terça-feira, 30 de novembro de 2010

Censo: população vai a 190,7 milhões, mas cai ritmo de crescimento


Censo 2010 mostra que crescimento populacional foi menor que o esperado

A população brasileira está menor do que o esperado. Ontem o IBGE divulgou os primeiros números do Censo populacional de 2010, mostrando que há 190.732.694 brasileiros, uma população 12,3% acima da de 2000. Mas as projeções eram de um crescimento maior. Pelos próprios números de 2008 do IBGE, esperava-se encontrar 198 milhões este ano, como lembra o professor José Eustáquio Alves, da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence), ligada ao próprio instituto:

- A taxa de crescimento esperada era maior. Isso foi o que mais surpreendeu os demógrafos. Os outros resultados confirmaram a tendência já mostrada em outros levantamentos.

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad/2010), também produzida pelo IBGE e divulgada em setembro último, projetava 191,8 milhões em 2009. Número acima do encontrado pelos 191 mil recenseadores um ano depois.

- Na década de 90, a taxa de crescimento era 1,6% ao ano e agora já está caindo para 1,17%. Já está caindo de maneira bastante expressiva ao se comparar com países mais desenvolvidos europeus e asiáticos, que também têm população envelhecida e ritmo de crescimento menor da população. Observamos que o padrão demográfico brasileiro é muito parecido ao dos outros países - afirma Eduardo Nunes, presidente do IBGE.

Segundo Alves, da Ence, pelas projeções do próprio instituto, a população brasileira para de crescer em 2040:

- O Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) prevê que isso acontecerá em 2030. Pelos números divulgados hoje (ontem), essa estagnação deve ficar mais perto de 2030 - destaca o demógrafo.

As tendências que já vinham sendo desenhadas por outros censos e pelas pesquisas anuais do instituto foram confirmadas. O Brasil está mais urbano: 84% da população vivem nas cidades. Em 2000, essa parcela chegava a 81%. Num movimento de migração que vem se dando desde os anos 1950, o meio urbano só ganha habitantes: em 1991 eram 35,8 milhões na área rural; este ano, são 29,6 milhões.

- A população na zona rural gira em torno de 30 milhões desde a década de 1950, mostrando que o crescimento populacional brasileiro acontece nas cidades - afirma o presidente do IBGE.

100 mulheres para 95,9 homens

A população brasileira está cada vez mais feminina. São 97,342 milhões de mulheres para 93,4 milhões de homens. Isso significa que há cem mulheres para 95,9 homens. E essa tendência demográfica vai se manter pelas próximas décadas, na avaliação de Alves:

- É um movimento inexorável. Apesar de nascer mais homens, eles sofrem mais com a violência. Vimos isso agora no Rio. Os homens são as grandes vítimas da violência. Porém, mesmo que diminua a violência urbana, só vai reduzir o ritmo de crescimento do superávit feminino.

Para encontrar mais homens, somente na zona rural. Em todas as grandes regiões brasileiras, esse fenômeno se repete. A região Norte é a única que apresenta mais mulheres em relação aos homens no total da população.

Outro movimento que se confirmou com os números do Censo 2010 foi o crescimento das cidades médias, que ganharam peso populacional nos últimos dez anos. São municípios que têm entre cem mil e cinco milhões de habitantes. Já o Rio de Janeiro, com 6,323 milhões de habitantes, perdeu participação - é a única cidade brasileira com mais de cinco milhões de habitantes. Assim como São Paulo, com 11,2 milhões de habitantes, também a única com mais de dez milhões de pessoas:

- É de se esperar. É o que chamamos de deseconomia de escala. Muito engarrafamento e alta população inviabilizam o crescimento dessas cidades. Desde a década de 1980, percebemos esse ganho de participação das cidades médias.

Cidades como Manaus e Brasília ganharam espaço. A primeira pela fronteira agropecuária e pela Zona Franca de Manaus. A segunda, pelo crescimento do funcionalismo público, com alta renda, o que faz crescer o setor de serviços e atrai população, explica Alves.

A pirâmide etária continua engordando no centro. A parcela de crianças de 0 a 9 anos vem diminuindo, enquanto a pirâmide está mais gorda entre 10 e 29 anos. É o que os especialistas chamam de bônus demográfico: a população em idade ativa, apta para trabalhar, é a maior entre as faixas etárias. E a pirâmide etária está esticando, com a população chegando aos 100 anos:

- O envelhecimento também é outro movimento que só deve crescer nas próximas décadas - diz Eustáquio Alves.

Assim, o Brasil se aproxima do padrão demográfico de países desenvolvidos mais maduros. Pelas projeções, o Brasil terá em 2050 o perfil populacional da França em 2005, com a população no mesmo número nas faixas etárias de 0 a 60 anos.

Autor(es): Agencia o Globo/Cássia Almeida, Dandara Tinoco e Juliana Castro

O Globo - 30/11/2010

domingo, 28 de novembro de 2010

Atenção aos formandos: Oportunidades de crédito para Pós Graduação


Como obter crédito para a pós

Foi-se o tempo em que os profissionais aguardavam o aval das empresas - leia-se financiamento - para fazer uma pós-graduação. Com o mercado exigindo gente cada vez mais qualificada, é comum eles se programarem para bancar o próprio curso. Para isso, é preciso fazer contas e conferir as opções de crédito oferecidas.

O professor Mario Pinto, superintendente da FGV Management no Rio, lembra que, como tudo na vida, há preços para todos os bolsos e expectativas. Como os dos cursos voltados para gestores de nível alto na hierarquia (diretores, vice-presidentes e CEOs), que incluem inserções no exterior e estão na faixa de R$ 35 mil a R$ 40 mil (sem as despesas de viagem).

Professor recomenda que aluno tenha uma reserva

Há também programas dirigidos a um público graduado há mais de dois anos, que não tenha necessariamente experiência gerencial. Há instituições em que os MBAs custam de R$ 20 mil a R$ 25 mil. Nas mesmas escolas, a pós para recém-formados costuma variar entre R$ 15 mil e R$ 20 mil. O profissional deve ter claro o que busca e fazer uma pesquisa detalhada, aconselha Renata Moraes, coordenadora de comunicação da Fundação Estudar, instituição sem fins lucrativos que investe no incentivo à educação e à formação de futuros líderes:

- Diferentemente do exterior, onde a oferta de bolsas de estudo é grande, no Brasil, o aluno, além da preocupação em ter o currículo aceito e passar pela bateria de entrevistas, principalmente em mestrado e doutorado, deve correr atrás das opções de financiamento.

Normalmente, diz o superintendente da FGV, as instituições têm algum tipo de crédito, proporcionalmente ao período do curso, assim como há bancos que têm linhas de crédito para este fim. Mas, frisa, o ideal é que o profissional faça uma reserva, mesmo que ela não cubra o valor total do curso. Para casos de emergência:

- O pior é ter de interromper o curso por falta de recursos.

Aluno com crédito bancário tende a conseguir desconto

Mario Ferreira Neto, superintendente nacional de Clientes Pessoa Física da Caixa Econômica (CEF), diz que, apesar das vantagens e condições oferecidas, a carteira de operações de crédito para pós ainda não é expressiva na instituição. Uma das razões estaria no pouco conhecimento do produto, tanto por estudantes como por instituições de ensino:

- Hoje, a maior procura é de cliente com prévio relacionamento com a Caixa.

Ao adquirir linhas de crédito bancárias, os estudantes podem negociar possíveis descontos junto às escolas, já que pagarão à vista. E, além de receberem logo, elas não correm risco de inadimplência.

Condições oferecidas pelo mercado

Confira abaixo as opções de pagamento e as condições dos financiamentos oferecidos pelos bancos e outras instituições:

- Opções de pagamento:

- À vista - Para quem paga à vista, o desconto costuma ser de 10%. Mas ele pode variar, segundo a antecedência com que a matrícula é feita.

- Parcelamento direto - Se for parcelar, negocie antes com a instituição de ensino. Os juros são mais atraentes que os cobrados por bancos. As escolas costumam ter um teto, mas é possível propor o parcelamento em menos vezes, pagando menos. Na FGV, por exemplo, esse teto é de 28 meses, com desconto para menor número de parcelas.

- Crédito bancário - Atenção aos juros, que costumam variar de 1,73% a 3,29% ao mês, dependendo da instituição de crédito. Prazos: de dez a 48 meses. Os valores financiados chegam a R$ 50 mil.

- Bolsas de estudo - A oferta é limitada. A Capes (http://www.capes.gov.br/) oferece o programa "Suporte à pós-graduação de instituições de ensino particulares" (Prosup), para os cursos de pós recomendados por seu conselho técnico-científico. Os recursos não precisam ser restituídos pelo aluno. Já a Fundação Estudar (http://www.estudar.org.br/) concede bolsas parciais (de 10% a 90%) para escolas de negócios de excelência lá fora. Em 2011, haverá benefícios para mestrados internacionais em diferentes áreas: artes, direito, administração, políticas públicas e ciências. Esse crédito tem de ser devolvido.

