segunda-feira, 30 de maio de 2011

Mercado doméstico aquecido e câmbio "tiram" Brasil da exportação de lácteos

Preços domésticos mais remuneradores para o leite, baixa competitividade e câmbio valorizado praticamente tiraram o Brasil do mercado exportador de lácteos neste ano. No primeiro quadrimestre, o déficit da balança comercial do segmento alcançou US$ 179 milhões, quase o déficit total registrado em 2010, que ficou em US$ 190 milhões.

Conforme dados compilados pela Scot Consultoria com base nos números da Secex, o Brasil exportou apenas US$ 27,1 milhões em lácteos e importou US$ 207 milhões entre janeiro e abril deste ano. Em igual período de 2010, as exportações somaram US$ 56,2 milhões e as importações, US$ 88,6 milhões.

Mesmo com os preços em alta dos lácteos no mercado internacional, está sendo mais vantajoso para os laticínios venderem no mercado doméstico. E as cotações elevadas não são suficientes para inibir as importações, já que a desvalorização do dólar em relação ao real estimula as compras.

A mineira Itambé, uma das mais importantes exportadoras, estima que irá vender ao exterior este ano cerca de US$ 20 milhões, segundo Jacques Gontijo, presidente da central de cooperativas. A empresa chegou a exportar US$ 220 milhões em 2008, quando as vendas externas brasileiras foram beneficiadas por preços elevados e demanda aquecida.

"Em três a quatro anos, o Brasil não vai voltar a exportar", avalia Gontijo. Segundo ele, o preço do leite em pó no mercado doméstico hoje equivale a US$ 5 mil por tonelada (já descontado ICMS) enquanto o preço na exportação está na casa dos US$ 4 mil.

Rafael Ribeiro, analista da Scot, acredita que as importações podem aumentar mais no meio do ano. Laércio Barbosa, diretor comercial do Laticínios Jussara, diz que a importação de lácteos é uma "variável a ser monitorada", já que pode desestimular a produção se derrubar os preços.

A estimativa de Barbosa é de que o Brasil deverá ter um déficit de mais de US$ 300 milhões este ano na balança comercial de lácteos. Os preços firmes do leite no mercado doméstico são uma das razões para a competitividade menor.

Citando dados do Cepea/Esalq, o diretor da Jussara observa que o custo do leite em dólar hoje está em cerca de US$ 0,53 (R$ 0,85 por litro). Em outros países exportadores - como Nova Zelândia, Argentina e EUA - está em torno de US$ 0,35 a US$ 0,40 por litro, diz.

O último levantamento da Scot Consultoria mostra que os produtores receberam este mês, em média R$ 0,799 por litro de leite entregue em abril. O valor supera em 2,96% o mês anterior.

O mercado está firme, segundo Rafael Ribeiro, porque a falta de chuvas afeta pastagens e reduz a oferta de leite nas regiões Centro-Oeste e Sudeste.

Ainda que as importações estejam elevadas, a demanda aquecida também sustenta os preços do leite, segundo ele. "A alta dos preços não afetou o consumo", afirma o analista. A estimativa, segundo Barbosa, é que o consumo de leite longa vida tenha subido 3% no po primeiro trimestre deste ano.

Conforme o levantamento da Scot, o longa vida saiu de R$ 1,91 por litro, em média, no atacado em abril para R$ 1,93 este mês.

Autor(es): Alda do Amaral Rocha http://www.valoronline.com.br/

Valor Econômico - 30/05/2011

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Exportação do Brasil depende mais da China


Brasil depende mais da China

Aumentou a dependência brasileira da China na exportação de produtos básicos. Entre janeiro e abril, o país asiático comprou 29,14% do total de básicos vendidos pelo Brasil ao exterior, 26,3% mais do que no mesmo período do ano passado. No quadrimestre, os chineses compraram US$ 9,65 bilhões em produtos como minério de ferro, soja e petróleo, praticamente o mesmo valor das exportações desses produtos para os EUA e União Europeia juntos.

Para Rogério Cezar de Souza, economista-chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), o aumento da participação da China nos embarques brasileiros de básicos explica também o avanço dessa classe de produtos nas exportações totais do Brasil. "Não há problema nenhum em exportar básicos. O problema é só exportar básicos e para poucos destinos", diz Welber Barral, ex-secretário de comércio exterior.

Cresce a dependência do Brasil em relação à China na exportação de produtos básicos. No primeiro quadrimestre deste ano o país asiático comprou 29,14% do total de básicos vendidos pelo Brasil ao exterior. A fatia representa um avanço em relação aos 26,3% no mesmo período do ano passado.

A demanda por produtos como minério de ferro, soja e petróleo, combinada com a alta de preços desses itens, fez a China absorver US$ 9,65 bilhões em produtos básicos brasileiros no acumulado de janeiro a abril. A compra dos chineses praticamente empata com os US$ 9,68 bilhões em produtos básicos exportados no mesmo período aos Estados Unidos e a toda a União Europeia juntos.

Enquanto a participação da China aumentou em quase três pontos percentuais, a fatia americana na exportação brasileira de básicos caiu de 8,07% no primeiro quadrimestre do ano passado para 6,24% para o mesmo período deste ano. A participação das compras dos países da zona do euro caiu de 23,8% para 23%. Os dados são do Ministério do Desenvolvimento (MDIC).

Welber Barral, ex-secretário de comércio exterior e sócio da Barral M Jorge Consultores Associados, diz que a China, com sua forte demanda, aumentou a compra de produtos básicos e tornou-se a principal parceira de vários países fornecedores dessa classe de mercadorias. "O momento atual é de preços extremamente elevados e oferta relativamente reduzida. O Brasil está aproveitando isso", diz. "A médio prazo, porém, há sérios riscos."

Rogério Cezar de Souza, economista-chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), lembra que o aumento de participação da China nos embarques brasileiros de básicos tem sido uma das grandes causas para a ampliação da fatia dessa classe de produtos nas exportações totais do Brasil.

No ano de 2000, a China comprou US$ 739,8 milhões em básicos do Brasil. O valor era pouco representativo dentro dos US$ 12,6 bilhões em básicos embarcados pelos brasileiros. No ano passado, os chineses compraram US$ 25,8 bilhões em básicos, o que representou 28,6% do total exportado pelo Brasil nessa classe de produtos. Nesse período de dez anos, a fatia dos básicos nas exportações brasileiras saltou de 22,8% para 44,6%.

"Não há problema nenhum em exportar básicos. O problema é só exportar básicos e para poucos destinos", diz Barral. Para ele, dentro de dois ou três anos, o que considera "médio prazo", pode haver mudanças nos patamares de preços dos básicos e o Brasil pode sofrer impacto no resultado de sua balança comercial, cujo superávit hoje é sustentado pela exportação de básicos.

"O efeito do preço no avanço dos básicos e da participação da China foi muito maior do que o do volume, principalmente nos últimos meses", lembra Sílvio Campos Neto, economista da Tendências Consultoria.

