quarta-feira, 11 de maio de 2011

Capital excessivo traz inflação, diz BC


O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, destacou ontem, em Zurique, pressões sobre a inflação provocadas pelos fluxos de capital excessivos nas economias emergentes e defendeu reação também dos países de origem desses recursos para mitigar efeitos indesejáveis dessa situação.

Em apresentação num seminário organizado pelo Fundo Monetário Internacional e Banco Central suíço, fechado para a imprensa, Tombini destacou que os elevados fluxos de capital são "um dos problemas" com os quais as economias emergentes estão lidando no momento. Observou que a entrada de capital externo é "bem-vinda", mas que, quando excessivo, pode criar pressões inflacionárias e trazer riscos à estabilidade do sistema financeiro.

Para Tombini, "medidas têm que ser tomadas do lado dos recebedores do fluxo e também dos emissores" para a gestão desses capitais, um tema controverso, como admitiu, por sua vez, o presidente do BC suíço, Phillip Hildebrand.

O Brasil tem reclamado no FMI de assimetria de tratamento entre países de origem dos fluxos de capitais, alguns deles emissores de reservas internacionais e responsáveis por liquidez excessiva, e os países receptores, que enfrentam a entrada de enormes volumes de capital volátil.

Como principal oradora do seminário, a ministra de Finanças da França, Cristine Lagarde, considerou essencial uma melhor gestão do fluxo de capitais, reconhecendo a situação "desestabilizadora" provocada por enormes e voláteis volumes para emergentes.

Exemplificou com a saída de mais de US$ 100 bilhões das economias emergentes em maio de 2010 e o influxo de US$ 200 bilhões, o dobro, quatro meses depois. Em reação, os emergentes tomaram ações contra os fluxos, como o controle de capital pelo Brasil. Mas a representante francesa observou que os "fatores de impulso" desses capitais precisam ser melhor entendidos, para que algo seja feito também nos países de origem, no que Tombini concordou pouco depois em sua intervenção.

Lagarde informou que o G-20, grupo dos paises desenvolvidos e emergentes, proporá "conclusões coerentes" para a gestão dos fluxos de capitais. Baseado na experiência de países, o grupo identificará os meios "mais eficientes para administrar esses fluxos, incluindo mecanismos macroprudenciais e controles temporários de capital".

Já Tombini marcou os limites desse exercício para o Brasil. Notou que as realidade dos países são diferentes, e a capacidade de implementar medidas varia de um para outro, é preciso entender os prós e contras, de forma que o Brasil rejeita um "manual de procedimentos impositivo" para aplicação do controle de capital. Recentemente, o diretor pelo Brasil no FMI, Paulo Nogueira Batista Junior, considerou a discussão sobre um eventual código de conduta como uma "tentativa para preparar o terreno para mais interferência do Fundo nas políticas dos países emergentes", temendo que o FMI transforme o código de conduta "em obrigações" para os emergentes. Esse risco foi afastado recentemente, mas não se sabe até quando.

Tombini participou de debate sobre "melhoras regras do jogo para os fluxos de capitais", justamente com o ministro alemão de finanças, o presidente do BC da Rússia e a autoridade monetária de Cingapura, tendo como mediadora a professora americana Carmen Reinhart, famosa por seu estudo sobre a repetição de crises financeiras.

Valor Econômico - 11/05/2011 http://www.valoronline.com.br/

Nenhum comentário:

Postar um comentário