As taxas dos bancos

- CEF - A linha de crédito da Caixa Econômica é destinada a financiar cursos lato sensu ou stricto sensu oferecidos por faculdades e universidades reconhecidas pelo MEC. Taxas de 1,73% a 3,29% ao mês, com prazo de pagamento de até 36 meses. Limite: R$ 30 mil. Veja mais em http://www.caixa.gov.br/  

- Bradesco - O limite para o crédito é R$ 40 mil. Os juros estão em 2,59% mensais, e o prazo chega a 48 meses. Confira detalhes http://www.bradesco.com.br/

- HSBC - O banco acabou de lançar três linhas de crédito para estudantes, uma delas para MBAs e mestrados no Brasil. Taxas a partir de 2,10% ao mês, com pagamento em até 48 parcelas. Limite: R$ 50 mil. Detalhes em http://www.hsbc.com.br/

- Ideal Invest - O "Pravaler pós" financia até 100% do curso de pós. O contrato é semestral, a ser pago no máximo em 12 parcelas, com taxas de até 1,89%. O crédito pode ser recontratado, mas as parcelas não se acumulam, pois há um período de carência para pagar o novo semestre. No site os interessados podem assistir a um vídeo explicando o programa e simular o financiamento. http://www.creditopravaler.com.br/  

Educação tratada como se fosse extravagância

O que não falta na praça é crédito, sem muita burocracia, inclusive para custear a pós-graduação. Mas é preciso analisar muito bem as condições oferecidas. Os juros variam de 1,73% a 3,29% ao mês - o que significa taxas de 22,85% a 47,47% ao ano. Para se ter uma ideia: ao tomar um crédito de R$ 15 mil, com taxa de 3,29% ao mês, parcelado em 24 meses, o estudante pagará R$ 32.620 no total.

As taxas, em alguns casos, chegam a ser mais altas que as das operações de crédito pessoal e de aquisição de bens (em média, de 41,6% e 25,1% ao ano, respectivamente, segundo dados do Banco Central).

O economista Gilberto Braga lembra que a pós-graduação, diferentemente da graduação, não tem linha especial do governo, que conta com subsídios:

- A educação continuada é tratada como se fosse extravagância. O governo deveria ter o máximo interesse em financiar a aquisição de conhecimento. Se há algo que mereça algum tipo de subsídio, é o aprimoramento profissional.

Extraído do caderno Boa Chance do Jornal O Globo em 28/11/2010
Autores: Luciana Calaza & Ione Luques.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Nova elevação da taxa de juros está próxima


BC prepara terreno para alta de juros

Um procedimento incomum, a gravação de um vídeo com a participação do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e do diretor de política econômica, Carlos Hamilton de Araújo, em reunião com economistas em São Paulo para subsidiar o Relatório de Inflação do quarto trimestre, foi divulgado no fim da tarde de ontem no site da instituição, oficializando o discurso de Meirelles. E o próprio discurso traz uma informação também considerada inusual pelo mercado: a sinalização de que o BC pode retomar o aperto monetário.

Aos economistas, Meirelles comentou que na reunião do Copom, em julho, o BC já tinha a informação de que existia um problema no sistema financeiro, mas não conhecia sua dimensão nem quantas instituições estariam envolvidas. Após meses de investigações, chegou-se ao PanAmericano. A Afirmação foi vista como justificativa à maior cautela do BC na condução da política monetária.

Quem participou da Reunião do Banco Central com Economistas, realizada ontem em São Paulo, ouviu o vídeo gravado na referida reunião contendo as considerações iniciais ficou com uma clara impressão de que haverá alteração da política monetária.

Tudo foi inédito nesse encontro: o formato, a divulgação do vídeo e a clara sinalização de que o viés da taxa de juros é de alta.

O vídeo ganha cara de um comunicado ao mercado justificando o motivo que levou o BC a ser mais cauteloso na condução da política monetária.

Para dar esse "recado", o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, voltou ao mês de julho, dizendo que na reunião do Copom daquele mês, a autoridade monetária já tinha informação de que existia um problema no sistema financeiro. Porém não se sabia a dimensão nem quantas instituições estavam envolvidas.

"Mas se sabia que tinha um problema e que, portanto, era um risco importante para as condições de crédito futuras dependendo de como seriam equacionados e dimensionados os problemas", disse Meirelles, completando que o desfecho foi feliz, pois a questão envolvia apenas uma instituição, o PanAmericano, e já foi resolvida.

Em julho, o passo do aperto monetário caiu de 0,75 ponto percentual para 0,5 ponto e, em setembro, o BC optou pela estabilidade dos juros em 10,75%. Nas duas reuniões, o BC ainda investigava o tal problema que representava um risco para as condições de crédito.

Nessas duas ocasiões, o BC foi duramente criticado pelos participantes do mercado, que enxergavam a necessidade de um aperto monetário mais firme. "Tinha um fator não conhecido e esse fator não poderia ser divulgado... Mas não poderia deixar de ser levado em conta", notou Meirelles no vídeo.

Diversas teorias foram elaboradas para explicar a mudança de postura do BC, mas só agora se sabe o motivo que levou o colegiado a ser mais cauteloso. "Isso levou a muitas considerações sobre a postura de política monetária. Absolutamente legítimas. Mas no momento em que se torna transparente é dever da autoridade monetária deixar isso transparente para que todos possam levar isso em conta em suas análises futuras e retrospectivas", completou Meirelles.

A percepção é que de com esse risco eliminado, está liberado o caminho para um aperto monetário.

Agora é que as expectativas divergem. Para alguns agentes, o BC já deve dar início ao novo movimento de alta de juros no encontro de 7 e 8 de dezembro. Com isso, além de responder à forte piora nas expectativas de inflação, o atual BC facilitaria o trabalho do colega Alexandre Tombini, que foi indicado para presidir a instituição a partir de 2011. Tombini chegaria no meio de um ciclo já iniciado e apenas daria continuidade.

Outro grupo avalia que o BC está preparando o terreno para subir a Selic. A reunião de ontem foi o primeiro passo e a ata do encontro de dezembro encerraria a coordenação das expectativas do mercado com relação a uma alta de juros no encontro do Copom de 18 e 19 de janeiro.

Toda essa teoria tem uma lacuna. Que é o encontro de outubro, quando o risco PanAmericano já era conhecido dentro do BC e, mesmo assim, a autoridade monetária optou pela estabilidade do juros básico.

Os contratos futuros dão respaldo à visão de Selic maior. A curva projeta, ao menos, três altas de 0,5 ponto começando em janeiro.

Autor(es): Eduardo Campos

Valor Econômico - 26/11/2010 http://www.valoronline.com.br/

Mantega quer tirar alimentos do cálculo da inflação


Economistas questionam novo índice de inflação

Para tentar reduzir a taxa de juros no governo Dilma Rousseff, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, quer esvaziar o índice de inflação excluindo do cálculo todos os alimentos e os combustíveis.

A ideia do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de criar um novo índice de inflação que exclua alimentos e combustíveis foi recebida com cautela por economistas e pelo mercado financeiro. A discussão é bem vinda, mas o momento é considerado delicado, já que a inflação está subindo, e qualquer mudança pode gerar desconfiança na população.

Para o professor do Insper, Ricardo Brito, a substituição de índices sugerida por Mantega tornaria o sistema menos transparente, além de gerar desconfiança na população. "Não sou simpático à ideia. Embora alguns países adotem essa medida, o bom de usar o índice de preços ao consumidor é que ele é de entendimento mais fácil, reflete mais a inflação que o consumidor está sentindo", explicou.

Para Brito, "quando se vai para um índice que não reflete o custo de vida do consumidor, temos uma perda de credibilidade". Ele critica também o momento escolhido pelo ministro para anunciar que considerava fazer a mudança: "Ele propõe tirar do índice justamente o que está subindo de preço agora. Isso não soa bem, é quase uma quebra de contrato com a sociedade".

José Márcio Camargo, economista da Opus Gestão de Recursos e professor da PUC-Rio, observou que "não é preciso fazer nenhum estudo para criar um índice que retire os combustíveis e a alimentação, porque isso é algo que todo mundo calcula". Segundo Camargo, diversas instituições financeiras produzem o núcleo inflacionário com a exclusão daquele itens, a partir do IPCA, o índice oficial do sistema de metas.

