segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Compras por impulso dos brasileiros já movimentam R$ 13,8 bilhões por ano

Com a retórica do "eu mereço", muitos brasileiros arranjam a desculpa perfeita para realizar seus sonhos de consumo e já movimentam R$ 13,8 bilhões por ano em compras feitas por impulso, mostra reportagem de Fabiana Ribeiro, publicada na edição deste domingo de O Globo. Segundo a consultoria Nielsen, a cifra representa 7,4% do faturamento do varejo do país.

O problema é que, muitas vezes, o consumidor se deixa levar pelo emocional e esquece de planejar as suas finanças. Ou simplesmente erra nas prioridades - como comprar um iPad, mas deixar de fazer um curso importante para a carreira porque se endividou. Com isso, um desejo realizado pode ser tornar um pesadelo mais tarde.

- A compra por indulgência tornou-se significante, a ponto de já aparecer nas estatísticas, porque o brasileiro passou a ter mais renda disponível. Com dinheiro no bolso, os consumidores passaram a ter acesso a bens e a marcas mais sofisticadas - resumiu Arthur Oliveira, executivo de atendimento da Nielsen.

Especialista em economia comportamental, o professor do Massachusetts Institute of Technology (MIT) Dan Ariely defende que as decisões de consumo - especialmente aquelas que podem levar o consumidor a uma situação financeira de desequilíbrio - são tomadas calcadas na emoção. A sangue frio, muitos diriam não a estímulos da publicidade ou ao simples desejo de ter algo ou mesmo a suas próprias desculpas.

- A falta de autocontrole pode levar a dívidas. É a emoção que faz o consumidor optar entre consumir mais, comprar um objeto de desejo, e não mais guardar dinheiro ou pensar na sua aposentadoria. O ser humano é bem diferente do que aparece nas teorias: é pura emoção - Dan disse Ariely, autor de "Previsivelmente irracional" (Editora Campus).

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