sexta-feira, 30 de abril de 2010

Crédito já está mais caro


Empréstimos ficam mais caros no país
Crédito já está mais caro
Autor(es): Agencia O Globo/Patrícia Duarte e Lino Rodrigues
O Globo - 30/04/2010

Os bancos se anteciparam à alta de juros fixada pelo BC e já estão cobrando taxas mais altas. Na primeira quinzena do mês, os juros para o consumidor subiram 1,2 ponto, para 42,2% ao ano. Ontem o dólar caiu para R$ 1,732, menor nível desde janeiro.

Bancos antecipam alta da Selic e elevam juro de empréstimos em 1,2 ponto percentual este mês.

Acerteza de que o Comitê de Política Monetária (Copom) elevaria os juros em abril - o que de fato ocorreu na quarta-feira, com a Selic subindo de 8,75% para 9,50% ao ano - interrompeu este mês o movimento, observado até março, de redução das taxas cobradas dos consumidores pelos bancos na hora de conceder empréstimos. De acordo com os números do Banco Central (BC), divulgados ontem, entre os dias 1º e 15 de abril os juros médios para as famílias aumentaram 1,2 ponto percentual, para 42,2% ao ano.

Até o mês anterior, a taxa média das pessoas físicas recuava significativamente. Em março, a queda foi de 0,9 ponto percentual, chegando a 41% ao ano, o menor patamar histórico. Em janeiro, estava em 43% e, no auge da crise financeira, bateu 55% ao mês, em janeiro de 2009.

As empresas também já estão sofrendo os efeitos do ciclo de aperto monetário. Os juros médios cobrados das pessoas jurídicas subiram 0,4 ponto percentual na primeira quinzena deste mês, para 26,7% ao ano. A taxa média para empréstimo do sistema financeiro ficou em 35% no período, uma alta de 0,8 ponto sobre março.

- Tudo indica que o ciclo de juros em queda acabou. E isso deve ser mais visível daqui em diante naquelas linhas cujas garantias são menores, como cheque especial e cartão de crédito - afirmou o economista da consultoria Tendências Alexandre Andradade.

No mês passado, segundo o BC, a maior queda nos juros cobrados às famílias ficou para o crédito pessoal, que passou de 43,8% para 42,7%. Em abril, no entanto, era a modalidade que mais teve sua taxa elevada, chegando a 45,2% no dia 15.

- Os juros cobrados das famílias pelos bancos cresceram, basicamente, em função do crédito pessoal. Reflete também movimentos na curva de juros futuros. Você tem, de fato, uma elevação da curva de juros que se reflete no custo de captação e isso é repassado ao tomador final - afirmou o chefe do departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, para quem o movimento está relacionado à demanda maior que ocorre todo início de ano.

Inadimplência também pode subir

Os juros futuros a que Lopes se refere são contratos negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros em que os investidores projetam a taxa que estará valendo em determinada data, tentando antecipar as decisões do BC. A expectativa do mercado é de que a Selic feche 2010 em 11,75%. O objetivo do BC é segurar a alta da inflação, que vem acelerando com a recuperação econômica do país. A inflação pelo Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) desacelerou em abril, quando subiu 0,77%, ante 0,94% em março, informou a Fundação Getulio Vargas ontem.

Os chamados spreads bancários - diferença entre o custo de captação e a taxa efetivamente cobrada pelos bancos - também refletem a tendência de alta nas taxas. Para as pessoas físicas, houve um refresco em março, com os spreads recuando 1,1 ponto, para 29,7 pontos percentuais. Mas, em meados desse mês, quase toda esta queda havia sido recomposta, com a taxa voltando a 30,8 pontos percentuais.

Andrade, da Tendências, acredita que, com a alta nos juros, a inadimplência deve seguir o mesmo caminho, uma vez que os consumidores terão de lidar com crédito mais caro. Até março, pelo menos, a inadimplência (atrasos de pagamento acima de 90 dias) ainda recuava. Segundo o BC, para pessoas físicas, ela chegou a 7%, menor patamar desde março de 2008, quando ficou em 6,9%.

Para especialistas, nem a concorrência mais acirrada entre bancos públicos e privados deve impedir o repasse para o consumidor, que deve ser imediato. Para Luiz Rabi, economista-chefe da Serasa Experian, sem isso não há eficácia na política monetária.

- Se eles (os bancos) quisessem baixar juros para competir e ganhar mercado, eles já teriam reduzido seus spreads - disse o economista.

O aumento dos juros, combinado com o fim do desconto do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para produtos da linha branca e automóveis, segundo Guilherme Dietze, economista da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP), vai sim funcionar como um desestímulo aos consumidores. A expectativa, diz ele, é de que o repasse da alta da Selic seja feito aos poucos.

Embora reconheça que a alta dos juros represente, na prática, aumento do custo de captação para as instituições financeiras, Rubens Sardemberg, economista-chefe da Febraban (entidade que representa os bancos), diz que é "razoável" esperar que não haja um aumento dos juros bancários na mesma magnitude da alta da Selic. Segundo ele, o bom momento da economia aumentou a disposição dos bancos em expandir a oferta de crédito.

Extrraído de http://www.oglobo.com.br/ em 30/04/2010

quinta-feira, 29 de abril de 2010

E OS JUROS VOLTAM A SUBIR...

JURO SOBE 0,75 APÓS 19 MESES


Autor(es): Agencia O Globo/Patrícia Duarte e Bruno Villas Bôas
O Globo - 29/04/2010

Com o forte aquecimento da economia, o Banco Central elevou os juros básicos em 0,75 ponto percentual, para 9,50% ao ano, após 19 meses sem alta.

Com a decisão, unânime, o BC quer conter a inflação, que chegou a 5,41%. Para economistas, o ciclo de alta pode se estender até 2011. Fundos DI ficaram mais rentáveis que a poupança.

Com a inflação em alta, BC eleva taxa básica para 9,5% ao ano, em decisão unânime. É o 1º aumento em 19 meses

BRASÍLIA, RIO e SÃO PAULO Em meio ao forte ritmo da economia brasileira, que desencadeou uma pressão sobre a inflação, e ao estouro da crise fiscal europeia, o Banco Central (BC) deu início ontem a um novo ciclo de aperto monetário no país, ao elevar os juros básicos em 0,75 ponto percentual, para 9,50% ao ano. A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) foi unânime e, apesar de uma parte do mercado projetar alta de 0,5 ponto, ficou dentro do esperado. A Taxa Selic não subia há 19 meses. Para os economistas, o movimento de alta vai continuar nos próximos encontros do BC, pelo menos até o fim do ano. Pela pesquisa semanal Focus, feita junto ao mercado pelo BC, os economistas preveem a Selic a 11,75% em dezembro, voltando a cair somente em 2011.

“Dando seguimento ao processo de ajuste das condições monetárias ao cenário prospectivo da economia, para assegurar a convergência da inflação à trajetória de metas, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a Taxa Selic para 9,50% ao ano, sem viés”, diz o comunicado emitido após o encontro, que durou três horas.

Com a alta, a taxa real brasileira passa a 4,2% ao ano, mantendo a primeira colocação entre os países com as maiores taxas do mundo. O segundo lugar é ocupado pela Indonésia, com taxa real de 3%, seguida pela China, com 2,8%.

A última vez que o BC elevara a Selic tinha sido em setembro de 2008, de 13% para 13,25%, patamar que começou a ser reduzido em janeiro do ano passado, no auge da crise internacional.

Em julho de 2009, a taxa atingiu seu piso histórico de 8,75%, que perdurou até ontem.

— A atividade econômica está de fato mais forte e o BC já havia antecipado desconforto com isso — afirmou a economista-chefe do ING, Zeina Latif.

Muitos avaliam que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país) neste ano, projetado pelo mercado atualmente a 6%, está acima do potencial brasileiro de expandir-se sem gerar distorções, que seria entre 4% e 5% ao ano. Quando isso ocorre, a demanda (consumo) cresce acima da capacidade de oferta de bens da indústria e de importação da economia, favorecendo aumentos de preços. Ao elevar os juros, o BC inibe o consumo porque encarece o crédito.

