quarta-feira, 31 de março de 2010

Dança das Cadeiras em Nova Iguaçu

Sheila Gama toma posse em Nova Iguaçu e Lindberg sai pra concorrer vaga no Senado Federal

O auditório da Universidade Estácio de Sá ficou pequeno para a multidão que acompanhou, na tarde desta quarta-feira (31/03), a posse da prefeita Sheila Gama (PDT) à frente da Prefeitura de Nova Iguaçu. Sheila assume o cargo após dois anos como vice-prefeita de Lindberg Farias (PT), que renunciou ao cargo para se candidatar ao Senado Federal nas próximas eleições. Políticos, autoridades estaduais e municipais, prefeitos e militantes participaram da solenidade.

O presidente da Câmara Municipal de Nova Iguaçu, vereador Marcos Fernandes, abriu a sessão extraordinária lendo a carta de renúncia do então prefeito Lindberg Farias. O prefeito fez questão de agradecer “o apoio, o acolhimento e a confiança recebida pelo povo iguaçuano”, e lembrou que “a busca de novos objetivos, como a disputa pelo Senado Federal, estará sempre lutando pelo povo de Nova Iguaçu e da Baixada Fluminense”.

Sheila Gama, Ver. Marcos Fernandes e Lindberg Farias

Prefeita vai priorizar, dentre outros setores, educação, saneamento e o social 

Sheila Gama iniciou seu discurso fazendo agradecimentos. “A Deus, primeiramente”, assinalou. Em algumas vezes se dirigiu diretamente a Lindberg Farias e disse que as portas da prefeitura estarão sempre abertas para ele. “A prefeitura é nossa”, explicou. Sheila Gama, que começou sua vida política em 2000, como candidata à prefeitura, parabenizou o “futuro senador” pelo trabalho realizado no executivo municipal. “Ele tem fibra, garra, determinação e respeito pelo povo. Um político que não acredita e não luta pelo seu sonho, não vence. Por isso, Lindberg Farias é meu candidato ao Senado”, arrematou Sheila Gama.

Sobre seu mandato, ela pediu o apoio dos vereadores e disse que vai criar conselhos populares para uma gestão participativa, e afirmou que, como professora, vai manter um dos principais projetos da Prefeitura de Nova Iguaçu, o Bairro-Escola. “Como integrante do PDT, partido do Brizola (ex-governador do Rio de Janeiro, Leonel Brizola), que lançou esse modelo no País, tenho que ressaltar que Lindberg entendeu que a educação é a base de tudo, com o horário integral nas escolas e os cursos de pré-vestibular”, disse.

Sheila Gama citou ainda o saneamento básico, as ações sociais e o atendimento aos deficientes físicos como metas a cumprir em seu governo, pois são causas pelas quais sempre lutou. Ela encerrou o discurso com uma frase do ex-bispo Dom Hélder Câmara: “É graça divina começar bem. Graça maior persistir na caminhada certa. Mas graça das graças é não desistir nunca.”

Lindberg deixa a prefeitura emocionado e anuncia investimentos para a cidade

O ex-prefeito Lindberg Farias, que renunciou ao cargo para concorrer a senador nas eleições deste ano, se despediu de Nova Iguaçu fazendo um balanço de sua administração e anunciando novos investimentos em obras que já podem ser iniciadas, em parceria com o governo estadual, no total de R$ 308 milhões. “Este montante de investimentos melhorarão bairros importantes da cidade como Geneciano, a conclusão e urbanização da Estrada da Posse, o término do Hospital Jardim Pernambuco e as obras de infraestrutura, drenagem pluvial, esgotamento sanitário e pavimentação em Rodilândia, Inconfidentes, Cacuia, Tinguazinho e Cabuçu”, afirmou.

Lindberg lembrou emocionado os momentos iniciais da campanha na cidade em 2004, e as dificuldades encontradas nas caminhadas pelos bairros. “Esse é um momento muito difícil pra mim porque criei neste município uma relação de muita sinceridade com o povo de Nova Iguaçu e da Baixada Fluminense. Lembro que quando comecei a minha caminhada tinha apenas 2% das intenções de voto. E num processo de mobilização popular enorme conseguimos a vitória no ano seguinte. O povo de Nova Iguaçu, naquele momento, estava despejando todos os seus sonhos e esperanças no nosso mandato”, disse.

Lindberg falou do quanto foi difícil administrar o município nos últimos cinco anos e três meses. Ele afirmou que Nova Iguaçu estava com 50% da cidade com esgoto a céu aberto e que hoje “faltam apenas 10% de ruas a serem pavimentadas”. Ele lembrou ainda a grande importância da parceria com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que permitiu a realização de diversas obras com recursos oriundos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).


Sheila Gama, Lindberg Farias e sua esposa Maria Antônia

“Sem a grande parceria com o governo federal não teríamos conseguido fazer nem 1/3 de todas as nossas realizações”, destacou o ex-prefeito, que entre suas realizações fez questão de destacar as conquistas ligadas na área da educação, com o pioneirismo do programa Bairro-Escola, o pré-vestibular gratuito em parceria com a Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UFRJ), e o fato de o município pagar o melhor salário de professores do Estado, além da criação do Plano de Cargos e Salários da categoria.

Dentro das boas vindas à prefeita Sheila Gama, Lindberg lembrou de ícones já falecidos do PDT, como o ex-governador do Rio de Janeiro, Leonel Brizola, e do ex-senador e escritor Darcy Ribeiro, como grandes defensores da educação integral nas escolas. “Sheila conte comigo pra tudo como um grande aliado na briga por Nova Iguaçu”.

Visivelmente emocionado, Lindberg encerrou seu discurso falando que estará no Senado Federal, mas jamais esquecerá Nova Iguaçu ou a Baixada Fluminense. “Aonde quer que eu esteja, no Senado Federal, ou em qualquer outro lugar, estarei sempre lutando por Nova Iguaçu e pela Baixada Fluminense conseguindo recursos. Quero agradecer a Deus o presente de ter sido prefeito de Nova Iguaçu, e está no meio deste povo guerreiro e trabalhador. Vou ser senador do Estado do Rio de Janeiro, mas principalmente senador da Baixada Fluminense”, afirmou.

Extraído de Assessoria de Comunicação da Prefeitura da Cidade de Nova Iguaçu
Crédito das fotos do Fotógrafo Salvador Scofano

terça-feira, 30 de março de 2010

Liderança do HSBC

HSBC fica em primeiro lugar e quer crescer mais 30%

Autor(es): Cristiane Perini Lucchesi, de São Paulo
Valor Econômico - 30/03/2010


Depois de ganhar o primeiro lugar no "Ranking Valor de Captações Externas" pela primeira vez em sua história, a área de atacado do HSBC planeja ampliar em mais de 30% os recursos destinados a financiar clientes corporativos no Brasil, incluindo operações em dólar e em reais, informa Marcelo Marangon, responsável pela área de global banking.


Segundo ele, o crescimento do time também não será desprezível: o banco vai ampliar em mais 20% o pessoal da área, que inclui o corporate banking, responsável pelo relacionamento com 600 clientes, e o investment banking, que inclui as atividades de assessoria em fusões e aquisições, emissão de ações, financiamento de projetos, mercados de capitais para dívida e distribuição de empréstimos e títulos.


O HSBC investiu no atacado no Brasil em meio à crise, quando muitos estavam encolhendo. Ainda no final de 2008, o banco tirou Marangon e sua equipe mais próxima do Citi. O trabalho conjunto e mais próximo com o time dedicado ao Brasil em Nova York, com destaque para Alexei Remizov, vice-presidente sêniordo HSBC Securities, foi determinante para que o banco conseguisse sua posição de destaque.

O HSBC foi também o primeiro colocado em três importantes sub-rankings, sendo o principal deles o de "Bônus", que inclui todos os títulos emitidos no exterior para o país e exclui os empréstimos externos sindicalizados (com a participação de vários bancos). Em um ano recorde desse tipo de captação para o país, com um total de US$ 26,292 bilhões obtidos por meio de eurobônus, o HSBC foi o líder de um total de US$ 14,525 bilhões desse tipo de transação.


Mesmo se forem excluídas os bônus feitos pela República, o banco foi o primeiro colocado: o HSBC saiu na frente do ranking de "Bônus Corporativo", com um total de US$ 13,25 bilhões realizados. Nas captações para os bancos, o HSBC também teve destaque. Esteve à frente de US$ 1,75 bilhão, assumindo como primeiro colocado no ranking Valor de "Bônus corporativo do setor financeiro".


"Tivemos um excelente 2009: realizamos 50 transações estruturadas e aprofundamos o relacionamento no dia a dia com clientes", diz Marangon. Segundo ele, as receitas da área de global banking do HSBC cresceram mais de 50% no ano passado, com o banco ganhando participação de outros no mercado. "Para 2010, teremos continuidade no investimento e queremos ser ainda mais fortes e mais agressivos nas transações."
 
 Segundo Marangon, desde que ele chegou no banco, a estratégia de global banking do HSBC foi redesenhada por completo. O atendimento aos clientes foi segmentado por tipo de indústria, gerando maior especialização dos "bankers", os gerentes de relacionamento do mundo corporate. "Procuramos dar um foco maior e específico às operações estruturadas e buscamos um alinhamento total de objetivos entre os times e os negócios no Brasil e no exterior", afirmou.
 
 Para Marangon, a ideia foi também investir em talentos, não só trazendo recursos do mercado mas também promovendo pessoal interno. Em 2009, o time de Marangon foi reforçado com cinco "bankers" e quatro "transactors", os especialistas em produto. Uma das contratações de destaque foi para dirigir a área de finanças estruturadas, que inclui financiamentos de projeto (project finance): Marangon trouxe do Citi Sérgio Monaro e um time de quatro pessoas. Outra mudança: Antonio Oliveira assumiu a posição formal de responsável pela área de mercado de capitais local e hoje conta com um time de quatro pessoas.
 
 Neste ano, mais dez pessoas serão contratadas para a área, que deve finalizar 2009 com 61 funcionários. Três funcionários virão para o corporate banking e sete para o investment banking.
 
