quinta-feira, 31 de março de 2011

Juros futuros recuam com otimismo em relatório do BC

O mercado reage ao Relatório Trimestral de Inflação, divulgado ontem (30/3) pelo Banco Central (BC), e os juros futuros caem com a expectativa de menor aperto monetário.

Os contratos de depósito interfinanceiro de um dia (DI) com vencimento em maio recuavam 0,11 ponto percentual, para 11,72% ao ano. Já os contratos para janeiro de 2012 caíam 0,10 ponto, para 12,13%.

Segundo Homero Guizzo, economista da LCA Consultoria, o documento divulgado pelo BC prevê um cenário preocupante para a inflação, mas sugere um aperto monetário mais brando.

"Ficou claro que o Banco Central está fazendo uma aposta em um cenário benigno", afirma.

O relatório prevê que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) feche o ano em 5,6%, 0,6 ponto maior do que a projetada no relatório de dezembro de 2010. Além disso, o documento afirma que a inflação em 12 meses deverá atingir 6,6% no terceiro trimestre, antes de recuar.

"É muito incomum um banco central assumir que a inflação ainda vai continuar alta por um tempo antes de começar a cair", aponta Guizzo.

No relatório, o BC deixa claro que não pretende trazer o IPCA para 4,5% em 2011, centro da meta estabelecida pelo governo, justificando que os custos seriam "demasiado elevados".

"Nas atuais circunstâncias, a boa prática recomenda buscar uma convergência mais suave da inflação para a trajetória de metas", diz o relatório.

A projeção da LCA é de uma alta de 0,5 ponto na próxima reunião do BC, que ocorre nos dias 19 e 20 de abril. Para a consultoria, essa será a última elevação do ciclo de aperto monetário iniciado pelo BC no começo do ano.

"Ainda esperamos que o BC adote novas medidas macroprudenciais, para segurar o crédito", afirma.

No documento, a autoridade monetária demonstra confiança de que o ajuste fiscal realizado pelo governo deverá impactar na inflação. "As simulações apresentadas indicam que uma contração fiscal pode ter impactos importantes sobre a dinâmica inflacionária no Brasil", reforça o relatório.

"Em relatórios anteriores, o BC praticamente cobrava da política fiscal alguma solidariedade no combate à inflação", lembra Guizzo.

Felipe Peroni (fperoni@brasileconomico.com.br)

quarta-feira, 30 de março de 2011

COMBUSTÍVEL SEM TRÉGUA

COMBUSTÍVEIS SOBEM MAIS E PRESSIONAM A INFLAÇÃO

Gasolina passa de R$3 e álcool sobe 13% este ano. Alta terá impacto na inflação

Depois de subir 13,42% este ano, o preço do álcool deve continuar em alta. As distribuidoras alegam que, só nas últimas quatro semanas, o litro do etanol já subiu 21,8% no atacado e esse aumento ainda não foi integralmente repassado para as bombas. Demanda aquecida, desvio de parte da produção das usinas para o açúcar (em detrimento do álcool) e as chuvas recentes que atrasaram o início da safra têm puxado o valor do combustível que, em alguns postos do Rio, já chega a custar R$2,797. E, de carona na alta do álcool, a gasolina já subiu 2,35% este ano - custava R$2,638 em dezembro e, na média deste mês, o litro já está em R$2,70, segundo levantamento da Agência Nacional do Petróleo (ANP) até o último dia 26.

Os dados da ANP mostram que, para quem tem carro flex, o álcool deixou há muito tempo de ser vantajoso. Na média nacional, o litro do etanol já custa 81,9% do preço da gasolina (R$2,194, contra R$2,677 na última semana). Como rende menos, o álcool tem que custar no máximo 70% do preço da gasolina para ser competitivo. E há postos em que essa relação chega a 92,9%.

- Em nenhum estado do Brasil compensa usar o álcool, que está com um valor elevadíssimo. Nunca, desde que surgiu o Próalcool, o produto teve um preço tão próximo ao da gasolina. O consumo (de álcool) vinha forte e a oferta, por uma série de motivos, não estava sendo suficiente. Se não aumentasse o preço, iria faltar álcool - disse o presidente da Federação do Nacional do Comércio de Combustíveis (Fecombustíveis), Paulo Miranda.

Segundo o vice-presidente do Sindicato do Nacional do Comércio de Combustíveis (Sindicom), Alísio Vaz, em alguns estados, como Santa Catarina, há postos cobrando mais pelo álcool do que pela gasolina. Para Vaz, o álcool voltará a ser competitivo em meados de abril, quando começa a safra. Mas os usineiros só preveem uma normalização do abastecimento no fim de maio. Mesmo assim, segundo o diretor técnico da Unica, entidade que reúne as usinas produtoras de etanol, Antonio de Padua Rodrigues, o preço do litro não deve ficar abaixo de R$1,60, valor bem acima da média de R$1,20 registrada nas regiões Centro/Sul no ano passado. Hoje, no Estado do Rio, o litro custa em média R$2,332.

Com os preços nas alturas, as vendas do etanol despencaram pela metade.

- Essa redução nas vendas já afetou os preços do produtor. Mas jamais vai voltar aquele preço de R$1 ou R$1,20, que o consumidor pagou pelo litro no ano passado - disse Rodrigues, lembrando que a queda nos preços só chegará ao bolso do consumidor a partir de maio, quando a safra de cana-de-açúcar 2011/2012 estará quase toda processada.

Segundo o técnico da Unica, algumas usinas da região Centro/Sul anteciparam a moagem de cana para aumentar os estoques de etanol para a entressafra. Além disso, os produtores de álcool importaram 200 milhões de litros de anidro (usado na mistura de gasolina) dos EUA, o suficiente para atender dez dias de demanda. Como o álcool americano é produzido a partir do milho e tem mais água, a ANP alterou as especificações técnicas do produto até 30 de abril, elevando a parcela de água de 0,4% para 1%.

Mais água no etanol não afeta motor dos carros

Segundo Ricardo Dilser, assessor técnico da Fiat, a pequena mudança na proporção de água no etanol que vai misturado à gasolina será imperceptível para o motorista. Não afetará o rendimento do carro, nem vai gerar corrosão.

- Por causa do álcool, os motores dos automóveis brasileiros são muito bem preparados contra a corrosão. As sedes de válvulas, bicos injetores, coletores e bombas de combustível usam muito plástico e metais nobres. Nem com 100% de água, se isso fosse possível, haveria oxidação - afirma.

O Brasil também está comprando gasolina do exterior. O encarecimento do etanol e a maior procura por gasolina forçou a Petrobras a importar 1,5 milhão de barris. Segundo o diretor financeiro da estatal, Almir Barbassa, a importação não deve afetar os preços no mercado interno, pois trata-se de uma compra pontual com o objetivo de reforçar o abastecimento do país:

- O volume importado (de gasolina) não é expressivo, já que será suficiente para três ou quatro dias de consumo.

A subida no preço do álcool combustível de mais de 11% nas últimas três semanas terá um impacto na inflação a curto prazo, diz André Braz, economista da Fundação Getulio Vargas (FGV), mas deve ser nulo a longo prazo. No Índice de Preços ao Consumidor -Brasil, essa alta de 11,36% fará a inflação subir 0,07 ponto percentual no mês de março. Já a alta de 2,25% na gasolina terá impacto semelhante, de 0,06 ponto percentual.