As projeções para a inflação acompanham a percepção de que cada vez mais existe este descasamento. A previsão para o IPCA já chega a 5,41% em 2010 e 4,80% em 2011, ambos os números acima do centro da meta oficial do governo, de 4,5%. No caso do IGP-M, indicador que é usado para corrigir aluguéis, e do IGP-DI, os especialistas preveem altas superiores a 8% neste ano: 8,03% e 8,01%, respectivamente.

Apesar de haver razões técnicas para apertar os juros, essa reunião do Copom também foi envolvida por muitos ruídos de ordem política, talvez os mais fortes da gestão do presidente Henrique Meirelles no BC, iniciada em 2003. Não é difícil encontrar especialistas que classificam como confusa a comunicação do Copom neste momento, sobretudo a partir de março, quando o comitê resolveu manter a Selic em 8,75% apesar dos sinais de descontrole da inflação, na avaliação de parte dos analistas.

— O Copom deveria ter subido a Selic em março porque, agora, as expectativas estariam mais ancoradas — afirmou o economista-chefe da Máxima Asset Management, Elson Teles.

Pesou ainda para a desconfiança o fato de que, justamente naquele momento, Meirelles — filiado ao PMDB — estivesse decidindo se saía do BC para ser candidato ou não. Para alguns especialistas, manter a Selic em março passado pode ter tido um viés político, já que Meirelles trabalhava para se tornar candidato a vice-presidente na chapa da pré-candidata à presidência pelo PT, Dilma Rousseff.

Diante das pressões, na última terça-feira — primeiro dia da reunião do Copom — Meirelles saiu em defesa da autonomia da instituição e da primazia das avaliações técnicas.

Mas patinou, na opinião do mercado, ao dizer que o BC “não precisa provar mais nada a ninguém”.

— O BC precisa sim provar sempre para a sociedade o seu trabalho. Não existe autonomia formal que o livre dessa responsabilidade — afirmou o especialista de um grande banco.

Real valorizado e maior déficit externo

Segundo economistas, a elevação tende também a atrair mais dólares para o país, com investidores em busca de maior rentabilidade. Nesse cenário, o real ficaria ainda mais valorizado frente à moeda americana, para uma taxa próxima de R$ 1,75. Bráulio Borges, economista da LCA Consultores, explica que o real valorizado tornará mais barato importar bens e insumos, o que contribui para desacelerar a inflação. Ele acrescenta que 30% do IPCA são de produtos comercializáveis, ou seja, importados ou cotados no mercado internacional. Braulio lembra que o aumento da importação, por outro lado, pode elevar o déficit em conta corrente e pressionar o câmbio.

— O componente de incerteza sobre esse movimento vem da Europa. Se o cenário piorar em países como Grécia, Espanha e Portugal, por exemplo, o dólar vai ganhar força frente ao real e as importações voltarão a ficar caras, acelerando a inflação — explica.

Luis Otávio Leal, do banco ABC Brasil, lembra que em um cenário de crescimento acelerado, os repasses de preços são maiores, já que os estoques rapidamente são substituídos: — Precisamos ver a cara dessa nova crise, mas uma piora pode acelerar a inflação aqui e obrigar um ciclo de ajuste maior na Selic.

Para Alexandre Póvoa, da Modal Asset, o aumento de 0,75 ponto percentual na Selic foi um “bom primeiro passo” do início do ciclo de aumento dos juros. Póvoa diz que a economia pode crescer a um ritmo de 5% ao ano sem provocar inflação, mas dados recentes apontam para um ritmo anualizado de 8% no primeiro trimestre.

Empresários e sindicalistas se uniram nas críticas. Para a Fiesp, que reúne as indústrias paulistas, a decisão coloca em “risco a competência e a autonomia” do BC que estaria “atendendo a interesses de poucos em detrimento de muitos”. Do lado dos sindicatos, a Força Sindical classificou a alta de “equivocada e perversa” para o setor produtivo. Já a Confederação Nacional da Indústria (CNI) alerta que o aumento dos juros terá efeitos negativos mais permanentes sobre a produção.

Na direção oposta a Febraban, federação dos bancos, disse, em nota, que a decisão do BC foi acertada.

O QUE LEVOU À DECISÃO

A elevação da taxa básica de juros, a Selic, ontem pelo Banco Central já era esperada pelos economistas, por causa dos sinais de aquecimento da economia. Como resultado, a inflação vem acelerando. A projeção para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que orienta o sistema de metas do governo, já chega a 5,41% em 2010 e 4,80% em 2011, ambas as expectativas acima do objetivo central oficial, que é 4,5%.

Extraído de http://www.oglobo.com.br/ em 29/04/2010

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Encontro de Negócios - Boas Oportunidades de Negócios


Local: SESI Duque de Caxias - Rua Arthur Neiva n°100, bairro 25 de Agosto, Duque de Caxias-RJ
Data: 8, 9 e 10 de junho
Horário: 14h às 20h
Telefones: 2673-2419 / 2673-3394

OBJETIVO

Fortalecer a negociação entre empresas que atuam no atacado e varejo otimizando custos e tempo.

DE QUE FORMA

O evento reunirá grandes empresas (compradoras), que estarão com os seus departamentos de compras recebendo e cadastrando pequenas e médias empresas como fornecedoras de produtos e serviços.

ATIVIDADES PREVISTAS NO EVENTO

Rodadas de Negócios: Negociação entre as micro, pequenas, médias e grandes empresas.

Exposição de Fornecedores: empresas vão expor (com estandes) produtos e serviços em busca de parcerias lucrativas.

Palestras e Vídeo-Business: Serão realizadas palestras e vídeo-business com temas relevantes para os empresários, tais como marketing, negociação e vendas.

COMO PARTICIPAR

Empresa Expositora: A empresa poderá adquirir um estande com ponto de luz, testeira com nome da empresa podendo escolher a localização. Número limitado, informações pelo telefone 2673-3394 - Firjan Duque de Caxias.

Empresa Visitante: sem custo a participação. Cada empresa poderá indicar até dois participantes e receberá 1 pasta , 2 crachás e 1 catálogo em CD-rom (cadastro de todas as empresas inscritas e com isso tem possibilidade de se transformar em instrumento de marketing para emissão de mala-direta).

BENEFÍCIOS

Para as grandes empresas

- Ampliação do quadro de novos fornecedores;
- Aumento da eficácia na relação comprador versus fornecedor, visando a redução de custos;
- Inserção da empresa no Catálogo de Participantes do Encontro em CD-Rom.

Para as micro, pequenas e médias empresas

- Oportunidade de contato com o departamento de compras de grandes empresas, concentradas em um só local e de forma organizada;
- Oportunidades de negócios;
- Possibilidade de estabelecer parcerias com empresas de diversos portes;
- Inserção da empresa no Catálogo de Participantes do Encontro em CD-Rom;
- Participação nas palestras, vídeo-business e demais atividades que serão realizadas simultaneamente ao evento.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Mais uma Bandeira de Cartão de Crédito !!!

Empresas – BB e Bradesco fazem acordo para criar bandeira de cartões


O maior banco da América Latina, Banco do Brasil, e o segundo maior banco privado do Brasil, Bradesco, anunciaram nesta terça-feira acordo para a criação de uma bandeira brasileira de cartões de crédito e débito.


Os planos envolvem ainda a criação de uma holding que ficará encarregada pelos novos negócios com cartões das duas instituições e pelas participações detidas na empresa de meios de pagamento eletrônicos Cielo.

A criação da holding terá como objetivo ganhos de sinergias e "estruturação de novos negócios de private label, outros negócios afins e construção de um modelo de empresa que possibilite a oferta de cartões com bandeira de atuação em âmbito nacional".

