quarta-feira, 5 de maio de 2010

Alta dos juros pode ser menor que a prevista
Autor(es): FERNANDO SAMPAIO - ESPECIAL PARA A FOLHA
Folha de S. Paulo - 05/05/2010

Depois de provocar sustos no começo do ano, nas últimas semanas os índices de inflação têm apurado algum arrefecimento do ímpeto de alta dos preços, tanto no atacado como no varejo. Ainda assim, as expectativas de inflação continuaram a piorar, de forma gradual, mas quase ininterrupta.

Dois fatores, em especial, parecem responder pelo fato de as instituições especializadas estarem projetando, em média, altas do IPCA de 5,4% em 2010 -claramente acima da meta de 4,5%- e de 4,8% em 2011 (ligeiramente acima da meta, também de 4,5%). O primeiro fator é o aumento das pressões de custos provocado pela recuperação das cotações das commodities agrícolas e minerais (com destaque para o salto do preço do minério de ferro).

Essa recuperação reflete a reativação da demanda global, sobretudo nas regiões ditas emergentes, à medida que se dilui o trauma da crise financeira global.

O segundo elemento que vem reforçando o receio de futuras pressões inflacionárias é o ímpeto da demanda doméstica, do emprego e da produção, maior do que se antecipava. A pesquisa mensal do IBGE sobre a indústria revelou que em março ela novamente aumentou bastante a sua produção, que superou as expectativas (a exemplo do que ocorreu com as vendas do comércio varejista em fevereiro e a evolução do emprego formal em março).

Essas informações têm fomentado alertas de que a economia está superaquecida ou muito perto disso. Para arrefecer a demanda a tempo de impedir que a inflação fuja ao controle, o quadro exigiria, segundo esse diagnóstico, um choque de juros que levasse a Selic para bem mais do que os 11,75% ao ano que hoje correspondem à expectativa média.

Antecipação de compras

stão presentes, no entanto, fatores que apontam para desaceleração da atividade já neste segundo trimestre, comparativamente ao ritmo forte observado no primeiro. Um desses fatores é o fim das reduções temporárias de IPI.

Essas reduções produziram antecipação de compras de vários tipos de bens -movimento difícil de medir, mas inegável. O encerramento da quase totalidade desses estímulos a partir de abril contribuirá para uma desaceleração abrupta das vendas desses bens.

Além disso, uma infinidade de indicadores -do consumo de energia às vendas dos supermercados, passando pela confiança dos consumidores e pela produção prevista pela indústria para os próximos meses- sugere que o PIB cresceu a um ritmo menor no primeiro trimestre do que no trimestre final de 2009 e que ele deverá diminuir novamente sua velocidade no segundo trimestre.

À luz desses elementos, o Banco Central poderá optar por aumentar a Selic mais depressa do que vinha sinalizando. Mas segue relevante a chance de que a taxa de juros básica não vá ultrapassar, ou mesmo alcançar, o nível de 11,75% ao ano.

Extraído de http://www.folha.uol.com.br/ em 05/05/2010

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