quinta-feira, 11 de novembro de 2010

O que representa o dinheiro em nossas vidas

Estudo mostra que pessoas são movidas pela sensação do prazer na hora das compras e que raramente pensam na possibilidade de investimento. Gastar gera prazer. Isso não seria problema se o reflexo não fosse o nível de inadimplência no país. A satisfação imediata está sabotando a consciência de um futuro financeiro saudável.

Em enquete realizada nos estados do sul do país (SP, RS, SC e PR) pela empresa MODDO Conhecimento Estratégico, com aproximadamente quatro mil pessoas, 90% dos participantes, ao serem estimulados por uma imagem de dinheiro (conforme imagem abaixo), responderam que a primeira e mais forte motivação é “gastar”.

A enquete corrobora os dados divulgados pela última pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em que 68% dos brasileiros gastam mais do que recebem. Considerando que a enquete realizada contava com 60% do público formado por homens, concluímos que, independente do sexo, o dinheiro suscita nos brasileiros a vontade de gastar. A neurociência tem demonstrado que uma das substâncias mais prazerosas e viciantes que inundam o cérebro é a dopamina, que tem a produção favorecida pelo ato de comprar. Ou seja, comprar dá prazer e, tanto homens como mulheres estão buscando esta sensação nas compras.

Isso é problemático? Não seria se não tivéssemos um país formado por 68% de inadimplentes. Então, se comprar gera prazer, também está gerando endividamento. Chama atenção o fato de que tanto homens quanto mulheres pensam em gastar imediatamente após serem submetidos ao estímulo do dinheiro e, raramente se levanta uma voz defendendo a possibilidade de investimentos. Voltamos aos dados do IBGE, em que apenas 17% da população possui alguma reserva financeira.

Portanto, o dinheiro parece estar sendo usado como uma mera e simples fonte de atingir satisfações imediatas sem planejamento, preparo ou preocupação com o amanhã. Será que ainda não estamos nos dando conta de que o amanhã é apenas um passo adiante do hoje? Educação financeira, em que se prioriza a compreensão da importância dos investimentos e da necessidade de considerar a sustentabilidade do consumo se faz não só necessária, como urgente. Afinal, precisamos considerar o que representa o dinheiro em nossas vidas!

Márcia Tolotti

Psicanalista, escritora e sócia da MODDO Conhecimento Estratégico, empresa pioneira no Brasil em Programas de Educação Financeira in Company, desde 2005.

Extraído de http://www.expomoney.com.br/

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