 Marangon informa que o HSBC vai contratar na área de consultoria em fusões e aquisições e na emissão de ações. "Temos uma capacidade global de distribuição que pode ser bem utilizada neste sentido." O banco tem presença em mais de 80 países. O setor que realiza financiamentos mais sofisticados para companhias também terá um reforço. O banco vai investir ainda na corretora de ações e na contratação de analistas.
 
 De acordo com Maragon, a garantia firme total para o empréstimo de R$ 3 bilhões dado pelo HSBC para a Camargo Corrêa adquirir uma participação de 31,1% na cimenteira portuguesa Cimpor no início do ano sinaliza "como estamos realmente dispostos a dar suporte a clientes no Brasil". Ele afirma ter grande apetite para "carregar transações no nosso balanço local", que aliás cresceu com o aumento de capital de R$ 1 bilhão na virada do ano, para R$ 15,5 bilhões.
 
 Remizov considera que o mercado de captações externas para o Brasil vai continuar a crescer neste ano. Ele vê, no entanto, alguns riscos pela frente. A situação fiscal de Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha (Piigs) preocupa, assim como um aperto na política monetária em alguns países emergentes, com destaque para a China. Outro risco seria uma segunda queda forte no crescimento econômico dos Estados Unidos. Ele vê também um risco regulatório, de que os governos dos países ricos tenham de ser mais rigorosos do que o esperado com os bancos por conta de pressões políticas. "Em 1929, eles apertaram muito os bancos, que deixaram de dar crédito", afirma.

Extraído do Jornal Valor Econômico em 30/03/2010 em http://www.valoronline.com.br/

segunda-feira, 29 de março de 2010

Fusão de mais dois varejistas no Brasil

Ricardo Eletro e Insinuante formam 2º maior varejista do País
Segunda, 29 de Março de 2010, 10h46
Fonte: Redação Terra

As redes de móveis e eletrodomésticos Ricardo Eletro e Insinuante anunciaram nesta segunda-feira a fusão de suas operações, formando o segundo maior grupo do varejo brasileiro, com faturamento de cerca de R$ 4 bilhões em 2009 e 488 lojas pelo País.

A liderança segue disparada com a união Casas Bahia e Pão de Açúcar no final de 2009, que criou um grupo de 1.015 lojas e faturamento anual estimado de R$ 40 bilhões (com base em dados de 2008). O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) ainda analisa a fusão das duas empresas.

No entanto, o novo grupo Ricardo Eletro/Insinuante deixa para trás o Magazine Luiza, que atualmente possui 455 lojas e faturamento de R$ 3,8 bilhões no ano passado.

Fundada em 1989, a Ricardo Eletro era até então a 5º maior empresa no ranking de varejo, com cerca de 268 lojas nos Estados de Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Sergipe, Alagoas, Goiás e Distrito Federal, divididas em lojas de rua, shopping e megastore. A companhia tem cinco centros de distribuição.

Enquanto isso, a Insinuante começou a operar em 1959 e atualmente possui 220 lojas, em todos os Estados do Nordeste mais Rio de Janeiro e Espírito Santo. A empresa emprega cerca de 10 mil funcionários e era a quarta maior do segmento.

Notícia extraída do Portal Terra em 29 de março de 2010:

Deu no MTE

Mercado eleva previsão para inflação em 2010 pela 10ª semana seguida

Estimativa para o IPCA sobe de 5,10% para 5,16% na 1ª pesquisa Focus após a divulgação da ata do Copom de março.
O mercado financeiro subiu pela 10ª semana seguida a estimativa para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2010. De acordo com a pesquisa semanal Focus divulgada nesta segunda-feira, 29, pelo Banco Central (BC), a expectativa para o índice no ano subiu de 5,10% para 5,16%. Trata-se da primeira pesquisa Focus realizada após a divulgação da ata de março do Comitê de Política Monetária (Copom).

Com isso, a inflação prevista se distanciou ainda mais do centro da meta do governo para este ano, que é de 4,50%. Na mesma pesquisa, a estimativa para o IPCA em 2011 permaneceu em 4,70%. Já a estimativa para a inflação de março subiu de 0,44% para 0,48%. Para abril, a projeção passou de 0,39% para 0,40%. O dado do IPCA de março deve ser divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no dia 8 de abril.

A estimativa para a taxa básica de juros (Selic) para o fim de 2010 manteve-se em 11,25% ao ano. Já a estimativa para a taxa no fim de 2011 caiu de 11,10% para 11% ao ano. O mercado também manteve a estimativa de que o início do processo de alta dos juros ocorra em abril, com aumento de 0,50 ponto porcentual na Selic, para 9,25% ao ano. Atualmente, a Selic está em 8,75% ao ano.

A pesquisa também mostrou que a previsão para o IPC da Fipe em 2010 seguiu tendência contrária e foi reduzida de 5,49% para 5,41%, ante 5,17% de um mês antes. Para 2011, a estimativa seguiu em 4,50% pela décima vez seguida.

PIB

A estimativa para o desempenho da economia brasileira em 2010 apresentou leve melhora na pesquisa semanal Focus. No levantamento realizado junto a instituições financeiras, a previsão para o Produto Interno Bruto (PIB) neste ano passou de um avanço de 5,50% para um crescimento de 5,51%. Para 2011, a previsão para o PIB foi mantida em um crescimento de 4,50%.

No mesmo levantamento, a estimativa para a produção industrial em 2010 subiu de 8,79% para 8,95%. Para 2011, a projeção para o desempenho da indústria permaneceu em alta de 5,00%.

Câmbio e contas externas

Os analistas mantiveram a previsão para o patamar do dólar no fim do ano. O nível da moeda norte-americana no fim de 2010 ficou em R$ 1,80. Para o fim de 2011, a expectativa para a moeda americana caiu de R$ 1,87 para R$ 1,85. A previsão de câmbio médio no decorrer de 2010 permaneceu em R$ 1,82.

O mercado financeiro também manteve as previsões para o déficit nas contas externas em 2010. A previsão para o déficit em conta corrente neste ano continuou em US$ 50 bilhões. Para 2011, a previsão de déficit em conta corrente do balanço de pagamentos seguiu em US$ 60 bilhões.

Já a previsão de superávit comercial em 2010 mantém-se em US$ 10 bilhões. Para 2011, a estimativa para o saldo da balança comercial subiu de US$ 2,50 bilhões para US$ 3,55 bilhões.

Analistas alteraram ainda a estimativa de ingresso de Investimento Estrangeiro Direto (IED) em 2010, de US$ 38 bilhões para US$ 38,3 bilhões. Para 2011, a estimativa para o IED permaneceu em US$ 40 bilhões.

IGP-DI para 2010 sobe de 6,74% para 6,82%

O levantamento, a mediana das estimativas para o Índice Geral de Preços - disponibilidade interna (IGP-DI) no fim de 2010 foi elevada de 6,74% para 6,82%. Quatro pesquisas antes, o número estava em 5,70%. Para o IGP-M, a projeção avançou de 6,50% para 6,54%, ante 5,86% de um mês atrás.

Para 2011, a estimativa de que o IGP-DI subiu de 4,50% para 4,55%, após 81 semanas seguidas de previsões estáveis. Para o IGP-M no ano que vem, a projeção permaneceu em 4,52%, contra 4,50% de um mês atrás.

No mesmo levantamento, analistas elevaram a expectativa de aumento do conjunto dos preços administrados - as tarifas públicas - em 2010 de 3,67% para 3,70%, ante 3,60% de quatro pesquisas antes. Para 2011, a previsão manteve-se em 4,50% pela sexta semana seguida.

Fonte: Estadão e http://www.mte.gov.br/

Mais de 320 mil pessoas com deficiência no mercado de trabalho

A maioria das 323,2 mil pessoas com deficiência inseridas no mercado de trabalho, como mostra a Rais 2008, é homem, que tem uma participação de de 64,32%. Entre os que possuem deficiências físicas, a participação masculina é de 61,33%, com 67,65% auditivos, 66,61% visuais, 73,88% mentais e 70,46% múltiplos.

Em relação ao tipo de deficiência, 55,24% desses trabalhadores possuem deficiência física, segundo dados da Rais 2008. Pessoas com deficiência auditiva ficam na segunda posição, com 24,65%; e visuais na terceira, com 3,86%. Pessoas com deficiência mental representam 3,37% e os que possuem deficiências múltiplas, 1,09%. Na situação de Reabilitados foram declarados 11,78% das pessoas com deficiência com vínculo trabalhista.

A Rais 2008 também mostra que a remuneração média desses é de R$ 1.717, valor 14,87% superior à média dos rendimentos do total de vínculos formais, que era de R$1.494,66. Esse comportamento deve-se, principalmente, a remuneração das pessoas com deficiência auditiva, cuja média é de R$ 2.162, único valor acima da média de rendimentos entre todos os tipos de deficiência.

Fonte: Blog do Trabalho e http://www.mte.gov.br/

quinta-feira, 25 de março de 2010

Opinião do Marcio Pochman (Pres. IPEA) no Jornal Valor Econômico

A virada de 2009

No final de 2008, a irrupção da maior crise internacional desde a Grande Depressão de 1929 interrompeu o mais longo ciclo de expansão de investimentos no Brasil depois do milagre econômico do começo da década de 1970. De fato, os investimentos como proporção do Produto Interno Bruto (PIB) foram reduzidos em 9,9% no ano passado, após o ritmo de crescimento quase três vezes superior à expansão da produção nacional iniciada em 2004. Pelas informações do IBGE, contudo, o segundo semestre de 2009 indicou uma considerável recuperação econômica, não somente pela ocupação da capacidade instalada, mas também pelos investimentos, capazes de permitir que o PIB deste ano cresça acima de 5%.

Se diante da grave crise internacional de 2008, o Brasil tivesse optado por repetir o receituário governamental similar ao adotado durante a crise financeira de 1998 (de menor proporção), o comportamento econômico e social nacional teria sido bem diverso do que foi constatado em 2009. Ao invés da situação de relativa estagnação da produção nacional no ano passado (variação negativa de 0,2% em relação a 2008), o Brasil teria passado, provavelmente, por uma profunda recessão econômica, ao redor dos -5%.

