sexta-feira, 30 de setembro de 2011


Governo concede quase R$2 bi para crescimento das exportações

Em medida provisória assinada pela presidente Dilma Rousseff e divulgada nesta sexta-feira no Diário Oficial da União, o governo estabeleceu a liberação de um montante de R$ 1.950 bilhão com o objetivo de fomentar as exportações do país. A verba será distribuída aos estados, Distrito Federal, e municípios em três parcelas de R$ 650 mil até o último dia útil nos meses de outubro, novembro e dezembro. Do montante dos recursos que de cada estado, a União entregará diretamente ao próprio 75%, e aos seus municípios 25%.

A partilha da verba entre os municípios obedecerá aos coeficientes individuais de participação no Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços - ICMS de seus respectivos estados, aplicados no exercício de 2011. Para a entrega dos recursos, serão deduzidos os valores das dívidas vencidas e não pagas de cada estado até o montante apurado no respectivo período.

A medida também autoriza que o Ministério da Fazenda pode definir regras para a prestação de informações pelos estados e pelo Distrito Federal sobre a manutenção e aproveitamento dos créditos pelos exportadores.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011


Santander Brasil vê alta de 15% no lucro em 2012 e 2013

O Santander Brasil divulgou nesta quinta-feira que prevê crescimento de 15% no lucro líquido em 2012 e 2013 e expansão entre 15% e 17% no crédito total em igual período.
As estimativas se referem à taxa composta de crescimento anual, informa o banco sem dar mais detalhes.
O quinto maior banco do Brasil também prevê alta de 14% a 16% nas receitas, enquanto os custos devem avançar entre 11% e 13%.
Segundo a instituição, as estimativas incluem aumento de provisões de crédito "seguindo o crescimento e a composição da carteira" e "crescimento das despesas baseadas em reajustes contratuais de acordo com os índices de inflação, crescimento dos negócios e plano de investimentos da organização".

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Corte de juro em agosto faz crédito crescer no País

Crédito sobe após redução de juros

A redução da taxa Selic em agosto já começa a fazer efeito. Após a forte expansão do crédito no primeiro semestre e diante da aposta do mercado de que o juro básico deve continuar em queda, o Banco Central elevou a projeção de crescimento dos empréstimos para empresas e famílias, em 2011, de 15% para 17%. A inadimplência dos tomadores, no entanto, voltou a subir em agosto e chegou a 5,3% de todas as operações no País, o que gera riscos se a economia desaquecer mais.

Banco Central refaz projeções para aumento de crédito este ano de 15% para 17%, puxado pelos financiamentos de bancos públicos

A inesperada redução do juro em agosto já começa a fazer efeito. Após a forte expansão do crédito no primeiro semestre e diante da aposta do mercado de que a Selic deve continuar a cair, o Banco Central elevou de 15% para 17% a projeção de crescimento dos empréstimos a empresas e famílias em 2011. A instituição também prevê que bancos públicos devem ultrapassar os privados e voltar a liderar a concessão de empréstimos.

As novas projeções para o crédito mostram que, apesar da forte crise, os empréstimos seguem em ritmo vigoroso e chegarão ao fim do ano com o equivalente ao recorde de 49% do PIB. A previsão anterior era de 48%, bem perto dos 47,8% vistos em agosto.

O chefe do Departamento Econômico do BC, Túlio Maciel, disse que o maior ritmo dos empréstimos é explicado especialmente pelo bom desempenho no ano até agosto. Só no mês passado as operações cresceram 1,7% ante julho, no maior ritmo mensal desde novembro de 2010. Ao todo, bancos mantêm R$ 1,88 trilhão em empréstimos no País.

Apesar de ter elevado as previsões, o BC ressalta que os números mostram desaceleração. Neste ano, diz Maciel, o crédito deve crescer menos que os 20,6% de 2010 e os 31,1% de 2008.

Entre os bancos controlados pelo governo - BNDES, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal -, o crédito deve crescer 18%, ante previsão de 15%. Assim, essas instituições devem liderar o mercado em 2011, já que os privados nacionais devem ter expansão de 17% (ante previsão de 15%) e a estimativa para os estrangeiros seguiu em 16%.

Um dos motivos que levam os bancos públicos a emprestar cada vez mais é o crédito para operações como o financiamento imobiliário - dominado pela Caixa - e empréstimos para empresas, liderado pelo BNDES.

O professor de Finanças da Fundação Getúlio Vargas, Fabio Gallo, diz que as projeções mais otimistas do BC não surpreendem. "As medidas prudenciais e o aumento do juro no primeiro semestre só tiraram o pé do acelerador. Agora, com a previsão de novos cortes do juro, é natural que o mercado ganhe força."

