terça-feira, 30 de novembro de 2010

Censo: população vai a 190,7 milhões, mas cai ritmo de crescimento


Censo 2010 mostra que crescimento populacional foi menor que o esperado

A população brasileira está menor do que o esperado. Ontem o IBGE divulgou os primeiros números do Censo populacional de 2010, mostrando que há 190.732.694 brasileiros, uma população 12,3% acima da de 2000. Mas as projeções eram de um crescimento maior. Pelos próprios números de 2008 do IBGE, esperava-se encontrar 198 milhões este ano, como lembra o professor José Eustáquio Alves, da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence), ligada ao próprio instituto:

- A taxa de crescimento esperada era maior. Isso foi o que mais surpreendeu os demógrafos. Os outros resultados confirmaram a tendência já mostrada em outros levantamentos.

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad/2010), também produzida pelo IBGE e divulgada em setembro último, projetava 191,8 milhões em 2009. Número acima do encontrado pelos 191 mil recenseadores um ano depois.

- Na década de 90, a taxa de crescimento era 1,6% ao ano e agora já está caindo para 1,17%. Já está caindo de maneira bastante expressiva ao se comparar com países mais desenvolvidos europeus e asiáticos, que também têm população envelhecida e ritmo de crescimento menor da população. Observamos que o padrão demográfico brasileiro é muito parecido ao dos outros países - afirma Eduardo Nunes, presidente do IBGE.

Segundo Alves, da Ence, pelas projeções do próprio instituto, a população brasileira para de crescer em 2040:

- O Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) prevê que isso acontecerá em 2030. Pelos números divulgados hoje (ontem), essa estagnação deve ficar mais perto de 2030 - destaca o demógrafo.

As tendências que já vinham sendo desenhadas por outros censos e pelas pesquisas anuais do instituto foram confirmadas. O Brasil está mais urbano: 84% da população vivem nas cidades. Em 2000, essa parcela chegava a 81%. Num movimento de migração que vem se dando desde os anos 1950, o meio urbano só ganha habitantes: em 1991 eram 35,8 milhões na área rural; este ano, são 29,6 milhões.

- A população na zona rural gira em torno de 30 milhões desde a década de 1950, mostrando que o crescimento populacional brasileiro acontece nas cidades - afirma o presidente do IBGE.

100 mulheres para 95,9 homens

A população brasileira está cada vez mais feminina. São 97,342 milhões de mulheres para 93,4 milhões de homens. Isso significa que há cem mulheres para 95,9 homens. E essa tendência demográfica vai se manter pelas próximas décadas, na avaliação de Alves:

- É um movimento inexorável. Apesar de nascer mais homens, eles sofrem mais com a violência. Vimos isso agora no Rio. Os homens são as grandes vítimas da violência. Porém, mesmo que diminua a violência urbana, só vai reduzir o ritmo de crescimento do superávit feminino.

Para encontrar mais homens, somente na zona rural. Em todas as grandes regiões brasileiras, esse fenômeno se repete. A região Norte é a única que apresenta mais mulheres em relação aos homens no total da população.

Outro movimento que se confirmou com os números do Censo 2010 foi o crescimento das cidades médias, que ganharam peso populacional nos últimos dez anos. São municípios que têm entre cem mil e cinco milhões de habitantes. Já o Rio de Janeiro, com 6,323 milhões de habitantes, perdeu participação - é a única cidade brasileira com mais de cinco milhões de habitantes. Assim como São Paulo, com 11,2 milhões de habitantes, também a única com mais de dez milhões de pessoas:

- É de se esperar. É o que chamamos de deseconomia de escala. Muito engarrafamento e alta população inviabilizam o crescimento dessas cidades. Desde a década de 1980, percebemos esse ganho de participação das cidades médias.

Cidades como Manaus e Brasília ganharam espaço. A primeira pela fronteira agropecuária e pela Zona Franca de Manaus. A segunda, pelo crescimento do funcionalismo público, com alta renda, o que faz crescer o setor de serviços e atrai população, explica Alves.

A pirâmide etária continua engordando no centro. A parcela de crianças de 0 a 9 anos vem diminuindo, enquanto a pirâmide está mais gorda entre 10 e 29 anos. É o que os especialistas chamam de bônus demográfico: a população em idade ativa, apta para trabalhar, é a maior entre as faixas etárias. E a pirâmide etária está esticando, com a população chegando aos 100 anos:

- O envelhecimento também é outro movimento que só deve crescer nas próximas décadas - diz Eustáquio Alves.

Assim, o Brasil se aproxima do padrão demográfico de países desenvolvidos mais maduros. Pelas projeções, o Brasil terá em 2050 o perfil populacional da França em 2005, com a população no mesmo número nas faixas etárias de 0 a 60 anos.

Autor(es): Agencia o Globo/Cássia Almeida, Dandara Tinoco e Juliana Castro

O Globo - 30/11/2010

Nenhum comentário:

Postar um comentário