Taxa cheia. Ele nota que o Banco Central Europeu (BCE)prefere operar com um índice de inflação "cheio" - isto é, sem exclusões -, enquanto que o Fed opta por um núcleo do qual são excluídos os alimentos e combustíveis."O núcleo de fato é menos volátil e é a parte mais afetada pela política monetária, mas não é simples convencer o público de que essa é a melhor medida da inflação para ser acompanhada no longo prazo", disse Camargo.

Ele acrescentou que "é ruim que o ministro fale isso agora, não pela discussão em si, mas porque aumenta a quantidade de ruído, que já está muito alta nesta transição".

Luiz Fernando Figueiredo, sócio da Mauá Sekular Investimentos e ex-diretor do Banco Central (BC), acha que "o Brasil é recordista em número de índices para medir a inflação, e não sei se precisamos de outro". Ele considera que um núcleo por exclusão de alimentos e combustíveis é "uma boa discussão, mas nada para daqui a um ou dois anos; talvez uma evolução do sistema lá na frente".

Figueiredo acrescentou que não vê a "a menor possibilidade de que haja qualquer manipulação da inflação com as pessoas que estão lá no BC". Para ele, Alexandre Tombini, o novo presidente indicado por Dilma Rousseff, "é um supertécnico que entende muito do sistema, e montou o primeiro modelo do sistema de metas de inflação".

Divergência

RICARDO BRITO - PROFESSOR DO INSPER

"Não sou simpático à ideia. Embora alguns países adotem essa medida, o bom de usar o índice de preços ao consumidor é que ele tem um entendimento mais fácil, reflete mais a inflação que o consumidor está sentindo."

JOSÉ MÁRCIO CAMARGO - ECONOMISTA DA OPUS GESTÃO DE RECURSOS

"Não é preciso fazer nenhum estudo para criar um índice que retire os combustíveis e a alimentação, porque isso é algo que todo mundo calcula."

"O núcleo de fato é menos volátil e é a parte mais afetada pela política monetária, mas não é simples convencer o público de que essa é a melhor medida da inflação para ser acompanhada no longo prazo."

Autor(es): Fernando Dantas

O Estado de S. Paulo - 26/11/2010 http://www.estadao.com.br/

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Brasil é país com maior alta de importações em 2010


Invasão de importados no Brasil bate todos os recordes; real valorizado e crescimento doméstico explicam movimento.

A invasão de importados no Brasil bate todos os recordes. Pelos dados oficiais de 70 governos, o País está enfrentando a maior expansão de importações em 2010 entre os membros do G-20 (grupo das 20 maiores economias do mundo) e entre todas as economias que tiveram seus dados compilados pela Organização Mundial do Comércio (OMC). A comparação entre o que o Brasil importou em dezembro de 2009 e setembro deste ano mostra um aumento das importações de 46%. Em qualquer outra comparação entre 2009 e 2010, o Brasil também lidera em expansão de importações.

O real valorizado e o crescimento do mercado doméstico são os principais motivos do fenômeno. No fim de dezembro do ano passado, o Brasil importava US$ 12,8 bilhões. Em setembro de 2010, esse volume já chegava a US$ 18,7 bilhões. Em outubro, o volume chegou a cair um pouco, mas nada que tenha modificado a trajetória. Setembro bateu recorde em volume de importações no País. Em comparação com a média dos meses de 2006, o valor é três vezes maior. Em relação a setembro de 2009, o Brasil também tem a maior taxa de expansão, de 43%. Na China, a alta havia sido de 24%, ante 34% na Rússia. Nenhuma das 70 economias avaliadas teve variação tão grande como a do Brasil entre dezembro de 2009 e o fim do terceiro trimestre de 2010.

O Brasil já aparece nas estatísticas americanas como o parceiro comercial com o qual os Estados Unidos têm o maior superávit. Com a Europa, a situação se repete. O superávit que o Brasil tinha com os europeus desde 1999 foi zerado no terceiro trimestre, ainda que o governo aposte que as vendas de fim de ano farão com que o ano termine com superávit a favor do Brasil. O resultado contrasta com os números de 2007, quando o País havia obtido saldo positivo de 11,5 bilhões, amplamente favorável às contas nacionais.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo. http://www.estadao.com.br/

Humor: Só pra descontrair um pouco

EQUIPE ECONÔMICA DE DILMA PROMETE AUSTERIDADE FISCAL



NOVA EQUIPE ECONÔMICA DE DILMA REJEITA BOMBAS FISCAIS DO CONGRESSO

Apresentados como integrantes da equipe econômica do futuro governo de Dilma Rousseff, os ministros Guido Mantega (Fazenda) e Miriam Belchior (Planejamento), ao lado de Alexandre Tombini (Banco Central), rejeitaram as bombas fiscais em tramitação no Congresso. Mantega disse que, para um crescimento na casa dos 5%, não é possível criar novos gastos. "O ano de 2011 será de contenção fiscal, com redução de despesas de custeio, para elevar o investimento", resumiu o ministro. Miriam disse que a meta é "fazer mais com menos dinheiro". Tombini, por sua vez, afirmou ter "autonomia total" na condução política de juros para alcançar a meta de inflação.

Ministros oficialmente confirmados adotam discurso com tom fiscalista, a despeito de a presidente eleita, Dilma Rousseff, ter negado necessidade de ajuste; Miriam Belchior, futura titular do Planejamento, diz que é preciso ‘fazer mais com menos dinheiro’


Na primeira aparição pública, depois de confirmados oficialmente como integrantes da equipe econômica da presidente eleita, os ministros Guido Mantega (Fazenda) e Miriam Belchior (Planejamento) rejeitaram as bombas fiscais em tramitação no Congresso e elegeram como alvos fiscais os aposentados, o salário mínimo, o Judiciário e os policiais.

Adotando um discurso típico de tecnocratas, Miriam Belchior disse que a meta, no governo Dilma, é "fazer mais com menos dinheiro". Mantega disse que com o crescimento econômico acima de 5% não é possível criar novas despesas.

Mantega listou o que ele considera riscos para a consolidação fiscal do País. Disse que o reajuste do mínimo pode passar dos atuais R$ 510 para R$ 540, o Congresso não deve aprovar o reajuste de 56% para o Judiciário, os aposentados que ganham acima do piso da Previdência não podem ter reajuste real e a Proposta de Emenda Constitucional número 300, criando um piso nacional para os policiais, e com gastos que podem chegar a R$ 43 bilhões, não pode ser aprovada.

O receituário fiscal foi anunciado logo depois de o deputado federal José Eduardo Martins Cardozo (PT-SP) anunciar formalmente os nomes de Mantega, Miriam Belchior e Alexandre Tombini (na presidência do Banco Central) como os escolhidos para a equipe econômica.

Por uma regra acertada entre governo e centrais, ainda não convertida em lei, o mínimo é corrigido conforme a inflação e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos anteriores. Por esse mecanismo, o valor para 2011 seria R$ 538,15, que é o piso atual (R$ 510) corrigido pela inflação, mas sem o acréscimo do PIB porque em 2009 a economia encolheu 0,2%. As centrais reivindicam um mínimo em torno de R$ 580.

"O ano de 2011 será de contenção fiscal com redução de despesas de custeio para aumentar a poupança pública e aumentar o investimento", resumiu Mantega.

"É preciso um esforço comum de contenção de gastos do Executivo, do Legislativo e do Judiciário para que a solidez fiscal continue viabilizando o crescimento sustentável do País", emendou.

Além de pregar "forte redução de gastos de custeio", o ministro mandou um recado para o mercado: a autonomia do BC será mantida e as metas de inflação, cumpridas. Para 2011/2012, a inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional é de 4,5%.

"Essa é a inflação que nós vamos perseguir nos próximos dois anos. O Banco Central tem a competência e a autonomia para cumprir essas metas de inflação", disse Mantega. Didático, o ministro listou cinco projetos de lei que estão em tramitação no Congresso e põem em risco a consolidação fiscal.

O futuro governo também vai diminuir o repasse de recursos do Tesouro para o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

"Com isso estamos abrindo espaço para que o setor privado possa fazer empréstimo de longo prazo. A redução do gasto público com a queda da demanda estatal contribuirá para ampliar as condições para a queda mais rápida da taxa básica de juros", afirmou Mantega. Ele garantiu ainda que o governo não vai permitir a "concorrência desleal nem a manipulação do câmbio".

Dilma Rousseff não anunciou pessoalmente a sua equipe econômica. No início da tarde, a assessoria de imprensa da presidente eleita divulgou nota confirmando a manutenção de Mantega, na Fazenda, e os nomes de Tombini para o Banco Central e de Miriam Belchior, no Planejamento.

A nota ressaltou que "a presidente eleita determinou que a nova equipe assegure a continuidade da bem sucedida política econômica do governo Lula - baseada no regime de metas de inflação, câmbio flutuante e responsabilidade fiscal - e promova avanços que levarão o Brasil a vencer a pobreza e alcançar o patamar de nação plenamente desenvolvida".

