sábado, 31 de julho de 2010

O PIB foi negativo em julho, diz Fazenda


PIB caiu em julho, diz Fazenda
Autor(es): Claudia Safatle

O Produto Interno Bruto foi negativo em julho em 0,1%, segundo os cálculos, ainda preliminares, que o Ministério da Fazenda faz para medir o ritmo da atividade econômica no país. Em junho, houve crescimento modesto, ao redor de 0,7%. A expansão do PIB no segundo trimestre do ano, portanto, também deve ficar mais próxima de 0,5% do que de 1%, muito abaixo dos 2,7% do primeiro trimestre. No ano, o crescimento deve ficar mais perto de 6,5% do que de 7%, como esperam muitos analistas. A partir dessas premissas, o secretário de Política Econômica da Fazenda, Nelson Barbosa, avalia que a atividade de julho a setembro continuará fraca, bastante parecida com a do segundo trimestre, fruto da forte desaceleração que ocorreu na economia depois da retirada, em março, dos incentivos fiscais e monetários concedidos no auge da crise de 2008.

O Produto Interno Bruto foi negativo em julho 0,1%, segundo os cálculos que o Ministério da Fazenda faz para medir a temperatura da atividade econômica do país. Por esse indicador ainda preliminar, a queda do PIB este mês foi precedida de um magro crescimento em junho, ao redor de 0,7%. A expansão do produto no segundo trimestre do ano, portanto, também deve ficar mais próxima de 0,5% do que de 1%, percentual distante dos 2,7% do primeiro trimestre. No ano, o crescimento econômico não deve passar de 7% . Está mais para 6,5%.

Essas são as previsões do secretário de Política Econômica, Nelson Barbosa. "A dúvida, agora, é o terceiro trimestre", disse. Ele avalia que a atividade de julho a setembro continuará fraca, bastante parecida com o segundo trimestre, fruto da forte desaceleração que ocorreu na economia depois da retirada, em março, dos incentivos fiscais e monetários concedidos no auge da crise de 2008. E estima que no último trimestre do ano o crescimento estará no intervalo de 1% a 1,5%, "uma recuperação estatística, por causa da base de comparação".

O índice do nível de atividade a que se refere o secretário vem sendo apurado pelo Ministério da Fazenda desde 2007, para consumo interno, com base na média móvel trimestral da produção. É praticamente igual ao que o Banco Central começou a divulgar recentemente, o IBC-BR. Os cálculos para julho, assinalou Barbosa, são preliminares e foram feitos com base nos dados já disponíveis (consumo de energia elétrica, venda de automóveis, vendas do comércio, entre outros), e a queda do PIB se refere à média de maio-junho-julho confrontada com a média de fevereiro-março-abril.

O que distingue os prognósticos da Fazenda e do Banco Central para 2010 - uma expansão do PIB mais próxima de 6,5% do que de 7%, enquanto o BC continua com a estimativa de 7,3% - é o comportamento das contas externas. O secretário explicou que as suas projeções consideram que as contas externas vão subtrair mais do crescimento este ano do que o BC imagina. Para ele, a demanda doméstica cresce entre 8,5% e 9%, enquanto que a demanda externa contribuirá negativamente com 2,1% para o nivel de atividade.

Ao novo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva entregaria o país crescendo, a taxas anualizadas, algo em torno de 4,5% a 5,5%, longe dos indicadores de superaquecimento do primeiro trimestre e mais compatível com o PIB potencial, que Barbosa estima em 5%.

As projeções do secretário para a atividade econômica em julho estão, portanto, condizentes com as do Banco Central, cujo índice IBC-BR também identificou uma pequena queda do produto.

Mesmo diante do brusco desaquecimento e do aumento de 200 pontos-base na taxa Selic até agora, ele acredita que a taxa de inflação medida pelo IPCA só convergirá para o centro da meta, de 4,5%, no fim de 2011. O IPCA este ano ainda ficará acima de 5%. A ata do Copom divulgada ontem também vislumbra, no cenário de referência onde os juros ficam estáveis em 10,75%, uma convergência só no início de 2012.

Quando o IBGE divulgou, no início de junho, o crescimento de 2,7% no primeiro trimestre deste ano, comparado ao último trimestre de 2009 - performance que, anualizada, significaria uma expansão de 11,2% -, a economia já estava sob forte desaquecimento. A inflação ainda não refletia essa reversão por causa dos efeitos do aumento de preço do minério de ferro, que estariam obscurecendo os índices de preços, disse Barbosa.

Para ele não houve surpresa nem na derrubada da inflação em junho e julho nem na freada no ritmo de crescimento. Nesta coluna, no início de junho, antes mesmo do anúncio, pelo IBGE, dos dados exuberantes do PIB do primeiro trimestre, o secretário do Ministério da Fazenda disse: "A desaceleração começou a ocorrer naturalmente, conforme estava previsto. O temor do superaquecimento da economia será gradualmente substituído pelo temor de uma desaceleração muito rápida". E concluiu: "Não para nós, que já contávamos com isso, mas para os alarmistas do superaquecimento".

Na ocasião, Barbosa alegava que o superaquecimento no primeiro trimestre era fruto de uma vigorosa antecipação de consumo provocada pelo anúncio do fim dos subsídios e que logo seria revertido.

Sobre o que espera das próximas decisões do Copom, Barbosa não fala. Mesmo depois da ata da última reunião, quando o comitê surpreendeu o mercado com um aumento de 0,5 ponto na Selic em 0,5%, as apostas no governo ainda estão divididas entre quem acha que o ciclo de alta dos juros já acabou e quem acha possível mais um último aumento, ainda que suave.

Mesmo com as severas críticas que sofreu nos últimos dias, por supostamente induzir o mercado a esperar uma coisa e fazer outra, o Banco Central pode comemorar um fato: não há mais risco de o presidente da instituição ter que escrever carta ao ministro da Fazenda para explicar por que a inflação superou o teto da meta. Com os dados do IPCA de junho e julho, acabou o perigo de a inflação este ano ultrapassar 6,5%.

Extraído de www.valoronline.com.br em 01/08/2010

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