terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Dólar ladeira abaixo


Depois da sinalização do BC americano de elevar o volume da divisa em circulação, a cotação cai pelo sexto dia, para R$ 1,682


Em um dia morno, de agenda fraca dentro e fora do país, o mercado ficou de olho na situação econômica dos Estados Unidos, depois do discurso de fim de semana do presidente do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos Estados Unidos), Ben Bernanke, que deixou clara a intenção de aumentar a quantidade de moeda em circulação. Diante desse cenário, o dólar sofreu mais um baque, ao fechar em baixa pela sexto dia consecutivo. É a maior sequência de queda desde agosto e, apenas nesses últimos pregões do mercado, as perdas acumuladas chegam a 3,05%. Ontem, a moeda americana desvalorizou-se 0,30%, sendo cotada a R$ 1,682. No ano, a queda chega a 3,5%.

“Sem referencial, o dólar vai continuar se depreciando no mundo inteiro. Amanhã (hoje) promete ser mais um dia apático, sem novidades, em ritmo de valsa: dois pra lá, dois pra cá, e nada acontece”, destacou Pedro Galdi, analista-chefe da SLW Corretora. Na Europa, os ministros de Finanças da Zona do Euro reuniram-se ontem para debater novas políticas de combate à crise que atinge o continente. O Fundo Monetário Internacional (FMI) quer que esses países aumentem o colchão de proteção em 750 bilhões de euros e que o Banco Central Europeu (BCE) eleve os volumes de suas compras de títulos. Mas sob o argumento de que poderiam reduzir a competitividade entre as nações, a primeira-ministra alemã, Angela Merkel, posicionou-se contra as duas medidas.

Hungria

Os investidores também acenderam o sinal de alerta com a Hungria, porque a agência de classificação de risco Moody’s rebaixou a nota do país. O país não faz parte da Zona do Euro, mas mexeu com o humor do mercado. No cenário interno, os observadores aguardam resultados práticos das declarações do ministro da Fazenda, Guido Mantega, sobre austeridade fiscal. Em evento no Rio de Janeiro, Mantega disse que a política de redução de gastos do governo abrirá espaço para a diminuição dos juros, com os ajustes incluindo também obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

A Bolsa de Valores de São Paulo (BM&Fbovespa) ainda sofria os impactos da elevação do compulsório dos bancos, anunciada na última sexta-feira pelo Banco Central. Para Pedro Galdi, foi uma paulada na parte do financiamento de veículos, que prometia bater sucessivos recordes. “Os papéis de quase todos os bancos e empresas ligadas ao consumo devolveram os ganhos”, avaliou. O Ibovespa, índice mais negociado na bolsa, fechou em queda de 0,31%, aos 69.551 pontos.

BRASILEIROS POUPADORES

» Dados divulgados pelo Banco Central mostram que os brasileiros estão guardando parte do salário e do 13º. Os depósitos superaram os saques na caderneta de poupança em R$ 4,016 bilhões em novembro. O resultado do mês foi o quarto melhor do ano. Em função do pagamento do ordenado extra do fim de ano, os depósitos deram um salto no último dia do mês. Com o resultado do mês, a captação líquida acumulada em 2010 já alcança R$ 32,3 bilhões, superando toda a captação de 2009, que foi de R$ 30,415 bilhões. O saldo de todas as contas acumulado até novembro ultrapassa R$ 370,5 bilhões.

ITÁLIA AINDA SOB RISCO

Roma — A Itália deve perseguir políticas para estimular o crescimento a fim de proteger a estabilidade de seu sistema financeiro, disse ontem Mario Draghi, um dos membros do Conselho de Governança do Banco Central Europeu (BCE). “O crescimento é essencial. É por meio do crescimento que você consegue pagar sua dívida”, afirmou, durante uma apresentação sobre o relatório de estabilidade financeira do Banco da Itália.

Um dos países europeus mais endividados, a Itália tem passado pela crise de dívida na Zona do Euro sem grandes problemas, mas um forte aumento nos custos de captação de recursos na semana passada ressaltou uma potencial ameaça de contágio sobre os spreads (taxas bancárias). O documento dizia que o efeito das recentes tensões do mercado sobre os bancos italianos e emissores de dívida tem sido relativamente limitado, e o sistema tem se provado resistente.

O relatório, contudo, apontou para um potencial problema alimentado pela crônica fraqueza no crescimento da Itália. “Os riscos para intermediários derivam, acima de tudo, da fraqueza da economia italiana, especialmente seu fraco crescimento. Mais uma vez, mostra uma indissolúvel relação que conecta estabilidade financeira com o que o crescimento econômico”, afirmou o documento.

Autor(es): Vera Batista

Correio Braziliense - 07/12/2010 http://www.correioweb.com.br/

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