terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Dólar pode ir a R$ 2,20

Especialista alerta que, com a instabilidade na Europa, tendência de alta da divisa deve continuar em 2012
O dólar comercial começou em alta a última semana de 2011. Mesmo sem a referência dos mercados europeu e dos Estados Unidos, a moeda subiu 0,10%, para R$ 1,858. No mês, a variação positiva é de 2,54% e, no ano, o ganho chega a 11,56%. E o cenário de valorização deve se manter em 2012. Após passar mais um mês viajando por Itália, Espanha e Portugal, o economista Sidnei Nehme, diretor-executivo da NGO Corretora, trouxe na bagagem perspectivas nada animadoras, apesar dos discursos otimistas do governo brasileiro. Com base nas dificuldades de enquadramento fiscal das nações da Zona do Euro, as projeções de Nehme indicam que a divisa americana vai chegar ao fim de 2012 valendo entre R$ 2,00 a R$ 2,20 e que o câmbio pode ser o vilão da inflação.
O Banco Central, ao mesmo tempo em que tenta passar a ideia de que de que o Brasil está blindado e vai receber uma enxurrada de investimentos estrangeiros diretos, deixa à mostra a ponta do iceberg que revela o contrário. "A situação é muito difícil na Europa. Não há condição de fluxo cambial benigno. O BC procura ser otimista, mas não consegue esconder a preocupação com um repique inflacionário e eventuais pressões para novo aumento de juros. Só não diz claramente a causa", destacou Nehme. A mensagem é que o governo prevê crescimento econômico de 3% apostando na produção industrial. Mas o que vai ocorrer, segundo o especialista, é mera substituição dos produtos importados.
Remessas
Outros especialistas, no entanto, têm visão mais positiva. Mário Battistel, gerente de câmbio da Corretora Fair também aponta o impacto da instabilidade externa. "Contudo, não me arrisco a cravar um número para o dólar. Em situação extrema na Europa, tudo pode acontecer. Nosso cenário é de cotação mínima de R$ 1,60 e máxima de R$ 2,00, no fim de 2012", esquivou-se. Nathan Blanche, da consultoria Tendências, é mais otimista. Segundo ele, "as contas externa vão estar tranquilas e o governo não vai deixar o dólar ultrapassar os R$ 1,70".
Para Sidnei Nehme, mesmo com um mercado de consumo interno robusto, o Brasil vai sentir, no próximo ano, o peso das remessas de recursos das multinacionais para suas matrizes, da queda do preço das commodities (mercadorias com cotação internacional) e da desaceleração da China. A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, já admitiu que os problemas na Europa podem contaminar a economia mundial. "A competição vai ser grande. O Brasil não terá grande fluxo de investimentos, a menos que o BC resolva abrir mão das reservas cambiais", reforçou.
Bolsa cai 0,05%
A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em leve baixa de 0,05%, apesar da animação do ministro da Fazenda, Guido Mantega, com o fato de o Brasil ser agora a sexta maior economia mundial. "Ele falou que vamos alcançar o padrão de vida europeu. Que padrão?
O de hoje ou o de antes da crise?" — ironizou um analista que preferiu o anonimato. No ano, a bolsa acumula queda de 16,79%. Para 2012, a expectativa é de resultados melhores a partir do segundo semestre, segundo Clodoir Vieira, da Corretora Souza Barros.
Desemprego recorde na França
O número de pessoas desempregadas na França atingiu o nível máximo em 12 anos. Segundo o ministério do Trabalho, o número de pessoas em busca de emprego cresceu em 29.500 em novembro, para atingir 2,85 milhões, alta de 1,1% no mês e de 5,2% no ano. O aumento impõe um novo golpe ao presidente Nicolas Sarkozy, que luta para obter um segundo mandato nas eleições de maio do ano que vem. O dado mensal do ministério é o indicador doméstico de emprego mais frequentemente divulgado na França, embora não seja preparado de acordo com os padrões amplamente usados da Organização Internacional do Trabalho. Pelos critérios da OIT, a taxa de desemprego no país subiu no terceiro trimestre para 9,3%, ante 9,1% nos três meses anteriores.

Autor(es): VERA BATISTA
Correio Braziliense - 27/12/2011

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