O principal produto brasileiro exportado hoje - e também o principal comprado pela China - é o minério de ferro. No primeiro quadrimestre deste ano o Brasil exportou US$ 11,3 bilhões em minério de ferro, dos quais US$ 5,3 bilhões foram para a China. No mesmo período do ano passado a exportação brasileira do produto foi de US$ 5 bilhões, sendo 42% para os chineses.

A alta em termos de valor foi proporcionada principalmente por aumento de preço. Em abril, houve elevação de 129% na exportação de minério de ferro, na comparação com o mesmo mês do ano passado. No período o preço subiu 88% enquanto a quantidade, apenas 22%.

A soja em grão, outro produto fortemente exportado para a China, experimentou aumento de 42% no valor em abril, na comparação com o mesmo mês do ano passado. No período, o aumento de preço foi de 30% enquanto o de volume, 9%. Os dados são do MDIC.

Além do preço, a alta demanda da China explica a ampliação da fatia do país asiático na venda de básicos do Brasil no mercado internacional. Regiões como a União Europeia, também tradicional consumidora de básicos brasileiros, por outro lado, ainda estão com menor crescimento e têm perdido espaço, lembra Souza.

"Apesar de realmente existir uma demanda realmente forte da China, é bom lembrar que a alta de preços também tem um componente especulativo, resultado da alta liquidez no mercado internacional", diz o economista-chefe do Iedi. Um arrefecimento de preços, analisa, não muda a alta demanda chinesa, mas pode reduzir o saldo da balança comercial brasileira e até gerar déficit.

O economista da Tendências acredita que o aumento da dependência do mercado chinês não é ideal do ponto de vista estratégico. O ponto positivo, ressalta, é que o país tem aproveitado a oportunidade, o que tem propiciado a manutenção de uma moeda nacional mais forte. "Isso tem possibilitado as importações, necessárias para atender a demanda interna forte e para proporcionar o crescimento da economia."

Barral vê os efeitos benéficos atuais da exportação brasileira de básicos. Ele ressalta, porém, que o avanço da China pode fazer com que o país asiático use essa maior dependência como instrumento de negociação. "Isso aconteceu com a Argentina no ano passado com o óleo de soja", diz Barral. Ele se refere ao embargo de sete meses feito pela China em relação ao óleo de soja argentino, que tem no país asiático o principal comprador. "Os chineses pararam de comprar e a Argentina teve que negociar em uma condição desvantajosa." Para Barral, essa possibilidade hoje é mais distante em relação ao Brasil porque para alguns produtos importantes na pauta de exportação brasileira não há outros fornecedores que consigam suprir a demanda chinesa. "Mas isso pode mudar. Pode haver, por exemplo, aumento de produção agrícola de soja por terceiros países ou mesmo pela própria China, nos investimentos que tem sido feitos no continente africano, por exemplo."

Autor(es): Marta Watanabe

De São Paulo
Valor Econômico - 26/05/2011 http://www.valoronline.com.br/

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Brasileiro trabalha 149 dias no ano só para pagar tributos

A cada ano o brasileiro precisa trabalhar mais para pagar impostos e encher os cofres públicos. Neste ano, somente a partir do dia 30 é que o contribuinte vai receber seu salário para usufruto próprio. Até lá, serão 149 dias, ou quatro meses e 29 dias, de trabalho para o Fisco. Isso é o que aponta o estudo divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário.

No ano passado, foi necessário trabalhar 148 dias para quitar os tributos. Na década de 1970, porém, era preciso quase a metade do período: 76, ou dois meses e 16 dias. Essa diferença ocorre, explica o presidente do IBPT, João Elói Olenike, porque a tributação era muito menor naquela época. "Hoje, se por um lado os salários são maiores, por outro gasta-se muito mais para sobreviver, e isso ocorre devido à maior incidência de impostos, que deixam tudo mais caro", explica Olenike. "Além disso, de lá para cá foram criados dois tributos: Cofins e CPMF que, embora já extinta, ajudou a encher os cofres públicos."

A tributação incidente sobre os rendimentos (salários, honorários etc.) é formada principalmente pelo IRPF, pela contribuição previdenciária (INSS e previdências oficiais) e pelas contribuições sindicais.

Somado a isso, o contribuinte tem de arcar com a tributação sobre o consumo, já incluída no preço dos produtos e serviços (PIS, Cofins, ICMS, IPI e ISS), e também com os impostos que incidem sobre o patrimônio (IPTU, IPVA e ITBI). Paga, ainda, taxas de limpeza pública, coleta de lixo, emissão de documentos e contribui com a iluminação pública. "É um absurdo a quantidade de impostos que pagamos, como se não bastassem as alíquotas são elevadas", dispara. "Por isso temos de trabalhar tantos dias. Se você ganha algum dinheiro, lá vem o IR comer parte dele. Se adquire um patrimônio, tem que pagar IPVA ou IPTU. Sem contar a quantidade de impostos que pagamos e nem sabemos, pois eles estão embutidos nos preços dos produtos", completa Olenike. "As empresas também são sacrificadas porque gastam muito com a folha de pagamento."

PELO MUNDO - Em países vizinhos, como Argentina e Chile, o total de dias trabalhados no ano voltado ao pagamento de impostos é de 97 e 92 dias, respectivamente. A carga tributária brasileira é tão alta que a quantidade de dias trabalhados se equipara à necessária em nações desenvolvidas como Suécia e França, em que são precisos 185 e 149 dias.

Olenike aponta que a grande diferença está no fato de, nesses países, haver um bom retorno aos seus contribuintes. "Os cidadãos dessas localidades não precisam se preocupar em gastar com Saúde, Educação, previdência privada ou mesmo com o pagamento de pedágios nas estradas", exemplifica. "Aqui, por conta do descontrole nos gastos do governo, o retorno aos brasileiros é mínimo."

O IBPT elaborou simulação mostrando quantos dias trabalhados são necessários por faixa de renda. Quem mais sofre com os encargos do Fisco são aqueles que recebem salário entre R$ 3.000 e R$ 10 mil, que têm de trabalhar 158 dias por ano para pagar seus tributos. "Isso acontece porque não existe um limite de alíquotas, que penaliza quem ganha recursos neste intervalo. Por exemplo, quem ganha R$ 10 mil mensais paga os mesmos 27,5% sobre a renda do que quem recebe R$ 20 mil."


Soraia Abreu Pedrozo

terça-feira, 24 de maio de 2011

Controle de capital ou protecionismo

Hector Torres
O crescimento econômico dos países emergentes é mais que o dobro do verificado nas "economias avançadas" (7,3% versus 3%, em 2010, segundo estimativas do Fundo Monetário Internacional - FMI). Não é de surpreender que atraiam fluxos de capital e tenham índices de inflação maiores (6,2% versus 1,6%). A situação pode ser vista em grande parte da América Latina.

Em seu Panorama Econômico Mundial mais recente, o FMI recomenda o aperto monetário em mercados emergentes e a permanência da política monetária acomodatícia nas economias avançadas. Infelizmente, as duas sugestões podem alimentar o protecionismo, caso não sejam acompanhadas de controles de capitais eficientes.