No mercado internacional, as cotações recordes do açúcar - que chegaram a bater US$0,35 por libra/peso (unidade de medida da commodity) na virada do ano, maior patamar desde 1981 - já começam a ceder. Hoje, o preço está em torno de US$0,27. Portanto, a atração dos produtores para desviar a cana-de-açúcar para produção de açúcar diminuiu.

Autor(es): agencia o globo: http://www.oglobo.com/
O Globo - 30/03/2011
Ramona Ordoñez, Cássia Almeida,

Jason Vogel e Lino Rodrigues

terça-feira, 29 de março de 2011

BC tenta frear, mas crédito segue alto

Apesar das medidas de dezembro, concessão de empréstimos continua em alta, segundo dados da Febraban, pressionando a inflação

Apesar das medidas tomadas nos últimos três meses pelo Banco Central (BC) para reduzir o ritmo do crédito, pesquisas mostram que os financiamentos continuam num patamar alto, insuficiente para conter o consumo e a escalada da inflação. O BC deve divulgar hoje um relatório com os resultados do crédito em fevereiro, com números ainda altos.

Levantamento preliminar feito pela Federação Brasileira das Associações de Bancos (Febraban) com seis grandes instituições financeiras indica que o saldo dos empréstimos para empresas aumentou 1,8% em fevereiro em comparação com janeiro. Foi a maior expansão mensal desde novembro de 2010.

Nos financiamentos ao consumidor, houve um acréscimo de 1,2% no saldo do mês passado em relação a janeiro, o mesmo ritmo de expansão registrado nos dois últimos meses. Quando se avalia a média diária, já descontados fatores sazonais, a pesquisa mostra que o volume de empréstimos em fevereiro cresceu 0,4% em relação a janeiro para empresas e recuou 2,3% no caso dos consumidores.

"Não houve retração no crédito na dimensão esperada pelo BC", diz o economista-chefe da Febraban, Rubens Sardenberg, ponderando que é cedo para afirmar que é uma tendência. Os números do BC de janeiro mostraram que o crédito crescia cerca de 20% quando se leva em conta um período de 12 meses. Sardenberg acredita que esse ritmo foi mantido ou até ligeiramente superado no mês passado.

Se os resultados da Febraban forem confirmados, o BC terá um sério problema pela frente. Na semana passada, o presidente do BC, Alexandre Tombini, chegou a afirmar que crescimento do crédito acima de 15% seria "inadequado" para trazer a inflação para níveis desejáveis. Fontes de mercado dizem que o BC já estaria preparando um novo pacote de aperto no crédito.

Outra pesquisa do setor financeiro confirma os resultados da sondagem da Febraban. Segundo a Serasa Experian, o número de consumidores interessados em obter um empréstimo aumentou 16,3% no primeiro bimestre deste ano em relação a igual período de 2010. Foi praticamente o mesmo ritmo de crescimento de dezembro de 2010 na comparação com 2009 (16,4%). A pesquisa considera as consultas feitas por CPF de clientes de lojas.

"Por enquanto, o governo não quis pisar no breque, só tirou o pé do acelerador", afirma o economista da ACSP, Emílio Alfieri, em relação ao crédito ao consumidor. Ele projeta alta de 6% no número de concessões neste trimestre em relação a 2010. Em dezembro, a elevação foi de 10,4%.

"O efeito das medidas para conter o crédito foi limitado", afirma Fábio Ramos, economista da Quest. Sustentada pelo emprego e pela renda, a procura por crédito continua muito forte, diz ele, ressaltando que os bancos ainda oferecem empréstimos com prazos dilatados.

Autor(es): Márcia De Chiara

O Estado de S. Paulo - 29/03/2011 http://www.estadao.com.br/

segunda-feira, 28 de março de 2011

EMISSÕES DE LETRA FINANCEIRA DE LONGO PRAZO DESLANCHAM

NO ANO, CAPTAÇÃO DE BANCOS VIA LETRAS FINANCEIRAS BATE EM R$ 20 BI

As emissões de letras financeiras dispararam neste ano. Até 23 de março, os bancos captaram R$ 19,7 bilhões com o lançamento dessa espécie de debênture bancária ante R$ 30 bilhões obtidos em todo o ano passado, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

As letras foram criadas em janeiro de 2010 para permitir o alongamento dos passivos bancários - o prazo mínimo de vencimento é de dois anos. Elas não decolaram até que, em dezembro, o Banco Central isentou-as do recolhimento de depósito compulsório. Ao mesmo tempo, o governo elevou o recolhimento compulsório sobre os depósitos a prazo de 23% para 32%.

Hoje, para colocar R$ 100 em caixa, o banco precisa vender R$ 147 em Certificados de Depósitos Bancários (CDBs), um tipo de depósito a prazo. Já com a letra financeira, o recurso vai todo para o uso do banco e ainda há a garantia de que não haverá resgate por parte dos investidores em pelo menos dois anos.

Não é apenas na ponta dos bancos que a letra financeira se tornou mais interessante. Sem o compulsório e sem o seguro do Fundo Garantidor de Créditos, sua remuneração se tornou mais atrativa para os investidores. Em média, segundo levantamento feito pelo Valor, os papéis estão pagando 0,35 ponto percentual ao ano acima da remuneração de um CDB com características semelhantes.

A Anbima deve rever a previsão inicial de um estoque de R$ 100 bilhões no fim do ano. "Já consideramos esse número um pouco tímido", diz Alfredo Moraes, vice-presidente da entidade. Sua expansão em relação aos CDBs, por exemplo, tem limites. "Por enquanto, os principais compradores das letras são os fundos de investimento, que, em geral, têm liquidez diária. Portanto, não podem comprometer um fatia grande dos recursos com um papel que não pode ser resgatado ou revendido facilmente", avalia Ronaldo Morimoto, diretor de gestão financeira do Santander. Só o desenvolvimento de um mercado secundário para revenda das letras poderia dar essa liquidez aos fundos.

Além disso, as letras ainda não estão sendo utilizadas por bancos de pequeno e médio portes. Sem conseguir alongar seus passivos, eles continuam dependentes das captações dos CDBs.

As emissões de letras financeiras dispararam neste ano. Enquanto em 2010 os bancos captaram R$ 31 bilhões com o lançamento dessa espécie de debênture bancária, neste ano, até o dia 23 de março, já foram emitidos R$ 20 bilhões, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

Criado pelo governo em janeiro de 2010 com o objetivo de permitir o alongamento dos passivos bancários, o título - que tem prazo mínimo de vencimento de dois anos - não vinha decolando. Mas o incentivo que faltava para os bancos aderirem a esse tipo de captação veio no começo de dezembro dentro de um pacote de medidas do governo para conter a expansão do crédito.

Em uma ponta, o Banco Central isentou as letras financeiras do recolhimento de depósito compulsório, atendendo a uma demanda do mercado financeiro. Ao mesmo tempo, o governo elevou o recolhimento compulsório sobre os depósitos a prazo de 23% para 32%.

Ou seja, hoje, para colocar R$ 100 em caixa, o banco precisa vender R$ 147 em Certificados de Depósitos Bancários (CDBs), um tipo de depósito a prazo. Já com a letra financeira, o recurso vai integralmente para o uso do banco e ainda há a garantia de que não haverá resgate por parte dos investidores em um período inferior a dois anos.

