segunda-feira, 31 de maio de 2010

Novas Oportunidades para Gestor Público

Ceperj lança segundo concurso para carreira de gestor público

Seplag oferece 80 vagas com vencimentos de mais de R$ 5 mil

Profissionais de todo o país com nível superior em qualquer área poderão disputar as 80 vagas oferecidas pela Secretaria de Planejamento e Gestão, em seu segundo concurso para a carreira de Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, Planejamento e Orçamento criada pela Lei Estadual nº 5.355/2008. As inscrições começam a partir das 10h de terça-feira (01/06) e devem ser feitas via Internet, pelo site http://www.ceperj.rj.gov.br/ da Fundação Ceperj (Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do Rio de Janeiro), que pela segunda vez será a organizadora do processo seletivo. Os vencimentos são atraentes podendo chegar a mais de R$ 5 mil.

A carreira compreende os cargos de Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental e de Analista de Planejamento e Orçamento, com 40 vagas cada um, incluindo as destinadas aos portadores de deficiência. Os gestores terão jornada de 40 horas semanais. A remuneração inicial é de R$ 5.082, ou seja, salário-base de R$ 4.200 mais gratificação de desempenho no valor de R$ 882. Há também adicional de qualificação de R$ 210, R$ 420 ou R$ 840, se o candidato tiver pós-graduação lato sensu, mestrado ou doutorado. Nesse caso, os ganhos iniciais são de R$ 5.292, R4 5.502 e R$ 5.922, respectivamente.

Para os candidatos que não têm acesso à internet, a Fundação Ceperj coloca à disposição posto de inscrição presencial que funcionará durante todo o período, ou seja até 4 de julho. Os interessados devem se dirigir à sede da Fundação, na Avenida Carlos Peixoto, 54, térreo, Botafogo, Zona Sul do Rio, nos dias úteis, das 10h às 16h. A taxa de R$ 100 poderá ser paga em qualquer agência bancária.

O diretor de Concursos e Processos Seletivo, Marcus São Thiago, orienta os interessados no sentido de fazerem as inscrições com antecedência, evitando sobrecarga da rede nos últimos dias, pois são esperados milhares de candidatos.

O edital, as fichas de inscrição, o cronograma, as atribuições dos cargos, os vencimentos, conteúdos programáticos, sugestões bibliográficas, modelo de formulário para entrega de títulos, entre outros documentos, estarão disponíveis aos interessados a partir de terça-feira.

Este concurso público constará de duas etapas: a primeira, com provas objetivas, discursiva e avaliação de títulos; a segunda, com o curso de formação, de caráter eliminatório e classificatório, que estará sob a responsabilidade da Escola de Gestão e Políticas Públicas da Fundação Ceperj. Serão convocados para capacitação os candidatos habilitados e classificados na primeira etapa, dentro do número de vagas estabelecidas para cada cargo. Durante o curso de formação, será concedida ao candidato bolsa-auxílio no valor de R$ 2.100, todos os meses.

A homologação deste concurso para a carreira de gestor público é de competência da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão, terá validade de um ano, podendo ser prorrogado por igual período.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Com economia aquecida, governo tem superávit fiscal recorde de R$ 16,6 bi


Autor(es): Agencia O Globo/Martha Beck
O Globo - 27/05/2010

Resultado de abril foi o 2º melhor desde 1997. Tesouro já prevê superar meta anual

O forte aquecimento da economia que elevou a arrecadação e a redução dos gastos com sentenças judiciais levaram o governo central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) a registrar um superávit primário de R$ 16,6 bilhões em abril. Foi o segundo melhor resultado obtido para qualquer mês da série histórica, iniciada em 1997. O número elevou a confiança da equipe econômica de que será cumprida a meta cheia de superávit fiscal primário (economia feita pelo governo para pagar juros da dívida pública).

A meta de superávit primário do setor público consolidado, que inclui ainda estatais, estados e municípios, está fixada em 3,3% do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos pelo país) este ano.

O desempenho fiscal do mês passado só perde para abril de 2008, quando o superávit primário chegou a R$ 16,7 bilhões.

Em março de 2010, o primário havia ficado negativo em R$ 4,6 bilhões. Com o resultado de abril, o superávit acumulado no ano ficou em R$ 24,7 bilhões e o governo conseguiu cumprir com folga a meta fiscal do primeiro quadrimestre: R$ 18 bilhões.

Desta forma, a equipe econômica acredita que terá condições de atingir a meta de superávit primário sem ter que utilizar o mecanismo pelo qual o governo pode abater da meta os gastos com investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Para os mais otimistas, como o secretário do Tesouro, Arno Augustin, há condições para se fazer uma economia de recursos acima da meta de 3,3% do PIB.

Estamos iniciando um novo momento da política fiscal.

Estamos muito satisfeitos com o resultado de abril. A curva do primário passou a ser ascendente disse Augustin.

Mantega defende corte de gastos para conter inflação Segundo ele, a equipe econômica continua trabalhando pelo cumprimento da meta, mas o aumento das receitas eleva as chances de haver uma sobra de recursos.

Nossa avaliação é que, se fizermos um primário maior, vai ser bom para a economia.

Para Augustin, o governo precisa trabalhar para que a economia tenha um crescimento sustentável. Além de aumentar os juros para conter a inflação, a equipe econômica já anunciou um corte extra de R$ 7,6 bilhões em despesas para reduzir a demanda agregada e as pressões sobre os preços. Um superávit primário maior teria efeito igual.

Começamos um processo para impedir que haja um crescimento não equilibrado.

Na mesma linha, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ressaltou que a política monetária não é o único instrumento disponível para combater a inflação.

Segundo ele, cortes nas despesas públicas também são instrumentos eficazes: A elevação nas taxas de juros pode acabar tendo reflexos no futuro e, às vezes, é preciso tomar medidas mais imediatas disse Mantega.

Extraído de http://www.oglobo.com.br/ em 27 de maio de 2010

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Abono para compensar veto


Abono para acalmar os aposentados

Autor(es): Igor Silveira
Correio Braziliense - 26/05/2010

Paulo Bernardo sugere garantir 6,14% aos aposentados até o fim do ano como saída para Lula vetar reajuste aprovado no Congresso

Na busca por alternativas para convencer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a vetar o reajuste de 7,7% para aposentados que recebem mais de um salário mínimo, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, sugeriu, na tarde de ontem, a edição de uma nova Medida Provisória (MP) concedendo um abono, ainda em 2010, equivalente ao aumento de 6,14%. O percentual faz parte da proposta original do governo, em vigor desde janeiro. Essa seria uma solução jurídica viável para o impasse, de acordo com o chefe da pasta, e a decisão final sobre os valores definitivos do reajuste aos inativos ficaria para o próximo ano, na gestão do vencedor da próxima eleição presidencial.

Lula tem até o próximo dia 1º, data em que a MP expira, para anunciar se sanciona ou veta o texto aprovado, na semana passada, pelo Congresso Nacional. Por ora, o presidente tem colocado as consequências políticas e econômicas na balança: de um lado, os ministros da Fazenda e do Planejamento garantem que a proposta não cabe no Orçamento e que a concessão dos 7,7% seria uma irresponsabilidade fiscal. Do outro, o presidente teme que uma repercussão negativa gerada pelo veto respingue na campanha da pré- candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff.

“O presidente Lula ainda não definiu o que irá fazer em relação ao reajuste e disse que ainda conversaria com alguns aliados. No entanto, não acredito que o veto aos 7,7% seja um instrumento de pressão forte para a oposição. Se eles só tiverem isso, estão muito mal”, provocou Paulo Bernardo.

Antes de viajar para a Argentina para cumprir agenda diplomática, no fim da manhã de ontem, Lula reuniu, no Palácio da Alvorada, os líderes do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), e no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), além do ministro da Fazenda, Guido Mantega, e do ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha. Na saída, Jucá despistou e afirmou que o tema da conversa foi a votação do pré-sal. “Até porque o texto do projeto que trata dos aposentados acabou de chegar na Casa Civil e ainda será analisado detalhadamente”, garantiu.

