sábado, 31 de julho de 2010

O PIB foi negativo em julho, diz Fazenda


PIB caiu em julho, diz Fazenda
Autor(es): Claudia Safatle

O Produto Interno Bruto foi negativo em julho em 0,1%, segundo os cálculos, ainda preliminares, que o Ministério da Fazenda faz para medir o ritmo da atividade econômica no país. Em junho, houve crescimento modesto, ao redor de 0,7%. A expansão do PIB no segundo trimestre do ano, portanto, também deve ficar mais próxima de 0,5% do que de 1%, muito abaixo dos 2,7% do primeiro trimestre. No ano, o crescimento deve ficar mais perto de 6,5% do que de 7%, como esperam muitos analistas. A partir dessas premissas, o secretário de Política Econômica da Fazenda, Nelson Barbosa, avalia que a atividade de julho a setembro continuará fraca, bastante parecida com a do segundo trimestre, fruto da forte desaceleração que ocorreu na economia depois da retirada, em março, dos incentivos fiscais e monetários concedidos no auge da crise de 2008.

O Produto Interno Bruto foi negativo em julho 0,1%, segundo os cálculos que o Ministério da Fazenda faz para medir a temperatura da atividade econômica do país. Por esse indicador ainda preliminar, a queda do PIB este mês foi precedida de um magro crescimento em junho, ao redor de 0,7%. A expansão do produto no segundo trimestre do ano, portanto, também deve ficar mais próxima de 0,5% do que de 1%, percentual distante dos 2,7% do primeiro trimestre. No ano, o crescimento econômico não deve passar de 7% . Está mais para 6,5%.

Essas são as previsões do secretário de Política Econômica, Nelson Barbosa. "A dúvida, agora, é o terceiro trimestre", disse. Ele avalia que a atividade de julho a setembro continuará fraca, bastante parecida com o segundo trimestre, fruto da forte desaceleração que ocorreu na economia depois da retirada, em março, dos incentivos fiscais e monetários concedidos no auge da crise de 2008. E estima que no último trimestre do ano o crescimento estará no intervalo de 1% a 1,5%, "uma recuperação estatística, por causa da base de comparação".

O índice do nível de atividade a que se refere o secretário vem sendo apurado pelo Ministério da Fazenda desde 2007, para consumo interno, com base na média móvel trimestral da produção. É praticamente igual ao que o Banco Central começou a divulgar recentemente, o IBC-BR. Os cálculos para julho, assinalou Barbosa, são preliminares e foram feitos com base nos dados já disponíveis (consumo de energia elétrica, venda de automóveis, vendas do comércio, entre outros), e a queda do PIB se refere à média de maio-junho-julho confrontada com a média de fevereiro-março-abril.

O que distingue os prognósticos da Fazenda e do Banco Central para 2010 - uma expansão do PIB mais próxima de 6,5% do que de 7%, enquanto o BC continua com a estimativa de 7,3% - é o comportamento das contas externas. O secretário explicou que as suas projeções consideram que as contas externas vão subtrair mais do crescimento este ano do que o BC imagina. Para ele, a demanda doméstica cresce entre 8,5% e 9%, enquanto que a demanda externa contribuirá negativamente com 2,1% para o nivel de atividade.

Ao novo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva entregaria o país crescendo, a taxas anualizadas, algo em torno de 4,5% a 5,5%, longe dos indicadores de superaquecimento do primeiro trimestre e mais compatível com o PIB potencial, que Barbosa estima em 5%.

As projeções do secretário para a atividade econômica em julho estão, portanto, condizentes com as do Banco Central, cujo índice IBC-BR também identificou uma pequena queda do produto.

Mesmo diante do brusco desaquecimento e do aumento de 200 pontos-base na taxa Selic até agora, ele acredita que a taxa de inflação medida pelo IPCA só convergirá para o centro da meta, de 4,5%, no fim de 2011. O IPCA este ano ainda ficará acima de 5%. A ata do Copom divulgada ontem também vislumbra, no cenário de referência onde os juros ficam estáveis em 10,75%, uma convergência só no início de 2012.

Quando o IBGE divulgou, no início de junho, o crescimento de 2,7% no primeiro trimestre deste ano, comparado ao último trimestre de 2009 - performance que, anualizada, significaria uma expansão de 11,2% -, a economia já estava sob forte desaquecimento. A inflação ainda não refletia essa reversão por causa dos efeitos do aumento de preço do minério de ferro, que estariam obscurecendo os índices de preços, disse Barbosa.

Para ele não houve surpresa nem na derrubada da inflação em junho e julho nem na freada no ritmo de crescimento. Nesta coluna, no início de junho, antes mesmo do anúncio, pelo IBGE, dos dados exuberantes do PIB do primeiro trimestre, o secretário do Ministério da Fazenda disse: "A desaceleração começou a ocorrer naturalmente, conforme estava previsto. O temor do superaquecimento da economia será gradualmente substituído pelo temor de uma desaceleração muito rápida". E concluiu: "Não para nós, que já contávamos com isso, mas para os alarmistas do superaquecimento".

Na ocasião, Barbosa alegava que o superaquecimento no primeiro trimestre era fruto de uma vigorosa antecipação de consumo provocada pelo anúncio do fim dos subsídios e que logo seria revertido.

Sobre o que espera das próximas decisões do Copom, Barbosa não fala. Mesmo depois da ata da última reunião, quando o comitê surpreendeu o mercado com um aumento de 0,5 ponto na Selic em 0,5%, as apostas no governo ainda estão divididas entre quem acha que o ciclo de alta dos juros já acabou e quem acha possível mais um último aumento, ainda que suave.

Mesmo com as severas críticas que sofreu nos últimos dias, por supostamente induzir o mercado a esperar uma coisa e fazer outra, o Banco Central pode comemorar um fato: não há mais risco de o presidente da instituição ter que escrever carta ao ministro da Fazenda para explicar por que a inflação superou o teto da meta. Com os dados do IPCA de junho e julho, acabou o perigo de a inflação este ano ultrapassar 6,5%.

Extraído de www.valoronline.com.br em 01/08/2010

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Como melhorar a Educação?

Autor(es): Eduardo de Carvalho Andrade
Valor Econômico - 28/07/2010

Nossos alunos continuam na lanterna nos resultados dos testes de proficiência internacional. Os custos para a sociedade são significativos

Depois de oito anos de governo de cada um dos principais partidos, PSDB e PT, pode-se dizer que eles apresentam uma mancha nos seus currículos. Nenhum deles foi capaz de melhorar a qualidade da Educação. Os nossos alunos continuam na lanterna nos resultados dos testes de proficiência internacional. Os custos para a sociedade são significativos. Em 75 anos, o PIB do Brasil seria 35% maior em termos reais, se o governo adotasse uma política que aumentasse gradativamente a qualidade da Educação de forma a reduzir pela metade, dentro de 20 anos, a diferença que nos separa da qualidade média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

A grande questão que deveria ser colocada nos debates presidenciais deste ano é como melhorar a Educação brasileira e a peça-chave é o bom professor. As evidências de que ele faz a diferença são acachapantes . Durante um ano letivo, ele é capaz de ensinar o equivalente a 1,5 ano. Já um professor ruim ensina o equivalente a 0,5 ano.

Isso ocorre mesmo com ambos lecionando na mesma escola, estando sujeito às mesmas condições de trabalho e tendo alunos com as mesmas características. Apesar dessas diferenças de desempenho, os seus salários não guardam nenhuma relação com a sua contribuição para o aprendizado do aluno. Uma nova política educacional deveria ser formada pelo tripé composto pela identificação dos bons professores, incentivos adequados para reter e atrair os bons profissionais e mudança na legislação. Vejamos cada um dos seus componentes.

Caracterizar um bom professor não é tarefa simples. Um bom professor não necessariamente é aquele que realiza vários cursos de especialização, que tem vários anos de experiência em sala de aula, que tem notas altas em exames sobre o conteúdo da sua disciplina ou qualquer outra característica observável pelo gestor. Esses são exemplos de fatores utilizados hoje no Brasil para promover os professores. É preciso criar um sistema capaz de identificá-lo.