Isso porque em 1998 o país encontrava-se iludido pela perspectiva da Alça (Acordo de Livre Comércio das Américas), o que implicava, entre outras coisas, a maior concentração das exportações nacionais aos países ricos. Ou seja, o Brasil seguiria na mesma direção do México, que em2009 registrou mais de 80% do seu comércio externo com os Estados Unidos. Com a crise de 2008, cujo epicentro foi nos países ricos, a forte queda nas exportações mexicanas para os Estados Unidos proporcionou recessão econômica ainda maior, próxima de 7% no ano passado. O Brasil, contudo, mudou a sua trajetória externa a partir de 2003, o que permitiu diversificar os parceiros comerciais e reduzir o peso relativo dos países ricos nas exportações, caindo de mais de 2/3para atuais menos de 50%. Mesmo com a diminuição das exportações de bens e serviços em 10,3% em 2009, enquanto componente da demanda agregada, observa-se que seu impacto terminou sendo relativamente mitigado pelo avanço do comércio exterior com nações do âmbito Sul-Sul.

Da mesma forma, nota-se que na crise financeira de 1998, a concepção governamental prevalecente era a de que o Estado se constituía na parte principal dos problemas da época. Por isso, as opções de política econômica e social entre 1998 e 1999 se concentraram adicionalmente na asfixia do setor público, por meio da contenção do gasto público (custeio e investimento), bem como da elevação da carga tributária em relação ao PIB (em 4,5%), como forma de financiar o pagamento adicional dos encargos do endividamento público originados pelo brutal aumento da taxa de juros em 136,8% (de 19% para 45%). Nessas circunstâncias, as empresas e bancos públicos foram ainda mais estrangulados, com corte de16,6 mil funcionários públicos federais, enquanto a política social seguiu contrária a sua ação compensatória sobre os efeitos da crise. O tranco econômico e a mordaça do Estado resultaram em elevação do desemprego e da taxa de pobreza, que passou de 49,7%, em 1998, para 53,5% dos brasileiros (aumento de 7,6%).

Na grave crise internacional de 2008, a concepção governamental predominante foi outra. Ou seja, o Estado seria parte fundamental da solução dos problemas. Coube ao Estado atuar estratégica e ativamente na adoção de medidas que permitissem reduzir a carga tributária em 1,6% (de 34,8% do PIB, em 2008, para 34,3%, em 2009), sem contração das despesas públicas fundamentais diante da diminuição dos gastos financeiros - possibilitada pela prévia queda na taxa de juros em 36,4% (de 13,7%, em 2008, para 8,75%, em 2009).

Ademais, houve o imediato reforço das empresas e bancos públicos, com a garantia de recursos adicionais para ampliação do orçamento do BNDES, bem como do reposicionamento da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil, que atuaram de forma anticíclica diante do encolhimento do crédito nos bancos privados. Com isso, o conjunto das operações de crédito do sistema financeiro nacional não foi reduzido em relação ao PIB, conforme a queda de 4,3% verificada em 1999 (de 28,1% do PIB, em 1998,para 26,8%, em 1999). Também as empresas públicas como Eletrobrás e Petrobras deram sequência ao planejamento de maior prazo reavivado pelo Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), que desde 2007 focou na ampliação dos investimentos, sobretudo em energia e infra-estrutura nacional e, mais recentemente, em habitação popular.

Para além do importante papel das decisões governamentais inovadoras na economia, convém destacar a ousadia nas políticas de renda adotadas na última crise internacional. De um lado, a elevação do valor real do salário mínimo em 5,8% no ano de 2009, contra apenas 0,7% em 1999. Por consequência, o impacto favorável para os beneficiários das políticas sociais (aposentados e pensionistas da Previdência Social), que tiveram ampliações no valor do benefício. Assim também houve aumento no quantitativo de atendidos pelo programa Bolsa Família e pelos receptores do Seguro Desemprego ao longo de 2009.

Por força disso, as famílias agregaram, em média, R$ 2,8 mil em 2009(acréscimo no consumo das famílias em R$ 160 bilhões). Idêntico procedimento anticíclico não se verificou por parte do governo há dez anos. De outro lado, percebe-se que a orientação governamental em defesa da produção doméstica correspondeu ao maior estímulo à geração de empregos formais (saldo líquido de quase um milhão de novas vagas em2009, contra redução de 190 mil postos de trabalho em 1999), bem como a contenção mais rápida do próprio desemprego. Diante disso, o Brasil entrou mais tarde e desvencilhou-se mais cedo da contaminação da crise internacional. A pobreza encolheu, uma vez que mais de 500 mil brasileiros abandonaram essa situação nas regiões metropolitanas, enquanto a desigualdade de renda do trabalho caiu 0,4%. Até a inflação não subiu, mesmo com a desvalorização cambial ocorrida em função da crise, pois terminou regredindo de 5,9%, em 2008, para 4,3%, em 2009.Na época da crise financeira de 1998 e 1999, a taxa de inflação subiu de 1,7% para 8,9%.

Sema crise de 2008, o Brasil, possivelmente, não precisaria ter tomado medidas ousadas, que terminaram por solapar a lógica do tratamento da recessão econômica por meio das receitas neoliberais. É por isso que2009 se tornou o ano da virada que consolida outro caminho de desenvolvimento que não seja o da reprodução do passado.

Marcio Pochmann é presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), professor licenciado do Instituto de Economia e do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Escreve mensalmente às quintas-feiras.

Extraído do Jornal Valor Econômico em http://www.valoronline.com.br/ em 25/03/2010

Tenho falado muito nisso em sala de aula

Cartões garantem consumo das famílias

Autor(es): Soraia Duarte, para o Valor, de São Paulo
Valor Econômico - 25/03/2010

Os cartões de crédito, débito ou emitidos por lojas financiaram mais de R$ 444 bilhões em compras em 2009, de acordo a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs). Tal montante, que equivale a 22% do consumo feito pelas famílias no país no período, é 18% superior ao verificado em 2008, o que demonstra o crescente espaço dos cartões como meio de pagamento. "A praticidade e a capilaridade transformaram os cartões em um efetivo instrumento de crédito", avalia Paulo Rogério Caffarelli, presidente da Abecs.

Entre os três tipos de cartão, a maior base pertence aos emitidos por lojas ou redes de varejo, os chamados private label. Somavam em 2009 quase 200 milhões de unidades. No entanto, responderam por apenas 13% das transações, segundo a Abecs. Já os de crédito, mesmo com uma base menor, de 136 milhões de unidades, têm sido os preferidos como meio de pagamento, utilizados 58 vezes a cada 100 compras feitas com cartão.


Esse movimento tem se refletido na substituição dos cartões de loja pelos de crédito, mesmo para pagar as compras na rede que os emitiu. José Antônio Rodrigues, diretor de crédito e risco da Riachuelo, conta que há cerca de três anos, a participação do private label como meio de pagamento correspondia a 75% das vendas da rede. Em 2009, caiu para 59%.

Na Renner , os cartões próprios foram utilizados em 60,2% das vendas em 2009, participação menor que a do ano anterior, quando responderam por 63,1%.

Essa perda de espaço dos private label, aliada ao interesse das instituições financeiras a oferecer crédito a essas carteiras de clientes, tem estimulado os varejistas a lançar cartões híbridos. Tal formato reúne as vantagens concedidas ao private label, quando utilizado nas lojas que o emitiram, com as funcionalidades de um cartão de crédito, podendo ser utilizado em outros estabelecimentos. "Para a loja, há a vantagem da fidelização. Para o banco emissor, o ganho de escala, atingindo os clientes de determinada rede", diz Caffarelli.

Os private label são emitidos pelo varejista com o intuito de facilitar compras e pagamentos em suas lojas. "São o carro-chefe no relacionamento entre as redes e seus clientes", avalia Boanerges Ramos Freire, presidente da Boanerges&Cia, consultoria em varejo financeiro. Oferecem condições diferenciadas de pagamentos, como um número maior de parcelas, e pouca burocracia para ser emitidos. "Esses cartões têm sido a porta de entrada das pessoas de menor poder aquisitivo no sistema financeiro tradicional", analisa Álvaro Musa, sócio-diretor da consultoria Partner Conhecimento.

Com a estabilização da economia e o aumento do poder de compra das classes C e D, os cartões de loja passaram a ser um nicho cobiçado pelas instituições financeiras. "Os bancos podem se aproximar desse público por meio do varejista", diz Musa.

A aproximação dos bancos a redes como Pão de Açúcar, Magazine Luiza e Leader são alguns exemplos, assim como as Lojas Marisa, que fechou acordo com o Itaú Unibanco há pouco mais de um ano. A rede já contabiliza 815 mil "embandeirados", dentro de uma base de quase 13 milhões de cartões próprios.

Nas Casas Bahia, os cartões híbridos sob administração do Bradesco substituíram os carnês, e já somam 6,7 milhões de unidades. Tais alianças têm se dado por meio de contratos comerciais ou por estruturas societárias.

Enquanto alguns varejistas e instituições financeiras montam estratégias conjuntas, outras redes decidem explorar os private label por conta própria, montando financeiras. É o caso do Carrefour e da Riachuelo, que em 2008 ergueu a Midway Financeira.

Esse braço de negócios responde pela administração dos private label e pela distribuição dos cartões com bandeira, formato que pretende abranger metade dos 16 milhões de plásticos de sua base. Também vem desenvolvendo uma ampla gama de produtos, que inclui crédito consignado e pessoal, seguros de auto, vida e residência, além de assistência odontológica.

As Lojas Renner, dona de uma carteira de 15,5 milhões de cartões, já anunciou a montagem de uma financeira própria, mas aguarda para este ano ainda a autorização do Banco Central. Enquanto isso, lançará em maio o cartão híbrido com bandeiras Visa e Mastercard.

Freire classifica a estratégia da C&A a mais bem sucedida na adoção de cartões híbridos. De sua base de mais de 20 milhões de cartões, 9 milhões podem ser utilizados fora de suas lojas. "A soma do cartão de loja com uma bandeira faz com que a marca do varejista fique mais exposta", explica. Além disso, o cartão, cada vez que é usado, dá pistas sobre perfil e hábitos de consumo dos clientes. "Transforma-se em ferramenta de relacionamento, auxiliando na concepção de ofertas dirigidas."

