quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Mais uma queda nos juros.


Copom baixa juros para 11% ao ano no terceiro corte consecutivo

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, colegiado formado pela diretoria e presidente da autoridade monetária, se reuniu nesta quarta-feira (30) e decidiu, na última reunião deste ano, baixar os juros básicos da economia brasileira, que recuaram de 11,50% para 11% ao ano.




Trata-se da terceira reunião consecutiva de redução dos juros. Com a decisão, a autoridade monetária quase "devolveu" todo aumento de juros efetuado nos sete primeiros meses do ano. Entre janeiro e julho, o BC elevou os juros em cinco oportunidades para conter as pressões inflacionárias, de 10,75% para 12,50% ao ano.

De agosto em diante, incluindo a reunião desta quarta-feira, o BC baixou a taxa em 1,5 ponto percentual - fixando-a em 11% ao ano, valor próximo dos 10,75% ao ano que vigoravam no começo de 2011. Com a decisão, o BC confirmou a expectativa dos analistas do mercado financeiro.

Sistema de metas de inflação

Pelo sistema de metas de inflação, que vigora no Brasil, o BC tem de calibrar os juros para atingir as metas pré-estabelecidas, tendo por base o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Neste momento, a autoridade monetária já está nivelando a taxa de juros para atingir a meta do próximo ano.

Para 2011 e 2012, a meta central de inflação é de 4,5%, com um intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Deste modo, o IPCA pode ficar entre 2,5% e 6,5% sem que a meta seja formalmente descumprida. O BC busca trazer a inflação para o centro da meta de 4,5% em 2012.

Explicação

Ao fim do encontro desta quarta-feira, o BC divulgou a seguinte frase: "Dando seguimento ao processo de ajuste das condições monetárias, o Copom decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa Selic para 11,00% ao ano, sem viés. O Copom entende que, ao tempestivamente mitigar os efeitos vindos de um ambiente global mais restritivo, um ajuste moderado no nível da taxa básica é consistente com o cenário de convergência da inflação para a meta em 2012".
Crise financeira
A nova redução dos juros por parte do Banco Central foi tomada em meio ao agravamento da crise financeira internacional, que começou em setembro de 2009, mas que voltou a piorar há poucos meses - com o rebaixamento da dívida dos Estados Unidos pela agência de classificação de risco Standard & Poors.

Para o BC, a "transmissão" do cenário de crise externa para a economia brasileira pode acontecer por meio da redução do volume de comércio e do menor aporte de investimentos, além de restrições ao crédito e da "piora" no sentimento de consumidores e empresários. A crise também deve gerar, segundo analistas, redução dos preços dos alimentos - contribuindo para moderar as pressões inflacionárias.

Expectativa para 2012

A expectativa dos economistas do mercado financeiro é de que o processo de redução dos juros continuará no próximo ano. Entretanto, ainda há divergências sobre a intensidade dos cortes de juros em 2012.

Roberto Padovani, da Votorantim Corretora, por exemplo, aposta em um corte para 10,5% ao ano no fim de 2012, enquanto a maior parte dos economistas dos bancos estima uma redução maior: para 10% ao ano no fechamento do ano que vem. Há outros, porém, como Juan Jensen, economista da Tendências, que já apostam em juros abaixo de 10% ao ano no primeiro semestre de 2012. Ele prevê juros em 9,5% ao ano até abril do ano que vem.

"A postura do BC está sedo de fazer um corte por um período longo. Os dados de inflação vão mostrar queda em doze meses por um bom tempo e a indicação é que o BC vai continuar reduzindo a taxa por um tempo. O governo tem trabalhado mais com meta de crescimento do que de inflação. O crescimento deve um pouco acima de 3% neste ano e no ano que vem, com IPCA de 6,6% em 2011 e de 5,45% em 2012", disse Jensen, da Tendências Consultoria.

Mudança no cálculo do IPCA

Outro fator que pode facilitar o atingimento da meta central de inflação de 4,5% pelo Banco Central em 2012 foi a mudança no formato de cálculo do IPCA, tendo por base a Pesquisa de Orçamento Familiar (POF). A pesquisa mostrou crescimento da importância dos gastos com bens duráveis, com destaque para os carros novos e aparelhos eletroeletrônicos, e perda de peso de outros itens, como transporte público e telefonia fixa. Com base nisso, os peso dos itens do IPCA foram reestimados. O novo cálculo pode baixar o IPCA de 2012 de 0,3 a 0,6 ponto percentual, segundo economistas.

Juros reais mais altos do mundo

Levantamento do economista Jason Vieira, da corretora Cruzeiro do Sul, em parceria com Thiago Davino, analista de mercado da Weisul Agrícola, mostra que os juros reais brasileiros (após o abatimento da inflação prevista para os próximos doze meses) permanecem no patamar mais alto do mundo - apesar dos três cortes consecutivos na taxa básica nos últimos meses.

Em 11% ao ano, a taxa real de juros (após o abatimento da inflação) do Brasil ficou em cerca de 5,1% ao ano, o dobro do segundo colocado (Hungria, com 2,5% ao ano). A taxa média de juros de 40 países pesquisados está negativa em 1% ao ano. Juros altos tendem a atrair capitais para a economia brasileira, pressinando para baixo a cotação do dólar.

Alexandro Martello do G1
http://g1.globo.com/economia

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