domingo, 28 de novembro de 2010

Atenção aos formandos: Oportunidades de crédito para Pós Graduação


Como obter crédito para a pós

Foi-se o tempo em que os profissionais aguardavam o aval das empresas - leia-se financiamento - para fazer uma pós-graduação. Com o mercado exigindo gente cada vez mais qualificada, é comum eles se programarem para bancar o próprio curso. Para isso, é preciso fazer contas e conferir as opções de crédito oferecidas.

O professor Mario Pinto, superintendente da FGV Management no Rio, lembra que, como tudo na vida, há preços para todos os bolsos e expectativas. Como os dos cursos voltados para gestores de nível alto na hierarquia (diretores, vice-presidentes e CEOs), que incluem inserções no exterior e estão na faixa de R$ 35 mil a R$ 40 mil (sem as despesas de viagem).

Professor recomenda que aluno tenha uma reserva

Há também programas dirigidos a um público graduado há mais de dois anos, que não tenha necessariamente experiência gerencial. Há instituições em que os MBAs custam de R$ 20 mil a R$ 25 mil. Nas mesmas escolas, a pós para recém-formados costuma variar entre R$ 15 mil e R$ 20 mil. O profissional deve ter claro o que busca e fazer uma pesquisa detalhada, aconselha Renata Moraes, coordenadora de comunicação da Fundação Estudar, instituição sem fins lucrativos que investe no incentivo à educação e à formação de futuros líderes:

- Diferentemente do exterior, onde a oferta de bolsas de estudo é grande, no Brasil, o aluno, além da preocupação em ter o currículo aceito e passar pela bateria de entrevistas, principalmente em mestrado e doutorado, deve correr atrás das opções de financiamento.

Normalmente, diz o superintendente da FGV, as instituições têm algum tipo de crédito, proporcionalmente ao período do curso, assim como há bancos que têm linhas de crédito para este fim. Mas, frisa, o ideal é que o profissional faça uma reserva, mesmo que ela não cubra o valor total do curso. Para casos de emergência:

- O pior é ter de interromper o curso por falta de recursos.

Aluno com crédito bancário tende a conseguir desconto

Mario Ferreira Neto, superintendente nacional de Clientes Pessoa Física da Caixa Econômica (CEF), diz que, apesar das vantagens e condições oferecidas, a carteira de operações de crédito para pós ainda não é expressiva na instituição. Uma das razões estaria no pouco conhecimento do produto, tanto por estudantes como por instituições de ensino:

- Hoje, a maior procura é de cliente com prévio relacionamento com a Caixa.

Ao adquirir linhas de crédito bancárias, os estudantes podem negociar possíveis descontos junto às escolas, já que pagarão à vista. E, além de receberem logo, elas não correm risco de inadimplência.

Condições oferecidas pelo mercado

Confira abaixo as opções de pagamento e as condições dos financiamentos oferecidos pelos bancos e outras instituições:

- Opções de pagamento:

- À vista - Para quem paga à vista, o desconto costuma ser de 10%. Mas ele pode variar, segundo a antecedência com que a matrícula é feita.

- Parcelamento direto - Se for parcelar, negocie antes com a instituição de ensino. Os juros são mais atraentes que os cobrados por bancos. As escolas costumam ter um teto, mas é possível propor o parcelamento em menos vezes, pagando menos. Na FGV, por exemplo, esse teto é de 28 meses, com desconto para menor número de parcelas.

- Crédito bancário - Atenção aos juros, que costumam variar de 1,73% a 3,29% ao mês, dependendo da instituição de crédito. Prazos: de dez a 48 meses. Os valores financiados chegam a R$ 50 mil.

- Bolsas de estudo - A oferta é limitada. A Capes (http://www.capes.gov.br/) oferece o programa "Suporte à pós-graduação de instituições de ensino particulares" (Prosup), para os cursos de pós recomendados por seu conselho técnico-científico. Os recursos não precisam ser restituídos pelo aluno. Já a Fundação Estudar (http://www.estudar.org.br/) concede bolsas parciais (de 10% a 90%) para escolas de negócios de excelência lá fora. Em 2011, haverá benefícios para mestrados internacionais em diferentes áreas: artes, direito, administração, políticas públicas e ciências. Esse crédito tem de ser devolvido.

As taxas dos bancos

- CEF - A linha de crédito da Caixa Econômica é destinada a financiar cursos lato sensu ou stricto sensu oferecidos por faculdades e universidades reconhecidas pelo MEC. Taxas de 1,73% a 3,29% ao mês, com prazo de pagamento de até 36 meses. Limite: R$ 30 mil. Veja mais em http://www.caixa.gov.br/  

- Bradesco - O limite para o crédito é R$ 40 mil. Os juros estão em 2,59% mensais, e o prazo chega a 48 meses. Confira detalhes http://www.bradesco.com.br/

- HSBC - O banco acabou de lançar três linhas de crédito para estudantes, uma delas para MBAs e mestrados no Brasil. Taxas a partir de 2,10% ao mês, com pagamento em até 48 parcelas. Limite: R$ 50 mil. Detalhes em http://www.hsbc.com.br/

- Ideal Invest - O "Pravaler pós" financia até 100% do curso de pós. O contrato é semestral, a ser pago no máximo em 12 parcelas, com taxas de até 1,89%. O crédito pode ser recontratado, mas as parcelas não se acumulam, pois há um período de carência para pagar o novo semestre. No site os interessados podem assistir a um vídeo explicando o programa e simular o financiamento. http://www.creditopravaler.com.br/  

Educação tratada como se fosse extravagância

O que não falta na praça é crédito, sem muita burocracia, inclusive para custear a pós-graduação. Mas é preciso analisar muito bem as condições oferecidas. Os juros variam de 1,73% a 3,29% ao mês - o que significa taxas de 22,85% a 47,47% ao ano. Para se ter uma ideia: ao tomar um crédito de R$ 15 mil, com taxa de 3,29% ao mês, parcelado em 24 meses, o estudante pagará R$ 32.620 no total.

As taxas, em alguns casos, chegam a ser mais altas que as das operações de crédito pessoal e de aquisição de bens (em média, de 41,6% e 25,1% ao ano, respectivamente, segundo dados do Banco Central).

O economista Gilberto Braga lembra que a pós-graduação, diferentemente da graduação, não tem linha especial do governo, que conta com subsídios:

- A educação continuada é tratada como se fosse extravagância. O governo deveria ter o máximo interesse em financiar a aquisição de conhecimento. Se há algo que mereça algum tipo de subsídio, é o aprimoramento profissional.

Extraído do caderno Boa Chance do Jornal O Globo em 28/11/2010
Autores: Luciana Calaza & Ione Luques.

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