sexta-feira, 11 de março de 2011

FORTE DESACELERAÇÃO FAZ BC SER CAUTELOSO COM OS JUROS

Algumas áreas do governo e alguns bancos já trabalham com a previsão de um crescimento de 3,5% para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano, antevendo uma queda brusca em relação aos 7,5% do ano passado e muito maior do que a esperada pelo mercado financeiro. Diante desse desaquecimento acelerado, seria possível a convergência da inflação para perto do centro da meta já em 2012.

A se confirmar essa expectativa mais pessimista para o PIB, a taxa Selic teria mais um aumento de 0,5 ponto percentual na reunião de abril e aí se encerraria o atual ciclo de aperto monetário. Essa foi a perspectiva passada pela ata do Copom divulgada ontem pelo Banco Central. As instituições financeiras leram com cuidado o item 31 da ata e entenderam que o ciclo de aperto deve ser mais curto e menos intenso do que imaginavam. "A eventual introdução de ações macroprudenciais pode ensejar oportunidades para que a estratégia de política monetária seja reavaliada", diz a ata.

A reação dos bancos ao item 31, que não condiz com o costumeiro conservadorismo do BC, foi imediata. "Surpreendentemente "dovish"", disse o J.P. Morgan. "Mais dovish", comentou o Bank of America, no que foi seguido pelo Goldman Sachs e diversos outros bancos estrangeiros. "Dovish" é a denominação derivada de pombo ("dove" em inglês) atribuída a uma autoridade monetária moderada, em oposição a "hawkish" (falcão).

A ata do Copom mexeu com o mercado. Os contratos de juros futuros fecharam o dia com forte queda na BM&F. Quem apostava em juros mais altos adiante perdeu dinheiro.

A ata trouxe ainda a novidade de um cenário alternativo - além dos cenários de mercado e de referência -, com câmbio estável, juros a 12,50% e mais riscos externos, no qual a inflação poderia ficar "ligeiramente abaixo" do centro da meta em 2012. Chamou a atenção de alguns analistas que um elemento-chave nesse ciclo mais suave é um real apreciado, na atual casa de R$ 1,65.

O Copom reconhece que decisões importantes foram tomadas na área fiscal, com início do processo de "consolidação", mas mandou um recado especialmente à Fazenda ao alertar para ações parafiscais - aportes do Tesouro no BNDES, que concede empréstimos subsidiados - e para pressões inflacionárias decorrentes de reajustes salariais no setor público.

Autor(es): Claudia Safatle, Fernando Travaglini, Angela Bittencourt e Eduardo Campos

Valor Econômico - 11/03/2011 www.valoronline.com.br

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