Sem temor

Mais tarde, Alexandre Padilha esteve na liderança do governo no Congresso, onde reuniu-se com a senadora Ideli Salvatti (PT-SC) e com o deputado Gilmar Machado (PT-MG). Ao deixar o compromisso, o ministro de Relações Institucionais voltou a ressaltar que o presidente Lula estava ponderando a melhor saída para o impasse do reajuste dos aposentados e comentou a opção do abono apresentada por Paulo Bernardo.

“O governo teve de tomar decisões difíceis em outras oportunidades e o fez sem se intimidar com as pressões da oposição. Não vamos deixar que qualquer clima eleitoral contamine a tranquilidade com que uma decisão dessas tem de ser tomada. Quanto à sugestão do abono, quem recomendou o veto precisa apresentar alternativas. Foi isso que Paulo Bernardo fez e o presidente Lula vai analisar se essa é a melhor solução”, destacou.

Entenda o caso
Derrota de Lula

Contrariando a proposta inicial do Executivo, aprovada em janeiro, que concedia um reajuste de 6,14% aos aposentados que ganham mais que um salário mínimo, e passando por cima, também, da recomendação do presidente Lula, de que o aumento poderia chegar até 7%, os integrantes do Congresso, com ajuda de votos da base aliada do governo, aprovaram, na última quarta, uma alteração no texto da Medida Provisória, incluindo percentual de 7,7% de acréscimo nos vencimentos dos inativos.

Esse número representa um gasto extra de, aproximadamente, R$ 1,6 bilhão por ano para a Previdência Social. A proposta enviada pelos parlamentares ao presidente inclui, ainda, o fim do fator previdenciário — cálculo que reduz o valor da aposentadoria para os que param de trabalhar mais cedo pelo Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). Lula anunciou aos ministros da área econômica, na segunda-feira, que vetará esse segundo item. A pressão política de alguns setores da sociedade, que ganha ainda mais força por causa do ano eleitoral, no entanto, ainda faz com que o chefe de Estado pense sobre qual decisão tomar em relação ao reajuste de 7,7% para os aposentados.

http://www.correioweb.com.br/ em 26 de maio de 2010

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Lula negocia para assumir a ONU ou o Banco Mundial

Líderes de França, Espanha e Portugal apoiam indicação do brasileiro

Tanto o petista como o chanceler Celso Amorim já tocaram no tema com outros líderes mundiais e diplomatas próximos

KENNEDY ALENCAR - DE BRASÍLIA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou articulações com outros líderes mundiais para definir seu futuro após deixar o cargo. Gostaria de virar secretário-geral de uma renovada Organização das Nações Unidas ou de presidir o Banco Mundial.

A Folha apurou que Lula já tratou dos dois temas com outros presidentes e primeiros-ministros. O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, também fala com diplomatas estrangeiros.

A avaliação de Lula, Amorim e alguns líderes mundiais é que o brasileiro conquistou cacife político que o credencia a assumir um posto internacional de relevo.

Não interessaria a Lula virar secretário-geral da ONU no atual formato, muito dependente dos EUA e dos outros vencedores da Segunda Guerra Mundial -Reino Unido, França, Rússia e China.

Mas, se for aprovada uma reforma da ONU, a começar pelo Conselho de Segurança, Lula trabalhará para disputar a secretaria-geral.

O Brasil, hoje membro rotativo do CS, quer uma cadeira permanente. O obstáculo é que essa mudança dificultaria o poder deliberativo do órgão, pois seria preciso buscar consenso entre mais países.

Lula defende ainda mais poder para a FAO (Organização da ONU para a Agricultura e Alimentação), que considera pouco aparelhada para combater a miséria na África.

Na Europa, três líderes endossam a postulação de Lula para secretário-geral: o presidente de governo da Espanha, José Luis Rodríguez Zapatero, o premiê de Portugal, José Sócrates, e o presidente da França, Nicolas Sarkozy.

"Lula tem capital político tão importante no mundo que seria um grande desperdício não aproveitá-lo", disse o premiê de Portugal. Das potências emergentes, ele conta com a simpatia do premiê Manmohan Singh (Índia).

Diversos presidentes da América do Sul já sugeriram a Lula seguir esse caminho, de Hugo Chávez (Venezuela) a Cristina Kirchner (Argentina). Chávez disse à Folha que, se Lula quiser ser candidato a secretário-geral, terá o seu "apoio entusiasmado".

Há atritos na relação entre o Brasil e os EUA, mas, na opinião do governo brasileiro, eles poderiam ser superados para o petista ir para a ONU ou o Banco Mundial.

"Se a ONU continuar assim, vamos ter problemas sérios", disse Lula na quarta sobre a articulação dos EUA para aprovar sanções contra o Irã: "É preciso mudar, mas quem já está sentado na cadeira não quer mudar".

O Itamaraty acha que o presidente Barack Obama teria, no mínimo, disposição de conversar sobre o tema.

Existem óbices, no entanto, para que Lula ocupe essas posições. O atual secretário-geral da ONU, Ban Ki Moon, tem mandato até o final de 2011 e pode ser reconduzido.

Do ponto de vista de Lula, a presidência do Banco Mundial permitiria o financiamento de projetos nos países pobres. Ele já disse que montará um instituto no Brasil, a exemplo de seu antecessor. Empresários brasileiros procuram um prédio na zona sul de São Paulo para ser a sede.

Extraído de http://www.folha.uol.com.br/  em 23/05/2010

quinta-feira, 20 de maio de 2010

A promissora classe C
Autor(es): Maria Clara R.M. do Prado
Valor Econômico - 20/05/2010

Nem todos se deram conta da extraordinária transformação pela qual passa a sociedade brasileira. O ingresso no mercado de boa parte da população que vivia à margem das oportunidades tem enormes implicações que não se esgotam no campo econômico. Muito pelo contrário, as consequências da mudança na renda das famílias tendem a se refletir cada vez com mais intensidade na tomada de consciência do cidadão sobre seus direitos e deveres. A consequência é política, antes de tudo.

A grande maioria dos expectadores das novelas da Globo já não está mais limitada aos sonhos que a vida espetaculosa dos personagens estimulava na tela. As pessoas da nova classe C brasileira viajam de avião, ao invés de pau-de-arara. Vestem-se em lojas de departamento, ao invés do bazar da esquina. Podem comemorar o Dia das Mães no restaurante do bairro, andar em carro próprio, ter mais de um celular e, nestes dias de pré-Copa, comprar aquele aparelho de TV de tela plana que garantirá ao torcedor um novo status.

É essa confiança na possibilidade de melhora que move hoje a sociedade. O acesso ao mercado dos chamados "emergentes à classe C" não deve ser tratado como uma simples questão de aumento de consumo a partir da visão simplista do que isso representa em termos de pressão sobre preços, inflação e temas congêneres como taxa de juros e disponibilidade de crédito.

Muito para além dos aspectos puramente macroeconômicos - que, diga-se, envolvem uma preocupação pertinente - a inserção no mercado de uma imensa massa de consumidores nos últimos anos carece de análises mais aprofundadas sobre o significado que isso efetivamente tem, socialmente e politicamente.

Uma recente pesquisa patrocinada pela Febraban e realizada pela empresa Data Popular, dedicada justamente a traçar o comportamento do que chama de "base da pirâmide" no que tange à renda, mostra que a nova classe C percebe o consumo como sinal de inclusão social por meio da melhoria de padrão de vida. Para o "ascendente social", ter acesso a bens que antes só podiam ser almejados com desesperança, funciona psicologicamente como uma espécie de comprovação de que, finalmente, a pessoa conseguiu se desvencilhar das restrições que a mantinham segregada, escondida e sem voz, um ser sem importância, sob qualquer ponto de vista.

Entre os resultados da pesquisa realizada no mês de janeiro com famílias da classe C nas cidades de São Paulo, Rio, Recife e Porto Alegre, está a constatação de que em um país cuja sociedade discrimina pela cor e pela classe social, vestir-se bem e ter tecnologia de última geração é de extrema relevância para os jovens da nova classe C. Mostra que estão economicamente e politicamente inseridos. A pesquisa também apurou que em muitas ocasiões, dependendo do produto, o consumo pode se confundir com investimento: no caso de roupa (vista como uma forma de melhorar a aparência para a conquista ou manutenção de um emprego), computador, moto e educação.

