fazer esse cálculo foi considerado o salário mínimo médio de cada ano. Isso porque, antes de 2012, de uma forma geral, havia um valor para o salário mínimo diferente nos primeiros meses do ano e só depois era feito o reajuste.

Como é corrigido o salário mínimo?

A explicação para a variação de 1,81% está na forma de correção do salário mínimo em vigor, que leva em consideração a soma da variação do PIB de dois anos antes e a variação do INPC do ano anterior.

Para o caso específico de 2018, portanto, está sendo somado o resultado do PIB de 2016, que foi de queda de 3,6%, com o INPC de 2017. Como o resultado do PIB de 2016 foi negativo, o reajuste do salário mínimo é feito apenas pela variação do INPC.

Além disso, o 1,81% de variação do INPC é uma estimativa do governo, já que o percentual exato só será conhecido em janeiro.

O ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, afirmou que, em 2017, o reajuste ficou um pouco acima do que a fórmula do salário mínimo determinava para esse ano e que por isso, para 2018, esse excedente tem de ser descontado.

Para o Dieese, porém, o reajuste do salário mínimo ficou abaixo da variação do INPC neste ano, algo que não acontecia desde 2003.

"O governo não podia dar um reajuste maior. Não tem nenhuma decisão que o governo possa tomar diferente dessa [do valor de R$ 954 proposto para 2018]. Não é uma alternativa. No fundo, é uma notícia boa, que a inflação foi baixa", declarou o ministro.

De acordo com o ministro, a lei é "muito precisa" ao fixar a variação do INPC do ano anterior e do PIB de dois anos antes (que, em 2016, foi negativo) para a correção do salário mínimo.

"Ela fala que é a variação INPC, por um motivo correto, ele tem uma cesta de consumo para quem ganha até 5 salários mínimos, e o IPCA é de até 40 salários mínimos. O INPC tem um peso de alimentação maior do que o IPCA. Como neste ano os alimentos foram um dos itens que puxaram a inflação para baixo, pesa mais no INPC do que no IPCA. A inflação é menor e o reajuste de salário mínimo vai conforme a inflação", afirmou.

A regra entrou em vigor no ano de 2012 e tem validade até 2019

Essa regra para correção do salário mínimo vale somente até 2019No ano que vem, portanto, o governo fixará o salário mínimo de 2019 pela última vez com base nessa regra.

Analistas esperam que o novo formato de correção do salário mínimo, de 2020 em diante, seja um dos pontos debatidos na campanha eleitoral para a Presidência da República no ano que vem.

Esse reajuste gera uma economia de R$ 3,3 bilhões

Com a decisão de conceder um reajuste R$ 11 menor em relação à estimativa anterior de R$ 965, o governo economizará cerca de R$ 3,3 bilhões em gastos em 2018.

"Cada um real de aumento no salário mínimo gera um incremento de R$ 301,6 milhões ao ano nas despesas do governo", informou o Ministério do Planejamento na proposta da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) encaminhada ao Congresso em abril.

Números oficiais mostram que o benefício de cerca de 66% dos aposentados equivale ao salário mínimo. A correção do mínimo também impacta benefícios como a RMV (Renda Mensal Vitalícia), o seguro-desemprego e o abono salarial.

Salário mínimo ‘necessário’ segundo o DIEESE

O valor do salário mínimo proposto para o próximo ano ainda está distante do valor considerado como "necessário", segundo cálculo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

De acordo com o órgão, o salário mínimo "necessário" para suprir as despesas de uma família de quatro pessoas com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência deveria ser de R$ 3.731,39 em novembro deste ano.


Fonte: DIEESE, Globo.com, Ministério do Planejamento, Ministério do Trabalho

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Por que os juros bancários caem menos que a SELIC?

A taxa básica de juros foi cortada pela décima vez seguida. De 14,25% em outubro de 2016, a Selic atingiu 7%, o menor nível dos últimos 20 anos. Nesse mesmo intervalo, os juros do cheque especial, uma das modalidades mais caras do mercado, também recuaram, mas proporcionalmente bem menos: de 328,5% para o patamar ainda proibitivo de 323,7% ao ano.