Miriam confirmou que o Planejamento ganhará musculatura com a administração do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) pela pasta.


Eugênia Lopes, de O Estado de S.Paulo
O Estado de S. Paulo - 25/11/2010 http://www.estadao.com.br/

Rio em dia de fúria

Rio, 2010: Uma cidade em guerra


 O cenário no Rio de Janeiro e nos municípios vizinhos era de uma batalha. Os cariocas e os fluminenses tiveram que sair de casa em meio a tiroteios e a incêndios de carros e de ônibus – em Mesquita, na Baixada Fluminense, os bandidos queimaram um coletivo na madrugada. A onda de violência e arrastões organizada por traficantes chocou o país e provocou a reação do governo do estado. Milhares de policiais foram às ruas. E o resultado do confronto foi trágico: pelo menos 15 pessoas morreram ontem. Para as autoridades que comandam a segurança no Rio, os ataques demonstram desespero e são uma retaliação às ações de combate à criminalidade.

Rio em dia de fúria

Sob ataque de bandidos desde o último domingo, capital fluminense vive 24 horas de pânico com 15 mortes e inúmeros carros incendiados

Veículos tomados pelo fogo, medo nas ruas e 15 pessoas mortas — o saldo de mais um dia de violência sem qualquer controle no Rio de Janeiro, onde os criminosos fizeram mais de 15 ataques, atearam fogo em 14 carros, oito ônibus, uma van e um caminhão. Mais que um clichê, o real clima de guerra, que vem desde o domingo, mostra que o reforço policial anunciado pelo governador Sérgio Cabral (PMDB) não intimidou o crime organizado, que agora passa a levar medo não só às ruas do subúrbio do Rio, mas também às regiões metropolitanas e à Zona Sul. Na televisão, o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame pediu calma à população, enquanto o comando da PM colocou todo o efetivo de prontidão.

A madrugada de quarta-feira foi a mais violenta desde o início dos ataques e arrastões. Desta vez, os criminosos miraram suas ações em carros, ônibus e vans. Os atentados começaram ainda na noite de terça-feira e se estenderam até ontem pela manhã. Só no Jardim Floresta, em Belford Roxo, oito pessoas foram baleadas na troca de tiros com a PM e morreram no local. Na Vila Cruzeiro, na Penha, uma adolescente acabou atingida por uma bala perdida e morreu ao chegar ao hospital. Até mesmo um Caveirão — o carro blindado da PM utilizado na ocupação de favelas — foi atingido por bombas caseiras e teve os pneus furados em uma barricada erguida pelos criminosos.

Ao todo, já são 26 mortes e 32 veículos incendiados desde o domingo. Ontem, as ações avançaram para outras regiões do estado, onde houve ataques distintos. Isso aconteceu em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, e em São Gonçalo e Niterói. Na Zona Sul foram registrados casos na Lagoa e em Laranjeiras.

Na Avenida Vicente de Carvalho, próximo ao Morro da Fé, no bairro da Penha, um intenso tiroteio iniciado na madrugada de ontem perdurou por toda a manhã, apavorando moradores. Motoristas evitaram passar pelo local e o comércio fechou as portas temendo retaliações dos criminosos.

Um bilhete encontrado em um ônibus incendiado em Belford Roxo confirmou as suspeitas de que as instalações das Unidades de Polícia Pacificadoras (UPPs) em comunidades dominadas por facções criminosas seriam o motivo dos ataques. Nele, o grupo que ateou fogo avisou que, caso as unidades continuem, “não haverá Copa (do Mundo) e Olimpíadas”. “Esse bilhete somente homologa que estamos no caminho certo”, afirmou Beltrame.

O clima de tensão era tanto na cidade que em determinado momento duas caixas de madeira foram isoladas. A suspeita da polícia era de que elas poderiam conter algum artefato explosivo. O esquadrão antibomba foi chamado, mas as caixas nada mais eram do que um material publicitário. Exemplo claro de um dia caótico que os moradores da capital fluminense preferem esquecer.

Autor(es): Carolina Khodr e Edson Luiz

Correio Braziliense - 25/11/2010 http://www.correioweb.com.br/

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Seguradoras pagam carros incendiados em ataques de tráfico de drogas



Carros queimados na Linha Vermelha/RJ

Por entender que ainda são pontuais os arrastões que resultam em carros incendiados, as seguradoras associadas à Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg) estão dando cobertura aos segurados vítimas dos ataques do tráfico de drogas no Rio de Janeiro.

Isso porque as condições gerais dos contratos de seguros prevêem que os atos de vandalismo ou de terrorismo estão entre os riscos excluídos de pagamento. "Porém, como o entendimento é de que se trata de atos isolados, as seguradoras vão pagar os sinistros provocados por incêndio quando houver solicitação", explicou o diretor da Fenseg, Neival Rodrigues Freitas.

A FenSeg, contudo, lembra que o pagamento do seguro só pode ser concretizado para os segurados que tenham contratado a cobertura de colisão, incêndio e roubo, que é a proteção tradicionalmente mais solicitada pelo consumidor.

Para aqueles que optaram por adquirir exclusivamente a garantia de Responsabilidade Civil Facultativa (RCF), cujo objetivo é saldar prejuízos causados pelo segurado a terceiros em decorrência de acidentes, a indenização será negada, justamente porque não houve a compra da cobertura contra incêndio, esclareceu ele.

Porém, a maioria dos clientes pode ficar tranquila, visto que a compra de pacotes compreensivos (roubo, furto, colisão e incêndio) prevalece no mercado.

A FenSeg também não projeta um forte avanço da sinistralidade em virtude de veículos incendiados. Pelos cálculos da entidade, considerando a frota de veículos que pagam o DPVAT, cerca de 30% dessa frota dispõe de seguro de automóvel, ou seja, 13 milhões de veículos.

Fonte: Viver Seguro

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

O futuro está nos trens

Se o trem ainda é visto por muitos como algo ligado ao passado, é bom saber que não há dúvidas sobre a sua importância nas próximas décadas como principal meio de transporte para grandes cargas em longos percursos. Essa certeza foi compartilhada por milhares de empresários de 45 países presentes à Innotrans 2010, realizada no mês de outubro em Berlim.

Há algumas décadas, os trilhos não tinham vez quando se idealizava o futuro. No Brasil do "milagre econômico", a construção de rodovias era um símbolo de progresso e modernidade, enquanto a malha ferroviária era sucateada sob gestão estatal. Felizmente a realidade agora é outra. Deve-se destacar que esse quadro começou a mudar com a desestatização do setor, a partir de 1997. Desde então, os investimentos das concessionárias do transporte ferroviário já superaram a cifra de R$ 22 bilhões. Os investimentos governamentais, embora tenham somado pouco mais de R$ 1 bilhão até 2009, multiplicam-se agora na construção de novas ferrovias estruturantes, integrando diversas regiões do território nacional.

Esse novo cenário é alicerçado na visão de que os trilhos levam desenvolvimento, e não o contrário. A importância de se adequar a infraestrutura de transportes às urgentes demandas do crescimento econômico, vista como prioridade do governo Lula nas premissas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e do Programa nacional de Logística e Transportes (PNLT), tornou-se também um item de destaque nas propostas de governo da presidente eleita. Como afirmou a então candidata Dilma Rousseff, durante o evento Brasil nos Trilhos, em Brasília, "a parceria do governo federal com as empresas do setor ferroviário é crucial para que o Brasil amplie sua capacidade de oferta e possa crescer à altura do seu potencial".

Setores do governo e da iniciativa privada movimentam-se hoje em torno da definição do que seria o melhor modelo para a configuração do mapa logístico do país nos próximos anos. Todos entendem que o marco regulatório precisa ser aprimorado, mas há que se levar em conta os avanços dos últimos anos no Brasil, assim como as experiências internacionais bem-sucedidas, para que a adoção de um novo modelo não resulte em retrocesso.

Recursos privados sempre dependerão de um ambiente de segurança jurídica para contratos de longo prazo

Nos EUA, por exemplo, temos um caso de sucesso após a desregulamentação do transporte ferroviário de carga, em 1980, quando as empresas do setor iniciaram um novo ciclo de elevado grau de eficiência. Enquanto isso, o modelo adotado no Reino Unido e na Espanha, separando a concessão dos trilhos e a operação dos trens para implantar um regime de ferrovia aberta a todos os operadores interessados em transitar na malha, levou à queda nos investimentos, perda de qualidade, quebra das empresas, menor participação na matriz de transportes e, consequentemente, à reestatização do sistema, que passou a depender de subsídios e outros recursos governamentais em torno de € 40 bilhões por ano.

