sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Briga de sanduíche grande



Os novos reis do hambúrguer

Autor(es): Ricardo Allan


Fundo de investimento controlado por três empresários brasileiros compra o Burger King, a segunda maior rede de fast food do mundo.

O anúncio de uma bilionária negociação ontem vai trazer mais emoção ao já competitivo mercado global de fast food. O fundo de investimentos 3G Capital, sediado nos Estados Unidos, mas controlado por três empresários brasileiros, comprou o Burger King, a segunda maior rede de lanchonetes do mundo, atrás apenas do concorrente McDonald’s. O valor total foi de US$ 4 bilhões (R$ 6,94 bilhões), montante que inclui dívidas assumidas de US$ 750 milhões. À frente da operação, estão Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira, magos das finanças apontados por vários analistas como os mais arrojados empreendedores dos últimos 20 anos no Brasil.

Na sua carteira de negócios, o trio acumula ainda a maior participação acionária na Anheuser-Busch InBev, a mais importante cervejaria do mundo, e o controle das Lojas Americanas e do site de vendas Submarino, por exemplo. Lemann, o mais conhecido dos três, começou seu império corporativo ao criar o Banco Garantia e o ampliou com a Brahma e outras companhias. Nos cálculos da revista Forbes, ele é a 48ª pessoa mais rica do mundo, com patrimônio pessoal de US$ 11,5 bilhões, equivalente a R$ 19,94 bilhões. É o segundo no ranking nacional, perdendo apenas para Eike Batista, do grupo EBX, cuja fortuna é estimada em US$ 27 bilhões (R$ 46,82 bilhões) — ele ocupa o oitavo lugar na lista.

O negócio promete mexer com os nervos dos concorrentes. Sediada em Brasília, a rede Giraffas acredita que o negócio pode fortalecer o segmento no país. Por meio da assessoria de imprensa, a empresa afirmou que a compra muda o cenário do comércio fast food no Brasil, pois apenas uma grande rede será controlada por capital estrangeiro, o McDonald’s. “Será mais uma empresa que poderá trabalhar a cultura e a culinária brasileiras de uma maneira global”, assinalou a diretoria. O McDonald’s informou que tem por política não comentar os movimentos dos concorrentes. O Bob’s também preferiu não se manifestar. Segundo a Associação Brasileira de Franchising (ABF), o setor de fast food gira em torno de R$ 11 bilhões por ano.

A presidência do Burger King ficará a cargo do executivo Bernardo Hess, de 40 anos, ex-comandante da América Latina Logística (ALL), empresa em que Lemann também tem participação acionária. Fundada em 1954, a rede tem cerca de 12 mil lojas em 76 países (quatro franquias no Distrito Federal). Enfrentou dificuldades com a recessão mundial, que incentivou os consumidores dos países desenvolvidos a comer em casa. Segundo o comunicado divulgado ontem, a operação foi feita a um preço de US$ 24 por ação, numa alta de 46% em relação ao valor de mercado. Os efeitos da divulgação foram imediatos. Anteontem, quando os rumores começaram, os papéis subiram 15% na Bolsa de Valores de Nova York. Ontem, após a aprovação pelo Conselho de Administração e o anúncio formal, o salto chegou a 25,1%.

Capital fechado

O faturamento do McDonald’s foi de US$ 22 bilhões (R$ 38,15 bilhões) no último ano, com lucro de US$ 4,3 bilhões (R$ 7,46 bilhões). No mesmo período, as receitas totais do Burger King foram 10 vezes menores (US$ 2,2 bilhões), com lucro de apenas US$ 186 milhões (R$ 322,5 milhões). Tentando superar os problemas de caixa, a empresa mudou de mãos algumas vezes na última década. Em 2006, o consórcio financeiro controlador lançou ações da companhia em Wall Street com o objetivo de atrair investidores. Com a operação atual, ela voltará a ter o capital fechado, o que permitirá que seu valor deixe de oscilar com a gangorra do mercado de capitais.

“Como tem cotação em bolsa, o Burger King sofreu mais que o McDonald’s com a crise. Sua volta ao âmbito privado pode alterar esse jogo. É muito difícil uma empresa com capital aberto competir com um gigante”, disse o analista Gregori Volokhine à agência de notícias France-Presse. Os planos, agora, são de expansão(1) no exterior. “Estamos entusiasmados por trabalhar com a 3G Capital, cujo desempenho como investidor e experiência financeira servirão para fortalecer nossa empresa”, disse o atual presidente do Burger King, John Chidsey. Ele vai ser um dos presidentes do Conselho, com Alex Behring, da 3G.

1 - Aposta alta

A rede Burger King tem uma forte presença nos Estados Unidos e na Europa. Segundo números apresentados pela companhia, 35% de suas operações se dão fora do mercado norte-americano, número considerado ainda pequeno para quem tem pretensões de se aproximar do gigante McDonald’s. Uma das primeiras medidas da nova direção será apostar em outros países, em especial na América Latina e na Ásia. A intenção é elevar seu faturamento no exterior a 55% do total.

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