sábado, 30 de abril de 2011

Loja Conceito


Na onda de lançamentos de lojas conceito no País e no Rio
Loja preparada para proporcionar satisfação aos clientes, a fim de transformar sonhos em realidade. Produtos atraentes (mix) e devidamente ajustados ao perfil dos clientes-alvo. Agilidade no lançamento de novidades, aproveitando as ondas e sazonalidades do mercado. Meios de pagamentos, como cartões de crédito, cartões de débito e cartões próprios, facilidades e serviços complementando todo o esforço de venda.

Claro que as pessoas compram produtos. Mas desde que estejam associados a alguma grande idéia subjetiva capaz de promover o envolvimento com a marca. Além da sua utilidade, os produtos precisam representar algo intangível surpreendente. Uma causa, uma idéia, um propósito. Interatividade. Marketing conceito. Muito a ver com ambiente do local de compra, decoração, clima, cheiro, iluminação, música e imagens associativas. Verdadeiro laboratório transformador de sonhos em realidade.

Aldeia global. Ninguém mais escapa desse fenômeno. Embora as tendências do marketing conceito tenham surgido nos grandes centros de consumo, aplica-se também nas demais cidades, uma vez que a maior de todas as mudanças ocorre na mente do consumidor, cujo comportamento tende a ficar cada vez mais universal. O empresário precisa pensar de forma global e agir localmente com eficácia e rapidez. O mundo é a sua loja.

O consumidor espera encontrar o produto dos seus sonhos e nas condições de pagamento que se encaixem no seu orçamento. Em seguida vem a qualidade do atendimento. E nesse quesito, já não basta bom atendimento apenas. Isso, de certa forma, todo mundo faz. O que o comprador anseia é um atendimento um pouco além do normal. Só assim ele volta. Este é o grande diferencial que precisa ser desenvolvido, ampliado e mantido.

Os lojistas precisam se adaptar às mudanças. Esta é a única certeza. Aliás, são duas grandes certezas: as mudanças e o pagamento de impostos, ambas implacáveis. Não adianta lutar contra tal realidade. Por que mudar tanto assim, alguém pode perguntar. Porque o consumidor muda o tempo todo. Não mudando, você fica uma volta atrás na grande corrida da competição mundial.

O consumidor comporta-se de forma diferente na compra, no relacionamento, na maneira de ganhar dinheiro e na sua forma de viver. Na sua forma e ser. Mudar sim, mas sem perder suas raízes, seus fundamentos e valores. Saber usar a razão e emoção na justa medida na gestão do seu empreendimento.

Começar agora. Participar de treinamentos, construir sua equipe e adotar o saudável hábito de ouvir as pessoas. Mudar o seu estilo de gestão. Reavaliar tudo. Até que ponto a sua loja é um bom lugar para as pessoas comprarem? Até que ponto a sua empresa proporciona um bom lugar para as pessoas trabalharem? Colaboradores felizes vendem mais e melhor.

Multicanais. Um site é importante. Além de qualificar seu estabelecimento, é mais uma janela aberta para seus clientes acessarem. Ainda que seja para consultas. Toda a comunicação por meio da internet deve ser feita com o objetivo de informar e de motivar o cliente a visitar a loja. Vai vender alguma coisa por este canal, mas a grande venda ainda será física, olho no olho do cliente. Varejo é um negócio de gente.

Na venda de roupas e calçados, o cliente não se sente seguro sem tocar e sentir o produto. Calçar, vestir, experimentar e imaginar-se no espelho, vivendo o personagem do seu sonho. São procedimentos decisivos para esse tipo de produto. Ambiente, envolvimento, atendimento e capacidade de venda da equipe formam as competências básicas de uma empresa varejista.

O Conceito das Casas Bahia

A Casas Bahia vem inaugurnado lojas conceito.

Michael Klein
“O objetivo das lojas conceito é oferecer um espaço contemporâneo e proporcionar uma experiência de compra emocional para os clientes de shopping, com foco em lançamentos de produtos, novas tecnologias e experimentações”, comenta Michael Klein, diretor executivo da rede.

Outra novidade das lojas conceito são os espaços life styles - três opções de apartamentos com sala, cozinha e quarto -, decorados por arquitetos, que proporcionarão uma interatividade entre o cliente e os ambientes. Além dos itens que ficarão expostos, os visitantes poderão consultar outras opções de cores e modelos de produtos no catálogo digital, disponível em terminais instalados junto aos vendedores.

O conceito de modernidade e interatividade se faz presente em toda a loja. Os clientes poderão experimentar produtos, como vídeo games e celulares, além de conferir os lançamentos de cada linha que serão expostos de forma destacada. Na área de informática, por exemplo, os computadores permanecerão ligados a disposição dos clientes que queiram conhecer melhor os produtos antes de efetuar suas compras. Já o setor de Imagem e Som ganhou totens de atendimento rápido para esclarecer de imediato e com interatividade as dúvidas dos clientes.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Dólar cai 3,6% em abril e aposta é de mais baixa


Dólar aproximou-se nesta semana dos menores níveis desde janeiro de 1999

Depois de o dólar acumular a maior queda em sete meses em abril em meio à abundante liquidez no mercado externo, profissionais do mercado acreditam que a moeda americana seguirá em baixa em maio.

Nesta sexta-feira (29/4), o dólar recuou 0,63%, a R$ 1,573 na venda, fechando abril com depreciação de 3,56%, a maior desde setembro de 2010, quando a baixa foi de 3,7%.

Marcos Trabbold, operador de câmbio da B&T Corretora de câmbio, atribuiu o movimento desta sessão ao cenário externo mais tranquilo, com dólar em baixa e bolsas de valores em alta.

"Com essa combinação, seria difícil o dólar não cair. Hoje está tendo a formação da última Ptax do mês, o que geralmente distorce um pouco o movimento, e como tem muita gente vendida (em dólar) a queda aqui está um pouco mais forte que lá fora", disse.

De acordo com dados da BM&FBovespa relativos à véspera, os investidores estrangeiros sustentavam mais de US$ 19 bilhões em posição vendida nos mercados de dólar futuro e cupom cambial (DDI). Na prática, tais posições sugerem apostas na queda do dólar no curto prazo.

O mercado costuma intensificar ajustes de posições com a aproximação do final do mês, visando uma Ptax mais conveniente a suas operações. A Ptax - taxa média ponderada do dólar - serve de referência para a liquidação de contratos futuros e outros derivativos.

No exterior, a moeda recuava 0,13% ante uma cesta de divisas, nas mínimas em três anos. A debilidade da moeda se intensificou nesta semana, depois que o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, sugeriu que manterá os atuais estímulos para sustentar a recuperação econômica do país.

De acordo com Jason Vieira, analista internacional da corretora Cruzeiro do Sul, enquanto a política de juro baixo nos Estados Unidos continuar em vigor e não houver sinalização de alguma mudança, a moeda norte-americana continuará pressionada em todo o mundo, o que refletirá também em âmbito doméstico.

