quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Miriam Belchior confirma mínimo de R$ 619,21 para 2012


A ministra do Planejamento, Miriam Belchior, entregou nesta manhã ao Congresso Nacional a proposta de Orçamento para o ano de 2012. Segundo a ministra, o salário mínimo proposto pelo governo para o próximo ano é de R$ 619,21, um aumento de 13,6%. Miriam concederá coletiva durante a tarde para falar sobre a proposta do Executivo.

O projeto foi entregue ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Ele fará o pronto encaminhamento da proposta à Comissão Mista de Orçamento para a tramitação do projeto. O relator será o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP).

O valor do salário mínimo revelado hoje pela ministra Miriam Belchior é maior do que projetado pelo governo quando do envio da lei de diretrizes orçamentárias (LDO) para 2012 ao Congresso, em abril deste ano. Nos parâmetros utilizados pelo governo para elaboração da LDO, o mínimo previsto era de R$ 616,34.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

IBGE: Região Sudeste emprega seis em cada dez trabalhadores de serviços

São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo, juntos, também lideraram o ranking de pagamento de massa salarial com 5,9 milhões de trabalhadores

A Região Sudeste emprega seis em cada dez trabalhadores do setor de serviços no país. Segundo dados da Pesquisa Anual de Serviços (PAS) referente a 2009, divulgada nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os quatro estados que compõem a região respondem por 5,9 milhões de trabalhadores ocupados no setor, excluídos os da área de serviços financeiros. Em todo o país, os profissionais que atuam na prestação de serviços totalizam 9,7 milhões de pessoas.

É também a Região Sudeste que concentra o maior número de empresas do setor (60,2%) e foi responsável pela maior movimentação financeira, tendo gerado R$ 555 milhões em receita bruta (66,4%). Os estados de São Paulo, do Rio de Janeiro, de Minas Gerais e do Espírito Santo, juntos, também lideraram o ranking de pagamento de massa salarial, com 67,2% do total. Em 2009, os serviços nesses locais geraram R$ 96,3 bilhões em salários, retiradas e outras remunerações.

As empresas prestadoras de serviços da Região Sul, segunda colocada em número de pessoal ocupado, empregaram 15,5% dos trabalhadores do setor (1,5 milhão de pessoas). Esses negócios, que representam 21,6% do total no país, pagaram 13,6% dos salários, retiradas e outras remunerações.

A Região Nordeste teve participação menor: 9,8% da receita bruta de prestação de serviços; 13,8% do pessoal ocupado; 10,2% dos salários, retiradas e outras remunerações pagos; e 10,2% do número de empresas do setor.

As regiões Centro-Oeste e Norte foram as que empregaram menos trabalhadores no setor de serviços, com 7% e 3% respectivamente. O Centro-Oeste concentrava 6,5% do número de empresas prestadoras de serviços e pagou 6,6% dos salários e outras remunerações. A região foi responsável pela geração de 6,9% de toda a receita bruta do setor, em 2009. Já no Norte, estava localizado apenas 1,5% de todas as empresas de serviços. Elas pagaram 2,4% da massa de salários e outras remunerações e geraram 2,8% da receita bruta do setor.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011


Governo elevará meta de superávit primário

 O governo, disse Paulinho, "acredita num crescimento de 4% e vai trabalhar para isso", justificando a necessidade do superávit primário

O governo deve elevar a meta de superávit primário deste ano diante do cenário externo mais turbulento. 

A informação foi dada por sindicalistas, nesta segunda-feira (29/8), após encontro com a presidente Dilma Rousseff e o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

"Ela (Dilma) disse que a crise mundial pode se agravar e por isso terá uma necessidade de aumentar o superávit", disse a jornalistas Wagner Gomes, presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

Segundo o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho, presidente da Força Sindical, a presidente disse que o governo vai manter os investimentos sociais, não havendo cortes nessas áreas.

O governo, disse Paulinho, "acredita num crescimento de 4% e vai trabalhar para isso", justificando a necessidade do superávit primário.