Os filhos da nova classe C são os propulsores das mudanças de comportamento da geração mais velha, seja pela tecnologia, seja pelas opiniões sobre os temas de maior destaque na pauta política como aqueles ligados à questão ecológica, envolvendo gastos com energia, água, tabagismo, enfim.

A nova classe C poupa apenas para comprar mais adiante um bem de maior valor. Tem o objetivo de investir apenas na educação dos filhos. Sabe que a verdadeira ascensão social se faz por meio da educação. Note-se que essa classe já responde, de longe, pela maior fatia de participação em importantes setores da economia. Na área de seguros, 61,9% dos usuários estão na classe C, que também explica 63,6% do consumo de planos de saúde e 61% dos cartões de crédito.

A relação com o cartão de crédito, vale notar, nem sempre segue o padrão usual. Primeiro, é visto por muitos como um instrumento de apoio em momentos de emergência e por isso mesmo, não raro, fica guardado em casa. Mas há situações curiosas como os casos em que os cartões de crédito são emprestados para amigos e familiares. Ninguém se preocupa muito com taxa de juros na nova classe C. Quando o dinheiro vai para a poupança, nos bancos, a motivação principal é a segurança ou um objetivo específico de consumo. Tem razão um economista ouvido pela coluna: "a sociedade brasileira pratica a mais alta taxa de juros do mundo dada a preferência por consumir hoje, ao invés de adiar o consumo para o futuro".

Ele sabe também que o fenômeno tem a ver com a má distribuição de renda e o achatamento do poder aquisitivo da imensa maioria dos brasileiros por anos a fio. Isso explica a alta propensão a consumir desses "emergentes" diante da melhoria da renda.

A ampla pesquisa da Febraban impõe relevo à importância da classe C. Teve como objetivo justamente traçar o perfil dessa massa de pessoas que saiu da marginalidade e entender de que forma poderão ser educadas financeiramente. É, para os bancos, um filão a ser conquistado, assim como deveria ser para os políticos e para outros segmentos que teimam em ver o Brasil com olhos dos anos 60!

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Informações do CAGED.

Criação de empregos formais soma 305 mil e bate recorde para abril

Informações foram divulgadas pelo ministro do Trabalho, Carlos Lupi. No ano, foram abertas 962,3 mil vagas, também novo recorde histórico.
Alexandro Martello Do G1, em Brasília

"O Brasil está no caminho certo de ganho de salário real"
Ministro Carlos Lupi

O mês de abril terminou com a abertura de 305 mil postos de emprego com carteira assinada - um novo recorde para um quarto mês do ano na série histórica do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que tem início em 1992. O dado foi divulgado nesta segunda-feira (17) pelo Ministério do Trabalho.

O recorde anterior para meses de abril havia sido registrado em 2007, com a abertura de 301,9 mil postos de trabalho com carteira assinada.

Em abril de 2009, foram abertos 106,2 mil empregos com carteira assinada. Além de ser o melhor abril, o mês passado também representou o segundo melhor resultado, para todos os meses, da série histórica. O atual recorde ainda permanece sendo em junho de 2008, quando foram criadas 309,44 mil vagas.

Reposição de vagas

"Penso que houve muita contenção no ano passado e isso está fazendo com que, além do crescimento natural que o Brasil tinha, está começando a haver reposição. Há muita reposição de emprego nisso", avaliou o ministro do Trabalho, Carlos Lupi.

Afirmou ainda que o Brasil parar de ter "complexo de inferioridade". "A infraestrutura chinesa é muito mais deficiente. Há muito mais miséria e muito mais necessidade do que no Brasil. O Brasil tem de continuar investindo em infraestrutura e em setores estratégicos, como saneamento e transporte. O Brasil está no caminho certo de ganho de salário real", acrescentou o ministro.

Setores

O setor de serviços foi o grande destaque na abertura de vagas em abril deste ano, com 96,5 mil vagas abertas, contra 59,2 mil no mesmo mês do ano passado. Em segundo lugar, aparece a indústria de transformação, com a criação de 83 mil postos formais de emprego em abril, contra 183 vagas em abril de 2009.

Já o comércio realizou contratações líquidas (menos demissões) de 40,7 mil pessoas em abril deste ano, contra 5,6 mil vagas abertas no mesmo mês do ano anterior. A construção civil, por sua vez, abriu 38,4 mil vagas no mês passado, na comparação com 13,3 mil no mesmo período de 2009.

Janeiro a abril

No acumulado de janeiro a abril deste ano, ainda segundo informações do Ministério do Trabalho, foi contabilizada a abertura de 962,32 mil vagas formais de emprego, o que representa, também, novo recorde histórico para este período. Para maio deste ano, ele previu a abertura de 240 mil a 280 mil novas vagas.

"Houve geração recorde em todos os meses [na comparação com o mesmo período do ano anterior]", informou Lupi, que recentemente revisou para 2,5 milhões a estimativa de criação de vagas em todo ano de 2010.

Inflação

Segundo ele, o controle da inflação tem de acontecer por meio de cortes de gastos públicos com custeio, e não em investimentos já previstos. "O brasileiro sabe que não está na hora de alimentar os gananciosos. Quem achar isso, vai perder. O trabalhador vai procurar o produto mais barato", afirmou Lupi.

Em sua visão, o crescimento do emprego é positivo para o controle da inflação. "Isso quer dizer que estamos produzindo mais, tem mais produto para vender. É bom isso acontecer. O ruim seria o crescimento da economia sem emprego. Temos de ficar de olho na inflação, mas sem fazer dela o capeta da nossa economia", concluiu.

Extraído de:

sexta-feira, 14 de maio de 2010

A Gafe da Senhora Clinton!!! e que Gafe!!! Acorda Barbie Girl!

Hillary elogia carga tributária brasileira

Autor(es): Patrícia Campos Mello, CORRESPONDENTE/ WASHINGTON - O Estado de S.Paulo
O Estado de S. Paulo - 13/05/2010

Secretária de Estado dos EUA diz que impostos altos levaram Brasil ao boom econômico e a reduzir a desigualdade

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, elogiou ontem a alta carga tributária brasileira e deu a entender que o regime tributário do Brasil é um exemplo a ser seguido pelo resto da América Latina. No País, a carga tributária está em cerca de 38% do PIB e é alvo de críticas.

"Se você olhar para a arrecadação de impostos em relação ao PIB no Brasil, é uma das mais altas no mundo - então não é por acaso o Brasil estar vivendo um boom de crescimento e reduzindo a desigualdade", disse Hillary em discurso na Conferência das Américas, diante de ministros das relações exteriores e empresários da região. Segundo a secretária de Estado, "essa é uma política adotada há várias décadas (no Brasil), com grande comprometimento, e que está funcionando". Hillary disse ter conversado com vários chefes de Estado e de governo no hemisfério sobre a necessidade de aumentar as receitas dos governos - "uma outra maneira de dizer necessidade de aumentar impostos", ela esclareceu. "Para muitos outros países da região, a relação entre arrecadação de impostos e PIB é uma das mais baixas do mundo, isso é insustentável."

Empresários presentes acharam as observações da secretária de Estado inusitadas. "Estou perplexo. Como é que alguém elogia a alta carga de impostos do Brasil?", questionou um empresário brasileiro.

Declaração inesperada. Até o secretário-geral do Itamaraty, Antonio Patriota, sentiu-se compelido a comentar as declarações "inesperadas" de Hillary. "A secretária Hillary Clinton afirmou que uma das vantagens do Brasil é ter uma alta arrecadação de impostos - isso não é necessariamente visto dessa maneira pelo público brasileiro", disse Patriota. "Muitos no Brasil acreditam ser necessário simplificar os impostos e esse será um desafio para o próximo presidente", disse.