"Essa é uma realidade indelével", resumiu Jason Vieira, analista internacional da corretora Cruzeiro do Sul. "A diferença de juros (entre Brasil e EUA) é muito alta e isso vai continua atraindo capital e respaldando a tendência de queda do dólar no curto prazo."

No Brasil, o dólar aproximou-se nesta semana dos menores níveis desde janeiro de 1999, pouco após a adoção do regime cambial flutuante.

Brasil Econômico - Por José de Castro/Reuters

29/04/11 17:31 http://www.brasileconomico.com.br/

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Taxa de juros e carga tributária

A percepção de que a carga tributária brasileira é estratosférica - cerca de 35% do Produto Interno Bruto (PIB) - decorre da desproporcionalidade entre a sua magnitude e o retorno à sociedade na forma de serviços públicos: o contribuinte paga muito imposto e tem pífia contrapartida na forma de educação, saúde, segurança pública, etc. A Suécia, por exemplo, tem carga tributária equivalente a 50% do PIB, mas seus cidadãos se sentem confortáveis com o peso dos impostos pois recebem contrapartida do governo.
  O maior problema fiscal do Brasil é a qualidade do gasto. É de relevar, por exemplo, que quase um quinto (17%) de toda essa dinheirama arrecadada equivale às despesas do governo com o pagamento de juros, cujo retorno é zero para o contribuinte. Num condomínio, essa parcela da arrecadação seria contabilizada como "chamada extra" para pagamento de déficits pretéritos. Neste ano, os gastos com juros do setor público devem atingir cerca de R$ 230 bilhões, o equivalente a 5,6% do PIB, quase 15 vezes o que o governo deve gastar com o Programa Bolsa-Família e mais de seis vezes o valor dos investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). De outro lado, a meta de superávit primário - a "poupança" que o governo espera obter neste ano para pagar os juros da dívida - é de R$ 118 bilhões, pouco mais da metade dos juros primários que deverão ser pagos no ano. Isso significa que a outra metade será honrada com novas emissões de títulos, que gerarão despesas adicionais com juros.
  Só esse adicional de juros com os novos "papagaios" equivalerá no ano que vem a algo parecido com o gasto total com o Bolsa-Família. Cada vez que o Comitê de Política Monetária, o Copom, aumenta a taxa Selic, que corrige 35% da dívida interna em títulos do Tesouro, a necessidade de recursos para pagamento de juros aumenta. Em 2011, os juros básicos já subiram um ponto porcentual e devem aumentar ainda mais. O governo eleva a taxa de juros para conter a inflação, mas esse amargo remédio monetarista tem dois efeitos colaterais: aumenta as suas próprias despesas financeiras e atrai dólares para o mercado brasileiro, valorizando ainda mais o real, para desespero do setor produtivo, que perde competitividade para os produtores do resto do mundo, tanto no mercado internacional quanto no doméstico.
  Além da elevação dos juros, a inflação ascendente também aumenta os gastos financeiros do setor público, pois cerca de 30% dos títulos da sua dívida são indexados a índices de preços. Esse fabuloso gasto com juros ocorre porque a dívida pública é muito elevada, embora sua trajetória seja cadente em relação ao PIB.
  Também o processo de acumulação de reservas internacionais, hoje acima de US$ 300 bilhões, ainda que seja importante fator de confiança na capacidade de solvência do País perante o resto do mundo (graças a essas reservas o Brasil passou quase incólume pela crise econômica mundial de 2008), impõe um custo financeiro enorme ao Tesouro - vale dizer, a todos nós, contribuintes. O governo toma dinheiro emprestado a 11,75% ao ano para comprar dólares que rendem próximo de 0% ao ano. Quanto mais alta a taxa de juros, maior o custo financeiro das reservas em dólares. O Tesouro também empresta dinheiro ao BNDES à taxa de 6% ao ano, enquanto seus débitos, vinculados à taxa Selic, custam quase 12% ao ano. A diferença, obviamente, quem paga é o contribuinte.
  Revolta, pois, o esbanjamento de dinheiro público cotidianamente noticiado, praticado por um governo que não consegue pagar sequer os juros de sua dívida, que devoram 17% da carga tributária. Um pouco de austeridade no gasto público permitiria mitigar essa "chamada extra". Quando o contribuinte-eleitor se conscientizar de que é de seu bolso que sai cada centavo que o governo gasta, certamente será mais criterioso na hora de votar.

Autor(es): Clóvis Panzarini
O Estado de S. Paulo - 28/04/2011  www.estadao.com.br

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Guerra à inflação, mas sem derrubar o crescimento

Dilma diz que não sacrificará emprego e crescimento para combater inflação

Mas presidente diz em reunião do Conselhão que está atenta, dia e noite, às pressões inflacionárias, ""venham de onde vierem""

Dilma discursa no CDES
O governo não vai controlar a inflação à custa do desemprego e da redução drástica do crescimento. A meta foi exposta ontem, de maneira explícita, pela presidente Dilma Rousseff, aproveitando a sua primeira participação na reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), o "Conselhão".

Diante de empresários, sindicalistas, artistas e ativistas sociais, ela disse é "sempre melhor enfrentar os problemas do crescimento do que os problemas do desemprego, da falta de renda, da falta de investimento e da depressão econômica". Numa referência aos críticos preocupados com a possibilidade de o governo perder controle sobre os preços, Dilma disse que "está atenta dia e noite às pressões inflacionárias, venham de onde vierem".

Acrescentou que "compreende" o "calor da paixão" no debate econômico, mas prefere aguardar a eficácia de medidas já tomadas para manter a política de fazer "reduções seletivas" do crédito e do consumo e chegar a um "crescimento moderado".

Antes do pronunciamento da presidente, o ministro Guido Mantega (Fazenda) fez uma explanação detalhada sobre a visão do governo em relação ao momento econômico mundial e do País. Dois dos 26 slides exibidos - com planilhas que juntavam indicadores e propostas de política econômica - resumiram o que Dilma anunciaria em seguida.

O slide 17 da apresentação do ministro Mantega mostrou que a política do governo é "reduzir a expansão do crédito e moderar o crescimento da demanda sem matar a galinha dos ovos de ouro" - que é o crescimento. O slide 18 explicitou até uma divergência em relação ao governo Lula: o ajuste do governo Dilma, afirmou, "não é o (ajuste) tradicional". Além de alertar para o fato de que as reduções seletivas não atingirão o investimento, a planilha acrescentava: "Em 2011, continuam (os) estímulos ao investimento".

Mantega admitiu que, neste ano, não será possível repetir a "exuberância" do crescimento da oferta de emprego de 2010, quando foram criados mais de 2,5 milhões postos formais.

Herança

Dilma disse que tomará todas as medidas necessárias para garantir a preservação da "nova classe média", o que chamou de "maior e melhor herança" recebida da era Lula.

