sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Nova elevação da taxa de juros está próxima


BC prepara terreno para alta de juros

Um procedimento incomum, a gravação de um vídeo com a participação do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e do diretor de política econômica, Carlos Hamilton de Araújo, em reunião com economistas em São Paulo para subsidiar o Relatório de Inflação do quarto trimestre, foi divulgado no fim da tarde de ontem no site da instituição, oficializando o discurso de Meirelles. E o próprio discurso traz uma informação também considerada inusual pelo mercado: a sinalização de que o BC pode retomar o aperto monetário.

Aos economistas, Meirelles comentou que na reunião do Copom, em julho, o BC já tinha a informação de que existia um problema no sistema financeiro, mas não conhecia sua dimensão nem quantas instituições estariam envolvidas. Após meses de investigações, chegou-se ao PanAmericano. A Afirmação foi vista como justificativa à maior cautela do BC na condução da política monetária.

Quem participou da Reunião do Banco Central com Economistas, realizada ontem em São Paulo, ouviu o vídeo gravado na referida reunião contendo as considerações iniciais ficou com uma clara impressão de que haverá alteração da política monetária.

Tudo foi inédito nesse encontro: o formato, a divulgação do vídeo e a clara sinalização de que o viés da taxa de juros é de alta.

O vídeo ganha cara de um comunicado ao mercado justificando o motivo que levou o BC a ser mais cauteloso na condução da política monetária.

Para dar esse "recado", o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, voltou ao mês de julho, dizendo que na reunião do Copom daquele mês, a autoridade monetária já tinha informação de que existia um problema no sistema financeiro. Porém não se sabia a dimensão nem quantas instituições estavam envolvidas.

"Mas se sabia que tinha um problema e que, portanto, era um risco importante para as condições de crédito futuras dependendo de como seriam equacionados e dimensionados os problemas", disse Meirelles, completando que o desfecho foi feliz, pois a questão envolvia apenas uma instituição, o PanAmericano, e já foi resolvida.

Em julho, o passo do aperto monetário caiu de 0,75 ponto percentual para 0,5 ponto e, em setembro, o BC optou pela estabilidade dos juros em 10,75%. Nas duas reuniões, o BC ainda investigava o tal problema que representava um risco para as condições de crédito.

Nessas duas ocasiões, o BC foi duramente criticado pelos participantes do mercado, que enxergavam a necessidade de um aperto monetário mais firme. "Tinha um fator não conhecido e esse fator não poderia ser divulgado... Mas não poderia deixar de ser levado em conta", notou Meirelles no vídeo.

Diversas teorias foram elaboradas para explicar a mudança de postura do BC, mas só agora se sabe o motivo que levou o colegiado a ser mais cauteloso. "Isso levou a muitas considerações sobre a postura de política monetária. Absolutamente legítimas. Mas no momento em que se torna transparente é dever da autoridade monetária deixar isso transparente para que todos possam levar isso em conta em suas análises futuras e retrospectivas", completou Meirelles.

A percepção é que de com esse risco eliminado, está liberado o caminho para um aperto monetário.

Agora é que as expectativas divergem. Para alguns agentes, o BC já deve dar início ao novo movimento de alta de juros no encontro de 7 e 8 de dezembro. Com isso, além de responder à forte piora nas expectativas de inflação, o atual BC facilitaria o trabalho do colega Alexandre Tombini, que foi indicado para presidir a instituição a partir de 2011. Tombini chegaria no meio de um ciclo já iniciado e apenas daria continuidade.

Outro grupo avalia que o BC está preparando o terreno para subir a Selic. A reunião de ontem foi o primeiro passo e a ata do encontro de dezembro encerraria a coordenação das expectativas do mercado com relação a uma alta de juros no encontro do Copom de 18 e 19 de janeiro.

Toda essa teoria tem uma lacuna. Que é o encontro de outubro, quando o risco PanAmericano já era conhecido dentro do BC e, mesmo assim, a autoridade monetária optou pela estabilidade do juros básico.

Os contratos futuros dão respaldo à visão de Selic maior. A curva projeta, ao menos, três altas de 0,5 ponto começando em janeiro.

Autor(es): Eduardo Campos

Valor Econômico - 26/11/2010 http://www.valoronline.com.br/

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