Aumenta em todo o mundo a demanda por transporte de carga, atraindo vultosos recursos privados que, necessariamente, estarão sempre condicionados a um ambiente de segurança jurídica para os contratos de longo prazo e a padrões corretos de competitividade entre os diversos modais de transporte. Por isso é preciso que os investimentos das concessionárias sejam aplicados em trechos com efetiva demanda de transporte, assim como é imprescindível preservar os contratos vigentes e garantir a capacidade de investimento do sistema atual, mantendo condições de rentabilidade suficientes para a remuneração adequada do capital aplicado pelas concessionárias, de modo a assegurar a qualidade e a eficiência das operações.

"Os custos de implantação de uma ferrovia são bem superiores aos das rodovias", constatou o Instituto de Pesquisa Econômica Avançada - Ipea em recente estudo sobre transporte ferroviário de cargas no Brasil, "Então, qual a vantagem de usar ferrovias?", questionam os autores do estudo, respondendo em seguida: maior capacidade de movimentação de cargas, aliada a custos operacionais mais baixos; menores custos de manutenção em relação ao volume de carga movimentada; e menor consumo de combustível por tonelada transportada.

Diante da crescente demanda gerada pelo aumento da produção nacional e pelas perspectivas de maior participação no mercado mundial, os diversos programas e planos de longo prazo para a infraestrutura logística apontam para um aumento da participação do modal ferroviário na matriz de transporte brasileira, perseguindo os "benchmarks" internacionais. O atual modelo de concessões reguladas já vem trilhando esse caminho com resultados consistentes e gerou um círculo virtuoso de investimentos no próprio setor, como afirmou o representante do BNDES na sede da Fiesp, durante o VII Seminário sobre Ferrovias. Essa realidade substituiu o círculo vicioso dos tempos da Rede Ferroviária Federal (RFFSA), que deixou um prejuízo de R$ 13 bilhões para os cofres públicos - uma herança negativa revertida pelas concessionárias que, desde 1997, têm recolhido em média R$ 1 bilhão por ano em impostos, Cide, concessão e arrendamentos.

Ampliar a malha ferroviária e aprimorar o marco regulatório são desafios que se complementam. As empresas concessionárias estão apresentando ao governo uma série de sugestões capazes de promover efetivas melhorias, com lógica socioeconômica e compromissos firmes de reconfiguração da malha, por meio de investimentos privados na infraestrutura: contornos, viadutos e novos corredores para potencialização da demanda, entre outras propostas. Incentivos governamentais adequados poderiam aumentar a sustentabilidade econômica do setor e alavancar novos investimentos, inclusive uma política industrial que estimule a fabricação de locomotivas e trilhos no Brasil.

Se por um lado precisamos quase dobrar a extensão da nossa malha, dos atuais 28,4 mil para 52 mil km, será essencial também aperfeiçoar o modelo de concessões em função das atuais demandas e das novas condições tecnológicas e econômicas do transporte de carga no Brasil e no mundo, para que os resultados satisfatórios obtidos nos últimos anos possam avançar mais, em benefício de toda a sociedade.

Rodrigo Vilaça, administrador de empresas, é diretor-executivo da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF).

Autor(es): Rodrigo Vilaça

Valor Econômico - 19/11/2010 http://www.valoronline.com.br/

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

PIB do Estado do Rio de Janeiro cresce 4,1%

O IBGE, em parceria com órgãos estaduais de estatísticas, elabora o projeto das Contas Regionais do Brasil, que permite retratar a evolução da economia de cada unidade da federação, a preços correntes e constantes. No Estado do Rio o projeto é elaborado pelo Centro de Estatísticas, Estudos e Pesquisas da Fundação CEPERJ.

O projeto reúne informações detalhadas e comparáveis sobre a evolução do Produto Interno Bruto de cada estado, calculado a partir de estatísticas sobre o valor da produção, consumo intermediário e valor adicionado de cada atividade econômica, de acordo com a nova metodologia também utilizada para cálculo das Contas Nacionais. Os resultados finais são encaminhados ao Tribunal de Contas da União para a distribuição do Fundo de Participação dos Estados – FPE.

Análise dos Resultados para o ano de 2008

O Estado do Rio de Janeiro, segunda unidade da federação em termos de Produto Interno Bruto (R$ 343.182 milhões), apresentou em 2008 crescimento de 4,1%, apesar da crise internacional. Este resultado foi menor do que o nacional, que alcançou 5,2%. O Estado respondeu em 2008 por 11,3% do PIB do país, sendo superado apenas por São Paulo (33,1%), e seguido por Minas Gerais (9,3%).

Sua renda per capita foi de R$ 21.621, inferior apenas a do Distrito Federal (R$ 45.978) e a de São Paulo (R$ 24.457).

Em relação à participação no Valor Adicionado, a indústria ganhou peso em 2008, passando de 29,9% para 31,6%, enquanto os Serviços caíram de 69,7% para 68,0%. O destaque positivo no setor industrial foi a atividade Extrativa Mineral-petróleo, cuja participação passou de 12,2% para 15,4%, por conta principalmente do aumento do preço de petróleo.

As atividades econômicas que registraram as maiores taxas de crescimento foram: Agropecuária (+ 22,1%); Serviços Industriais de Utilidade Pública (+ 20,0%); Intermediação Financeira (+ 12,7%); Alojamento e Alimentação (+9,3%); Serviço de Informação (+ 8,4%); Serviços Prestados às Famílias (+ 7,7%) e Comércio (+ 5,8%). Os piores resultados foram: Pecuária (-12,2%), Administração Pública (-1,2%) e Indústria de Transformação (-0,8%).

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

DOCUMENTO OFICIAL ALERTA PARA DESINDUSTRIALIZAÇÃO

Desindustrialização preocupa o Ministério do Desenvolvimento

O país vive um processo de desindustrialização? O Ministério do Desenvolvimento, Industria e Comércio tomou partido nesse debate em documento no qual afirma que o processo existe, é preocupante e ameaça as contas externas. O trabalho, que circula reservadamente na equipe econômica e foi obtido pelo Valor, sugere que o governo deveria criar uma "diretriz" para elevar o saldo comercial, hoje em torno de 9% das exportações, para um nível mínimo de 14%.

No primeiro semestre, o superávit comercial foi de US$ 7,9 bilhões. Para eliminar a necessidade cobrir as contas externas com investimento do exterior, seria necessário saldo de US$ 19,5 bilhões. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, o governo deveria estimular exportações, numa clara oposição às intenções do Ministério da Fazenda, que tem proposto controle de exportações.

O país vive um preocupante processo de "desindustrialização negativa" que pode ameaçar as contas externas, alerta documento reservado do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) obtido pelo Valor. O documento, que circula na equipe econômica, diz ser um "fator de preocupação e sinal de alerta" a influência da balança comercial no aumento do saldo negativo nas contas externas, que torna o Brasil cada vez mais dependente de investimentos especulativos. Ele sugere ao governo criar uma "diretriz" para elevar o saldo comercial, em torno de 9% das exportações.

O governo, segundo o MDIC, deveria fixar um "nível mínimo" considerado aceitável para a relação entre saldo comercial e exportações, e apoiar exportadores para garantir esse resultado. No primeiro semestre, essa relação superávit/exportações ficou em 8,8%, para um saldo de US$ 7,9 bilhões. Para eliminar a necessidade de cobrir as contas externas com investimentos em carteira (ações e títulos) do exterior, seria necessário que o superávit no período tivesse sido de US$ 19,5 bilhões, desempenho considerado "inexequível" pelo próprio ministério.

O documento propõe que, após fixado o "nível mínimo aceitável" para o saldo comercial (segundo sugere, no primeiro semestre deveria ter sido 14,3%), o governo adotaria medidas para elevar as exportações de forma a reduzir pela metade a necessidade de financiamento para as contas externas.

Numa clara oposição às intenções do Ministério da Fazenda, que tem proposto medidas de controle das importações no debate interno do governo, o MDIC argumenta, no texto, que a busca de um saldo comercial mais alto deve ser feita com iniciativas de estímulo às exportações, com "medidas estruturantes" - como redução de tributos sobre exportadores, simplificação de procedimentos burocráticos e políticas de incentivo à desvalorização do real.

Baseados no desempenho das exportações no primeiro semestre, os técnicos do ministério previam que as exportações teriam de ter crescido US$ 5 bilhões acima do resultado obtido entre janeiro e junho, ou 35% além do desempenho do mesmo período em 2009. No segundo semestre, o surpreendente desempenho das exportações elevou a previsão de exportações, de US$ 180 bilhões para US$ 195 bilhões, o que reduziria o esforço para obter o superávit maior - o número exato teria de ser recalculado pela equipe econômica.