O secretário-assistente de Estado para a região, Arturo Valenzuela, seguiu Hillary em sua receita para a região. "As sociedades da região precisam contribuir com seus próprios recursos, além de mais impostos, com um fortalecimento das instituições", disse ele. Nos EUA, onde o déficit de orçamento se aproxima de 11% do PIB, o governo não está discutindo nenhum aumento de impostos e o assunto é tabu.

Christopher Garman, diretor da área de América Latina do Eurasia Group, explica que, de fato, a maioria das economias da América Latina tem dificuldades para aumentar sua arrecadação de impostos, e muitos têm cargas tributárias de 10% a 15% do PIB, consideradas muito baixas para o governo conseguir cumprir funções básicas: "Nesse sentido, o Brasil não tem esse problema, porque consegue fazer uma arrecadação eficiente."

Extraído de http://www.estadao.com.br/ em 13 de maio de 2010


quinta-feira, 13 de maio de 2010

O risco da bolha Eike


Rodolfo Landim X Eike Batista – Briga boa!!!

Rodolfo Landim tinha o melhor emprego do mundo e fez os maiores IPOs do País, até brigar com Eike Batista, o dono de uma fortuna de US$ 27 bilhões que perdeu seu braço direto. O que há por trás desse choque de titãs?

Por Leonardo Attuch

Fator X. Eis o nome do livro que Rodolfo Landim, até a semana passada o executivo mais invejado do Brasil, anunciou que pretendia escrever. A obra retrataria os bastidores da mais espetacular história de criação de riqueza já vista no Brasil. Nos últimos quatro anos, Landim foi o braço direito de Eike Batista e liderou cinco IPOs na Bovespa: os das empresas MMX, de mineração, LLX, de logística, OGX, de petróleo, MPX, de energia, e, mais recentemente, da OSX, de navegação.

Juntas, essas cinco companhias novatas, ainda em fase pré-operacional, já valem R$ 67 bilhões, quase duas vezes o valor da Gerdau, uma empresa centenária. Suas ações subiram tanto na Bovespa que garantiram a Eike Batista a quarta maior fortuna do mundo, calculada em US$ 27 bilhões. No entanto, o projeto literário de Landim não foi recebido no 10º andar do número 154 da Praia do Flamengo, sede de todas as empresas do "mundo X", no Rio de Janeiro, como uma homenagem. Soou mais como ameaça. E o bilionário carioca decidiu retaliar. Eike, que se autodenomina o "homem mais generoso do Brasil", pediu a um de seus assessores que divulgasse o valor que Landim recebeu nos quatro anos em que trabalhou no grupo: exatos R$ 165.628.144,00. Além disso, disseminou a informação de que desistiu de pagar a Landim um bônus adicional de US$ 4 milhões, por mau desempenho.

Oficialmente, o grupo EBX, holding de Eike Batista, apenas informa, de forma protocolar, que a separação entre os dois se deu de forma amigável e "fechou um ciclo" natural nas companhias. No entanto, revelar cada centavo pago a um executivo - e também o valor dos bônus cortados - não é exatamente um procedimento padrão. Foge às regras da civilidade e da boa etiqueta.

Landim foi trabalhar com Eike atraído por um salário de R$ 300 mil mensais e a promessa de bônus milionários - que foram rebaixados. Por trás disso, há um duelo de egos, vaidades e de visões sobre como gerir as empresas recém-criadas pelo bilionário - além de, evidentemente, uma disputa por dinheiro. Muito dinheiro. DINHEIRO ouviu executivos que passaram pelo grupo EBX, analistas de mercado e banqueiros de investimento que participaram dos IPOs para reconstituir cada passo da parceria entre

Eike e Landim e também entender por que houve um rompimento tão brusco entre os dois - que pode até semear dúvidas sobre a consistência do modelo de negócios seguido pelo grupo que utiliza a letra "X", a mesma usada para separar dois oponentes, em todos os seus empreendimentos. Nascidos no mesmo ano, em 1956, os dois começaram a trabalhar juntos em 2006. Eles se encontraram num voo para os Estados Unidos, no qual Landim, que construiu sua carreira na Petrobras, falou ao empresário sobre a possibilidade de criarem uma companhia privada no setor de óleo e gás, aproveitando os leilões que estavam sendo promovidos pela Agência Nacional do Petróleo, a ANP. Naquele momento, Eike tinha na gaveta projetos apenas em mineração, um setor que ele, filho de Eliezer Batista, primeiro presidente da Vale, conhecia muito bem.

LLX: Empresa de logística ainda depende da instalação de indústrias ao seu redor

Seu patrimônio, naquele ano, era próximo a US$ 300 milhões - pouco mais de 1% da fortuna atual. Eike não pensou duas vezes. No próprio avião convidou seu companheiro de voo para se juntar ao grupo EBX. Em abril de 2006, Landim surpreendeu o governo ao se demitir da presidência da BR Distribuidora. Um mês depois, seu nome já aparecia no prospecto do lançamento de ações da MMX, como uma das âncoras do IPO. A experiência e o conhecimento dos executivos do time de Eike foram fatores-chave para convencer investidores a apostar nos seus planos de negócio. E em vez da "mini-Petrobras" sugerida por Landim, nasceu a "mini-Vale" que Eike já tinha em mente.

Landim, no entanto, não trocou a segurança da presidência da BR Distribuidora pelo risco da MMX apenas pela empatia inicial com Eike. Na Petrobras, ele era tido como um dos melhores quadros da estatal. Foi diretor de exploração, onde construiu boas relações empresariais e políticas - e sempre foi tratado com especial deferência pela ex-ministra e hoje candidata Dilma Rousseff.

A ponto de o próprio banqueiro Fabio Barbosa, presidente do Santander e membro do conselho da estatal, brincar dizendo que Landim teria "algo especial". O que motivou o executivo a sair da BR Distribuidora foi um salário mensal de R$ 300 mil na MMX, além de um pacote agressivo de bônus. Ele assinou um contrato que lhe dava o direito a 1,5% da Centennial, a empresa pessoal de Eike que está acima da própria holding EBX. Hoje, levando em conta o valor de mercado das cinco empresas do "mundo X", a participação de Landim valeria US$ 400 milhões.

OGX: Petroleira é carro-chefe do grupo, que já vale R$ 67 bilhões

Este, no entanto, está longe de ser seu patrimônio real. Isso porque, ao longo do tempo, o valor dos bônus de todos os principais executivos do grupo EBX foi sendo ajustado para baixo - e a tendência se acentuou após a crise financeira de 2009. Antes disso, porém, todos que estavam sob o guarda-chuva de Eike viveram um grande momento.

Em janeiro de 2008, a mineradora Anglo American pagou US$ 5,5 bilhões por 51% das ações da MMX - e quem estava ali ganhou muito dinheiro. Estima-se que o valor pago a Landim tenha sido próximo a R$ 40 milhões. Em abril de 2008, no entanto, ele deixou a mineradora para se concentrar nos projetos dos futuros IPOs. E, após sua saída, aquele ano foi especialmente ruim para a MMX, que fechou seu balanço com prejuízo de R$ 848 milhões - assim como a Sadia e a Aracruz, a empresa fez apostas erradas com derivativos. Mas se os projetos em mineração eram fonte de problemas operacionais, a grande vedete do "mundo X" estava nascendo - em junho de 2008, a OGX fez a maior oferta da história do mercado de capitais no Brasil, captando mais de US$ 4 bilhões. E os nomes de ex-executivos da Petrobras, como os de Rodolfo Landim e do geólogo Paulo Mendonça, também ajudaram a ancorar o IPO, que deu origem à "mini-Petrobras", uma empresa que já anunciou aos investidores a descoberta de diversos indícios de hidrocarbonetos nos seus blocos na Bacia de Campos, no Rio de Janeiro.