"Não há dúvida de que a principal motivação para a emissão das letras veio com a retirada do compulsório", afirma Ronaldo Morimoto, diretor de gestão financeira do Santander.

O efeito das medidas do governo logo foi sentido. De março de 2010 - quando as letras começaram a ser emitidas pelos bancos - até novembro, o estoque de letras somou R$ 20,4 bilhões. Só em dezembro, mês do anúncio do pacote de aperto ao crédito, foram lançados R$ 9,7 bilhões.

Não é apenas na ponta dos bancos que a letra financeira se tornou mais interessante. Sem o compulsório e sem o seguro do Fundo Garantidor de Créditos, a remuneração das letras se tornou mais atrativa para os investidores. Em média, segundo levantamento feito pelo Valor, os papéis estão pagando 0,35 ponto percentual ao ano acima daquilo que remunera um CDB com características semelhantes. Por exemplo, se um CDB pagar uma taxa pré-fixada ao investidor de 10% ao ano, a letra vai dar ao aplicador 10,35%.

"Os bancos estão pagando o investidor um pouco acima dos CDBs para melhorar a gestão do fluxo de caixa", informa a área de tesouraria do HSBC por meio de sua assessoria de imprensa.

Por causa do impulso que a letra financeira tomou depois das medidas de dezembro de 2010, a Anbima já avalia rever a previsão inicial de um estoque de R$ 100 bilhões no fim do ano. "Já consideramos esse número um pouco tímido", diz Alfredo Moraes, vice-presidente da entidade.

Ninguém acredita, entretanto, que as captações dos bancos por meio dos CDBs vão ser totalmente substituídas pelas letras financeiras. "Por enquanto, os principais compradores das letras são os fundos de investimento, que, em geral, têm liquidez diária. Portanto, não podem comprometer um fatia grande dos recursos com um papel que não pode ser resgatado ou revendido facilmente", avalia Morimoto, do Santander. Só o desenvolvimento de um mercado secundário - de revenda - das letras poderia dar essa liquidez aos fundos.

Além disso, apesar de estarem se tornando mais populares, as letras financeiras ainda não estão sendo utilizadas por bancos de pequeno e médio portes. Sem conseguir alongar seus passivos, essas instituições continuam dependentes das captações dos CDBs.


Autor(es): Carolina Mandl

Valor Econômico - 28/03/2011 http://www.valoronline.com/

sexta-feira, 25 de março de 2011



PCdoB na TV: o partido que “joga para o Brasil vencer”


“O partido do socialismo. Há 89 anos jogando para o Brasil vencer.” É assim que o PCdoB se apresentou em rede nacional, na noite desta quinta-feira (24), durante a exibição de sua propaganda partidária. Nesta sexta-feira, 25 de março, o Partido completa 89 anos.


O programa – com dez minutos de duração – foi ao ar às 20 horas nas emissoras de rádio e às 20h30 nos canais abertos de TV. Já as inserções partidárias de 30 segundos serão veiculadas de 26 de março a 2 de abril, ao longo da programação das emissoras.

Prestes a completar seu 89º aniversário, o PCdoB, fundado em 25 de março de 1922, destaca o fato de ser a legenda partidária “com mais história” e “experiência política” no país. No filme, há menções à contribuição dos comunistas em lutas históricas, como a resistência e o combate à ditadura militar (1964-1985).

Mas o foco do programa está no ciclo de mudanças aberto com a Era Lula (2003-2010) e renovado com a eleição da presidente Dilma Rousseff. É um período, segundo a propaganda do PCdoB, marcado “pela inclusão econômica e pelo combate às desigualdades”.

Em meio a imagens e alegorias esportivas, o programa lembra que o novo status do Brasil foi determinante para trazer ao país a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016. O ministro do Esporte, Orlando Silva, enfatiza que grandes eventos deixam legados inestimáveis. “A Copa vai passar, as Olimpíadas vão passar, mas o desenvolvimento vai ficar!”. O programa destaca ainda o impacto social de projetos como o Segundo Tempo, coordenado pelo Ministério do Esporte.

A propaganda desta quinta-feira mostra também o êxito das gestões comunistas em cidades como Olinda (PE) e Aracaju (SE). Dirigentes e parlamentares reforçam as propostas de reformas estruturais democráticas do PCdoB, bem como seu Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento.

“Procuramos profissionalizar cada vez mais nossos programas, para transmitir, em linguagem clara e acessível, a mensagem socialista do PCdoB”, explica José Reinaldo Carvalho, secretário de Comunicação do partido. As peças foram produzidas pelo publicitário Marcelo Brandão, sob a coordenação de Kérisson Lopes, da Comissão Nacional de Comunicação do PCdoB.

Reforma tributária: Dilma anuncia "fracionamento" de projetos - Portal Vermelho

Reforma tributária: Dilma anuncia "fracionamento" de projetos - Portal Vermelho
Gasto de brasileiros no exterior sobe quase 40% no bimestre e tem recorde

Segundo BC, brasileiros gastaram US$ 3,07 bi no no exterior no bimestre.
Aumento do emprego e da renda, junto com dólar baixo, estimulam viagens.

Os gastos de turistas brasileiros no exterior somaram US$ 1,33 bilhão em fevereiro deste ano, informou nesta sexta-feira (25/03) o Banco Central.(http://www.bcb.gov.br/)

Apesar de terem recuado frente ao primeiro mês deste ano, tradicionalmente mais fortes por conta das férias escolares, as despesas de brasileiros no exterior somaram US$ 3,07 bilhões no primeiro bimestre de 2011 e bateram recorde para o período.

De acordo com números da autoridade monetária, os gastos no exterior avançaram 38,5% nos dois primeiros meses deste ano, na comparação com o primeiro bimestre do ano passado (US$ 2,21 bilhões) - recorde anterior. A série histórica do Banco Central tem início em 1947.

A elevação dos gastos de turistas brasileiros no exterior é favorecida pelo crescimento do emprego e da renda no Brasil e, também, pelo dólar desvalorizado - fator que barateia as passagens e hotéis cotados na moeda norte-americana.

Em todo ano passado, o valor gasto, de US$ 16,4 bilhões, também foi o maior da história. Há especulações, entretanto, que o governo estaria considerando a possibilidade de elevar a taxação sobre os gastos com cartões de crédito no exterior para conter estas despesas.

"O governo continuamente estuda e monitora os mercados e eventualmente pode adotar alguma medida se perceber alguma distorção ou excesso", disse Túlio Maciel, chefe-adjunto do Departamento Econômico do Banco Central ao ser questionado sobre a possibilidade de aumento do IOF para cartões de crédito no exterior - medida que desestimularia o turismo para consumo em outros países, como Estados Unidos.

O aumento de gastos de turistas brasileiros fora do país também contribui para aumentar o rombo das contas externas brasileiras, que somou US$ 8,8 bilhões no primeiro bimestre deste ano. A previsão do Banco Central é de que o déficit em transações correntes subirá de US$ 47,5 bilhões em 2010 para US$ 60 bilhões neste ano, o que, se confirmado, representará novo recorde.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Crédito para pessoa física volta a crescer

Crédito renova fôlego e pode atrair novas medidas do governo

 As operações de crédito para pessoas físicas voltaram a crescer em ritmo mais firme recentemente, depois que medidas adotadas pelo governo, como a elevação do compulsório, levou a uma desaceleração em janeiro. Em enquetes informais da Acrefi (a associação que reúne as financeiras), executivos passaram a projetar um aumento médio de 15%, em comparação aos 12% de janeiro. Com a expansão no que o Banco Central considera seu limite máximo, há expectativa de novas medidas para conter o crédito. Aumento de compulsório sobre depósitos a prazo, elevação do IOF sobre o crédito e a entrada de capital externo e até compulsório direto sobre operações de crédito são algumas das opções aventadas por bancos e financeiras.