"Ao invés de colocar no Fundo Soberano esse dinheiro que está sobrando eles vão colocar no superávit primário que seria uma condição para abaixar juros", disse Paulinho. Dilma não teria cravado um valor, mas teria mencionado algo em torno de R$ 10 bilhões, segundo o presidente da Força Sindical.

Dilma, segundo relato dos sindicalistas, argumentou também que não há condições para a votação este ano da PEC 300, que estabelece um piso nacional para bombeiros e policiais. Além disso, falou que os reajustes do funcionalismo terão que ser muito mais seletivos.

Jornais trouxeram reportagens nesta segunda-feira dizendo que o governo anunciará medidas fiscais com o objetivo de conter efeitos da crise econômica global.

Brasil Econômico   - Por Maria Carolina Marcello/Reuters
29/08/11 11:32  www.brasileconomico.com.br 

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

A escola que não ensina

Matemática, um mistério para a metade dos alunos
Triste retrato da educação pública no Brasil: 57% dos estudantes do 3º ano do ensino básico não sabem fazer contas.

Segundo pesquisa, 57% dos estudantes que concluem o 3º ano do ensino básico não fazem contas de adição e subtração. No caso da leitura, o desconhecimento do que é recomendado chega a 43%.

A estratégia de Jeanne Cordeiro Silva, professora do 4º ano do ensino fundamental da Escola Classe 3 do Guará (DF), é dividir a turma em crianças com deficiências semelhantes. Solução encontrada para distribuir melhor a atenção e, assim, o ensino. "Na minha sala, tenho um grupo que ainda não aprendeu a multiplicação, outro que já começou a divisão e um terceiro que não sabe nenhuma das duas operações", exemplifica. O malabarismo da aprendizagem presente no cotidiano de Jeanne é a realidade de milhares de docentes do país. Isso porque, segundo resultados da Prova ABC (Avaliação Brasileira do Final do Ciclo de Alfabetização), 57,2% das crianças que concluíram o 3º ano não conquistaram um aprendizado esperado em matemática. Em relação à leitura, 56,1% aprenderam o suficiente para, por exemplo, localizar informações explícitas em textos. A avaliação foi feita no primeiro semestre deste ano com cerca de 6 mil alunos de 250 escolas municipais, estaduais e particulares de todas as capitais do país. Os estudantes tinham em média 8 anos de idade.

Para a diretora executiva da Todos pela Educação, Priscila Cruz, os percentuais devem ser considerados muito abaixo do que se espera de uma educação de qualidade. "Fizemos metade da nossa lição de casa. Enquanto o país não tiver 100% das crianças com habilidades básicas em conteúdos fundamentais, não podemos ficar satisfeitos", disse. A avaliação foi feita pela organização em parceria com o Instituto Paulo Montenegro/Ibope, a Fundação Cesgranrio e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Os alunos também foram avaliados na área da escrita, onde 46,6% dos avaliados não apresentaram um desempenho esperado — ou seja, foram incapazes de desenvolver a temática proposta para uma redação.

Distorções históricas

Os resultados da avaliação apresentaram diferenças entre as regiões do país e entre as escolas públicas e privadas. O Centro-Oeste apresenta o segundo melhor percentual no caso da leitura e da matemática, atrás apenas da Região Sul. As regiões Norte e Nordeste ficam abaixo da média nacional nos três critérios: leitura, matemática e escrita. Já as escolas públicas apresentam resultados inferiores às particulares em todas as regiões. No caso da matemática, por exemplo, a rede de ensino pública não atingiu pontuação satisfatória em nenhuma região. Ou seja, os alunos não demostraram domínio da adição e subtração, e não conseguiram resolver problemas envolvendo notas e moedas.

