terça-feira, 16 de novembro de 2010

Bancos baixam juros para evitar calote


Juro menor contra calote

Bancos estão se armando para prevenir uma onda de inadimplência dos consumidores. Antes mesmo de o cliente se perder ao usar o cheque especial ou o cartão de crédito para fechar as contas no fim do mês, algumas instituições financeiras estão se antecipando e oferecendo modalidades de empréstimos mais baratos. Os juros podem chegar a 2,71 % ao mês.

Bancos cobram taxas abaixo de 3% para potenciais devedores

Com a expansão vigorosa do crédito no país, a taxas de 20% ao ano, grandes instituições como Banco do Brasil (BB) e Itaú, as maiores do país, estão se armando para prevenir um estouro na inadimplência dos consumidores. Antes de o cliente se perder ao usar o cheque especial ou o cartão de crédito para fechar as contas no mês, com juros estratosféricos, os bancos estão se antecipando e oferecendo modalidades de empréstimo mais baratas.

Essa saída sempre foi a mais recomendada por todos os especialistas da área de finanças pessoais, mas é a primeira vez que os bancos tomam a iniciativa. Para isso, estão investindo pesadamente em tecnologia e estudos para acompanhar cada vez mais de perto os passos dados por seus clientes.

- Pelo histórico, conseguimos perceber se o cliente vai ficar inadimplente ou não - diz o diretor de Crédito do BB, Walter Malieni Júnior.

BB já procurou 38 mil correntistas

Os resultados já começaram a aparecer. Em dois meses usando essa nova ferramenta, o BB abordou 38 mil clientes que tinham potencial para se tornar inadimplentes, conseguindo renovar as linhas de 7,5% desse total, num valor global de R$3,925 milhões, com parcelas e prazos médios de R$156 e 15,4 meses, respectivamente.

Para tanto, criou uma nova modalidade de crédito, chamada CDC Renovação, cujas taxas de juros variam de 4,86% a 6,10% ao mês, com limites de R$150 a R$60 mil. Os juros do cheque especial, em média, ficam em torno de 10% mensais.

Para Malieni, o empenho em evitar um crescimento da inadimplência, no limite, também ajuda a incentivar ainda mais os negócios. Com a saúde financeira do cliente em ordem, o banco pode oferecer outros produtos e mantê-lo ativo. Sem contar que evita eventuais perdas financeiras para a instituição.

Financiamentos em caixas eletrônicos

Há menos de dois meses o Itaú também começou a trabalhar com os mesmos mecanismos. Entre estes, segundo o superintendente de Relacionamento com o Sistema de Defesa do Consumidor do banco, Francisco Calazans Júnior, está o "saldo parcelado", uma nova linha de crédito com juros menores - de 2,71% a 6,02% ao mês - que está sendo oferecida nos caixas eletrônicos.

- Usamos alguns canais para oferecer essas alternativas, como os terminais de autoatendimento - explicou o executivo do Itaú.

O motorista de ônibus Marcos Antonio Pereira Rodrigues é um bom exemplo. Correntista do BB, ele usou a nova linha de crédito para levantar R$345 e evitar entrar no vermelho no seu cartão de crédito. Ele conta que fez muitas compras pequenas, porém acabou não conseguindo honrar integralmente a fatura. Diante de taxas de juros na casa dos 10% ao mês no cartão, ele vai agora pagar seis parcelas de R$80, totalizando R$480. A taxa mensal ficou em 5,65%.

- Isso é melhor que pagar os juros do cartão - disse Rodrigues.

Por enquanto, não houve um estouro da inadimplência de modo geral, mas o cinto começou a apertar. Já não é tão difícil perceber que alguns clientes começaram a usar o cheque especial por alguns dias, ou até mesmo pagar apenas parte de sua fatura do cartão de crédito em um determinado mês, dando sinais de que podem caminhar para a inadimplência.

- Estamos oferecendo outras linhas de crédito mais em conta para esse cliente não se perder - explicou Malieni, avisando que o BB começará a fazer o mesmo monitoramento das pequenas e médias empresas.

A inadimplência do consumidor pessoa física, segundo dados do Banco Central (BC), vem caindo ao longo do ano. Começou o período a 7,5% e, em setembro, estava em 6%. O vice-presidente da Anefac (associação que reúne os executivos de finanças), Miguel Oliveira, avalia que esse movimento deve continuar. Para ele, as instituições financeiras perceberam que é melhor manter o cliente ativo do que tentar ganhar taxas de juros enormes que só engolem a capacidade de pagamento das pessoas:

- É uma questão de sobrevivência dos bancos. É uma tendência que veio para ficar, com o bom momento da economia e a maior competição entre os bancos.

O vice-presidente da Anefac reforça que as pessoas devem evitar entrar no cheque especial ou no rotativo do cartão de crédito, modalidades nas quais as taxas de juros ultrapassam 10% ao mês. O crédito consignado, com desconto em folha de pagamento, é sempre a melhor opção, com taxas em torno de 2% e 3% ao mês. Se a inadimplência se mantiver, o consumidor pode ter o nome incluído no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) e ter o crédito cortado.

Autor(es): Agencia o Globo/Patrícia Duarte
O Globo - 16/11/2010 http://www.oglobo.com.br/

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