quinta-feira, 8 de abril de 2010

Artigo

Câmbio e Pobreza

A população do Brasil se situa em torno de 200 milhões de habitantes. Segundo estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), teríamos mais de 130 milhões entre pobres e indigentes (67,1%da população), mas, devido a programas sociais do governo federal, incluindo o Bolsa-Família, 45 milhões de pessoas (22,5%) deixaram de fazer parte desse grupo.

Mesmo assim, a miséria é indisfarçável, o que se pode observar no baixo aproveitamento escolar de nossas crianças e jovens. No passado, tínhamos menos escolas, porém muitas pessoas se esforçavam para aprender a ler e escrever e, com esforço próprio, conseguiam se elevar na escala social. As pessoas tinham mais iniciativa, queriam aprender a fazer novas coisas, executavam o trabalho com esmero, e assim o Brasil cresceu. Hoje, está difícil contratar pessoal habilitado, até mesmo para exercer as funções mais simples, como jardineiros, domésticas, auxiliares em geral para restaurantes, etc. Falha da escola? Ou aumento do despreparo para a vida?

É preciso orientar as pessoas para se envolverem com o que fazem, aprendendo sempre e com esforço, para que possam exercer suas atividades com qualidade. O homem deve ser o eterno aprendiz, caso contrário, nunca vai para frente.

Mas não podemos agir de forma inadequada como frequentemente ocorre nos negócios internacionais. Os países retardatários como o Brasil eram incentivados a importar acima de sua capacidade econômico financeira. As exportações ficavam aquém do que se importava. Para isso, íamos recebendo crédito e mais crédito e pagando encargos financeiros, mas as dívidas eram repassadas de governo para governo e a população que assumisse o passivo. Criou-se um comodismo e a economia ficou estagnada por longo período.

Enquanto alimentávamos o fortalecimento da indústria de outros países, ficávamos remetendo muito dinheiro para os cofres dos banqueiros internacionais, e se não houver muito cuidado, tal situação logo poderá estar de volta. O economista Professor Bresser Pereira tem chamado a atenção para o fato de que “boa parte dos recursos entrados no país acaba indiretamente financiando o consumo por meio da valorização do câmbio. Isso não ocorreria se o investimento direto não financiasse déficit em contra corrente, mas se constituísse em recurso que o país usa para fazer seus investimentos e aplicações financeiras externas como faz a China”.

No meio empresarial, só em situações desesperadoras ou alucinadas os empresários tomariam empréstimos para cobrir déficits. Os empréstimos devem ser aplicados para a realização de investimentos e o capital de giro deve ser alimentado com o produto das vendas realizadas. O equilíbrio nas contas é vital para o desenvolvimento.

Com o aumento das dívidas do País, o passivo social também se elevou, e o “circo” foi estendido a todos os rincões, e agora vai ao “feijão com farinha” na bolsa da família. O que está sendo feito na área social é muito importante para reduzir a miséria, no entanto, o Brasil precisa de uma população que, além de bem alimentada, seja bem reparada, esperançosa na conquista de um melhor futuro, com garra e coragem para enfrentar os desafios, como seres humanos autônomos e aptos para evoluir continuamente.

Benedicto Dutra - Administrador de empresas, escritor e palestrante
Texto extraído de:

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