Por um lado, o governo federal poderia dar uma importante contribuição. Se a Prova Brasil fosse expandida para outras séries e outras áreas do conhecimento, seria possível saber qual é a efetiva contribuição do professor da turma (ou do grupo de professores) para o aprendizado do aluno. Essa informação tornaria possível a identificação dos melhores professores. Por outro lado, estudos mostram que os diretores, quando perguntados, são capazes de prever quais são os professores excelentes ou péssimos em termos de contribuição para o aprendizado do aluno. Eles não são capazes de ranquear os professores medianos. Os pais que acompanham a evolução acadêmica dos seus filhos também sabem quem são os melhores professores.

Não raro pedem para os seus filhos serem alocados nas suas classes. Surpreende que o atual sistema não seja capaz de utilizar informações como essas para premiar os profissionais mais capacitados.

Passa-se então para a segunda ponta do tripé. Deveria ser estimulado que cada município e Estado crie um sistema de remuneração que use as informações sobre o desempenho dos professores, obtidas ou pelos resultados dos seus alunos ou com diretores e pais. Os bons professores devem receber uma bonificação significativa.

Depois de alguns anos observando seus desempenhos, de forma a impedir avaliações apressadas e injustas, os piores professores devem ser demitidos. Deve-se colocar à disposição durante esse processo programas de treinamento. Mas, ao mesmo tempo, deve-se ter em mente que os seus impactos podem ser limitados, pois não se sabe muito bem como "construir" um bom professor.

No Brasil, é comum que a política de pagamento de bonificações nas escolas públicas seja igual em número de salários adicionais para todos os professores, em função do desempenho da escola como um todo em termos de melhorias das notas dos seus alunos nos testes de proficiência. A justificativa é que todos contribuem para o sucesso e fracasso da escola e também para manter o necessário espírito de unidade e colaboração entre o corpo docente.

No entanto, dado que os professores contribuem de forma tão diferenciada para o aprendizado dos alunos, é fundamental que parte significativa (talvez 50%) das bonificações seja em função dos seus desempenhos individuais e o restante em função da performance global da escola. Com a adoção de um sistema meritocrático e o correspondente aumento das remunerações dos bons professores, espera-se que para a profissão sejam atraídos novos e bons profissionais. O impacto pode ser significativo.

Estudo feito para a situação dos Estados Unidos mostra que se os 10% piores professores fossem substituídos por professores, não excelentes, mas medianos, a qualidade da educação subiria do atual patamar (posição 35 no ranking de matemática) para o nível finlandês (top 2). Se o impacto fosse semelhante no caso brasileiro, reduziríamos pela metade a nossa distância da média dos países da OCDE.

A última ponta do tripé envolveria uma necessária mudança na legislação trabalhista. Hoje, um professor concursado não pode ser demitido caso fique comprovada a sua incapacidade de ensinar. Uma nova legislação deveria explicitar que os novos professores contratados já estariam sujeitos ao sistema meritocrático descrito acima, com maiores salários, sim, mas sujeitos à demissão.

Com os conhecimentos existentes hoje, as mudanças sugeridas acima são aquelas mais prováveis de gerar uma melhoria na qualidade da educação. São políticas fáceis de sugerir, mas não tão simples de implementar, pois exigiria um enfrentamento do corporativismo. Quem teria a ousadia necessária para a sua adoção: PSDB ou PT?

Extraído de www.valoronline.com.br em 28 de julho de 2010.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Os 10 melhores livros sobre a crise financeira

Ruth Sunderland, jornalista especializada em economia do The Observer, seleciona uma dezena de títulos em língua inglesa, relatos documentais do "crac" ou análise a posteriore da derrocada.periodista económica.


Too Big to Fail: Inside the Battle to Save Wall Street [Demasiado grandes para caer: en la batalla por salvar Wall Street] de Andrew Ross Sorkin

Basado en más de 500 horas de entrevistas con más de 200 personas, es éste un relato sensacional de la crisis, contado desde el punto de vista de los protagonistas de Wall Street. Para echar una miradita por la cerradura de los apartamentos de Park Avenue y a los relucientes modelos Lexus negros, este es nuestro libro. Sorkin se detiene con detalle en la historia desde dentro, dando una visión documentadísima de las reuniones y enfrentamientos clave, si bien es poco prolijo en lo que respecta a las reformas necesarias para ponerlos en su sitio.




Fool's Gold: How Unrestrained Greed Corrupted a Dream… [El oro del loco: cómo la avaricia desenfrenada corrompió un sueño...] de Gillian Tett

Un relato escrito con elegancia y conocimiento experimentado por la periodista financiera más profética del Reino Unido en el que se cuenta cómo los banqueros de J.P. Morgan inventaron los derivados de crédito, pervertidos hasta convertirse en instrumentos de destrucción masiva. Tett, periodista del Financial Times y doctora en antropología social, resulta fascinante en su descripción del modo en que una "tribu" bancaria de élite llegó a tener tanto poder sobre el resto de la sociedad. Los lectores tendrán que decidir por si mismos si trata o no a J.P. Morgan con excesiva liviandad.



House of Cards: How Wall Street's Gamblers Broke Capitalism [Castillo de naipes: cómo hicieron quebrar al capitalismo los jugadores de Wall Street] de William D. Cohan

Un retrato magistral de Jimmy Cayne, jefe de Bear Sterns, adicto al juego del bridge y fumador de porros. Esta historia de los diez días que concluyeron con el desmoronamiento del banco se muestra brillante al tocar los aspectos técnicos, y todavía mejor al abordar la psicología de esos fracasados banqueros/jugadores. Cayne no era el único personaje heterodoxo al timón de Bear: su predecesor, Ace Greenberg, utilizaba un alter ego para arengar al personal y entregaba donaciones caritativas a los estudiosos del enanismo, así como a los proveedores de Viagra gratuita para hombres que no podían pagársela.



The Devil's Casino: Friendship, Betrayal and the High-Stakes Games Played Inside Lehman Brothers [El casino del diablo: amistad, traición y apuestas altas en Lehman Brothers] de Vicky Ward

Un cuento fantástico sobre el mundo extraño y no tan maravilloso de Lehman Brothers: las personalidades, los incentivos y, lo mejor de todo, la política de puñaladas traperas de esposas y novias de los banqueros con calzado de Louboutin [marca de zapatos y bolsos de lujo]. El presidente, Richard Fuld, hoy vilipendiado, aparece retratado no sólo como el agresivo "Gorila" de las leyendas populares de Wall Street sino como una esponja humana que absorbía las cualidades de colegas más listos hasta el punto de robarles toda su personalidad.




Payback: Debt and the Shadow Side of Wealth [El pago de lo debido: la deuda y el lado sombrío de la riqueza] de Margaret Atwood

La escritora canadiense adopta un enfoque erudito a fin de examinar cómo se encarna en la religión, la moralidad, la ley y la literatura el concepto de deuda. Su disección de la compleja relación social entre deudor y acreedor es magistral, al mostrar de qué modo las nociones de lo que significa estar en deuda rebasan el ámbito financiero y configuran nuestro sentido de lo que es justo, la obligación y la venganza. Se atiene considerablemente a fuentes literarias que van desde el Fausto de Gothe a Vanity Fair, de Thackeray, y le saca buen partido a las concepciones de la deuda en la tradición cristiana.



A Week in December [Una semana de diciembre] de Sebastian Faulks

La visión de un novelista acerca de la manera como se contagia al resto de la sociedad la amoralidad de financieros como el personaje principal, John Veals, odioso gestor de hedge funds. Los personajes de Faulks habitan mundos herméticamente sellados, irreales: una joven conductora de metro vive enganchada a una versión ficticia de Second Life, una devota joven musulmana sucumbe a la retorcida lógica del terrorismo islámico, y un programa de televisión recurre a pacientes perturbados que compiten por conseguir tratamiento. Abunda la venta en corto ("short-selling"), no sólo en la forma depravada en que Veal planea hundir un banco sino también en cómo despelleja a sus rivales un cínico crítico de libros.

