segunda-feira, 30 de maio de 2011

Mercado doméstico aquecido e câmbio "tiram" Brasil da exportação de lácteos

Preços domésticos mais remuneradores para o leite, baixa competitividade e câmbio valorizado praticamente tiraram o Brasil do mercado exportador de lácteos neste ano. No primeiro quadrimestre, o déficit da balança comercial do segmento alcançou US$ 179 milhões, quase o déficit total registrado em 2010, que ficou em US$ 190 milhões.

Conforme dados compilados pela Scot Consultoria com base nos números da Secex, o Brasil exportou apenas US$ 27,1 milhões em lácteos e importou US$ 207 milhões entre janeiro e abril deste ano. Em igual período de 2010, as exportações somaram US$ 56,2 milhões e as importações, US$ 88,6 milhões.

Mesmo com os preços em alta dos lácteos no mercado internacional, está sendo mais vantajoso para os laticínios venderem no mercado doméstico. E as cotações elevadas não são suficientes para inibir as importações, já que a desvalorização do dólar em relação ao real estimula as compras.

A mineira Itambé, uma das mais importantes exportadoras, estima que irá vender ao exterior este ano cerca de US$ 20 milhões, segundo Jacques Gontijo, presidente da central de cooperativas. A empresa chegou a exportar US$ 220 milhões em 2008, quando as vendas externas brasileiras foram beneficiadas por preços elevados e demanda aquecida.

"Em três a quatro anos, o Brasil não vai voltar a exportar", avalia Gontijo. Segundo ele, o preço do leite em pó no mercado doméstico hoje equivale a US$ 5 mil por tonelada (já descontado ICMS) enquanto o preço na exportação está na casa dos US$ 4 mil.

Rafael Ribeiro, analista da Scot, acredita que as importações podem aumentar mais no meio do ano. Laércio Barbosa, diretor comercial do Laticínios Jussara, diz que a importação de lácteos é uma "variável a ser monitorada", já que pode desestimular a produção se derrubar os preços.

A estimativa de Barbosa é de que o Brasil deverá ter um déficit de mais de US$ 300 milhões este ano na balança comercial de lácteos. Os preços firmes do leite no mercado doméstico são uma das razões para a competitividade menor.

Citando dados do Cepea/Esalq, o diretor da Jussara observa que o custo do leite em dólar hoje está em cerca de US$ 0,53 (R$ 0,85 por litro). Em outros países exportadores - como Nova Zelândia, Argentina e EUA - está em torno de US$ 0,35 a US$ 0,40 por litro, diz.

O último levantamento da Scot Consultoria mostra que os produtores receberam este mês, em média R$ 0,799 por litro de leite entregue em abril. O valor supera em 2,96% o mês anterior.

O mercado está firme, segundo Rafael Ribeiro, porque a falta de chuvas afeta pastagens e reduz a oferta de leite nas regiões Centro-Oeste e Sudeste.

Ainda que as importações estejam elevadas, a demanda aquecida também sustenta os preços do leite, segundo ele. "A alta dos preços não afetou o consumo", afirma o analista. A estimativa, segundo Barbosa, é que o consumo de leite longa vida tenha subido 3% no po primeiro trimestre deste ano.

Conforme o levantamento da Scot, o longa vida saiu de R$ 1,91 por litro, em média, no atacado em abril para R$ 1,93 este mês.

Autor(es): Alda do Amaral Rocha http://www.valoronline.com.br/

Valor Econômico - 30/05/2011

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