De acordo com a secretária de educação básica do Ministério da Educação (MEC), Maria do Pilar Lacerda, é preciso ter uma "paciência histórica". "Temos que fazer o que não foi feito nos séculos 19 e 20: colocar todas as crianças na escola, garantir o aprendizado e fazer com que os pais e as mães voltem para a escola. O Brasil se acostumou com a desigualdade de oportunidade durante muito tempo", disse. Para a secretária, a diferença entre os resultados conquistados em leitura e matemática deve-se a uma ferramenta de avaliação interna, a Provinha Brasil, que, desde 2008, atesta a qualidade da alfabetização e do letramento inicial oferecidos às crianças do 2º ano. "A provinha é aplicada em março e depois em novembro. Assim, a professora pode comparar a trajetória dos alunos", explica.

Segundo a diretora executiva do Instituto Paulo Montenegro, Ana Lúcia Lima, os resultados apontam para a ocorrência de disparidades desde os primeiros anos da escola. "Os dados mostram que todas as desigualdades se reforçam ao longo da trajetória escolar da criança. Quanto mais as séries avançam, mais aumenta a evasão. Isso vai gerar o que se percebe daqui a 15 anos: o fato de que apenas 25% dos brasileiros têm efetivamente domínio da leitura e da escrita. Essa distorção deve ser corrigida nos anos iniciais do ensino fundamental", afirma.

Autor(es): » Larissa Leite
Correio Braziliense - 26/08/2011

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Mercado de trabalho aquecido faz brasileiro comer mais fora de casa

Pesquisa mostra que despesa em restaurantes dobrou em 9 anos; nova classe média responde por mais da metade dos que almoçam ou jantam fora.


O aquecimento no mercado de trabalho no Brasil vem gerando um impacto não apenas nas contas bancárias da população, mas também na mesa de refeições.

Os brasileiros gastam hoje mais que o dobro do que gastavam há nove anos ao com alimentação fora de casa, de acordo com uma pesquisa inédita feita pela consultoria Data Popular.

Se essa despesa somava R$ 59,1 bilhões em 2002, dados deste ano mostram que ela subiu para R$ 121,4 bilhões.

O levantamento indicou ainda que esse salto foi impulsionado pela chamada nova classe média, que engloba a classe C. Dos 65,3% do total de brasileiros que costumam comer fora de seus domicílios, 54,6% são da classe C, seguidos de 26% das classes D/E e 19,4% do setor A/B.

Vale-refeição x refeitórios

"Um dos motivos para esse crescimento é a nova configuração da sociedade urbana', afirma o sociólogo Fábio Mariano Borges, que é especialista em comportamento do consumidor e professor de Ciências do Consumo Aplicado da ESPM.

"O aumento no índice de emprego não significa apenas um maior acesso financeiro, mas também uma mudança de estilo de vida que incluiu atividades fora de casa, seja o almoço na hora do trabalho ou o jantar fora por lazer. Você está melhorando de vida, por isso quer incluir hábitos que mostrem isso."

O crescimento desse costume aqueceu o setor de alimentação, gerando concorrência e melhorias em bares e restaurantes. E isso acaba fechando o ciclo, já que com preços menores e maior quantidade e qualidade na oferta, o número de clientes tende a aumentar. Estima-se que hoje haja cerca de 680 mil estabelecimentos como restaurantes e lanchonetes no país - que recebem 85,2 milhões de clientes por ano, enquanto que há nove anos esse número não passava de 240 mil empresas desse tipo.

Esse cenário também foi se desenvolvendo porque o recente boom econômico se dá principalmente em empreendimentos de serviço, como explica Renato Meirelles, sócio-diretor da Data Popular.

"E nesse setor de serviços, onde geralmente há empresas menores, predomina a prática de dar vale-refeição aos funcionários e não de se fazer refeitórios como ocorria antigamente e ainda acontece, geralmente em indústrias", afirma Meirelles.

Praça de alimentação

O cartão de vale-refeição faz parte do dia a dia do gerente operacional Landerson Leandro da Silva, de 33 anos, que almoça todos os dias no Shopping Paulista, ao lado do escritório de cobrança onde trabalha.

"Venho aqui quase todos os dias e gosto porque a gente sai um pouco do ambiente da empresa, dá uma volta do shopping, uma espairecida."