Sob a leitura de que o crédito teve no primeiro trimestre um ritmo acima do esperado, a Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi) revisou para cima as projeções para o crescimento das carteiras de pessoa física neste ano. Nas reuniões recentes com representantes de bancos e financeiras, os executivos do setor passaram a considerar nas enquetes informais uma expansão média de 15% para os portfólios, em comparação aos 12% de janeiro, quando ainda dimensionavam os impactos das chamadas medidas macroprudenciais de dezembro.

Diante desse quadro e conforme sinalizado anteontem pelo presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, há expectativa de novas medidas para conter o crédito. Aumento de compulsório sobre depósitos a prazo, elevação do IOF sobre o crédito e sobre a entrada de capital externo e até compulsório direto sobre operações de crédito são algumas das opções aventadas por bancos e financeiras nos bastidores.

Não que as medidas adotadas até aqui - a elevação dos compulsórios e o maior requerimento de capital para operações de crédito à pessoa física com prazos a partir de 24 meses - não tivessem surtido efeito. Em janeiro houve um baque, sim, especialmente nas concessões de consignado e veículos, principais alvos das medidas de aperto ao crédito.

Fevereiro e março, porém, mostram indícios de recuperação, conforme dados que espelham o comportamento do consumidor, como as vendas no comércio, no setor automotivo e do próprio índice de atividade econômica do Banco Central (BC), de janeiro, um indicador antecedente, enumera o economista da Acrefi, Nicolas Tingas. "A demanda, embora menor do que no ano passado, mostra que está rodando acima do esperado, não houve grande alteração no emprego ou na renda."

Com o carnaval em março e fora do calendário de fevereiro, o próprio setor financeiro está tentando entender o comportamento do tomador. "As medidas [de dezembro] vieram num setor que estava vendendo muito forte (veículos) e que tem efeito econômico na cadeia produtiva, o BC queria ajustar a oferta à demanda, mas agora pode reavaliar se são suficientes."

No mercado futuro, as estimativas embutidas no contratos de depósito interfinanceiros (DI) longos já caíram ontem sob a expectativa de que um rol adicional de iniciativas venham restringir ainda mais a oferta, mas não pela via exclusiva dos juros.

No segmento de varejo, a percepção é de que qualquer medida complementar vai ter como alvo, de novo, o crédito ao consumo, diz o economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Emílio Alfieri. Ele lembra que no início do Plano Real, nas batizadas medidas anti-consumo, o compulsório sobre depósitos a prazo chegou a 60%. E o IOF sobre o crédito, hoje em 0,38%, já foi de 18%.

Com os juros longos cedendo, parâmetro para a precificação do crédito, a impressão é de que os setores que foram alvo das medidas do fim do ano passado - cartões em novembro e crédito à pessoa física em dezembro, incluindo veículos e consignado - podem sofrer restrição extra, diz o economista da LCA, Douglas Uemura. Habitação, porém, deve ser novamente preservado.

Autor(es): Adriana Cotias

Valor Econômico - 24/03/2011 http://www.valoronline.com/

terça-feira, 22 de março de 2011

Dia Mundial da Água

O Dia Mundial da Água, que acontece hoje dia 22 de março, é um data para conscientizar o mundo do consumo excessivo e desperdício do líquido, que é essencial à vida. Mas não é suficiente contabilizar apenas água do banho, descarga, copos d’água ou o quanto de louça foi lavado. É preciso incluir nessa conta o uso direto e indireto da água na produção de alimentos e bens de consumo.

Para chegar a estes números, o cientista holandês Arjen Hoekstra criou a Pegada Hídrica, indicador que mede o uso direto e indireto da água doce para se obter um produto alimentício ou qualquer outro bem consumível. Para calcular o quanto de água é usado entra na conta a quantidade de água usada – ou poluída – durante todo o processo da cadeia produtivo de um alimento ou bem de consumo, é a chamada “água virtual”. É levado em conta também o local onde ocorreu a produção. Uma área onde tem água em abundância é muito diferente da que está numa região mais seca.

Para comer uma maçã, em média foram gastos 70 litros de água. Um copo (250 ml) de cerveja, 75 litros. Uma xícara de café, 140 litros e um quilo de carne, 15.500 litros de água. E é possível calcular também o uso de água em produtos que compramos como roupas, por exemplo. Uma camisa de algodão exige 2.700 litros de água.

Os números são altos porque contam quanto de água foi necessário para se obter um produto. A conta do café inclui não só a parte de água quente que é adicionada ao café, mas também o quanto de água foi necessário na plantação do produto, assim como em toda sua cadeia produtiva.

De acordo com a Water Footprint Foundation, a média global para a Pegada Hídrica de uma pessoa é de 1.243 litros de água por ano. Nos Estados Unidos, isso chega a 2.483 litros por ano; na Alemanha, 1545 l, no Brasil, 1.381 litros, e na China, é de 702 litros.

A Pegada Hídrica pode ser Verde, quando a água da chuva evapora ou é incorporada em um produto durante a sua produção; Azul, que calcula as águas superficiais ou subterrâneas que evaporam ou são incorporadas em produtos, ou então devolvidas ao mar ou lançadas em outra bacia; e Cinza, que mede o volume de água necessário para diluir a poluição gerada durante o processo produtivo.

Dia da água

Neste ano, o objetivo do dia que tem como tema "Água para as Cidades", é para chamar a atenção internacional sobre o impacto no abastecimento de água de fatores como o crescimento rápido da população urbana, a industrialização, conflitos, desastres naturais e as incertezas causadas pela mudança climática.

De acordo com a ONU, em poucos anos, 60% da população mundial estará vivendo nas cidades, aumentando principalmente a densidade demográfica de bairros pobres da cidade e de assentamentos precários do mundo em desenvolvimento.

domingo, 20 de março de 2011

A Globalização em cena outra vez


Entrevista com o Prof. de Harvard Dani Rodrik


Dani Rodrik
Dani Rodrik, um dos acadêmicos mais respeitados no debate sobre a globalização, diz que a liberalização de capitais e a pressão por mais abertura comercial foram longe demais.

O economista Dani Rodrik: muitas vezes um passo atrás no protecionismo "fortalece o sistema em vez de enfraquecê-lo"

O economista Dani Rodrik é, literalmente, uma criatura da política de substituição de importações. Em tom de brincadeira, ele costuma contar que foi o dinheiro da fábrica de canetas de seu pai, protegida pelo governo turco, que bancou as mensalidades na Universidade de Harvard. A Turquia abriu o seu mercado, mas a família ainda vende canetas. Só que agora fabricadas na China. Já Rodrik tornou-se um dos acadêmicos mais ouvidos - e respeitados - no debate sobre a globalização.

Crítico mordaz da hiperglobalização, Rodrik faz um ataque direto ao modelo econômico dos anos 1990 em seu livro recém-lançado nos EUA, "The Globalization Paradox: Democracy and the Future of the World Economy", sem data para publicação no Brasil. O autor diz que a liberalização de capitais e a pressão por mais abertura comercial foram longe demais. Está na hora de recuar.

