sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Alta da importação faz indústria crescer só 0,4%

Após dois meses em estagnação, setor tem leve recuperação em outubro. Estoques elevados também prejudicam

O aumento das importações afetou, mais uma vez, o desempenho da indústria brasileira. Em outubro, mesmo a poucos meses do Natal, a produção do setor subiu apenas 0,4% frente ao mês anterior, na série com ajuste sazonal. Para se ter ideia, em outubro do ano anterior, o avanço fora bem maior, de 2,9%. E, com isso, o patamar da produção ainda está 1,4% abaixo do recorde atingido em março de 2010.

- A indústria apresenta um ritmo moderado de produção, após ter ficado praticamente estável nos dois meses anteriores. Apenas a produção de bens de consumo duráveis mostra avanço na passagem de setembro (2,8%). As demais categorias ficam com resultados negativos, mas perto da estabilidade - disse André Macedo, gerente da Pesquisa Industrial Mensal, do IBGE.

Em relação a outubro de 2009, a expansão foi de 2,1%, apresentando uma desaceleração no ritmo de crescimento frente aos resultados anteriores. Já no ano, a indústria acumula expansão de 11,8% e, em 12 meses, repete a mesma alta de 11,8% - que é a taxa mais elevada da série histórica, reformulada em 2002.

- Nas comparações com o ano de 2009, permanece o quadro de resultados positivos, embora com taxas menos intensas que em meses anteriores. É bom lembrar que outubro do ano passado tinha um dia útil a mais - disse Macedo.

Segmentos voltados ao mercado interno têm alta

Dos 27 ramos investigados pelo IBGE, 15 apresentaram queda na produção de setembro para outubro - como os ramos de edição e impressão (?12,2%), que devolveu parte da expansão ocorrida em setembro (17,0%), alimentos (?2,1%), indústrias extrativas (?2,5%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (?3,7%) e têxtil (?3,1%). Entre os avanços, os principais impactos são farmacêutica (4,9%), outros produtos químicos (2,9%) e veículos automotores (1,6%).

- O comportamento da indústria foi influenciado pelo maior nível de importações nos últimos meses e estoques ainda elevados em alguns setores, além de paralisações - comentou Macedo, lembrando que os destaques positivos vêm de segmentos voltados para o mercado interno.

Autor(es): Fabiana Ribeiro

O Globo - 03/12/2010 http://www.oglobo.com.br/

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