Silva conta que o ticket alimentação que recebe é suficiente para pagar seu almoço. "Se não dá, é porque peguei mais comida do que deveria", conta ele, acrescentando que costuma almoçar em restaurantes por quilo do shopping.

Para Borges, da ESPM, a praça de alimentação representa justamente um outro motivo para o crescimento das refeições fora de casa: a sociabilidade.

"É ali que a gente vê a alimentação entrando como lazer", diz Borges.

Pela pesquisa do Data Popular, que foi realizada no segundo trimestre deste ano nos 26 estados, 'lazer' foi a resposta mais dada pelos entrevistados de todas as classes sociais quando questionados por que vão jantar fora de casa.

Nas classes A e B esse percentual chega a 56,4% dos ouvidos, seguidos por 46% da classe C e 42,9% das classes D e E.

"Na esteira do maior nível de emprego, agora há a possibilidade de se passear no shopping, não comprar nada nas lojas, mas comer algo na praça de alimentação antes de voltar pra casa", afirma Borges.

Fonte: www.bbc.co.uk/portuguese

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Juro bancário de pessoa física cai para 45,7% ao ano, diz Banco Central

Trata-se da segunda redução mensal consecutiva da taxa de juros.
Segundo o BC, é o menor nível desde março deste ano.


Os juros cobrados pelos bancos em suas operações de crédito com pessoas físicas recuaram 0,4 ponto percentual em julho deste ano, para 45,7% ao ano, segundo informações divulgadas pelo Banco Central nesta quarta-feira (24). Em junho, a taxa estava em 46,1% ao ano.

Segundo o Banco Central, é a segunda queda consecutiva dos juros bancários das pessoas físicas, que atingiram o menor patamar desde março deste ano (45% ao ano). A queda dos juros bancários ainda não reflete os últimos desdobramentos da economia, com mais turbulências por conta da possibilidade de recessão nos Estados Unidos e em algumas econmias da Europa.

A percepção de que há uma nova fase da crise aconteceu no início deste mês, após o rebaixamento da dívida dos Estados Unidos pela agência de classificação de risco Standard & Poors. Autoridades governamentais e investidores já acreditam que a crise deverá durar alguns anos.

Essa nova fase de turbulências poderá contribuir para baixar mais os juros bancários no Brasil nos próximos meses, visto que, com a crise, a inflação tende a arrefecer - contribuindo para o recuo dos juros básicos da economia, determinados pelo BC.

Em julho, a crise ainda não teve reflexo nos juros futuros, que servem de base para a captação dos bancos. A taxa de captação dos bancos subiu de 12,2% ao ano em junho para 12,3% ao ano em julho.

Em agosto, porém, a curva de juros já começou a recuar. Por conta dos efeitos da crise financeira internacional, o Tesouro Nacional já está pagando juros menores nos leilões de títulos prefixados, embora as ofertas estejam mais dispersas.

"No começo de agosto, os juros bancários de pessoa física subiram, mas ainda não refletem os efeitos da crise", avaliou o chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel. Segundo ele, geralmente os juros bancários acompanham a curva de juros futuros, o que pode significar uma tendência de queda dos juros bancários nos próximos meses.

Acumulado do ano

No acumulado de janeiro a julho deste ano, porém, a taxa de juros dos bancos em suas operações com pessoas físicas apresentou uma elevação de 5,1 pontos percentuais, visto que estava em 40,6% ao ano em dezembro de 2010.

Em 2011, o BC já subiu a taxa básica de juros da economia em cinco oportunidades, fixando-a em 12,50% ao ano no mês passado - o maior patamar desde o começo de 2009.

Além disso, para combater a inflação, a autoridade monetária subiu os depósitos compulsórios (que os bancos têm de manter no BC) no fim do ano passado, e aumentou o Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF) para empréstimos de até dois anos tomados no exterior - medidas que também contribuíram para pressionar os juros para cima nos primeiros meses deste ano.

