sábado, 25 de setembro de 2010

Desemprego tem queda recorde


Maior ocupação da história

Desemprego cai a 6,7%, menor nível na apuração feita pelo IBGE, e a renda do trabalhador sobe 5,5%. Mas o cenário positivo pode causar a alta dos preços.

A taxa de desemprego caiu pelo quarto mês seguido e alcançou 6,7%. É o menor nível já medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) desde o início da série histórica, em 2002. A expectativa para os próximos meses é de novos recordes até dezembro, melhor período para o emprego devido às contratações de temporários em razão das festas de fim de ano. Já o rendimento médio dos trabalhadores ficou em R$ 1.472, valor 5,5% superior ao de agosto de 2009, já descontada a inflação do período. O desempenho levou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a comemorar o feito.

“Minha geração nunca acreditou que o Brasil teria um índice assim (6,7%). Achavam que isso é coisa da Europa, dos Estados Unidos. Hoje a Europa está com 10% de desemprego”, comentou, em Maringá (PR). Mas, ao mesmo tempo em que os números animam governo e empresários — face às perspectivas de boas vendas no último trimestre —, eles trazem também preocupação quanto ao risco de aumento dos preços aos consumidores. O professor de economia da Universidade de Brasília (UnB) Carlos Alberto Ramos alerta que, apesar de as tendências serem positivas, há o risco de que levem o país a enfrentar sérias dificuldades para encontrar mão de obra suficiente ao sustento da demanda crescente.

O mais temido efeito colateral que essa situação pode causar é um aumento da taxa básica de juros, para conter o superaquecimento econômico. “A escassez de trabalhadores aumenta o poder de barganha dos profissionais, favorece o aumento de salários e pode ocasionar alta da inflação”, avalia.

O economista Fábio Romão, da consultoria LCA, prevê, todavia, que os juros se manterão estáveis em 2011, mas reconhece que a pressão inflacionária pode ser maior do que se pensava. Ele toma por base o fato de que os dados do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15), de 0,31% em setembro, também surpreenderam o mercado de forma a demonstrar um aquecimento econômico acima do esperado. “Na análise por setor, a renda na construção civil cresceu 9,3% no ano. Por se tratar de um ramo onde há reconhecida escassez de mão de obra, o número pode ser interpretado como indício do aumento do poder de barganha dos trabalhadores”, sugere Romão.

Pujança

Salários mais altos representam maiores custos para as empresas, que por sua vez podem ser repassados ao preço dos produtos. Reforça o cenário de risco o maior poder de compra da população. A economista do IBGE Adriana Birigui, explica que, em 12 meses, a renda aumentou em todas as regiões metropolitanas pesquisadas. Em comparação ao mesmo período do ano passado, há 691 mil empregados a mais no país. “O setor que mais criou vagas é o classificado como outros serviços, que cresceu 9,4% em 12 meses e gerou 336 mil vagas, puxado pelo segmento de alimentação”, disse.


O padeiro Paulino Vieira, ao centro, está animado com a carteira assinada após seis meses sem emprego fixo. A padaria onde trabalha, no Núcleo Bandeirante, contratou outros três funcionários só na última semana

A pujança do comércio alimentício é visível na padaria Divino Pão, localizada no Núcleo Bandeirante onde, só na última semana, três funcionários foram contratados. Um deles é o padeiro português Paulino Vieira, 34 anos, morador de Valparaíso (GO), que conseguiu uma vaga com carteira assinada após cerca de seis meses sem emprego fixo. Sua próxima meta é qualificar-se para crescer profissionalmente. “Estou estudando ensino médio a distância”, comenta. Colega dele na empresa, Nelion dos Reis, 19, reconhece que o cenário é favorável, tanto que acumula dois empregos: um na padaria e outro como operador de telemarketing. “São tantas ofertas que dá até para escolher”, festeja.

Recenseadores

A contratação de mais de 190 mil temporários para o Censo 2010 também impactou o índice. Mas, mesmo sem essa ajuda, o mercado de trabalho teria números expressivos, já que dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) indicaram a geração de 299 mil vagas formais no mês, sem contar os recenseadores. A brigadista Vanda Sales, 38 anos, moradora de Brazlândia, comemora o bom momento, que lhe permitiu conseguir um emprego após três anos de tentativas. “Com o dinheiro, pretendo terminar a faculdade de enfermagem”, revela.

O número de 691 mil total de empregados a mais no país em agosto, na comparação com o mesmo mês de 2009
2010 deverá bater recorde

A tendência, até o fim do ano, é de intensificação nas contratações, já que, conforme indica a série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), dezembro é tradicionalmente o melhor mês para o mercado de trabalho. A projeção da consultoria LCA é de um novo recorde no último mês do ano, com uma taxa de desemprego 6%. Se as projeções estiverem corretas, 2010 será o melhor ano para a criação de vagas, com uma taxa média de 6,9%. Até o momento, a menor marca, de 7,9%, é de 2008.

A Confederação Nacional do Comércio estima que serão contratados 118 mil temporários este ano. Já a Associação Brasileira das Empresas de Serviços Terceirizáveis e de Trabalho Temporário prevê a geração de 139 mil vagas até o fim do ano, a maior parte em shoppings e supermercados. No Taguatinga Shopping, a expectativa é de geração de 250 empregos temporários entre novembro e dezembro. A superintendente Eliza Ferreira informa que as contratações começarão na segunda quinzena de outubro.

“Em um ano e meio, incrementamos o número de empregos fixos em 700 vagas, graças à expansão com 60 novas operações”, revela Eliza. Para atender a demanda, o Taguatinga já começou o processo de recebimento dos currículos para quem deseja atuar como temporário. Todo o material recebido passa por uma triagem quanto à área de atuação e é repassado aos lojistas.

Gostou e quer ver a íntegra da pesquisa? então clique no link abaixo para ir a página do IBGE.

Extraído de http://www.correiobraziliense.com.br/  em 24/09/2010

Nenhum comentário:

Postar um comentário