Ao defender o crescimento, ainda que "moderado", ela pregou inclusão social e o funcionamento dos canteiros das obras do PAC e do Minha Casa, Minha Vida - na prática, a execução do Orçamento mostra que, pelo menos por enquanto, o governo não está fazendo investimentos nesses programas.

Para a presidente, o País ainda tenta consolidar a recuperação da crise financeira de 2008 e sofreu choques internos recentes, como a alta dos preços de alimentos e do etanol. "Eu tenho compromisso em controlar a inflação. Sem controle, não há desenvolvimento sustentável", afirmou. "Eu cumpro meus compromissos. também tenho compromisso com o desenvolvimento econômico e social, pois é o que gera emprego e garante a inclusão."
Autor(es): Leonencio Nossa e Célia Frouf

COLABOROU TÂNIA MONTEIRO

O Estado de S. Paulo - 27/04/2011

terça-feira, 26 de abril de 2011

Mantega vê 'surto inflacionário' mundial e pede uso de todas armas

Para Mantega, crescimento da inflação no Brasil é menor que em outros países. 'Em questão de inflação, Brasil não está mal na foto mundial', disse.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, avaliou nesta terça-feira (26), durante reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), que o mundo está passando por um "surto inflacionário" e defendeu o uso de todas as armas, por parte da equipe econômica brasileira, para conter o crescimento da inflação no país.

"Temos um surto inflacionário mundial. Na China, a inflação subiu de 2,5% para 5,4% em 12 meses até março. No Reino Unido, a inflação (está) subindo forte e na Rússia (está) subindo também. Os Estados Unidos ainda não captaram a inflação do petróleo, mas a inflação já está subindo para mais de 4%", declarou ele, lembrando que, no Brasil, a inflação oficial, medida pelo IPCA, somou 6,3% em doze meses até março, contra 5,2% no mesmo período do ano passado.

Segundo ele, o crescimento da inflação no Brasil é menor do que em "vários outros países". "Em questão de inflação, o Brasil não está mal na foto mundial. Estamos conseguindo conter mais do que outros países", disse Mantega, que defendeu o uso de "todas as armas" contra a inflação, seja de política monetária (aumento de compulsório e da taxa de juros) ou fiscais (conteção de gastos públicos).

Na avaliação do ministro da Fazenda, o crescimento da inflação no mundo está relacionado com a subida dos preços das "commodities" (produtos com cotação internacional, como alimentos, minério de ferro e petróleo). "A razão é, em primeiro lugar, um choque de oferta. Algumas 'commodities' faltaram durante algum período, por fatores climáticos, e aumento do consumo em países em desenvolvimento", declarou.

Acrescentou que a crise no Oriente Médio também causa inflação por conta da subida do preço internacional do petróleo. Além disso, disse Mantega, a especulação financeira também contribui para a inflação, uma vez que os investidores estão aplicando recursos no mercado futuro de "commodities" - elevando os preços dos alimentos, petróleo e minério de ferro, por exemplo.

"Queremos moderar o crédito sem matar a galinha dos ovos de ouro, que é mercado interno brasileiro. É uma vantagem grande que conquistamos no Brasil. Países avançados padecem de não ter mercado interno, e não têm para quem vender os produtos. Não se trata de matar o mercado interno, que vai continuar crescendo", concluiu ele.

Alexandro Martello Do G1, em Brasília

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Artigo:

A nova política monetária


Demian Fiocca
Neste início de 2011, o Banco Central (BC) deparou-se com um desafio complexo e sofisticou a política monetária. Além de operar a taxa de juros, incluiu controles quantitativos, que influenciam mais diretamente a expansão do crédito: os instrumentos "macroprudenciais".

Foi uma decisão correta, alinhada ao estado da arte internacional. Deve contribuir para melhorar o conjunto de resultados da economia.

A forte alta nos preços internacionais de matérias-primas, alimentos e energia deslocou a inflação brasileira em 2,5% nos últimos meses, afastando-a do centro da meta. Além disso, a desejável redução do desemprego e a elevação do nível de renda colocou pressão sobre o custo dos serviços.

Coloca-se então o desafio de reduzir a inflação, o que recomenda a elevação dos juros. Mas os juros altos contribuem para a valorização excessiva do real. E isso ameaça produzir o enfraquecimento do tecido industrial brasileiro, o que não é desejável.

Para manter juros altos, mas moderar a valorização da taxa de câmbio, o BC compra dólares. Nos últimos anos, o acúmulo de reservas foi um dos grandes acertos da política econômica e esteve na base da excepcional resistência do Brasil à crise. Só que, quanto mais altos os juros, mais custam as reservas.

Além disso, por diversas razões, mesmo taxas de juros muito altas mostraram ter, no Brasil, uma menor eficácia na moderação do crédito do que na maioria dos países.

A solução para esse contexto complexo foi combinar a elevação de juros com medidas que atuem mais diretamente sobre o crédito. Estas contribuem para a segurança do sistema financeiro, a moderação da atividade econômica e a queda da inflação. E têm a vantagem de que não reforçam os efeitos indesejáveis dos juros altos sobre a taxa de câmbio e as contas públicas.

Entre os principais bancos centrais e lideranças econômicas no mundo, a crise de 2008/2009 mostrou os riscos de focar a política monetária apenas na gestão dos juros. Ganhou importância a busca de regulação que influencie mais diretamente a segurança das instituições financeiras e a expansão do crédito.

É um debate que renasce. No imediato pós-guerra, sob influência dos valores sociais-democratas e do prestígio do keynesianismo, havia forte consenso no Banco da Inglaterra (e na maior parte do mundo) em favor de taxas de juros baixas.

Mas, em 1951, com a vitória dos Conservadores sobre os Trabalhistas, altera-se o mix de política econômica: os "Tories" queriam gastar mais e compensar a expansão fiscal pagando juros mais altos.

Em 1955, porém, a inflação começa a subir e os juros mais altos não conseguem conter a expansão do crédito e a alta de preços.

Cria-se então uma comissão parlamentar, liderada por Sir Radcliffe*, para averiguar, junto aos maiores economistas ingleses e aos tomadores de decisão no setor financeiro, como, afinal, as taxas de juros operavam sobre a economia e se sua eficácia era ou não satisfatória.

Após um ano e meio de averiguações e mais de 100 autoridades, executivos e economistas ouvidos, o relatório final atesta que "não teve grande sucesso" em encontrar "evidências convincentes" do "efeito de incentivo-juros" sobre as decisões de gasto privado. Ou seja: reconheceu-se que a eficácia das taxas de juros é limitada.

Alan Greenspan
Nos EUA, em 1996, o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Alan Greenspan, fez seu famoso alerta contra a "exuberância irracional" dos mercados. Chamava a atenção para os preços inflados das ações, especialmente de internet, anos antes do estouro da bolha, em 2000-2001.