O Bradesco, que tem 54 milhões de clientes, encerrou 2009 com uma base de cartões de crédito e débito de 132,9 milhões, um crescimento de 50,3% em relação ao terceiro trimestre. A instituição comprou o banco ibi, braço financeiro das lojas C&A, em junho do ano passado, elevando sua participação no mercado de cartões de crédito no Brasil de 19% para 22%.

Já o Banco do Brasil terminou 2009 com uma base de cartões de 87,3 milhões e participação em faturamento total de 18,7%, segundo balanço de quarto trimestre.

As ações do Bradesco recuavam 0,16% e as do Banco do Brasil caíam 0,74% às 10h55, enquanto o Ibovespa exibia queda de 1,01%.

As instituições anunciaram na sexta-feira passada a compra de participações adicionais na Cielo do Santander que elevarão a fatia dos bancos brasileiros na companhia de cartões para 28,65%. Os bancos informaram ainda que consideram futuramente ter outro sócio na Cielo.

Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) o mercado brasileiro encerrou março com 628 milhões de cartões, um crescimento de 21% em relação ao total apurado no final do primeiro trimestre do ano passado.

Extraído em 27 de abril de 2010 de :

domingo, 25 de abril de 2010

Edital para Incubadora Afro estão abertas!!!

A Incubadora Afro Brasileira - IA, lançou Edital de Seleção Pública para a pré-incubação de até 200 (duzentos) empreendimentos nas áreas de comércio e serviços, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

Período de Inscrições: 26 de abril a 15 de maio de 2010
Locais:

IPDH - Instituto Palmares de Direitos Humanos
Av. Mem de Sá, 39 - Lapa - Rio de Janeiro
de segunda a sexta-feira, das 09h às 20h
sábado, das 09h às 14h

Secretaria Municipal de Trabalho e Emprego da Prefeitura de Nova Iguaçu
Rua Dr. Luis Guimarães, 956 - Centro - Nova Iguaçu
de segunda a sexta-feira, das 10h às 16h

Sitio da Incubadora Afro Brasileira - http://www.ia.org.br/
Informações
tel (21) 2223 2848

segunda-feira, 19 de abril de 2010

O Poder da China em Cheque!!!


Cinco mitos sobre a economia chinesa
Autor(es): Agência O Globo/ARTHUR KROEBER
O Globo - 18/04/2010

A impressionante ascensão econômica da China é uma das grandes histórias desta geração. Em apenas três décadas, desde que abraçou a economia de mercado, a China deixou para trás sua pobreza desesperadora para se tornar a maior nação exportadora do mundo. A transformação ocorreu tão rapidamente que proliferam mitos e mal-entendidos.

1. A China irá rapidamente ultrapassar os EUA como a economia mais poderosa do mundo.

De acordo com uma pesquisa feita em novembro pela Pew Research Center, 44% dos americanos acreditam que a China já é a maior potência econômica, enquanto 27% põem os EUA nessa posição. Essa percepção está completamente em desacordo com os fatos.

Este ano, a economia da China deverá produzir cerca de US$ 5 trilhões em bens e serviços. Isto irá colocá-la à frente do Japão, como a segunda maior economia, mas ela ainda seria pouco mais de um terço da americana (US$ 14 trilhões), e bem atrás da União Europeia, se tomada como um todo.

Uma razão pela qual a economia chinesa é tão grande é que o país tem 1,3 bilhão de habitantes. Mas o PIB per capita chinês é apenas um sétimo do americano. Em termos de padrão de vida das famílias, a China está ainda mais atrasada. A cada ano, uma família chinesa consome, em média, 1/14 do valor em bens e serviços adquiridos por uma família americana. E, apesar de sua perda crônica de empregos no setor manufatureiro, os EUA ainda são o líder nessa área Em termos de valor dos bens, os EUA respondem por mais de 20% da produção global, cerca de duas vezes mais que a China.

2. O vasto estoque de títulos do Tesouro americano em poder da China significa que Pequim pode tornar Washington refém em negociações econômicas.

A China detém mais títulos do Tesouro americano do que qualquer outro país — cerca de US$ 1 trilhão. Muitos pensam que, com isto, a China é o banqueiro dos EUA e que pode fechar sua linha de crédito a qualquer momento que Washington faça algo que desgoste os líderes chineses.

Mas a posse dos títulos do Tesouro pela China não é o mesmo que um empréstimo regular que um banco concede a uma companhia. Parecem mais com depósitos: seguros, com elevada liquidez e taxas de juro muito baixas.

Como um depositante, a China tem pouca capacidade para dizer a seu banco como ele deve gerir seus negócios.

Ela pode apenas transferir seus depósitos para outro lugar — mas eles são tão grandes que não há outro “banco”.

Os mercados de títulos europeu e japonês não são grandes o bastante para absorver tanto dinheiro da China, nem a China pode comprar campos de petróleo, minas ou imóveis suficientes para aplicar todo seu dinheiro. E o país não pode simplesmente investir todo o dinheiro em sua própria economia, sob pena de ver a inflação disparar. Desta forma, goste-se ou não, Washington e Pequim estão grudados um no outro — e nenhum dos dois tem o poder de tornar o outro refém.

3. Deixar sua moeda apreciar é a coisa mais importante que a China pode fazer para reduzir seu superávit comercial.

Algumas companhias americanas, sindicatos e políticos se queixam que, ao manter uma taxa fixa entre o yuan e o dólar, a China está injustamente tornando seus produtos mais baratos no mercado mundial, ampliando seu superávit às expensas de seus parceiros comerciais.

Certamente, o câmbio é importante, mas é um erro achar que deixar o valor do yuan aumentar magicamente faria o superávit comercial chinês desaparecer. No final dos anos 80, o Japão deixou o iene dobrar de valor, mas seu superávit comercial não cedeu.

De maneira inversa, em 2009 a China manteve o valor do yuan fixo contra o dólar, mas seu superávit comercial caiu em um terço.

De longe, a coisa mais importante que a China poderia fazer para reduzir seu superávit comercial é estimular a demanda interna (inclusive por produtos importados), algo que ela começou a fazer via um maciço programa de investimentos em infraestrutura.

4. A fome da China por recursos está deixando o mundo seco e dando grande contribuição para o aquecimento global.

É verdade que a China é hoje a maior produtora de dióxido de carbono e outros gases-estufa que contribuem para o aquecimento global. E é verdade que a China usa mais energia para produzir cada dólar de seu PIB que a maioria dos outros países, inclusive os EUA. Mas, numa base per capita, o uso de recursos pela China ainda é modesto se comparado aos países ricos. Por exemplo, a despeito do rápido crescimento do uso de automóveis, a China consome cerca de 8 milhões de barris de petróleo por dia. Os EUA consomem cerca de 20 milhões de barris/dia. Os EUA, com apenas 5% da população mundial, respondem por quase um quarto do consumo global de petróleo. De quem é o apetite que causa maior problema? Além disso, ao contrário dos EUA, a China reconheceu que não pode deixar seu apetite por combustível fóssil crescer para sempre e está trabalhando duro para aumentar a eficiência.

5. A economia chinesa cresceu principalmente via cruel exploração de mão de obra barata.

Toda vez que uma economia em desenvolvimento começa a crescer rapidamente, países ricos a acusam de trapacear ao manter os salários e a taxa de câmbio artificialmente desvalorizados.

Mas isto não é trapacear; é um estágio de desenvolvimento natural que caminha para o fim em todo país, como acontecerá na China. Esta cresceu de forma muito similar às outras economias que hoje consideramos maduras e histórias de sucesso responsáveis — incluindo Japão, Coreia do Sul e Taiwan. Estes países investiram pesadamente em infraestrutura e educação, e rapidamente levaram seus trabalhadores de empregos de baixa produtividade em áreas rurais para outros mais produtivos nas cidades.

A China está atingindo esse estágio agora: o número de jovens com idade de entrada na força de trabalho (15 a 24 anos) deverá cair em um terço nos próximos 12 anos. Com trabalhadores jovens mais escassos, os salários não poderão senão subir. Isto já está acontecendo.