Ao mesmo tempo, os híbridos permitem que as redes de varejo alavanquem seus resultados, seja no formato de alianças com bancos ou por meio da operação de financeiras próprias. No primeiro caso, os cartões geram receitas à rede por meio da comissão pelos acordos de exclusividade firmados com bancos. Como financeiras, a loja emissora é remunerada a cada uso do cartão fora de suas lojas, com uma taxa de administração de 1,3% a 1,4% do valor de cada transação, de acordo com Freire.

A Abecs estima que, em 2010, os private label apresentem um crescimento de 14% em número de cartões, evolução menor que os 20% esperados para os de crédito. "A maior expansão dos cartões de loja será no valor das transações", prevê Freire, movimento que vai refletir o maior uso estimulado pelos híbridos.

Extraído de http://www.valoronline.com.br/ em 25 de março de 2010

quarta-feira, 24 de março de 2010

Desemprego nos EUA(já vi esse filme, não me lembro onde!!!)

Exército de desempregados já soma 30 milhões nos EUA


Uma recente pesquisa da Gallup revelou que, em janeiro, 30 milhões de pessoas nos EUA estavam desempregadas ou trabalhando apenas a tempo parcial. Este número, baseado num inquérito com mais de 20 mil adultos com idade superior a 18 anos realizado de 2 a 31 de Janeiro, equivale a 20% cento da população ativa.

Por Fred Goldstein *

Levada a cabo por uma das instituições de sondagens mais prestigiadas e conservadoras do mundo capitalista, a sondagem utilizou amostragens recolhidas em todas as regiões do país e junto de todas as idades.

É entre os jovens, na camada etária entre os 18 e os 29 anos, que se situa o mais elevado nível de subemprego, oficialmente de 31%.

Não é de estranhar que esta sondagem mal tenha sido referida na grande imprensa. Ela demonstra que o governo está a esquecer milhões de trabalhadores e trabalhadoras que sofrem a crise do desemprego e do subemprego. Comprova com dados, no mínimo, que as estatísticas do Departamento de Estatísticas do Trabalho e do Departamento Nacional de Investigação Econômica foram desonestas quanto ao verdadeiro nível do desemprego.

Esta sondagem da Gallup também mostra as disparidades racistas que se agravaram com a crise econômica. Revela que a taxa de subemprego entre afro-americanos e latinos está em 27 e 29 por cento, respectivamente, enquanto o subemprego entre os brancos ficou em 17%. Não refere nada sobre os trabalhadores imigrantes, mas outros estudos mostram um aumento drástico do subemprego entre os trabalhadores indocumentados, especialmente na indústria da construção.

Segundo as agências do governo, o nível do que se designa por «taxa total de desemprego», uma medida chamada U-6, é apenas de 16,5%, e não os 20% revelados pela sondagem do Gallup.

Pior ainda, é importante saber que o número oficial do governo relativo ao «desemprego total» inclui não só os trabalhadores desempregados e os que se veem obrigados a trabalhar a tempo parcial em vez da jornada, mas também os que, desanimados, deixaram de procurar trabalho.

Segundo a AOL News em linha, «o surpreendente dos números da Gallup é que os inquéritos nem sequer incluem as pessoas que estão desempregadas há tanto tempo que já nem sequer são contadas como força de trabalho». No mês de janeiro, segundo o governo, 1,1 milhões de trabalhadores estavam classificados oficialmente como «trabalhadores desanimados».

Assim, a própria sondagem da Gallup é imprecisa, pois se o número oficial do governo de 1,1 milhões de trabalhadores que deixaram de procurar trabalho se somasse aos 30 milhões apurados pela Gallup, o número total aumentaria.

4,4 milhões de trabalhadores «desanimados»

No entanto, o encobrimento do governo é ainda maior do que se depreende da sondagem Gallup. O Instituto de Política econômica (EPI na sigla inglesa), cujo ex-chefe, Jared Bernstein, é o economista chefe e assessor da política econômica do vice-presidente Joseph Biden, afirma: «Desde que começou a recessão em Dezembro de 2007, a força de trabalho – as pessoas que estão trabalhando ou que procuram emprego – perdeu 700 000 trabalhadores, apesar de a população ativa ter aumentado em mais 3,7 milhões de pessoas. A redução da força de trabalho é um reflexo do desânimo face ao mercado laboral, já que os empregos se tornaram escassos; por isso, muitas pessoas que procuravam trabalho deixaram de o fazer».

Assim, segundo o EPI, cerca de 4,5 milhões de trabalhadores abandonaram a força de trabalho, e não os 1,1 milhão contabilizados pelo governo. Entre esses, uma proporção drasticamente elevada é de jovens. A taxa de participação dos trabalhadores entre os 16 e os 24 anos de idade diminuiu entre 59,1% e 54,7% nos 25 meses desde que começou a recessão, o que representa uma quebra de 1,3 milhões de jovens trabalhadores. Na sondagem Gallup, o nível mais alto de subemprego, cerca de 31%, registra-se justamente na camada entre os 18 e os 29 anos.

No outro extremo da escala etária, os maiores de 55 anos aumentaram no conjunto da força de trabalho porque não podem dar-se ao luxo de se reformar. Nos seus últimos anos de vida ativa são compelidos a continuar a trabalhar, sendo muitas vezes obrigados a competir com os mais novos por empregos mal remunerados.

Em condições «normais» de exploração capitalista – quer dizer, entre as crises de alta e baixa, quando os empregos estão mais disponíveis – a juventude, e em especial os jovens negros, latinos, asiáticos e indígenas, têm um nível de emprego mais elevado e salários mais baixos. Agora que há uma crise capitalista, a crise para os jovens é maior.

O discurso da «recuperação» para os trabalhadores de todas as idades é um mito. A recuperação é apenas para as hierarquias e para os ricos.

O discurso sobre a diminuição das demissões foi desmentido em finais de fevereiro com o anúncio de um aumento de novos pedidos de subsídios de desemprego.

Aumentam pedidos de subsídio e caem as rendas de casa

A 25 de Fevereiro, no seu relatório sobre os pedidos de desemprego, o Departamento do Trabalho disse que houve mais 22 000 primeiros pedidos de subsídio, num total de 496 000. Os analistas de Wall Street esperavam uma redução para um total de 455 000.

A média mensal dos pedidos aumentou em 6000, para um total de 473 750. A média tinha caído consideravelmente durante o Verão e o Outono em relação ao pico da Primavera passada de 650 000 pessoas. Este ano, a evolução positiva parou. A média das quatro semanas aumentou em cerca de 30 000 no último mês. Está agora muito acima do nível de 425 000 pessoas que muitos economistas consideram “aceitável”. É bem esclarecedor da essência do capitalismo que a demissão de 425 000 trabalhadores por semana seja considerado um sinal «positivo» da contratação líquida.

Por outro lado, a venda de casas novas caiu 11,2% em janeiro, a maior queda em mais de 50 anos. Uma quebra na venda de casas novas significa mais desemprego no setor da construção.

Uma das razões para esta redução é o número massivo de execuções de hipoteca que os especuladores e também alguns compradores individuais tratam de aproveitar para comprar casas a preços de saldo entre milhões de imóveis disponíveis devido às execuções hipotecárias. Mas mesmo apesar disso a venda de casas baixou cerca de 7,2% em janeiro.

Espera-se que haja centenas de milhares de novas execuções de hipotecas devido ao fato de os desempregados não conseguirem continuar a pagar os seus empréstimos, e mesmo os que estão empregados estão já «debaixo de água», ou seja, devem muito mais do que valem as suas casas no mercado.

Os bancos e os prestamistas não ajustaram os empréstimos, não suspenderam os pagamentos dos desempregados, e estão a espremer desapiedadamente cada cêntimo dos proprietários de casa. A menos que o povo se una e exija o fim das execuções hipotecárias e dos despejos, virão aí milhões de novas execuções.

Para os mais de 30 milhões de pessoas sem trabalho ou com trabalho a tempo parcial, sem um plano de saúde, sem pensões, sem benefícios, sem férias, e com a insuportável pressão econômica para tentarem manter-se, a simples ideia de que a economia esteja em fase de «recuperação» há seis meses deve parecer uma piada cruel.

Quem comprará as mercadorias?

Uma pergunta que importa fazer é: o que levou a Gallup a realizar uma sondagem tão grande? Os números contraditórios que saem dos departamentos oficiais e da administração Obama enervaram provavelmente alguns setores da classe dominante. Conselheiros de investimentos, prognosticadores econômicos corporativos e conselheiros de política econômica estão muito interessados em conseguir informação confiável sobre a economia. A classe dominante não pode depender apenas das agências do governo, que por motivos políticos se destinam a expor de forma enviesada a gravidade da situação.

Um dos poucos detalhes que a recente sondagem da Gallup trouxe a público foi quanto estavam a gastar a menos os trabalhadores subempregados em comparação com os que trabalham a tempo inteiro. A discrepância entre os 75 dólares por dia gastos pelos empregados e os 48 dólares por dia gastos pelos subempregados, ainda que esteja exagerada, é um fato de peso a considerar por tais especialistas quando analisam as expectativas de uma «recuperação» capitalista.

O grande público soube muito pouco desta sondagem e a maior parte da informação recolhida ficou reservada, sem dúvida destinada apenas aos olhos da classe dominante e dos seus conselheiros.

Mas a classe dominante está temerosa entre a expectativa de uma recuperação e uma renovação da crise capitalista. Todos sabem que a estabilização da economia capitalista, a contenção temporária da espiral descendente da crise econômica e financeira, assentou no resgate massivo dos bancos e no estímulo à economia.

As estimativas oficiais dizem que, ao abrigo do pacote de estímulos de 787 bilhões de dólares, foram criados ou salvos entre 1,5 a 2 milhões de empregos. Esse dinheiro deve acabar em meados de 2010. O crédito para os que compram agora uma casa pela primeira vez foi alargado aos que já anteriormente tinham comprado casa.

O governo, os banqueiros e os empresários esperam para ver o que acontece quando acabar o dinheiro dos estímulos e os incentivos. Todos contêm a respiração na esperança de que a limitada expansão capitalista continue.

Mas a classe dominante debate-se com uma contradição de fundo na presente crise. Não se pode manter uma recuperação baseada em lay-offs e na intensificação da exploração dos trabalhadores que restam. Não é possível uma recuperação sustentável nesta base. Daqui só pode resultar uma nova crise.