Greenspan inovou ao manter juros moderados, mesmo com a queda do desemprego a níveis antes considerados inflacionários, pois percebeu que a produtividade estava crescendo rapidamente. Seu diagnóstico estava certo e a inflação não subiu. Contribuiu assim para um dos períodos mais prósperos da economia americana das últimas décadas.

Mas as crises de 2000-2001 e de 2008-2009 mostraram que a expansão excessiva do crédito deu suporte à euforia e às bolhas. As crises que as sucederam fragilizaram o sistema financeiro e atingiram a economia real.

Daí surge o debate: uns criticam os juros moderados do Fed, pois fertilizariam a criação de bolhas e crises. Outros criticam a ideia de subir juros para conter a especulação, pois sacrificaria a economia desnecessariamente.

As discussões internacionais sobre novas exigências de capital e o fortalecimento da regulação estão no contexto de reação à crise. Mas as medidas "macroprudenciais" que daí emergem tratam também essa tensão entre objetivos da política monetária. Um BC pode, sim, manter juros moderados, visando a sustentar o crescimento com inflação controlada. Mas deve, simultaneamente, conter os excessos de risco e de crédito usando novos instrumentos.

O prêmio Nobel Michael Spence e Olivier Blanchard, economista-chefe do FMI e uma das principais referências do pensamento macroeconômico contemporâneo, apontaram recentemente que as políticas monetárias tenderão a incluir vários instrumentos como juros, regulação prudencial e intervenções no câmbio. Foi em um seminário do FMI, agora em março último.

No Brasil de 2011, não se trata de conter uma expansão de crédito especulativa. O desafio é mais "macro" do que "prudencial": moderar o crescimento para reduzir a inflação.

Mas a inteligência de introduzir novos instrumentos à política monetária, quando o uso exclusivo de juros mostra-se insatisfatório ou excessivamente custoso, está alinhada aos desafios discutidos entre os melhores e mais maduros bancos centrais do mundo. Encontra respaldo, não só na boa técnica e no espírito público, como em algumas das mentes mais brilhantes da macroeconomia internacional.

* The Radcliffe Report, de Nicholas Kaldor.

Demian Fiocca é economista e autor de A Oferta de Moeda na Macroeconomia Keynesiana (Ed. Paz e Terra, 2000). Foi presidente do BNDES e da Nossa Caixa. É sócio-diretor da Mare Investimentos.

Autor(es): Demian Fiocca
Valor Econômico - 25/04/2011

quarta-feira, 20 de abril de 2011

ARRECADAÇÃO AMPLIA SUPERÁVIT FISCAL


SUPERÁVIT FISCAL DO 1º TRI FICA PERTO DE R$ 40 BI

O superávit primário do setor público, incluindo as contas da União, Estados e municípios, atingiu R$ 12 bilhões em março, segundo uma fonte qualificada da área econômica. Com esse resultado, o primeiro trimestre terminou com um superávit que se aproxima de R$ 40 bilhões, o equivalente a um terço da meta prevista para todo este ano, de R$ 117,89 bilhões.

O superávit primário consolidado do setor público (União, Estados e municípios) superou a cifra de R$ 12 bilhões em março, segundo informou uma fonte qualificada da área econômica. Isso significa que no acumulado do primeiro trimestre, o superávit vai se situar entre R$ 38 bilhões e R$ 40 bilhões, o equivalente a um terço da meta prevista para todo este ano, de R$ 117,89 bilhões. Os dados oficiais sobre o resultado fiscal do mês passado serão divulgados pelo Banco Central na próxima semana.

O resultado obtido de janeiro a março na área fiscal foi mais do que o dobro do registrado em igual período de 2010, quando o superávit primário acumulado foi de R$ 16,8 bilhões. Em toda a série história do Banco Central, a performance do primeiro trimestre deste ano só é menor do que o resultado de igual período de 2008, quando o saldo primário atingiu R$ 42,9 bilhões.

Na avaliação do governo, o desempenho da política fiscal, agora, já estaria retornando ao padrão anterior à crise financeira internacional. Com esses dados, a área econômica do governo avalia que as dúvidas do mercado sobre a possibilidade de obtenção da chamada "meta cheia" para o superávit primário este ano serão dissipadas. A "meta cheia" é obtida sem o desconto dos investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), no montante de até R$ 32 bilhões, permitido pela Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).

Foi justamente neste mesmo período do ano passado - quando o resultado primário do primeiro trimestre foi de apenas R$ 16,8 bilhões e os gastos do Tesouro cresciam a uma taxa próxima de 20% - que o mercado começou a duvidar da obtenção da "meta cheia" em 2010. A meta era de 3,1% do Produto Interno Bruto (PIB) e quase chegou a ser alcançada, mas com o uso de uma "contabilidade criativa", representada pela venda de 5 bilhões de barris do pré-sal para a Petrobras, que produziu uma receita líquida (descontada a despesa com a capitalização da Petrobras) para o Tesouro Nacional de R$ 31,9 bilhões.

O resultado deste ano até março deve-se mais ao aumento da arrecadação tributária do que ao corte de gastos. A receita continua batendo recorde todo mês, tendo registrado elevação nominal de 18,8% de janeiro a março deste ano em relação a igual período do ano passado e de 12% em termos reais, de acordo com dados divulgados ontem pela Receita Federal do Brasil (RFB).

Os técnicos oficiais chamam atenção, porém, para o fato de que o corte de R$ 50 bilhões no orçamento deste ano, definido pela presidente Dilma Rousseff, está tendo um importante papel ao ajudar a conter a expansão das despesas. Após o ajuste, a expectativa do governo é que os gastos de custeio da máquina pública aumentem em ritmo inferior ou igual ao crescimento do PIB, o que não aconteceu no passado. Em 2010, os gastos cresceram acima do PIB. Com isso, o governo abriria espaço para continuar elevando os investimentos.

Autor(es): Ribamar Oliveira

Valor Econômico - 20/04/2011 http://www.valoronline.com.br/

terça-feira, 19 de abril de 2011

DESPESAS COM JUROS ATINGEM 5,6% DO PIB E VÃO A R$ 230 BI

VALOR GASTO COM JUROS PAGARIA 15 PROGRAMAS COMO O BOLSA FAMÍLIA
Os gastos com juros do setor público no primeiro ano do governo Dilma Rousseff podem custar R$ 35 bilhões a mais do que na comparação com 2010, o equivalente a 70% do corte de despesas de R$ 50 bilhões proposto pela equipe econômica para 2011. As despesas podem se aproximar de R$ 230 bilhões, ou 5,6% do PIB, um salto razoável em relação aos R$ 195 bilhões do ano passado, ou 5,3% do PIB. Neste ano, o aumento da Selic e a inflação em alta contribuem para elevar os gastos financeiros do setor público. O custo efetivo da dívida também tem subido pela acumulação de reservas e pelas operações de capitalização do BNDES.