A maioria dos países latino-americanos exibe fundamentos econômicos sólidos e parte de sua inflação reflete apenas o alto peso dos alimentos (bem maior do que nas economias avançadas) em seus cálculos do índice de preços ao consumidor. Desta vez, no entanto, a inflação não é acompanhada por desvalorização cambial. Bem ao contrário. Como consequência, elevar os juros nominais se traduziria em aumentos nos juros reais, o que ampliaria os diferenciais com as taxas de economias avançadas, atraindo, portanto, ainda mais capital de curto prazo.

Embora isso possa parecer algo bom para os investidores financeiros, faz pouco sentido elevar as taxas de juros para confrontar aumentos de preços dos alimentos (e do petróleo), que já desaceleram a economia reduzindo salários reais (e esfriando a produção). Deixemos essa discussão de lado e presumamos, para comprovar o argumento, que sejam necessárias elevações nas taxas de juros para combater uma "segunda rodada" de impactos sobre a estabilidade de preços. Ainda assim, o conselho é duvidoso.

Maior crescimento e fundamentos econômicos mais sólidos já atraem fluxos de capital a países como Brasil, Chile, Peru, Colômbia e Uruguai. O aumento na diferença das taxas de juros em relação às economias avançadas apenas incrementa sua atratividade e amplifica as expectativas de valorização cambial.

Isso, por si só, já representa um desafio à competitividade de indústrias e outros setores domésticos. A tudo isso, no entanto, ainda se soma a China, que vem tendo sucesso bem maior que os países da América Latina em conter a pressão de valorização do câmbio. Novos fluxos de capital de curto prazo, acompanhados de demandas por proteção dos setores produtivos domésticos, podem facilmente transformar "guerras cambiais" em "guerras comerciais" - risco que pode ser agravado se a Rodada de Doha acabar fracassando.

Além disso, a volatilidade intrínseca dos fluxos de capital de curto prazo é outro motivo para os mercados emergentes continuarem acumulando reservas internacionais, protegendo, portanto, suas economias de saídas repentinas de capital. O apetite por reservas adicionais é compreensível, mas também preocupante, porque exige superávits em conta corrente - um dos principais catalisadores da recente crise financeira. Em um momento no qual as economias avançadas precisam acabar com seus déficits fiscais, os superávits em conta corrente podem ter impacto deflacionário na economia mundial.

O acúmulo de reservas para defender a economia de saídas repentinas de capitais também pode sintetizar uma das lições mais inquietantes da crise. De fato, se tivéssemos de escolher apenas um motivo para explicar por que a crise não atingiu os mercados emergentes com mais impacto do que as economias avançadas (como teríamos previsto) é que os países em desenvolvimento tinham a maior parte de seus ativos em dólares e a maior parte de seu passivo em moedas domésticas.

Uma das principais lições da crise, portanto, é que acumular reservas protege uma economia de crises importadas e, dessa forma, permite aos governos adotar políticas anticíclicas. Isso é verdade, mas, em uma economia mundial integrada, também presume que o crescimento puxado por exportações ainda é uma opção.

Em um cenário de alta liquidez, no qual muitos países latino-americanos mostram um êxito bem menor que a China em defender-se de influxos de capital, aconselhá-los a elevar as taxas reais de juros apenas pode servir para atrair mais capital de curto prazo, agravando as pressões de valorização. Ninguém deveria ficar surpreso em ver tensões comerciais.

O que, então, deveria ser feito?

Em um mundo ideal, a criação de liquidez deveria ser regulada internacionalmente e a coerência das políticas de câmbio domésticas, assegurada. Isso, porém, está longe da realidade mundial hoje. Precisamos, portanto, desejar a segunda melhor solução.

Controles de capitais ("medidas prudenciais" e regulamentação) podem ajudar a restringir as pressões de valorização. Reconhecidamente, não são à prova d"água e, no fim das contas, podem acabar sendo driblados, mas são bem melhores do que poderia vir a seguir caso se mostrem ineficientes. Se os controles de capitais não funcionarem, os governos podem se sentir tentados a dar proteção a "suas" indústrias e outros setores domésticos, por meio da imposição de restrições comerciais.

O FMI recentemente reconheceu que controlar influxos de capitais pode ser apropriado em certas circunstâncias. Esse é o passo na direção certa, mas não é suficiente. O FMI também deveria estar ciente das possíveis consequências comerciais de seus conselhos de política monetária. Em vez de pedir aos países latino-americanos para combater a inflação dos alimentos (e petróleo) com a elevação das taxas de juros, deveria ajudá-los a adotar controles de capitais que sejam tanto eficientes como "suaves" em efeitos colaterais negativos.

Hector R. Torres é ex-diretor-executivo do Fundo Monetário Internacional (FMI) e atualmente trabalha na Organização Mundial do Comércio (OMC). Copyright: Project Syndicate, 2011.

Autor(es): Hector R. Torres

Valor Econômico - 24/05/2011

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Inflação preocupa

Apesar de ser uma fonte de inspiração e exemplo para os tigres asiáticos, a China atravessa um momento econômico delicado. As autoridades monetárias do país estão quebrando a cabeça para encontrar uma solução consistente para conter a inflação, que cresce em vários setores, mas principalmente nos produtos alimentícios. Para conter a disparada dos preços, que afeta em especial os mais pobres, o Banco Central da China tem feito, desde o fim do ano passado, constantes reajustes nas taxas de juros e no compulsório bancário. Porém ainda é incerto dizer se as medidas serão suficientes para interromper o avanço da carestia na segunda maior economia do planeta.

O grande receio dos investidores e do governo chinês é de que a disparada dos preços obrigue a adoção de regras mais rígidas, que possam sacrificar o crescimento do país, previsto para 9,3% em 2011, segundo projeção recente do Banco Mundial (Bird). Analistas acreditam que uma boa medida seria aumentar o valor da moeda chinesa, o iuan, hoje artificialmente desvalorizada em relação ao dólar e ao euro. “Se existem pressões inflacionárias, a valorização da taxa de câmbio pode ajudar”, disse o economista do Bird Louis Kuijs. A estratégia, segundo ele, ajudaria tanto na contenção dos preços quanto na redução das pressões provocadas pelo fluxo de capital.

O iuan é mantido fraco para elevar a competitividade dos produtos chineses no mercado internacional. A população dá sinais de insatisfação. Em abril, o índice de preços ao consumidor anualizado ficou em 5,3%, resultado pior do que o esperado. Com o custo de vida mais alto e menos comida na mesa, os chineses esboçam alguma reação, promovendo bloqueios de rodovias e protestos com alguma frequência. As autoridades tentam esconder essas manifestações da imprensa.

A nova geração

A exemplo do Japão, a China, que acaba de se tornar a segunda economia mundial, também criou sua própria geração de tigres. O novo grupo é formado por outras nações do Sudeste Asiático: Indonésia, Malásia, Filipinas e Tailândia. No caso desses tigres de segunda geração, também chamados de novíssimos tigres, a influência econômica da China é ainda mais explícita, inclusive com investimentos diretos. De toda forma, tanto para os que começaram a deslanchar com medidas adotadas nos anos 1960 quanto para os novos tigres, a Bacia do Pacífico se consolida como novo polo dinâmico da economia mundial.

