segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Emprego, renda e desindustrialização


O Brasil tem nas próximas duas décadas a oportunidade de se transformar em uma sociedade desenvolvida. Mas precisa enfrentar o desafio de promover uma dinâmica econômica que eleve e distribua a renda per capita de forma consistente. A estratégia de desenvolvimento produtivo, assentada em uma política industrial capaz de adensar as cadeias produtivas com componentes nacionais, agregar valor e desenvolver vocações regionais, é a base de um projeto que consolida um amplo mercado interno de consumo. A geração de emprego, o crescimento dos salários, a partilha dos ganhos de produtividade e as políticas distributivas são pilares de sustentação das transformações desejadas e possíveis a partir de uma perspectiva igualitária.

A indústria tem efeito dinamizador na geração de emprego e renda dos demais setores. Se a tendência é que urbanização e crescimento da massa de rendimentos exijam a ampliação dos setores de serviços, comércio e agropecuária, é importante considerar como estratégica a ampliação do espaço de participação da indústria na economia nacional e mundial, como indutor da agregação de valor e produtividade.

Trata-se, portanto, de prioridade ampliar a capacidade instalada da indústria, criar e fortalecer elos das cadeias produtivas, promover e difundir ciência, tecnologia e inovação, oferecer crédito público e privado de longo prazo, desonerar investimentos, melhorar a infraestrutura produtiva, entre outros. A valorização cambial, agravada pela crise mundial e pelas iniciativas dos países para enfrentá-la, traz riscos graves para a perspectiva de desenvolvimento produtivo no Brasil. A possibilidade de desindustrialização tem crescido; para isso, não há uma solução única.

Parte considerável da geração de emprego e renda que poderá reduzir a desigualdade e a informalidade depende de decisões políticas que dinamizem o desenvolvimento industrial. Sem este desenvolvimento, provavelmente perderemos oportunidades.

Clemente Ganz Lúcio

O Estado de S. Paulo - 20/12/2010 http://www.estadao.com.br/

Nenhum comentário:

Postar um comentário