O descompasso ilustra a dinâmica que marcou o ciclo de mais de um ano de afrouxamento do juro básico. O custo dos empréstimos para empresas e consumidores começou a recuar de forma mais perceptível apenas na segunda metade de 2017 - e em ritmo bem mais lento que o da taxa definida pelo Banco Central.

As razões para isso vão desde a defasagem entre as decisões de política monetária e seu reflexo no crédito até a rigidez do spread - a diferença entre a taxa que os bancos pagam para captar recursos e a que cobram nos empréstimos -, que cedeu pouco no decorrer deste ano.

Depois da última decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC de 2017, divulgada nesta quinta-feira, a expectativa é que a Selic se mantenha no nível atual em 2018, dizem especialistas consultados pela BBC Brasil, cenário que abre espaço para que as taxas para pessoa física e jurídica recuem um pouco mais até 2019.

Já a diminuição significativa dos juros estruturalmente altos que colocaram o Brasil no topo dos rankings internacionais - dos quais são sintoma, por exemplo, as taxas acima de 100% cobradas no crédito pessoal - vão além da política monetária.

Esperava-se que fosse mais rápido

A trajetória de queda dos juros para consumidores e empresas tem sido mais vagarosa do que era antecipado no início do ano pelos economistas

O corte da Selic reduziu o custo de captação das instituições financeiras - os bancos pagam mais barato para obter recursos e repassam parte dessa economia reduzindo as taxas - mas não teve impacto significativo sobre o spread

A taxa média total cobrada à pessoa física, por exemplo, recuou de 42,2% ao ano em
janeiro para 34,2% em outubro (último dado disponível). A queda é significativa, mas ainda está 6,9 pontos percentuais acima da mínima histórica da série do Banco Central, de 27,3%, registrada em maio de 2013 - quando a Selic saía de um outro ciclo de afrouxamento, que a levou a 7,25% até março daquele ano.

Em paralelo, o spread na taxa média para pessoa física, por sua vez, diminuiu de 33,1 pontos para 27,6 pontos entre janeiro e outubro - tendo atingido 20 pontos em 2013. O que chega ao consumidor vai sempre passar pelo spread bancário.

Existe um grande risco de calote

A resistência da diferença entre os juros que o banco paga ao captar e a taxa que ele cobra ao oferecer empréstimos (SPREAD) é reflexo, em parte, do nível relativamente elevado da inadimplência.

A lógica é que, quanto maior o risco de calote, maior o "prêmio" que os bancos vão embutir em suas taxas de juros.

Esse é um indicador que vem melhorando de forma lenta, pondera o economista, por uma característica da própria recessão, marcada pelo endividamento de famílias e empresas.

Os bancos também tendem a retrair a oferta de crédito, ele acrescenta, diante do cenário atual de desemprego alto, de recuperação fraca da economia e das dúvidas em relação às eleições de 2018. Tudo isso gera incerteza sobre a capacidade de pagamento dos brasileiros.

Especialistas dizem que "As taxas funcionam como um ativo. Quanto maior a oferta, maior a concorrência - e os preços tendem a cair mais"

Nesse sentido, a concentração que marca o setor bancário no Brasil - onde quatro instituições respondem por praticamente 75% do crédito - também é um obstáculo à queda mais expressiva dos juros.

Em quanto as taxas caíram?

Em outubro, o crédito pessoal estava 4,2 pontos percentuais mais barato do que no mesmo mês do ano passado, em 132% ao ano. Nesse período, o consignado recuou 3 pontos, para 26,6%, enquanto os juros médios para a aquisição de veículos diminuíram 3,3 pontos, para 22,5%.

Modalidade do chamado crédito direcionado, que é subsidiado, a taxa média do financiamento imobiliário diminuiu 2,1 pontos, para 8,6% ao ano.

A maior redução foi a do rotativo do cartão de crédito, a linha mais cara do mercado, que passou de 484% ao ano para 337,9%, queda patrocinada por uma mudança de regulamentação instituída em abril deste ano pelo Banco Central, que restringiu o pagamento mínimo das faturas e a consequente rolagem da dívida para o mês seguinte.

