segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Mercado diverge do BC e espera alta dos juros


Mercado diverge de BC sobre inflação e prevê novo aperto


A divergência entre o mercado e o Banco Central em relação à trajetória da inflação em 2011 acentuou-se na última semana. A inflação que pode ser inferida pelas taxas dos títulos públicos negociados (inflação implícita) superou os 6% para os papéis com vencimento em maio de 2011.

Desde 9 de setembro, quando foi divulgada a ata da reunião do Comitê de Política Monetária que interrompeu a alta dos juros, cresceu a compra dos papéis corrigidos pela inflação. A diferença entre as taxas desses títulos e dos prefixados é uma das formas de se avaliar a expectativa de inflação embutida nos papéis. O retorno para o investidor ("yield") recuou mais de 50 pontos base desde então para os títulos com vencimento em maio de 2011. Descontando-se a taxa prefixada para o mesmo período, vê-se que a inflação contida no preço pulou de 5,41% para 6,07% para o primeiro semestre de 2011 em pouco mais de dez dias.

Cálculo semelhante para os papéis que vencem em novembro de 2011 indica que os aplicadores esperam inflação de 5,62% no fim do ano, maior que os 5,33% registrados antes da ata do Copom. O principal fator no cenário de mais inflação, na visão dos analistas, é a força da demanda doméstica.

Aumentou nas últimas duas semanas a divergência entre o mercado e o Banco Central (BC) sobre a trajetória da inflação para o próximo ano. Enquanto os documentos da autoridade monetária reforçam uma visão otimista, a "inflação implícita", queque pode ser inferida pelas taxas dos títulos públicos negociadas pelos investidores, superou os 6% para os papéis com vencimento em maio de 2011.

Começa a crescer a corrente de economistas que acreditam que o BC terá de elevar a taxa básica de juros no primeiro semestre do próximo ano. A mediana das expectativas do Focus já mostra alta em março de 2011. Há, inclusive, analistas que acreditam em novo "cavalo de pau" na política monetária ainda este ano, com a retomada do processo de aperto monetário nas reuniões de outubro ou dezembro, após as eleições.



Desde o dia 9 de setembro, quando foi divulgada a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), explicando a manutenção da Selic, intensificou-se o movimento de compra dos papéis corrigidos pela inflação. O retorno para o investidor (yield) recuou mais de 50 pontos base desde então para os títulos com vencimento em maio de 2011. Descontando-se a taxa prefixada para o mesmo período, vê-se que a inflação embutida no preço pulou de 5,41% para 6,07%, para o primeiro semestre de 2011 em pouco mais de dez dias.

O mesmo cálculo para os papéis da dívida que vencem em novembro de 2011 indica que os aplicadores esperam inflação de 5,62% no fim do ano, acima do patamar de 5,33% registrado antes da ata do Copom.

A diferença entre as taxas de juros dos papéis prefixados em relação ao preço dos títulos atrelados a índices de preços é uma das formas de se avaliar a expectativa de inflação embutida nos títulos públicos. A mudança de rumo vista nos últimos dias, portanto, pode indicar a percepção dos investidores de que o BC pode estar com uma visão equivocada da trajetória dos preços.

Na pesquisa Focus, feita semanalmente pelo Banco Central, as expectativas inflacionárias também vêm se deteriorando desde a divulgação da ata, mas de maneira mais lenta. A inflação esperada para 2011 pulou de 4,85% para 4,95% nas últimas duas semanas. Como consequência, os economistas que respondem ao levantamento esperam elevação de um ponto percentual da Selic em 2011.

A importância dessa informação será vista nesta semana, quando será apresentado o Relatório de Inflação (RI) de setembro. O BC utiliza os dados projetados pelos agentes para rodar seus modelos econométricos e apontar como está a dinâmica inflacionária para os próximos meses e anos. A deterioração das expectativas, portanto, pode impactar diretamente os modelos da autoridade monetária.

No último RI, de junho, a data de corte para as projeções colhidas no Focus foi 18 de junho, para o documento divulgado em 30 daquele mês. Se for usada a mesma data no relatório de setembro, o documento deve incorporar um IPCA esperado bastante acima da meta, 4,95%, com uma taxa de câmbio ligeiramente abaixo da anterior.

Para Luis Otavio de Souza Leal, economista-chefe do Banco ABC Brasil, mais do que observar a análise, o interesse recai sobre as projeções de inflação para o 4º trimestre de 2010. "O BC reage a erros de previsão feitos no RI. Ou seja, caso a previsão para os últimos 3 meses de 2010 contida no RI de setembro acabe se mostrando muito otimista quando comparada com os números que efetivamente serão divulgados, aumenta muito a chance de que haja um movimento de elevação dos juros ainda no primeiro trimestre de 2011."

O principal fator que leva a esse cenário mais inflacionário para os próximo meses, na visão dos analistas, é a força da demanda doméstica. Os dados do mercado de trabalho apontam para a menor taxa de desemprego da história e para um forte aumento da massa salarial. O aumento real do rendimento do trabalho apresenta uma taxa anualizada de 18% no último trimestre. "A sequência de aumentos da renda real média e da massa salarial real caracteriza o período de expansão atual como o mais prolongado da série histórica", diz Aurélio Bicalho, economista do Itaú Unibanco.

Além disso, o mercado de crédito começa a retomar o vigor de anos anteriores, o que deve puxar o consumo no fim do ano, especialmente nas linhas para pessoas físicas. Para Henrique Navarro, analista do Banco Santander, a "tão esperada recuperação na demanda por crédito no Brasil" está ganhando força, após o lento crescimento registrado no primeiro semestre, diz.

Por outro lado, a inflação corrente reforça o temor de aumento dos preços de alimentos e a sequência de três meses com IPCA ao redor de zero não deve se repetir neste ano.

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