A classe trabalhadora, os oprimidos, as comunidades, os estudantes e jovens, todos os que estão a ser vítimas desta crise capitalista não devem esperar passivamente pela salvação de uma recuperação econômica.

Para eles, a única saída desta crise passa pela organização e pela luta com um programa concreto. Em primeiro lugar na agenda deve estar a exigência de um programa do governo que garanta um emprego com salário digno e com plenos direitos, e a liberdade de organização sindical e de acesso ao apoio sindical para todos os trabalhadores que dele necessitem.

Os trilhões de dólares que estão a ser dados aos bancos, às corporações e ao armamento podem pagar esse programa e ainda garantir uma educação gratuita de qualidade para todos os jovens, desde o básico à universidade.

* Membro do Secretariado do Partido Workers World, este texto, traduzido por Anabela Fino, foi publicado no Avante nº 1.894 de 18 de Março de 2009

Extraído do Portal http://www.vermelho.org.br/ em 24 de março de 2010

CURSO GRATUITO

INOVE Carreiras & Negócios

Dias: 5 , 6 e 7 de maio de 2010 das 14h às 17h

Carga horária: 12 horas

Parceria PUC-Rio/SEBRAE - com apoio do CORECON

O INOVE Carreiras e Negócios é um programa de capacitação desenvolvido pelo Instituto Gênesis da PUC-Rio, em parceria com o SEBRAE que visa aumentar o acesso ao conhecimento para a montagem ou desenvolvimento de pequenos e novos negócios. O programa, que pretende sensibilizar cerca de 4 mil pessoas sobre empreendedorismo e inovação no Rio de Janeiro, é gratuito, aberto ao público e divide-se em três módulos:

Aula 1 - Atitude Empreendedora

Aula 2 - Mercado e Inovação

Aula 3 - Plano de Negócios

OBJETIVO

Ampliar o acesso a empreendedores às soluções e serviços oferecidos por ambas as instituições e criar um ambiente favorável para disseminação da cultura do empreendedorismo e do planejamento, fatores críticos na redução da mortalidade precoce de pequenos negócios. Pretende-se com isso, captar novos e bons projetos, com caráter inovador, que tenham potencial para tornarem-se empreendimentos auto-sustentáveis. Qualquer dúvida favor entrar em contato pelo telefone: (21) 3527.1371 ou pelo e-mail genesis@puc-rio.br  

PROFESSORES

Cátia Araújo Jourdan - Formada em Psicologia pela a PUC - Rio, pós-graduada em Psicologia na Santa Casa de Misericórdia e em Gestão empresarial pela UFRJ. Foi gerente da Incubadora Social da PUC-Rio e atualmente é gerente de Projetos do Instituto Gênesis.

Priscila O'Reilly Castro - Mestranda em Metrologia e Inovação na PUC-Rio, pós-graduada em Gestão pelo MBA em Administração - IAG Management na PUC-Rio, pós-graduada em Engenharia de Produção - Tecnologias de Gestão da Produção e Serviços no Instituto Nacional de Tecnologia - INT, graduada em Engenharia de Produção Civil na PUC-Rio. Conselheira e responsável pela área de inovação da Associação Comercial do Rio de Janeiro no Conselho Empresarial de Jovens Empresários em 2005 e 2006. Atualmente é a gerente da Incubadora de Empresas do Instituto Gênesis da PUC-Rio.

Leonardo Santos - Pós Graduado em Finanças Corporativas e administrador de empresas pelo IAG da PUC-Rio. Foi Gerente financeiro do Instituto Gênesis e consultor da incubadora de empresas da PUC-Rio. É Instrutor do módulo de finanças para empreendedores no curso de extensão Oficina de Plano de Negócios oferecido pelo CCE da PUC - Rio.

Maiores Informações: (21) 2103-0118 das 13 às 20h ou cursos@corecon-rj.org.br  Inscrições: http://www.corecon-rj.org.br/cursos_det.asp?Id_curso=151

terça-feira, 23 de março de 2010

Notícia Importante no Jornal do Comércio

Juros de empréstimos ao consumidor são os mais baixos desde julho de 1994

Agência Brasil – 23/03/2010
Brasília - As taxas de juros cobradas nos empréstimos para pessoas físicas apresentaram redução de 1,1 ponto percentual na passagem de janeiro para fevereiro e chegaram a 41,9% ao ano. Segundo dados divulgados hoje (23) pelo Banco Central, esse é o menor patamar da série histórica iniciada em julho de 1994.

No caso das empresas, a redução foi de 0,6 ponto percentual, para 25,9% ao ano. A taxa geral anual passou de 35,1%, em janeiro, para 34,3%, no mês passado, o menor nível desde dezembro de 2007.

A redução nas taxas veio acompanhada de queda da inadimplência. A taxa total passou de 5,5%, em janeiro, para 5,3%, em fevereiro deste ano. Para as pessoas físicas, a redução foi de 0,4 ponto percentual e a taxa ficou em 7,2% no mês passado. No caso das empresas, houve ligeira queda, de 0,1 ponto percentual, para 3,7%. Na metodologia do BC, é considerado inadimplência o atraso superior a 90 dias.

O spread geral – diferença entre a taxa de captação e a aplicada na hora de conceder o empréstimo ao tomador final – passou de 25,1 pontos percentuais, em janeiro, para 24,3 pontos percentuais, em fevereiro. Para as pessoas físicas, o recuo foi de 1 ponto percentual, para 30,8 pontos percentuais. No caso das empresas, a redução foi de 0,6 ponto percentual para 16,9 pontos percentuais.

A taxa de juros cobrada pelo uso do cheque especial também apresentou redução – de 1,6 ponto percentual – para 159,5% ao ano. O crédito pessoal, que inclui operações consignadas em folha de pagamento, teve redução de 1 ponto percentual, para 43,8% ao ano. No caso dos financiamentos de veículos, a taxa passou de 25,2% ao ano, em janeiro, para 24,1% ao ano, no mês passado.

Reportagem de Kelly Oliveira, da Agência Brasil.
Extraído de http://www.jcom.com.br/ em 23/03/2010 (Jornal do Comércio)

Notícias do Portal do Trabalhador

FAT aplicou em 2009 R$ 3 bi em geração de emprego e renda

Programas e linhas de crédito do Ministério do Trabalho e Emprego são focados no combate ao desemprego, inclusão social e melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores

Brasília, 22/03/2010 – O Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), investiu no ano passado R$ 3 bilhões em programas de geração de emprego e renda direcionado no combate ao desemprego, inclusão social e melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores. As linhas de crédito financiaram programas de apoio à geração e manutenção de postos de trabalho e renda, gerenciados pelo Ministério do Trabalho e Emprego.

Os recursos dos depósitos especiais, alocados nos bancos oficiais federais, BB, CEF, BNDES, BNB e BASA são destinados a aplicação em linhas de crédito para viabilizar a concessão de financiamento a empreendedores nos setores urbano e rural da atividade econômica – inclusive agricultores familiares – e suas cooperativas e associações de produção.

As linhas de financiamento também estão disponíveis para empreendedores populares de baixa renda, que buscam na informalidade o sustento próprio e da família, financiando o auto-emprego como alternativa de minimizar os efeitos do desemprego prolongado.

O Fundo de Amparo ao Trabalhador - FAT, criado pela Lei 7.998/90, tem como prioridade fomentar ações ligadas ao Seguro-Desemprego e ao Abono Salarial, porém, a Lei nº 8.019/90 permite que parte dos recursos excedentes à reserva mínima de liquidez seja alocado em instituições financeiras oficiais federais, sob a forma de depósitos especiais remunerados, mediante autorização do Conselho Deliberativo do FAT (CODEFAT).

Programas - Os Programas de Geração de Emprego e Renda são divididos em linha de investimento, sendo direcionadas ao crédito urbano e rural. Nas linhas do Proger Urbano foram investidos R$ 1.7 bilhões. O FAT - PNMPO, direcionado ao microcrédito produtivo recebeu R$ 16 milhões, além de R$ 2 milhões no FAT - Empreendedor Popular; A linha FAT Giro Setorial, que financia capital de giro puro à micro e pequenas empresas industriais, comerciais e de serviços, além de empresas da cadeia produtiva do setor de turismo, obteve R$ 385 milhões e o FAT Fomentar R$ 500 milhões. Outras linhas contempladas foram o FAT Pró-Inovação, com R$ 180 milhões; FAT moto-frete (R$ 50 milhões) e taxistas R$ 150 milhões.

O FAT disponibiliza linhas de financiamento por meio de bancos oficiais federais e as linhas com depósitos especiais são alternativas importantes para acesso ao financiamento a setores com menores chances de acesso ao crédito, principalmente as micro e pequenas empresas que são um dos segmentos mais intensivos na geração de emprego e renda.

Por meio dessas linhas, as empresas têm a possibilidade de financiar implantação, reforma e modernização de empreendimentos, aquisição de máquinas e equipamentos, bem como outros itens necessários à viabilização do negócio, em condições mais acessíveis, tornando-se mais competitivas e com melhor adequação às exigências de mercado.

Fonte: MTE

Fórum Nacional da Aprendizagem Profissional tem terceira reunião

Evento marca o lançamento do Selo de Responsabilidade Social Parceiros da Aprendizagem e a validação do Plano de Ação de Aprendizagem Profissional

Brasília, 22/03/2010 - A terceira reunião ordinária do Fórum Nacional da Aprendizagem será realizada nesta terça-feira (23/03), em Brasília, no Auditório da Caixa (Setor Bancário Sul, Quadra 1, Bloco L, 2º subsolo, Edifício Filial). O evento, que acontece das 8h às 12h, tem como objetivo lançar o Selo de Responsabilidade Social Parceiros da Aprendizagem, bem como validar o Plano de Ação de Aprendizagem Profissional, mecanismo que garantirá o caráter permanente da aprendizagem como política pública orientada.
O evento será aberto ao público ligado ao tema da aprendizagem profissional. Para tanto, os interessados deverão comparecer ao Auditório da Caixa a partir das 8 horas da manhã para realizar o credenciamento.

