quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Mercado já vê Selic abaixo de 10%


Economistas e analistas financeiros começam a rever projeções e admitem que a taxa básica de juros pode cair para um dígito em 2012

Gradualmente, economistas e analistas de mercado reforçam as apostas que a taxa básica de juros pode cair para o emblemático patamar de um dígito no ano que vem.

Ainda é cedo para dizer que o mercado "deu o braço a torcer" ao Banco Central, após a surpreendente decisão de agosto de cortar a Selic para 12% ao ano. Mas o Relatório Trimestral de Inflação divulgado na semana passada consolidou o entendimento de que os cortes da taxa não se restringem a 2011.

"Mantemos nossa previsão de que a próxima reunião do Copom vai cortar a Selic em 100 pontos básicos, para 11%, e que a Selic vai terminar o ano em 9,5%," disse Tony Volpon, chefe de pesquisa de mercados emergentes da Nomura Securities em Nova York, em uma mensagem para clientes. "Ao mesmo tempo, reconhecemos a probabilidade de mais cortes se o cenário externo se deteriorar mais." No início de setembro, Volpon acreditava que o BC cortaria a Selic para 11,5% em outubro.

O Comitê de Política Monetária (Copom) volta a se reunir em 18 e 19 de outubro, quando anunciará a nova taxa. Enquanto isso, analistas de mercado avaliam a mensagem que o BC tentou transmitir quando escreveu, no Relatório de Inflação, que "ajustes moderados no nível da taxa básica são consistentes com o cenário de convergência da inflação para a meta em 2012".

O Banco Fator refez as contas e crê que o Copom cortará a Selic dos atuais 12% para 9,50% no próximo ano. Entre os argumentos da instituição está o reconhecimento que as condições globais têm piorado. O Fator cita como exemplo a queda dos preços das commodities, a intervenção no câmbio na Suíça, corte de juros em Israel e, no Brasil, queda das expectativas da confiança dos industriais.

O mercado também vê a inflação desacelerando a partir de outubro, em linha com a avaliação do BC, embora em ritmo diferente. "A partir de outubro a inflação vai convergir, embora mais lentamente que o BC gostaria, para o centro da meta," avaliou Andre Perfeito, economista da Gradual Investimentos. "O conjunto de notícias sobre a inflação será cada vez melhor, não pior."

Crise. Para a LCA Consultores, os cortes seguirão até março de 2012 e o juro baterá em 10%. A maioria do mercado, porém, mantém cenário como o do Bradesco, que estima redução do juro em 2012 até o piso de 10,5%.

"A crise é forte e o mercado tem dificuldade em entender o que pode acontecer. Há uma parcela não desprezível que crê em cortes mais fortes do juro porque o BC estaria vendo uma crise mais intensa que o mercado", diz o professor de economia da USP Fabio Kanczuk, que acompanhou as reuniões em Washington com autoridades brasileiras e estrangeiras em setembro.

Autor(es): FERNANDO NAKAGAWA

O Estado de S. Paulo - 05/10/2011  http://www.estadao.com.br/

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