Mas não se engane: Rodrik não quer o fim da globalização. Quer só uma versão mais leve e temperada com políticas que permitam aos governos nacionais estimular setores-chave e reestruturar suas economias. Se para isso for preciso reerguer algumas barreiras ou conceder subsídios, que seja. Para ele, essa será a única maneira de convencer a China a abandonar sua moeda desvalorizada e resolver o que ele considera o "maior risco" para a economia mundial atualmente.

Na entrevista que concedeu ao Valor, o professor de economia política internacional de Harvard também falou sobre o Brasil. De como o país deveria crescer 7% ao ano, mas parece ter "reduzido suas ambições" e considera 5% ao ano um sucesso. Sobre a necessidade de aumentar a poupança interna e investimentos e de como o primeiro passo seria uma política fiscal mais apertada. Abaixo, os principais trechos da conversa:

Barak Obama
Valor: O presidente Barak Obama deve insistir na retomada da Rodada Doha em sua visita ao Brasil? Mais abertura comercial ajudará na recuperação da economia mundial?

Dani Rodrik: Não considero Doha uma prioridade. Na minha opinião, o risco mais sério para a economia mundial é a falta de coordenação macroeconômica e como lidar com os fluxos de capital que isso gera. Se não houver uma solução, isso poderá ter repercussões bastante negativas na forma de aumento do protecionismo nos Estados Unidos e outros países ocidentais.

Valor: O que deve ser feito para lidar com os desequilíbrios causados pela política monetária expansionista dos EUA e o yuan desvalorizado?

Rodrik: É importante haver avanços rápidos na direção de um sistema multilateral de supervisão de desequilíbrios externos. Os princípios seriam dados pelo G-20 e o trabalho mais técnico poderia ser feito pelo FMI. Minha proposta é que o Fundo tenha mais autoridade e poder de supervisão. Em compensação, a OMC teria que ser enfraquecida.

Valor: O que significa enfraquecer a OMC?

Obama deve trabalhar para melhorar coordenação macroeconômica: "Se não houver solução, isso poderá ter repercussões negativas na forma de aumento do protecionismo nos EUA", diz autor

Rodrik: A evolução das regras da OMC teve como efeito colateral indesejado fazer com que a China use moeda desvalorizada para sustentar o crescimento econômico. Então, se quisermos a cooperação dos chineses, será preciso dar espaço à China para que o país continue a se reestruturar por meio de políticas que atualmente a OMC não permite. Se quisermos mais disciplina nas políticas macroeconômicas, será preciso ter menos disciplina nas políticas micro.

Valor: O senhor se refere a políticas como subsídios e barreiras comerciais?

Rodrik: Acho que o acordo de subsídios da OMC é excessivamente rígido. Seria necessário abrir exceções, que não seriam exclusivas para a China, mas aplicadas também a países de renda média como o Brasil, por exemplo.

Valor: Mas isso não seria uma volta do protecionismo?

Rodrik: Muitas vezes um passo atrás fortalece o sistema ao invés de enfraquecê-lo. O risco de uma recaída protecionista é muito maior se continuarmos na direção em que estamos, se não entendermos que os países precisam de espaço para políticas internas. Se permitimos que países adotem políticas comerciais que entendem ser melhores para si, no agregado, teremos uma economia mundial relativamente saudável e aberta.

Valor: Em seu mais recente livro, o senhor critica o modelo de globalização dos anos 90. A globalização é ruim?

Rodrik: Depois da Segunda Guerra Mundial, o sucesso da economia mundial se apoiou num equilíbrio entre liberalização, comércio e finanças globais, mas também na garantia de espaço suficiente para que os governos nacionais adotassem medidas de estabilização, proteção social, políticas industriais e de reestruturação econômica. No começo dos anos 80, se iniciou o que chamo hiperglobalização. Um modelo em que a redução de barreiras comerciais e a liberalização de fluxos de capitais se tornou quase um fim em si mesmo e o papel das políticas governamentais passou a ser definido quase que unicamente sob a perspectiva do que era necessário para se integrar à economia mundial. A hiperglobalização teve duas consequências: ampliou o impacto e a severidade das crises financeiras e erodiu a legitimidade do sistema de comércio internacional.

Valor: O senhor defende uma globalização "light". Trata-se de uma volta a barreiras comerciais e subsídios?

Rodrik: É uma questão de equilíbrio. As barreiras comerciais eram exageradamente elevadas nos anos 50 e 60 e foi extremamente positivo reduzi-las. Mas agora a maior parte dos países tem proteção relativamente baixa. Não acredito que haverá nenhum grande estrago no comércio mundial se os países elevarem essas barreiras na margem. Por outro lado, as restrições à mobilidade de mão de obra continuam tão elevadas hoje quanto eram as restrições ao comércio nos anos 50. Então, nesse caso, sou amplamente favorável a uma flexibilização marginal.

Valor: O senhor aconselharia os governos a desistir de Doha e a negociar mais mobilidade de mão de obra?

Rodrik: Absolutamente. Se os ministros iniciassem discussões sobre um sistema ampliado de vistos temporários de trabalho haveria ganho maior para a economia mundial do que qualquer coisa que esteja incluída na Rodada Doha atualmente.

Valor: Então é correta a noção de que a globalização reduziu salários e impôs custos muito elevados a populações normalmente mais pobres ao redor do mundo?

Rodrik: Não. A globalização teve efeitos bastante heterogêneos. Os países que jogaram bem o jogo da globalização se beneficiaram tremendamente. A China, por exemplo. Se o país conseguiu retirar 500 milhões de pessoas da pobreza extrema nos últimos 30 anos, foi em grande parte graças à globalização. Mas não só por isso. A China tem uma estratégia doméstica de crescimento que inclui a reestruturação e diversificação da economia baseadas no uso de políticas que são atualmente proibidas pela OMC ou pouco recomendadas por outros organismos internacionais. É uma estratégia bastante consciente de alavancar os ganhos da globalização por meio de políticas internas adequadas. Os países que têm uma estratégia doméstica de crescimento combinada com a globalização se dão bem. O grande erro de boa parte dos países da América Latina nos anos 80 e 90 foi presumir que abrindo suas economias, estabilizando a macroeconomia e privatizando, o crescimento econômico seria um processo automático.

"A hiperglobalização ampliou o impacto e a severidade das crises financeiras e erodiu a legitimidade do sistema de comércio internacional"

Valor: Brasil cometeu esse erro?

Rodrik: Em alguma medida. O Brasil não foi uma Argentina ou um México e de forma geral conseguiu resultados econômicos um pouquinho melhores. Mas eu diria que mesmo nas épocas boas e para um país com o potencial do Brasil, a economia tem tido um desempenho insatisfatório. E o Brasil, infelizmente, parece que reduziu suas ambições no que diz respeito ao que deveria ser sua taxa de crescimento.

Valor: Quanto o Brasil deveria crescer?

Rodrik: Algo como 7%. O Brasil ainda sofre as consequências de um período muito longo de turbulências e parece ter encontrado um certo equilíbrio na combinação de juros elevados e baixa taxa de investimento, o que faz com que seja difícil para a economia sair desse ciclo. É por isso que taxas de crescimento de 4% ou 5% são vistas como um sucesso.