Autor(es): Fábio Monteiro

Correio Braziliense - 23/05/2011
Inflação preocupa

Apesar de ser uma fonte de inspiração e exemplo para os tigres asiáticos, a China atravessa um momento econômico delicado. As autoridades monetárias do país estão quebrando a cabeça para encontrar uma solução consistente para conter a inflação, que cresce em vários setores, mas principalmente nos produtos alimentícios. Para conter a disparada dos preços, que afeta em especial os mais pobres, o Banco Central da China tem feito, desde o fim do ano passado, constantes reajustes nas taxas de juros e no compulsório bancário. Porém ainda é incerto dizer se as medidas serão suficientes para interromper o avanço da carestia na segunda maior economia do planeta.

O grande receio dos investidores e do governo chinês é de que a disparada dos preços obrigue a adoção de regras mais rígidas, que possam sacrificar o crescimento do país, previsto para 9,3% em 2011, segundo projeção recente do Banco Mundial (Bird). Analistas acreditam que uma boa medida seria aumentar o valor da moeda chinesa, o iuan, hoje artificialmente desvalorizada em relação ao dólar e ao euro. “Se existem pressões inflacionárias, a valorização da taxa de câmbio pode ajudar”, disse o economista do Bird Louis Kuijs. A estratégia, segundo ele, ajudaria tanto na contenção dos preços quanto na redução das pressões provocadas pelo fluxo de capital.

O iuan é mantido fraco para elevar a competitividade dos produtos chineses no mercado internacional. A população dá sinais de insatisfação. Em abril, o índice de preços ao consumidor anualizado ficou em 5,3%, resultado pior do que o esperado. Com o custo de vida mais alto e menos comida na mesa, os chineses esboçam alguma reação, promovendo bloqueios de rodovias e protestos com alguma frequência. As autoridades tentam esconder essas manifestações da imprensa.

A nova geração

A exemplo do Japão, a China, que acaba de se tornar a segunda economia mundial, também criou sua própria geração de tigres. O novo grupo é formado por outras nações do Sudeste Asiático: Indonésia, Malásia, Filipinas e Tailândia. No caso desses tigres de segunda geração, também chamados de novíssimos tigres, a influência econômica da China é ainda mais explícita, inclusive com investimentos diretos. De toda forma, tanto para os que começaram a deslanchar com medidas adotadas nos anos 1960 quanto para os novos tigres, a Bacia do Pacífico se consolida como novo polo dinâmico da economia mundial.

Autor(es): Fábio Monteiro

Correio Braziliense - 23/05/2011
Inflação preocupa


Apesar de ser uma fonte de inspiração e exemplo para os tigres asiáticos, a China atravessa um momento econômico delicado. As autoridades monetárias do país estão quebrando a cabeça para encontrar uma solução consistente para conter a inflação, que cresce em vários setores, mas principalmente nos produtos alimentícios. Para conter a disparada dos preços, que afeta em especial os mais pobres, o Banco Central da China tem feito, desde o fim do ano passado, constantes reajustes nas taxas de juros e no compulsório bancário. Porém ainda é incerto dizer se as medidas serão suficientes para interromper o avanço da carestia na segunda maior economia do planeta.

O grande receio dos investidores e do governo chinês é de que a disparada dos preços obrigue a adoção de regras mais rígidas, que possam sacrificar o crescimento do país, previsto para 9,3% em 2011, segundo projeção recente do Banco Mundial (Bird). Analistas acreditam que uma boa medida seria aumentar o valor da moeda chinesa, o iuan, hoje artificialmente desvalorizada em relação ao dólar e ao euro. “Se existem pressões inflacionárias, a valorização da taxa de câmbio pode ajudar”, disse o economista do Bird Louis Kuijs. A estratégia, segundo ele, ajudaria tanto na contenção dos preços quanto na redução das pressões provocadas pelo fluxo de capital.

O iuan é mantido fraco para elevar a competitividade dos produtos chineses no mercado internacional. A população dá sinais de insatisfação. Em abril, o índice de preços ao consumidor anualizado ficou em 5,3%, resultado pior do que o esperado. Com o custo de vida mais alto e menos comida na mesa, os chineses esboçam alguma reação, promovendo bloqueios de rodovias e protestos com alguma frequência. As autoridades tentam esconder essas manifestações da imprensa.

A nova geração

A exemplo do Japão, a China, que acaba de se tornar a segunda economia mundial, também criou sua própria geração de tigres. O novo grupo é formado por outras nações do Sudeste Asiático: Indonésia, Malásia, Filipinas e Tailândia. No caso desses tigres de segunda geração, também chamados de novíssimos tigres, a influência econômica da China é ainda mais explícita, inclusive com investimentos diretos. De toda forma, tanto para os que começaram a deslanchar com medidas adotadas nos anos 1960 quanto para os novos tigres, a Bacia do Pacífico se consolida como novo polo dinâmico da economia mundial.

Autor(es): Fábio Monteiro
Correio Braziliense - 23/05/2011

sexta-feira, 20 de maio de 2011

BC recolhe nota de roubo

O dinheiro marcado de vermelho deve ser rejeitado


Notas manchadas de vermelho, fruto de roubo de caixas eletrônicos
Órgão quer reduzir a circulação de cédulas manchadas de vermelho pelos dispositivos antifurto dos caixas eletrônicos. Consumidores e comerciantes devem trocar o dinheiro recebido

As instituições financeiras, para se protegerem dos roubos, acabaram criando um problema para o Banco Central. Em nota, o BC recomendou que, a partir de hoje, a população e o comércio não recebam notas manchadas de tinta vermelha. A iniciativa do BC busca combater a circulação de dinheiro furtado. Com o aumento expressivo de ataques a caixas eletrônicos, os bancos estão instalando dispositivos antifurto, que derramam tinta no momento da explosão. No entanto, mesmo marcadas, essas cédulas têm sido encontradas no varejo. Muitos estabelecimentos também as aceitam sem questionar.

Em resposta às dúvidas da população sobre o destino desse dinheiro, a autoridade monetária informou que toda cédula que contiver marcas, rabiscos, símbolos ou desenhos deve ser depositada ou trocada em estabelecimento bancário. O chefe do Departamento do Meio Circulante do BC, João Sidney de Figueiredo Filho, explicou que esse procedimento já era previsto na Lei nº 8.697, de 1993. Segundo ele, agora, os bancos devem recolher a cédula manchada e entregar um recibo ao cidadão. O dinheiro será encaminhado ao Banco Central que, após análise, poderá destruí-lo. Depois desse processo, se a nota for legítima, o consumidor será ressarcido por uma outra em condições de uso.