The Big Short: Inside the Doomsday Machine [El gran corto: dentro de la máquina apocalíptica] de Michael Lewis

En la década de 1980, Michael Lewis demostró ser un cronista magistral de Wall Street con Liar's Poker [El póker del mentiroso] que ponía al descubierto el machismo y los excesos de Salomon Brothers. Más de veinte años más tarde, su secuela nos muestra lo poco que hemos aprendido. El guiño de la historia reside en que está contada desde el punto de vista de los "ganadores", ese puñado de hombres que amasaron ingentes sumas apostando correctamente por el derrumbe. Un libro irresistible, aunque resulte incómodo identificarse con quienes se hicieron indecentemente ricos gracias a que sus predicciones resultaron acertadas.


The Way We Live Now [El modo en que hoy vivimos] de Anthony Trollope

La obra maestra de Trollope, cuya primera edición data de 1875, no se refiere, claro está, a la actual crisis financiera, pero su análisis de la manera en que las esperanzas de dinero fácil pueden corromper a los individuos y a determinadas partes de la sociedad sigue siendo hoy pertinente. La apariencia de una vida de lujo borra cualquier cuestionamiento moral y la sociedad se muestra vulnerable a las maquinaciones de los defraudadores porque ha perdido su sentido de los valores. Se hace facilísimo imaginar al "Gran Financiero", Augustus Melmotte (interpretado en televisión por David Suchet en 200), un obscuro y egocéntrico estafador situado en lo más alto de un banco de inversiones de la época.

[N. del T. En el ámbito hispano, un brillante equivalente podría ser La febre d´or (1890-1893), del gran novelista catalán Narcís Oller (1846-1930), cuyo protagonista, Gil Foix, hace fortuna en Bolsa al inicio de la década de 1880 para perderla por completo en la crisis económica. La obra se divide, estructural y argumentalmente, en dos grandes partes, con títulos bien diferenciados y explícitos: "La pujada" ("El ascenso") y "L'estimbada" ("El despeñamiento"). El hilo conductor de la novela es la ascensión de Foix y, consiguientemente, de su familia, de la menestralía a la alta burguesía y su vuelta al oficio de carpintero y a la situación social anterior. La primera parte consta de veinte capítulos y tiene como tema la transformación de Foix gracias al enriquecimiento rápido provocado por su actividad financiera. En esta primera parte se caracteriza a los personajes, entre los que destacan Caterina, esposa de Gil Foix, que no llegará adaptarse a la nueva situación; Delfina, la hija, que se situará al margen de la riqueza; Eladi, sobrino y socio de Foix, joven pretencioso e inconsciente; Francesc, hermano de de Caterina y pintor, representa al artista. En la segunda parte, "L'estimbada", compuesta por dieciocho capítulos, una vez caracterizados todos los personajes, los hechos se producen de una manera repentina, comenzando por la fractura de la unidad familiar, que sólo vuelve a unirse gracias a la ruina. La febre d'or es la gran novela de Barcelona, que también se convierte en protagonista al convertirse en una ciudad brillante y cosmopolita, siguiendo una evolución paralela a la de la burguesía. Con una técnica de flash-back.y una voz narrativa en tercera persona, la obra se ha comparado frecuentemente con L´argent de Zola, publicada poco después.] [4]

Crisis Economics by [Economía de la crisis] de Nouriel Roubini y Stephen Mihm

Las crisis no son algo excepcional sino parte intrínseca del capitalismo, de acuerdo con el "Dr. Doom" [Doctor Malagüero] Roubini (él prefiere que le llamen Doctor Realista), que predijo la catástrofe bancaria y la crisis de la deuda soberana. Roubini y su colaborador llevan al lector de paseo a través de las crisis, las causas de la actual, los remedios radicales precisos y los riesgos que nos esperan si los responsables políticos eluden las reformas. Es este un ataque enormemente persuasivo a la ideología neoconservadora que permitió que un sector financiero poco regulado llevara a la economía global al borde de la ruina. Un volumen instructivo y aterrador.


Freefall: Free Markets and the Sinking of the Global Economy [En caída libre: los mercados libres y el hundimiento de la economía global] de Joseph Stiglitz

Stiglitz, antiguo economista jefe del Banco Mundial, es otra de las raras voces disidentes que no compartían la creencia en los mercados irrestrictos que dispusieron el escenario de la peor crisis financiera desde la Gran Depresión. Libra un ataque devastador contra el sector financiero y los políticos y reguladores que permitieron que hiciera estragos. Argumenta de modo convincente que hasta ahora no hemos conseguido remediar el problema: en lugar de eso, "hemos llamado a los fontaneros que instalaron las cañerías". El sector bancario sigue teniendo la sartén por el mango.



Ruth Sunderland es responsable de la sección de negocios del dominical londinense The Observer.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

COPOM AMORTECE ALTA DOS JUROS E SELIC VAI A 10,75%


COPOM SUAVIZA RITMO DE ALTA DOS JUROS E ELEVA A SELIC EM 0,5 PONTO PERCENTUAL


Autor(es): Fernando Travaglini, Claudia Safatle e Angela Bittencourt, de Brasília e de São Paulo

Em comunicado, o Copom avaliou que há um "processo de redução de riscos para o cenário inflacionário" causado pela " evolução recente de fatores domésticos e externos"

A queda rápida da inflação, a desaceleração da economia doméstica e a fragilidade da economia internacional representaram uma mudança "dramática" no balanço de risco inflacionário e levaram o Comitê de Política Monetária (Copom) a rever, também, a dosagem do aumento dos juros. Ontem, o Copom decidiu por unanimidade elevar a taxa Selic em 0,50 ponto percentual, para 10,75% ao ano, sem viés.

A medida surpreendeu os analistas e economistas ligados às instituições financeiras, mas não as tesourarias dos bancos, que desde a semana passada já apostavam numa redução do ritmo de aperto monetário dos 0,75 ponto percentual das duas últimas reuniões do Copom, para o patamar de ontem.

De acordo com o comunicado, o Copom avaliou que há um "processo de redução de riscos para o cenário inflacionário que se configura desde a última reunião". Esse novo balanço de riscos, ainda de acordo com o documento, se deve "à evolução recente de fatores domésticos e externos". O comitê, continua o texto de dois parágrafos do comunicado, longo para os padrões do Copom, acredita que a decisão de novamente elevar a Selic "irá contribuir para intensificar" esse processo de melhora dos riscos.

O consenso de que o Copom manteria a mesma trajetória de elevação da Selic, estabelecido desde a última reunião, em junho, começou a ser quebrado na semana passada, com a divulgação dos dados de queda nas vendas de varejo. Na quarta-feira, o Banco Central divulgou seu índice de atividade econômica, o IBC-Br, que apontou estabilidade no mês de maio, em relação a abril, reforçando o cenário de desaceleração do ritmo de crescimento econômico. Novos dados de emprego também sinalizaram um desaquecimento mais acentuado do que o esperado.

Houve uma mudança "dramática" de cenário nos últimos 45 dias que separaram ontem da penúltima reunião do Comitê, em junho. E foi isso que o presidente do Banco Central verbalizou nas entrevistas da semana passada, quando disse que o Copom levaria em conta os dados e indicadores colhidos nos últimos dias.

O ambiente externo indica uma recuperação mais lenta, tanto da Europa quanto dos Estados Unidos, o que funcionará como uma força deflacionária para o Brasil. Isso, associado ao desaquecimento doméstico, já como fruto da retirada dos estímulos fiscais e monetários desde o primeiro trimestre e a uma dinâmica da economia internacional que têm se mostrado diferente de 2008 para cá, representa um poderoso contrapeso nos riscos inflacionários do país. As decisões das empresas globais têm sido ágeis, e se ontem estavam fazendo estoques, hoje estão interrompendo as encomendas, e os canais de transmissão dessas decisões para a economia brasileiras têm sido quase que instantâneos.