A alta da taxa Selic, que corrige 35% da divida interna em títulos do Tesouro, ajuda a elevar os gastos em 2011, diz o economista Maurício Oreng, do Itaú Unibanco. Em 2011, os juros básicos já subiram 1 ponto percentual, devendo aumentar mais 0,5 ponto na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de amanhã, para 12,25% ao ano, segundo a maior parte dos analistas.



Os gastos com juros do setor público devem atingir cerca de R$ 230 bilhões neste ano, o equivalente a 5,6% do Produto Interno Bruto (PIB), quase 15 vezes os R$ 15,5 bilhões que o governo federal deve destinar ao Bolsa Família em 2011. É um aumento considerável em relação aos R$ 195 bilhões de 2010, ou 5,3% do PIB. Neste ano, ciclo de aumento da taxa Selic e a inflação em alta contribuem para elevar os gastos financeiros do setor público.
O custo efetivo do endividamento líquido do setor público - que inclui, além da União, Estados, municípios e estatais, com exceção da Petrobras e da Eletrobrás - também tem sido puxado para cima pela forte acumulação de reservas internacionais e pelas operações de capitalização do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) pelo Tesouro.
Para comparar com outra despesa pública importante, os R$ 230 bilhões de juros equivalem a pouco menos de seis vezes os R$ 40,1 bilhões de gastos que foram autorizados para o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

No começo do ano, os gastos com juros superaram pela primeira vez os R$ 200 bilhões no acumulado em 12 meses, somando R$ 205 bilhões em fevereiro, nessa base de comparação.

A alta da taxa Selic, que corrige 35% da dívida interna em títulos do Tesouro, ajuda a elevar esse custo em 2011, diz o economista Maurício Oreng, do Itaú Unibanco. Em 2011, os juros básicos já subiram 1 ponto percentual, devendo aumentar mais 0,5 ponto na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de amanhã, para 12,25% ao ano, segundo a maior parte dos analistas. Há também as operações compromissadas, pelas quais o Banco Central vende papéis ao mercado e os recompra depois de um determinado prazo, cujo custo é ligado à Selic. No fim de fevereiro, o saldo dessas operações era de R$ 360 bilhões.

Além dos juros em alta, a inflação ascendente também aumenta os gastos financeiros do setor público, lembra o economista Marcos Fantinatti, da MCM Consultores. Da dívida em títulos do governo federal, 30% são indexadas a índices de preços. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que fechou 2010 em 5,9%, já acumula alta de 6,3% nos 12 meses até fevereiro. Nessa base de comparação, deve superar os 7% no começo do terceiro trimestre. "A elevação do juro implícito [o custo efetivo da dívida] do ano passado para 2011 será mais explicado por Selic e inflação em alta", afirma Fantinatti.
Ele projeta despesas com juros de R$ 236 bilhões neste ano, ou 5,8% do PIB. Há quem espere gastos mais modestos, mais próximos de 5% do PIB (cerca de R$ 205 bilhões) e quem veja despesas na casa de 6% do PIB R$ 246 bilhões). Se ficarem neste ano acima de 5,3% do PIB, o nível registrado em 2010, será a primeira vez desde 2005 que as despesas com juros vão subir nessa base de comparação.

O economista Felipe Salto, da Tendências Consultoria, projeta elevação dessas despesas neste ano, para 5,6% do PIB, chamando atenção para os custos salgados da acumulação de reservas.

O Brasil gasta tanto com juros porque tem uma dívida líquida ainda elevada, embora sua trajetória seja cadente e não haja risco de insolvência do setor público. Em fevereiro, por exemplo, ela estava em 39,9% do PIB, patamar maior que o de outros emergentes, como os cerca de 16% do PIB da China, 22% do PIB da Tailândia ou 34% do PIB do México, segundo números da agência de classificação de risco Standard & Poor"s (S&P) para 2010. Sobre essa dívida, incide um juro bastante elevado, como lembra Oreng.

Nos últimos meses, o custo efetivo sobre a dívida líquida, dado pela chamada taxa implícita, subiu consideravelmente. No acumulado em 12 meses, passou de 14,4% em setembro do ano passado para 15,5% ao ano em fevereiro de 2011. É um patamar bem superior ao da taxa Selic, hoje em 11,75%.

O processo de forte acumulação de reservas internacionais, hoje acima de US$ 300 bilhões, e a maciça injeção de dinheiro do Tesouro no BNDES são dois dos principais motivos para o fenômeno de descolamento da taxa implícita e da Selic, diz o economista José Roberto Afonso, consultor técnico do Senado.

O aumento das reservas e a capitalização do BNDES elevaram o descompasso entre as taxas que corrigem os créditos e os débitos públicos, nota Afonso. Um ponto importante é que os gastos com juros são o saldo líquido entre o que o setor público gasta e o que recebe de juros.
No caso das capitalizações do BNDES, o Tesouro fica com crédito atrelados à Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), em 6% ao ano, enquanto seus débitos são vinculados à Selic.
Os créditos do governo federal junto ao BNDES, que eram de R$ 35 bilhões no fim de 2008, totalizavam R$ 236,7 bilhões em fevereiro deste ano.

A acumulação de reservas também tem custos elevados. Ao comprar dólares, o BC injeta reais na economia, que são retirados de circulação por meio das operações compromissadas. As reservas são aplicadas no exterior, a taxas baixíssimas, enquanto o custo para o setor público está ligado ao juro básico.
Autor(es): Sergio Lamucci | De São Paulo
Valor Econômico - 19/04/2011 www.valoronline.com.br

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Exportações superam importações em US$ 1 bilhão em abril

Na semana passada, saldo positivo somou US$ 251 milhões, diz governo. Importações sobem na última semana e atingem 2ª maior média do ano.

Na comparação com abril do ano passado, exportações cresceram 30,4%

A balança comercial brasileira registrou superávit (exportações menos importações) de US$ 251 milhões na terceira semana de abril, entre os dias 11 e 17, e apresentou um saldo comercial positivo de US$ 1,06 bilhão no acumulado deste mês, informou nesta segunda-feira (18) o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

Na semana passada, as exportações somaram US$ 4,76 bilhões, com média de US$ 953 milhões po dia útil, enquanto as compras do exterior somaram US$ 4,51 bilhões, ou US$ 903 milhões de média diária - as segundas mais altas de todo este ano.

Já na parcial de abril, até o dia 17, as vendas externas somaram US$ 10,87 bilhões, com média de US$ 988 milhões por dia útil. Ao mesmo tempo, as importações totalizaram US$ 9,81 bilhões no acumulado deste mês, ou US$ 891 milhões de média diária.

De acordo com o governo, as exportações subiram mais do que as compras do exterior no início deste mês. Na comparação com abril do ano passado, as exportações cresceram 30,4%, enquanto que as compras do exterior avançaram 28,5%.

Acumulado do ano

No acumulado deste ano, até 17 de abril, a balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 4,22 bilhões, informou o Ministério do Desenvolvimento. Isso representa um crescimento de 170% frente ao mesmo período de 2010, quando o saldo positivo somou US$ 1,56 bilhão.