O objetivo é, além de diminuir os prejuízos financeiros, desestimular novos ataques, já que essas cédulas vão sair de circulação. De acordo com Figueiredo Filho, embora não seja papel do Banco Central normatizar as medidas de segurança tomadas pela rede bancária, diante dos problemas, a instituição vai regulamentar nos próximos dias os procedimentos que deverão ser adotados nos casos das notas que forem danificadas por sistemas antifurto, seja ele qual for. A norma do BC deverá abranger desde regras para a retenção e o recolhimento, passando pelo tempo para o ressarcimento ao cidadão desavisado, até o encaminhamento do dinheiro ao departamento do BC que controla e distribui as cédulas. “Nota danificada pelo sistema de segurança do mercado é algo novo. Vamos ter de tratar disso”, ressaltou.

Responsável pela rede de caixas eletrônicos 24 horas, a empresa TecBan explicou que as explosões de caixas no caso de tentativas de roubo se tornaram mais comuns desde maio do ano passado. A prática dos assaltos começou no Nordeste, migrou para o Sul e o Sudeste do país e, agora, está forte, especialmente, no estado de São Paulo. Por isso, os bancos se preocuparam em introduzir dispositivos de segurança. A TecBan estima que cerca de 65 equipamentos da sua rede já foram destruídos, o que equivale a cerca de 0,5% do total.

“Golpe nos lojistas” Os atuais problemas do Banco Central, no entanto, não se limitam às notas manchadas em caixas eletrônicos e à relação com os consumidores. Ao mudar a regra para a devolução de cheques — agora, se houver erros de preenchimento, eles voltam para o comerciante, independentemente de haver saldo na conta do cliente — o BC comprou uma briga com os lojistas.

O presidente da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), Roque Pelizzaro Junior, disse que enviará correspondência ao BC para solicitar a revogação da medida classificada como “um duro golpe” para os empresários. “A partir de agora, por um simples erro de preenchimento da folha do cheque, aqueles mal-intencionados ficarão livres de responder pelo crime de estelionato. Jogaram a responsabilidade toda em cima do lojista”, disse o presidente da CNDL.

Pelizzaro Junior avaliou que a medida adotada pelo BC favorece o risco de calote disfarçado de erro de preenchimento.

Autor(es): Vânia Cristino

Correio Braziliense - 19/05/2011 http://www.correioweb.com.br/

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Brasil e outros cinco emergentes redefinirão economia global, diz Banco Mundial

Segundo relatório, grupo responderá por mais da metade do crescimento mundial até 2025

O Brasil está incluído em um grupo de seis economias emergentes que, segundo o Banco Mundial, irão redefinir a estrutura econômica global no futuro próximo.

De acordo com um relatório lançado nesta terça-feira, em Washington, até 2025 as economias do Brasil, China, Índia, Rússia, Indonésia e Coreia do Sul vão responder por mais da metade do crescimento global.

“À medida que o poder econômico muda, essas economias bem-sucedidas vão ajudar a conduzir o crescimento em países de baixa renda por meio de transações comerciais e financeiras transfronteiriças”, diz o documento.

Segundo o relatório Global Development Horizons 2011 – Multipolarity: The New Global Economy (“Horizontes do Desenvolvimento Mundial 2011 – Multipolaridade: a Nova Economia Mundial”, em tradução livre), os emergentes vão crescer em média 4,7% até 2025.

Os países avançados, apesar de continuarem a ter um peso importante na economia global, deverão crescer em média apenas 2,3% no mesmo período.

“A rápida ascensão de economias emergentes conduziu uma mudança pela qual agora os centros de crescimento econômico estão distribuídos entre as economias desenvolvidas e em desenvolvimento”, disse o economista-chefe e vice-presidente para Economia do Desenvolvimento do banco, Justin Yifu Lin.

“Estamos em um mundo realmente multipolar”, afirmou.

Desafios

Para se consolidar como polo de crescimento, no entanto, o Brasil precisa enfrentar desafios, como melhorar o acesso à educação.

“O capital humano é uma preocupação em alguns polos potenciais de crescimento, particularmente o Brasil, a Índia e a Indonésia”, diz o relatório.

“Reduzir lacunas educacionais e garantir acesso à educação é central”, afirma o Banco Mundial. Segundo o banco, essas medidas poderiam estimular a adaptação tecnológica doméstica, capacidade de inovação e geração de conhecimento.

De acordo com o relatório, as mudanças no balanço de poder econômico e financeiro terão reflexos em setores como os mercados de investimentos, fusões e aquisições.“As multinacionais dos mercados emergentes estão se tornando uma força na reconfiguração da indústria global, com rápida expansão dos investimentos Sul-Sul e fluxos de investimentos estrangeiros diretos”, disse Lin.

“As instituições financeiras internacionais terão de se adaptar rapidamente.”Segundo o documento, a participação e a influência crescentes de empresas originárias de mercados emergentes nas finanças e nos investimentos globais podem levar à criação de um marco multilateral para regular os investimentos transfronteiriços.

Moeda

O Banco Mundial projeta ainda que, até 2025, o sistema monetário internacional não será mais dominado por uma única moeda.

“Ao longo da próxima década, o tamanho da China e a rápida globalização de suas corporações e bancos deverão significar um papel mais importante para o yuan (a moeda chinesa)”, disse o principal autor do relatório, Mansoor Dailami.

“O mais provável é que em 2025 o panorama monetário internacional se caracterize pela presença de múltiplas moedas, com predomínio do dólar, do euro e do yuan”, afirmou.

Segundo o Banco Mundial, a maioria dos países em desenvolvimento seguirá usando moedas estrangeiras em suas transações com o resto do mundo.

Quer ler o relatório? vá no link www.worldbank.com e clique no link releases do lado esquerdo da página.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Inflação fora de controle?



A inflação acumulada nos últimos 12 meses, medida pelo IPCA, passou de 6,5%. Rompeu, portanto, o topo da meta do Banco Central (BC). Ao que tudo indica, ela deverá subir ainda mais nos próximos meses. Diante desse quadro preocupante, o governo abusa da retórica, mas faz pouco para domar o dragão. O BC, que não possui independência legal no Brasil, aposta em uma inflação migrando para o centro da meta em 2012. Seu presidente, Alexandre Tombini, chegou aafirmar que a medida do governo, de impor à BR Distribuidora uma redução de preço doscombustíveis, ajuda acombater ainflação. O ministroGuido Mantega pediu que empresários não repassassem aumentos dos custos. Será que voltamos aos tempos do congelamento de preços, que ataca o sintoma e não as causas da inflação? Qual será o próximo passo? Resgatar os famosos fiscais do Sarney?



O governo tem jogado a culpa da inflação emfatores exógenos, como a alta das commodities. É verdade que seu preço subiu bem nos últimos meses, oque também colaborou para o crescimento da economia brasileira, abundante em recursos naturais. Mas não é correto limitar o problema a este fator. Os preços ligados ao setor de serviços subiram ainda mais que a média geral, chegando perto de 9% nos últimos 12 meses. O que está causando esta acelerada alta dos preços então?