Foi com essa realidade que o Copom lidou para tomar a decisão de ontem, segundo informações oficiais. Assim, na avaliação de economistas do governo, o que pareceu a alguns analistas ter sido uma atitude incoerente do Copom se confrontada com a ata da reunião de junho, foi, na verdade, uma adequação a essa nova dinâmica de um cenário extremamente volátil.

Os números da inflação, base para o processo de acomodação das expectativas, também mudaram de forma acelerada desde a última reunião do Copom. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de junho veio zerado, seguido por deflação na prévia do IPCA-15 para julho. As medidas de núcleos também recuaram, assim como a inflação de serviços e dos preços livres.

As discussões, agora, se concentram no quando parar o processo de elevação dos juros. O atual ciclo de aperto teve início em abril, quando a Selic passou de 8,75% para 9,5% ao ano. No encontro de junho, nova elevação de 0,75 ponto percentual, para 10,25%. Até agora, portanto, houve uma elevação de 2 pontos percentuais na taxa básica de juros. A ata da reunião de ontem será divulgada no dia 29 e deverá fornecer subsídios para esclarecer essa dúvida do mercado. A próxima reunião do Copom será realizada no dia 1º de setembro.

O último processo de contração monetária aconteceu no início de 2008, com alta total de 2,5 pontos percentuais, seguido por um corte acentuado de 5 pontos no início de 2009, como forma de distensão para aliviar os efeitos da crise internacional.

O aumento da taxa Selic em 0,50 ponto, para 10,75% ao ano, não tirou o Brasil da liderança do ranking de juros reais praticados em 40 países. A liderança é mantida quando se olha para frente ou para trás.

Para o cálculo de juros atuais, descontada a inflação projetada pelo mercado para os próximos 12 meses, o juro real é de 5,6%. Atrás do Brasil vem a China, com juro real de 2,3%.

Jason Vieira, operador da Cruzeiro do Sul Corretora, responsável pela compilação dos dados, indica, a título de exemplo, que o juro real brasileiro é de 3,8% ao ano, considerando a taxa acumulada nos últimos 12 meses, descontada a inflação no período. Nesse caso, o Brasil é seguido pela Rússia com juro real de 3%.

Um aumento da Selic em 0,75 ponto ou em 1 ponto percentual elevaria o juro real brasileiro a, respectivamente, 5,8% e 6,1% ao ano, descontada a inflação 12 meses a frente.

Dos 40 países listados, 24 estão convivendo com juros reais negativos que vão de 0,1% no Chile a 10% na Venezuela.

Vieira lembra que alguns países perdem posições no ranking por terem projeções inflacionárias mais fortes. "O Brasil ocupa o topo do ranking em todos os cenários devido à combinação de projeções mais modestas de inflação e uma taxa nominal alta", conclui o economista.

Extraído de WWW.valoronlline.com.br em 22 de julho de 2010.

Economia subterrânea movimentou R$ 578 bilhões em 2009, aponta estudo


 
As atividades econômicas subterrâneas somaram R$ 578 bilhões em 2009, ou 18,4% do Produto Interno Bruto (PIB) – soma de todas as riquezas do país. O desempenho dos segmentos informais e ilegais foi medido por um estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), em parceria com o Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (Etco). Estão incluídos nesse total desde o trabalho dos vendedores ambulantes até ocupações criminosas, como tráfico de drogas.

Em números absolutos, a pesquisa aponta para o crescimento desse tipo de transação econômica. Em 2003 foram movimentados R$ 357 bilhões. Percentualmente, entretanto, ocorreu uma redução, uma vez que o valor representava há sete anos 21% do PIB.

Essas atividades, que não pagam impostos ou nem cumprem os direitos trabalhistas, podem oferecer produtos e serviços a um preço menor, enfraquecendo o mercado formal, segundo o pesquisador do Ibre Fernando de Holanda. “Você cria um ambiente ruim de negócios, com uma concorrência desleal.”.

A diminuição proporcional da economia subterrânea foi impulsionada, de acordo com Holanda, pelo crescimento consistente da economia, aumento da oferta de crédito e maior eficiência da fiscalização.

Com a economia mais estável, aumentam as vantagens para o empresário e o trabalhador que estiver regularizado. “Com o crescimento acelerado, firmas pequenas têm que se formalizar para ter acesso a crédito”, assinala Holanda. “Para acessar o crédito imobiliário o trabalhador tem que ter comprovação de renda.”

A melhora da fiscalização de órgãos como a Receita Federal também influenciou na redução da informalidade, mas a vigilância sozinha não é capaz de eliminar a economia subterrânea. Para Holanda, a preferência de trabalhadores ou empresários em ficar fora da lei ocorre, na maioria das vezes, porque a tributação é muito alta e a burocracia complexa demais.

Há atividades, inclusive, que somente são possíveis se exercidas de maneira ilegal, observa Holanda. “Alguns setores só são viáveis se você não pagar imposto. O que causa um problema, porque, apesar de fora da lei, são ocupações que geram trabalho e renda”, afirmou.

Entretanto, ao mesmo tempo, a informalidade traz danos para a economia como um todo. O pesquisador aponta, por exemplo, que quanto mais atividades ocorrem à margem da lei, menor é o ritmo de investimento e crescimento econômico. “A economia como um todo sofre.”

O pesquisador ressalta que a informalidade de parte da economia acaba fazendo com que as empresas legais tenham que pagar mais impostos para compensar os sonegados pelas demais. “Tudo isso cria um ciclo vicioso.”

Extraído de http://www.correiobraziliense.com.br em 22 de julho de 2010.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

57,7% das famílias estão endividadas

Autor(es): Gabriel Caprioli
Correio Braziliense - 21/07/2010

Estudo da CNC mostra que estímulos fiscais levaram os trabalhadores a se comprometer com pagamentos pouco usuais no primeiro semestre.

Além da retração dos preços de vestuário e de alimentos, anunciada na véspera da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que vai decidir o tamanho do aumento da taxa básica de juros (Selic), o Banco Central (BC) teve outra boa notícia ontem. O consumo está se acomodando por causa do comprometimento maior da renda dos trabalhadores com dívidas — a redução do espaço para compras ajuda o BC a controlar a inflação. De acordo com a Confederação Nacional do Comércio (CNC), o total de famílias brasileiras endividadas em julho atingiu 57,7%, num avanço de 3,7 pontos percentuais sobre o nível de junho (54%).

Os estímulos fiscais oferecidos a determinados setores de bens de consumo duráveis, como automóveis e eletrodomésticos, levaram o consumidor a antecipar as suas compras e a se comprometer com dívidas pouco comuns no primeiro semestre do ano, época em que, normalmente, boa parte do orçamento familiar é reservada ao pagamento de impostos e de despesas escolares. “Além da antecipação de gastos e do consumo muito forte no início do ano, as famílias foram surpreendidas pela inflação de produtos alimentícios no primeiro semestre, fato que apertou ainda mais o bolso”, explicou Bruno Fernandes, economista da CNC.

As despesas com alimentação, que têm maior peso no orçamento das famílias de menor renda, prejudicaram a disponibilidade de recursos dessa faixa de renda, numa proporção maior do que a do grupo com ganhos superiores a 10 salários mínimos, segundo avaliação de Fernandes. “Em função disso, as pessoas de rendimentos mais baixos foram as que puxaram o aumento da inadimplência”, afirmou.

Além do avanço no comprometimento de renda, a pesquisa aponta que 8,9% do total de famílias endividadas não terão condições de honrar as dívidas. A trajetória futura dessa inadimplência, no entanto, deve se reverter. “Assim como o aumento nos alimentos foi pontual, a inadimplência também. Já o endividamento deve continuar forte”, avaliou.