Valor: O que deveria ser feito?

Rodrik: Uma coisa importante é mudar a relação entre poupança e investimentos no Brasil. Infelizmente, não sabemos muito sobre como elevar poupança e investimentos no curto prazo. O que se sabe, porém, é que o déficit fiscal é uma parte importante da poupança doméstica e o que puder ser feito para melhorar a situação fiscal terá um impacto positivo. A outra coisa que se sabe é que uma boa parte do aumento na poupança que é experimentado por países bem-sucedidos é resultado de maior crescimento econômico. O importante é iniciar uma espécie de ciclo virtuoso no Brasil, em que se comece com algumas políticas, incluindo uma política fiscal mais apertada que aumente a poupança doméstica. Isso abre espaço para quedas na taxa de juros que, por sua vez, reduzem a pressão no câmbio. Uma moeda mais competitiva viabiliza mais poupança, mais investimento e esse processo de crescimento realimenta um aumento na poupança doméstica.

Valor: Com um resultado abaixo do potencial, o senhor diria que a estratégia de crescimento de longo prazo do Brasil está errada?

Reunião do G-20, em Paris, no mês passado: "É importante haver avanços na direção de um sistema multilateral de supervisão de desequilíbrios externos", diz Rodrik

Rodrik: Diria que é uma estratégia OK, mas não excelente. Ainda é muito dependente do preço das commodities e é uma estratégia que traz resultados insatisfatórios. Uma economia como o Brasil não pode se satisfazer com taxas de investimento de 18% do PIB. O percentual deveria ser de pelo menos 23% do PIB.

Valor: A descoberta de petróleo na camada pré-sal expõe o Brasil aos mesmos riscos de economias como Venezuela e países do Oriente Médio, que apesar da riqueza não têm economias desenvolvidas?

Rodrik: O Brasil tem a vantagem de estar iniciando esse processo com economia já diversificada, o que reduz, mas não elimina, esse risco. O maior problema nesses booms de commodities é que, apesar de gerarem algum crescimento e considerável riqueza, as atividades econômicas que eles estimulam não absorvem muita mão de obra. É preciso que haja expansão em outros setores para criar empregos. Assim como outros países da América Latina, um dos problemas é que nos últimos 15 anos o Brasil não tem criado empregos suficientes nos setores mais avançados da economia.

Valor: O Brasil criou linhas de política industrial para desenvolver, por exemplo, a indústria naval e a de fornecedores do setor de petróleo e tem usado os empréstimos do BNDES para estimular a economia. Uma das críticas a esse modelo é que subsidia e escolhe vencedores, papel inadequado para o Estado. O senhor concorda?

Rodrik: A discussão sobre escolher ou não vencedores é muito antiquada e não é relevante. Segundo esse raciocínio, nenhum governo poderia ter políticas industriais e todos os países bem-sucedidos usam esses instrumentos. O importante é se o governo é flexível o suficiente, se monitora o que acontece, avaliando o destino do dinheiro usado e se é capaz de corrigir erros que fatalmente acontecerão. A questão não é se o governo deve ou não escolher vencedores, mas se é capaz de se livrar dos perdedores.

Valor: Essa discussão ganhou força depois da crise econômica mundial e remete ao papel que os Estados devem ter na economia. Qual o tamanho ideal do governo?

Rodrik: Devemos evitar a tentação de achar que o governo e o mercado são antagônicos ou substitutos. São complementares. Todos os países bem-sucedidos têm economias em que o setor público e privado colaboram. O governo é sempre um facilitador, principalmente em países de renda média ou baixa. Mesmo países desenvolvidos têm políticas industriais ativas. Os Estados Unidos, por exemplo, estão engajados no programa de política industrial mais caro da história com os estímulo ao desenvolvimento de tecnologias "verdes". A diferença é que alguns países fazem isso melhor que outros.

Valor: É isso o que explica por que países como Brasil ou Turquia, que já tiveram subsídios, proteção a indústrias e altas barreiras comerciais, não se transformaram numa Coreia do Sul?

Rodrik: A diferença não é que o Brasil interferiu demais na economia e a Coreia do Sul, não. Os dois interferiram. Não é que a Coreia se voltou para a economia mundial e o Brasil, não. O Brasil, no fim dos anos 60, começou a abrir sua economia e se transformou num exportador. A explicação tem mais a ver com o Brasil nunca ter conseguido implementar uma política macroeconômica correta quando comparado com a Coreia do Sul. Nos anos 80, o que na Coreia foi uma crise de um ano, no Brasil foi uma década.

Valor: A crise econômica mundial também mudou o debate sobre regulação bancária e de fluxos de capitais. Regras mais rígidas vão evitar uma nova bolha?

Rodrik: Até poderiam se entendêssemos que países diferentes têm necessidades também diferenciadas sobre como devem regular seus sistemas bancários e se a imposição de padrões globais de requerimentos de capital e métodos de regulação não tivessem se transformado num fetiche. Neste momento, estamos indo na direção errada.

Valor: Por quê?

Rodrik: As discussões presumem se as autoridades nacionais estabelecerem regras e métodos de regulação criarão custos de transação para bancos que estão operando em diferentes países e, portanto, que devemos estabelecer sistemas harmonizados de controle. Isso vai levar a regras fracas e frouxas que expressam um mínimo denominador comum. Já vimos isso acontecer com as propostas de Basileia 3, que não são suficientes.

Valor: Nesse cenário, como evitar a arbitragem regulatória?

Rodrik: É preciso reconhecer que todo país tem direito de interferir nas operações financeiras transnacionais quando o propósito for garantir a integridade de seus sistemas nacionais. Não é diferente de quando algum país exporta brinquedos e o importador impõe padrões de saúde e segurança. O capital internacional é extremamente volátil, mas não há nenhuma razão pela qual os governos não possam impor restrições a bancos estrangeiros operando em mercados domésticos.

Valor: O Brasil tem usado medidas de controle de capital para lidar com o aumento dos fluxos financeiros. Essas medidas, que até pouco tempo eram malvistas pelos economistas, voltaram a fazer sentido?

Rodrik: Os controles de capital podem ajudar na transição, mas sem políticas que aumentem os investimentos, a poupança interna e reduzam as taxas de juros no Brasil, nenhum controle de capital conseguirá resolver o problema.

Valor: Em seu livro, o senhor critica os economistas pelo papel intelectual que tiveram na crise financeira. Qual a parcela de culpa de vocês?

Rodrik: Quando os economistas foram para Wall Street e Washington, se esqueceram dos modelos sobre bolhas, assimetria de informações, incentivos distorcidos, risco moral e instituições grandes demais para falir que são conhecidos e estudados em economia. Venderam um só modelo, sobre mercados eficientes e autorregulação. Se os economistas não tivessem esse discurso, acho que os bancos não teriam sido capazes de capturar a agenda como o fizeram, porque não teriam a mesma legitimidade. Ao mesmo tempo, se os economistas não tivessem o interesse dos bancos por trás, essas seriam apenas mais uma das ideias. Houve uma combinação infeliz de ideias e interesses.


Home Page do Prof. Dani Rodrik  http://www.hks.harvard.edu/fs/drodrik 

quinta-feira, 17 de março de 2011

Crise japonesa pode afetar panorama de inflação no Brasil

O tsunami que atingiu o Japão pode afetar a atividade econômica global por diversos canais que, juntos, devem elevar a incerteza sobre a expansão da atividade global este ano.