Como sabia Milton Friedman, a inflação é sempre um fenômeno monetário. Os demagogos já culparam até a ganância dos empresários, ou choques de oferta fora do controle dos governos, mas o fato é que nada disso produz aumento generalizado dos preços. Quando isto ocorre, é porque há aumento da base monetária e do crédito na economia. Eambos são controlados pelo governo. A inflação é uma deliberada política de governo. Esta é a “herança maldita” que o governo Lula deixou para sua sucessora, que pouco tem feito para contornar o problema. Os gastos públicos explodiram nos últimos anos de mandato do presidente Lula, e o“corte” de R$ 50 bilhões anunciado pela presidente Dilma representa, na verdade, um aumento de gasto em relação a2010, pois corta em cima de um orçamento inflado. Ogoverno deveria efetivamente reduzir, de forma significativa, seus gastos explosivos. Além disso, aexpansão de crédito segue em ritmo irresponsável. O BNDES, que utilizou o argumento de medida anticíclica para aumentar absurdamente seus desembolsos durante a crise, não pisou no freio agora que a economia já está claramente aquecida, quiçá superaquecida. A demanda segue firme, a economia se encontra em pleno emprego e pode-se falar até mesmo em apagão de mão de obra em certos setores.



Para piorar a situação, o governo não apresentou uma única reforma estrutural, como a previdenciária, trabalhista ou tributária, que permitisse um



choque de produtividade ao país. Os investimentos em infraestrutura e educação continuam pífios e de péssima qualidade. O modelo de expansão calcado em crédito e consumo está perto do esgotamento, e os gargalos levam justamente ao aumento da inflação. A economia brasileira parece



um carro popular a150km/h em uma estrada esburacada, trepidando e com parafusos começando a se soltar. E há no governo quem pense que a solução é acelerar mais! O BC fica de mãos atadas neste contexto. Suas medidas macroprudenciais são uma aposta incerta, e contar com aqueda do preço das commodities é arriscar demais. Até porque uma correção das commodities poderia ser benéfica para a inflação, mas uma queda drástica poderia deteriorar nosso cenário econômico. Afinal, ele depende muito da melhora dos termos de troca, i.e., da alta do preço dos produtos que exportamos em relação ao que importamos. O governo deveria tomar cuidado com aquilo que deseja.



Para quem possui apenas um martelo, tudo se parece com um prego. Uma vez que ogoverno não faz sua parte, oúnico instrumento que o BC tem para atuar contra a inflação é a taxa de juros, além do compulsório dos bancos. Não existe mágica, ao contrário do que pensam os industriais da



Fiesp. Manter a taxa de juros artificialmente baixa é permitir a volta do dragão inflacionário, o pior imposto para os mais pobres. Em um país com trauma de inflação e economia indexada, aceitar “um pouco mais” de inflação é brincar com fogo ao lado de um barril de pólvora. Nada recomendável. A credibilidade de um banco central é crucial para ancorar as expectativas inflacionárias. Enquanto o governo ficar somente no discurso, os agentes de mercado terão motivos para receio. A pergunta é legítima: será que a inflação está saindo do controle?

Autor(es): agência o globo: Rodrigo Constantino

O Globo - 17/05/2011

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Selic pode ir a 13%

A recente mudança de discurso do Banco Central, indicando uma postura mais dura em relação à inflação, deu espaço para que o prognóstico para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2011 recuasse pela primeira vez ,depois de oito semanas em alta, na pesquisa Focus, mostrando um mercado mais confiante na estratégia da política monetária. O prognóstico para a inflação nos próximos 12 meses caiu pela segunda semana seguida, enquanto o cenário para 2012 foi mantido pela quinta semana.

Além disso, as taxas de juros dos contratos negociados no mercado futuro vêm caindo, sem grandes oscilações, mostrando que o ceticismo dos investidores com a condução da política monetária diminuiu. Segundo economistas, isso resulta da nova postura mais dura ou hawkish (como falcão, em inglês) do BC, com mais ênfase no aumento da taxa básica de juros (Selic) no combate à inflação e menor peso das medidas macroprudenciais. Com isso, já há apostas de que a Selic poderá chegar a 13% neste ano — um ponto acima do atual patamar, de 12% —, como projeta a Rosenberg & Associados.

Embora os analistas ponderem que a queda na previsão para o IPCA deste ano está mais ligada ao dado de abril divulgado na semana passada, que veio melhor que o esperado, a previsão para 12 meses é um reflexo deste novo momento. “O BC está dando uma sinalização de que continuará subindo a Selic quantas vezes julgar necessário para trazer a inflação para o centro da meta ano que vem. Esse discurso ajuda o mercado a reorganizar as expectativas”, disse Newton Rosa, economista-chefe da SulAmérica Investimentos. “É muito importante uma boa comunicação com o mercado nesse sentido de ancorar as expectativas para a inflação”, acrescentou.

Correio Braziliense - 12/05/2011 www.correioweb.com.br

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Capital excessivo traz inflação, diz BC


O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, destacou ontem, em Zurique, pressões sobre a inflação provocadas pelos fluxos de capital excessivos nas economias emergentes e defendeu reação também dos países de origem desses recursos para mitigar efeitos indesejáveis dessa situação.

Em apresentação num seminário organizado pelo Fundo Monetário Internacional e Banco Central suíço, fechado para a imprensa, Tombini destacou que os elevados fluxos de capital são "um dos problemas" com os quais as economias emergentes estão lidando no momento. Observou que a entrada de capital externo é "bem-vinda", mas que, quando excessivo, pode criar pressões inflacionárias e trazer riscos à estabilidade do sistema financeiro.

Para Tombini, "medidas têm que ser tomadas do lado dos recebedores do fluxo e também dos emissores" para a gestão desses capitais, um tema controverso, como admitiu, por sua vez, o presidente do BC suíço, Phillip Hildebrand.

O Brasil tem reclamado no FMI de assimetria de tratamento entre países de origem dos fluxos de capitais, alguns deles emissores de reservas internacionais e responsáveis por liquidez excessiva, e os países receptores, que enfrentam a entrada de enormes volumes de capital volátil.

Como principal oradora do seminário, a ministra de Finanças da França, Cristine Lagarde, considerou essencial uma melhor gestão do fluxo de capitais, reconhecendo a situação "desestabilizadora" provocada por enormes e voláteis volumes para emergentes.

Exemplificou com a saída de mais de US$ 100 bilhões das economias emergentes em maio de 2010 e o influxo de US$ 200 bilhões, o dobro, quatro meses depois. Em reação, os emergentes tomaram ações contra os fluxos, como o controle de capital pelo Brasil. Mas a representante francesa observou que os "fatores de impulso" desses capitais precisam ser melhor entendidos, para que algo seja feito também nos países de origem, no que Tombini concordou pouco depois em sua intervenção.

Lagarde informou que o G-20, grupo dos paises desenvolvidos e emergentes, proporá "conclusões coerentes" para a gestão dos fluxos de capitais. Baseado na experiência de países, o grupo identificará os meios "mais eficientes para administrar esses fluxos, incluindo mecanismos macroprudenciais e controles temporários de capital".

Já Tombini marcou os limites desse exercício para o Brasil. Notou que as realidade dos países são diferentes, e a capacidade de implementar medidas varia de um para outro, é preciso entender os prós e contras, de forma que o Brasil rejeita um "manual de procedimentos impositivo" para aplicação do controle de capital. Recentemente, o diretor pelo Brasil no FMI, Paulo Nogueira Batista Junior, considerou a discussão sobre um eventual código de conduta como uma "tentativa para preparar o terreno para mais interferência do Fundo nas políticas dos países emergentes", temendo que o FMI transforme o código de conduta "em obrigações" para os emergentes. Esse risco foi afastado recentemente, mas não se sabe até quando.