No mês passado, a província de Guangdong (maior centro exportador da China) aumentou o valor do salário mínimo em 20%.

A China ainda tem grande quantidade de trabalhadores se dirigindo do campo para as cidades, mas a era do trabalhador chinês ultrabarato em breve ficará para trás.

ARTHUR KROEBER é diretor-gerente da GaveKal-Dragonomics, empresa de pesquisas em Pequim. © The Washington Post.
Extraído de www.oglobo.com.br

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Economia Internacional


O BRIC e o desafio de construir uma nova ordem mundial

Reunidos em Brasília nesta quinta-feira (15), os dirigentes dos países que compõem o BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) se defrontam com o desafio de debater, propor e começar a construir uma nova ordem econômica e política mundial num cenário ainda marcado pela mais grave crise do capitalismo desde o pós-guerra, o declínio dos EUA e a mudança da correlação de forças da geopolítica internacional, com a emergência de novos protagonistas de peso.
 
Por Umberto Martins

BRIC é um acrônimo criado em novembro de 2001 pelo economista Jim O´Neill, do banco Goldman Sachs, que reuniu os quatro países por características comuns como a dimensão territorial, a demografia e o potencial de crescimento. O´Neill estimou, na época, que até o final de 2050 o grupo vai se transformar na principal força da economia mundial.

Interesses convergentes

Inicialmente, o conceito não teve grande repercussão, mas o caminho percorrido pela história desde então parece justificar as previsões de O´Neill, enquanto a necessidade de fortalecer os laços econômicos e políticos entre os países do BRIC levou à formação de um bloco político informal, que realiza agora no Brasil a sua segunda reunião.

Brasil, Rússia, Índia e China detêm 26% do território, 42% da população e 14,5% do PIB mundial. Nos últimos cinco anos, contribuíram com mais de 50% da expansão do PIB mundial, de acordo com estatísticas exibidas por acadêmicos no seminário realizado em Brasília 4ª feira (14) pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA).

Os laços econômicos e políticos no interior do BRIC também foram fortalecidos. Um sinal disto, entre outros, é o fato da China ter se transformado, em 2009, na principal parceira comercial do Brasil, desbancando os EUA. As dessemelhanças e assimetrias, assim como a proeminência chinesa, também são notáveis, embora aparentemente não constituam um obstáculo intransponível à unidade política.

Proeminência chinesa

De acordo com informações do pesquisador Zhang Yuyan, da Academia de Ciências chinesa, apresentados no seminário do IPEA, a China, sozinha, responde por 7,1% do PIB mundial e se os países do BRIC realizam 14,5% das exportações mundiais, nada menos que 9,1% são responsabilidade daquela nação asiática, que lidera o ranking das vendas internacionais e vem também ocupando fatia crescente do comércio com Brasil, Rússia e Índia.

Todavia, os interesses comuns são consideráveis e cresceram no rastro da crise mundial. O BRIC sofreu menos os impactos da recessão americana e se recuperou mais rapidamente, puxando a economia internacional para o leito do desenvolvimento. Isto fortaleceu politicamente o “bloco”.

Conforme afirmou o diretor do Instituto de Estudos da Ásia e Pacífico, Li Xiangyang, durante o seminário, enquanto as potências europeias, o Japão e os EUA continuam atolados na crise, com pálidos sinais de recuperação e lidando com assombrosos déficits fiscais, os problemas dos países do BRIC decorrem do crescimento, que alguns consideram excessivo, pressões inflacionárias e fluxo de capitais estrangeiros especulativos.

Ordem mundial caducou

A crise evidenciou o esgotamento da ordem capitalista mundial, herdada do pós-guerra e ancorada na supremacia do dólar, e acentuou a necessidade de uma nova ordem, em harmonia com o desenvolvimento desigual, especialmente da China, e a mudança consequente da correlação de forças no plano econômico.

O que está em foco, de acordo com o ministro de Assuntos Estratégicos, Samuel Pinheiro Guimarães, é “saber se algumas nações continuarão a se achar superiores e, portanto, com mais direito ou não”. Na mesma linha, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, ponderou que a intenção não é formar uma “aristocracia dos emergentes”, mas dar voz e poder aos mais pobres.

“Essa perspectiva”, observa o presidente do IPEA, Marcio Polchmann, “nos coloca numa posição estratégica para fazer proposições que estejam em sintonia com os desafios mundiais. São problemas comuns, como é o caso do meio ambiente, a mudança do perfil de consumo nos países, a questão monetária e a governança global".

Questão nuclear

“Estamos num processo de rearticulação do sistema político e econômico internacional e, nesse processo ou as regras continuarão a privilegiar alguns países ou teremos uma situação de acordo com a dimensão das nossas sociedades”, salientou Pinheiro Guimarães. Entre os problemas candentes destaca-se os da chamada questão nuclear.

"Precisamos saber quem controlará o processo nuclear", disse o ministro de Assuntos Estratégicos. "No fundo há uma disputa tecnológica e científica entre países" . A tentativa das potências ocidentais de impedir o desenvolvimento da tecnologia nuclear no Irã, Coreia do Norte e outros países reflete isto.

O Brasil adotou uma posição firme a este respeito, apesar da pressão dos EUA, rejeitando sanções contra o país persa e pregando o diálogo e, a julgar pelo ministro Celso Amorim, a posição do Brasil se aproxima da que é defendida hoje pela China, apesar da mídia americana ter divulgado a falsa versão de que os dirigentes chineses estão afinados com a tática do imperialismo americano, de impor novas sanções aos iranianos.

Substituição do dólar

Outro dilema avaliado pelo BRIC é de um novo Sistema Monetário Internacional (SMI), que passa pela substituição do padrão dólar como moeda internacional. Isto não vai ser resolvido a curto prazo, mas iniciativas embrionárias neste sentido como a diversificação das reservas (ainda atreladas ao dólar) e experiências de trocas comerciais com moedas locais na América Latina e na Ásia.

“O atual sistema monetário internacional é desfavorável aos países em desenvolvimento”, comentou Li Yang, que também defendeu mudanças no FMI e, segundo o jornal Valor (15-4), foi apoiado por Marcio Polchmann, que preconizou uma aliança entre os países do BRIC para “um novo padrão de consumo e produção”. O Brasil e a Rússia também estão defendendo transações comerciais entre os países do grupo com base nas moedas próprias, descartando o dólar.

Ao lado da reunião do BRIC, Brasília também foi palco de uma outra importante reunião, a 4ª Cúpula dos Chefes de Estado e de Governo do IBAS (grupo composto por Índia, Brasil e África do Sul), cujo documento final (Declaração de Brasília) defende uma reforma urgente da ONU e a conclusão da Rodada Doha no âmbito da Organização Mundial do Comércio.

As duas reuniões (do BRIC e do IBAS) apontam a mesma necessidade de uma reformulação urgente e ampla da ordem econômica e política internacional, que ficou ainda mais caduca após o estouro da crise mundial do capitalismo nos EUA.

Extraído do portal Vermelho em 16 de abril de2010

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Informe Internacional da ordem do dia

AMÉRICA LATINA TEM COM A CHINA RELAÇÕES COMERCIAIS DO SÉCULO 19

1. As enormes importações de matérias primas latino-americanas por parte da China foram um presente para a região. O comércio bilateral foi de 10 bilhões de dólares em 2000, contra mais de 140 bilhões de dólares em 2008 e ajudou América Latina sobreviver à crise. No entanto, a Cepal afirma que o comércio entre a China e a AL, que cresceu 30% ao ano na ultima década, crescerá até 2020 a metade disso.

2. São três os problemas. Em primeiro lugar, as exportações para a China dependem muito de um pequeno número de matérias primas, seja a soja argentina e brasileira, o cobre chileno ou peruano, o petróleo venezuelano... Osvaldo Rosales, da Cepal, disse: "Nos estamos conectando com o motor da economia mundial do século 21, com exportações do século 19 para a China".

