quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Juro bancário de pessoa física cai para 45,7% ao ano, diz Banco Central

Trata-se da segunda redução mensal consecutiva da taxa de juros.
Segundo o BC, é o menor nível desde março deste ano.


Os juros cobrados pelos bancos em suas operações de crédito com pessoas físicas recuaram 0,4 ponto percentual em julho deste ano, para 45,7% ao ano, segundo informações divulgadas pelo Banco Central nesta quarta-feira (24). Em junho, a taxa estava em 46,1% ao ano.

Segundo o Banco Central, é a segunda queda consecutiva dos juros bancários das pessoas físicas, que atingiram o menor patamar desde março deste ano (45% ao ano). A queda dos juros bancários ainda não reflete os últimos desdobramentos da economia, com mais turbulências por conta da possibilidade de recessão nos Estados Unidos e em algumas econmias da Europa.

A percepção de que há uma nova fase da crise aconteceu no início deste mês, após o rebaixamento da dívida dos Estados Unidos pela agência de classificação de risco Standard & Poors. Autoridades governamentais e investidores já acreditam que a crise deverá durar alguns anos.

Essa nova fase de turbulências poderá contribuir para baixar mais os juros bancários no Brasil nos próximos meses, visto que, com a crise, a inflação tende a arrefecer - contribuindo para o recuo dos juros básicos da economia, determinados pelo BC.

Em julho, a crise ainda não teve reflexo nos juros futuros, que servem de base para a captação dos bancos. A taxa de captação dos bancos subiu de 12,2% ao ano em junho para 12,3% ao ano em julho.

Em agosto, porém, a curva de juros já começou a recuar. Por conta dos efeitos da crise financeira internacional, o Tesouro Nacional já está pagando juros menores nos leilões de títulos prefixados, embora as ofertas estejam mais dispersas.

"No começo de agosto, os juros bancários de pessoa física subiram, mas ainda não refletem os efeitos da crise", avaliou o chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel. Segundo ele, geralmente os juros bancários acompanham a curva de juros futuros, o que pode significar uma tendência de queda dos juros bancários nos próximos meses.

Acumulado do ano

No acumulado de janeiro a julho deste ano, porém, a taxa de juros dos bancos em suas operações com pessoas físicas apresentou uma elevação de 5,1 pontos percentuais, visto que estava em 40,6% ao ano em dezembro de 2010.

Em 2011, o BC já subiu a taxa básica de juros da economia em cinco oportunidades, fixando-a em 12,50% ao ano no mês passado - o maior patamar desde o começo de 2009.

Além disso, para combater a inflação, a autoridade monetária subiu os depósitos compulsórios (que os bancos têm de manter no BC) no fim do ano passado, e aumentou o Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF) para empréstimos de até dois anos tomados no exterior - medidas que também contribuíram para pressionar os juros para cima nos primeiros meses deste ano.

Taxa geral e das empresas

Segundo a autoridade monetária, a taxa média geral de juros nas operações dos bancos, englobando as operações com pessoas físicas e com empresas, somou 39,7% ao ano em junlo. Com isso, avançou 0,2ponto percentual frente ao patamar de junho (39,5% ao ano). Essa elevação está relacionada com os juros das empresas, que subiram de 30,8% ao ano em junho para 31,4% ao ano em julho, um aumento de 0,6 ponto percentual.

Alexandro Martello
Do G1, em Brasília

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