quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Fundador da Estácio de Sá vai se desfazer de participação na universidade


Reportagem de Daniela Amorim

Os donos da Estácio de Sá, uma das maiores instituições privadas de ensino do país, decidiram se desfazer de sua participação na universidade. Foi protocolado ontem na Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) o pedido de análise de registro de oferta pública de ações da Estácio Participações S.A.. O fundador do grupo, João Uchôa Cavalcanti Netto, e sua filha Monique Uchôa Cavalcanti de Vasconcelos vão vender integralmente os 41,7% que detêm do capital social da empresa. A GP Investimentos, que também é sócia da companhia, continuará à frente da gestão do negócio.

A Estácio Participações e os dois acionistas farão oferta pública primária e secundária de ações ordinárias da empresa, segundo fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Serão oferecidas 32.803.240 ações ordinárias já em poder dos vendedores. Caso haja demanda pelo lote suplementar, a Estácio emitirá até 10% do total de ações disponíveis para venda, ou seja, 3.280.324 papéis nas mesmas condições. Nesse caso, serão vendidas ao todo pouco mais de 36 milhões de ações ordinárias. O Banco BTG Pactual e o Credit Suisse coordenam a operação.

São quase 215 mil alunos no Brasil e até no Paraguai

Em maio de 2008, a GP Investments - o maior fundo de private equity da América Latina - adquiriu 20% do capital da Estácio, e estabeleceu uma aliança estratégica, através de uma gestão compartilhada da Estácio Participações (sócios fundadores e a GP).

O preço de venda dos papéis será fixado após a coleta de intenções de investimento (bookbuilding) e análise das condições de mercado. Ontem, na Bolsa de Valores de São Paulo, a ação ON (ordinária, com direito a voto) da Estácio Participações fechou em queda de 9,45%, cotada a R$ 19,65. No mês, o papel acumula perda de 6,38%. A Estácio informou que a realização da oferta de ações foi aprovada em reunião do Conselho de Administração da companhia.

Em fevereiro de 2007, a Estácio Participações S.A. tornou-se integralmente uma instituição com fins lucrativos. No segundo trimestre de 2010, a empresa contabilizava 182,8 mil alunos na graduação presencial e 19,2 mil na graduação à distância. Na pós-graduação presencial eram 11,1 mil alunos e 1,7 mil na pós-graduação à distância. No total, já são quase 215 mil alunos.

A rede tem duas universidades, dois centros universitários e 27 faculdades, que contam, em conjunto, com 77 campi, sendo 37 no Estado do Rio de Janeiro, e unidades em outros 15 estados brasileiros, além de uma universidade no Paraguai, com cerca de 2 mil alunos. A rede de ensino oferece cerca de 70 cursos de graduação, nas áreas de engenharia e tecnologia, saúde e ciências biológicas e sociais.

Segundo balanço publicado ontem, a Estácio Participações registrou lucro líquido de R$ 7,8 milhões no segundo trimestre, acumulando um lucro líquido de R$ 36,7 milhões no primeiro semestre de 2010.

Geração de caixa atingiu R$ 58,4 milhões no semestre

A geração de caixa operacional da empresa, medida pelo Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) alcançou R$ 58,4 milhões no primeiro semestre do ano, sendo R$ 18,7 milhões no último trimestre.

O lucro bruto da companhia no semestre foi de R$ 159,6 milhões, sendo R$ 71,2 milhões arrecadados no segundo trimestre.

A Estácio não pode comentar a oferta pública de ações porque está em período de silêncio, de acordo com instrução da CVM.

Extraído de http://www.oglobo.com.br/ em 12 de agosto de 2010

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