segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Entenda os índices de inflação; saiba o que eles medem e para que servem


Os índices de inflação são instrumentos para medir a variação dos preços e o seu impacto no mercado e no custo de vida da população, que surgiram a partir da criação do salário mínimo na década de 50. A diferença entre eles está nos produtos que incluem, no público que é afetado pela variação dos seus preços, no período de medição dos valores e no órgão que realiza a pesquisa.

Os principais indicadores são medidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe-USP). Conhecê-los e acompanhar seus números é importante para quem tem contratos, como os de aluguéis e de prestação de serviços, que são reajustados de acordo com sua variação.

O mais famoso e utilizado entre eles é o índice oficial de inflação, relacionado às metas estabelecidas pelo governo federal, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) entre os dias 1º e 30 de cada mês. Os preços obtidos são os efetivamente cobrados ao consumidor, para pagamento à vista, colhidos em estabelecimentos comerciais, prestadores de serviços, domicílios (para verificar valores de aluguel) e concessionárias de serviços públicos.

O IPCA reflete o custo de vida de famílias com renda mensal de 1 a 40 salários mínimos, residentes nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Salvador, Recife, Fortaleza e Belém, além do Distrito Federal e do município de Goiânia.

O IBGE também calcula o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), que mede uma faixa salarial mais baixa que o IPCA (até 6 salários mínimos, diante dos 40 salários mínimos do IPCA), a alteração de preços de serviços e produtos mais básicos é mais sentida neste índice. O peso do grupo alimentos (arroz, feijão, leite, frutas, refeições feitas em restaurantes, lanchonetes) é maior no INPC que no IPCA

FGV calcula indicadores com períodos diferentes

Os índices medidos pela FGV também têm grande importância para o reajuste de contratos. O principal é o IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado), medido do dia 21 de um mês ao dia 20 do mês seguinte, que registra a inflação de preços variados, desde matérias-primas agrícolas e industriais até bens e serviços finais. Ele é muito usado na correção de aluguéis e tarifas públicas, como conta de luz. Serve para todas as faixas de renda.

O IGP-M tem como variantes o IGP-10 e o IGP-DI, cuja diferença principal é no período de medição. Para o primeiro, a coleta de preços é feita do dia 11 de um mês ao dia 10 do mês seguinte. O segundo, que é o indicador mais antigo da FGV, mede o mês cheio, do dia primeiro do dia 30/31. Todos têm na sua composição o Índice de Preços por Atacado (IPA), o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) e Índice Nacional do Custo da Construção (INCC).

Para aprofundar a pesquisa do Índice de Preços ao Consumidor, a FGV faz um cálculo quadrissemanal do IPC-S, com fechamentos nos dias 7, 15, 22 e 30 de cada mês. São consideradas as variações de preços de 456 itens definidos por meio de uma Pesquisa dos Orçamentos Familiares (POF).

Esses produtos e serviços são distribuídos em sete classes de despesas (listadas, a seguir, pela ordem de peso no cálculo da pesquisa, da maior para a menor): habitação (31,51%), alimentação (27,20%), transportes (12,76%), saúde e cuidados pessoais (10,53%; inclui remédios e higiene pessoal), educação, leitura e recreação (8,63%), vestuário (4,80%) e despesas diversas (4,57%; inclui gastos como cartório, loteria, correio, mensalidade de Internet, cigarro e outros).

Para medir a inflação na cidade de São Paulo, principal metrópole do país, a Fipe calcula o IPC-Fipe, abrangendo um período de oito semanas de coleta. Em cada quadrissemana, as variações são obtidas dividindo-se os preços médios das quatro últimas semanas (referência) pelos preços médios das quatro semanas anteriores a elas (base).

Sete grupos de análise são utilizados pela Fipe (listados em ordem decrescente de peso nos cálculos): habitação (32,79%), alimentação (22,73%), transportes (16,03%), despesas pessoais (12,30%, com itens como fumo, bebidas, recreação e artigos de higiene e beleza), saúde (7,08%), vestuário (5,29%) e educação (3,78%).

Extraído de http://www.oglobo.com/ em 16 de agosto de 2010

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