quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

SANTANDER a venda!!! alguém se habilita?


O risco Espanha ameaça Santander 

Matriz espanhola quer vender parte da unidade brasileira para levantar US$ 7 bilhões

Sob forte desconfiança do mercado e amargando uma queda de 32% no valor das ações na Bolsa de Valores de São Paulo (BM&FBovespa) neste ano, o Banco Santander Brasil enfrenta pressão da matriz espanhola, que, às voltas com a pior crise bancária nas últimas décadas no país, pretende se desfazer de parte da unidade brasileira para levantar recursos e reforçar seu capital.

Maior grupo financeiro da Zona do Euro, o Santander precisa conseguir US$ 7 bilhões até meados de 2012 a fim de atender as novas regras estabelecidas pelas autoridades espanholas para aumentar a solidez do sistema financeiro local, fortemente abalado pela crise financeira europeia. O problema, segundo analistas, é que os planos da matriz, comandados pelo presidente mundial do grupo, Emilio Botín, entram em conflito com os interesses do Santander Brasil. Qualquer oferta de ações poderia pressionar ainda mais para baixo os papéis do banco, prejudicando os acionistas minoritários.

Com a turbulência instalada na Europa, a unidade brasileira do Santander passou a responder por 25% dos lucros do grupo. "Quando a matriz está sob fogo e a filial tem uma melhor posição, a pressão para ceder é enorme", disse à Reuters Flavio Barros, gestor da Grau Gestão de Ativos. "É difícil para a unidade enfrentar o acionista controlador."

Tais fatores somam-se às preocupações do mercado com o fraco desempenho operacional do Santander Brasil, que não cumpriu metas de crescimento e rentabilidade nos últimos dois anos e pode ainda enfrentar um aumento na inadimplência. Neste ano, as ações da instituição tiveram o pior resultado entre os grandes bancos na BM&FBovespa. Segundo Barros, a queda no valor das papéis pode se estender em 2012, a menos que o comando local dê sinais de que vai enfrentar a caça da empresa-mãe por dinheiro, se as coisas na Espanha piorarem.

Mudança de Comando

Os controladores espanhóis sabem que a unidade brasileira tem recursos em caixa. Em 2009, o Santander Brasil captou R$ 14 bilhões na maior oferta pública de ações já realizada no mercado brasileiro. Mas esse poder de fogo não tem se traduzido em lucros. "O Santander só vem entregando resultados ruins; o mercado se sentiu iludido", disse João Augusto Frota Salles, economista da consultoria RiskBank. Para alguns analistas, o mau desempenho foi um dos motivos para a troca de Fábio Barbosa por Marcial Portela na presidência do banco, no início deste ano.

"Temos um banco supercapitalizado no Brasil e um descapitalizado na Espanha", disse Mario Pierry, analista do Deutsche Bank Securities, em São Paulo. "Isso representa um risco para os acionistas minoritários."  O Santander não quis se manifestar.

Saída da Colômbia

O Santander anunciou ontem ter fechado um acordo para vender todas as suas filiais colombianas ao grupo chileno CorpBanca por US$ 1,225 bilhão. A operação, destinada a "fortalecer o balanço" do grupo, faz parte da estratégia que já levou o conglomerado espanhol a se desfazer de 7,823% do capital do Santander Chile por US$ 950 milhões, e pode incluir ainda a venda de ativos no Brasil. A ação do conglomerado espanhol fechou em queda de 0,32% na Bolsa de Madri.

Bovespa cai 1,47%

Às vésperas da reunião de líderes da Europa que poderá definir os rumos da crise na região, a Bolsa de Valores de São Paulo caiu ontem 1,47%, aos 58.662 pontos. Os investidores preferiram embolsar parte dos ganhos dos últimos dias a correr novos riscos. O movimento na bolsa paulista foi puxado por ativos de grande peso no Ibovespa, índice que reúne as ações mais negociadas. Os papéis da Vale tombaram 3,62%. A empresa sofreu os impactos dos danos no casco de seu supernavio, carregado com  380 mil toneladas de minério de ferro. O dólar cedeu 0,39% e fechou a R$ 1,790.

Correio Braziliense - 08/12/2011 www.correioweb.com.br

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