sábado, 26 de junho de 2010

BC tira R$ 1,6 bi do mercado com compulsório de banco


Patrícia Duarte

BRASÍLIA - Como parte da retirada das medidas adotadas no período da crise global, o Banco Central (BC) anunciou nesta sexta-feira que está elevando as alíquotas dos compulsórios dos depósitos à vista, de maneira gradual, dos atuais 42% para 45% até 2014. Será um ponto percentual de crescimento por ano, começando no próximo 1º de julho. Neste primeiro momento, será recolhido adicionalmente do mercado R$ 1,6 bilhão - dinheiro que, desta forma, ficará indisponível para o crédito, que apresenta taxa acelerada de expansão em tempos de pressão inflacionária.

Os compulsórios são a parte dos depósitos bancários que fica retida no BC, incluindo aí os recursos à vista (como conta corrente) e a prazo e a caderneta de poupança. Ao restringir a oferta de dinheiro na praça, o acesso aos recursos (empréstimo) fica mais escasso e caro. Com menos crédito, menos consumo, menos inflação. Em maio, segundo o Banco Central, só os compulsórios dos recursos à vista somavam R$ 59,742 bilhões. No total, eles chegavam a R$ 275,598 bilhões.

O objetivo da medida, diz a autoridade monetária, é apenas equilibrar a redução da exigibilidade de aplicação em crédito rural - quanto os bancos têm que destinar dos depósitos aos financiamentos agrícolas - que hoje é de 30% dos depósitos à vista. A partir do dia 1 de julho, cairá a 29% e, em julho de 2014, a 25%.

Segundo o economista-chefe da Prosper Corretora, Eduardo Velho, porém, com o aumento o BC sinaliza que, a curto prazo, o aumento da taxa básica de juros (Selic) não está sendo suficiente para desacelerar o ritmo de expansão do crédito. Ele afirma que a elevação torna desnecessária uma alta maior da Selic, de, por exemplo, 1 ponto percentual. Este ano o BC já elevou duas vezes a taxa: de 8,75% ao ano para 9,50% em abril e para 10,25% em junho. A expectativa do mercado é de que ela feche 2010 em 12%.

Esta semana, o BC divulgou que o volume de empréstimos no país cresceu 2,1% em maio sobre o mês anterior, ritmo que se mantém no início de junho e que volta aos patamares pré-crise, no fim de 2008. O estoque atingiu R$ 1,5 trilhão, ou 45,3% do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país).

Em março de 2009, o BC definiu que a exigibilidade de aplicação em crédito rural fosse elevada para irrigar o setor, que sofria com a falta de financiamento devido à crise. Ao mesmo tempo, reduziu os compulsórios dos depósitos à vista, para manter a liquidez inalterada. Na fase mais aguda da crise, no fim de 2008, o BC anunciou liberações de R$ 100 bilhões em compulsórios para irrigar o mercado. Em fevereiro passado, suspendeu várias medidas e enxugou do mercado R$ 71 bilhões ao elevar de 13,5% para 15% o compulsório dos depósitos a prazo, entre outros.

Extraído de www.oglobo.com.br em 26 de junho de 2010.

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