quinta-feira, 31 de março de 2011

Juros futuros recuam com otimismo em relatório do BC

O mercado reage ao Relatório Trimestral de Inflação, divulgado ontem (30/3) pelo Banco Central (BC), e os juros futuros caem com a expectativa de menor aperto monetário.

Os contratos de depósito interfinanceiro de um dia (DI) com vencimento em maio recuavam 0,11 ponto percentual, para 11,72% ao ano. Já os contratos para janeiro de 2012 caíam 0,10 ponto, para 12,13%.

Segundo Homero Guizzo, economista da LCA Consultoria, o documento divulgado pelo BC prevê um cenário preocupante para a inflação, mas sugere um aperto monetário mais brando.

"Ficou claro que o Banco Central está fazendo uma aposta em um cenário benigno", afirma.

O relatório prevê que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) feche o ano em 5,6%, 0,6 ponto maior do que a projetada no relatório de dezembro de 2010. Além disso, o documento afirma que a inflação em 12 meses deverá atingir 6,6% no terceiro trimestre, antes de recuar.

"É muito incomum um banco central assumir que a inflação ainda vai continuar alta por um tempo antes de começar a cair", aponta Guizzo.

No relatório, o BC deixa claro que não pretende trazer o IPCA para 4,5% em 2011, centro da meta estabelecida pelo governo, justificando que os custos seriam "demasiado elevados".

"Nas atuais circunstâncias, a boa prática recomenda buscar uma convergência mais suave da inflação para a trajetória de metas", diz o relatório.

A projeção da LCA é de uma alta de 0,5 ponto na próxima reunião do BC, que ocorre nos dias 19 e 20 de abril. Para a consultoria, essa será a última elevação do ciclo de aperto monetário iniciado pelo BC no começo do ano.

"Ainda esperamos que o BC adote novas medidas macroprudenciais, para segurar o crédito", afirma.

No documento, a autoridade monetária demonstra confiança de que o ajuste fiscal realizado pelo governo deverá impactar na inflação. "As simulações apresentadas indicam que uma contração fiscal pode ter impactos importantes sobre a dinâmica inflacionária no Brasil", reforça o relatório.

"Em relatórios anteriores, o BC praticamente cobrava da política fiscal alguma solidariedade no combate à inflação", lembra Guizzo.

Felipe Peroni (fperoni@brasileconomico.com.br)

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