quinta-feira, 7 de outubro de 2010

NOVA MEDIDA TENTA CONTER A QUEDA DO DÓLAR

Governo amplia munição para compra de dólares

Um dia após a elevação de 2% para 4% do Imposto sobre Operações Financeiras para aplicações de estrangeiros em renda fixa, o Conselho Monetário Nacional editou medida que abre espaço para o Tesouro comprar quase US$ 11 bilhões no mercado de câmbio. O objetivo é conter a queda do dó1ar. Ontem, investidores estrangeiros apostaram no mercado futuro de câmbio da BM&FBovespa. 0 dó1ar fechou a R$ 1,68 alta de 0,60%.

Tesouro agora pode adquirir moeda americana para pagar dívidas vencendo em quatro anos. Medida põe US$ 10,7 bi à disposição

Menos de 48 horas depois de elevar a alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para aplicações de investidores estrangeiros em renda fixa, o governo lançou mão ontem de mais uma medida para ajudar a segurar a queda do dólar frente ao real.

O Tesouro Nacional poderá comprar antecipadamente os dólares necessários ao pagamento dos vencimentos da dívida pública externa dos próximos quatro anos. A medida também alcança as empresas que têm compromissos no exterior.

Em reunião extraordinária, o Conselho Monetário Nacional (CMN) decidiu dobrar o prazo para a compra antecipada de moeda estrangeira, que subiu de 750 dias para 1.500 dias. A medida aumenta em US$ 10,7 bilhões o potencial de compras de dólares do Tesouro no mercado à vista de câmbio.

As aquisições de dólares são feitas para o Tesouro pelo Banco do Brasil, que entra comprando no mercado de câmbio como se estivesse fazendo uma operação para um investidor qualquer. Para o Ministério da Fazenda, essa atuação "silenciosa e sem alarde", diferentemente do Banco Central (BC) que anuncia os seus leilões de dólares, garante menor previsibilidade nas intervenções que o governo faz no mercado para evitar uma grande volatilidade (sobe e desce abruptos) da taxa de câmbio.

Efeito surpresa. A avaliação é de que, embora o volume potencial de compras antecipadas não seja elevado em comparação ao tamanho do mercado de câmbio brasileiro, o efeito "surpresa" do Tesouro como um grande "player" (jogador) ajuda a controlar uma mudança mais forte da taxa de câmbio. Apesar de executadas pelo BB, o comando para as compras de dólares é dado pelo Tesouro.

Em março, também em uma reação à valorização do real, o CMN já havia subido o prazo 365 dias para 750 dias, garantindo na época uma margem adicional de US$ 11 bilhões de compras.

Nos últimos meses, com a queda mais forte do dólar, o Tesouro acelerou as compras e, com isso, adquiriu todo essa margem de 750 dias. Isso fez com que a Fazenda optasse pela extensão do prazo, aumentando a margem de compra para os compromissos da dívida externa de 2012 a 2014.

Segundo o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, essa ampliação dá mais "poder" ao Tesouro para conter a excessiva valorização do real.

Exportadores. Apesar de alcançar o setor privado, os exportadores não esperam grandes mudanças para as empresas. Na avaliação do vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, a mudança de prazo não deve alterar os negócios realizados pelos exportadores brasileiros. "A medida abre espaço para que o exportador adie o máximo possível a entrada de dólares no País, mas as maiores companhias, que estão capitalizadas, já deixam esse dinheiro lá fora", afirmou Castro. "Quando o exportador precisa do recurso, o que ele faz é antecipar essa entrada", completou.

Por isso, avaliou Castro, a medida não interfere na taxa de câmbio pelo lado das exportações, mas pode ter um efeito conjuntural por meio das compras de dólares por parte do Tesouro Nacional. Para que haja impacto efetivo na taxa de câmbio, disse Castro, é preciso mudar aspectos estruturais da economia brasileira, como reduzir a elevada taxa de juros do País.

Nos últimos dias, diversos analistas e operadores têm revelado ceticismo quanto às medidas já adotadas para conter a queda do dólar em relação ao real, um movimento que acompanha a desvalorização da moeda americana no mercado global.

Autor(es): Adriana Fernandes, Fabio Graner / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

O Estado de S. Paulo - 07/10/2010

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