quinta-feira, 4 de novembro de 2010

EUA anunciam pacote de US$ 600 bilhões


EUA lançam pacote de US$ 600 bi para tentar reanimar a economia


Central dos EUA decidiu injetar US$ 600 bilhões para reanimar a economia do país. A partir de hoje, quando começam as compras de títulos do Tesouro americano, a liquidez deverá ser elevada à média de US$ 110 bilhões mensais, a que deve pressionar o câmbio em países emergentes como o Brasil. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico avalia que há risco de bolha de ativos nesses países, porque há sinais de que os recursos emitidos nas nações ricas não tem entrada nas economias locais, mas se destinado aos emergentes.

Compra de títulos do Tesouro com recursos do pagamento da dívida imobiliária deve elevar total a US$ 900 bilhões em meados de 2011

O Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) anunciou ontem a emissão de US$ 600 bilhões para a compra de títulos do Tesouro americano até junho de 2011. A medida tem o objetivo de estimular o mercado de crédito e, dessa forma, acelerar o ritmo de crescimento econômico e contornar o risco de deflação.

Segundo o presidente do BC de Nova York, William Dudley, o Fed também decidiu manter um mecanismo de aquisição de títulos do Tesouro com recursos do pagamento da dívida imobiliária. Está prevista a compra adicional de US$ 250 bilhões a 300 bilhões por meio desse sistema.

Essas duas decisões representam uma injeção total de até US$ 900 bilhões na economia americana até meados de 2011. A média será de US$ 110 bilhões ao mês, segundo Dudley. Entretanto, a iniciativa contraria recente recomendação do Fundo Monetário Internacional (FMI) a autoridades dos EUA para que optassem por medidas fiscais de estímulo econômico e evitassem o aumento de liquidez.

A economia americana, segundo o Fundo, já apresentava excesso de capital. Boa parte desse fluxo foi orientada a países emergentes com taxas de juros altas e valorizou suas moedas. Esse foi o caso do Brasil.

O mecanismo de uso do dinheiro resultante do pagamento da dívida imobiliária para a compra de títulos de longo prazo do Tesouro foi criado em julho passado. Entre o começo de 2009 e março deste ano, o Fed assumiu US$ 1,7 trilhão em papéis que pertenciam às agências Fannie Mae e Freddie Mac, as duas protagonistas da crise de 2008 que acabaram estatizadas. Na medida em que esses bônus podres vão sendo resgatados, o Fed aplica os recursos na compra de títulos do Tesouro, que são repassados aos bancos.

Dentre os participantes da reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), a instância do Fed responsável por essas decisões, somente o presidente do Banco Central de Kansas City, Thomas Hoening, se opôs a essas medidas. Hoening argumentou que os riscos de manter o mecanismo de compra de títulos com recursos da dívida imobiliária superam os benefícios. Também chamou a atenção para a possibilidade de o aumento de liquidez ampliar o risco de desequilíbrio financeiro, conforme detalhado no comunicado final da reunião.

Juros. Após dois dias de discussões, o comitê também decidiu manter a taxa básica de juros entre 0% e 0,25%. No comunicado, o Fomc informou ter adotado todas essas iniciativas para superar o cenário de lento crescimento da economia e dos empregos.

Segundo o comitê, embora o consumo interno esteja aumentando gradualmente, continua reprimido pela alta taxa de desemprego, de 9,6% da População Economicamente Ativa (PEA), e pela modesta expansão da atividade, de 2% no terceiro trimestre. Além disso, pesam sobre o consumo a baixa renda doméstica e a oferta reduzida de crédito.

O comitê verificou também que as aquisições de equipamentos e software pelas empresas estão crescendo abaixo do nível do início do ano. O investimento em estruturas produtivas se mostra ainda fraco, e as empresas continuam reticentes a aumentar suas folhas de pagamento.

Nessa avaliação da economia americana, destaca-se o fato de a inflação ter se mantido muito baixa em setembro, mesmo com medidas para estimular o consumo nos últimos trimestres. O nível está abaixo do que seria considerado consistente.

No comunicado, Fomc não chegou a assinalar o risco de deflação e de uma segunda recessão. Porém, não os afastou, como em notas anteriores.

Autor(es): Denise Chrispim Marin
O Estado de S. Paulo - 04/11/2010 http://www.estadao.com.br/

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