O aumento do saldo comercial neste ano está relacionado, entre outros fatores, com a elevação dos preços das chamadas "commodities" (produtos básicos com cotação internacional, como alimentos, petróleo e minério de ferro, entre outros) no mercado externo.

De acordo com números do governo, as vendas externas somaram US$ 62,1 bilhões no acumulado deste ano, com crescimento de 29,7% sobre o mesmo período de 2010. Ao mesmo tempo, as importações totalizaram US$ 57,87 bilhões, com elevação de 25%.

Ano de 2010 e previsões

No ano passado, com o forte crescimento das importações, fruto do elevado ritmo de crescimento da economia brasileira (acima de 7,5%) e do dólar baixo - fator que encarece as vendas externas e tornam as compras do exterior mais baratas - o saldo comercial ficou positivo em US$ 20,27 bilhões, o valor mais baixo em oito anos.

Os economistas de instituições financeiras acreditam que, mesmo com um crescimento menor da economia (cerca de 4%), mas ainda com um dólar desvalorizado em meio à chamada "guerra cambial", que é o esforço de alguns países para desvalorizarem suas moedas e fornecer melhores condições de competitividade para suas empresas, a balança comercial brasileira deve sofrer nova queda de seu saldo positivo em 2011.

A previsão do mercado financeiro é de que o saldo comercial positivo recue novamente, agora para US$ 17,2 bilhões neste ano. Na última sexta-feira, a Confederação Nacional da Indústria (CNI), entidade de representação do empresariado nacional, subiu sua previsão para o saldo positivo da balança comercial neste ano para US$ 20 bilhões.

Alexandro Martello Do G1 http://g1.globo.com/economia
Inadimplência com cheques sobe pelo 3º mês seguido, aponta Serasa

Em março, foram devolvidos 2,13% de cheques no país.
1º trimestre, contudo, registrou o menor índice para o período em 6 anos.

A inadimplência com cheques no Brasil subiu pelo terceiro mês seguido neste ano em março, de acordo com pesquisa divulgada nesta segunda-feira (18) pela Serasa Experian. Em março, foram devolvidos 2,13% de cheques. Em fevereiro, o percentual de devoluções havia sido de 1,83%, e em janeiro, de 1,70%.

Apesar dos avanços mensais verificados, no acumulado, contudo, o primeiro trimestre de 2011 registrou o menor número de cheques devolvidos para o período nos últimos seis anos, aponta a Serasa. De janeiro a março, houve 1,89% de devoluções de cheques. Em 2005, em igual período, o percentual havia sido de 1,74%.

Roraima lidera inadimplência

De janeiro a março, Roraima foi o estado com o maior percentual de cheques devolvidos, com índice de 10,88%. São Paulo foi o estado com menor percentual, com 1,45%.

Entre as regiões, a Norte foi a que registrou maior devolução de cheques nos três primeiros meses de 2011, com 4,03%. Na outra ponta do ranking está a Sudeste, com 1,55%, diz a empresa.

Segundo os economistas da Serasa Experian, a inadimplência com cheques cresceu em março em razão da sazonalidade e dos eventos econômicos. “O terceiro mês do ano é caracterizado por fortes pressões sobre o orçamento familiar, provocadas por despesas como pagamento de parcelas do IPVA, do material escolar e os gastos com férias e carnaval”, diz a empresa, em nota.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Inflação assusta e BC abre diálogo com Ministérios

Inflação dos alimentos coloca BC em estado de alerta

 A persistência da inflação dos alimentos colocou o Banco Central em alerta e o levou a criar um grupo especial para monitorar de perto a variação dos preços das commodities e dos alimentos básicos. O Valor apurou que o presidente do BC, Alexandre Tombini, mobilizou, na quinta-feira passada, um grupo de especialistas do governo para aprofundar o debate e avaliar as tendências da inflação dos alimentos. Ele já recebeu no BC o ministro da Agricultura, Wagner Rossi, e sua equipe para discutir o tema. E mantém conversas com técnicos da Fazenda e do Desenvolvimento Agrário.

Na reunião no BC, a primeira de uma série programada, a avaliação geral indicou uma "forte pressão de demanda" sem a devida resposta na elevação da oferta de alimentos. Houve consenso de que os preços devem ceder em maio, mas tendem a voltar a subir bastante no segundo semestre. O que mais assustou o BC foi a constatação de que há uma alta disseminada nos alimentos, com vários produtos subindo ao mesmo tempo. Estão no radar do BC o monitoramento de commodities como soja, milho, café e algodão, além de produtos básicos como arroz, feijão e hortigranjeiros. O "sinal vermelho" acendeu, segundo as avaliações, porque os preços já estão em alta desde 2010 e a expectativa de que recuariam em fevereiro não se confirmou.

O mundo está consumindo cada vez mais alimentos e, por isso, os preços das commodities mudaram de padrão e não devem mais voltar aos níveis anteriores, concluiu-se na reunião.

A piora das expectativas de inflação leva o mercado a prever que o Banco Central fará novo aumento da taxa básica de juros na próxima semana. De 31 instituições consultadas pelo Valor, oito acreditam que o Comitê de Política Monetária (Copom) elevará a Selic em apenas 0,25 ponto percentual - estão nesse grupo as maiores instituições financeiras do país. Outras 23 acreditam que haverá uma repetição da dose mais forte de março, com aumento de 0,50 ponto na taxa.

Essa divisão de opiniões, que reflete a dúvida sobre a atual política monetária do BC, está estampada também na curva de juros futuros. No fechamento do pregão de ontem da BM&F, os contratos mostravam 30% de probabilidade de alta da Selic em 0,25 ponto e 70% de 0,50 ponto.

A persistência da inflação dos alimentos colocou o Banco Central em alerta. O cenário de pressão de demanda, estoques mundiais reduzidos e incertezas no mercado internacional levaram a instituição a criar um grupo especial para monitorar de perto a variação dos preços das commodities e dos alimentos básicos.

O presidente do BC, Alexandre Tombini, mobilizou, na quinta-feira passada, um grupo de especialistas do governo para aprofundar o debate e avaliar as tendências da inflação dos alimentos, apurou o Valor. Na sede do BC, ele recebeu o ministro Wagner Rossi e sua equipe para discutir os fundamentos desse fenômeno. E vem mantendo conversas com técnicos dos ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento Agrário, responsável pela agricultura familiar.

Na reunião, que durou uma hora e meia, avaliou-se que há uma "forte pressão de demanda" sem a devida resposta imediata da elevação da oferta de alimentos. Os preços devem ceder em maio, segundo o consenso dos participantes do encontro no BC. Mas tendem a voltar com força no segundo semestre do ano, a partir de agosto ou setembro.

O que mais assustou o BC - responsável pelo cumprimento da meta de inflação - foi a constatação de que há alta disseminada dos preços dos alimentos. Vários produtos agropecuários subiram ao mesmo tempo, com impacto substancial no índice de inflação, já que 22% do IPCA é composto por esse grupo. Estão no radar do BC o monitoramento de commodities, como soja, milho, café e algodão, além de produtos básicos, como arroz, feijão e hortigranjeiros.

