quinta-feira, 8 de setembro de 2011


Brasil sobe em ranking, mas não sai do lugar
Melhor graças à piora alheia

 País ganha cinco posições, mas permanece com a mesma pontuação na lista das economias mais competitivas. Foi beneficiado pela queda de nações atingidas pela crise internacional

Brasil ganha cinco posições em ranking de competitividade global divulgado pelo Fórum Econômico Mundial, mas boa colocação só ocorre após queda dos mais bem avaliados

O Brasil subiu cinco posições e ficou em 53º no ranking internacional de competitividade, divulgado ontem pelo Fórum Econômico Mundial. A guinada, contudo, não significa melhorias. Na verdade, a pontuação brasileira continua a mesma do ano passado: 4,43, em uma escala que vai de zero a sete. O fato é que a crise internacional levou várias nações a perderem competitividade, o que acabou dando um empurrãozinho ao desempenho nacional. Apesar do avanço na colocação geral, em itens como infra-estrutura, educação e eficiência dos gastos públicos, o país ainda está entre os piores do mundo, especialmente devido à situação precária das estradas e dos aeroportos, além da pesada carga tributária.

A pesquisa revela que o Brasil continua menos competitivo que economias pouco expressivas, como Panamá, Omã, Tunísia, Chipre e Malta. O novo ranking mostrou que o Brasil superou a Índia — que caíram cinco posições — e ficou em segundo lugar, atrás da China, entre os países do Brics (grupo que reúne as economias emergentes e que inclui Brasil, Rússia, Índia e China, além da África do Sul). O relatório apontou ainda Suíça, Cingapura e Suécia como as três economias mais competitivas do mundo. Devido à crescente dívida pública, ao déficit fiscal e à instabilidade macroeconômica, os Estados Unidos caíram da terceira para a quarta posição.

Erik Camarano, presidente do Movimento Brasil Competitivo (MBC), considera que os dados sobre a educação e a infra-estrutura são os mais preocupantes. "O gargalo está sobretudo na área de transportes. Apesar das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o avanço ainda é muito lento", disse. Ele ressaltou ainda que a precariedade da educação levou a uma escassez generalizada de mão de obra qualificada, com destaque para as áreas de engenharia e ciências aplicadas. "Sem cérebros, a tendência é que o país perca pontos no pilar da inovação, um dos mais importantes entre as economias desenvolvidas", argumentou.

Base fraca

O melhor resultado do Brasil foi o do pilar "instituições", no qual ganhou 16 posições, ficando em 77º. Mas Carlos Arruda, coordenador do Núcleo de Inovação e de Competitividade da Fundação Dom Cabral, alertou para a fragilidade dessa evolução: "Não podemos nos iludir. Se não houver compromisso e esforço concentrado pelas reformas estruturais e pelo fim dos gargalos da economia, o país viverá um "efeito bengala": depois de ganhar posições, voltará a cair".
Arruda classificou a situação brasileira como disfuncional. O motivo é simples: o país vai mal entre os pilares considerados básicos, como educação e infra-estrutura, mas está bem em pontos sofisticados, como mercado financeiro e eficiência empresarial. "Isso é o oposto do que ocorrem nos demais países. Primeiro, eles avançam nos quesitos básicos, para depois se desenvolverem nos sofisticados. Isso mostra que a base do crescimento brasileiro é fraca", sustentou.

Autor(es): GUSTAVO HENRIQUE BRAGA
Correio Braziliense - 08/09/2011 www.correioweb.comm.br

Nenhum comentário:

Postar um comentário