Tombini participou de debate sobre "melhoras regras do jogo para os fluxos de capitais", justamente com o ministro alemão de finanças, o presidente do BC da Rússia e a autoridade monetária de Cingapura, tendo como mediadora a professora americana Carmen Reinhart, famosa por seu estudo sobre a repetição de crises financeiras.

Valor Econômico - 11/05/2011 http://www.valoronline.com.br/

terça-feira, 10 de maio de 2011

Metade dos brasileiros já gasta mais do que ganha


Com crédito farto, brasileiro gastou mais do que recebeu no ano passaado

Consumidores pagaram R$ 54,4 bi apenas com juros de financiamentos

A grande oferta de crédito levou o brasileiro a gastar mais do que ganhou em 2010. Segundo pesquisa da Associação Paulista de Supermercados (Apas), o gasto médio mensal do consumidor foi de R$2.171; já sua renda não passou de R$2.146. Pela sondagem, 53% dos entrevistados disseram estar nessa situação - que não era registrada pelo conjunto da população desde 2005. O buraco mensal médio de R$25 no orçamento foi coberto por empréstimos. Encomendada às consultorias Nielsen e Kantar WorldPanel, a pesquisa teve amostra de 8.200 lares em cidades com mais de 10 mil habitantes.

- O desejo de consumo, aliado à oferta de financiamentos, fez o consumidor se embebedar no crédito - disse Martinho Paiva, diretor de Economia e Pesquisa da entidade.

A pesquisa mostra que, em relação a 2009, os gastos mensais apresentaram uma variação de 16%. Já a renda média mensal subiu menos, 13%.

Desembolso das empresas com juros foi de R$42,4 bi


A entidade não vê um descontrole de gastos. O cenário é de equilíbrio do orçamento.


A forte expansão das operações de crédito em 2010 fez os brasileiros desembolsarem R$54,4 bilhões apenas para pagar juros dos financiamentos nos primeiros quatro meses do ano, segundo a Federação do Comércio de São Paulo (Fecomércio-SP). Desse total, R$4 bilhões resultaram da alta dos juros médios dos financiamentos bancários no período, que passaram de 38% ao ano no fim de 2010 para 45% ao ano em 30 de abril.

- Essa alta é relevante, pois R$4 bilhões são um quarto de todo o desembolso previsto para o Bolsa Família este ano - diz Fábio Pina, economista-chefe da Fecomércio-SP.

Supondo que os bancos não repassem os três aumentos da Selic desde janeiro, o aumento dos juros no primeiro quadrimestre resultou em uma despesa adicional às famílias superior a todos os repasses previstos pelo programa oficial do governo, de R$15 bilhões este ano.

- Esse valor crescerá, pois os financiamentos antigos estão sendo quitados, e os novos são contratados a juros de 45% ao ano - diz Pina, que estima que a carteira de financiamentos bancários a pessoas físicas estaria em torno de R$600 bilhões atualmente; em 2010, o brasileiro gastou R$129,2 bilhões em juros.

Entre as empresas, segundo a Fecomércio, os gastos com juros chegaram a R$42,4 bilhões de janeiro a abril. Juntas, famílias e empresas desembolsaram com os juros R$96,8 bilhões.

Autor(es): agência o globo: Aguinaldo Novo e Ronaldo D"Ercole

O Globo - 10/05/2011
- O próprio consumidor corrigirá essa rota - disse Sussumu Honda, presidente da Apas.
Enquanto o desembolso das classes D e E avançou 14%, os grupos de renda média e alta aumentaram o consumo entre 10% e 13%. Para a Apas, até o fim do ano, a população pertencente à classe C supera pela primeira vez aquela das classes D e E. Hoje 38% da população, a classe C deve chegar a 41%, contra 36% das D e E e 23% das A e B.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Inflação corrói rentabilidade




Inflação em alta engole rendimento de poupador

O “surto inflacionário” está engolindo os rendimentos dos fundos de renda fixa, mesmo aqueles atrelados à taxa oficial de juros (Selic). A caderneta de poupança (2,3% nos quatro primeiros meses de 2011) ainda é uma das melhores opções, mas continua abaixo do IPCA (3,23% no ano).

Poupança rende de 0,55% a 0,68% ao mês, conforme o dia do aniversário, e continua batendo vários fundos de renda fixa. Com elevação do custo de vida, saída é acompanhar os investimentos e comparar o ganho líquido das diversas opções oferecidas pelos bancos.

Nem mesmo a alta da taxa básica de juros da economia, a taxa Selic, desbancou a caderneta de poupança entre as melhores aplicações financeiras neste ano. O investimento preferido do brasileiro está rendendo entre 0,55% e 0,67% ao mês, acima da rentabilidade líquida de vedetes do mercado, como diversos fundos de renda fixa DI para valores de aplicação mais baixos, em torno de R$ 100 a R$ 5.000. A má notícia é que, a exemplo do ano passado, quase todas as aplicações estão perdendo para a inflação nos primeiros quatro meses do ano.

O “surto inflacionário” que atingiu a economia brasileira, como denominou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, está engolindo a rentabilidade de quase todos os investimentos de renda fixa. A caderneta de poupança, com aniversário no dia 1º, totalizou ganho de 2,3% nos quatro primeiros meses do ano. Bem abaixo da inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), calculado pelo IBGE, que acumula 3,23% de alta no ano. A estimativa para o INPC, também do IBGE, deve ficar em 2,9% de janeiro a abril.

A maior parte dos fundos de renda fixa dos bancos, mesmos os chamados fundos DI (atrelado à taxa Selic), rendeu entre 2% e 3,65% brutos de janeiro a abril, dependendo da instituição e da característica do fundo. Como essas aplicações pagam Imposto de Renda entre 22,5% (prazo de até seis meses) e 15% (se ficar aplicado por mais de dois anos), o rendimento míngua para algo em torno de 1,6% e 2,9%. Em abril, tiveram ganho líquido em torno de 0,58% e 0,60%, conforme pesquisa feita nos sites do Bradesco, Santander, Caixa e Banco do Brasil. Tal rentabilidade faz com que vários desses fundos estejam atrás também da poupança.

Só os grandes fundos, aqueles que exigem depósitos maiores, de R$ 20 mil para cima, ainda estão oferecendo ganho líquido igual ou pouco maior que a inflação. Mesmo assim, porque destinam parte dos recursos para o mercado de derivativos, de mais risco, como de commodities.

Nesse cenário de inflação em alta e aumento da Selic, o diretor da corretora Easynvest, Amerson Magalhães, aconselha concentrar os investimentos nos chamados fundos DI pós-fixados, ou seja, atrelados à variação do CDI (Certificado de Depósito Interbancário). “A Selic vai subindo, a rentabilidade também vai acompanhando”, afirma ele. É a saída para o poupador conseguir ganhar pelo menos igual à inflação.