Já para as empresas, as modalidades que mais recuaram, conforme os dados da nota de Operações de Crédito do Sistema Financeiro publicada pelo BC, foram a antecipação de faturas de cartão de crédito e os descontos de duplicatas e recebíveis, que cederam 19,2 pontos e 14,5 pontos percentuais, nessa ordem, para 27% e 20,9% ao ano.

Dificuldade maior para as empresas

Esses são produtos, aliás, que mais têm sido procurados pelas empresas neste ano, em que as concessões cresceram mais entre janeiro e outubro.

O perfil ainda é muito ligado à crise, o que é comumente pontuado e ainda tem as concessões de modalidades ligadas a investimento ainda estão mais de 50% abaixo da média observada entre 2011 e 2015.

O que se pode observar é que a melhora do cenário de crédito em 2017 é ou foi mais concentrada nos consumidores do que nas empresas, segmento em que a recuperação é ainda mais lenta e que ainda tem dificuldade de acesso aos empréstimos.

Alguns empresários tem dito que o juro caiu um pouco, mas a burocracia vem aumentando

Um empresário do setor pesqueiro diz que por trabalhar com um negócio bastante sazonal - ele vende camarões para cerca de 200 restaurantes na capital paulista e no ABC e que ainda assim precisa com frequência recorrer a instituições financeiras para "acertar o fluxo de caixa".

Diante da dificuldade, ele tem buscado alternativas ao sistema bancário tradicional. Há um mês o empresário usa o serviço de uma startup digital do setor financeiro que antecipa recebíveis (ou seja, faz empréstimos condicionados a um pagamento futuro de um cliente) em poucas horas, um serviço que lhe tomava mais de um dia de negociação com o gerente do banco e acaba perdendo um pouco de margem ou aumenta o preço final ao consumidor, vive um dilema.

A Startup TrustHub recém lançada neste mercado conta que, no primeiro mês de operação, foram realizadas cerca de 30 operações por dia, com valor médio entre R$ 2 mil e R$ 4 mil. "Existe uma demanda represada entre as pequenas e médias empresas".

No próximo ano, a fintech (programa de aceleração de startups) espera movimentar uma média de R$ 5 milhões por dia.

Como ter juros baixos?

O cenário feito pela consultoria LCA para 2018 contempla uma queda maior dos juros bancários. De 27,4%, a taxa média total, que inclui pessoa física e jurídica, chegaria a 20% em dezembro do próximo ano. Tomando apenas o crédito livre à pessoa física, a expectativa é que o spread ceda quase 10 pontos percentuais, passando de 51 atualmente para 42.

Para os especialistas do mercado e professores de economia das mais renomadas instituições de ensino do País Viriato, uma melhora mais significativa dos juros viria apenas em 2019, após a definição das eleições. O risco, nesse sentido, é o futuro das reformas que estão tramitando no Congresso e que procuram diminuir no médio prazo o déficit nas contas públicas.

Com uma piora da situação fiscal, eles explica dizem que o governo teria que emitir cada vez mais dívida para se financiar. "Isso poderia levar a um aumento do prêmio de risco e um eventual aumento das taxas".

A redução estrutural dos juros no Brasil, e acordo com especialistas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), passa pelo equilíbrio das contas públicas, por reformas e mudanças de regulamentação como a que reduziu as taxas do rotativo do cartão de crédito.

Nesse sentido, há o Cadastro Positivo, que espera votação na Câmara e que pode representar mais um alívio às taxas cobradas dos consumidores no médio prazo, a nova lei de falência, que está sendo preparada pela equipe do Ministério da Fazenda, e a Agenda BC+, uma série de medidas propostas feitas pelo Banco Central para reduzir juros.


Enfim, com toda esta análise nos resta esperar para ver o que acontecerá de positivo já para 2019.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Banco Central diz que juros dos Cartões de Crédito caem



Desde que as novas regras para o empréstimo rotativo começaram a valer, n início de abril, os juros anuais dos cartões de crédito já caíram cerca de 200 pontos percentuais de acordo com dados do Banco Central de lá até setembro, segundo os números mais recentes, as taxas caíram de 431,1% ao ano para 227,5% ao ano.