De acordo com a equipe de macroeconomia do Itaú, comandada pelo economista-chefe Ilan Goldfajn, um dos efeitos diretos é o menor crescimento da economia japonesa, que hoje responde por 6% do Produto Interno Bruto (PIB) global.

"No curto prazo, a destruição de capital físico na região atingida e a interrupção da produção de energia nuclear devem reduzir o PIB do Japão, com impacto mais intenso entre o primeiro e o segundo trimestres de 2011", afirma a equipe em relatório.

Esse impacto inicial pode ser intensificado pela dimensão do acidente nuclear, que pode levar ao isolamento de grandes áreas e causar a redução mais duradoura da atividade produtiva.

Por aqui, a crise japonesa pode afetar a perspectiva de inflação e, consequentemente, as decisões de política monetária por dois canais principais: impactos na atividade econômica e movimentos dos preços das commodities.

O impacto sobre a atividade econômica pode acontecer via comércio exterior ou expectativas (fluxos financeiros, aversão ao risco).

"O primeiro parece limitado, desde que não haja uma contaminação da atividade real em outras economias asiáticas, em especial a China, ou uma deterioração das condições econômicas globais. O segundo pode ser maior, como no caso Lehman Brothers", explicam os economistas.

No entanto, há algumas diferenças desta vez. Não há (ou parece haver), por exemplo, risco financeiro sistêmico. O epicentro da crise é menos relevante ao Brasil e a economia brasileira está menos exposta à alavancagem financeira.

Desta forma, ainda que o maremoto gere certo viés negativo também para as projeções de atividade, ele não parece ser, até agora, relevante, segundo os economistas. "A importância relativa do Japão como parceiro comercial brasileiro tem decaído consistentemente nos últimos anos", dizem.

O Japão já chegou a consumir mais de 8% das nossas exportações no início dos anos 90. Atualmente, essa proporção é de apenas 3,6%.

A composição setorial das exportações brasileiras para o Japão está fortemente concentrada no setor de mineração, responsável por 46,4% do total, por conta das exportações de minério de ferro.

"Isoladamente, o Japão está longe de produzir algum estrago relevante sobre o nosso comércio exterior", garantem.

Já o efeito dominó sobre as economias asiáticas pode ser mais danoso, mas os analistas estão confiantes. "Excluindo a China, as demais economias asiáticas consomem apenas 3,6% das nossas exportações — é basicamente um outro Japão. E a capacidade do Japão impactar a economia chinesa nos parece consideravelmente menor do que as demais economias da região".

Para os especialistas, os efeitos adversos que a crise japonesa pode ter sobre as nossas contas externas estão nos impactos indiretos: preço de commodities, aversão à risco global e repatriação de capital japonês.

"Não há dúvidas quanto ao impacto inicial do terremoto japonês sobre preços de commodities: queda generalizada".

Entretanto, o risco de curto prazo para o Brasil é para baixo, por queda de demanda no Japão e por desmonte das posições especulativas. Por outro lado, dependendo da duração da crise e do tempo de reconstrução, poderá haver um movimento mais forte de demanda na direção contrária, voltando a impulsionar os preços.

Neste ponto, os economistas afirmam que é preciso considerar também os efeitos que o tremor terá sobre a oferta de bens industrializados produzidos pelo Japão, que possui relevante mercado internacional em produtos de alta tecnologia.

Quanto ao segundo fator — a aversão a risco global — este deve elevar o custo das captações externas. "A rolagem da dívida externa estava se tornando cada vez mais relevante na liquidez do nosso balanço de pagamentos e este processo pode perder fôlego", afirmam os economistas.

Por fim, a terceira fonte de impacto sobre as contas externas seria a repatriação de capital japonês, através de investimento em carteira, remessas de lucros e dividendos e investimento direto estrangeiro — especificamente pela conta de "empréstimos intercompanhias".

No entanto, os economistas afirmam que essa hipótese de repatriação tem que considerar que a exposição em títulos do governo americano e em dívidas dos tesouros europeus seria, provavelmente, a fonte relevante em um processo desta natureza.

Brasil Econômico (redacao@brasileconomico.com.br)

quarta-feira, 16 de março de 2011

Aumento no nível de emprego no Brasil


Fevereiro registra recorde de empregos gerados no Brasil

Mais de 280 mil novos empregos com carteira assinada foram criados no período, resultado 34,08% superior que o recorde anterior. Setor de Serviços registrou melhor resultado da história

"O mercado de trabalho brasileiro está forte e vigoroso, e em fevereiro foi impulsionado pelo Carnaval, sem que se tenha perdido dias úteis no mês, uma vez que o feriado caiu em março. O setor de serviços foi o grande destaque, puxado pelo Turismo e Hotelaria. Basta ver que no Rio de Janeiro o índice de ocupação da rede hoteleira bateu recorde, com mais de 97% de ocupação", explicou Lupi.

O setor de Serviços registrou saldo recorde para todos os meses da série histórica do Caged, com a geração de 134.342 empregos celetistas. O setor Extrativo Mineral, com a geração de 1.713 postos, registrou desempenho inédito em fevereiro. A Indústria de Transformação, com 60.098 novos postos, e a Construção Civil, com 30.701, registraram seus segundos melhores resultados para o mês.

A expansão de empregos foi generalizada também entre os 25 subsetores de atividade econômica, com dez registrando recordes e quatro o segundo melhor desempenho para o mês.

"Em março a Educação se destacará, com a efetiva volta às aulas. Este mês o Ensino já foi recorde, e deverá continuar crescendo. A Construção Civil seguirá em alta e é possível que haja novo recorde para o mês", comentou o ministro.

Todas as cinco regiões brasileiras tiveram saldo recorde em fevereiro, sendo a geração de empregos puxada pelo Sudeste, que abriu 165.523 postos. Em termos relativos, o maior crescimento foi registrado no Centro-Oeste, com elevação de 1,21% no estoque de trabalhadores com carteira assinada. Entre as 27 Unidades da Federação, quinze mostraram saldos recordes e quatro apontaram o segundo melhor resultado para o período.

Bimestre - O número de trabalhadores com carteira assinada também bateu recorde no primeiro bimestre de 2011, com a geração de 448.742 postos de trabalho formal, equivalente ao crescimento de 1,25% em relação ao estoque de empregos de dezembro de 2010. O total já incorpora as informações declaradas fora do prazo relativas ao mês de janeiro de 2011. Nos últimos 12 meses, o montante de empregos gerados atingiu 2.523.029 postos de trabalho, correspondendo ao aumento de 7,45%.


Ministro Carlos Lupi anunciou novo
 recorde de geração de empregos

Seguro-desemprego - O ministro Carlos Lupi comentou a possibilidade de implementação de um novo modelo de qualificação profissional para trabalhadores beneficiários do Seguro-Desemprego. A ideia é evitar que se burle o programa a partir de acordos em que o patrão demite o trabalhador, que continua a trabalhar sem carteira assinada e passa a receber o seguro.

"As empresas estão contratando mais do que demitindo, mas não deixaram de demitir, e estão demitindo mais do que nunca. Quanto mais aquecido estiver o mercado, maior será a rotatividade de mão-de-obra, e mais benefícios de Seguro-Desemprego teremos que pagar. Por isso defendo que o trabalhador beneficiário do seguro seja obrigado a participar de cursos de qualificação, que o Ministério da Educação está desenvolvendo", disse Lupi.