“No quadro atual, a mais prejudicada é a poupança, que tem rentabilidade fixa”, diz ele, referindo-se aos 6% de rentabilidade ao ano, ou 0,5% ao mês, embora receba também a variação da TR (Taxa Referencial de Juros), que tem ficado entre 0,04% e 0,17% ao mês, menos de 1% ao ano. Segundo ele, com o aumento das taxas de juros, os fundos de renda fixa prefixados também sofrem, pois têm o rendimento calculado sobre uma taxa de juros anterior.

Magalhães alerta, no entanto, que o investimento mais interessante hoje é o Tesouro Direto, que é a compra de títulos públicos online pelo site da Secretaria do Tesouro Nacional, em especial daqueles atrelados à inflação, IPCA ou IGP-M.

A economista Camila Beraldo, 30 anos, manteve suas economias na poupança desde a queda da Selic, em meados de 2009, mas agora está revendo a estratégia. “Investir diretamente nos títulos públicos, no Tesouro Direto, é mais garantido atualmente”, acredita ela.

A superintendente de investimentos do Santander, Sinara Polycarpo, recomenda também as aplicações pós-fixadas e que acompanham a taxa Selic. Ela considera a aplicação em CDB-DI uma excelente opção. “Garante um percentual da Selic e, dependendo do tempo que o dinheiro ficar aplicado, o cliente pode conseguir uma taxa ainda melhor”, observa. Em geral, os fundos DI que pagam mais exigem valores iniciais e novas aplicações maiores, a partir dos R$ 10.000.

Os CDBs estão entre as melhores aplicações, assegurando rendimento melhor — um percentual do CDI, que vai de 80% a 95%, conforme o tempo de aplicação.

IPCA e INPC

O índice reflete o custo de vida de famílias com renda mensal de 1 a 40 salários mínimos (R$ 21.800), residentes nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Salvador, Recife, Fortaleza e Belém, além do Distrito Federal e do município de Goiânia. Já o INPC reflete a variação de preços de produtos e serviços consumidos por famílias desses municípios e DF até oito salários mínimos (R$ 4.360).

Autor(es): Ana D"angelo e Victor Martins

Correio Braziliense - 09/05/2011

terça-feira, 3 de maio de 2011

Brasil tem 16,27 milhões de pessoas em extrema pobreza, diz governo

Programa ‘Brasil sem Miséria’ vai atender, assim, 8,5% da população.
Dilma lançará programa ‘nas próximas semanas’, segundo ministra.


A ministra de Desenvolvimento e Combate à Fome, Tereza Campello, anunciou hoje terça-feira (3/5) que o Brasil tem 16,27 milhões de pessoas em situação de extrema pobreza, o que representa 8,5% da população. A identificação de pessoas que vivem abaixo da linha da pobreza foi feita pelo Instituto de Geografia e Estatística (IBGE) a pedido do governo federal para orientar o programa “Brasil sem Miséria”, que será lançado, segundo Campello, nas próximas semanas pela presidente Dilma Rousseff.

O objetivo do programa será garantir transferência de renda, acesso a serviços públicos e inclusão produtiva para resgatar brasileiros da miséria.

“Essa taxa [de 8,5% dos brasileiros em situação de miséria] indica que não estamos falando de uma taxa residual. A taxa de extrema pobreza atinge quase um brasileiro a cada dez”, afirmou o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Márcio Pochmann, que participou da entrevista coletiva ao lado do presidente do IBGE, Eduardo Pereira Nunes, e da ministra Tereza Campello.

De acordo com o IBGE, do contingente de brasileiros que vivem em condições de extrema pobreza, 4,8 milhões tem renda nominal mensal domiciliar igual a zero, e 11,43 milhões tem renda de R$ 1 a R$ 70.

Ainda segundo o levantamento, a grande maioria dos brasileiros em situação de miséria é parda ou negra, tanto na área rural quanto na área urbana.

“Na área urbana, quanto maior é a renda da população maior é o contingente de população branca. Quanto menor a renda maior a população parda e negra. O mesmo acontece na área rural, quanto menor a faixa de renda, maior a proporção de cor negra ou parda”, disse o presidente do IBGE.

Segundo o IBGE, 46,7% das pessoas na linha de extrema pobreza residem em área rural, apesar de apenas 15,6% da população brasileira morar no campo. O restante das pessoas em condição de miséria, 53,3% mora em áreas urbanas, onde reside a maior parte da população - 84,4%.

A região Nordeste concentra a maior parte dos extremamente pobres - 9,61 milhões de pessoas ou 59,1%. Destes, a maior parte (56,4%) vive no campo, enquanto 43,6% estão em áreas urbanas. A região Sudeste tem 2,72 milhões de brasileiros em situação de miséria, seguido pelo Norte, com 2,65 milhões, pelo Sul (715,96 mil), e o Centro Oeste (557,44 mil).

A ministra Tereza Campello afirmou que a pesquisa do IBGE vai ajudar a direcionar as ações do “Brasil sem Miséria”. Segundo ela, o governo será capaz de erradicar quase que por completo a extrema pobreza em quatro anos.

“A ideia é de que estamos fazendo um esforço extraordinário do governo federal, dos governos estaduais e dos municípios para erradicar a extrema pobreza. Não estamos falando de um plano que continuará, mas de uma força tarefa [para erradicar a pobreza em quatro anos]. O plano acaba em quatro anos”, disse a ministra.

Ela explicou que os programas sociais que beneficiam famílias pobres mas com renda superior a R$ 70 continuarão, como o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida.

“Continuaremos com as ações de transferência de renda e ações de saúde e educação na faixa dos R$ 70 a R$ 140. Mas quando você vê o grau de fragilidade para os que vivem abaixo dessa faixa, justifica que a gente tenha um olhar especial”, disse, explicando a escolha de dedicar próximo programa do governo aos brasileiros que ganham menos de R$ 70.

Para demilitar os brasileiros que vivem em condição de extrema pobreza, o governo utilizou dados preliminares do Censo Demográfico de 2010. A linha de pobreza foi estabelecida em R$ 70 per capita considerando o rendimento nominal mensal domiciliar.

Desse modo, qualquer pessoa residente em domicílios com rendimento menor ou igual a esse valor é considerada extremamente pobre. Há, no entanto, integrantes de uma família que, apesar de não terem qualquer rendimento, não se encaixam na linha de extrema pobreza.

Para calcular as pessoas sem rendimento que, de fato, se incluem na linha de miséria, o IBGE realizou um recorte que considerou os seguintes critérios: residência sem banheiro ou com uso exclusivo; sem ligação de rede geral de esgoto ou pluvial e sem fossa séptica; em área urbana sem ligação à rede geral de distribuição de água; em área rural sem ligação à rede geral de distribuição de água e sem poço ou nascente na propriedade; sem energia elétrica; com pelo menos um morador de 15 anos ou mais de idade analfabeto; com pelo menos três moradores de até 14 anos de idade; com pelo menos um morador de 65 anos ou mais de idade.

Nathalia Passarinho Do G1, em Brasília