quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Rio em dia de fúria

Rio, 2010: Uma cidade em guerra


 O cenário no Rio de Janeiro e nos municípios vizinhos era de uma batalha. Os cariocas e os fluminenses tiveram que sair de casa em meio a tiroteios e a incêndios de carros e de ônibus – em Mesquita, na Baixada Fluminense, os bandidos queimaram um coletivo na madrugada. A onda de violência e arrastões organizada por traficantes chocou o país e provocou a reação do governo do estado. Milhares de policiais foram às ruas. E o resultado do confronto foi trágico: pelo menos 15 pessoas morreram ontem. Para as autoridades que comandam a segurança no Rio, os ataques demonstram desespero e são uma retaliação às ações de combate à criminalidade.

Rio em dia de fúria

Sob ataque de bandidos desde o último domingo, capital fluminense vive 24 horas de pânico com 15 mortes e inúmeros carros incendiados

Veículos tomados pelo fogo, medo nas ruas e 15 pessoas mortas — o saldo de mais um dia de violência sem qualquer controle no Rio de Janeiro, onde os criminosos fizeram mais de 15 ataques, atearam fogo em 14 carros, oito ônibus, uma van e um caminhão. Mais que um clichê, o real clima de guerra, que vem desde o domingo, mostra que o reforço policial anunciado pelo governador Sérgio Cabral (PMDB) não intimidou o crime organizado, que agora passa a levar medo não só às ruas do subúrbio do Rio, mas também às regiões metropolitanas e à Zona Sul. Na televisão, o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame pediu calma à população, enquanto o comando da PM colocou todo o efetivo de prontidão.

A madrugada de quarta-feira foi a mais violenta desde o início dos ataques e arrastões. Desta vez, os criminosos miraram suas ações em carros, ônibus e vans. Os atentados começaram ainda na noite de terça-feira e se estenderam até ontem pela manhã. Só no Jardim Floresta, em Belford Roxo, oito pessoas foram baleadas na troca de tiros com a PM e morreram no local. Na Vila Cruzeiro, na Penha, uma adolescente acabou atingida por uma bala perdida e morreu ao chegar ao hospital. Até mesmo um Caveirão — o carro blindado da PM utilizado na ocupação de favelas — foi atingido por bombas caseiras e teve os pneus furados em uma barricada erguida pelos criminosos.

Ao todo, já são 26 mortes e 32 veículos incendiados desde o domingo. Ontem, as ações avançaram para outras regiões do estado, onde houve ataques distintos. Isso aconteceu em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, e em São Gonçalo e Niterói. Na Zona Sul foram registrados casos na Lagoa e em Laranjeiras.

Na Avenida Vicente de Carvalho, próximo ao Morro da Fé, no bairro da Penha, um intenso tiroteio iniciado na madrugada de ontem perdurou por toda a manhã, apavorando moradores. Motoristas evitaram passar pelo local e o comércio fechou as portas temendo retaliações dos criminosos.

Um bilhete encontrado em um ônibus incendiado em Belford Roxo confirmou as suspeitas de que as instalações das Unidades de Polícia Pacificadoras (UPPs) em comunidades dominadas por facções criminosas seriam o motivo dos ataques. Nele, o grupo que ateou fogo avisou que, caso as unidades continuem, “não haverá Copa (do Mundo) e Olimpíadas”. “Esse bilhete somente homologa que estamos no caminho certo”, afirmou Beltrame.

O clima de tensão era tanto na cidade que em determinado momento duas caixas de madeira foram isoladas. A suspeita da polícia era de que elas poderiam conter algum artefato explosivo. O esquadrão antibomba foi chamado, mas as caixas nada mais eram do que um material publicitário. Exemplo claro de um dia caótico que os moradores da capital fluminense preferem esquecer.

Autor(es): Carolina Khodr e Edson Luiz

Correio Braziliense - 25/11/2010 http://www.correioweb.com.br/

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