"O Plano Nacional de Aprendizagem Profissional vem sendo elaborado pelo Ministério do Trabalho e Emprego desde o ano passado. Ele é importante, pois traz diretrizes gerais para a construção de ações que visem à ampliação do número de jovens atendidos, além de garantir a qualidade dos cursos oferecidos. Por isso é necessário que a sua validação seja feita dentro do Fórum Nacional, que é um instrumento tripartite", explica a coordenadora do Programa de Aprendizagem Profissional do MTE, Ana Lucia Alencastro.

Responsabilidade Social - Com o intuito de estimular ações voltadas para a aprendizagem profissional e de reconhecer as instituições parceiras dessa causa, o Ministério do Trabalho e Emprego lançará o Selo de Responsabilidade Social Parceiros da Aprendizagem.

A marca será concedida às empresas, entidades qualificadas em formação técnico-profissional metódica, entidades governamentais e outras instituições que atuem em consonância com o estabelecido pelo MTE.

Para receber o selo não basta que a instituição cumpra a legislação e contrate jovens aprendizes, ela tem que desenvolver ações diferenciadas. Entre os vários critérios estabelecidos para utilizar a marca ela deve, por exemplo, contratar jovens pertencentes a grupos de vulnerabilidade social, com deficiência física, egressos de programas sociais custeados pelo poder público, ou ainda ajudar no desenvolvimento de metodologias e apoiar a capacitação de entidades sociais que atuem na aprendizagem profissional.

"O selo terá validade anual. Com isso esperamos estimular as empresas e organizações a continuarem trabalhando pela aprendizagem. Se isso acontecer ela terá o seu esforço reconhecido e o selo renovado por mais um ano", diz Ana Lucia Alencastro.

Cooperação - Durante o evento também será assinado um acordo de cooperação entre o Ministério do Trabalho e Emprego e o Serviço Social da Indústria (SESI). O objetivo é que jovens egressos do programa Vira Vida (que ajuda jovens em situação de exploração sexual) sejam privilegiados na contratação para a aprendizagem profissional.

Fonte: MTE

segunda-feira, 22 de março de 2010

No dia da Água - dicas pra economizar

Dicas de economia de água, como fazer para gastar menos água no dia-a-dia, consumo consciente de água

Economia da água: bom para o bolso e meio ambiente
Como sabemos, a água é um bem natural precioso. Embora encontrada em grande quantidade no planeta Terra, seu tratamento é caro e trabalhoso. Alguns especialistas afirmam que, se o consumo de água continuar nos níveis atuais (considerando o alto desperdício), futuramente poderemos enfrentar sérios problemas de falta de água. Além de colaborar com o meio ambiente, a prática de economia de água e seu consumo consciente, podem gerar uma boa economia na conta de água no final do mês.

Dicas de como economizar água (consumo consciente de água)

- Ao escovar os dentes e se barbear, manter a torneira fechada;
- Fechar a torneira enquanto ensaboar as louças e talheres;
- Usar a máquina de lavar roupas na capacidade máxima;
- Na hora do banho, procurar se ensaboar com o chuveiro desligado e procurar tomar banho rápido;
- Não jogar óleo de fritura pelo ralo da pia. Além de correr o risco de entupir o encanamento da residência, esta prática polui os rios e dificulta o tratamento da água;
- Não deixar que ocorram vazamentos em encanamentos dentro da residência;
- Entrar em contato com a companhia de água ao verificar vazamentos de água na rede externa;
- Usar a descarga no vaso sanitário apenas o necessário. Manter a válvula sempre regulada;
- Reutilizar a água sempre que possível;
- Utilizar regador no lugar de mangueira para regar as plantas;
- Usar vassoura para varrer o chão e não a água da mangueira;
- Lavar o carro com balde ao invés de mangueira;
- Captar a água da chuva com baldes. Esta água pode ser usada para lavar carros, quintais e regar plantas;
- Tratar a água de piscinas para não precisar trocar com freqüência. Outra dica é cobrir a piscina com lona, enquanto não ocorre o uso, para evitar a evaporação;
- Colocar sistemas de controle de fluxo de água (aeradores) no bico das torneira.

Dia Mundial da Água

História do Dia Mundial da Água

O Dia Mundial da Água foi criado pela ONU (Organização das Nações Unidas) no dia 22 de março de 1992. O dia 22 de março, de cada ano, é destinado a discussão sobre os diversos temas relacionadas a este importante bem natural.

Mas porque a ONU se preocupou com a água se sabemos que dois terços do planeta Terra é formado por este precioso líquido? A razão é que pouca quantidade, cerca de 0,008 %, do total da água do nosso planeta é potável (própria para o consumo). E como sabemos, grande parte das fontes desta água (rios, lagos e represas) esta sendo contaminada, poluída e degradada pela ação predatória do homem. Esta situação é preocupante, pois poderá faltar, num futuro próximo, água para o consumo de grande parte da população mundial. Pensando nisso, foi instituído o Dia Mundial da Água, cujo objetivo principal é criar um momento de reflexão, análise, conscientização e elaboração de medidas práticas para resolver tal problema.

No dia 22 de março de 1992, a ONU também divulgou um importante documento: a “Declaração Universal dos Direitos da Água” (leia abaixo). Este texto apresenta uma série de medidas, sugestões e informações que servem para despertar a consciência ecológica da população e dos governantes para a questão da água.

Mas como devemos comemorar esta importante data? Não só neste dia, mas também nos outros 364 dias do ano, precisamos tomar atitudes em nosso dia-a-dia que colaborem para a preservação e economia deste bem natural. Sugestões não faltam: não jogar lixo nos rios e lagos; economizar água nas atividades cotidianas (banho, escovação de dentes, lavagem de louças etc); reutilizar a água em diversas situações; respeitar as regiões de mananciais e divulgar idéias ecológicas para amigos, parentes e outras pessoas.

Declaração Universal dos Direitos da Água

Art. 1º - A água faz parte do patrimônio do planeta.Cada continente, cada povo, cada nação, cada região, cada cidade, cada cidadão é plenamente responsável aos olhos de todos.

Art. 2º - A água é a seiva do nosso planeta.Ela é a condição essencial de vida de todo ser vegetal, animal ou humano. Sem ela não poderíamos conceber como são a atmosfera, o clima, a vegetação, a cultura ou a agricultura. O direito à água é um dos direitos fundamentais do ser humano: o direito à vida, tal qual é estipulado do Art. 3 º da Declaração dos Direitos do Homem.

Art. 3º - Os recursos naturais de transformação da água em água potável são lentos, frágeis e muito limitados. Assim sendo, a água deve ser manipulada com racionalidade, precaução e parcimônia.

Art. 4º - O equilíbrio e o futuro do nosso planeta dependem da preservação da água e de seus ciclos. Estes devem permanecer intactos e funcionando normalmente para garantir a continuidade da vida sobre a Terra. Este equilíbrio depende, em particular, da preservação dos mares e oceanos, por onde os ciclos começam.

Art. 5º - A água não é somente uma herança dos nossos predecessores; ela é, sobretudo, um empréstimo aos nossos sucessores. Sua proteção constitui uma necessidade vital, assim como uma obrigação moral do homem para com as gerações presentes e futuras.

Art. 6º - A água não é uma doação gratuita da natureza; ela tem um valor econômico: precisa-se saber que ela é, algumas vezes, rara e dispendiosa e que pode muito bem escassear em qualquer região do mundo.

Art. 7º - A água não deve ser desperdiçada, nem poluída, nem envenenada. De maneira geral, sua utilização deve ser feita com consciência e discernimento para que não se chegue a uma situação de esgotamento ou de deterioração da qualidade das reservas atualmente disponíveis.

Art. 8º - A utilização da água implica no respeito à lei. Sua proteção constitui uma obrigação jurídica para todo homem ou grupo social que a utiliza. Esta questão não deve ser ignorada nem pelo homem nem pelo Estado.

Art. 9º - A gestão da água impõe um equilíbrio entre os imperativos de sua proteção e as necessidades de ordem econômica, sanitária e social.

Art. 10º - O planejamento da gestão da água deve levar em conta a solidariedade e o consenso em razão de sua distribuição desigual sobre a Terra.

Deu Hoje no Jornal Valor Econômico

As Clássicas Pirâmides Financeiras e os atuais 'Grupos de Amigos'
Autor(es): Glauber M. Talavera
Valor Econômico - 22/03/2010

Episódios tal qual o da fraude de US$ 50 bilhões levada a efeito por Bernard Madoff por meio de seu Investment Advisory, embora emblemáticos, nem sempre são suficientes para coibir outras tantas.

Perpetrado com maestria, mas sem originalidade, o esquema de Madoff constitui mera repetição do golpe arquitetado por Charles Ponzi, um italiano que imigrou aos EUA em 1903 e lançou em novembro de 1919 um esquema de venda de notas promissórias garantindo taxas de juros de 40% no prazo de 90 dias. Em vez de investir o dinheiro que recebia, o "signore Ponzi" usava parte do dinheiro de cada novo investidor para pagar os juros prometidos aos investidores mais antigos, ficando ele com o restante.

Tal qual ocorreu com Bernard Madoff, após o colapso do sistema Ponzi foi condenado à prisão, tendo sido condenado novamente, anos mais tarde, por ocasião de um novo esquema fraudulento no Estado da Flórida.

Concebido como uma pirâmide financeira, o esquema consiste numa "corrente" em que, para ingressar, o novo participante deve entregar certa quantia em dinheiro para os demais participantes do seu grupo e excluir o primeiro de sua lista, entrando na base da pirâmide. O raciocínio usado é simples: você dá X reais para cada um dos cinco participantes de seu grupo (para uma pirâmide de cinco níveis com um elemento em cada nível), elimina o participante do nível superior, eleva cada um dos demais níveis um nível acima e ingressa no nível inferior. A seguir você deve passar a pirâmide adiante para mais cinco pessoas. Cada uma delas dará X reais para você e para os demais da pirâmide, movendo você para um nível acima e ingressando no nível mais baixo.

Na próxima rodada cada uma dessas cinco pessoas passará a pirâmide para outras cinco, totalizando 25 novos ingressantes e, cada uma destas lhes dará X reais, movendo-os para o próximo nível (nível 2 de 5). Seguindo esse raciocínio, quando você sair do topo terá recebido 780 vezes mais do que empregou para entrar na pirâmide.