MMX: O primeiro ipo do grupo EBX, que ainda deve bons resultados

Landim e Eike continuaram se relacionando bem até o início de 2009. Mas, naquele ano, quando as ações das companhias do "mundo X" haviam experimentado quedas espetaculares, o empresário convidou alguns de seus principais executivos para uma conversa reservada. Disse que uma das razões da crise era o "desalinhamento" entre o risco do investidor e os ganhos dos executivos - e afirmou até que essa política de bônus exacerbados havia sido uma das causas do colapso financeiro global. Dias depois, usou pela primeira vez, dentro dos escritórios do grupo EBX, a expressão "rodar a sacolinha". Na prática, era uma convocação para que seus executivos abrissem mão de parte de suas participações acionárias, com a finalidade de capitalizar as empresas. Começou ali a debandada de talentos do grupo. E saíram nomes como Dalton Nosé, Ricardo Antunes, Adriano Vaz, Joaquim Martino Ferreira, Nelson Guitti, Eliane Lustosa e Marcelo Cheniaux -todos com passagens bem-sucedidas pelo setor privado e por bancos estatais, como o BNDES. Landim decidiu ficar. Mas antes teve uma conversa dura com Eike, em meados de 2009. Numa reunião tensa, relatada à DINHEIRO por pessoas ligadas ao grupo EBX, o empresário disse ao executivo que ele teria "dez minutos para decidir se entregaria todas as ações ou se continuaria na empresa". Landim deu as costas e foi para casa.

"O fato é que o Eike não gosta de pagar; ele ainda me deve US$ 8 milhões e vou buscar", JC Cavalcanti, geólogo

Dias depois, recebeu uma ligação de Eike, em sua residência, como se nada tivesse acontecido. E voltou ao grupo para preparar o quinto IPO: o da empresa de navegação OSX. Em novembro do ano passado, o clima entre os dois voltou a piorar. Eike pediu a seus assessores que disseminassem a informação de que a participação acionária de Landim seria reduzida. E foi assim que a promessa inicial de bônus, de 1,5% da Centennial, caiu drasticamente. Landim poderia ter saído naquele momento, mas já havia convidado alguns amigos ligados à Petrobras, como Luiz Eduardo Carneiro, também da área de exploração, a se juntarem ao projeto da OSX. E não poderia abandoná-los à própria sorte.

O rompimento definitivo aconteceu há duas semanas, quando Landim retornou de uma viagem de férias, à Polinésia francesa, com a mulher e as filhas. A parceria de quatro anos, período em que o patrimônio de Eike subiu de US$ 300 milhões para US$ 27 bilhões, estava definitivamente encerrada, depois de uma fria despedida entre os dois. Em conversas reservadas, Eike passou a qualificar seu ex-braço direito como "mercenário". Mas, na semana passada, nem mesmo os tais R$ 165.628.144,00, tornados públicos pela assessoria do bilionário, haviam sido integralmente pagos.

Mais do que uma picuinha entre um empresário talentoso e um executivo idem, esse tipo de disputa financeira não faz bem ao modelo de negócios do grupo EBX. Especialmente porque o sucesso do grupo depende de talentos atraídos em empresas estratégicas, que chegam seduzidos pelas promessas de ganhos fabulosos - e não sujeitos a revisões periódicas.

"O Eike tem de começar a produzir; depois disso, ele pode entender o mercado", Roger Agnelli, da Vale

Na quinta-feira 6, depois da saída de Landim, outro executivo de peso deixou a EBX. Foi a vez de Beto Costa, um ex-financista da GP que ocupava a diretoria de novos negócios do grupo. "A verdade é que o Eike não gosta de pagar o que deve, nem o que promete a seus executivos", disse à DINHEIRO o geólogo João Carlos Cavalcanti, conhecido como JC, que fez algumas das mais importantes descobertas recentes do setor mineral brasileiro.

Bilionário, e atualmente sócio dos grupos Mittal, Opportunity e Votorantim, JC também já teve uma parceria com Eike Batista na empresa IRX, da qual não guarda boas recordações. "Ele não cumpriu o contrato e ainda me deve US$ 8 milhões", dispara. "Em breve, pretendo acioná-lo na Justiça." De acordo com JC, o valor dos ativos do grupo EBX é artificial e refletiria "uma bolha" no mercado de capitais.

Este ponto também ajuda a entender, em parte, as divergências entre Eike Batista e Rodolfo Landim.

O lançamento de ações da OSX, o mais recente feito pelo grupo, deixou claro que o mercado já não compra mais com tanta facilidade os projetos do grupo. O papel, que foi lançado bem abaixo das estimativas iniciais, já caiu 35% desde o IPO. E executivos ligados ao grupo dizem que Landim estava mais focado na "entrega" efetiva de resultados, enquanto Eike, que assume publicamente o desejo de ser o homem mais rico do mundo, ainda se preocupava em "vender" novos projetos ou partes de suas empresas a outros

Investidores - recentemente, a chinesa Wisco adquiriu um naco da MMX e prometeu construir uma siderúrgica no Porto do Açu, no Rio de Janeiro. Essa divergência conceitual ajudou a separá-los. E também começou a ser explorada por desafetos do bilionário. Dias atrás, o presidente da Vale, Roger Agnelli, cutucou Eike Batista. Ao ser indagado sobre a sugestão de que o Brasil exportasse mais aço e menos minério, dada pelo dono do grupo EBX, Agnelli respondeu de bate-pronto: "A primeira coisa que o Eike tem de começar a fazer é produzir alguma coisa; depois disso, pode entender um pouco como funciona o mercado."

Eike não respondeu. Até porque a ferida entre os dois é recente e ainda não cicatrizou. No fim do ano passado, o dono da EBX tentou se aproximar do governo federal e montar uma operação para comprar o controle da Vale, que hoje está nas mãos da Bradespar, a empresa de participações do Bradesco.

Eike chegou até a sugerir que entregaria o comando da maior mineradora do mundo ao presidente da Previ, o petista Sérgio Rosa. A contrapartida seria simples: a Vale compraria todas as empresas do grupo EBX, o que fez com que a operação fosse rejeitada pela Bradespar. Mesmo com a saída de Landim e de vários outros executivos da primeira fase do grupo EBX, Eike ainda tem nomes de peso no grupo. Um deles é Otávio Lazcano, que veio da CSN e preside a empresa LLX. Outro é o banqueiro Roger Downey, ex-Credit Suisse, que comanda a MMX - neste caso, o foco principal é vender a companhia, e não operá-la. Landim, por sua vez, ainda não definiu seu futuro. Comenta-se que ele estaria preparando a criação de fundos de private equity, voltados para empresas promissoras no setor de petróleo e gás natural. Procurados pela reportagem, nem ele nem Eike quiseram falar sobre os motivos do rompimento.

Não se sabe se Landim, em algum momento, de fato escreverá seu livro "Fator X". O mais provável é que, antes disso, seja lançada a biografia oficial de seu ex-parceiro. As entrevistas vêm sendo conduzidas pelo jornalista Roberto D'Àvila e o objetivo é inspirar futuros empreendedores a também se tornarem bilionários. O livro de Eike deve ser lançado ainda em 2010 pela Sextante, editora que fatura alto com obras de autoajuda como "O Monge e o Executivo".

Fonte: Isto é Dinheiro em www.istoedinheiro.com.br/

Nº edição: 657
Reportagem de Capa 07.MAI - 21:00

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Evento de Sustentabilidade

III Fórum Internacional de Comunicação e Sustentabilidade

Encontro acontece no Rio de Janeiro nos dias 19 e 20 de maio com convidadoscomo Rigoberta Menchú, Prêmio Nobel da Paz (2002) e Muhammad Yunus,Prêmio Nobel da Paz (2006)

Os desafios relacionados à sustentabilidade econômica, social, ambiental e cultural são questões essenciais na agenda política da sociedade, das empresas e do planeta. Nesta terceira edição, o Fórum Internacional de Comunicação e Sustentabilidade, que tem entrada franca, irá promover, mais uma vez, o diálogo e a interação de temas relacionados ao entendimento da sustentabilidade. Estarão presentes nos dias 19 e 20 de maio, no Vivo Rio, no Rio de Janeiro, personalidades de diversas nacionalidades, das mais variadas áreas do conhecimento, para discutir a cultura da paz, o respeito social, ambiental, econômico e social.

