segunda-feira, 23 de maio de 2011

Inflação preocupa


Apesar de ser uma fonte de inspiração e exemplo para os tigres asiáticos, a China atravessa um momento econômico delicado. As autoridades monetárias do país estão quebrando a cabeça para encontrar uma solução consistente para conter a inflação, que cresce em vários setores, mas principalmente nos produtos alimentícios. Para conter a disparada dos preços, que afeta em especial os mais pobres, o Banco Central da China tem feito, desde o fim do ano passado, constantes reajustes nas taxas de juros e no compulsório bancário. Porém ainda é incerto dizer se as medidas serão suficientes para interromper o avanço da carestia na segunda maior economia do planeta.

O grande receio dos investidores e do governo chinês é de que a disparada dos preços obrigue a adoção de regras mais rígidas, que possam sacrificar o crescimento do país, previsto para 9,3% em 2011, segundo projeção recente do Banco Mundial (Bird). Analistas acreditam que uma boa medida seria aumentar o valor da moeda chinesa, o iuan, hoje artificialmente desvalorizada em relação ao dólar e ao euro. “Se existem pressões inflacionárias, a valorização da taxa de câmbio pode ajudar”, disse o economista do Bird Louis Kuijs. A estratégia, segundo ele, ajudaria tanto na contenção dos preços quanto na redução das pressões provocadas pelo fluxo de capital.

O iuan é mantido fraco para elevar a competitividade dos produtos chineses no mercado internacional. A população dá sinais de insatisfação. Em abril, o índice de preços ao consumidor anualizado ficou em 5,3%, resultado pior do que o esperado. Com o custo de vida mais alto e menos comida na mesa, os chineses esboçam alguma reação, promovendo bloqueios de rodovias e protestos com alguma frequência. As autoridades tentam esconder essas manifestações da imprensa.

A nova geração

A exemplo do Japão, a China, que acaba de se tornar a segunda economia mundial, também criou sua própria geração de tigres. O novo grupo é formado por outras nações do Sudeste Asiático: Indonésia, Malásia, Filipinas e Tailândia. No caso desses tigres de segunda geração, também chamados de novíssimos tigres, a influência econômica da China é ainda mais explícita, inclusive com investimentos diretos. De toda forma, tanto para os que começaram a deslanchar com medidas adotadas nos anos 1960 quanto para os novos tigres, a Bacia do Pacífico se consolida como novo polo dinâmico da economia mundial.

Autor(es): Fábio Monteiro
Correio Braziliense - 23/05/2011

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