Por hipótese, admita então que todos que entrem para uma dessas pirâmides consigam outros cinco que também entrem. Quando você estiver saindo da pirâmide haverá 3.900 pessoas que entraram nela até então e cada uma, também, deverá receber 780 vezes o que gastou. Um sistema notadamente insustentável, ilegal e imoral.

Não sem perplexidade temos, na atualidade, identificado a reprodução de um sistema correlato às tais pirâmides no que se convencionou chamar "grupo de amigos", "morte súbita" ou "compra premiada". Nestes, uma empresa cujo funcionamento é assemelhado ao de uma administradora de consórcio, não obstante sem nenhuma autorização do Banco Central para funcionar, arregimenta grupos de pessoas que pagam mensalmente para aquisição de um bem e, a cada mês, promove um sorteio entre os membros do grupo, sendo que o sorteado recebe o bem e a ele é dada total quitação, ou seja, ao ser sorteada a pessoa recebe o bem e não tem que pagar absolutamente mais nada. O sistema, por óbvio, não pode prescindir da entrada frenética e contínua de mais e mais pessoas nas suas bases, pois, considerada a dinâmica do negócio, estes novos consumidores pagarão o bem daqueles que serão sorteados.

Afora atuarem como se administradoras de consórcio fossem - não obstante sem autorização do Bacen, prevista no artigo 6º, Lei nº 11.795, de 2008 - essas empresas não possuem autorização do Ministério da Fazenda para distribuição onerosa de prêmios, que é exigência expressamente prevista na Lei nº 5.768, de 1971, para todos os casos em que há captação de poupança para a realização e distribuição de bens.

Permeada por uma multiplicidade de ilicitudes, as sanções penais para a prática, para referir algumas poucas a que podem ser subsumidos os tipos lesivos, têm previsão no artigo 51 da Lei de Contravenções Penais, que proíbe a promoção ou extração de loteria sem autorização legal, bem como no inciso IX do artigo 2º da Lei de Crimes contra a Economia Popular - que trata dessas práticas como "bola de neve", "cadeia" ou "pichardismo" -, valendo ressaltar que de ambas previsões decorre pena de prisão de seis meses a dois anos.

Com repercussões nocivas várias em muitas localidades mormente nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, sobrelevando-se entre elas a lesão aos consumidores, o Poder Legislativo de alguns municípios, assim como os de Pedreiras e Coroatá, ambos no Maranhão, têm apresentado projetos de lei cujo objetivo é proibir definitivamente a instalação e funcionamento dessas empresas, augurando bani-las vez por todas.

A propósito dessas entabulações, iniciadas por algumas Câmaras Municipais, e considerando que ainda recente a promulgação da Lei nº 11.795, de 2008, que normatiza pormenorizadamente o sistema de consórcio no país, até então regulado pela Circular nº 2.766, de 1997 do Bacen, seria oportuna uma verdadeira cruzada das administradoras de consórcio contra estes que manipulam o imaginário popular, sobremais porque, para o consumidor menos atento à dialética do sistema, tanto um quanto outro são administradoras de consórcio.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Brasil é 17º no ranking de impostos

Imposto sobre uma empresa é de 34% sobre a receita. O País tem carga tributária acima da média mundial, de 27,1%, e da média latino-americana, de 28,1%.

O Brasil tem uma das cargas tributárias sobre empresas mais altas do mundo. A avaliação é da consultoria KPMG, que nesta quarta-feira (01/11) publicou seu relatório anual sobre os impostos em 86 países e apontou que, no Brasil, o imposto médio sobre uma empresa é de 34% sobre a receita anual. Em apenas 16 economias as companhias estão sujeitas a taxas mais elevadas que no Brasil. O País ainda tem carga tributária bem acima da média mundial, de 27,1%, e da média latino-americana, de 28,1%.

Segundo a consultoria, a concorrência internacional fez com que países reduzissem seus impostos nos últimos 14 anos. Para a KPMG, há uma relação entre o sistema tributário e o desempenho econômico dos países, já que taxas menores podem dar vantagens competitivas e garantir crescimento para as economias em desenvolvimento. Não por acaso, a média dos impostos nessas 86 economias caiu de 38%, em 1993, para 27,1%, atualmente.

No caso do Brasil, porém, o País passou de taxas médias de 25%, em 1998, para 33%, em 1999, 37%, em 2000, e 34%, desde 2001. Os impostos brasileiros sobre o setor privado são superiores ao que se cobra no Chile, México, Uruguai e equivalentes aos aplicados pela Venezuela. Na região, a Argentina e a Colômbia cobram taxas superiores às brasileiras, de 35%.

Na avaliação da consultoria, os impostos são vistos por empresas multinacionais como o preço que precisam pagar em um país para usar a infra-estrutura local. Se não há uma boa estrutura ou se o preço é visto como excessivo, buscam países onde as taxas são menores. Se em países como no Brasil existe a necessidade de se arrecadar para projetos sociais, os governos precisam deixar claro esse objetivo e mostrar resultados.

Exemplos

Para a KPMG, um dos exemplos de países que reduziram impostos e conseguiram atrair investimentos é a Irlanda. A carga tributária no país caiu de 40%, em 1993, para 12,5%, uma dos mais baixas entre os países ricos. Nesse período, a economia irlandesa chegou a crescer 12%. Hoje, porém, sofre com a concorrência de países como a Hungria e a Polônia, que também reduziram seus impostos. Os países escandinavos também estão entre os exemplos, além da própria Inglaterra, que foi pioneira ao cortar seus impostos entre 1982 e 1986, de 52% para 35%.

No ranking da KPMG, os paraísos fiscais, evidentemente, lideram a lista como locais onde os impostos são os menores do mundo. São seguidos por economias como Macau e Omã, com 12% de impostos, além de Lituânia, Letônia, Romênia, Chile, Chipre, Irlanda e Hungria, com taxas entre 10% e 19%.

O estudo mostra ainda que as principais economias do mundo, como Estados Unidos, Alemanha ou Japão, cobram algumas das maiores cargas tributárias do mundo e superiores à do Brasil. Os impostos americanos sobre as empresas chegam a 40%, assim como no Japão. Na Alemanha, as taxas são de 38%; na Itália, de 37%.

Apesar de destacar a importância de um país ter impostos adequados às necessidades de sua economia, a KPMG alerta que uma redução de carga tributária sozinha não irá gerar o crescimento da economia no médio prazo. Para isso, as medidas tributárias precisam ser seguidas de modernização da infra-estrutura e de garantias legais para os investimentos estrangeiros.

Fonte: www.estadao.com.br

Fórum Mundial Urbano 5 - ONU-Habitat

Fórum Urbano Mundial 5 começa segunda-feira, na Zona Portuária do Rio

Começa nesta segunda-feira (22) na Zona Portuária do Rio de Janeiro o maior evento de urbanismo no planeta, o Fórum Urbano Mundial 5, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, da diretora-executiva do ONU-Habitat, Anna Tibaijuka, e do ministro das Cidades, Marcio Fortes de Almeida.

A edição brasileira tem o apoio do Governo Federal e do Ministério das Cidades.

O tema central do FUM5 é "O Direito à Vida: Unindo o Urbano Dividido". As discussões são divididas em seis eixos: Levando Adiante o Direito à Cidade; Unindo o urbano Dividido; Acesso Igualitário à Moradia; Diversidade Cultural nas cidades; Governança e Participação; e urbanização sustentável e inclusiva.

Criado por decisão da a Assembleia Geral das Nações Unidas em 2001, o fórum reúne regularmente agentes governamentais, representantes da sociedade civil e do setor privado para debater o problema da rápida urbanização. Hoje, é o congresso mais importante sobre gestão do crescimento das cidades.

Abrangência – O último Fórum Urbano Mundial, realizado em 2006, em Vancouver, Canadá, teve a participação de mais de 10 mil pessoas, entre governantes de 160 países, parlamentares, autoridades locais, representantes da sociedade civil e do setor privado, acadêmicos e profissionais da área, organizados em seminários, oficinas e painéis de debates. Países como Angola, Argentina, China, México, Portugal, Inglaterra, Estados Unidos e Alemanha participaram do evento.

Local do evento – Os armazéns da Zona Portuária foram revitalizados para receber o Fórum. As obras integram o projeto de revitalização da área portuária do Rio de Janeiro, projeto realizado em parceria pelo governo Federal, Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro e Governo do Estado do Rio.

Serviço:
Fórum Urbano Mundial 5
Data: 22 a 26/03/2010
Local: Zona Portuária, armazéns 2 a 6 e anexos, Rio de Janeiro (RJ)
Entrada gratuita
Informações e Inscrições: wuf5.cidades.gov.br



Ministério das Cidades
Assessoria de Comunicação
(61) 2108.1602

quarta-feira, 17 de março de 2010

Notícia importante sobre a SELIC - Taxa Básica de Juros


Juros permanecem em 8,75%, e país volta a ter maior taxa real do mundo
Fonte: UOL Economia

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira (17), por 5 votos a 3, manter a taxa básica de juros (a Selic) em 8,75% ao ano.

"Avaliando a conjuntura macroeconômica e as perspectivas para a inflação, o Copom decidiu manter a taxa Selic por cinco votos a favor e três votos pela elevação da taxa Selic em 0,5 ponto percentual", informou o Copom em nota. "O comitê irá monitorar atentamente a evolução do cenário macroeconômico até sua próxima reunião, para então definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária."

Com a decisão, de acordo com a UPTrend Consultoria Econômica, o Brasil voltou a ter a maior taxa real de juros do mundo, na projeção para os próximos 12 meses.

De acordo com a consultoria, a elevação de projeções de inflação em alguns países, aliada a diversas quedas de juros mundo afora, alterou novamente a dinâmica do ranking e assegurou ao Brasil o topo como o melhor pagador de juros no mundo.

TAXAS DE JUROS NOMINAIS NO MUNDO

Sem descontar a inflação

País Índice
1º. Venezuela 19,57%
2º. Argentina 9,54%
3º. Brasil 8,75%
4º. Rússia 8,7%
5º. África do Sul 7%
Fonte: UPTrend

Com a Selic mantida em 8,75% ao ano, o Brasil terá uma taxa de juros real projetada para os próximos 12 meses de 4% ao ano.