Já confirmaram a presença a guatemalteca Rigoberta Menchú, Prêmio Nobel da Paz (2002) por sua campanha pelos direitos humanos, especialmente a favor dos povos indígenas; o fundador do Grameen Bank, o banco dos pobres, Muhammad Yunus, Prêmio Nobel da Paz (2006); o idealizador do projeto Clean Up Day, Rainer Nõlvak que, em agosto de 2007, com a participação de 50 mil voluntários limpou a Estônia em apenas um dia; o escritor Leonardo Boff; o rapper MV Bill; o jornalista André Trigueiro; o jovem inglês Lucien Tarnowski, empreendedor por trás do BraveNewTalent, plataforma que conecta jovens a potenciais empregadores através de uma rede social; o poeta GOG - Genival Oliveira Gonçalves; a pedagoga e fundadora da Casa do Zezinho Tia Dag; a médica e fundadora da ONG Saúde Criança Renascer, Vera Cordeiro; o cantor e compositor Seu Jorge; e Ferrez, um dos mais respeitados escritores da atualidade, entre outros palestrantes.

O objetivo do evento é promover o debate entre os setores público, privado e a sociedade civil, sobre o conceito e a prática da sustentabilidade, tendo como ponto de partida os quatro princípios da Carta da Terra: Democracia, não violência e paz; Integridade Ecológica; Respeitar e Cuidar da Comunidade da Vida e Justiça Social e Econômica. A expectativa da produção do Fórum é que cerca de 1,8 mil pessoas compareçam aos dois dias do evento.

— O papel da comunicação é fundamental para promover mudanças de conduta na sociedade e aproximar o discurso da prática. Para praticarmos a sustentabilidade, basta que todos pratiquem pequenas atitudes como não consumir mais do que se precisa; praticar a carona solidária, consumir produtos orgânicos; economizar água e energia, entre outros — enumera Martha Rocha, da Atitude Brasil, organizadora do Fórum.

O III Fórum de Comunicação e Sustentabilidade irá oferecer, ainda, um show em homenagem aos dez anos da Carta da Terra. A apresentação conta com a participação de Seu Jorge, MV Bill, entre outros. O Fórum será transmitido gratuitamente via internet para as universidades de fora do Rio de Janeiro, América Latina, Europa, África e Ásia, em tempo real, via webcast.

LIMPA BRASIL

Em sua terceira edição, o Fórum Internacional de Comunicação e Sustentabilidade irá abordar soluções relacionadas à geração de lixo e ao destino desses resíduos no meio ambiente. Para isso, durante o evento, será lançado o projeto Limpa Brasil, que acontecerá em agosto próximo no Rio de Janeiro. A iniciativa é baseada no projeto “Let’s Do It", idealizado pelo ambientalista Rainer Nõlvak — que participará do Fórum — que ‘limpou’ a Estônia em um dia com a participação de cerca de 50 mil voluntários.

O objetivo do Limpa Brasil não é apenas limpar o país, mas também para a mudança da atitude da população e conscientizar todos sobre os problemas ambientais. A ideia é que o Limpa Brasil seja itinerante e atue em diferentes cidades do Brasil. O pontapé inicial do projeto será no Rio de Janeiro.

PALESTRANTES

Muhammad Yunus – Fundador do Grammen Bank, o banco dos pobres, e Prêmio Nobel da Paz em 2006. Desempenha um papel importante para erradicar a pobreza no mundo, elevando a renda na base da pirâmide social por meio do microcrédito.

Rigoberta Menchú – Indígena do grupo Quinché-Maia, da Guatemala, foi agraciada com o Nobel da Paz em 1992 por sua campanha pelos direitos humanos, especialmente a favor dos povos indígenas. É embaixadora da Boa-Vontade na Unesco e vencedora do prêmio Príncipe das Astúrias de Cooperação Internacional. Foi candidata à presidente da Guatemala em 2007.

Lucien Tarnowski - Nomeado como Jovem Lider Global (YGL) pelo Fórum Econômico Mundial, o ingles de 26 anos é o empreendedor por trás do BraveNewTalent, plataforma que conecta jovens a potenciais empregadores através de uma rede social. Participam da rede cerca de 100 mil jovens de mais de 140 países, que aderiram ao sistema sem qualquer tipo de publicidade, o que demonstra o poder global do recrutamento através de redes socias.

Vera Cordeiro - Médica, fundadora da ONG Saúde Criança Renascer, organização que atende famílias carentes do subúrbio do Rio de Janeiro e da Baixada Fluminense que possuem filhos internados no Hospital da Lagoa. Proporciona acompanhamento nas áreas de saúde, educação, moradia, geração de renda e cidadania, para famílias de mais de 6 mil crianças.

Tia Dag – Pedagoga, fundadora da casa do Zezinho, no bairro do Capão Redondo, em São Paulo, que atende mais de 1200 crianças e jovens de 6 a 21 anos, com educação em música, teatro, padaria, informática, além de capacitação profissional, atendimento odontológico, convênio médico, oftalmológico e reeducação alimentar.

Seu Jorge - Cantor e compositor brasileiro que mistura a batida do samba carioca como o suingue da guitarra e os metais do funk americano, sem perder a personalidade. Um dos maiores sucessos da música brasileira em todo mundo atualmente.

Primogênito de quatro filhos, Seu Jorge teve uma infância tranquila e desde adolescente frequentava as rodas de samba carioca acompanhando o pai e os bailes funk da periferia, e cedo começou a se profissionalizar cantando na noite. Foi aí que a morte de seu irmão Vitório em uma chacina levou a família à desestruturação, e Seu Jorge acabou virando sem-teto por cerca de três anos. A nova virada se deu quando o clarinetista Paulo Moura o convidou para fazer um teste para um musical de teatro.

Bert Parlee – Psicólogo, membro fundador e por vários anos chefe de gabinete da Integral de Ken Wilber Institute, no Colorado, Estados Unidos. Leciona na Mendoza College of Business o programa de MBA para Executivos de Educação da Universidade de Notre Dame em Indiana e no MBA de programas de Psicologia Organizacional no Golden Gate University, em São Francisco.

Ferrez – Um dos mais respeitados autores da nova geração de escritores. Autor de livros consagrados como “CapãoPecado”, “Manual Prático do Ódio” e “Fortaleza da Desilusão”. Nascido e criado no Capão Redondo, frequentemente dá palestras nas periferias brasileiras. Ligado ao movimento hip hop, fundou a 1DASUL - marca própria de roupas produzida no bairro.

Rainer Nolvak – Empresário estoniano protetor da natureza e presidente do conselho na Estônia. Foi um dos organizadores do “Let’s do It 2008”, uma ação cívica com 50 mil voluntários que praticaram a limpeza da Estônia em apenas um dia.

André Trigueiro – Jornalista brasileiro especializado em Jornalismo Ambiental. É repórter e âncora da Globonews. Também dá aulas na PUC-Rio.

GOG – Genival Oliveira Gonçalves - nasceu em Sobradinho, periferia do Distrito Federal. Poeta, enigmático, revolucionário, consciente de seu papel junto à sociedade, inovador e polêmico.

MVBill – Nascido na Cidade de Deus, Rio de Janeiro, se tornou a referência do rap e do Hip Hop como movimento de conscientização sobre a realidade das favelas brasileiras e como crítica aos problemas sociais. Recebeu diversos prêmios por sua música, como o MTV 2001 e o Hutúz, na América Latina. Junto com Celso Athayde e com o ex-secretário de Segurança do Rio de Janeiro, Luiz Eduardo Soares, lançou o livro, “Cabeça de Porco”, livro que serviu de base para o projeto-documentário “Falcão – Meninos do tráfico”, exibido pela Rede Globo.

José Junior – Coordenador executivo do premiado grupo cultural AfroReggae, é um exemplo de ser humano essencialmente empreendedor, que usa de todos os seus talentos e de muita intuição para criar oportunidades através da arte, da cultura e da educação de uma nova vida para jovens das favelas do Rio de Janeiro.

Leonardo Boff - professor de Ética, Filosofia da Religião e Ecologia na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). É autor de mais de 60 livros nas áreas de Teologia, Espiritualidade, Filosofia, Antropologia e Mística. Em 2001 recebeu o Right Livelihood, na Suécia, prêmio alternativo ao Nobel da Paz. Participou da elaboração da Carta da Terra.