No encontro, primeiro de uma série programada, o grupo avaliou que a demanda segue em alta, a oferta bateu no "teto" e um equilíbrio entre ambos deve demorar. Além disso, os estoques são reduzidos em todo o mundo. Por isso, o recuo dos preços no médio prazo não será substancial. As cotações devem ceder, mas voltarão a subir em seguida. O "sinal vermelho" acendeu, segundo as avaliações, porque os preços estão em alta desde 2010 e a esperança de que recuariam em fevereiro não se materializou.

Produtos como milho, café, soja e algodão estão com preços acima da média histórica. O trigo subiu menos, mas ainda assim encareceu bastante, e a produção interna será insuficiente neste inverno. No caso do arroz, mesmo com as cotações em baixa, há tendência de carestia no segundo semestre. O feijão continua muito instável, volátil, dependendo do impacto das chuvas nas lavouras. Em 2010, ficou caro, porque as chuvas atrapalharam o fluxo das três safras.

Os hortigranjeiros também sofreram com as chuvas. As principais regiões produtoras tiveram perdas sensíveis. Curitiba, São Paulo, Belo Horizonte, região serrana do Rio e Santa Catarina tiveram precipitações bem acima da média, o que reduziu a oferta e encareceu a produção.
No etanol, cuja cotação disparou nas usinas e ao consumidor, há uma tendência de recuo imediato. Mas o problema voltará a aparecer quando vier a entressafra, em novembro ou dezembro.

Os preços internacionais estão em picos históricos, embalados pela demanda, enquanto a oferta não acompanhou. A situação é considerada delicada em razão de várias incertezas no mercado externo, como, por exemplo, o tamanho e a destinação da safra de milho nos EUA. Os americanos devem despejar a safra na produção de etanol. Além disso, a China passou a ser grande importador de milho e o Brasil é dos poucos que podem atender à demanda. A pressão sobre as cotações do grão impacta os preços das carnes, sobretudo de frango e suínos, alimentados com a ração de milho.

Outra incerteza é a alteração no fluxo de investimentos dos "hedge funds", que têm aumentado as aplicações em commodities. Há uma "irrigação especulativa" que aumenta preços. A guerra na Líbia pressiona as cotações do petróleo. Não menos importante é o desastre nuclear no Japão, que contaminou águas e lavouras. Isso pode elevar a demanda externa por arroz, ameaçando a importação da Argentino ou do Uruguai a preços baixos.

O mundo está consumindo cada vez mais alimentos e, por isso, os preços das commodities mudaram de padrão, concluiu-se na reunião do BC, e não devem mais voltar aos níveis anteriores. Assim como a produção brasileira de grãos, fibras e cereais deve permanecer acima das 150 milhões de toneladas. Uma solução seria um "choque de crédito" para incentivar mais a produção interna.

A venda dos estoques públicos e desonerações da importação de milho e trigo também seriam alternativas. Além disso, pode-se formar estoques públicos em regiões mais consumidoras, como o Nordeste, e baratear capital de giro para estocagem privada e industrialização da produção via cooperativas da agricultura familiar.

Autor(es): Mauro Zanatta

De Brasília
Valor Econômico - 14/04/2011 http://www.valoronline.com.br/
Câmbio só vai mudar se juro baixar, avalia Dilma

A presidente Dilma Rousseff está convencida que não há como evitar a valorização do real frente ao dólar enquanto não houver condições de reduzir os juros internos, que atraem capitais estrangeiros em busca de ganhos de arbitragem, contribuindo para a apreciação da moeda nacional.

Segundo disse o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, ao Valor, "a presidenta Dilma acha que enquanto não conseguir botar o juro para baixo não adianta tentar mexer no câmbio". Pimentel é um dos auxiliares mais próximos da presidente, a quem acompanha em viagem à China. Dilma já havia dito, terça-feira, que espera trazer a taxa de juros a patamares equivalentes ao padrão internacional durante seu mandato, nos próximos quatro anos.

A questão cambial está na raiz de uma divergência na área econômica do governo entre os que insistem em segurar a taxa de câmbio no patamar de R$ 1,65, e outro grupo, que se mostra hegemônico nas últimas semanas, que advoga uma atitude mais serena do governo, de deixar o dólar se desvalorizar mais ao sabor do mercado e aceitar a ajuda do câmbio na batalha contra a inflação.

No primeiro time estariam o presidente do BNDES, Luciano Coutinho - que fez um desabafo recente, num encontro com empresários, contra a apreciação do real - Pimentel e o ministro da Fazenda, Guido Mantega. O ministro da Casa Civil, Antônio Palocci, seria o principal defensor da segunda hipótese, junto com o presidente do BC, Alexandre Tombini, em conformidade com a posição de economistas da Casa das Garças, que debateram esse tema em reuniões nas últimas semanas.

Dilma atribuiu a apreciação preocupante do real frente ao dólar, moeda que vem enfraquecendo sistematicamente no mercado internacional, às taxas de juro brasileiras e à política de afrouxamento monetário dos países desenvolvidos. Ontem, o dólar encerrou o dia cotado a R$ 1,591. Em dezembro, valia R$ 1,666.

Ela admitiu ver dificuldades no controle do câmbio, com os movimentos especulativos provocados pela grande liquidez existente no mundo. "Não é uma situação que resolvamos por decreto", argumentou Dilma, assegurando que o governo está atento para adotar medidas para que o problema "não se torne maior do que já é".

"Vamos continuar perseguindo (a estabilização da taxa de cambio", mas sabemos que há toda uma série de mecanismos que leva a processos de bypass (burla dos controles) etc.", disse ela, no único pronunciamento feito à imprensa durante a visita à China.

Para o empresário Daniel Feffer, vice-presidente da Suzano Holding, os sinais emitidos por Dilma são encorajadores para o investimento. "Gostei de ouvir que, em quatro anos, a presidente quer atingir juros competitivos", disse. "Isso é coisa forte, importante, dá confiança ao empresariado", explicou. "Implica ação planejada que, se for feita conjuntamente, tem mais chance de dar certo."

Feffer reconhece que a atual taxa de câmbio "é um solavanco" para a competitividade da indústria. O modelo de economia escolhido pelo Brasil leva a esse resultado, diz. "Mas a presidente não é ingênua de dizer que pode baixar juros de pronto. Precisa de muita coisa, esperamos que consiga fazer."

Autor(es): Sergio Leo e Claudia Safatle

De Pequim e Brasília
Valor Econômico - 14/04/2011 http://www.valoronline.com.br/

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Dólar tem 2º dia seguido de alta, mas se mantém abaixo de R$ 1,60

Moeda terminou o dia vendida a R$ 1,593, com ganho de 0,76%.
Entre 29 de março e 8 de abril, a cotação acumulou perda de 5,3%.