Taxa geral e das empresas

Segundo a autoridade monetária, a taxa média geral de juros nas operações dos bancos, englobando as operações com pessoas físicas e com empresas, somou 39,7% ao ano em junlo. Com isso, avançou 0,2ponto percentual frente ao patamar de junho (39,5% ao ano). Essa elevação está relacionada com os juros das empresas, que subiram de 30,8% ao ano em junho para 31,4% ao ano em julho, um aumento de 0,6 ponto percentual.

Alexandro Martello
Do G1, em Brasília
Juro do cheque especial sobe para 188% ao ano, o maior em 12 anos

Aumento acontece na contramão da queda dos juros de pessoa física.
Uso do cheque especial aumenta no ano, assim como inadimplência.

Na contramão da queda dos juros bancários para pessoa física, a taxa cobrada pelos bancos nas operações com o cheque especial de pessoas físicas avançou no mês passado, quando atingiu 188% ao ano, o maior valor desde abril de 1999 (193,95% ao ano), ou seja, em pouco mais de doze anos, segundo informações divulgadas nesta quarta-feira (24) pelo Banco Central.

No acumulado deste ano, os juros cobrados pelos bancos no cheque especial, uma linha de crédito de emergência, pois possui uma das taxas mais elevadas de todas operações (junto com o cartão de crédito, quando o cliente não paga toda a fatura), avançaram 17,3 pontos percentuais, visto que estavam em 170,7% ao ano no fim de 2010. Esse crescimento foi o maior de todas as operações das pessos físicas e, inclusive, de empresas, disponibilizadas pelo BC.

Linha para 'momentos de aperto'

"O cheque especial tem mostrado esse comportamento [de aumento das taxas] já há alguns meses. Isso reflete muito o perfil do tomador. Há taxas difrerenciadas dentro da mesma modalidade, conforme o tomador. Na medida em que as taxas de juros da modalidade são mais altas, é recomendável que se evite, em termos de custo para o cidadão, este tipo de empréstimo. É uma linha para momentos de aperto. As pessoas tomam esse crédito quando não se tem condições de tomar outro, ou por um momento reduzido", declarou Túlio Maciel, chefe do Departamento Econômico do BC.

Uso cresce

Os dados do BC mostram que, assim como as taxas de juros cobradas pelos bancos, o uso do cheque especial também aumentou neste ano. Segundo informações da autoridade monetária, a média diária de concessões desta modalidade de crédito alcançou R$ 1,17 bilhão em julho, o que representa crescimento de 13,9% frente a dezembro do ano passado.

O crescimento do uso do cheque especial perdeu, entretanto, para o aumento na utilização do crédito pessoal, que avançou 20,1% de janeiro a julho, e para o uso da linha de cartão de crédito, que registrou expansão de 22,6% nos sete primeiros meses deste ano, mas ficou acima das concessões para compras de veículos (que recuaram 17,1% no período) e do crediário (-23,4% até julho). Todas as comparações foram feitas pela média diária.

Inadimplência do cheque especial

Os números do Banco Central também mostram uma subida da inadimplência das operações com cheque especial pessoa física, que atingiram 9% das operações em julho deste ano. Este é o maior patamar desde janeiro deste ano, segundo o Banco Central.


 
Em 9%, porém, a taxa de inadimplência do cheque especial é maior do que o nível do crédito pessoal (4,8%) e da linha para compra de veículos (4%), mas é menor do que a inadimplência de aquisição de bens (13,5%).

Alexandro Martello
Do G1, em Brasília

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Amigos homenageiam professor


Diretores e ex-presidentes do BNDES estiveram no velório do economista



O corpo do professor e economista Antonio Barros de Castro, morto no domingo após o desabamento do teto de seu escritório, no Humaitá, foi enterrado ontem no Cemitério São João Batista. O ex-presidente do BNDES recebeu as últimas homenagens no Palácio da UFRJ, no campus da Praia Vermelha. Além dos parentes, estiveram presentes amigos, como a professora Maria da Conceição Tavares, que conviveu com ele por mais de 50 anos na academia, e o professor Carlos Lessa, também ex-presidente do BNDES:

- Eu o conheci ainda como aluno na UFRJ - lembra Maria da Conceição.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse, em nota, que foi uma grande perda. "Tive a honra de conviver com ele em diversas ocasiões de nossa vida acadêmica e de convidá-lo, logo no início do governo Lula, para a assessoria do Ministério do Planejamento. Tão logo assumi, em 2005, a presidência do BNDES, convidei-o a ser diretor de Planejamento. E desde então sempre o consultava e trocávamos ideias sobre os principais desafios da economia brasileira. O dinamismo do Brasil de hoje deve muito ao professor", afirmou.

O ex-presidente Lula enviou coroa de flores, destacando a contribuição do economista para o desenvolvimento brasileiro e sua capacidade de aliar o conhecimento econômico ao espírito público. Estiveram no velório vários ex-colegas de BNDES: o atual presidente Luciano Coutinho, o ministro Wagner Bittencourt (Secretaria de Aviação Civil), João Carlos Ferraz (diretor de Planejamento), Armando Mariante (ex-vice-presidente) e o ex-presidente do banco Demian Fiocca.

Os embaixadores Samuel Pinheiro Guimarães e Sérgio Amaral, diretor do Conselho Empresarial Brasil-China, do qual Barros de Castro era consultor, também foram ao velório. Os economistas Fábio Giambiagi, Francisco Eduardo de Souza, Fernando Cardim, Aloísio Araújo, Paulo Nogueira Batista Jr. e João Paulo dos Reis Velloso também homenagearam o professor. (Mariana Durão e Clarice Spitz)

O Globo - 23/08/2011 http://www.oglobo.com.br/

segunda-feira, 22 de agosto de 2011


Mercado eleva projeção para inflação e reduz PIB para 2011

Instituições consultadas pelo BC reduzem a projeção de crescimento do PIB em 2011, de 3,93% para 3,84%

As instituições financeiras elevaram as previsões para a inflação neste ano, segundo o relatório Focus divulgado pelo Banco Central (BC), e reduziram as projeções para o Produto Interno Bruto (PIB).

Os agentes de mercado consultados estimam que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) encerre 2011 a 6,28%, ante projeção de 6,26% verificada na semana passada.

Para o próximo ano, as instituições rebaixaram a estimativa para o IPCA para 5,20%, face a 5,23% há uma semana.

Já as projeções para o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) em 2011 foram mantidas em 5,50%. 

Quanto ao Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI), a previsão para 2011 ficou em 5,44%, mesma taxa da semana anterior.

Selic

O mercado manteve a previsão para a taxa básica de juros do país (Selic) em 2011 a 12,50% ao final do ano. Há quatro semanas, contudo, a projeção era de 12,75%.

Para o fim de 2012, os economistas consultados prevêem que a Selic fique em 12,50% ao ano.

PIB

As instituições consultadas pelo BC reduziram a expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2011. As projeções apontam para uma expansão de 3,84%, sendo que há uma semana a previsão era de 3,93%.
Para 2012, a estimativa foi mantida em 4%.

Câmbio

De acordo com o boletim Focus, a projeção para a taxa de câmbio ficou inalterada em R$ 1,60 ao fim deste ano. Para 2012, a projeção é de que o dólar termine o ano a R$ 1,65.

Brasil Econômico   (redacao@brasileconomico.com.br)
22/08/11 08:41


quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Dona do Magazine Luiza deve ser nova ministra do governo Dilma


Luiza Trajano assumirá secretaria de microempresa, que ainda será criada


BRASÍLIA e SÃO PAULO. A dona do Magazine Luiza, Luiza Trajano, deverá ser confirmada na Secretaria da Micro e Pequena Empresa tão logo o Congresso Nacional aprove o projeto que cria o 39º ministério na Esplanada. As conversas com a presidente Dilma Rousseff e outros membros do governo vêm ocorrendo há cerca de quatro meses, mas ainda não houve resposta definitiva da empresária.

Nas últimas semanas, Luiza esteve com a presidente e, mais recentemente, com a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann. Na avaliação de interlocutores do Palácio, a efetivação de Luiza Trajano - dados os prazos de votação - deve ocorrer na virada para 2012, quando Dilma deverá fazer mudanças no ministério.

A empresária é considerada o "sonho do governo" para comandar a pasta. Mas o Palácio do Planalto trata o assunto com cautela para não atropelar o Congresso, que ainda não aprovou a criação da Secretaria da Micro e Pequena Empresa. Por isso, o convite é considerado extra-oficial.

O projeto foi encaminhado ao Congresso no dia 31 de março, mas na semana passada a presidente pediu que tramite em regime de urgência constitucional. Ou seja, com prazo de 45 dias para votação na Câmara e 45 dias, no Senado. Se não for votado nesse prazo, o projeto tranca a pauta de cada Casa.

Ministro e Magazine Luiza confirmam convite

A Secretaria da Micro e Pequena Empresa será criada como órgão essencial da Presidência da República, mesma categoria, por exemplo, da Casa Civil, da Secretaria Geral, da Secretaria de Relações Institucionais e da Secretaria de Aviação Civil. Na prática, a Secretaria da Micro e Pequena Empresa será o 13ºórgão da Presidência com status de ministério.

O ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, confirmou o convite para Luiza, mas desconversou quando perguntado se ela aceitou ou não.

- Sei que há um contato da presidenta com a Luiza, mas não sei se ela aceitou não. Eu também vi nos jornais. Espero que tenha aceitado, ela vai ser uma figura importante para nós, é uma empresária de sucesso - afirmou ele.

Procurado, o Magazine Luiza disse que o convite foi feito mesmo, mas que a empresária ainda não vai falar publicamente sobre o assunto.

Autor(es): agência o globo:Luiza Damé

O Globo - 17/08/2011 http://www.oglobo.com.br/

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Mercado reduz projeções para crescimento do PIB e inflação

A expectativa de desaceleração mais acentuada da economia mundial, em decorrência da crise fiscal nos Estados Unidos e na Europa, voltou a reduzir a previsão de crescimento econômico e a inflação projetada para o índice que baliza a política monetária no Brasil. A mediana das projeções de mercado colhidas pelo Banco Central na sexta-feira indica que a variação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) será de 6,26% em 2011 e de 5,23% em 2012. A previsão de crescimento real do Produto Interno Bruto para este ano recuou para 3,93%.

Na pesquisa anterior, as previsões indicavam, respectivamente, variações de 6,28%, 5,27% e 3,94%. Esta é a segunda semana consecutiva de queda das medianas relativas a esses indicadores, obtida pelo BC a partir da consulta a mais de cem instituições financeiras e empresas, na sexta, dia 12. Duas semanas atrás, a inflação do IPCA estava projetada em 6,31% para 2011 e em 5,3% para o ano que vem. Para o PIB deste ano, a expectativa era de variação de 3,96%. Já para 2012, o mercado vem projetando crescimento de 4% há quatro semanas.

O temor de que o Brasil seja afetado pela incapacidade de os Estados Unidos e países europeus reativarem suas economias é mais evidente nas projeções de produção industrial. Pela sétima semana seguida, neste caso, a mediana recuou nessa última pesquisa do BC e agora está em 3% para 2011. Há sete semanas, a previsão era de que a indústria registrasse expansão de 3,73% este ano, número que já tinha caído para 3,01% na pesquisa do dia 5 de agosto. Já para 2012, a mediana das projeções para esse indicador ficou estável em 4,3%.

A pesquisa também mostra queda das projeções para o IGP-DI, o IGP-M e o IPC-Fipe, cujas medianas indicam inflação para este ano inflação de 5,44%, 5,50% e 5,62%.

A projeção para o nível da meta de Taxa Selic ao fim deste ano e do próximo também manteve-se estável, em 12,5% ao ano, na comparação com a pesquisa anterior, apesar de economistas do próprio governo já verem na atual crise mundial uma oportunidade de reduzir os juros básicos.

Autor(es): Mônica Izaguirre
Valor Econômico - 16/08/2011 www.valoronline.com.br

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Juros derretem. Mas e o lado real da economia?

Há um mês, um operador baseado em Nova York fez o seguinte comentário reproduzido neste mesmo espaço: o mercado local de juros se mostra muito à parte dos acontecimentos externos. Atribuir probabilidade zero a um calote na zona do euro, ou outro evento do gênero, é sinal claro desse "isolamento" dos operadores brasileiros. Por isso, caso a crise na Europa se agrave, não seria estranho ver uma correção de 50 pontos-base na curva de futuros de juros.

Na época, veja só, o assunto em voga era a crise do endividamento na Europa, com foco em Itália e Irlanda, que acabara de ser rebaixada, o euro valia menos de US$ 1,40, e as bolsas caíam.

Ainda assim, nossa curva de juros futuros continuava mostrando duas elevações na Selic, que valia 12,25%. Uma dessas altas se confirmou dia 20 de julho, com a taxa básica indo a 12,50%. A segunda ficou em aberto e cabe lembrar que chegou a se discutir a necessidade de até mais elevações.

No entanto, os acontecimentos externos e o pânico se impuseram e até esse operador deve ter se surpreendido com a reação do mercado de juros futuros. Tomando como base o vencimento janeiro de 2013, que projetava 12,70% no começo de agosto, a queda acumulada em duas semanas ultrapassou 0,80 ponto percentual, com o vértice encerrando a sexta-feira em 11,86%. O mesmo desenho vale para outros pontos da curva como janeiro 2015, 2016 e 2017.

"Pensando bem, somos o mercado onde a ideia de economia forte e inflação bombando mais rápido se desfez no mundo", disse um gerente de operações.

Na primeira semana de agosto, a curva já tinha passado por inversão, ou seja, passou a projetar corte da Selic em 2012. Depois disso, o movimento só tomou corpo, e a probabilidade de corte já no encontro de 31 de agosto do Copom chegou a passar de 50%.

Como nas bolsas ou mesmo no câmbio e outros ativos, a racionalidade ainda não deu as caras no mercado de juros futuros.

Claro que conforme se fala em recessão nos EUA, default e risco sistêmico na Europa é natural que se projetem juros menores adiante. No entanto, a intensidade das quedas e também dos breves repiques de alta observados no intervalo é que causam perplexidade.

Ainda assim, mesmo com toda essa piora de ambiente e destruição de valor nos mercados, não dá para falar que o lado real da economia brasileira foi comprometido a ponto de levar o Banco Central (BC) a começar a reverter um ciclo de alta de juros cujos efeitos nem se manifestaram por completo.

Conforme notou o economista-sênior do Espirito Santo Investment Bank, Flávio Serrano, a parada no ciclo de alta é certa, mas apostar em queda seria um tanto precipitado. "Não vejo o Banco Central obrigado a cortar juros. A dinâmica doméstica é muito robusta", pondera.

Na avaliação de Serrano, essa forte deterioração de perspectivas externas terá desdobramentos locais, mas eles não são imediatos. O quadro aqui seria de desaceleração na margem, não de uma parada brusca como observado em 2008.

Segundo o especialista, a economia deve perder dinamismo, mas, seguimos com descompasso entre oferta e demanda.

Ainda nos juros, o mesmo gerente de operações chama atenção para o noticiário político.

São inúmeras as notícias de que o governo não vai deixar a economia parar. Fora as indicações de "esse é o momento" para cortar a taxa de juros.

As discussões técnicas e políticas sobre o espaço ou não para corte de juros seguem até 31 de agosto, dada da próxima reunião do Copom.

E nesse ínterim, tudo pode acontecer. A semana terminou com a sensação de que o pior passou, mas os riscos na zona do euro são os mesmos, bem como as mazelas econômicas e políticas nos EUA.

Autor(es): Eduardo Campos

Valor Econômico - 15/08/2011  http://www.valoronline.com.br/