As novas regras definidas pelo BC limitam o uso do crédito rotativo ao período de um mês, acima deste prazo, a quitação do saldo em aberto da fatura deve ser feita à vista ou por meio de parcelamento oferecido pelas instituições, com juros mais baixos.

De acordo com informações da  Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito (ABECS), "limitar o ciclo do rotativo foi saudável, pois foi possível sair de uma taxa de quase 15% ao mês para uma perto dos 10% em apenas cinco meses".

Os custos menores no cartão também decorrem de uma redução da taxa básica de juros, a SELIC estava em 12,25% aa em março e agora já está em 7,5% aa, este recuo levou, por exemplo, a taxa média do crédito pessoal, que inclui linhas de consignado, de 54,2% em janeiro para 48,5% aa em setembro.

De acordo com fontes do Banco Santander, a redução da taxa básica não foi a principal responsável pela queda acentuada dos juros do rotativo, o declínio aconteceu entre março e junho quando já estava em aproximadamente em 230%, desde então, ficou praticamente estável. Há um certo consenso no mercado de que a taxa atingiu um piso e só cairá mais, caso a situação geral da economia melhore.

Se as taxas de juros recuarem rapidamente, a inadimplência ainda deve demorar para cair de forma mais significativa, segundo especialistas no mercado, o nível dos atrasos de até três meses no rotativo atingiu seu pico em maio, logo após o início de vigência das novas regras e, desde então, passou a recuar mês a mês até setembro, em uma queda de aproximadamente três pontos percentuais que forma de 16,6% para 13,57%. 

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Valores nas empresas muito além de bons salários

A satisfação pessoal no trabalho sempre esteve associada à um bom salário, estabilidade, políticas de promoção e status.

É claro que um bom salário é determinante para a permanência em um cargo, mas num mundo de rápidas transformações, não é só isso que deve continuar sendo levado em conta hoje.

Empresas já começam a notar a necessidade de estabelecer novos horizontes para motivar seu pessoal e evitar a perda de bons colaboradores.

No Brasil, trata-se de tema que, aos poucos, passa a integrar as agendas das áreas de recrutamento. As empresas precisam se preparar para construir e praticar, com base em uma espécie de carta de princípios, uma série de valores que faça o colaborador identificar-se com a empresa, criando no profissional um interesse natural de longa relação com aquele local de trabalho.

Quando se fala em valores, é exatamente o que a palavra ostenta na prática:

·                     Relações respeitosas;
·                     Gestores próximos dos colaboradores e vice-versa;
·                     Clareza na comunicação e na transmissão de responsabilidades;
·                     Chance de apresentar críticas e sugestões;
·                     Trabalho em equipe;
·                     Engajamento em causas comunitárias, etc.

Qualquer situação que sirva de combustível para impulsionar a dinâmica sempre motivadora das relações de trabalho e convivência por parte de todos.

Ao estar inserido numa realidade baseada em valores autênticos, o colaborador sente que pertence ao ambiente. E ao compartilhar estes valores, sente que faz a diferença. Além de desenvolver meios que o façam pensar a fundo se deve mesmo aceitar um eventual convite de outra companhia.

Nesse sentido, o grande desafio do departamento de Recursos Humanos é buscar colaboradores que tenham fit cultural.

Ou seja, encontrar funcionários alinhados aos valores que a empresa encara como um patrimônio vital de sua existência. Quando você traz uma pessoa que tem valores diferentes daqueles que a empresa prega, provavelmente essa relação não será duradoura.

Um Código de Conduta claro e efetivo pode auxiliar no incentivo e despertar o colaborador para os valores da empresa. Quando se planeja contratar alguém engajado com esses valores, o resultado positivo que este colaborador irá entregar é muito maior.

O profissional conseguirá chegar à conclusão que o trabalho é o meio, e tem um valor muito maior que o próprio resultado. Quando trabalha em uma empresa alinhada aos seus valores, o colaborador sente que está inserido em um contexto que compartilha da sua visão de mundo. Ele sente isso como algo muito maior e impactante para a empresa e para si.