Roger Agnelli – Diretor-Presidente da Vale do Rio Doce desde 2001. Graduado em Economia pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), em São Paulo, fez sua carreira no Grupo Bradesco. Foi membro do conselho de importantes organizações brasileiras, com CPFL, Suzano e Petrobras.

PROGRAMAÇÃO

III Fórum Internacional de Comunicação e Sustentabilidade

Data: 19 de 20 de maio, a partir de 9h
Local: Vivo Rio - Av. Infante Dom Henrique 85. Metrô Cinelândia
Entrada franca. Inscrições no site do evento

Será respeitada a ordem das inscrições.

Acesso para portadores de necessidades especiais

19 DE MAIO – QUARTA-FEIRA



09h – 9h30 - Abertura

Apresentador

Atitude Brasil
Carta da Terra – Miriam Vilela – confirmado

9h30 – 13h30 - Mesa 1: Democracia, Não Violência e Paz

Subtema: Responsabilidade da comunicação com relação à sociedade e o impacto das redes sociais nos novos modelos de comunicação

Ferréz – Escritor
GOG
Leonardo Boff

13h30 – 14h30 – Almoço
14h30 – 18h30 - Mesa 2: Integridade Ecológica

Subtema: Responsabilidade socioambiental do Brasil e soluções relacionadas à geração de lixo e seu destino

André Trigueiro - Jornalista Globo News- confirmado
Rainer Nolvak - confirmado

18h30 – 20h30 - Coquetel de relacionamento

20 DE MAIO – QUINTA-FEIRA

9h – 13h - Mesa 3: Respeitar e Cuidar da Comunidade da Vida

Subtema: O poder da informação e do acesso de forma democrática para a mobilização do desenvolvimento sustentável

Bert Parlee – psicólogo clínico com psicoterapia
Tia Dag
MV Bill

Mediador: Alexandre Machado - confirmado

13h – 14h – Almoço
14h – 18h - Mesa 4: Justiça Social e Econômica

Subtemas: A inclusão da base da pirâmide no sistema de consumo e como o empreendedorismo social pode contribuir para o desenvolvimento sustentável das comunidades; E a preocupação da saúde como inclusão social.

Muhammad Yunus – Prêmio Nobel da Paz 2004
Vera Cordeiro – Saúde Criança - Cardiologista Infantil
Seu Jorge – confirmado

Mediador: Flavio Oliveira – confirmado

18h – 18h30 - Intervalo para relacionamento
19h – 23h – Show em Homenagem a Carta da Terra

PATROCINADORES

Banco do Brasil, Petrobras, Vale do Rio Doce e Vivo

AS INSCRIÇÕES ESTÃO ABERTAS NO SITE DO EVENTO

Fonte: Portal do Meio Ambiente

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Lixo e Energia? é possível?


O fim dos aterros
Autor(es): Agencia O Globo/ VALÉRIA FERNANDES
O Globo - 10/05/2010

É impressionante como as autoridades ignoram completamente as tecnologias alternativas para tratamento de resíduos sólidos urbanos e continuam a apontar como solução os condenáveis aterros sanitários.

Com alguma frequência, a mídia vai buscar, no exterior, exemplos bem-sucedidos de opções implantadas que descartam completamente os aterros sanitários e tratam termicamente o lixo — depois de separados os recicláveis —, gerando energia elétrica com os gases. Os cientistas se manifestam constantemente contra os aterros, argumentando que, assim como os lixões a céu aberto, os aterros escondem perigos no subsolo. Eles emitem fluidos tóxicos ou venenosos.

Mesmo assim, quando o problema do destino do lixo vem à tona, nossas autoridades se justificam, dizendo que estão prestes a solucionar a questão “enterrando a sujeira”. Isto é, ocupando um espaço absurdo, onde, por exemplo, os moradores do Morro do Bumba (o lixão que despencou na última tempestade em Niterói) poderiam construir casas “seguras”.

O GLOBO, em abril, mostrou novamente a opção pelos lixões e, novamente, como as autoridades apostam nos aterros.

Na mesma época, o “The New York Times” mostrou os avanços das usinas de tratamento térmico dos resíduos urbanos com geração de energia na Europa. A reportagem mostrou as vantagens financeira e ambiental da tecnologia. Na semana da tragédia em Niterói, o “Bom Dia Brasil”, da TV Globo, mostrou uma usina no Japão que gera eletricidade com o lixo recolhido.

O Brasil possui tecnologias alternativas aos aterros — tratamento térmico, refinaria de biomassa, usinas de compostagem...

Atualmente, todas essas opções disputam a aprovação de consórcios intermunicipais no país inteiro, mas nenhuma emplaca. As autoridades ainda acham mais fácil e mais barato implantar um aterro sanitário que, na maioria das vezes, demora cinco anos para ser preparado e dura no máximo 20 anos. É um problema anunciado.

Em São Paulo, no entanto, um grande passo foi dado, no final do ano passado, pela Secretaria de Meio Ambiente do estado.

Ela estabeleceu diretrizes e condições para a operação e o licenciamento da atividade de tratamento térmico de resíduos sólidos urbanos em Usinas de Recuperação de Energia (URE). São usinas como as citadas nas reportagens, e como a que funciona, como modelo, na Ilha do Fundão, no Rio de Janeiro. Na justificativa, o secretário Francisco Graziano Neto lembrou que “a recuperação de energia a partir do tratamento térmico de resíduos sólidos foi listada como uma tecnologia mitigadora no enfrentamento do aquecimento global, e um mecanismo de desenvolvimento limpo pelo Comitê Executivo da Convenção Quadro da ONU — Organização das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas”.

Quem sabe, agora, o Brasil começa a desistir dos aterros.

VALÉRIA FERNANDES é jornalista.
Extraído de http://www.oglobo.com.br/ em 10/05/2010

sexta-feira, 7 de maio de 2010

CRISE NA GRÉCIA AFETA REAL E DERRUBA BOLSAS


CRISE GREGA ASSUSTA MERCADOS E FAZ DÓLAR DISPARAR NO BRASIL
Autor(es): EPAMINONDAS NETO - DA REPORTAGEM LOCAL
Folha de S. Paulo - 07/05/2010

A crise econômica na Grécia provocou pânico nos mercados. A Bolsa de Nova York chegou a cair 9% no meio do pregão, mas encerrou o dia com perda mais modesta, de 3,2%. A queda na Bovespa foi de 2,31%. No Brasil, a cotação do dólar variou de R$ 1,79 a R$ 1,89 no momento de maior estresse. No final do dia, a moeda americana fechou cotada a R$ 1,849 -valorização de 2,83%.

Moeda brasileira tem maior variação em 13 meses, euro tem a pior cotação em oito anos e nervosismo se espalha pelo mundo

Pacote de ajuda de 110 bi é considerado insuficiente; calote grego pode atingir outros endividados como Itália, Espanha e Portugal

O risco de calote grego que afeta grandes bancos europeus e a decepção com a aparente falta de ação das autoridades europeias provocaram ontem um dia de tensão que lembrou momentos da crise global de 2008 e espalhou temores muito além da Europa.

O real sofreu a maior variação em 13 meses e o euro atingiu a pior cotação em oito anos.

O dólar mostrou algumas das variações mais bruscas do dia: oscilou entre R$ 1,79 e R$ 1,89 no momento de maior estresse.

No final do dia, foi trocado por R$ 1,849, salto de 2,83%, o maior desde março de 2009.

A Bovespa afundou 6,4% em seu pior momento, mas também se recuperou perto do fechamento: o índice Ibovespa cedeu 2,31%, praticamente anulando os ganhos acumulados desde o início de fevereiro.

A derrocada foi generalizada: a Bolsa de Nova York deu mergulho de 9% no meio do dia, assustando investidores em todo o mundo. Mas encerrou o dia com perdas mais modestas, de 3,20%.

Mais tarde, agências internacionais relataram que uma possível falha técnica em uma ordem de mercado pode ter afetado o pregão americano -por conta dela, a Bolsa de Nova York e a Bolsa eletrônica Nasdaq informaram que cancelariam as ordens executadas no período. A SEC (espécie de CVM dos EUA) investigará. Na Europa e na Ásia, as Bolsas caíram entre 0,9% e 3%.