Paralelo ao projeto de qualificação, o Ministério do Trabalho e Emprego está implementando o Programa Mais Emprego, que une o Programa Seguro-Desemprego ao Sistema Nacional do Emprego, com a finalidade de oferecer oportunidades de novo emprego aos requerentes do Seguro-desemprego, para que, imediatamente recolocados no mercado, não precisem do benefício.

O número de admissões e desligamentos do último mês também foram os maiores registrados na série histórica para o período, totalizando 1.797.217 e 1.516.418, respectivamente.

Assessoria de Imprensa do MTE




terça-feira, 15 de março de 2011

15 de março: Dia Mundial do Consumidor


O dia 15 de março é o Dia Mundial dos Direitos do Consumidor. E você sabe por que esse assunto é do seu interesse? Nós vamos explicar.

Todo ser humano é um consumidor. As pessoas comem, vestem-se, divertem-se; compram apartamentos, móveis, CDs, revistas, livros, eletrodomésticos e utilizam serviços telefônicos e bancários, entre muitas outras coisas. Resumindo, consumidor é toda pessoa física (indivíduo) ou jurídica (empresa, associação ou qualquer outra entidade) que adquire um produto ou serviço para uso próprio.

As empresas ou pessoas que produzem ou vendem produtos ou serviços são chamadas de fornecedores e tudo o que oferecem aos consumidores deve ser de qualidade, com um preço justo e que atenda àquilo a que se propõe, sem enganar o comprador. É um direito do consumidor, garantido pela Lei no 8.078, de 11/09/90, que criou o Código de Defesa do Consumidor.

O Código, que entrou em vigor em 1991, é uma lei de ordem pública que estabelece direitos e obrigações de consumidores e fornecedores, para evitar que os consumidores sofram qualquer tipo de prejuízo.

Mas para que todos consigam defender seus interesses é importante que cada um de nós contribua com o seu comportamento cuidadoso e vigilante. Recentemente, as denúncias dos consumidores sobre alguns supermercados que vendiam produtos que tinham um preço na prateleira e na verdade eram mais caros quando passavam pela leitura do código de barras fez com que autoridades determinassem a volta das etiquetas nos produtos. É dever do consumidor ter atitudes que façam com que os fornecedores o respeitem. Agindo dessa forma você estará exercendo seu papel de cidadão ao defender seus direitos e também estará contribuindo para melhorar o nível de vida de todos os brasileiros.

Você não deve comprar

Produtos com prazo de validade vencido. Preste atenção aos prazos indicados nas embalagens de alimentos e remédios.

Produtos com má aparência; latas amassadas, estufadas ou enferrujadas; embalagens abertas ou danificadas.

Produto com suspeita de ter sido falsificado.

Produtos que não atendam à sua real finalidade. Por exemplo: chuveiro elétrico ou ferro de passar que não esquentem. Se o produto não funcionar como deve, troque ou devolva onde comprou.

Você não deve contratar

Profissionais que não tenham condição de realizar o serviço, fazendo experiências no seu produto ou na sua casa. Prefira um profissional recomendado.

Qualquer serviço sem orçamento. Além do valor, o orçamento deve estabelecer a forma de pagamento, o tempo execução do serviço, o tipo de material a ser usado e detalhes do serviço a ser executado. O documento tem validade de 10 dias, a partir da data de recebimento pelo consumidor.

Outros procedimentos

Toda compra ou contratação de serviços precisa ser documentada quando é realizada. Exija a nota fiscal. Guarde-a, pois ela pode ser uma prova para garantir seus direitos.

Também guarde pedidos, garantias, instruções, contratos, recibos de pagamento, número de cheques, comprovantes de compra com cartão de crédito e qualquer outro documento que possa assegurar seus direitos, caso seja necessário recorrer a eles.

O Código de Defesa do Consumidor existe desde 11 de março de 1991. Com mais de dez anos de existência, é uma lei cada vez mais conhecida pelos cidadãos e também bastante usada. A participação da sociedade civil, aliás, na época da elaboração da lei, explica, de certa forma, o sucesso na sua aplicação e no próprio respeito que ela impõe sem maiores esforços.

Não há como discutir sua utilidade e a enorme divulgação que recebeu desde sua criação, em 11 de março de 1991.

Como podemos perceber, desta vez a lei pegou. E pegou porque se mostrou um instrumento eficaz, justo e equilibrado diante dos desafios do mundo moderno, com suas evoluções em diversos campos.

O Código propiciou ainda força às próprias entidades engajadas na luta pelos direitos do consumidor. É o caso do Idec - Instituto de Defesa do Consumidor, que encontrou na lei uma aliada e tanta contra os abusos cometidos.

Vejam apenas algumas das vitórias conquistadas, com base na lei:

Produtos maquiados: normatização da obrigatoriedade da prestação de informações aos consumidores em relação a modificações no peso e/ou tamanho de diversos produtos que já estavam no mercado

Campanha de esclarecimento para a população sobre a crise energética

Escolas particulares: proibição da retenção das quantias pagas quando o consumidor solicita o cancelamento do contrato

Regulamentação dos medicamentos genéricos e dos similares, propiciando preços mais baixos ao consumidor

Maior segurança dos preservativos masculinos

Retirada de 132 antibióticos do mercado

Rotulagem dos alimentos transgênicos para garantir o direito de o consumidor saber e escolher

Ações contra aumentos abusivos nos planos de saúde

Reparação dos danos causados às vítimas das "pílulas de farinha": anticoncepcionais que não fizeram efeito

Como o Código de Defesa do Consumidor é muito extenso, destacamos para você os principais direitos que estão garantidos no documento:

Proteção da vida e da saúde - Produtos e serviços perigosos ou nocivos que ofereçam riscos, como inseticidas e álcool, por exemplo, devem apresentar todas as informações necessárias sobre seu uso, composição, antídoto e toxidade.

Escolha de produtos e serviços - O consumidor é livre para decidir o que e onde comprar, valendo o mesmo para a contratação de serviços.

Informação - O consumidor tem direito à informação sobre quantidade, características, composição, preço e riscos que porventura o produto apresentar.

Proteção contra publicidade enganosa e abusiva - A publicidade é enganosa quando contém informações falsas sobre o produto ou serviço e é abusiva quando gera discriminação ou violência, induz a um comportamento prejudicial à saúde e à segurança, entre outras coisas. Tudo o que for anunciado deve ser cumprido.

Proteção contratual - Contrato é um acordo em que pessoas assumem obrigações entre si. O Código de Defesa do Consumidor garante a igualdade entre consumidor e fornecedor nos contratos firmados entre eles.

Facilitação de defesa de seus direitos e acesso à Justiça - Para fazer valer seus direitos, o consumidor pode recorrer aos órgãos de defesa ou, se for o caso, entrar na justiça contra o fornecedor.

Qualidade dos serviços públicos - Serviços públicos são aqueles que atendem a população de modo geral: transportes, água, esgoto, telefone, luz, correios. O prestador de um serviço público também é fornecedor e os serviços devem ser adequados e eficazes.


Entidades de defesa do Consumidor
PROCON-RJ - Associação Pró-Consumidor do Estado do Rio de Janeiro
http://www.procon.rj.gov.br/

IDEC - Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor