sexta-feira, 29 de julho de 2011

BC interrompe alta dos Juros. Dólar sobe de novo

Inflação na meta só em 2013

CONJUNTURA

Ata do Copom leva analistas a preverem que o BC interrompeu a alta dos juros e abriu mão de pôr o IPCA próximo de 4,5% no ano que vem. Governo contesta o mercado

Apesar dos compromissos públicos assumidos pelo presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, de levar a inflação para o centro da meta (4,5%) até o fim de 2012, boa parte do mercado financeiro está convencida de que a autoridade monetária abriu mão desse objetivo. Essa visão se consolidou depois da divulgação da ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) da semana passada, na qual a taxa básica de juros (Selic) saltou de 12,25% para 12,50% ao ano. No documento, o BC retirou o trecho no qual reforçava a sua determinação em pôr a inflação na meta no ano que vem e indicou que o processo de aumento da Selic — foram cinco aumentos seguidos neste ano — chegou ao fim.

A interpretação dos analistas provocou reações dentro do governo. Para integrantes da equipe econômica, o mercado está cometendo um equívoco ao descartar os compromissos do BC. "Nada mudou. A determinação continua sendo a de levar a inflação para o centro da meta em 2012", disse um dos auxiliares mais próximos da presidente Dilma Rousseff. Segundo ele, o aperto monetário promovido até agora, somado às medidas para a contenção do crédito, levará a atividade a crescer a um ritmo de 4% no segundo semestre, o que empurrará a inflação para o centro da meta nos próximos meses.

Dentro do governo, há indicadores mostrando que, de outubro a abril do próximo ano, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado em 12 meses cairá sistematicamente, encostando nos 4,5% e subindo até os 4,8% no fim de 2012, portanto, muito próximo do objetivo definido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). A equipe econômica prevê ainda que os preços das commodities (produtos básicos com cotação internacional) se manterão comportados, pois a economia global, que enfrenta incertezas crescentes, terá expansão menor. "Mesmo com a grande sobra de recursos no mundo, não há sinais de altas fortes nem de quedas expressivas nas cotações das commodities", disse um técnico.

Os assessores de Dilma lembraram que, até a próxima reunião do Copom, em 30 e 31 de agosto, nenhum indicador econômico relevante será divulgado. Assim, nada impede que o BC mantenha os juros inalterados e avalie o horizonte para se certificar de que tudo está sob controle. Paradas técnicas são comuns entre Bancos Centrais de todo o mundo. Valem tanto para retomar o processo de alta dos juros quanto para iniciar um processo de baixa. "Não temos dúvida: a inflação convergirá para as metas antes do previsto pelo mercado, sem que seja necessário empurrar o país para uma recessão, mesmo que breve", ressaltou um dos assessores.

Perda de fôlego

Diante do que leu na ata, o economista-chefe do Banco BES Investimento, Jankiel Santos, foi enfático: "O Banco Central só elevará os juros se for forçado". Na sua avaliação o Copom vai pagar para ver, ou seja, interromperá as cinco altas consecutivas dadas até então para observar melhor o resultado das políticas já adotadas e também do impacto do deteriorado cenário internacional na inflação interna. Mas, para o economista, o atual patamar da taxa Selic não é suficiente para fazer a inflação convergir para a meta em 2012.

Também o economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC),Carlos Thadeu de Freitas Gomes, aposta no fim do aperto monetário. Para ele, que já foi diretor do BC, a ata foi neutra. No documento o Copom considerou favoráveis as perspectivas para a inflação, classificou o cenário externo como incerto, deixando a dúvida para o cenário interno, onde a economia ainda está aquecida. "Na dúvida, é bom parar e observar. Na atual circunstância, considero correta a condução da política monetária, " disse.

Na avaliação do economista da CNC, se o Banco Central puxar muito a taxa de juros agora, a valorização do real será ainda maior, com muito mais atratividade para o capital externo. "A economia está perdendo o fôlego. O mercado de trabalho tende a se enfraquecer", observou. Freitas não vê, na atual circunstância, grande problema se o BC estiver mesmo mirando o centro da meta de 4,5% para a inflação apenas em 2013.

Para a consultoria Tendências, um aumento ou não na taxa Selic na próxima reunião não está fechado. "A ata do Copom não trouxe sinalizações sobre o que deve ser a política monetária nos próximos meses", disse a economista Alessandra Ribeiro. Ela ressaltou que, do jeito que o documento foi escrito, deixou espaço para múltiplas interpretações. "A elevação para 12,50% já pode ter sido a última, como também podemos ter mais uma alta para 12,75%, encerrando o ciclo." A expectativa da Tendências é de mais uma alta em agosto. "Avaliamos que os riscos, principalmente advindos do cenário doméstico, são muito mais relevantes do que os vistos pelo BC. Daí o nosso viés de alta para a inflação de 2012, que se encontra em 5,2%", disse a economista.

Riscos domésticos

Na ata do Comitê de Política Monetária (Copom), o Banco Central continuou avaliando que o cenário prospectivo para a inflação segue mais favorável. Embora aponte que as projeções de inflação pioraram tanto no cenário de referência (da instituição) quanto no de mercado, o BC vê uma trajetória mais favorável para os preços das commodities. Para a autoridade monetária, os riscos do mercado doméstico estão marcadamente menores.

Autor(es): Vânia Cristino e Vicente Nunes

Correio Braziliense - 29/07/2011 http://www.correioweb.com.br/

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Serasa Experian oferece 50 vagas para trabalho


OPORTUNIDADE DE EMPREGO

Há oportunidades desde estagiário a gerente, distribuídas em diversos estados do Brasil

A Serasa Experian oferece cerca de cinquenta novas oportunidades de emprego e busca profissionais que partilhem dos seus valores e estejam alinhados à cultura da empresa.

Há vagas para trabalhar em vários Estados do Brasil, em diferentes cargos, como estagiário, auxiliar, analista júnior e até gerente executivo. Interessados devem inscrever-se no site da Serasa Experian (http://www.serasaexperian.com.br/ ), por meio do link Trabalhe Conosco.

Os aprovados terão todos os benefícios oferecidos pela Serasa Experian: assistência médica e odontológica, participação no programa de participação nos resultados, plano de previdência complementar, seguro de vida, atendimento clínico, odontológico, nutricional, ginecológico e cardiológico na própria empresa, (além de programas antitabagismo, de saúde da mulher, de orientação nutricional), programas de Terapias (psicologia, RPG, acupuntura, massagem); escola de artes e cultura, jogos, celebrações, academia de ginástica e Serviço Social

Serasa Experian

A Serasa Experian é líder na América Latina em serviços de informações para apoio na tomada de decisões das empresas. No Brasil, é sinônimo de solução para todas as etapas do ciclo de negócios, desde a prospecção até a cobrança, oferecendo às organizações as melhores ferramentas. Com profundo conhecimento do mercado brasileiro, conjuga a força e a tradição do nome Serasa com a liderança mundial da Experian. Criada em 1968, uniu-se à Experian Company em 2007. Responde on-line/real-time a 4 milhões de consultas por dia, auxiliando 400 mil clientes diretos e indiretos a tomar a melhor decisão em qualquer etapa de negócio. É a maior Autoridade Certificadora do Brasil, provendo todos os tipos de certificados digitais e soluções customizadas para utilização da tecnologia de certificação digital e de Notas Fiscais Eletrônicas (NF-e), tornando os negócios mais seguros, ágeis e rentáveis.

Constantemente orientada para soluções inovadoras em informações para crédito, marketing e negócios, a Serasa Experian vem contribuindo para a transformação do mercado de soluções de informação, com a incorporação contínua dos mais avançados recursos de inteligência e tecnologia.


Experian

A Serasa Experian é parte do grupo Experian, líder mundial em serviços de informação, fornecendo dados e ferramentas de análise a clientes em mais de 80 países. A empresa auxilia os clientes no gerenciamento do risco de crédito, prevenção a fraudes, direcionamento de campanhas de marketing e na automatização o processo de tomada de decisão. A Experian também apoia pessoas físicas no gerenciamento de seus relatórios e scores de crédito e na proteção a fraudes de identidade.

A Experian plc está registrada na Bolsa de Valores de Londres (EXPN) e compõe o índice FTSE 100. A receita total para o ano fiscal encerrado em 31 de março de 2011 foi de US$ 4,2 bilhões. A empresa emprega cerca de 15.000 pessoas em 41 países e possui sede corporativa em Dublin, na Irlanda e sedes operacionais em Nottingham, no Reino Unido; na Califórnia, Estados Unidos, e em São Paulo, Brasil.

Para mais informações, visite http://www.experianplc.com/

quarta-feira, 27 de julho de 2011

O DÓLAR FURADO

Moeda cai pelo sexto dia seguido frente ao real. Fechou ontem (26/07) cotada a R$ 1,536. Descontada a inflação, vale o mesmo que em 1998, antes da desvalorização cambial brasileira naquele ano. No mundo inteiro, analistas acompanham com apreensão o impasse americano. Investidores ainda acreditam em um acordo de última hora. Mas o tempo de Barack Obama está acabando. E muitos começam a perder a confiança. Temem que a pressão republicana no Congresso passe dos limites, leve os Estados Unidos a dar um calote em suas dívidas e lance o planeta numa crise sem precedentes. Quarto maior credor dos EUA, o Brasil pode ser atingido em cheio

Dólar cai pelo sexto dia seguido, para R$ 1,536. Descontada a inflação, a moeda já vale o mesmo que em 1998, antes da desvalorização do real

O mercado financeiro de todo o mundo operou, ontem, de olhos colados nos Estados Unidos. Numa contagem regressiva sem precedentes para que o Congresso norte-americano aprove o pedido do governo de Barack Obama de aumento do teto da dívida do país, de US$ 14,3 trilhões, investidores não esconderam o temor de um calote a partir de 2 de agosto. O resultado do nervosismo foi uma onda de prejuízos nas bolsas de valores e o derretimento do dólar. A moeda norte-americana encerrou o dia com baixa de 0,45%, cotada a R$ 1,536 para venda, o menor nível desde 18 de janeiro de 1999. Segundo o economista-chefe do Banco

WestLB, Roberto Padovani, descontada a inflação, a moeda norte-americana está valendo o mesmo que em 1998, antes de o Brasil desvalorizar o real e adotar o regime de câmbio flutuante.

O Banco Central interveio quatro vezes no mercado comprando o excesso de divisas estrangeiras tanto no mercado à vista quanto no a termo (futuro), mas a presença mais ostensiva nos negócios desde 1° de abril foi em vão. "As incertezas são muitas. Um calote dos Estados Unidos arrasaria todo o mundo", disse Padovani. Segundo ele, quem tem dólares está trazendo parte dos recursos para o Brasil, pois há a percepção de que, mesmo com uma crise monstruosa lá fora, a economia brasileira seria uma das menos afetadas. Além disso, há os juros altos, que compensam qualquer risco — o mesmo não se pode dizer da moeda norte-americana, que tende a continuar desabando ladeira abaixo. O dólar não perdeu valor apenas ante o real. Caiu 0,75% frente a uma cesta de seis moedas, entre elas, o euro.

A derrocada do dólar começou cedo, a ponto de os preços caírem até R$ 1,528. "Ainda que tente não acreditar no calote dos EUA, o mercado passou a considerá-lo provável, diante da dificuldade de Obama de chegar a um acordo com o Partido Republicano", disse Newton Rosa, economista-chefe da SulAmérica Investimentos. Em julho, o dólar acumula baixa de 1,49% e, no ano, de 7,64%.

Apelo popular

A ponta de confiança que ainda resta nos investidores vem da pressão dos norte-americanos para que o Congresso aprove o aumento do teto da dívida do país. Em resposta aos apelos de Obama, a população entupiu de mensagens as caixas de e-mails dos parlamentares e congestionaram as linhas telefônicas do Congresso, em Washington. Alguns sites de deputados e senadores saíram do ar devido ao tráfego intenso, incluindo o do presidente da Câmara dos Representantes, John Boehner, líder republicano e maior opositor do mandatário dos EUA.

"Recebemos centenas de chamadas. A maioria das pessoas quer apenas que o Congresso trabalhe", disse o senador democrata Bill Nelson, em nota. O porta-voz do parlamentar, Dan McLaughlin, afirmou que os telefones tocavam a todo momento e que, pela manhã, o gabinete recebeu cerca de 5.500 e-mails, acima do normal. Na segunda-feira à noite, Obama pediu aos norte-americanos que suas vozes fossem ouvidas. "Se você quer um debate equilibrado sobre a redução do deficit fiscal (e o aumento do teto da dívida), deixe o seu representante no Congresso saber disso. Se você acredita que podemos solucionar esse problema por meio de um compromisso, envie uma mensagem", pediu.

Na Bolsa de Valores de São Paulo, o Ibovespa caiu 1,05%. No mês, os prejuízos chegam a 4,91% e, no ano, a 14,38%. Em Nova York, o índice Dow Jones cravou perda de 0,73%. "Investidores acreditam que haverá uma resolução de última hora, mas muitos deles estão começando a perder a confiança", disse Hugh Johnson, vice-presidente de Investimentos da Hugh Johnson Advisors LLC, em Nova York.

Contra os republicanos

Os norte-americanos estão com muito medo de uma crise da dívida dos Estados Unidos e a maioria (56%) apoia o tipo de acordo defendido pelo presidente Barack Obama para encerrar o impasse com o Congresso, envolvendo tanto um aumento de impostos e do teto da dívida quanto cortes em programas governamentais. Os republicanos propõem uma profunda redução nos gastos, sem elevação de tributos. Os dados são de uma pesquisa da Agência Reuters e do Instituto Ipsos, divulgada ontem. A maior parte dos entrevistados (83%) disse estar preocupada com o fracasso das negociações sobre a dívida até o momento, enquanto 54% afirmaram estar muito preocupados. A culpa pelo impasse pesa mais para os republicanos: 31% apontam os políticos da oposição como responsáveis pela crise, contra 21% que responsabilizam Obama. Apenas 9% veem os políticos democratas como culpados.

Autor(es): Vicente Nunes e Ana D"Angelo

Correio Braziliense - 27/07/2011 http://www.correioweb.com.br/

terça-feira, 26 de julho de 2011

Dólar tem a menor cotação desde 1999


Dólar cai para R$ 1,543, a menor cotação desde 1999


Declarações da presidente Dilma ofuscam nova ameaça do ministro da Fazenda e moeda americana fecha a R$ 1,543, queda de 0,77%

O dólar renovou ontem a menor cotação desde o início de 1999 (mais especificamente, 18 de janeiro), quando o então governo Fernando Henrique Cardoso liberou o mercado cambial. A moeda americana encerrou a segunda-feira cotada a R$ 1,543, queda de 0,77%.

As declarações da presidente Dilma Rousseff, na sexta-feira, de que não pode tomar nenhuma medida precipitada no câmbio sem olhar com cuidado o cenário internacional, continuaram ecoando no mercado.

Os investidores se sentiram estimulados a apostar na valorização do real, diante da batalha do governo para o combate à inflação. Além disso, segundo fontes de mercado, houve fluxo cambial positivo.

Diante do enfraquecimento do dólar desde cedo, o Banco Central (BC) reforçou a compra, por meio de dois leilões no mercado à vista. Também fez um leilão a termo (futuro) para 2 de agosto, o que não ocorria desde abril.

A despeito da sinalização da presidente Dilma na sexta-feira, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, garantiu que o governo continua olhando seriamente para o câmbio e há sempre propensão para medidas para conter a alta do real (ler mais abaixo).

Ele reafirmou ainda que o "combate à inflação é uma questão de honra para o governo". "O Brasil seguirá empenhado no controle da inflação e vai continuar a tomar todas as medidas necessárias para que isso ocorra" disse o ministro.

Mantega afirmou que o IPCA de julho deve ter um número parecido com o do IPCA-15, que subiu 0,10% neste mês.

O secretário do Tesouro Nacional fez coro com Mantega: "Sempre estamos avaliando câmbio e possíveis ações. Isso é uma rotina", afirmou Arno Augustin, ressaltando que é "preciso observar qual a ação mais eficiente".

Ele acrescentou que não há um "momento" determinado em que o governo vai parar de analisar medidas para o câmbio.

Essas declarações das duas autoridades tiveram apenas o efeito de limitar uma queda maior do dólar nesta segunda-feira. "Dilma é quem manda, é a presidente e o que ela disse enfraquece os alertas das outras autoridades, que têm sido recorrentes. O mercado acha que o dólar pode ficar mais fraco e sabe que em algum momento o Banco Central pode atuar de forma mais direta e forte no câmbio, como hoje (ontem), com leilão a termo", afirmou o operador José Carlos Amado, da Renascença Corretora.

No mercado externo, a aproximação do prazo final para um acordo sobre a elevação do limite de endividamento público nos EUA, em 2 de agosto, pesou sobre o sentimento dos investidores. O impasse político sobre aumento do limite de dívida americana deixa no ar a incerteza sobre se os EUA poderão manter sua classificação de risco no nível máximo (AAA).

Autor(es): agência o globo:Silvana Rocha

O Estado de S. Paulo - 26/07/2011

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Mercado financeiro prevê mais inflação e juros em 2012

Previsão para o IPCA do ano que vem passou de 5,20% para 5,28%.
Estimativa para juro no fim de 2012 subiu de 12,63% para 12,75% ao ano.


Os economistas do mercado financeiro mantiveram sua previsão para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e para a taxa de juros neste ano, mas elevaram as suas previsões para estes indicadores em 2012, informou o Banco Central nesta segunda-feira (25) por meio do relatório de mercado, também conhecido como Focus. O documento é fruto de pesquisa do BC com os bancos.

Para este ano, a previsão dos economistas dos bancos para IPCA, que serve de referência para o sistema de metas de inflação do governo federal, ficou estável em 6,31%. Para 2012, a estimativa dos economistas avançou de 5,20% para 5,28%.

Sobre a taxa de juros, a expectativa dos analistas dos bancos permaneceu em 12,75% ao ano para o fechamento de 2011 - que considera mais uma elevação no fim de agosto. Atualmente, os juros estão em 12,50% ao ano. Para o fechamento de 2012, porém, a previsão subiu de 12,63% para 12,75% ao ano. Deste modo, os economistas não esperam mais redução dos juros no decorrer do próximo ano.

Sistema de metas de inflação

Pelo sistema de metas de inflação, que vigora no Brasil, o BC tem de calibrar os juros para atingir as metas pré-estabelecidas. Neste momento, a autoridade monetária já está nivelando a taxa de juros para atingir a meta do próximo ano. Em 12,50% ao ano, a taxa está no patamar mais alto desde o começo de 2009.

Para 2011 e 2012, a meta central de inflação é de 4,5%, com um intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Deste modo, o IPCA pode ficar entre 2,5% e 6,5% sem que a meta seja formalmente descumprida.

Crescimento econômico e câmbio

O mercado financeiro também manteve, na semana passada, a sua estimativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2011 em 3,94%. Para 2012, a previsão do mercado de crescimento da economia brasileira permaneceu estável em 4%.

Nesta edição do relatório Focus, a projeção do mercado financeiro para a taxa de câmbio no fim de 2011 permaneceu inalterada em R$ 1,60 por dólar. Para o fechamento de 2012, a previsão do mercado financeiro para a taxa de câmbio recuou de R$ 1,69 para R$ 1,65 por dólar.

Balança comercial

A projeção dos economistas do mercado financeiro para o superávit da balança comercial (exportações menos importações) em 2011 caiu de US$ 21 bilhões para US$ 20,9 bilhões na semana passada.

Para 2012, o BC revelou nesta segunda-feira que a previsão dos economistas para o saldo da balança comercial permaneceu inalterada em US$ 10,07 bilhões de superávit.

No caso dos investimentos estrangeiros diretos, a expectativa do mercado para o ingresso de 2011 ficou estável em US$ 55 bilhões. Para 2012, a projeção de entrada de investimentos no Brasil avançou de US$ 49,4 bilhões para US$ 50 bilhões.

Alexandro Martello

Do G1, em Brasília

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Juros sobem pela 5ª vez no governo Dilma e vão a 12,5%

O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, decidiu hoje 20 de julho elevar a taxa básica de juros (a Selic) em 0,25 ponto percentual, para 12,5% ao ano, o maior nível desde janeiro de 2009, quando era de 12,75%. Foi a quinta alta seguida no governo Dilma.

A alta já era esperada pela maioria dos analistas do mercado financeiro. Ao elevar a Selic, o objetivo do BC é fazer com que o custo do crediário também suba e, com isso, diminua o consumo da população para conter a alta da inflação.

A decisão foi unânime. O documento divulgado pelo Copom foi curto. "Avaliando o cenário prospectivo e o balanço de riscos para a inflação, o Copom decidiu, por unanimidade, neste momento, elevar a taxa Selic para 12,5% ao ano, sem viés."

Esta foi a quinta reunião do Copom sob o mandato da presidente Dilma Rousseff e com o BC sob o comando de Alexandre Tombini.

Em todas elas, o comitê decidiu elevar a taxa. Nas duas primeiras, a alta foi de 0,5 ponto percentual. A desta quarta-feira foi a terceira seguida com elevação de 0,25 ponto percentual.

Com isso, no governo Dilma, a Selic passou de 10,75% para os atuais 12,5% ao ano. O próximo encontro será nos dias 30 e 31 de agosto.

Entenda a relação entre juros e inflação

A alta de preços ocorre quando há muita procura por produtos e menos quantidade para atender a essa necessidade.

A elevação dos juros é o principal método utilizado para o BC para perseguir o centro da meta de inflação, medida pelo índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é de 4,5% para este ano.

A meta pode ter variação de dois pontos percentuais para cima ou para baixo, ou seja, a inflação poderia ir de 2,5% a 6,5%.

Apesar da desaceleração da inflação em junho, nos últimos 12 meses, o índice está acima dessa margem de tolerância, acumulando 6,71%..

O governo vem adotando medidas para desestimular o consumo: aumentou o valor do pagamento mínimo da fatura do cartão de crédito; elevou o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) sobre gastos no cartão de crédito fora do país e sobre captações de recursos no exterior; tornou obrigatório uma entrada de pelo menos 20% nos financiamentos entre 24 e 36 meses para carros novos ou usados.

Outra forma de frear o consumo é por meio da Selic, a taxa básica de juros. Ela é usada como base, por exemplo, para os juros cobrados quando se parcela uma compra ou se pede dinheiro emprestado no banco.

Se os juros básicos aumentam, as lojas fazem o mesmo com o crediário. Com juros altos, as prestações ficam mais caras e as pessoas compram menos, o que restringe o aumento dos preços.

No caso de redução dos juros, o receio do governo é que haja muitas compras e as indústrias não consigam produzir o suficiente.

Quando isso acontece, há falta de produtos no mercado, e os que existem ficam mais caros -é a chamada lei da oferta e da procura.

Alta é boa para algumas aplicações

Um aspecto positivo dos juros altos é que eles remuneram melhor as aplicações financeiras. Isso é bom para os investidores brasileiros e também para os estrangeiros que procuram o país.

Quando alguém investe em fundos ou títulos públicos, por exemplo, recebe um rendimento mensal maior se os juros estiverem mais altos.

Por outro lado, os juros altos prejudicam as empresas, que ficam mais receosas de tomar empréstimos para investir em expansão.

Por isso os empresários reclamam dos juros altos. Nesse cenário, também se torna mais difícil a criação de empregos.

O Copom foi instituído em junho de 1996 para estabelecer as diretrizes da política monetária e definir a taxa de juros.

Do UOL Economia, em São Paulo

terça-feira, 19 de julho de 2011

Jovem gasta quase toda a renda com dívida de financiamento de carro

Valor da dívida é maior que o do automóvel, e ela também deve no cartão.


O pagamento das prestações de um Voyage zero quilômetro comprado em outubro de 2009 compromete quase todo o salário da analista de crédito Kelly Costa, que mora em Santa Maria, cidade a 26 quilômetros de Brasília. Kelly, de 25 anos, recebe R$ 900 líquidos por mês, e a parcela mensal do veículo é de R$ 879,96, ou seja, 97% de sua renda. “Trabalho só para pagar o carro”, reconhece.

Além do salário, Kelly recebe R$ 286 de vale alimentação e outros R$ 126 de vale transporte. As despesas da casa e com roupas são custeadas pelo namorado, com quem já mora. O casal está comprando uma casa financiada em Valparaíso, cidade goiana no entorno de Brasília. Kelly conta que as 300 parcelas de R$ 423 do imóvel serão pagas integralmente pelo namorado.

“Ele é coordenador de uma equipe de segurança e ganha cerca de R$ 2 mil. Não quero vender [o carro] porque ele vai me ajudar a pagar agora”, diz. De acordo com Kelly, o namorado é quem mais usa o veículo. “Com o aperto, eu disse ‘vai ter que ajudar a pagar’”, relata.

A analista diz que está estudando a possibilidade de pedir redução do valor das prestações junto à financeira. “Nunca imaginei que um dia estaria nessa situação. É bem ruim o pessoal te ligar e cobrar.”Kelly ainda tem uma dívida de cerca de R$ 4 mil em dois cartões de crédito. Ela afirma que tem uma indenização trabalhista de R$ 9,4 mil a receber – dinheiro que usaria para quitar o carro e os cartões, mas não tem previsão de quando vai receber a quantia. “A gente tem muita esperança de que esse dinheiro saia logo para que possa resolver isso.”

Mudança de emprego afetou orçamento

As parcelas do carro passaram a não caber no orçamento de Kelly após uma separação e uma mudança de emprego. A analista diz que tinha um salário maior antes e que o ex-marido a ajudava a pagar o veículo. Antes de começar a trabalhar como analista de crédito, ficou seis meses desempregada. “Foi aí que a situação apertou mesmo. Usei um dinheiro que tinha no banco e a ajuda que ele [ex-marido] mandava.”

Segundo Kelly, o valor de venda do veículo era de R$ 32.900, e 15 das 60 prestações foram pagas. “Mas ultimamente eu só pago em atraso. Tem quatro ou cinco prestações mesmo que estão atrasadas.” Com o parcelamento, o valor do veículo subiu para R$ 52.797,60. “São quase dois carros”, diz.

Erros

A regra mais importante – e que não foi seguida por Kelly – , na avaliação do professor Alcides Leite, da Trevisan Escola de Negócios, é evitar o endividamento excessivo sempre. “Não dá para prever situações como divórcio, desemprego. Mas o mais importante é não ter dívidas, porque daí o resto fica mais fácil de resolver”, afirma.

Além disso, ao submeter o contrato de financiamento do carro a uma análise na Associação das Vítimas de Juros Abusivos do DF, Kelly disse ter descoberto irregularidades no contrato. “O vendedor falou que tinha conseguido uma redução de R$ 5 mil, mas no final estou pagando por ela. Além disso, outros encargos, como taxa de assinatura do contrato e comissão, também foram cobrados sem eu saber”, afirmou.

“Ninguém recebe cópia do contrato que assina. O vendedor pega os dados e diz que vai enviar para a financeira”, adverte a presidente da instituição, Eliana Chaves.

E agora?

Segundo o professor Alcides Leite, o caminho para que Kelly recupere a saúde financeira é tentar vender o carro e usar o dinheiro para quitar a dívida de R$ 4 mil dos dois cartões de crédito – modalidade que é ‘vilã’ dos juros altos e transforma pequenos débitos em uma “bola de neve” em pouco tempo. “Ela tem que sair logo da dívida do cartão, que é a mais cara”, recomenda o professor.

De acordo com Leite, a saída é tentar vender o veículo para um interessado na compra de um usado, e calcular o valor para a venda com base no preço dos usados no mercado. “Ela calcula o quanto custaria o carro do modelo e ano do dela financiado pelo período que ainda falta para ela pagar. Daí quem quer comprar um usado pode comprar dela e ela repassa o financiamento”, diz.

O especialista orienta que a analista continue pagando as parcelas do financiamento da casa e tente renegociar em caso de dificuldades no pagamento. “É melhor ficar com a casa do que com o carro, que só dá despesa. Pelo menos ela está colocando dinheiro em uma coisa útil, que vai livrá-la do aluguel”, diz. “Ela deve procurar a construtora para renegociar, pedir alguma carência para pagar as parcelas”.

Depois de controlado o “pico” da crise financeira na vida da analista, Leite recomenda mudanças drásticas. O primeiro passo, ensina, é procurar o banco em que é correntista, cancelar o cheque especial e devolver os dois cartões de crédito. “O cartão é muito perigoso para quem tem dificuldades de se planejar, porque você gasta mais do que pode, entra no financiamento e aquilo vira uma bola de neve”, diz o economista, que acredita que a atitude ajudará Kelly a aprender a depender apenas da renda mensal para pagar as contas. “Por um tempo é bom ter um choque total: não ter cheque especial, cartão nem carro”, diz.

Outra dica do professor é a de que Kelly busque organizar o orçamento em casa, com o namorado. “Tem que conversar com ele e os dos colocarem no papel toda a receita e todas as despesas, e juntos estudarem como eles vão fazer para tocar a vida daqui para frente”. Anotar todas as despesas e montar uma planilha pode fazer muita diferença no fim do mês, diz Leite.

http://g1.globo.com/ em 19/07/2011

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Afinal, temos ou não uma bolha imobiliária no Brasil?

O expressivo aumento observado, sobretudo nos dois últimos anos, nos preços dos bens imóveis, independentemente da tipologia (residencial, comercial, industrial ou rural), bem superior à variação dos preços de quase todos os demais ativos disponíveis em nossa economia, tem levado alguns articulistas a discutir se estaria ou não sendo formada uma bolha imobiliária.

Essa bolha seria similar à verificada em diversos países desenvolvidos e que, ao estourar em 2008, produziu uma gama variada de problemas (queda do PIB, desaparecimento de empresas, aumento do desemprego, tensão social, entre outros) até então não totalmente equacionados.

Para responder à questão tema deste artigo, achamos útil relacionar os principais fatores macro e microeconômicos que estimularam a demanda por ativos imobiliários em nosso país, a saber:

a) a estabilidade econômica alcançada
b) o crescimento da renda de parcelas consideráveis de nossa população
c) o aumento do prazo para pagamento dos financiamentos imobiliários, com consequente queda do valor da prestação
d) a criação de isenções tributárias para o investidor pessoa física aplicar em títulos com lastro imobiliário (LCI, LH, CRI e quotas de fundos de investimento imobiliário)
e) a entrada no mercado de grandes "players" (empresas, fundos de investimento, fundos de pensão) que viram no segmento imobiliário boa oportunidade de investir em ativos não correlacionados aos de suas carteiras
f) o aumento do preço das commodities agrícolas elevando o preço das terras agricultáveis
g) a possibilidade de auferir boa remuneração (renda de aluguel e ganho de capital na venda do bem)
h) a proteção implícita oferecida por esta classe de ativos contra aumento da inflação.

Com tantos indutores e estímulos à demanda, por que então não tivemos um aumento mais substancial na oferta de bens imóveis no país?

Entre as causas principais podemos citar: a baixa oferta de terrenos nos grandes centros urbanos; a falta de investimento público em infraestrutura que ampliasse as áreas de expansão urbana; a falta de mão de obra (especializada ou não); a escassez de máquinas e equipamentos; maiores exigências ambientais; e o longo ciclo da produção imobiliária.

Vale ressaltar que esse ciclo (estudo de um terreno, sua aquisição, desenvolvimento e aprovação do projeto, construção/venda, e, por fim, entrega dos imóveis aos adquirentes), para ser concluído, exige, pelo menos, quatro anos.

Dessa maneira, não é possível ampliar de forma significativa e imediata a oferta imobiliária de modo a atender plenamente a demanda hoje existente. A consequência natural desta dinâmica é o contínuo aumento dos preços.

Adicionalmente, destacamos os seguintes pontos estruturais que blindam o nosso mercado e inibem a formação de bolha:

1) a taxa real de juros que ainda é muito elevada
2) o baixo nível de volume de crédito imobiliário em relação ao PIB (em torno de 5%)
3) a adoção de critérios mais técnicos para concessão de crédito imobiliário (por exemplo a prestação não supera o patamar de 30% da renda familiar do financiado)
4) o fato de o comprador de bem imóvel não conseguir financiar 100% do preço do bem. Como apenas parte do preço é financiada, se houver queda do valor de mercado do bem, dificilmente o saldo devedor ficará superior ao valor da garantia que é o próprio bem imóvel. Tal fato, além de reduzir a inadimplência, facilita a recuperação do valor financiado
5) a impossibilidade jurídica de um tomador de crédito imobiliário (diferentemente do que ocorreu em alguns mercados mais maduros) refinanciar diversas vezes o imóvel adquirido, pois, por aqui, com a utilização do instituto da "alienação fiduciária em garantia", o credor fica como titular do imóvel até que o financiamento seja integralmente quitado, não sendo, portanto, possível ao devedor, enquanto não ocorrer o pagamento total da dívida, fazer operações que impliquem novos registros na matrícula do imóvel no competente Cartório de Registro Imobiliário.

Em suma, os fatores antes destacados, indutores da demanda e limitadores da oferta, além dos aludidos pontos estruturais, continuam, com maior ou menor intensidade, presentes no mercado imobiliário brasileiro. Assim sendo, entendemos que não há bolha imobiliária no nosso país.

Paulo Queiroz é economista e sócio da Portfolio Asset
Valor Econômico - 14/07/2011  http://www.valoronline.com.br/

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Sem apoio de Casino e BNDES, fusão do Pão de Açúcar é suspensa

Proposta previa união da varejista brasileira com o Carrefour.
Apesar da suspensão, fundo Gama diz 'reiterar confiança na proposta'.

A proposta de fusão entre Pão de Açúcar e Carrefour foi suspensa por tempo indeterminado, segundo anúncio feito na noite desta terça-feira (12) pelo fundo Gama, responsável pela oferta de fusão apoiada pelo empresário Abilio Diniz.

O anúncio do Gama, que pertence ao banco BTG Pactual, ocorreu por volta das 19h45, pouco depois de o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) divulgar que não financiará a operação.

As notas de Gama e BNDES foram divulgadas separadamente. Ambas citam como razão para a decisão o anúncio feito de manhã pelo grupo francês Casino de que se mantém contra a fusão. O grupo Casino é o principal sócio de Abilio Diniz no Pão de Açúcar no Brasil. Na França, o Casino é rival do Carrefour.

A proposta de fusão foi apresentada ao Carrefour em junho pela Gama, que pertence ao BTG Pactual, do investidor André Esteves, e previa o apoio financeiro do BNDES. Na ocasião, o banco informou que tinha enquadrado para análise uma operação de valor equivalente a até 2 bilhões de euros (o equivalente a R$ 4,5 bilhões).

Pela proposta apresentada ao Carrefour, o BNDESpar, braço de investimento do banco estatal, entraria com R$ 3,91 bilhões no negócio e o BTG Pactual com R$ 690 milhões. Ambos se tornariam sócios do Pão de Açúcar.

Desde o anúncio das negociações, o Casino critica o fato de Abilio Diniz ter iniciado as dicusões sem ter sido comunicado. O Casino destaca que comprou em 2005 o direito a ter o controle do Pão de Açúcar a partir de 2012 e afirma que "não abrirá mão deste direito". A fusão com o Carrefour é vista pelo grupo francês como uma tentativa de Diniz de tentar manter o controle do Pão de Açúcar.

Recusa do Casino

Pela manhã, o Casino afirmou, por meio de nota, que a proposta de unir as operações do Carrefour no Brasil às do Pão de Açúcar é contrária aos interesses da varejista brasileira e dos acionistas.

O conselho de administração do Casino, grupo que divide o controle do Pão de Açúcar com o empresário Abilio Diniz, também considerou que a estimativa de sinergias (economias) provenientes da fusão foram 'fortemente superestimadas', com riscos de execução significativos.

Em reunião nesta terça-feira, o conselho votou de forma unânime contra a operação, apoiada por Diniz, que não participou da votação. Diniz se reuniu com o conselho de administração do Casino nesta terça-feira, em Paris, quando reafirmou seu apoio à transação, segundo o grupo francês.

Na bolsa de valores da França, a recusa foi vista como positiva para o Casino, cujas ações fecharam em alta de 0,14%. Já os papéis do Carrefour, que enfrenta dificuldades, tiveram queda de 2,68%. Na bolsa brasileira, as ações do Grupo Pão de Açúcar também foram afetadas, com as preferenciais fechando em baixa de 1,96%.

BNDES

Com a recusa à operação pelo Casino, o BNDES retirou seu apoio à fusão. Pela proposta inicial apresentada, o BNDESpar, braço de investimento do banco estatal, entraria com R$ 3,91 bilhões no negócio.

Em comunicado, o BNDES disse que "cancelou o enquadramento da operação solicitada" em função do "não atendimento às condições estabelecidas". "Como reiterado em diversas oportunidades, o pressuposto da eventual participação da BNDESpar nesta operação era o entendimento entre todas as partes envolvidas", destacou o comunicado.

De início, o BNDES defendeu a operação, afirmando que o negócio tinha "alto potencial de criação de valor para todas as partes envolvidas".

Em seu último comunicado sobre o assunto, no dia 1º de julho, o banco destacou que o apoio ao projeto dependia do "entendimento amigável entre todos os atores privados".

Proposta é suspensa

Também no início da noite, o Gama, pertencente ao BTG Pactual, do investidor Andre Esteves, informou que suspendeu temporariamente a proposta de fusão entre as duas varejistas. A proposta fora apresentada ao Carrefour no dia 28 de junho pela Gama.

Em comunicado, o Gama reitera a confiança na proposta, que classifica como "oportunidade excepcional" para ambos os grupos, com "enorme potencial de crescimento" para o Grupo Pão de Açúcar. Além disso, o grupo destaca que a proposta de fusão apresentada pelo fundo ao Carrefour foi sempre "amigável, sujeita à aprovação dos acionistas".

'Não é factível prosseguir', diz empresa de Diniz

Após o recuo do BNDES e a suspensão da proposta, a Península, empresa que centraliza os negócios da família Diniz, reconheceu nesta terça-feira em comunicado que, nas presentes condições, "não é factível prosseguir" com a proposta de fusão do Pão de Açúcar com o Carrefour.

"Península está convencida de que o Conselho de Administração do Casino não analisou devidamente todos os aspectos da proposta. A decisão unilateral do Casino é, portanto, profundamente lamentável", informou o comunicado.

Do G1, em São Paulo

quarta-feira, 6 de julho de 2011

"Índice de miséria" segue baixo no país, ainda estimulando o consumo


A soma da taxa de desemprego e da inflação segue no mesmo nível desde dezembro do ano passado, mantendo-se em patamares baixos para padrões brasileiros. O recente aumento do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado em 12 meses foi compensado pelo recuo da taxa de desocupação, feito o ajuste sazonal. Em maio, o chamado "índice de miséria" ficou em 12,4 pontos, resultado da combinação de um desemprego de 5,8%, em termos dessazonalizados, e de um IPCA de 6,6% em 12 meses, segundo números da MB Associados.

Nos últimos seis meses, o indicador tem oscilado entre 12,2 pontos e 12,4 pontos. É um pouco acima da mínima atingida em agosto e setembro de 2010, de 11,1, mas confortavelmente abaixo da média de 16,9 observada entre 2002 e 2009. Para o economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale, é um patamar que ainda tende a estimular o consumo, embora com menos intensidade do que no melhor momento do ano passado.

"O "índice de miséria" é um conceito tradicional que mede a percepção da população em relação a sua situação econômica", diz Vale. A queda mais significativa do número se deu a partir de 2006, período a partir do qual a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu com força, até atingir níveis recordes, superando os 80% de aprovação.No começo do governo Lula, porém, o "índice de miséria" alcançou números bastante elevados, chegando a beirar 30 em maio de 2003. O desemprego chegou a 12,5% e o IPCA em 12 meses, em 17,2%, com o forte impacto inflacionário provocado pela desvalorização do câmbio ocorrida no ano anterior.

Com a redução da inflação para níveis mais próximos do centro da meta perseguida pelo Banco Central, de 4,5%, e a progressiva queda do desemprego, o "índice de miséria" caiu bastante nos anos seguintes. No terceiro trimestre de 2009, chegou à casa dos 12 pontos.

Vale não acredita em novas reduções expressivas do indicador daqui para frente. Ele espera que o índice termine o ano em 11,9, considerando que o IPCA fecha 2010 em 6,3% e a taxa de desemprego em 5,6%, na série com ajuste sazonal. Desse modo, a percepção da população em relação à situação econômica tende a ficar estagnada, um quadro que pode se repetir até 2014, acredita Vale, por não ver uma redução significativa da inflação ou do desemprego nos próximos anos.

O economista José Márcio Camargo, da Opus Gestão de Recursos, vê com ressalvas o "índice de miséria", por ser um indicador composto que atribui pesos iguais às taxas de inflação e de desemprego. Ele chama a atenção também para o fato de que um número baixo não necessariamente reflete uma situação favorável. Um país pode ter um desemprego mais alto e uma inflação bastante baixa, mas num ambiente recessivo, que resulte numa soma modesta dos dois indicadores.

No caso brasileiro, houve uma combinação bastante virtuosa entre maio e agosto de 2010, quando ocorreu uma diminuição simultânea da taxa de desemprego e da inflação em 12 meses. No terceiro trimestre de 2010, o consumo das famílias cresceu 1,7% sobre o trimestre anterior, na série livre de influências sazonais, uma alta considerável. No ano, houve alta de 7% do principal componente da demanda.

Para os próximos meses, Camargo acredita que a taxa de desemprego pode cair ainda mais, em termos dessazonalizados. "O segundo semestre tende a ser sazonalmente mais aquecido no mercado de trabalho", diz ele. A questão é que, ao mesmo tempo, o quadro favorável para o emprego e a renda mantém a inflação sob pressão. Hoje, os analistas esperam que, o IPCA siga em alta no acumulado em 12 meses até alcançar a casa de 7% no terceiro trimestre, para só então recuar e fechar o ano um pouco acima de 6%. Em resumo, a aposta dominante dos economistas aponta para pouco espaço para uma queda relevante do "índice de miséria" neste ano.

Autor(es): Sergio Lamucci
De São Paulo
Valor Econômico - 06/07/2011 http://www.valoronline.com/

terça-feira, 5 de julho de 2011

Artigo


A dependência da China


Quando eu era menino, a expressão popular "vá pra china" era insulto grave. Hoje, só se vai pagando muito. A história recente desse país nos leva a crer na capacidade do ser humano de se rebelar contra a realidade produzida por outros e criar sua própria estrada. Depois de séculos de exploração estrangeira, de anos sob um comunismo destruidor de valores e individualidades, a China vive período de importante renascimento econômico. O abandono de dogmas ultrapassados e produzidos por uma camarilha que cuidava apenas de seus favores e privilégios, vem demonstrando que a paciência chinesa tem características surpreendentes.

O crescimento econômico, baseado em identificação de potencialidades, na definição de procedimentos, na construção de parcerias e na capacitação pessoal e profissional, permitiu uma alocação de riquezas sem precedência.

A coragem da escolha dos Estados Unidos como sócio para o desenvolvimento, ultrapassando uma histórica diferença, já era o sinal de que a aparente leniência da China daria lugar a um pragmatismo com resultados planejados e controlados. O depósito dos ganhos, desde os primeiros resultados positivos, em títulos da dívida americana, era uma espécie de garantia de que o casamento sino-americano era para sempre e leal.

Entretanto, a convivência democrática, das liberdades civis, políticas e individuais, deveria ser uma condição básica para integrar a comunidade internacional. A China conseguiu que vários países, inclusive o nosso, definissem-na como economia de mercado para o seu reconhecimento na OMC. Fizeram bem em não chamá-la de mercado livre.

Há perguntas esperando respostas, por exemplo: como vão enfrentar o grito de Hong Kong para a retomada da plenitude do "ser livre", desfrutada nos cem anos sob a bandeira britânica e ameaçada com a reanexação? Como criar universidades modernas, sem conceder liberdade de pensamento? Como competir com as conquistas trabalhistas dos fraternos operários de Taiwan e do resto do mundo, para onde exportam seus produtos? E no dia em que professores e trabalhadores resolverem fazer uma greve? Vai ter cadeia para todos? E a imprensa livre? E a decisão dos pais de terem o número de filhos que bem entenderem, sem o risco de enquadramento na "lei" do filho único? Como inibir tanta gente de ler o que prefere ou navegar na internet? Só a democracia - com todos seus defeitos - condiciona um povo à plenitude da vida, à aceitação dos contrários e respeito ao próximo.

Disputar o mercado mundial implica, necessariamente, ter condições parelhas de salários, benefícios, horas de trabalho, dignidade e outras vitórias já empalmadas pelos trabalhadores do mundo livre. A Índia, com população tão grande como a China, tem provado que o argumento "muita gente" não justifica a falta de liberdade, nem impede o crescimento econômico. O simples acumular de dólares, a construção de megaobras, a industrialização à custa de generosos subsídios poderão levar a China, certamente, a um estado de riqueza, mas, jamais, sem qualquer dúvida, a uma nação justa, livre e digna de seus cidadãos.

A dependência atual da economia brasileira em relação à China - exportando produtos primários e importando industrializados, de carros a computadores - precisa de reflexão mais profunda e avaliação temporal responsável. Em que condições produzimos? Quais direitos desfrutam nossos trabalhadores? A que custo mantemos nossas liberdades? Até quando vale a pena lidar com parâmetros tão diversos numa economia globalizada e exigente?

O Brasil precisa queimar etapas, investir em desenvolvimento de pesquisas, qualificar suas escolas e produzir com altos níveis de agregação tecnológica para que seus trunfos de liberdades e direitos humanos possam ser um diferencial que o leve a um futuro grandioso.

Autor(es): agência O Globo: Antenor de Barros Leal

O Globo - 05/07/2011 www.oglobo.com.br

FMI: Christine Lagarde será a 1ª mulher no cargo de Diretor-Gerente


Lagarde toma posse de seu cargo à frente do FMI nesta terça-feira


Ela assume a vaga de Strauss-Kahn, envolvido em escândalo nos EUA.

A ex-ministra da Economia francesa Christine Lagarde se tornará hoje (5/7) a primeira mulher no cargo máximo do Fundo Monetário Internacional (FMI).

A francesa Christine Lagarde
Lagarde, que substitui o também francês Dominique Strauss-Kahn, chegará à sede do FMI, em Washington, às 9h locais (10h de Brasília), segundo informou o organismo em comunicado.

Embora não haja nenhum ato oficial programado para o seu primeiro dia e tenha adiado seu primeiro encontro com a imprensa para quarta-feira (6), a nova diretora-gerente posará para as câmeras em sua chegada ao organismo.

A ex-ministra da Economia francesa assume o cargo apenas cinco dias depois de ter sido escolhida pelo Conselho Executivo do FMI para substituir Strauss-Kahn, que renunciou em maio após ser acusado de tentar estuprar a camareira de um hotel de Nova York.

A eleição de Lagarde era esperada e mantém a tradição de um europeu à frente do organismo internacional, em detrimento do candidato dos "mercados emergentes", como se definia seu rival, o governador do Banco Central do México, Agustín Carstens.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

continua a novela da Fusão, cenas dos próximos capítulos



Casino abre 2º pedido de arbitragem contra Abilio Diniz

Francês disse que pedido foi feito para garantir respeito aos acordos.
Carrefour recebeu proposta de fusão com Pão de Açúcar; Casino é contra.

A varejista francesa Casino anunciou hoje(4/7) que abriu na última sexta-feira (1º) um segundo pedido de arbitragem na Câmara de Comércio Internacional (ICC, na sigla em inglês) contra seu sócio brasileiro Abílio Diniz.

Por meio de comunicado, o Casino afirmou que abriu o pedido "para garantir o respeito dos procedimentos estabelecidos pelo acordo de acionistas de 27 de novembro de 2006" na Companhia Brasileira de Distribuição (CBD).

Nesta segunda, o conselho de administração do grupo francês de distribuição Carrefour se declarou favorável à fusão com a Companhia Brasileira de Distribuição (CBD) Pão de Açúcar, líder do setor no Brasil.

O Casino reiterou seu compromisso com o Grupo Pão de Açúcar (CBD), que é controlado pela família Diniz, e disse confiar na diretoria da empresa brasileira.

"Como acionistas desde 1999, o Grupo Casino tem continuamente apoiado o crescimento e o desenvolvimento do CBD", destacou o Casino no comunicado.


 

O Casino, um dos mais importantes acionistas da CBD, que precisa aprovar o negócio, não aceita a fusão. Na semana passada aumentou em 6,2% sua participação nesta empresa, da qual controla agora 43,1% das ações direta e indiretamente através da Wilkes, holding conjunta com a família Diniz.

O projeto, estimulado pela empresa brasileira Gama, prevê a fusão dos ativos brasileiros do Carrefour com os da CBD Pão de Açúcar para formar uma sociedade conjunta com partes iguais e uma participação da Gama no Carrefour.

A operação permitiria uma sinergia estimada entre 600 e 800 milhões de euros em um ano (entre 871 e 1,161 bilhão de dólares), segundo o Carrefour. A nova entidade teria um volume de negócios de 30 bilhões de euros em 2011.

Extraído de http://g1.globo.com/ em 04 dejulho de 2011