A taxa atingiu o valor nominal (sem descontar a inflação) de 8,75% primeiramente em julho de 2009. Depois foi mantida nos encontros de setembro, outubro, dezembro e, por último, na reunião desta quarta-feira. O Copom se encontra a cada 45 dias. O atual encontro foi o segundo do ano, e o próximo deve ocorrer e m27 e 28 de abril.

Uma lista elaborada pela UPTrend, que também conta com 40 países, contém as nações com maiores taxas nominais de juros (veja quadro acima).

Os juros são usados como política monetária pelo governo para conter a inflação. Com juros altos, as prestações ficam mais caras e as pessoas compram menos, o que restringe o aumento dos preços.
Um aspecto positivo dos juros altos é que eles remuneram melhor as aplicações. Isso é bom para os investidores brasileiros e também para os estrangeiros, que procuram o país.

Por outro lado, os juros altos prejudicam as empresas, que ficam mais cuidadosas para tomar empréstimos e fazer expansões. Por causa disso, o emprego também não cresce tanto. É em razão desse efeito que os empresários reclamam contra os juros altos.

Quem decide os juros

O Copom foi instituído em junho de 1996 para estabelecer as diretrizes da política monetária e definir a taxa de juros.

O colegiado é composto pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e os diretores de Política Monetária, Política Econômica, Estudos Especiais, Assuntos Internacionais, Normas e Organização do Sistema Financeiro, Fiscalização, Liquidações e Desestatização, e Administração.

Juros no Brasil funcionam como "seguro financeiro", diz Serasa
Fonte: INFO MONEY

Os juros no Brasil funcionam como um “seguro financeiro” contra a inadimplência. A opinião é do presidente da Serasa Experian, Ricardo Loureiro.

De acordo com ele, isso acontece porque, no Brasil, o risco do crédito não é bem dimensionado nem gerenciado, o que prejudica a sua qualidade.

“A cobrança de juros elevados é um repasse da expectativa de perda futura às novas transações, em que o bom pagador paga pelo mau, independentemente de sua reputação creditícia”, explicou.

Modelo de concessão

Uma opção para evitar o uso dos juros como um seguro seria abrir mão das informações negativas, que são imperfeitas e ultrapassadas, de acordo com Loureiro.

Por meio das informações negativas, o mercado opta por emprestar para quem não deveria, segundo o presidente da Serasa.

“Para ilustrar o risco que se assume diariamente no crédito, as estatísticas oficiais mostram os dados do sistema bancário e não se sabe o quanto um cidadão tem de dívidas no comércio, em serviços etc.”.

Cadastro positivo

Para Loureiro, a ruptura deste modelo é urgente, sendo necessária a implementação do cadastro positivo, que considera a posição de todos os compromissos assumidos pelo consumidor, em todos os setores econômicos.

“A partir dos hábitos de pagamento, é conhecido o risco individual, que abre espaço para a prática de juros individualizados. Com a composição dos riscos individuais, se tem o risco coletivo”.

O cadastro positivo é visto como um instrumento que poderia expandir a oferta de crédito no Brasil, que já se encontra em evolução. Em 2005, a proporção do crédito sobre o PIB (Produto Interno Bruto) era de 28,1%, mas passou a 45% no ano passado e a previsão da Serasa é de que chegue a metade do produto neste ano.


BC decide juros; entenda o que está em jogo
Fonte BBC Brasil

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decide nesta quarta-feira se a taxa básica de juros, a Selic, terá algum tipo de alteração ou se o índice será mantido em 8,75% ao ano - a menor taxa da história.

A reunião de diretores e presidente da autoridade monetária ocorre em meio à discussão sobre um possível "excesso" no crescimento econômico, o que já estaria pressionando a inflação para cima.
A maioria dos analistas aposta em um aumento dos juros apenas na próxima reunião do Copom, em abril, mas alguns já esperam uma elevação de 0,25 a 0,50 ponto percentual nesta quarta-feira.

Além de um suposto superaquecimento da economia, os agentes de mercado apontam ainda a proximidade das eleições presidenciais como um fator que também deve influenciar a decisão do Copom.

Entenda o que está em jogo.

Quais são os argumentos a favor de juros maiores? O crescimento de 2% do PIB no 4º trimestre, considerado expressivo, e a geração recorde de empregos formais no mês de janeiro estão entre os indicadores que contribuíram para o argumento a favor da alta dos juros ainda nesta semana.

Os defensores de juros maiores argumentam que o Brasil está crescendo "acima de seu potencial", ou seja, com o consumo mais forte do que a oferta de bens e produtos.

O resultado dessa diferença, segundo alguns economistas, já estaria sendo refletida não apenas na inflação atual, como também na projeção para meses futuros.

O IPCA, medidor oficial da inflação no país, acumula uma alta de 4,83% nos últimos 12 meses. Para este ano, os analistas consultados semanalmente pelo Banco Central esperam um índice de 5,03%.

O centro da meta de inflação no Brasil é de 4,50%, com uma margem de tolerância de dois pontos percentuais para mais e para menos.

A avaliação de alguns economistas, porém, é de que o objetivo do governo deve ser o centro da meta e que seria menos custoso para a economia agir "de forma preventiva".

"Há consenso no mercado de que os juros precisam subir. A questão é quando. E se a questão é essa, por que esperar? Por que correr o risco de a situação se deteriorar?", questiona o economista-chefe da Máxima Asset, Elson Teles, que prevê uma alta de 0,5 ponto percentual nesta quarta.

A Gradual Investimentos, que também aposta em um acréscimo de 0,5 ponto percentual à Selic, diz em seu relatório que a situação "não é dramática", mas que se o BC não agir agora, "nem que seja de forma discreta, pode tornar mais cara a manutenção das expectativas".

O que dizem os defensores da manutenção dos juros? O principal argumento é de que o aumento da inflação verificado no início do ano seria apenas sazonal, ligado por exemplo ao reajuste das mensalidades e à alta de alguns alimentos.
A inflação, portanto, seria apenas "pontual", o que descartaria a necessidade de uma nova elevação dos juros.

O fato de a inflação (IPCA) do mês de fevereiro ter ficado abaixo das expectativas do mercado, em 0,78%, é apontado como um "sinalizador" de que o índice possa estar arrefecendo.

O grupo favorável à manutenção dos juros em 8,75% também ressalta que "ainda é cedo" para o Copom concluir que a economia esteja rodando a uma velocidade excessiva. Essa também é a posição do ministro da Fazenda, Guido Mantega.

O ideal, argumentam, seria aguardar até que os indicadores econômicos mostrem uma tendência, e não apenas efeitos sazonais.

A avaliação da consultoria Tendências, que aposta na manutenção da Selic, é de que haverá uma "acomodação" da economia brasileira nos próximos meses.

"Esperamos um bom crescimento do PIB, mas não vemos esse vigor se mantendo ao longo do ano", diz o economista Bernardo Wijuniski.

Para ele, a retirada dos estímulos fiscais, que impulsionaram o consumo no ano passado, vai permitir uma recuperação "mais gradual".

"Achamos que o BC pode deixar para aumentar a Selic em abril e assim ter mais tempo para olhar os indicadores de março", acrescenta o economista da Tendências.

Ainda segundo Wijuniski, o Banco Central não deu sinais de que aumentaria os juros em seus últimos documentos, um ritual "obrigatório", segundo ele.

Quais são as implicações políticas da decisão? Com a proximidade das eleições presidenciais, a decisão sobre os juros ganha uma relevância política ainda maior.

No Palácio do Planalto, as opiniões estão divididas, segundo um assessor. Parte da equipe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva defende que ainda não há embasamento técnico suficiente para uma alta da Selic nesta semana.

Além disso, aumentar a Selic no momento atual seria "delicado", em função das discussões sobre alianças e anúncios de candidatura.

Um outro grupo, porém, prefere um "pequeno aumento" de 0,25 ponto percentual para já. Nesse caso, o argumento é de que a decisão diminuiria as expectativas de inflação, sem grande impacto eleitoral.

Quais são as consequências de juros mais altos? O aumento dos juros é um dos principais instrumentos para o controle da inflação, mas tem seus efeitos colaterais.

A taxa básica de juros da economia, a Selic, funciona como uma referência para todo o sistema de crédito no país.

Com isso, se a Selic sobe, a tendência é de que os bancos acompanhem esse movimento, cobrando mais caro pelo crédito oferecido a seus clientes.

Mesmo com a Selic a 8,75% ao ano, a menor da história brasileira, ainda assim o país tem a taxa de juros reais (descontada a inflação) mais alta do mundo.

Além disso, quanto mais altos são os juros, maiores são as chances de real se valorizar em relação ao dólar, o que prejudica principalmente os grandes exportadores.

Alguns especialistas defendem que a Selic seja usada para "calibrar" o câmbio, evitando assim uma valorização excessiva do real. Essa é a posição, por exemplo, de representantes da oposição, incluindo o governador de São Paulo, José Serra.

O presidente do Banco Central, no entanto, é contrário à ideia, com o argumento de que o foco da política monetária brasileira é a inflação, e não o câmbio.

Como está a trajetória dos juros em outros países? Durante a fase mais aguda da crise financeira global, a partir do final de 2008, diversas economias, entre ricas e emergentes, entraram em um processo de corte de juros como forma de estimular o consumo.

Alguns países, no entanto, já entraram em uma fase de franca recuperação e passaram a se preocupar mais com o fantasma da inflação do que com as consequências da crise.

Entre os países do G20, o primeiro a adotar o aperto monetário no período pós-turbulência foi a Austrália. O processo começou em setembro passado e taxa do país atualmente é de 4% ao ano.

Em dezembro foi a vez de Israel e Noruega anunciarem a elevação dos juros. De acordo com a previsão de analistas, países como Índia e Malásia devem seguir o mesmo caminho ainda esse ano.

Já as principais economias ricas ainda sofrem com os efeitos da crise continuam preocupadas em estimular seu consumo interno.

Na terça-feira, o banco central americano anunciou que as taxas de juros nos Estados Unidos continuarão baixas "por um longo período", até que existam "claras evidências" de uma recuperação econômica. A taxa de juros americana é de 0,25% ao ano.

Notícias extraídas do editorial de economia do site UOL em 17/03/2010