segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Brasil deve perder US$ 10 bi por queda de commodities

 
Saldo da balança comercial deve cair de US$ 30 bi para US$ 20 bi em 2012 por causa do desaquecimento da economia mundial

A queda nos preços das commodities deve fazer com que o saldo da balança comercial brasileira caia de US$ 30 bilhões para US$ 20 bilhões no ano que vem. A previsão é de Fábio Silveira, economista da RC Consultores. Os principais fatores que pesam para essa redução são a crise na Europa e a desaceleração do crescimento chinês.

Entre novembro de 2010 e outubro deste ano, a balança comercial do País acumula saldo de US$ 31.025 bilhões, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Até o mês passado, o Brasil exportou US$ 37 bilhões para a China - principal comprador do País -, uma alta de 44,75% em relação ao mesmo período do ano passado. "A desaceleração do crescimento chinês vai exercer uma pressão baixista nos preços das commodities exportadas pelo Brasil", afirmou Silveira.

Segundo previsão do Fundo Monetário Internacional (FMI), o crescimento da China vai cair de 9,5% este ano para 9% em 2012. Para Silveira, o desaquecimento mundial e o consequente recuo no saldo comercial podem fazer com que o governo interrompa o acúmulo de reservas de dólares, fenômeno que vem sendo observado com mais intensidade a partir de 2006.

O Índice de Commodities Brasil (IC-Br), medido pelo Banco Central, também aponta para uma queda nos preços das commodities este ano. O índice recuou de 167,01, em setembro, para 161,52 no mês passado, uma queda de 3,29%. Há casos em que o movimento de baixa dos preços de algumas commodities também pôde ser acompanhado por uma redução dos volumes exportados.

Diferença. Os preços das commodities metálicas devem ser os mais afetados pela redução do crescimento econômico, porque estão diretamente relacionados ao desempenho da economia. A pressão sobre os preços das commodities agrícolas, por outro lado, deve ser menor, porque os estoques de alimentos estão baixos.

A projeção da MCM Consultores Associados é que o índice Commodity Research Bureau (CRB) caia 20% para os metais e 13% para as agrícolas no ano que vem em relação ao preço médio de 2011. "No caso das agrícolas, boa parte da oferta dos produtos está um pouco apertada", afirma Marcos Fantinatti, economista da MCM.

Neste ano já é possível notar que o desempenho das commodities agrícolas é melhor do que o das metálicas. Pelo índice CRB, o preço das commodities metálicas recuou 12% desde o início do ano. Na contramão, os preços das commodities alimentícias subiram 4%. "Mesmo na recessão, país rico não deixa de comer. A demanda não desacelera tanto. Além disso, a China continua precisando de comida", avalia Tereza Fernandes, sócia-diretora da MB Associados. Para ela, o cenário pode piorar se houver uma grande ruptura no cenário internacional, sobretudo se a Grécia deixar a zona do euro e der um calote de 100% na dívida.
O presidente da CitrusBR, Christian Lohbauer, acredita que as exportações de suco de laranja possam ser mantidas justamente por causa do estoque menor. Este ano o valor da tonelada chegou a US$ 2.500 e a expectativa é que o preço se repita na próxima safra. Do total, 70% da exportação é destinada para a União Europeia, 15% para os Estados Unidos e 3% para o Japão. "Em países mais desenvolvidos, em épocas de crise, as pessoas vão menos aos restaurantes, mas mantêm a geladeira cheia", afirma.

Para o minério de ferro, a projeção da MB Associados é que o preço caia para US$ 125 a tonelada em 2012- hoje é negociada por US$ 175. No entanto, o valor previsto para o minério de ferro é bem maior do que o negociado há seis anos, quando a tonelada da commodity valia US$ 30.

Nem sempre uma redução dos preços em dólar das commodities significa um prejuízo para os exportadores brasileiros. Se a valorização da moeda americana for menor que a desvalorização do real, o preço em real da commodity sobe. Vale lembrar que as commodities são negociadas no mercado futuro e, por isso, os preços estão sujeitos à especulação.

Autor(es): LUIZ GUILHERME GERBELLI
O Estado de S. Paulo - 07/11/2011 

Nenhum comentário:

Postar um comentário