Há meses, a Grécia se tornou "a bola da vez" de especuladores, ao vir a público a fragilidade de suas contas públicas. A União Europeia e o FMI costuraram o maior pacote de ajuda financeira da história recente (de € 110 bilhões).

Europa endividada

O que os mercados sinalizaram ontem é que essa ajuda pode não ser suficiente para salvar a economia europeia de um colapso, cujo estopim seria a supostamente inevitável moratória grega (a dívida pública do país é mais de duas vezes o valor do resgate bilionário).

Uma consequencia direta do não pagamento será um forte abalo sobre o sistema financeiro europeu, que detém 80% das dívidas do país. Bancos alemães e franceses (que detêm 50% do montante) perderiam dinheiro e ficariam com menos capital, uma espiral que poderia redundar em seguros de crédito mais caros e juros mais altos.

A fragilidade grega pode contagiar os também endividados Espanha, Portugal e Itália, provocando estrago muito maior: somente a Itália tem uma economia seis vezes maior que a Grécia; e o que a Espanha deve aos bancos alemães (US$ 238 bilhões) já equivale a quase toda a dívida grega.

"Não há sinais de que pode haver solução no curto prazo", afirma Mário Paiva, analista da corretora BGC Liquidez.

Muitos analistas culparam o presidente do BCE (Banco Central Europeu), Jean-Claude Trichet, pelo nervosismo que derrubou as Bolsas.

A autoridade europeia provocou uma onda de frustração ao declarar que não pretende adquirir títulos de dívida de países da zona do euro, ativos que recheiam a carteira de muitos bancos e sofrem um processo de depreciação, num cenário de desconfiança generalizada sobre a capacidade dos países em saldar compromissos.

Analistas elogiam os fundamentos da economia brasileira, que podem ajudar o mercado doméstico a sofrer menos numa eventual piora da crise.

"Muitos dizem que a Bovespa está um pouco "descolada" da crise mundial, mas, num episódio de estresse como esse, os investidores fogem: vendem Brasil e correm para os títulos do Tesouro americano", afirma o superintendente da Banif Corretora, Raffi Dokuzian.

Extraído de http://www.folha.uol.com.br/ em 07/05/2010

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Alta dos juros pode ser menor que a prevista
Autor(es): FERNANDO SAMPAIO - ESPECIAL PARA A FOLHA
Folha de S. Paulo - 05/05/2010

Depois de provocar sustos no começo do ano, nas últimas semanas os índices de inflação têm apurado algum arrefecimento do ímpeto de alta dos preços, tanto no atacado como no varejo. Ainda assim, as expectativas de inflação continuaram a piorar, de forma gradual, mas quase ininterrupta.

Dois fatores, em especial, parecem responder pelo fato de as instituições especializadas estarem projetando, em média, altas do IPCA de 5,4% em 2010 -claramente acima da meta de 4,5%- e de 4,8% em 2011 (ligeiramente acima da meta, também de 4,5%). O primeiro fator é o aumento das pressões de custos provocado pela recuperação das cotações das commodities agrícolas e minerais (com destaque para o salto do preço do minério de ferro).

Essa recuperação reflete a reativação da demanda global, sobretudo nas regiões ditas emergentes, à medida que se dilui o trauma da crise financeira global.

O segundo elemento que vem reforçando o receio de futuras pressões inflacionárias é o ímpeto da demanda doméstica, do emprego e da produção, maior do que se antecipava. A pesquisa mensal do IBGE sobre a indústria revelou que em março ela novamente aumentou bastante a sua produção, que superou as expectativas (a exemplo do que ocorreu com as vendas do comércio varejista em fevereiro e a evolução do emprego formal em março).

Essas informações têm fomentado alertas de que a economia está superaquecida ou muito perto disso. Para arrefecer a demanda a tempo de impedir que a inflação fuja ao controle, o quadro exigiria, segundo esse diagnóstico, um choque de juros que levasse a Selic para bem mais do que os 11,75% ao ano que hoje correspondem à expectativa média.

Antecipação de compras

stão presentes, no entanto, fatores que apontam para desaceleração da atividade já neste segundo trimestre, comparativamente ao ritmo forte observado no primeiro. Um desses fatores é o fim das reduções temporárias de IPI.

Essas reduções produziram antecipação de compras de vários tipos de bens -movimento difícil de medir, mas inegável. O encerramento da quase totalidade desses estímulos a partir de abril contribuirá para uma desaceleração abrupta das vendas desses bens.

Além disso, uma infinidade de indicadores -do consumo de energia às vendas dos supermercados, passando pela confiança dos consumidores e pela produção prevista pela indústria para os próximos meses- sugere que o PIB cresceu a um ritmo menor no primeiro trimestre do que no trimestre final de 2009 e que ele deverá diminuir novamente sua velocidade no segundo trimestre.

À luz desses elementos, o Banco Central poderá optar por aumentar a Selic mais depressa do que vinha sinalizando. Mas segue relevante a chance de que a taxa de juros básica não vá ultrapassar, ou mesmo alcançar, o nível de 11,75% ao ano.

Extraído de http://www.folha.uol.com.br/ em 05/05/2010

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Mercado de Trabalho Brasileiro

O Brasil é o quarto maior mercado para o trabalho temporário no mundo, com saldo médio diário de profissionais nesta categoria de 875 mil pessoas

Por Karla Santana Mamona, InfoMoney - 27 de abril de 2010, às 08h28min

As três primeiras colocações são ocupadas pelos Estados Unidos (2,66 milhões), Japão (1,4 milhão) e Reino Unido (1,22 milhão), segundo a CIETT (International Confederation of Private Employment Agencies).

"O Brasil ocupar o quarto lugar em um ranking com 33 países é a constatação de uma realidade: a terceirização e o trabalho temporário se firmam cada vez mais como atividades modernas, que ampliam a geração de empregos formais, aumentando a competitividade dos países", afirma o presidente do Sindeprestem (Sindicato das Empresas de Terceirização de Serviços e Trabalho Temporário no Estado de São Paulo), Vander Morales.

Além disso, completa Morales, o setor é porta de entrada para milhões de jovens no mercado de trabalho. Entre 1998 e 2008, o número de profissionais temporários em todo o mundo quase dobrou, passando de 4,8 milhões para 9,5 milhões de pessoas empregadas no setor.

Contratação para Dia das Mães

Para se ter uma ideia, somente para o Dia das Mães é estimado que sejam abertas 26 mil vagas temporárias, o que representa alta de 11%, ao serem comparadas com as do ano anterior. É o que aponta um levantamento realizado pela Asserttem (Associação Brasileira das Empresas de Serviços Terceirizáveis e de Trabalho Temporário).

Neste ano, a proximidade com a Páscoa fez com que muitos contratos fossem mantidos, para suprir o aumento da demanda também no Dia das Mães. No total, são 65 mil profissionais temporários em atividade para a data comemorativa. Destes, 39 mil são remanescentes. A entidade acrescenta ainda que 10% dos temporários devem ser efetivados.

Os setores que mais se destacam no período do Dia das Mães são vestuário, acessórios, perfumaria e aparelhos eletroeletrônicos. Para Morales, a linha de televisores também deve aumentar consideravelmente as vendas e, como consequência, as contratações temporárias por conta da Copa do Mundo.

Direitos trabalhistas

O trabalho temporário no Brasil é regido pela Lei n° 6.019, de 3 de janeiro de 1974, mas nessa modalidade valem as mesmas regras trabalhistas dos regimes efetivos.

Dessa forma, o profissional temporário tem direito a salário equivalente, jornada de oito horas, recebimento de horas extras, adicional por trabalho noturno, repouso semanal remunerado, férias proporcionais, décimo terceiro e proteção previdenciária.

Nesse tipo de contratação, porém, a empresa é liberada do pagamento do aviso prévio. Quando demitido por justa causa, o trabalhador temporário também não recebe a indenização de 40% sobre o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço).

De acordo com a lei, o trabalho temporário tem a duração máxima de três meses, com direito a prorrogação por igual período.