O documento, concluído em julho, mesmo mês em que, coincidentemente, o Banco Central interrompeu a escalada de alta nas taxas de juros, toma partido no debate se há ou não desindustrialização no país argumentando que é evidente a "reprimarização" da pauta de exportações (predomínio de bens primários, como minério de ferro, soja e grãos). A desindustrialização não se caracteriza pela queda na produção física da indústria, que pode até aumentar, argumenta o estudo. "A característica fundamental do processo de desindustrialização é a perda relativa de dinamismo da indústria na geração de renda e emprego na economia", define o texto.

Para o ministério, a "reprimarização" ameaça o país desde 2007 e ficou evidente no primeiro semestre, quando a participação dos produtos manufaturados (máquinas, veículos, eletrodomésticos) no total das exportações foi de 40,5%, abaixo dos 43,4% da participação de produtos básicos - "composição que retrocede ao patamar de 2008", diz o documento.

Enquanto o Brasil exporta cada vez mais commodities (ferro, soja) do que importa, o comércio de produtos manufaturados segue tendência inversa, e passou, de um superávit em favor do país de US$ 4 bilhões em 1992, para um déficit de US$ 9,8 bilhões em 2007 - valor que subiu para US$ 30,5 bilhões só no primeiro semestre de 2010. O ministério prevê um "déficit histórico", até o fim do ano. A indústria de transformação, que chegou a um superávit recorde de US$ 31,9 bilhões em 2005, passou a ter mais importações que exportações a partir de 2008 e registrou um déficit de US$ 13,9 bilhões no primeiro semestre de 2010.

Setores de "baixa-média" tecnologia como os de têxteis, confecções e móveis, que mantiveram superávits comerciais até o começo da década, já têm déficits ou, como no caso de móveis e indústrias diversas, deverão ter saldo negativo até o fim do ano, prevê o MDIC. No caso de couro e calçados, as vendas de couro têm compensado o déficit no subsetor de calçados.

Outro exemplo da "deterioração" é o segmento de veículos automotores e equipamentos de transporte, considerado de média-alta e alta intensidade tecnológica e que passou de um superávit anual de, em média, US$ 9,1 bilhões entre 2004 e 2007 a um déficit de US$ 3,1 bilhões em 2009, que deve se elevar neste ano. O déficit no primeiro semestre já é maior que o alcançado em todo o ano 2000 por setores de intensidade alta e média-alta, que já eram deficitários, como o de máquinas de informática, elétricas e de comunicação, equipamentos médico-hospitalares, automáticos e de precisão e químicos e artigos de borracha.

Há uma "tendência estrutural de geração de déficits em importantes segmentos da tecnologia de transformação", nota o documento, que classifica essa tendência de "um sinal de alerta para uma possível vulnerabilidade da atividade econômica nacional e para as contas externas do país". Nos últimos três anos, as exportações aumentam a um ritmo inferior ao do crescimento do país e, na falta de medidas compensatórias, o câmbio influencia diretamente a perda de competitividade das vendas da indústria ao exterior, mostra o estudo. Já as importações aumentam acima do ritmo de crescimento da economia, ameaçando o saldo comercial, e os investimentos diretos já não são suficientes para cobrir as necessidade de financiamento do déficit nas contas externas totais.

É um cenário preocupante, "posto que reflete uma dependência de capitais de curto prazo, sujeitos a volatilidade e nervosismos dos agentes financeiros internacionais", alerta o ministério.

Valor Econômico - 16/11/2010 http://www.valoronline.com.br/

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Bancos baixam juros para evitar calote


Juro menor contra calote

Bancos estão se armando para prevenir uma onda de inadimplência dos consumidores. Antes mesmo de o cliente se perder ao usar o cheque especial ou o cartão de crédito para fechar as contas no fim do mês, algumas instituições financeiras estão se antecipando e oferecendo modalidades de empréstimos mais baratos. Os juros podem chegar a 2,71 % ao mês.

Bancos cobram taxas abaixo de 3% para potenciais devedores

Com a expansão vigorosa do crédito no país, a taxas de 20% ao ano, grandes instituições como Banco do Brasil (BB) e Itaú, as maiores do país, estão se armando para prevenir um estouro na inadimplência dos consumidores. Antes de o cliente se perder ao usar o cheque especial ou o cartão de crédito para fechar as contas no mês, com juros estratosféricos, os bancos estão se antecipando e oferecendo modalidades de empréstimo mais baratas.

Essa saída sempre foi a mais recomendada por todos os especialistas da área de finanças pessoais, mas é a primeira vez que os bancos tomam a iniciativa. Para isso, estão investindo pesadamente em tecnologia e estudos para acompanhar cada vez mais de perto os passos dados por seus clientes.

- Pelo histórico, conseguimos perceber se o cliente vai ficar inadimplente ou não - diz o diretor de Crédito do BB, Walter Malieni Júnior.

BB já procurou 38 mil correntistas

Os resultados já começaram a aparecer. Em dois meses usando essa nova ferramenta, o BB abordou 38 mil clientes que tinham potencial para se tornar inadimplentes, conseguindo renovar as linhas de 7,5% desse total, num valor global de R$3,925 milhões, com parcelas e prazos médios de R$156 e 15,4 meses, respectivamente.

Para tanto, criou uma nova modalidade de crédito, chamada CDC Renovação, cujas taxas de juros variam de 4,86% a 6,10% ao mês, com limites de R$150 a R$60 mil. Os juros do cheque especial, em média, ficam em torno de 10% mensais.

Para Malieni, o empenho em evitar um crescimento da inadimplência, no limite, também ajuda a incentivar ainda mais os negócios. Com a saúde financeira do cliente em ordem, o banco pode oferecer outros produtos e mantê-lo ativo. Sem contar que evita eventuais perdas financeiras para a instituição.

Financiamentos em caixas eletrônicos

Há menos de dois meses o Itaú também começou a trabalhar com os mesmos mecanismos. Entre estes, segundo o superintendente de Relacionamento com o Sistema de Defesa do Consumidor do banco, Francisco Calazans Júnior, está o "saldo parcelado", uma nova linha de crédito com juros menores - de 2,71% a 6,02% ao mês - que está sendo oferecida nos caixas eletrônicos.

- Usamos alguns canais para oferecer essas alternativas, como os terminais de autoatendimento - explicou o executivo do Itaú.

O motorista de ônibus Marcos Antonio Pereira Rodrigues é um bom exemplo. Correntista do BB, ele usou a nova linha de crédito para levantar R$345 e evitar entrar no vermelho no seu cartão de crédito. Ele conta que fez muitas compras pequenas, porém acabou não conseguindo honrar integralmente a fatura. Diante de taxas de juros na casa dos 10% ao mês no cartão, ele vai agora pagar seis parcelas de R$80, totalizando R$480. A taxa mensal ficou em 5,65%.

- Isso é melhor que pagar os juros do cartão - disse Rodrigues.

Por enquanto, não houve um estouro da inadimplência de modo geral, mas o cinto começou a apertar. Já não é tão difícil perceber que alguns clientes começaram a usar o cheque especial por alguns dias, ou até mesmo pagar apenas parte de sua fatura do cartão de crédito em um determinado mês, dando sinais de que podem caminhar para a inadimplência.

- Estamos oferecendo outras linhas de crédito mais em conta para esse cliente não se perder - explicou Malieni, avisando que o BB começará a fazer o mesmo monitoramento das pequenas e médias empresas.

A inadimplência do consumidor pessoa física, segundo dados do Banco Central (BC), vem caindo ao longo do ano. Começou o período a 7,5% e, em setembro, estava em 6%. O vice-presidente da Anefac (associação que reúne os executivos de finanças), Miguel Oliveira, avalia que esse movimento deve continuar. Para ele, as instituições financeiras perceberam que é melhor manter o cliente ativo do que tentar ganhar taxas de juros enormes que só engolem a capacidade de pagamento das pessoas:

- É uma questão de sobrevivência dos bancos. É uma tendência que veio para ficar, com o bom momento da economia e a maior competição entre os bancos.

O vice-presidente da Anefac reforça que as pessoas devem evitar entrar no cheque especial ou no rotativo do cartão de crédito, modalidades nas quais as taxas de juros ultrapassam 10% ao mês. O crédito consignado, com desconto em folha de pagamento, é sempre a melhor opção, com taxas em torno de 2% e 3% ao mês. Se a inadimplência se mantiver, o consumidor pode ter o nome incluído no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) e ter o crédito cortado.

Autor(es): Agencia o Globo/Patrícia Duarte
O Globo - 16/11/2010 http://www.oglobo.com.br/

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Estados mais pobres têm governadores mais ricos

Eleitos dizem ter agregado bens na declaração de renda

Assessores dos governadores eleitos de Rondônia e do Acre apresentaram justificativas similares para explicar o aumento de patrimônio dos chefes.