Com a redução do orçamento disponível para os gastos, o consumo deve ficar menos aquecido, cenário que não poderia ser melhor para o BC, que já precisou elevar a Selic de 8,75% para 10,25% desde abril para conter os preços. A menor demanda interna tende a diminuir as importações, o que melhora as contas externas. Assim, a cotação do dólar(1) fica menos pressionada. Isso tudo provoca menos inflação.

Outras pesquisas confirmam o forte comprometimento da renda do brasileiro com dívidas. Levantamento da Fecomércio em São Paulo mostra que o endividamento médio das famílias paulistanas aumentou para 52% em julho, maior nível do ano. No mês passado, o indicador era de 42%.

Intenções

Enquanto os débitos comprometem o orçamento doméstico de quem ganha menos, a intenção de consumir cresce entre as classes de renda superior. De acordo com Fábio Bentes, também economista da CNC, a perspectiva de continuar aumentando o consumo subiu 0,3% entre as famílias brasileiras, desempenho impulsionado pelos grupos com rendimento maior que 10 salários mínimos.

O Centro-Oeste é a região que mais puxa esse índice, dado o crescimento do emprego num ritmo maior do que a média nacional. Mais uma vez, as famílias de menor renda tomam a direção contrária, com menor intenção de aumentar gastos.

Outra região que também impulsiona o índice de intenção de consumo, explicou Bentes, é o Sul do país. Naqueles estados, no entanto, o fator que mais torna os compradores otimistas é o crescimento da renda. Para o futuro, o pesquisador acredita que a propensão a comprar se mantenha tanto nas classes mais altas quanto nas baixas.
1 - Importações – A taxa cambial é um importante mecanismo de transmissão da inflação e faz parte das avaliações do Banco Central na definição da política de juros. Como muitos insumos usados na fabricação de produtos nacionais são trazidos de fora do país, quanto mais aquecida está a demanda interna, mais é necessário importar.

Cheque sem fundo diminui

A inadimplência nos pagamentos com cheque diminuiu no primeiro semestre na comparação com igual período do ano passado. De acordo com levantamento feito pela empresa de consultoria Serasa Experian, foram devolvidos 10,5 milhões de documentos por falta de fundos. O número correspondeu a 1,87% dos 560 milhões de emissões no período. De janeiro a junho de 2009, o retorno alcançou 2,3% em 618 milhões.

O assessor econômico da Serasa Experian Carlos Henrique de Almeida disse que os consumidores estão migrando para os cartões de crédito e de débito pela facilidade que encontram para rolar dívidas, com a opção de pagar uma quantia mínima. Na avaliação do analista, essa possibilidade implica risco de maior endividamento por causa dos altos juros cobrados pelas operadoras. Segundo Almeida, os cheques ainda são bastante utilizados fora dos grandes centros urbanos.

Empréstimo mais salgado

As médias dos juros dos empréstimos pessoais e do cheque especial subiram em julho pelo terceiro mês consecutivo. Segundo pesquisa divulgada ontem pelo Procon de São Paulo, a taxa média mensal dos empréstimos aumentou de 5,28% para 5,42%. Os juros do cheque passaram de 8,9% para 9,06%. Dos nove bancos incluídos no estudo, quatro elevaram os encargos cobrados nessa modalidade de crédito (Banco do Brasil, Bradesco, Itaú e Unibanco). Três encareceram as operações pessoais (BB, Bradesco e HSBC).

De acordo com o órgão de defesa do consumidor, a média das taxas subiu em julho mais do que em meses anteriores. Isso ocorreu, em primeiro lugar, devido aos aumentos feitos pelas instituições financeiras, mas também pela exclusão da Nossa Caixa da pesquisa. Incorporado pelo BB em 25 de junho, o banco oferecia aos clientes os juros mais baixos entre os consultados pelo Procon.

Mais informações sobre a pesquisa vá em http://www.portaldocomercio.org.br/

Extraído de http://www.correioweb.com.br/  em 21 de julho de 2010.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

JUROS ALTOS ATRAEM INVESTIMENTO EXTERNO DE US$ 12 BILHÕES

ESTRANGEIRO JÁ APLICA US$ 12 BI EM JUROS

Autor(es): Leandro Modé

A diferença de juros entre o Brasil e o resto do mundo e a imagem de segurança do País no exterior estão provocando uma aceleração no investimento estrangeiro em títulos de renda fixa brasileiros - emitidos pelo governo e por empresas. Até maio, essas aplicações somaram US$ 12,1 bilhões, o segundo maior valor da década para o período, só inferior aos US$ 12,3 bilhões de 2007. Esse é um dos fatores que ajudam a explicar a valorização do real. A moeda brasileira apresenta a terceira maior valorização ante o dólar no ano, atrás do iene japonês e do peso mexicano. O Conselho de Política Monetária (Copom) decide na quarta-feira se mexe ou não na taxa Selic. Sinais de acomodação na atividade econômica reduzem as expectativas de um salto expressivo no juro.

Capitaneado pela diferença de juros entre o Brasil e o resto do mundo e pela segurança com que o País é visto hoje no exterior, o investimento estrangeiro em títulos de renda fixa brasileiros disparou. Entre janeiro e maio, foram US$ 12,1 bilhões, o segundo maior valor da década para o período. O fluxo só é inferior aos US$ 12,3 bilhões de 2007.

Os dados, compilados pelo Banco Central (BC), incluem papéis emitidos pelo governo e por empresas (debêntures, commercial papers, etc).

Esse é um dos fatores que ajudam a explicar o bom desempenho do real no mercado internacional de câmbio, a despeito do ambiente global repleto de incertezas.

Até a última quarta-feira, a moeda brasileira era a que apresentava a terceira maior valorização ante o dólar no acumulado do ano, atrás apenas do iene japonês e do peso mexicano.

Comparando o real a uma cesta de 11 moedas (como o rand sul-africano e o dólar australiano), percebe-se que está no nível mais alto desde o início do segundo semestre de 2008, pouco antes da quebra do banco Lehman Brothers.

"Há 16 anos que faço road shows (viagens internacionais para "vender" Brasil) e essa é a primeira vez que venho exclusivamente para trabalhar renda fixa. Geralmente, a demanda maior é por ações", relata o responsável pela área de pesquisa em renda fixa do Bradesco BBI, Dalton Gardiman.

Ele conversou com o Estado na sexta-feira, de Nova York, onde completava um road show de duas semanas nos EUA. Hoje, ele viaja para a Europa para executar trabalho semelhante. Os principais interlocutores de Gardiman são gestores de bilionários fundos de investimento americanos e europeus. Em síntese, eles estão em busca de rentabilidade e segurança. Duas condições que o Brasil atende integralmente nos dias de hoje.

Em meados de 2008, o País conquistou o grau de investimento, selo de qualidade concedido por agências de classificação de risco de crédito que indica que se trata de um lugar seguro para investir.

Se não bastasse isso, o Brasil paga a maior taxa de juros do mundo. Descontada a inflação, está na faixa de 4,5% ao ano - e deve subir um pouquinho mais nesta semana, porque o Comitê de Política Monetária (Copom) deve elevar o juro básico (Selic) na quarta-feira.

Nos EUA, na Europa e no Japão, os três mercados mais ricos do planeta, o juro real está negativo. Ou seja, quem aplicar em renda fixa por lá, perde da inflação.

"O juro no mundo desenvolvido está em zero desde 2008. Chega uma hora em que o investidor se cansa da baixa remuneração e começa a procurar alternativas para ganhar mais", disse um operador de mercado que pediu para não ser identificado.

"Não dá para negar que (o forte ingresso de dinheiro no País) decorre de arbitragem com juro e das expectativas para a taxa de câmbio", afirmou o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves.

Extraído de http://www.estadao.com.br/ em 19 de julho de 2010.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Atenção concurseiros oportunidades a vista!!!

