sexta-feira, 23 de setembro de 2011

BC intervém para conter disparada do dólar

BC age para conter disparada do dólar

Temor de recessão global amplia tensões no mercado de câmbio e moeda chega a R$ 1,95; intervenção do governo reduz alta para R$ 1,91

A expectativa de uma nova recessão global derrubou os mercados ontem. Ações, commodities e moedas de países emergentes, entre outros ativos de risco, caíram fortemente. A exceção, como costuma ocorrer em momentos de estresse, foi o dólar. No Brasil, a moeda americana subiu 3,52%, para R$ 1,91 no fechamento. Durante o dia, porém, chegou a superar R$ 1,95, o que levou o Banco Central (BC) a efetuar a primeira venda no mercado futuro desde junho de 2009.

Conforme o Estado antecipou ontem, apesar das negativas em público, o governo está incomodado com a disparada do dólar, principalmente por causa do efeito sobre a inflação. Somente em setembro, a moeda acumula valorização de 20%.

O ex-presidente do BC Affonso Celso Pastore estima que, para cada 10% de queda do real, o índice oficial de inflação do País (IPCA) fica 1,2 ponto porcentual mais alto em um prazo de até cinco meses. O economista-chefe do Bradesco, Octavio de Barros, estima um impacto menor: 0,4 ponto porcentual.

E o BC, segundo fontes de mercado, trabalharia com 0,3 ponto. Divergências de cálculo à parte, o fato é que o IPCA já está acima do teto da meta (7,23% nos últimos 12 meses, ante o máximo estipulado de 6,5%).

Ontem, o nervosismo foi tamanho que abalou até mesmo as cotações das commodities, que vinham se mantendo em níveis elevados. Se persistir, esse movimento pode beneficiar a inflação brasileira, ainda que represente menos receitas para os exportadores desses produtos. O petróleo, por exemplo, perdeu 6,30% em Nova York. O CRB, índice que reúne várias commodities, caiu 4,41%.

Fed. A onda de pessimismo que varreu os mercados começou ainda na quarta-feira, depois de o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) encerrar sua reunião de política monetária. Na avaliação de analistas, as ações do Fed indicam que a maior economia do mundo pode ter nova recessão. A última acabou no terceiro trimestre de 2009.

Na Europa, ainda não apareceu uma solução para a crise de dívida que atinge vários países - neste momento, o foco está na Grécia. A incerteza leva os investidores a temer a repetição do mesmo cenário do segundo semestre de 2008. Um calote dessas nações provocaria perdas trilionárias aos bancos que, por sua vez, travariam o mercado de crédito, jogando o mundo, novamente, em uma grave recessão.

O Índice Bovespa desvalorizou 4,83%, o Índice Dow Jones (de Nova York), 3,51% e o DAX (de Frankfurt), 4,96%. No mercado de câmbio brasileiro, houve pânico. "Se o BC não tivesse feito a intervenção no mercado futuro, hoje (ontem) seria um dia em que o dólar ficaria até sem referência de preço", disse um operador. A autoridade monetária vendeu contratos em valor equivalente a US$ 2,7 bilhões. Até agora, o BC não interveio no mercado à vista.

O Estado de S. Paulo - 23/09/2011

LEANDRO MODÉ - O Estado de S.Paulo http://www.estadao.com.br/

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