De acordo com José Almeida Junior, advogado de Confúcio Moura (PMDB-RO), a declaração de bens do peemedebista apresentou evolução de 2.117,58% em comparação ao valores de 2008 porque a mulher dele, a médica Alice Moura, vendeu oito lotes de terra que estavam em seu nome. Os recursos apurados com a venda passaram a contar da declaração do governador eleito, declarou.

Já Eduardo Marques, chefe de gabinete do ainda senador Tião Viana (PT-AC), futuro governador do Acre, explicou que o petista resolveu agregar a sua declaração os bens em nome de sua mulher, Marlúcia Cândida - o que não havia feito em 2006. Viana ainda recebeu uma herança do pai no período, disse o assessor.

A assessoria de imprensa e a Secretaria de Estado de Comunicação do Maranhão não deram resposta aos questionamentos encaminhados pela reportagem sobre a evolução patrimonial da governadora reeleita, Roseana Sarney (PMDB).

Autor(es): Alfredo Junqueira

O Estado de S. Paulo - 15/11/2010 http://www.estadao.com.br/

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

O que representa o dinheiro em nossas vidas

Estudo mostra que pessoas são movidas pela sensação do prazer na hora das compras e que raramente pensam na possibilidade de investimento. Gastar gera prazer. Isso não seria problema se o reflexo não fosse o nível de inadimplência no país. A satisfação imediata está sabotando a consciência de um futuro financeiro saudável.

Em enquete realizada nos estados do sul do país (SP, RS, SC e PR) pela empresa MODDO Conhecimento Estratégico, com aproximadamente quatro mil pessoas, 90% dos participantes, ao serem estimulados por uma imagem de dinheiro (conforme imagem abaixo), responderam que a primeira e mais forte motivação é “gastar”.

A enquete corrobora os dados divulgados pela última pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em que 68% dos brasileiros gastam mais do que recebem. Considerando que a enquete realizada contava com 60% do público formado por homens, concluímos que, independente do sexo, o dinheiro suscita nos brasileiros a vontade de gastar. A neurociência tem demonstrado que uma das substâncias mais prazerosas e viciantes que inundam o cérebro é a dopamina, que tem a produção favorecida pelo ato de comprar. Ou seja, comprar dá prazer e, tanto homens como mulheres estão buscando esta sensação nas compras.

Isso é problemático? Não seria se não tivéssemos um país formado por 68% de inadimplentes. Então, se comprar gera prazer, também está gerando endividamento. Chama atenção o fato de que tanto homens quanto mulheres pensam em gastar imediatamente após serem submetidos ao estímulo do dinheiro e, raramente se levanta uma voz defendendo a possibilidade de investimentos. Voltamos aos dados do IBGE, em que apenas 17% da população possui alguma reserva financeira.

Portanto, o dinheiro parece estar sendo usado como uma mera e simples fonte de atingir satisfações imediatas sem planejamento, preparo ou preocupação com o amanhã. Será que ainda não estamos nos dando conta de que o amanhã é apenas um passo adiante do hoje? Educação financeira, em que se prioriza a compreensão da importância dos investimentos e da necessidade de considerar a sustentabilidade do consumo se faz não só necessária, como urgente. Afinal, precisamos considerar o que representa o dinheiro em nossas vidas!

Márcia Tolotti

Psicanalista, escritora e sócia da MODDO Conhecimento Estratégico, empresa pioneira no Brasil em Programas de Educação Financeira in Company, desde 2005.

Extraído de http://www.expomoney.com.br/
Concursos abrem vagas para quem tem o nível médio

Quem tem ensino médio completo e está em busca de uma oportunidade no serviço público deve aproveitar o momento: vários órgãos — municipais, estaduais e federais — têm inscrições abertas ou previstas para cargos que exigem esse nível de escolaridade. Há mais de quatro mil oportunidades em diversas funções, com salários que podem chegar a quase R$ 3 mil, dependendo do órgão. Veja as oportunidades:

Polícia Federal - O pedido de abertura do concurso público já está no Ministério do Planejamento. Para nível médio, foram solicitadas 328 vagas para o cargo de agente administrativo.

INSS - A seleção está nas mãos do ministério. Se o processo seletivo for autorizado, serão preenchidas duas mil vagas de técnico, com vencimentos de R$ 2.980, já incluídos benefícios. A expectativa é que a seleção aconteça até o fim do ano.

Educação Infantil - Terá inscrições abertas a partir de terça-feira para 1.500 vagas de professor. A exigência é de nível médio na modalidade normal. O prazo de inscrições vai até 23 de novembro, pelo site http://concursos.rio.rj.gov.br/
Unirio - A universidade começa a inscrever no dia 23 de novembro, no site www.unirio.br/concursos. Há 23 vagas de assistente administrativo e uma de técnico de enfermagem. O salário é de R$ 2.125,94.

Faetec - Para nível médio, são 181 vagas de operador de micro, técnico de contabilidade, agente administrativo e inspetor de alunos. As inscrições vão até o dia 17 de novembro, no site www.ceperj.rj.gov.br.

Niterói - Até 10 de dezembro, as inscrições ficarão abertas no site www.fec.uff.br. Para nível médio, são 49 vagas de agente de administração educacional e 28 de agente de coordenação de turno. Para agente de educação bilingue, será formado um cadastro de reserva.
Concurso do IFRJ tem prazo de inscrição a partir do dia 22

As inscrições para o concurso público do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ) estarão abertas a partir do dia 22. São 28 vagas em cargos técnicos-administrativos de níveis médio, médio/técnico e superior. Os vencimentos variam de R$ 1.473,58 a R$ 2.989,33, de acordo com o cargo. A carga horária é de 40 horas semanais.

Os interessados devem garantir a participação por meio do endereço www.ifrj.edu.br, até as 18h do dia 22 de dezembro. Os candidatos devem imprimir um boleto para o pagamento das taxas de participação, que são de R$ 60 (para níveis médio e médio/técnico) e de R$ 80 (para formação superior).

As provas objetivas estão marcadas para o dia 30 de janeiro, das 9h às 13h. Os cargos de nível médio/técnico terão avaliações prática e de títulos.
Petróleo e gás são temas de evento

A I Mostra de Empregos da Região Leste Fluminense reunirá especialistas de empresas públicas e privadas da área naval e de petróleo e gás. O evento será no dia 13 de novembro, das 9h às 17h, na

Escola Técnica Industrial da Ebepi (Empresa Brasileira de Educação Profissional Industrial S/A), em São Gonçalo, com palestras sobre as oportunidades do mercado.

- O objetivo é mostrar que são áreas bastante promissoras, com salários de cerca de R$2,5 mil, para quem tem nível fundamental, e em torno de R$ 5 mil, para quem tem o nível médio. Para isso, é possível estar

qualificado e pronto para trabalhar em até 50 dias. São dezenas de ocupações diferentes, oferecendo igualdade de condições para homens e mulheres, sem limite de idade e com perspectiva em vagas abertas nos estaleiros e indústrias da região -, afirma Maurício Lima, Presidente da Ebepi.

A programação do próximo dia 13 começará às 10h, com a palestra “Como conseguir um emprego na indústria”, com o professor Maurício Lima, presidente da Ebepi. Às 11h, o tema será “O que a indústria espera de um profissional?”, com o professor Pedro Paulo, diretor-executivo da Ebepi. Das 12h às 14h, aulas práticas. Às 15h, palestra sobre “Investimento da Petrobras na região: mais de 200 mil empregos”, com o professor Carlos Wightman, gerente da Petrobras.

- É importante destacar que durante todo o evento profissionais de diversas áreas estarão à disposição dos participantes para esclarecimentos sobre profissões, preparação e oportunidades de empregos”, avisa Erick Lima, coordenador do evento.

Durante a mostra serão sorteadas bolsas de estudos da escola de até 100%.

SERVIÇO

Data: 13 de novembro
Horário: 9h às 17h
Local: Avenida Bispo Dom João Da Mata 849, Laranjal, São Gonçalo
Telefones: (21) 2605-2656 ou (21) 2614-2073

PROGRAMAÇÃO
9h - Abertura do evento com personalidades e especialistas em empregabilidade.

10h - Palestra: Como estar preparado para trabalhar na Indústria e quais as principais oportunidades de emprego na Região. Prof. Maurício Lima que foi coordenador internacional de cursos da Petrobras.

11h- Palestra: O que a indústria espera de um profissional. Prof. Pedro Paulo. Diretor de Recursos Humanos especializado na Indústria Naval / Estaleiros e demais indústrias da região.

12h às 14h - Mostras práticas de profissionais em diversas áreas de atuação.

15h - Palestra: Empregos que o Comperj trará para a região. Prof. Carlos Wightman. Gerente da Petrobras.

