quarta-feira, 1 de junho de 2011

Bolsa leva surra da inflação


Investimentos do FGTS na Petrobras e na Vale e aplicações na poupança perderam para a elevação dos preços

Os investimentos mais conhecidos pelos brasileiros, a Bolsa de Valores e a poupança, levaram uma surra da inflação nos primeiros cinco meses deste ano. Frente a essas duas modalidades, a carestia foi imbatível. Com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulando 3,7% até maio, quem colocou o dinheiro na poupança, cujo rendimento foi de 3,34% no período, ficou no prejuízo. Na bolsa, a perda foi maior ainda. O Ibovespa, principal indicador do mercado brasileiro, amargou prejuízo de 2,29% em maio e de 6,76% no ano.

Ficaram também no vermelho, neste primeiro semestre, os fundos de renda variável ligados ao Ibovespa (prejuízo de 2,88% em maio e de 5,40% no ano) e o ouro (-0,88% e -3,90%). Quem investiu o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) na Petrobras e na Vale, aplicações avaliadas por especialistas como excelentes, amargou os piores prejuízos. No caso da petrolífera, a perda ficou em 5,60% no mês e 10,12% no ano. Na mineradora, a rentabilidade foi negativa em 3,28% em maio e em 8,36% no acumulado de 2011.

A culpa do desempenho ruim das duas gigantes do mercado de commodities (produtos básicos com preço internacional), explicam analistas, está na ingerência política sofrida por elas neste início de ano, o que abalou a credibilidade de ambas. Na Vale, o governo derrubou Roger Agnelli da cadeira da Presidência para colocar alguém mais alinhado com o Palácio do Planalto. Na Petrobras, por força de determinação, os preços das altas do petróleo não foram repassadas aos consumidores e a estatal amargou prejuízo bilionário.

Diferentemente da Bolsa de Valores de São Paulo, em Nova York, o índice Dow Jones caiu 1,88% no mês. Mas, no ano, ele registra alta de 8,57%. Para Márcio Cardoso, diretor da Título Corretora de Valores, a bolsa paulista está perdendo porque os investidores estão menos otimistas em relação ao Brasil. “No caso dos brasileiros, há uma certa instabilidade devido a turbulências políticas e à inflação elevada. Os estrangeiros se preocupam com a crise na Grécia e com a sua repercussão no mundo”, explicou Cardoso. Ainda assim, a seu ver, para quem deseja colocar dinheiro na Bovespa, este pode ser um bom momento, desde que o objetivo do poupador seja de longo prazo. “Aconselho que invista quem puder esperar de três a quatro anos.”

Alívio

O alento aos investidores foram as aplicações atreladas à taxa básica de juros (Selic) ou as que são influenciadas por ela. Os fundos DI, por exemplo, renderam em maio 0,87% e 4,43% no ano, ou seja, superaram a inflação e deram algum resultado. Os de renda fixa também acompanharam essa trajetória, com rentabilidade de 0,85% no mês e de 4,36% no acumulado de 2011. “Tudo o que está pagando próximo à Selic está interessante. Os campeões são os títulos pós-fixados (cujo rendimento é combinado no ato da compra)”, avaliou Alan Soares, consultor de investimentos da Trader Brasil Escola de Investidores. As Letras Financeiras do Tesouro, pós-fixadas e indexadas à Selic, pagaram 0,88% em maio e 4,45% no ano.

“Não existe receita de bolo para investir. É preciso estudar e ter o acompanhamento de um profissional”, aconselhou Soares. Ele explicou ainda que, na hora de aplicar, é preciso ficar atento às taxas de administração e também se há incidência de Imposto de Renda sobre a modalidade escolhida. Em alguns casos, ela pode corroer todos os ganhos do poupador.

Autor(es): Victor Martins

Correio Braziliense - 01/06/2011

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