8.864 vagas disponíveis em concursos no País


Autor(es): Cristiane Bonfanti e Gustavo Henique Braga

Apesar das limitações da lei eleitoral, 36 órgãos públicos estão com concursos abertos em todo o país. Salários chegam a R$ 21,7 mil por mês

A corrida eleitoral está a todo vapor, mas pouco muda na rotina dos candidatos a uma vaga no serviço público. Segundo levantamento elaborado pelo Correio, somente nas esferas federal e estadual, 36 órgãos estão com seleções abertas para preencher 8.864 vagas, mais cadastro reserva para postos de todos os níveis de escolaridade. A expectativa, contudo, é de que os contratados totalizem 12 mil, já que a todo momento os órgãos precisam substituir servidores que largam o emprego, seja por pedido de demissão, seja por aposentadoria ou morte. Isso, sem contar os novos editais que deverão ser lançados até o fim do ano. Os salários chegam a R$ 21,7 mil.

O presidente da Associação Nacional de Proteção aos Concursos (Anpac) e da Vestcon, Ernani Pimentel, explica que, durante o período eleitoral, as convocações estão suspensas. Os aprovados em cargos do Legislativo e Executivo terão de esperar o próximo ano para tomar posse. Só podem contratar, no segundo semestre, os órgãos que homologaram os aprovados até o último dia 3, data que marcou exatamente três meses de antecedência do pleito. Daí a corrida pela homologação(1) observada no mês passado. “As unidades podem continuar a fazer concursos normalmente. Em média, além dos novos cargos autorizados, são abertas 300 mil vagas por ano em todas as esferas só para substituir servidores aposentados, mortes e pedidos de demissão”, diz Pimentel.

O coordenador do Siga Concursos, Carlos Alberto De Lucca, observa que estão livres de impedimento seleções do Judiciário, Ministério Público da União (MPU), Tribunal de Contas da União (TCU) e Presidência da República. Dessa forma, aprovados em certames como o do MPU, com oferta de 594 vagas mais cadastro reserva para cargos de níveis médio e superior, poderão ser nomeados assim que for divulgado o resultado, mesmo que isso ocorra até o fim do ano. “É permitida, por exemplo, a realização de provas um fim de semana antes ou depois das eleições”, explica.

A matemática Aline Pereira Neves, 23 anos, aproveita o período eleitoral para retomar a vida de concurseira. Servidora técnica do Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDF), agora quer ser aprovada como analista, motivada pelo salário mais alto. A candidata pretende estudar no período da manhã, trabalhar à tarde e assistir aulas à noite. “Quero ingressar no MPU, mas não descarto participar de outras seleções”, diz. A universitária Maria Angélica da Rocha, 24, está em ritmo ainda mais intenso. “Estudo das 8h às 23h. As eleições não mudam minha rotina. Eu me preparo há um ano e, agora, estou revisando as disciplinas”, conta.

Na expectativa

Um dos certames mais esperados para o segundo semestre é o da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), que deve lançar edital com 80 vagas de níveis médio e superior até setembro. Todas as chances serão para Brasília. O salário previsto varia de R$ 4,2 mil a R$ 10,2 mil. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) também planeja abrir concurso com 850 chances de níveis médio e superior até o fim do ano. Dessas, 700 estão autorizadas e outras 150 ainda dependem do aval do Ministério do Planejamento. Outras seleções aguardadas em 2010 são as do Ministério do Turismo, com expectativa de 112 vagas; Instituto Brasileiro do Turismo, 84 vagas; e Superior Tribunal Militar (STM), 132 vagas. Na esfera local, o Corpo de Bombeiros do Distrito Federal deve lançar, em agosto, edital com 356 vagas de nível superior, divididas em 310 para soldado e 46 para oficial.

A Polícia Federal, por sua vez, aguarda autorização para abrir seleção com 496 vagas. Dessas, 116 serão para papiloscopista e 380 para agente administrativo. Os salários são de R$ 7.514,33 e R$ 2.889,97, respectivamente. Chefe de Recursos Humanos da PF, o delegado Jorgeval Silva Costa adianta que também há no Planejamento um pedido para a criação de 3 mil postos. “Temos uma carência de servidores da área administrativa na PF”, diz. O dono do Grancursos, Wilson Granjeiro, destaca ainda a expectativa dos estudantes em relação aos concursos no âmbito do governo local, como o do Tribunal de Justiça do DF e o da Câmara Legislativa. “Basta lembrar que nos anos eleitorais de 2002 e 2006 também houve fartura de concursos”, assinala.

Dicas de estudo

Com tantas opções à vista, a dica do coordenador do Siga para os candidatos é a de se concentrarem os estudos nas disciplinas básicas enquanto os editais não forem publicados. Entre elas estão direito constitucional, direito administrativo e português. “Isso ajuda a prevenir frustrações com as mudanças que geralmente ocorrem de um edital para outro. Foi o caso do MPU, que cortou a exigência, por exemplo, de raciocínio lógico e matemática.”

Ele sugere que os candidatos mantenham, no máximo, oito horas diárias de estudo. A estudante Adriana Nogueira, 31 anos, entretanto, organizou o próprio plano de aprendizado.

“A cada semana, reviso uma disciplina. Estudo o dia inteiro”. Para os que trabalham e estudam ao mesmo tempo, a recomendação é reservar pelo menos o domingo para descansar. Segundo De Lucca, depois que sai o edital, aí sim, o candidato pode dedicar o máximo de horas possível ao estudo, mas durante a semana que antecede o grande dia, o melhor é descansar.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Lei que coíbe sacolas de plástico no estado entra em vigor na sexta-feira

Cláudio Motta

RIO - Nesta sexta-feira começa a vigorar a lei estadual que pretende reduzir o número de sacolas plásticas usadas no Rio. As lojas terão três alternativas: dar gratuitamente sacolas retornáveis aos clientes; oferecer a quem levar bolsas para transportar as compras um desconto de R$ 0,03 a cada cinco itens adquiridos; ou trocar um quilo de arroz ou qualquer outro produto da cesta básica, de valor similar, a cada devolução de 50 sacolas, que devem estar limpas. As medidas passarão a vigorar porque o governador Sergio Cabral vetou nesta terça-feira projeto de lei que prorrogava o prazo para a mudança entrar em vigor.

No veto, o governador afirma que a proposta de mudança foi publicada há quase um ano e que seria inviável uma "prorrogação de uma norma já tão debatida e de relevância reconhecida na prevenção de graves danos ao ambiente".

Para o deputado Carlos Minc (PT), autor do projeto que ajuda na redução do uso de sacos, a lei será um divisor de águas no comportamento dos consumidores.

- O objetivo não é transformar isso num cofrinho, mas mudar o comportamento do consumidor. Vamos nos supermercados fiscalizar se as leis estão sendo cumpridas. O Rio gasta R$ 30 milhões por ano para limpar os rios. No primeiro ano, apenas os estabelecimentos médios e grandes terão que se adaptar. Os pequenos terão mais um ano - diz o ex-ministro do Meio Ambiente.

De acordo com a secretária estadual de Ambiente, Marilene Ramos, a lei é flexível e as pessoas poderão continuar usando sacolas plásticas. Além disso, a secretaria não vai punir os comerciantes que não se adaptarem às novas normas nos primeiros dias. Antes, as equipes da secretaria farão notificações e campanhas educativas:

- O saco plástico não vai sumir

A tendência é de que os estabelecimentos ofereçam descontos para quem não levar sacolas plásticas. São três centavos a cada cinco itens. Isso levará as pessoas a pensar: quero desconto ou sacos?

Marilene lembra ainda que os supermercados que optarem por trocar sacos usados por alimentos não têm a obrigação de receber os que estiverem sujos. Apesar destas condições, a Federação das Indústrias do Rio (Firjan) criticou a iniciativa do governo do estado. De acordo com a gerente jurídica da Firjan, Gisela Gadelha, a melhor saída é educar o usuário para que o destino dos sacos seja correto, aumentando os índices de reciclagem do produto:

- Os supermercados deveriam ter um tempo maior para se adaptar a estas mudanças.

O deputado Paulo Ramos, autor do projeto que prorrogava o prazo, diz que entrará na Justiça contra o veto.

Extraído de www.oglobo.com.br em 14 de julho de 2010.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Candidatos Fichas Sujas!!!

Prezados amigos, agradeço a freqüência neste blog que não é meu é de todos que ajudam a construir e é claro que quem lê diariamente e portanto faço aqui um serviço de informação para as Eleições 2010, segue abaixo uma lista de 34 candidato que estão com a ficha suja e foi pedido a impugnação de suas candidaturas, mas como não dá pra acreditar na justiça eleitoral brasileira que durante este pleito é possível que liberem esses cidadãos de caráter duvidoso para concorrer e se tornar um dos nossos representantes políticos, EU lhes envio uma lista para que se lembrem bem em quem não votar, afinal não vamos botar pra nos representar um BANDIDO ou um CORRUPTO.


Confira abaixo a lista dos candidatos:


1 - Adolpho Konder de Carvalho (Coligação o Rio de Janeiro Pode Mais) - deputado federal

2 - Alexandre Mocaiber Cardoso (Coligação Somando Forças pelo Estado do Rio)- deputado estadual

3 - Alípio Monteiro Filho (Coligação O RIo de Janeiro Pode Mais) - deputado federal

4 - Alzinir Santana de Freitas (PRP) - deputado estadual

5 - Anthony Willian Garotinho Matheus de Oliveira (PR) - deputado federal

6 - Antônio Pereira Alves de Carvalho (PSC) - deputado estadual

7 - Arnaldo França Vianna (PDT) - deputado federal

8 - Benedito Wilton de Morais (Coligação Somando Forças Pelo Estado do Rio) - deputado estadual

9 - Carlos Moraes Costa (PR) - deputado federal

10 - Carlos Roberto dos Santos (PSC) - deputado estadual

11 - Celso Alencar Ramos Jacob (Coligação Unidos pelo Rio) - deputado federal

12 - Charles Cozzolino (Coligação Solidariedade) - deputado federal

13 - Cosme José Salles (PMDB) - deputado estadual

14 - Cristin Cardoso Alexandre (Coligação Aqui Você tem Chance) - deputado estadual

15 - Darlei Gonçalves Braga (Coligação Unidos pelo Rio) - deputado federal

16 - Espedito Monteiro de Almeida (PRB) - 2º suplente de senador

17 - Fátima Bayma de Oliveira (Coligação Unidos pelo Rio) - deputado federal

18 - Flávio Campos Ferreira (PR) - deputado estadual

19 - Gilcemar de Oliveira (PR) - deputado federal

20 - José Bonifácio Ferreira Novellino (Coligação Juntos Pelo Rio) - 1° suplente de senador

21 - José Sagário Filho (Coligação O Rio de Janeiro Pode Mais) - deputado estadual

22 - Josias dos Santos Muniz (Coligação Unidos pelo Rio) - deputado federal

23 - Manuel Rosa da Silva (PR) - deputado federal

24 - Maria Inês Pandelo Cerqueira (PT) - deputado estadual

25 - Mario Pereira Marques Filho (Coligação o Rio de Janeiro Pode Mais) - deputado estadual

26 - Narriman Felicidade Correa Faria Zito dos Santos (PRB) - deputado estadual

27 - Neilton Mulim da Costa (PR) - deputado federal

28 - Núbia Cozzolino (PR) - deputado estadual

29 - Raleigh Ramalho (Coligação Trabalho e Fé) - deputado estadual

30 - Roosevelt Brasil Fonseca (PMDB) - deputado estadual

31 - Solange Pereira de Almeida (Coligação Unidos pelo Rio) - deputado federal

32 - Uzias Silva Filho (Coligação Humanista) - deputado estadual

33 - Washington Reis de Oliveira (Coligação Unidos pelo Rio) - deputado federal

34 - Walney da Rocha Carvalho (Coligação Solidariedade) - deputado federal

Extraído de http://oglobo.globo.com/pais/eleicoes2010 em 13 de julho de 2010

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Imagens dos Estádios da Copa do Mundo em 2014


Inflação muda de rota e desacelera em junho


Autor(es): João Villaverde e Juliana Ennes, de São Paulo
Valor Econômico - 08/07/2010


A tendência da inflação mudou em junho. Dois importantes índices divulgados ontem - o IPCA, que mede preços ao consumidor, e o IGP-DI, focado no atacado - recuaram fortemente em relação aos números de maio e indicaram a possibilidade de a inflação apresentar, no segundo semestre, um comportamento mais benigno. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou 0,0% pela primeira vez em quatro anos e o IGP-DI ficou em 0,34%, bem abaixo do 1,57% de maio. Esse duplo recuou colocou um ponto de interrogação sobre o manejo da política monetária e abriu a possibilidade de uma trajetória mais branda para a taxa básica de juros definida pelo Banco Central.

Entre os sinais positivos que apareceram nos dois índices estão a deflação de 0,9% no grupo alimentação e bebidas (inflação ao consumidor), uma desaceleração bastante disseminada nos preços industriais no atacado (cuja alta recuou de 2,66% em maio para 0,42% em junho) e o índice de difusão no varejo, que indica quantos itens registraram elevação de preços no mês - em junho atingiu 57,3%, a menor desde outubro de 2009 e a primeira abaixo do patamar de 60% no ano.

Os preços agrícolas no atacado, por outro lado, tiveram variação maior entre maio e junho, passando de 0,19% para 0,46%, mas as matérias primas desaceleraram muito: de 8,1%, em maio, para 1,5%, em junho.

Além da deflação em alimentos, todos os itens pesquisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que calcula o IPCA, registraram queda frente a maio. Enquanto a alta dos preços administrados caíram pela metade, de 0,33% para 0,12%, os serviços perderam um pouco menos - dos 0,62%, em maio, para 0,41%, em junho. O tombo foi maior entre os preços livres, onde a alta próxima a 0,5% de maio se transformou em deflação no mês passado. No ano, o IPCA já acumula 3%, acima dos 2,6% de igual período em 2009, mas inferior aos 3,6% registrados em 2008, quando a atividade estava aquecida.

Na avaliação dos economistas, a deflação em alimentos deve permanecer neste mês. A oscilação destes itens pode ser explicada por fatores extraordinários e sazonais, diz Fábio Romão, economista da LCA Consultores. "No início do ano, com o excesso de chuvas no Brasil e em países exportadores, como a Índia, houve um choque de oferta em itens básicos. Agora vemos uma devolução, pois a situação se normalizou", afirma Romão, para quem o movimento é amplificado por fatores sazonais.

Além disso, aponta o economista, a queda nos preços dos automóveis novos e usados em junho indica que o consumo não têm mais o ímpeto do início de 2010. Enquanto preço do carro novo caiu 0,37%, o automóvel usado despencou 1,41% no mês passado. "Muita gente tinha no horizonte a compra de um usado, mas adquiriu um novo graças aos incentivos do governo", avalia. O IPCA zero de junho fez a LCA rever sua projeção de inflação no fim de ano - a projeção agora é de 5,1%, acima, ainda, da meta de 4,5% do BC.

Para Salomão Quadros, coordenador de preços da Fundação Getulio Vargas (FGV), que calcula o IGP, a inflação registrada em junho já demonstra desaceleração dos preços, principalmente durante a cadeia de produção, o que já indica menor possibilidade de haver repasses de preços ao consumidor. "Houve uma desaceleração bastante disseminada, bastante difundida, tanto na fase industrial, como na fase de consumo. Talvez seja cedo para o BC mudar a concepção do processo inflacionário, mas é sinal de que atenuou um pouco a pressão inflacionária". Ele acredita não haver redução de demanda, mas, sim, maior capacidade de a indústria atender às necessidades de consumo.

Para Tatiana Pinheiro, do Santander, e Felipe Insunza, da Rosenberg & Associados, no entanto, os resultados de junho estão mais para "pontos fora da curva". Segundo Tatiana, o fraco resultado da inflação no varejo foi muito influenciado pelos alimentos. Descontados do resultado final, o IPCA teria avançado 0,4% em junho. Além disso, diz ela, o item de alimentação fora de domicílio teve alta de 0,66%. "O tomate, a matéria prima, ficou mais barato. Mas ele está mais caro no restaurante porque há mais pessoas comendo fora de casa, uma vez que a renda está em alta", diz. Para Insunza, o aumento no pedágio das rodovias paulistas e da tarifa dos ônibus interestaduais, a partir de julho, deverão voltar a pressionar os índices.

A perspectiva de que a inflação possa ter uma trajetória mais benigna do que o projetado pelos analistas e, assim, influenciar a política monetária, refletiu ontem no mercado futuro de juros, negociado na BM&FBovespa, que ontem recuou.

Extraíde de http://www.valoronline.com.br/ em 08 de julho de 2010.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

O fantasma do calote de volta


Atraso nas prestações de classes C e D já preocupa
Autor(es): Agencia o Globo/Wagner Gomes e Lucianne Carneiro
Inadimplência com cartões cresceu 26% em maio e tendência é de alta

O aumento da taxa de juros, combinado com a expansão do crédito, está provocando crescimento da inadimplência, sobretudo nas classes C e D. As prestações com atraso de mais de 90 dias aumentaram em maio e devem continuar em alta em junho, segundo a Serasa, que reúne os dados do mercado. Os maiores problemas estão na administração das dividas no cartão de crédito - que já subiram 14% em abril e 26% em maio, na comparação com o mesmo mês de 2009. A consultoria Tendências prevê que a inadimplência, que hoje está em 6,8%, possa chegar a 7,2% no fim do ano e 7,6% em 2011. Relatório da agência Moody"s também chama a atenção para o risco de aumento das dívidas nas classes C e D durante os próximos 12 a 18 meses. Apesar da melhora na renda, consumidores que aproveitaram o imposto reduzido para comprar geladeiras, fogões e até carros estão com dificuldades para pagar.

Serasa detecta aumento da inadimplência nas classes C e D. Alta preocupa analistas

Em meio à euforia com a recuperação econômica e à fartura de crédito, acendeu a luz amarela entre especialistas. Após duas elevações seguidas da taxa básica de juros (Selic) e com a perspectiva de novas altas até o fim do ano, o que encarece os empréstimos, a taxa de inadimplência deve ter um repique em junho. A Serasa Experian vem detectando o avanço, puxado por consumidores das classes C e D, que receberam benefícios do governo para a compra de produtos da linha branca e veículos e, agora, não conseguiriam honrar seus compromissos.

- Podemos dizer que a curva de queda, que vinha ocorrendo desde outubro do ano passado, está no fim. A renda não deve crescer tanto no segundo semestre, gerando um descompasso que pode causar problemas para a inadimplência - afirmou o economista Luiz Rabi, gerente de indicadores de mercado da Serasa. - Normalmente, os consumidores mais pobres não estão acostumados a lidar com o crédito. Eles têm pouca habilidade para gerenciar dívida, praticamente não têm poupança e acabam inadimplentes.

O primeiro sinal de alerta apareceu em maio passado. Na maior alta desde outubro do ano passado, a inadimplência do consumidor deu um salto de 1,9% no mês, na comparação com maio de 2009. Em relação a abril, a variação chegou a 4,3%. Na próxima semana, a Serasa Experian vai divulgar a sua pesquisa referente a junho (e ao fechamento do primeiro semestre). Dificilmente a taxa repetirá os patamares críticos registrados no fim de 2008, quando estourou a atual crise global, mas os índices deixarão de ser tão baixos como foram até abril.

Para a Serasa, o maior problema a curto prazo estaria na administração das dívidas no cartões de crédito, que subiram 14% em abril e 26% em maio, na comparação com o mesmo mês do ano passado. Rabi diz que essa alta deve permanecer no segundo semestre. O valor médio dessas dívidas é hoje de R$392,49, contra R$373,12 um ano atrás. Crescimento mais forte foi registrado no valor médio dos cheques não compensados por falta de fundos, que pulou 42,7% desde maio de 2007 (de R$855,83 para R$1.221,03).

Desaceleração da economia contribuirá

A Tendências Consultoria também estima que a taxa de inadimplência de pessoas físicas chegue ao fim do ano em 7,2% e acelere ainda mais, para 7,6%, em 2011. Pelos dados do Banco Central (BC), o índice - que considera o percentual de empréstimos com atrasos acima de 90 dias frente ao total de crédito - foi de 6,8% em maio (último dado disponível), o mais baixo desde março de 2008 (6,85%). A taxa recua desde maio do ano passado, quando atingiu 8,5%.

- Deve ocorrer uma reversão da trajetória de queda na inadimplência a curto prazo. A alta de juros deve provocar piora nas condições de pagamentos, com aumento nas taxas finais e encurtamento dos prazos dos créditos - diz o economista da Tendências Alexandre Andrade, destacando que o impacto deve ser maior no próximo ano, por causa do período de defasagem entre a alta de juros e o impacto na economia.

Ruy Quintans, professor de Economia do Ibmec/RJ, concorda:

- A inadimplência deve parar de cair. Vivemos um momento de transição entre a euforia e a depressão no varejo e no custo do dinheiro.

Para o professor da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA/USP) Fabio Kanczuk, haverá alta da inadimplência, associada à esperada desaceleração da economia.

- O mais provável é que aumentem os atrasos nos pagamentos de dívidas. A subida dos juros e a atividade econômica em desaceleração contribuem para esse cenário - afirma Kanczuk.

Febraban não projeta elevação

Na opinião do professor da Universidade de Brasília (Unb) Jorge Pinho, a melhora do mercado de trabalho tem contribuído para o aumento do endividamento.

- Com notícias positivas, o trabalhador se sente mais seguro e tende a se endividar mais. Mas, com alta nos juros, a tendência é de maior inadimplência a médio prazo - diz Pinho, especialista em mercado de trabalho.

Para fugir das estatísticas de inadimplência, Sandra Conceição do Espírito Santo Oliveira, de 56 anos, buscava ontem um novo empréstimo em uma financeira no Centro do Rio. Com três empréstimos no momento, um deles vence na quinta-feira e ela não tem como pagar.- Já tenho percebido os juros subindo lentamente e estou com medo do que vai acontecer, mas preciso de mais dinheiro para pagar outra dívida - afirma a aposentada.

Outros economistas também consideram o risco de aumento da inadimplência, embora ainda vejam espaço para um aumento da renda.

- É natural, entretanto, que alguma alta ocorra, mas não vejo nada fora de controle - diz o economista-chefe da consultoria MB Associados, Sérgio Vale.

Ele lembra que nos últimos cinco anos a massa real de renda total cresceu em média 6% ao ano no país, para um PIB pouco abaixo de 4% de média. Com crescimento de PIB médio de 5% nos próximos anos, a massa de renda teria como crescer até mais.

Em relatório recente, a agência internacional de classificação de risco Moody"s também chamou a atenção para o perigo das dívidas. Ao analisar as condições de crédito para o mercado bancário brasileiro, a agência afirmou que a situação é estável. Porém, o forte crescimento da economia e a expansão do crédito, especialmente para as classes C e D, podem levar a um aumento da inadimplência dos bancos nos próximos 12 a 18 meses. Até março, os balanços publicados apresentaram resultados positivos, com queda da inadimplência e das chamadas provisões para devedores duvidosos.

O economista-chefe da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), Rubens Sardenberg, porém, acredita que a inadimplência no setor só subirá em caso de estagnação econômica.

- Não é isso que vejo no nosso horizonte hoje. Ao contrário, existe até a preocupação se haveria um superaquecimento da economia.