O dólar voltou a fechar em alta nesta terça-feira (12), registrando ganho sobre o real pelo segundo dia seguido. A moeda norte-americana, no entanto, se manteve abaixo de R$ 1,60, e fechou vendida a R$ 1,593, com valorização de 0,76%. Foi a maior valorização diária desde 14 de janeiro, quando a cotação subiu 0,96%.

"O dólar havia caído muito ao longo dos últimos dias. Nada mais natural que 'respirar' um pouco", afirmou Alfredo Barbutti, economista-chefe da BGC Liquidez.

Investidores intensificaram a venda de dólares no final do mês passado, após avaliarem as medidas cambiais adotadas pelo governo como "modestas" no intuito de frear a valorização do real.

Entre 29 de março e 8 de abril, a cotação acumulou perda de 5,3%. No período, as autoridades elevaram a alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para empréstimos externos de até 360 dias, ampliando depois esse intervalo para até dois anos. Além disso, a agência de classificação de risco Fitch melhorou a avaliação de crédito do Brasil a 'BBB'.

Para Moacir Marcos Júnios, operador de câmbio da Interbolsa do Brasil, o dólar deve seguir em ajustes nos próximos dias, registrando altas modestas.

"Mas a economia brasileira está muito melhor que as desenvolvidas, e o investidor com certeza vai olhar para isso antes de se desfazer de reais com mais intensidade. Além disso, acredito que perto do final do mês aquele viés de queda do dólar deve voltar", comentou, referindo-se a ajustes de posições característicos do período.

Na quarta-feira, o mercado vai conhecer dados mais atualizados de fluxo cambial. Segundo os últimos números, divulgados na semana passada pelo Banco Central, a entrada líquida de capitais em 2011 já soma US$ 35,227 bilhões - acima dos US$ 24,354 bilhões registrados em todo o ano de 2010.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Inflação oficial fica em 0,79% em março, diz IBGE

Foi registrado leve recuo ante a taxa de fevereiro, de 0,80%.
Preços dos alimentos, que desaceleraram em fevereiro, voltaram a subir.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), índice oficial de inflação do país, ficou em 0,79% em março, leve recuo ante a taxa de fevereiro, de 0,80%, divulgou nesta quinta-feira (7) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatítica (IBGE).

“Os combustíveis, somando gasolina, etanol, GNV e diesel, foram responsáveis por 0,12 ponto percentual” , disse Eulina Nunes dos Santos, coordenadora da Coordenação de Índices de Preços do IBGE. De acordo com ela, somados, os combustíveis foram os responsáveis pelo maior percentual na composição do índice de março. O motivo é a alta do etanol, da gasolina e da pressão sobre os preços do petróleo, explicou.

A alta de 2,55% do etanol em fevereiro, passou para a de 10,78% em março, influenciando a variação do preço da gasolina, que foi de 0,50% para 1,97%. Juntos, os combustíveis totalizaram um aumento de 2,72% em março.

Com o resultado do IPCA de março, o acumulado em 2011 está em 2,44%, acima da taxa de 2,06% relativa a igual período de 2010. Nos últimos 12 meses, o índice está em 6,30%, acima do verificado nos 12 meses imediatamente anteriores, de 6,01%. Em março de 2010, o IPCA havia ficado em 0,52%.

"A taxa de março ficou praticamente igual a de fevereiro. Isso é uma diferença desprezível”, disse Eulina. “Os três primeiros meses do ano começam com taxa bem parecidas, levemente decrescentes.”

De acordo com Eulina, embora as taxas tenham sido parecidas, a formação dessas taxas foi bem distinta. As maiores diferenças de um mês para o outro se concentraram em alimentos e transportes, grupos que detêm a maior parte do orçamento das famílias, afirmou.

Alimentos voltam a subir

Os alimentos, que haviam iniciado o ano com alta de 1,16% em janeiro e reduzido para 0,23% em fevereiro, voltaram a subir de forma significativa, aumentando 0,75% em março.

O preço das carnes, contudo, continuou em queda (recuou de 2,81% em fevereiro para o de 1,42% em março), mas grande parte dos produtos alimentícios registraram aumento de preço de um mês para o outro. Exemplos são a batata inglesa (queda de 3,15% em fevereiro e alta de 12,40% em março), o ovo (alta de 0,66% em fevereiro para a de 5,08% em março), o feijão carioca (queda de 10,50% para alta de 1,71%), o açúcar cristal (alta de 0,96% para aumento de 1,48%), o leite pasteurizado (queda de 0,41% para alta de 0,73%) e da farinha de trigo (queda de 0,04% para elevação de 0,70%).

“Os hortifrutigranjeiros foram os principais responsáveis pela alta dos alimentos. Esses itens tiveram uma influência forte da chuvas no Rio, na Região Serrana. Em fevereiro esse preço recuou um pouco. E em março voltou a subir em decorrência das chuvas no Sudeste, no Sul e até um pouco no Nordeste”, disse a coordenadora.

O transporte, que também havia iniciado o ano com forte alta (1,55% em janeiro) e apresentou desacelerado em fevereiro (0,46%), voltou a subir 1,56% em março, a maior variação de grupo no mês, disse o IBGE. O destaque ficou com as passagens aéreas que, após a queda de 11,43% de fevereiro, tiveram aumento de 29,13% em março, influenciadas pelo carnaval e do reajuste médio de 6% na taxa de embarque, ocorrido no dia 14 de março. Outro destaque é a variação do preço dos combustíveis.

Juntos, alimentação e bebidas (0,75%) e transporte (1,56%) contribuíram com 0,47 ponto percentual para o resultado do mês (respectivamente 0,18 e 0,29 ponto percentual), explicando a maior parte (59%) do IPCA de março.

“Em geral, de fevereiro para março há uma queda no índice. Em fevereiro, são feitos os ajustes sazonais na escola, que influenciam o grupo educação, que sozinho, foi responsável pela metade da taxa em fevereiro”, disse Eulina. “Em março, os grupos alimentação e transportes, juntos, substituíram o grupo educação.”

INPC

Já o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acelerou em março e apresentou variação de 0,66%, acima do resultado de fevereiro, que foi de 0,54%.

O acumulado de 2011 está em 2,16%, abaixo da taxa de 2,31% relativa a igual período de 2010. Considerando os últimos 12 meses, o índice está em 6,31%, também abaixo dos 12 meses imediatamente anteriores, de 6,36%, disse o IBGE. Em março de 2010, o INPC havia ficado em 0,71%.

Os produtos alimentícios apresentaram variação de 0,72% em março, enquanto os não alimentícios aumentaram 0,63%. Em fevereiro, os resultados haviam sido de 0,00% e 0,78%, respectivamente.

Entre os índices regionais do INPC, o maior foi o de Fortaleza (1,45%), influenciado pelo grupo educação (5,55%), e o menor foi o de Salvador (0,27%) refletindo a queda de 0,02% dos combustíveis.