3. Em segundo lugar, os acordos de livre comércio entre a China e os 10 países da Asean (associação dos países do sudeste asiático) prejudicarão as exportações latino-americanas. A partir de agora essas nações além do Vietnam, Filipinas, Malásia e Indonésia, podem exportar frutas, vegetais, ferro e produtos manufaturados à China sem pagar impostos aduaneiros.

4. Em terceiro lugar, as moedas fortes latino-americanas dificultarão ainda mais a capacidade de concorrência com os países asiáticos. Brasil é um exemplo. Rosales recomenda que a região se una para negociar um acordo econômico com a China, para gerar investimentos e poder vender mais produtos industrializados. Os acordos bilaterais não têm força para isso.

Mais informações:
CEPAL: China será el segundo mercado para América Latina en la próxima década

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Erradicação do trabalho infantil: livro da OIT


lMinistério da Saúde e OIT lançam o livro: Boas Práticas do Setor Saúde para Erradicação do Trabalho Infantil


BRASÍLIA (Notícias da OIT) – O Ministério da Saúde e a Organização Internacional do Trabalho (OIT), por intermédio do Programa Internacional para a Eliminação do Trabalho Infantil (IPEC, pela sigla em inglês), estão lançando uma nova publicação destinada a reforçar o combate a esta prática. O lançamento do livro Boas Práticas do Setor Saúde para a Erradicação do Trabalho Infantil ocorrerá durante a Oficina do Trabalho Infantil, no dia 16 de março de 2010, promovido pela Procuradoria Geral do Trabalho, em Brasília.

No Brasil, a Organização Internacional do Trabalho (OIT), por intermédio do IPEC, implementa ações de cooperação técnica desde 1992. Com o intuito de promover a articulação e a mobilização de iniciativas nacionais de combate ao trabalho infantil, a OIT, através do IPEC tem buscado estimular a cooperação entre entidades nacionais e internacionais, como parte do seu compromisso com a promoção do trabalho decente no país, como lembra a Diretora do Escritório da OIT no Brasil, Laís Abramo.

Dentre as mais bem sucedidas estratégias desenvolvidas nos últimos anos, destacam-se as ações na área da saúde. Nesse contexto, as ações da OIT/IPEC, de contribuir com estratégias para a eliminação e prevenção do trabalho infantil, têm alcançado um sensível e favorável impacto e têm sido usadas como referência em contextos e países diversos.

Tal sucesso pode ser justificado, principalmente, pela eficaz coordenação de esforços dos entes envolvidos. O Ministério da Saúde e a OIT, sempre contando com o apoio técnico do Núcleo de Estudos da Saúde do Adolescente (NESA) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), foram responsáveis pelo desenho e adoção de estratégias inovadoras de pesquisa, treinamento e sensibilização de profissionais de saúde de todo o país, afirma Laís Abramo. “ Por todo Brasil, profissionais da Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador, além de membros da Rede de Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente foram apresentados às novas metodologias de identificação de casos de trabalho infantil. Além disso, os profissionais e entidades foram sensibilizados sobre a importância de seu engajamento para uma atuação coordenada de proteção de crianças e adolescentes expostos precocemente ao trabalho”, afirma a Diretora da OIT.

A publicação é resultado de uma parceria entre a OIT, a Coordenação Geral de Saúde do Trabalhador - COSAT do Ministério da Saúde, do Núcleo de Estudos da Saúde do Adolescente - NESA da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ e descreve exemplos de experiências bem sucedidas no Setor Saúde que têm contribuído para a Erradicação do Trabalho Infantil e Proteção ao Trabalhador Adolescente no Brasil, com o intuito de conferir a necessária visibilidade à importância de uma saúde pública que garanta o direito à infância e à adolescência saudável no país.

Mais informações veja em: http://www.oitbrasil.org.br/
Download do livro em:

sábado, 10 de abril de 2010


Apresento a História das Coisas, versão brasileira do documentário The Story of Stuff, de Annie Leonard:


O que é História das Coisas ?

Da extração e produção até a venda, consumo e descarte, todos os produtos em nossa vida afetam comunidades em diversos países, a maior parte delas longe de nossos olhos.

História das Coisas é um documentário de 20 minutos, direto, passo a passo, baseado nos subterrâneos de nossos padrões de consumo.

História das Coisas revela as conexões entre diversos problemas ambientais e sociais, e é um alerta pela urgência em criarmos um mundo mais sustentável e justo.

História das Coisas nos ensina muita coisa, nos faz rir, e pode mudar para sempre a forma como vemos os produtos que consumimos em nossas vidas.

ASSISTA AGORA ABAIXO!!!



sexta-feira, 9 de abril de 2010

Faturamento de pequenas empresas cresce 12,9% em fevereiro
Do Sebrae/SP

Trata-se do quinto mês consecutivo com aumento na receita real, no comparativo com o mesmo mês do ano anterior

As micro e pequenas empresas (MPE) do Estado de São Paulo registraram crescimento no faturamento real de 12,9%, em fevereiro de 2010, na comparação com o mesmo mês em 2009. Trata-se do quinto mês consecutivo com aumento na receita real, no comparativo com o mesmo mês do ano anterior.

Em fevereiro deste ano, todos os setores apresentaram crescimento de faturamento: indústria (+22,4%), comércio (+10,7%) e serviços (+10,5%) comparados ao mesmo mês do ano anterior.

Na evolução de janeiro para fevereiro de 2010, o faturamento teve alta de 2,3%. Com esses resultados, as MPE fecharam o 1º bimestre de 2010 com aumento de 9,6% na receita real, sobre o 1º bimestre de 2009. A receita total das pequenas empresas em fevereiro de 2010 é avaliada em R$ 21,8 bilhões, levando em conta o universo de 1.326.354 de micro e pequenas empresas no Estado. A estimativa do faturamento médio por empresa em fevereiro de 2010 foi de R$ 16.445,71.

Para o diretor-superintendente do Sebrae/SP, Ricardo Tortorella, o resultado do estudo está associado à retomada das atividades das empresas de micro e pequeno porte: "O ritmo é de recuperação econômica. É um momento oportuno para ampliar o ambiente favorável aos pequenos negócios, com instrumentos como desburocratização, microcrédito e políticas de compras governamentais. Nesse sentido, o Sebrae/SP vem promovendo esforços para que os municípios regulamentem suas leis gerais para as MPE. No estado de São Paulo, 102 municípios já regulamentaram a legislação em favor dos pequenos negócios".

Regiões -; O interior de São Paulo teve o melhor desempenho no comparativo de fevereiro entre 2009 e 2010 com aumento de 14,5% no faturamento. Nas demais regiões analisadas pelo estudo permanece o viés de alta: município de São Paulo (13,3%), Região Metropolitana de São Paulo (11,4%) e Grande ABC (10,7%).

Quanto às expectativas para os próximos seis meses, 35% dos proprietários de MPE declararam esperar aumento no faturamento da empresa e 52% informaram esperar manutenção no nível de receita do negócio, nos próximos seis meses. Em março de 2010, proporção dos informantes que não souberam avaliar como evoluirá a receita da empresa subiu a 11%%, diante dos 6% constatados em fevereiro.

Segundo o Sebrae/SP, é provável que a tendência de aumento dos juros básicos (taxa Selic), a expectativa de crescimento de inflação e as turbulências nas economias do sul da Europa tenham contribuído para esse aumento no nível de incerteza. De acordo com o consultor do Sebrae-SP, Pedro Gonçalves, apesar desse aumento da incerteza, os proprietários de MPE se mantêm relativamente otimistas, inclusive quanto ao nível de atividade na economia: 88% dos proprietários de MPE acreditam em manutenção ou melhora no nível de atividade econômica.

Em São Paulo, existem 1,3 milhões de micro e pequenas empresas, 98% do total de empresas formais, que ocupam de cinco a seis milhões pessoas, 67% do pessoal ocupado no setor privado. Nas entrevistas para composição dos Indicadores Sebrae-SP são entrevistados proprietários de 2.716 (MPE), em parceria com a Fundação SEADE (Sistema Estadual de Análise de Dados).

Extraído de :

Falta por chuva não justifica desconto no salário, dizem especialistas
Gabriela Gasparin

Ausência deve ser justificada à empresa por motivo de força maior. Funcionários precisam provar que não conseguiram chegar ao trabalho.

Os profissionais que faltarem ao trabalho nesta terça-feira (6/4) por não conseguirem chegar na empresa devido às fortes chuvas que atingem o Rio de Janeiro não podem ter as faltas descontadas do salário pelo empregador, afirmam advogados trabalhistas.


O motivo a ser alegado para a falta, de acordo com os especialistas, é o de força maior, uma vez que as ruas estão alagadas e o próprio prefeito da cidade do Rio, Eduardo Paes, pediu para que as pessoas não saiam de casa.

Por conta da tragédia climática, as faltas tanto de profissionais contratados pelo regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) quanto de funcionários públicos não podem ser descontadas, disse a advogada trabalhista Glaucia Barreto.

A especialista afirmou que a situação é a mesma caso seja decretado estado de calamidade pública na cidade, uma vez que, mesmo sem o decreto, a locomoção pelas ruas está visivelmente complicada.

O advogado trabalhista Alan Balaban Sasson afirma que é importante os trabalhadores guardarem provas de que não conseguiram chegar ao trabalho, como reportagens sobre as enchentes e, nesse caso, até mesmo a fala do prefeito pedindo para que as pessoas não saiam de casa.

De acordo com ele, se mesmo com a justificativa a empresa descontar o dia, o empregado pode procurar a Justiça para reaver o desconto.

Horas compensadas

Para o advogado Marcos César Amador Alves, os funcionários terão de compensar as horas de trabalho para a empresa em outros dias. Segundo ele, um exemplo é ficar uma hora a mais nos dias seguintes até completar o total de horas do dia da falta sem receber pelas horas extras.

"A empresa não pode descontar o dia, mas pode pedir que as horas sejam compensadas", afirmou.

De acordo Amador Alves, exceções são quando há acordos coletivos com sindicatos das categorias que prevêem o abono da falta ou quando o próprio empregador dispensa o funcionário de pagar as horas.

Trabalho de casa

A gerente de compras Juliana Saldanha do Prado, de 30 anos, que mora no Recreio dos Bandeirantes e trabalha no centro do Rio, disse que desistiu de sair de casa quando foi avisada pelo marido da impossibilidade de transitar pela cidade. O marido, segundo ela, saiu de casa às 6h e avisou do caos nas ruas. “Ele tentou ir para o trabalho, mas acabou voltando para casa”, disse.

Juliana então ligou para os funcionários e avisou que eles não precisavam ir ao trabalho. A solução encontrada por ela foi pedir para que todos trabalhassem de casa. “Estamos nos falando por Skype e MSN”, disse.

A advogada Ana Paula Augusto de Oliveira, de 26 anos, que mora na região da Barra, até tentou ir ao trabalho, no centro, mas não conseguiu chegar. “Tentei ir porque tinha um processo importante para resolver, mas não consegui chegar”, disse. Ana Paula contou que as colegas ligaram para avisar que não estavam conseguindo chegar e a própria chefe do escritório ligou avisando que seria perigoso sair de casa.

“Pensei em ir trabalhar á tarde, caso a chuva passe, mas aí corremos o risco de voltar a chover e não conseguir voltar”, disse.

http://g1.globo.com/Noticias/Concursos_Empregos/0,,MUL1558782-9654,00-FALTA+POR+CHUVA+NAO+JUSTIFICA+DESCONTO+NO+SALARIO+DIZEM+ESPECIALISTAS.html

 

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Artigo

Câmbio e Pobreza

A população do Brasil se situa em torno de 200 milhões de habitantes. Segundo estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), teríamos mais de 130 milhões entre pobres e indigentes (67,1%da população), mas, devido a programas sociais do governo federal, incluindo o Bolsa-Família, 45 milhões de pessoas (22,5%) deixaram de fazer parte desse grupo.

Mesmo assim, a miséria é indisfarçável, o que se pode observar no baixo aproveitamento escolar de nossas crianças e jovens. No passado, tínhamos menos escolas, porém muitas pessoas se esforçavam para aprender a ler e escrever e, com esforço próprio, conseguiam se elevar na escala social. As pessoas tinham mais iniciativa, queriam aprender a fazer novas coisas, executavam o trabalho com esmero, e assim o Brasil cresceu. Hoje, está difícil contratar pessoal habilitado, até mesmo para exercer as funções mais simples, como jardineiros, domésticas, auxiliares em geral para restaurantes, etc. Falha da escola? Ou aumento do despreparo para a vida?

É preciso orientar as pessoas para se envolverem com o que fazem, aprendendo sempre e com esforço, para que possam exercer suas atividades com qualidade. O homem deve ser o eterno aprendiz, caso contrário, nunca vai para frente.

Mas não podemos agir de forma inadequada como frequentemente ocorre nos negócios internacionais. Os países retardatários como o Brasil eram incentivados a importar acima de sua capacidade econômico financeira. As exportações ficavam aquém do que se importava. Para isso, íamos recebendo crédito e mais crédito e pagando encargos financeiros, mas as dívidas eram repassadas de governo para governo e a população que assumisse o passivo. Criou-se um comodismo e a economia ficou estagnada por longo período.

Enquanto alimentávamos o fortalecimento da indústria de outros países, ficávamos remetendo muito dinheiro para os cofres dos banqueiros internacionais, e se não houver muito cuidado, tal situação logo poderá estar de volta. O economista Professor Bresser Pereira tem chamado a atenção para o fato de que “boa parte dos recursos entrados no país acaba indiretamente financiando o consumo por meio da valorização do câmbio. Isso não ocorreria se o investimento direto não financiasse déficit em contra corrente, mas se constituísse em recurso que o país usa para fazer seus investimentos e aplicações financeiras externas como faz a China”.

No meio empresarial, só em situações desesperadoras ou alucinadas os empresários tomariam empréstimos para cobrir déficits. Os empréstimos devem ser aplicados para a realização de investimentos e o capital de giro deve ser alimentado com o produto das vendas realizadas. O equilíbrio nas contas é vital para o desenvolvimento.

Com o aumento das dívidas do País, o passivo social também se elevou, e o “circo” foi estendido a todos os rincões, e agora vai ao “feijão com farinha” na bolsa da família. O que está sendo feito na área social é muito importante para reduzir a miséria, no entanto, o Brasil precisa de uma população que, além de bem alimentada, seja bem reparada, esperançosa na conquista de um melhor futuro, com garra e coragem para enfrentar os desafios, como seres humanos autônomos e aptos para evoluir continuamente.

Benedicto Dutra - Administrador de empresas, escritor e palestrante
Texto extraído de:
O divórcio do arroz e do feijão - Pesquisa
Catarina Alencastro do Jornal O Globo em 08/04/2010

Brasil come cada vez pior e nem mesmo prato tradicional sobreviveu a "fast food"

Opadrão alimentar do brasileiro mudou - e para pior.

Ele passou a consumir mais frutas e verduras, porém continua a comer muita carne gordurosa e tem optado por alimentos práticos, como comidas semiprontas, que são menos nutritivas. O supernutritivo feijão, que fazia o famoso par com o arroz, também perdeu espaço na mesa dos brasileiros, que, para agravar o quadro, se exercitam menos. Essas conclusões foram divulgadas ontem pelo Ministério da Saúde, que entrevistou 54.367 pessoas entre os dias 12 de janeiro e 22 de dezembro do ano passado.

- Vivemos uma transição alimentar bastante negativa. Nosso querido feijão, que é uma fonte fantástica de fibra e proteína, tem sido menos consumido. Já a ingestão de refrigerantes tem aumentado, assim como a de sucos artificiais. Isso expressa mudanças na dinâmica da família brasileira, que está com menos tempo de preparar comida em casa - observa o ministro da Saúde, José Gomes Temporão.

O consumo de frutas e verduras cresceu, mas ainda é insuficiente

Rio consome mais frutas e hortaliças

Segundo o levantamento, 30,4% da população com mais de 18 anos comem frutas e hortaliças cinco ou mais vezes na semana. Entre os entrevistados, 18,9% disseram consumir cinco porções diárias (cerca de 400 gramas) desses alimentos, mais do que o dobro do contingente que revelava ter esse saudável hábito - que é recomendado pela Organização Mundial de Saúde - em 2006.

No Rio de Janeiro, o consumo frequente de frutas e hortaliças é maior do que a média nacional: 31,9%, sendo que as mulheres estão mais atentas a isso: 37,8% das cariocas comem frutas e hortaliças pelo menos cinco vezes por semana, contra 24,9% dos homens que moram no Rio.

Uma boa notícia apresentada ontem foi a redução da ingestão de carnes com excesso de gordura em 15,8%. No ano passado, 33% dos adultos disseram que comem esses alimentos, contra 39,2% em 2006.

No Rio, a preocupação em optar por carnes mais leves é maior do que na maioria das capitais brasileiras: somente 26,7% dos cariocas escolhem as carnes gordurosas. Este é o terceiro menor consumo registrado nas capitais do Brasil, atrás de Salvador (24,4%) e Recife (26,2%).

O dado negativo é que os refrigerantes e sucos artificiais - que têm alta concentração de açúcar - têm ganhado espaço na preferência dos brasileiros. Ao todo, 76% dos adultos bebem esses produtos pelo menos uma vez na semana e 27,9%, cinco vezes ou mais na semana. O consumo quase diário aumentou 13,4% em um ano. Entre os jovens de 18 a 24 anos, a popularidade dos refrigerantes é ainda maior: 42,1% bebem refrigerantes quase todos os dias. E embora o mercado ofereça versões com menos açúcar, como os diet e os light, somente 15% dos brasileiros optam por eles.

Cariocas ainda amam o feijão

Enquanto isso, o feijão vem perdendo prestígio nas cozinhas do país. Em 2006, 71,9% da população revelava comer o grão ao menos cinco vezes na semana. Mas, no ano passado, o consumo frequente caiu para 65,8%. No Rio, no entanto, a média de consumo do feijão ainda é alta: 71,7%. O alimento, rico em ferro e fibras, tem preparo demorado, o que, segundo o Ministério da Saúde pode explicar esse resultado.

- O feijão requer tempo de preparo e pressupõe uma comida caseira.

Com a mudança no estilo de vida da população, ele está saindo da rotina do brasileiro - avalia Deborah Malta, da Secretaria de Vigilância em Saúde do ministério.

O aumento do sedentarismo também é uma questão que preocupa o governo. Atualmente, 16,4% dos brasileiros se encontram nessa situação, 24% a mais do que o índice registrado há quatro anos. Associada aos maus hábitos alimentares, a falta de exercícios físicos regulares é um dos principais pré-requisitos para o aparecimento de doenças crônicas, como diabetes, obesidade e diversos tipos de câncer. Apenas 14,7% dos adultos praticam algum tipo de atividade regular (30 minutos diários, cinco vezes por semana).

Considerando aqueles que se deslocam para o trabalho ou para escola a pé ou de bicicleta, o índice sobe para 30,8%. No Rio, o percentual de pessoas que dizem praticar regularmente algum exercício é de 16,1%. Os homens cariocas saem na frente das mulheres nesse quesito: 19,9% contra 13%.

Fonte: Jornal O Globo de 08/04/2010

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Livro: Combatendo a Desigualdade Social


Democracia agrária
Rodrigo Martins


Professor da American University (EUA), Miguel Carter pesquisa há quase duas décadas os conflitos fundiários e a luta pela terra no Brasil. Nascido no México e criado no Paraguai, o cientista político percorreu mais de 160 mil quilômetros a bordo de um fusca preto pelos rincões do Brasil desde 1987, quando, ainda estudante, decidiu desbravar o interior com um mochilão nas costas. No início dos anos 90, já com uma bolsa de estudos da Columbia University, voltaria à rotina de viagens pelo País, desta vez com uma proposta de pesquisa mais elaborada, dedicada a lançar luzes sobre a questão fundiária brasileira.

O pesquisador acaba de lançar um livro sobre o tema, Combatendo a Desigualdade Social – O MST e a reforma agrária no Brasil (Editora Unesp, 564 págs., R$ 65). Trata-se de uma coletânea de artigos escritos por renomados pesquisadores de universidades brasileiras, europeias e dos Estados Unidos, um trabalho que tem sido coordenado e organizado por Carter desde 2003.

Na obra, Carter destaca a importância da reforma agrária para reduzir as desigualdades sociais e defende a necessidade- de o Estado investir em políticas de redistribuição de renda. “Os estudos compravam que, quando temos uma situação de extrema desigualdade, isso atrapalha o desenvolvimento econômico.”

CartaCapital: No Brasil, há quem defenda que o País precisa crescer antes de repartir suas riquezas. O senhor defende o inverso. Por quê?

Miguel Carter: O Banco Mundial e o Bando Interamericano de Desenvolvimento (BID) têm feito estudos importantes, inclusive com avaliações econométricas, comprovando que, quando temos uma situação de extrema desigualdade, isso atrapalha o desenvolvimento econômico. Quem não tem acesso ao crédito, à terra e à educação não tem condições de produzir nem consumir, e isso impede o PIB de crescer. Nancy Birdsall, do Center for Global Development, comparou o desempenho da economia brasileira com o da Coreia do Sul, país que, após a Segunda Guerra Mundial, promoveu uma reforma agrária radical. E, ao fazer uma simulação, constatou que a economia brasileira teria crescido 17,2% mais entre 1960 e 1985 se tivesse os níveis sul-coreanos de igualdade social. A disparidade de renda custou ao Brasil ao menos 0,66% do PIB todos os anos.

CC: O que há de errado com o modelo de desenvolvimento?

MC: A questão central é o tipo de crescimento que estamos promovendo. De acordo com um relatório do Banco Mundial, o Brasil poderia reduzir a pobreza pela metade em dez anos com um crescimento de 3% e uma melhora do coeficiente Gini (indicador de desigualdade) de 5%. No entanto, o País levaria 30 anos para cumprir esse objetivo com os mesmos 3% de crescimento e nenhuma melhora na distribuição de renda.

CC: A reforma agrária é, de fato, capaz de reduzir as disparidades sociais?

MC: Ela é fundamental. Não é o único instrumento. Tem vários outros, como política salarial, de previdência, educação... É o conjunto dessas políticas que pode mudar o quadro de extrema desigualdade. O Brasil melhorou a distribuição de renda, mas ainda é o décimo país mais desigual do mundo. A reforma agrária pode contribuir para a redistribuição das riquezas, além de evitar o êxodo rural e estimular o desenvolvimento local. O Brasil poderia seguir o exemplo de diversos países asiáticos, que há décadas fixaram limites para o tamanho da propriedade rural. Na Coreia do Sul, é de 3 hectares . No Japão, varia de 1 a 10 hectares , conforme o acesso à irrigação.

CC: A que se deve o atraso brasileiro em promover uma ampla reforma agrária?

MC: O principal fator é o poder que tem a elite agrária no Brasil. Desde o tempo de Colônia, é um setor muito forte. Joaquim Nabuco e outros liberais já falavam em reforma agrária na época do Império, mas essa discussão sempre foi barrada. Getúlio Vargas, na década de 30, deu direitos aos trabalhadores urbanos, mas nem sequer permitiu a legalização dos sindicatos rurais. A classe camponesa foi a mais marginalizada e a que sofreu as piores repressões, nos diversos momentos autoritários.

CC: De que forma o governo favoreceu a elite agrária?

MC: No regime militar, o governo decidiu investir no fortalecimento e na modernização da agricultura, com uma grande carga de subsídios. Até hoje o volume de gastos estatais com o chamado agronegócio é muito superior ao pago à agricultura familiar. Estima-se a existência de 22 mil grandes proprietários que receberam, entre 1995 e 2005, algo em torno de 58,2 bilhões de dólares do governo federal. Ao passo que mais de 6,1 milhões de camponeses receberam apenas 10,2 bilhões no mesmo período. Essa política de forte estímulo à agricultura empresarial, em detrimento dos pequenos produtores, é fruto da ditadura.

CC: O que explica o surgimento de um movimento como o MST nesse cenário desfavorável?

MC: Após a redemocratização do País, criou-se um espaço para reivindicações, com maior liberdade de associação. É nesse contexto que surgem os movimentos sociais. No campo, o MST é o maior deles, o mais reconhecido. Mas a reforma agrária promovida nos últimos anos foi conservadora. Houve alguma redistribuição de terra, mas sempre após longos processos burocráticos e de forma residual. Não se redistribui terra pensando em mudar a estrutura agrária. E quase sempre isso ocorre em locais que não são de interesse da elite. Em áreas afastadas, na Amazônia, ou em pastagens não muito valorizadas.

CC: O que garantiu o êxito do MST?

MC: O MST decidiu bem cedo criar um movimento nacional, com dinâmica de mobilização de massas. E conseguiu isso com um êxito sem precedentes na história do Brasil. Juntar 12 mil pessoas, em 17 dias, para uma marcha pelo País em 2005, é uma coisa inédita não apenas na história brasileira como do mundo inteiro. Além disso, o MST criou importantes estratégias. Articulou-se em rede, criou uma estrutura descentralizada, baseada em processos decisórios coletivos. Não existe reforma agrária sem o Estado, assim como é muito difícil o governo promovê-la sem que haja reivindicação, uma demanda organizada. E o MST surge para organizar essa demanda. O movimento contribui para a democratização do País.

CC: Por quê?

MC: O MST vai aonde está a população mais pobre do Brasil e a convida para participar do movimento. O pessoal envolve-se nos acampamentos, aprende sobre os seus direitos, conhece a política do Brasil. Criam-se assim verdadeiras escolas de cidadania. As pessoas de fora entendem essa dinâmica melhor que vários intelectuais do Brasil, que veem uma ocupação de terra como um grande desrespeito ao Estado de Direito. Eles não entendem que a luta pela democratização implica choques desse tipo. Ás vezes é preciso violar certas leis em razão de um princípio maior. Os movimentos sociais não são inimigos, são arquitetos de uma nova ordem jurídica. O movimento operário, por exemplo, foi fundamental para a criação das atuais leis trabalhistas.

CC: E como o Judiciário se porta diante dessas demandas?

MC: O Judiciário, de modo geral, é um grande obstáculo. Não porque as leis são as piores. A lei permite a reforma agrária. O problema é a interpretação. Em boa parte, isso tem relação com a origem de classe dos juízes. Muitos são filhos de grandes fazendeiros, frequentam os mesmos clubes. Também há a questão da formação, que enfatiza certos aspectos da lei, e não outros.

CC: A partir do governo FHC, há uma maior distribuição de terras no Brasil, ainda que sob a perspectiva de uma reforma agrária conservadora, como o senhor define. Há alguma diferença entre a política de FHC e a do governo Lula?

MC: Comparados com os demais presidentes, eles distribuíram mais terra. Fernando Henrique, até pela conjuntura, o massacre de Eldorado dos Carajás, uma mobilização intensa, investiu nisso. Lula, de modo geral, mais ou menos manteve o que FHC fez. Eu tenho uma visão de reforma agrária mais restrita que a do Incra. Eu, por exemplo, excluo dos números da reforma agrária aquilo que é relacionado à regularização fundiária. Também não considero as áreas de reserva extrativista na Amazônia. Sou a favor, mas isso é um outro tipo de política. Excluindo esses dados, o número de assentamentos dos dois é muito semelhante.

CC: Não há nenhuma diferença?

MC: Houve, no governo Lula, a criação de uma série de programas de apoio à reforma agrária, como acesso ao microcrédito, incremento do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar, aumento da eletrificação rural. Aumentaram os recursos para a agricultura familiar. Nesse sentido, Lula foi menos conservador do que FHC. Por outro lado, Lula assentou muito mais gente na Amazônia e no Norte do Brasil, repetindo um padrão de colonização da época da ditadura.

CC: O Brasil foi capaz de estancar a concentração de terras?

MC: Essa reforma conservadora apenas reduziu o ritmo da concentração de terras, mas não foi capaz de desconcentrar nada. Para isso, seria necessária uma reforma progressista. Mas isso não está em pauta no governo. Está na pauta do MST e de alguns partidos de esquerda. No momento, infelizmente, a disputa é pela sobrevivência dessa reforma conservadora. Ou isso ou nada.
Participação da classe C no país sobe de 45% para 49% da população
TATIANA RESENDE da Folha Online

A classe C ampliou sua participação para 49% da população brasileira em 2009, ano marcado pela crise econômica global, ante 45% no ano anterior, chegando a 92,85 milhões de pessoas.

Já as classes A/B subiram de 15% para 16% do total, enquanto as D/E caíram de 40% para 35%, de acordo com pesquisa divulgada nesta terça-feira pela Cetelem, financeira do grupo francês BNP Paribas, em conjunto com a Ipsos.

Segundo o "Observador Brasil 2010", a expansão da classe C chegou a 15 pontos percentuais, considerando os dados desde 2005, quando essa fatia da população representava 34% do total. Naquele ano, as classes A/B respondiam por 15% e as D/E, por 51%.

Nos últimos cinco anos, a classe C ganhou 30,15 milhões de consumidores, sendo 8,23 milhões entre 2008 e 2009. Já os segmentos D/E perderam 26,05 milhões desde 2005, dos quais 8,94 milhões no último ano.

"Nos próximos anos, a classe C deve ter um crescimento menor, mas continuar em expansão", avalia Marcos Etchegoyen, diretor geral da Cetelem no Brasil.

As classes sociais utilizadas no estudo são as definidas pelo CCEB (Critério de Classificação Econômica Brasil), fornecido pela Abep (Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa).

O conceito não considera a renda e leva em conta itens como posse de eletrodomésticos (televisão, rádio, aspirador de pó, máquina de lavar, DVD, geladeira, freezer), de carro para passeio, quantidade de banheiros na casa e grau de instrução do chefe da família.

Com isso, o benefício fiscal concedido pelo governo federal com a redução de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para móveis e veículos foi uma das razões para a mobilidade social no país no ano passado, aponta Elisa Bernd, gerente de pesquisa da Ipsos.

Renda

Entre 2008 e 2009, a renda familiar média mensal caiu nas classes A/B, de R$ 2.586 para R$ 2.533, mas subiu na C (de R$ 1.201 para R$ 1.276) e nas D/E (de R$ 650 para R$ 733). "A crise afetou mais o topo da pirâmide", conclui Etchegoyen.

Na análise por regiões, o Nordeste e o Sudeste tiveram aumento na renda familiar mensal semelhante entre 2008 e 2009, de R$ 178 e R$ 179, respectivamente, embora o valor ainda esteja bem distante: R$ 884 e 1.496.

Sobre investimentos, a pesquisa constatou que a classe C foi a única que direcionou mais dinheiro para aplicações em 2009 do que em 2008, passando de R$ 209 para R$ 633. "O consumidor [desse estrato da população] ficou mais prudente, mais maduro", avalia Marc Campi, diretor da Cetelem na América Latina.

O levantamento se baseou em uma amostra de 1.500 entrevistas, realizadas entre os dias 18 e 29 de dezembro de 2009 em 70 cidades, abrangendo nove regiões metropolitanas do país.