sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Os Juros poderão ser menores no Brasil


Crise se agrava e mercado vê corte maior de juros no Brasil

Crise na Europa leva investidor a apostar em corte maior da taxa de juros no Brasil




Apesar das reiteradas vezes em que o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, falou em ajustes moderados da taxa básica de juros (Selic), o mercado enxerga na piora da economia global motivos para um corte mais agressivo.

Na semana que vem, o Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne para decidir a taxa. Até o início desta semana, a maioria dos analistas financeiros e dos investidores apostava em corte de 0,5 ponto porcentual da Selic, para 11%. Ontem, porém, os investidores do mercado futuro de juros já haviam mudado, em sua maioria, a aposta. A corrente dos que apostam na BM&FBovespa numa redução mais agressiva da taxa Selic, para 10,75% ao ano, já supera 60%.

A principal explicação são as notícias da crise europeia. Ontem, a chanceler alemã, Angela Merkel, voltou a se posicionar contra a emissão de bônus conjuntos pelos países da União Europeia (ou seja, com aval dos países mais ricos, como a Alemanha) e também contra a maior intervenção do Banco Central Europeu (BCE) no mercado.

"Angela Merkel continua refutando as hipóteses mais aceitas para resolver os problemas na zona do euro. Como o BC tem tomado suas decisões com base no quadro internacional, essa piora leva os investidores a trabalhar com a possibilidade de uma decisão mais agressiva", disse o economista do banco Besi Brasil, Flávio Serrano.

As notícias da Europa tiveram mais importância para os investidores do que o noticiário brasileiro: a queda do desemprego, de 6% para 5,8% em outubro, o que poderia pressionar a inflação, e a alta do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), da Fipe, de 0,6% na terceira prévia de novembro.

Ontem, ao participar do jantar anual de confraternização da Febraban, Tombini afirmou que, apesar da deterioração da economia global em 2011, o Brasil e seu sistema financeiro estão bem preparados para enfrentar a conjuntura econômica.

Investidores x economistas. A aposta dos investidores em um corte mais agressivo dos juros representa uma mudança recente de atitude - que pode voltar a mudar de uma hora para a outra. Os economistas de bancos, corretoras e consultorias, que não mudam suas posições dia a dia, estão mais cautelosos.

De 71 instituições consultadas numa pesquisa do serviço AE Projeções, da Agência Estado, 70 esperam redução de 0,5 ponto porcentual na próxima reunião do Copom. Para 2012, a maioria dos analistas consultados dá como certa a continuidade da política de corte de juros. De 58 instituições que fizeram estimativas, 20 dizem que a taxa encerrará o ano em 10%. Outras 19 esperam que a taxa feche 2012 em 9,5%.

Autor(es): MÁRCIO RODRIGUES

O Estado de S. Paulo - 25/11/2011 http://www.estadao.com.br/

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