terça-feira, 30 de março de 2010

Liderança do HSBC

HSBC fica em primeiro lugar e quer crescer mais 30%

Autor(es): Cristiane Perini Lucchesi, de São Paulo
Valor Econômico - 30/03/2010


Depois de ganhar o primeiro lugar no "Ranking Valor de Captações Externas" pela primeira vez em sua história, a área de atacado do HSBC planeja ampliar em mais de 30% os recursos destinados a financiar clientes corporativos no Brasil, incluindo operações em dólar e em reais, informa Marcelo Marangon, responsável pela área de global banking.


Segundo ele, o crescimento do time também não será desprezível: o banco vai ampliar em mais 20% o pessoal da área, que inclui o corporate banking, responsável pelo relacionamento com 600 clientes, e o investment banking, que inclui as atividades de assessoria em fusões e aquisições, emissão de ações, financiamento de projetos, mercados de capitais para dívida e distribuição de empréstimos e títulos.


O HSBC investiu no atacado no Brasil em meio à crise, quando muitos estavam encolhendo. Ainda no final de 2008, o banco tirou Marangon e sua equipe mais próxima do Citi. O trabalho conjunto e mais próximo com o time dedicado ao Brasil em Nova York, com destaque para Alexei Remizov, vice-presidente sêniordo HSBC Securities, foi determinante para que o banco conseguisse sua posição de destaque.

O HSBC foi também o primeiro colocado em três importantes sub-rankings, sendo o principal deles o de "Bônus", que inclui todos os títulos emitidos no exterior para o país e exclui os empréstimos externos sindicalizados (com a participação de vários bancos). Em um ano recorde desse tipo de captação para o país, com um total de US$ 26,292 bilhões obtidos por meio de eurobônus, o HSBC foi o líder de um total de US$ 14,525 bilhões desse tipo de transação.


Mesmo se forem excluídas os bônus feitos pela República, o banco foi o primeiro colocado: o HSBC saiu na frente do ranking de "Bônus Corporativo", com um total de US$ 13,25 bilhões realizados. Nas captações para os bancos, o HSBC também teve destaque. Esteve à frente de US$ 1,75 bilhão, assumindo como primeiro colocado no ranking Valor de "Bônus corporativo do setor financeiro".


"Tivemos um excelente 2009: realizamos 50 transações estruturadas e aprofundamos o relacionamento no dia a dia com clientes", diz Marangon. Segundo ele, as receitas da área de global banking do HSBC cresceram mais de 50% no ano passado, com o banco ganhando participação de outros no mercado. "Para 2010, teremos continuidade no investimento e queremos ser ainda mais fortes e mais agressivos nas transações."
 
 Segundo Marangon, desde que ele chegou no banco, a estratégia de global banking do HSBC foi redesenhada por completo. O atendimento aos clientes foi segmentado por tipo de indústria, gerando maior especialização dos "bankers", os gerentes de relacionamento do mundo corporate. "Procuramos dar um foco maior e específico às operações estruturadas e buscamos um alinhamento total de objetivos entre os times e os negócios no Brasil e no exterior", afirmou.
 
 Para Marangon, a ideia foi também investir em talentos, não só trazendo recursos do mercado mas também promovendo pessoal interno. Em 2009, o time de Marangon foi reforçado com cinco "bankers" e quatro "transactors", os especialistas em produto. Uma das contratações de destaque foi para dirigir a área de finanças estruturadas, que inclui financiamentos de projeto (project finance): Marangon trouxe do Citi Sérgio Monaro e um time de quatro pessoas. Outra mudança: Antonio Oliveira assumiu a posição formal de responsável pela área de mercado de capitais local e hoje conta com um time de quatro pessoas.
 
 Neste ano, mais dez pessoas serão contratadas para a área, que deve finalizar 2009 com 61 funcionários. Três funcionários virão para o corporate banking e sete para o investment banking.
 
 Marangon informa que o HSBC vai contratar na área de consultoria em fusões e aquisições e na emissão de ações. "Temos uma capacidade global de distribuição que pode ser bem utilizada neste sentido." O banco tem presença em mais de 80 países. O setor que realiza financiamentos mais sofisticados para companhias também terá um reforço. O banco vai investir ainda na corretora de ações e na contratação de analistas.
 
 De acordo com Maragon, a garantia firme total para o empréstimo de R$ 3 bilhões dado pelo HSBC para a Camargo Corrêa adquirir uma participação de 31,1% na cimenteira portuguesa Cimpor no início do ano sinaliza "como estamos realmente dispostos a dar suporte a clientes no Brasil". Ele afirma ter grande apetite para "carregar transações no nosso balanço local", que aliás cresceu com o aumento de capital de R$ 1 bilhão na virada do ano, para R$ 15,5 bilhões.
 
 Remizov considera que o mercado de captações externas para o Brasil vai continuar a crescer neste ano. Ele vê, no entanto, alguns riscos pela frente. A situação fiscal de Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha (Piigs) preocupa, assim como um aperto na política monetária em alguns países emergentes, com destaque para a China. Outro risco seria uma segunda queda forte no crescimento econômico dos Estados Unidos. Ele vê também um risco regulatório, de que os governos dos países ricos tenham de ser mais rigorosos do que o esperado com os bancos por conta de pressões políticas. "Em 1929, eles apertaram muito os bancos, que deixaram de dar crédito", afirma.

Extraído do Jornal Valor Econômico em 30/03/2010 em http://www.valoronline.com.br/

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