Até as 17h e durante todo o evento - profissionais de todas as áreas estarão à disposição dos visitantes para orientações sobre as ocupações na indústria.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Fala a Professora, a nossa mestra!

'A porcaria do câmbio'



A economista Maria da Conceição Tavares recomendou ontem ao Brasil trabalhar sozinho para se defender da “porcaria do câmbio”, alertando que as importações crescem de forma “desvairada”, provocando a desindustrialização de setores importantes da economia.

Cética em relação à reunião do G-20, receitou à equipe econômica a adoção do controle de capitais na entrada e a redução dos juros.

— Quem tem que se defender dessa porcaria do câmbio é o Brasil. Não podemos esperar sentados o G20, G-21, G-23, G-24 organizarem a ordem cambial. O que existe é uma desordem internacional — disse a economista, em audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.

— Não creio que vai ter acordo (no G-20). Estou cética porque os EUA e a China, que pertencem ao G-20, vetam (uma solução multilateral para o câmbio).

Conceição disse que os dois países estão se “lixando” e querem que os outros paguem a conta, citando a decisão do Federal Reserve (Fed, banco central americano) de jogar US$ 600 bilhões no mercado.

Autor(es): Agencia o Globo/Geralda Doca

O Globo - 10/11/2010

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Desunião mundial

EUA montam estratégia para rachar a aliança entre países emergentes e União Europeia contra o derretimento do dólar

O presidente Lula e a presidente eleita, Dilma Rousseff, vão pisar em terreno minado quando desembarcarem na Coreia do Sul para a esperada reunião do G-20, grupo que reúne as 20 nações mais ricas do mundo. Os Estados Unidos deram início a um claro movimento na tentativa de rachar a aliança estratégia entre os países emergentes, especialmente Brasil, Rússia, Índia e China — que formam o Bric — e a União Europeia contra a decisão do Banco Central norte-americano, o Federal Reserve (Fed), de inundar a economia local com mais US$ 600 bilhões. O receio generalizado é de que a cotação do dólar caia ainda mais, valorizando as demais moedas e prejudicando as exportações de todos, exceto dos produtos made in USA.

A ação norte-americana está sendo coordenada pessoalmente pelo presidente Barack Obama, que não só defendeu a decisão do Fed como rebateu as duras críticas recebidas, principalmente, da China, da Rússia, da Alemanha e do Brasil. De Nova Delhi, onde está em visita à Índia, Obama afirmou: “Eu digo que a ordem do Fed, que é a minha ordem, é fazer a nossa economia crescer. E isso não é bom somente para os Estados Unidos, é bom para o mundo como um todo. A pior coisa que poderia acontecer à economia mundial, não apenas à nossa, é ficarmos travados sem crescimento ou com crescimento limitado”.

Na estratégia de dividir os emergentes, Obama anunciou apoio à pretensão da Índia de ocupar um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas, posição que também é cobiçada pelo Brasil. O anúncio provocou a ira em Brasília. Mas, para não demonstrar a irritação do governo Lula, a diplomacia brasileira disseminou a visão de que o apoio dos EUA à Índia não é contrário à aspiração do país, que não disputaria um lugar com o parceiro de Bric por estarem em regiões diferentes.

O fato, porém, é que o Brasil está em uma posição contrária à dos EUA e não se furtará de fazer críticas à constante e intensa desvalorização do dólar. Para o governo Lula, os EUA e a China — que mantém a sua moeda, o iuan, artificialmente desvalorizada para garantir as suas exportações — estão provocando uma guerra cambial que deixará mortos e feridos mundo afora. Essa posição foi endossada ontem pelo representante dos ministros das Finanças da Zona do Euro, Jean-Claude Juncker, classificando as recentes medidas de estímulo dadas pelo Fed como um “risco”.

“O dólar, em relação ao euro, não está no nível em que deveria estar”, afirmou Juncker, em Bruxelas. Segundo ele, as taxas de câmbio “devem, primeiro, refletir os fundamentos econômicos, não dando lugar a comportamentos nacionais que se inspiram mais em reflexos egoístas do que no sentimento de que a comunidade internacional deve se ocupar das preocupações globais”. E acrescentou: “Vejo mais riscos e mais possibilidades de deslizes globais nas decisões tomadas pelo Fed do que benefícios”.

Panos quentes

Na tentativa de acalmar os ânimos, o presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, tentou explicar a decisão do Fed, dizendo que ela reagia a expectativas de inflação futura e não era um mecanismo para enfraquecer o dólar. Da Basileia, na Suíça, Trichet, que se reuniu com outros representantes de bancos centrais, assegurou que todos os participantes negaram “estar buscando políticas para enfraquecer suas moedas”.

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Timothy Geithner, afirmou esperar um amplo consenso na cúpula dos líderes do G-20 e assegurou que a China estaria apoiando um rebalanceamento da economia global. “O que nós propusemos é uma estrutura que incorpora indicadores de alerta inicial para grandes superavits ou de deficits comerciais, que podem ser monitorados”, disse. Segundo ele, já existe “um bom consenso” sobre a estrutura para verificar o excesso de volatilidade e de protecionismo nos mercados internacionais.

PARA SABER MAIS

O que é o G-20?

Um grupo constituído pelas 19 maiores economias do mundo — países desenvolvidos e emergentes — mais a União Europeia.

Quando será o encontro do G-20?

Será nos dias 11 e 12, em Seul, na Coreia do Sul.

Que temas serão tratados na reunião?

Os líderes dos países se reúnem para avaliar a situação da economia mundial depois da crise. Mas o assunto que deve dominar os debates é a intensa desvalorização do dólar. Também devem ser discutidas normas mais rígidas para o sistema financeiro mundial.

Como o G-20 foi criado?

O grupo surgiu logo depois da crise asiática, em 1999. As reuniões anuais são oportunidades para discutir sobre cooperação internacional entre ministros das Finanças e presidentes de bancos centrais.

Quais países compõem o grupo?

Participam do G-20 os oito países do G-8 (Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Reino Unido, Itália, Japão e Rússia), além de África do Sul, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Brasil, China, Coreia do Sul, Índia, Indonésia, México e Turquia. A União Europeia também integra o grupo.

Qual é o peso do grupo?

Juntos, os países membros representam cerca de 90% do Produto Nacional Bruto mundial, 80% do comércio internacional e cerca de dois terços da população do planeta.

Barreiras comerciais assustam

A maior preocupação do governo brasileiro com a guerra cambial é que o país volte a registrar deficit na balança comercial no ano que vem, devido à enxurrada de importações, favorecidas pelo dólar barato, e ao recuo das exportações, fruto de barreiras protecionistas. Para o presidente Lula, que participará da reunião de cúpula do G-20, é hora de os líderes globais se unirem e encontrarem uma solução definitiva para a crise financeira de 2008, que continua provocando desequilíbrios no planeta.

No entender de Lula, é mais do que necessário retomar o crescimento econômico, especialmente dos países mais ricos (Estados Unidos e Europa), que permanecem mergulhados na estagnação. “É preciso dinamizar a economia. E dinamizar a economia significa aquecer o comércio. Aquecer o comércio significa a gente não impor barreiras para o livre comércio”, afirmou.

Durante o programa de rádio Café com o Presidente, suspenso devido ao período eleitoral, Lula disse que a desvalorização das moedas chinesa (iuan) e norte-americana está causando um desequilíbrio no comércio mundial. “Nós precisamos voltar a ter equilíbrio. Portanto, nós queremos discutir o compromisso de todos os países com a política cambial, que deixe o mundo confortável e todo mundo em igualdade de condições na disputa comercial”, frisou. Segundo técnicos do Ministério da Fazenda, ao citar a China e os EUA como os principais atores na questão do câmbio, o presidente foi no ponto em que alguns especialistas vem batendo.

Para analistas e técnicos da Fazenda, as duas maiores potências mundiais vêm fingindo uma guerra cambial. A China financia os Estados Unidos em troca de exportar seus produtos para os norte-americanos. Com os dólares que recebe dos EUA, os chineses compram ativos reais em todo o mundo, inundando, principalmente os países emergentes, entre eles o Brasil, da moeda norte-americana.

Lula também defendeu a criação de um instrumento de controle do sistema financeiro, para evitar a especulação, que levou à crise. “O sistema financeiro, depois da irresponsabilidade de 2008, não pode continuar sem controle”, frisou. Para ela, “é preciso, no mínimo, que haja um instrumento multilateral que possa fiscalizar a alavancagem do sistema financeiro, para evitar a especulação, sobretudo como aconteceu no mercado imobiliário norte-americano, ou no mercado futuro, sobretudo de commodities”.

Autor(es): Liana Verdini
Correio Braziliense - 09/11/2010 http://www.correioweb.com.br/