Ele alerta, porém, que a decisão do BC para os juros gera riscos. Se a economia afundar como prevê o governo, explica, haverá um universo ainda maior de empresas e famílias endividadas que podem aumentar a fila dos inadimplentes. Já se a economia seguir bem, o risco é a inflação. "Tudo isso mostra que o BC mudou e, aparentemente, está disposto a correr mais riscos."

Inadimplência. Enquanto o crédito continua a crescer, a inadimplência dos tomadores voltou a subir em agosto e chegou a 5,3% de todas as operações no País. A proporção de calotes é a maior desde janeiro do ano passado, quando os atrasos superiores a 90 dias chegaram a 5,5%.

Autor(es): FERNANDO NAKAGAWA, EDUARDO RODRIGUES

O Estado de S. Paulo - 28/09/2011  http://www.estadao.com.br/

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Mercado aposta em corte de um ponto percentual na taxa Selic

Corte de um ponto

Mercado já admite a queda dos juros de 12% para 11% em outubro, apesar da inflação de 6,52%.

O mercado financeiro já acredita na possibilidade de o Banco Central cortar a taxa básica de juros (Selic) em um ponto percentual na reunião de outubro do Comitê de Política Monetária (Copom), de 12% para 11%. Apesar de as projeções para a inflação deste ano superarem, pela primeira vez desde 2000, o teto da meta de 6,5% definido pelo governo, as taxas dos contratos futuros desabaram ontem. Os operadores interpretaram as últimas declarações do ministro da Fazenda, Guido Mantega, e do presidente do BC, Alexandre Tombini, como um sinal de que o governo está vendo um agravamento forte da crise mundial e a prioridade é garantir um crescimento do país próximo de 4% neste ano e no próximo por meio da redução da Selic.

Pela pesquisa Focus, as estimativas para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) saltaram a 6,52% neste ano e para 5,52% em 2012. Técnicos do governo garantem que o mercado está errado, mas os indicadores do país mostram o contrário e causam calafrios até nos mais otimistas.

No acumulado de 12 meses até agosto, a inflação oficial chega a 7,23%. No ano, a alta chega a 4,42%. Para setembro, a expectativa é de que o IPCA registre pelo menos o dobro do considerado ideal para que a taxa fique dentro da meta. Caso a previsão do mercado se confirme, Tombini terá de enviar uma carta ao ministro da Fazenda explicando as razões de seu fracasso. "Não há como cravar que a inflação ficará acima da meta", afirmou uma fonte do governo. "O cenário de desaceleração desenhado pela equipe econômica está se confirmando, todas as projeções de crescimento para o mundo e para as economias centrais foram revistas para baixo", argumentou.

Flávio Combat, economista-chefe da Concórdia Corretora, discordou, lembrando que, com a recente alta do dólar, a inflação pode subir, pois os importados deixarão de ser um contrapondo aos preços do mercado doméstico.

Autor(es): Victor Martins

Correio Braziliense - 27/09/2011 http://www.correioweb.com/

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

141 mil vagas no serviço público

Gasto de R$ 203,2 bihões compromete ajuste fiscal

Na contramão do discurso de ajuste fiscal, a União voltará a realizar grandes contratações em 2012, resultando em um gasto de R$ 3,64 bilhões. Saiba para que órgãos serão os concursos.

Dilma usa aumento da folha de pessoal, com 141 mil novas vagas, como arma contra a crise. Confira as oportunidades

Na contramão do discurso de ajuste fiscal repetido desde o início do ano, o governo federal pretende pisar no acelerador e voltar a realizar grandes contratações em 2012. Pelos números da proposta orçamentária encaminhada ao Congresso Nacional, a primeira elaborada pela presidente Dilma Rousseff, a União deve gastar R$ 203,24 bilhões com a folha de pessoal ativo e inativo, R$ 3,64 bilhões a mais do que o total previsto para este ano, estimados em R$ 199,6 bilhões. Do total de recursos extras para gastos com pessoal, R$ 2,1 bilhões serão apenas para os 64.478 novos empregados a serem chamados no próximo ano, entre efetivos e comissionados — um volume 77% maior que o total de vagas previstas para serem ocupadas em 2011 (36.616).

Ironicamente, no momento em que o governo é cobrado a cortar despesas para segurar a demanda e permitir a queda dos juros, a equipe econômica tenta amenizar os efeitos da crise mundial com o estímulo do consumo interno a partir da criação de empregos públicos.

Das vagas a serem preenchidas, 25.887 são de cargos que já existiam e estão disponíveis. Deles, 6.477 são para substituição de terceirizados. As demais ainda serão criadas por meio de projetos de lei que tramitam no Congresso Nacional. O Correio detalhou as principais propostas para a abertura de postos no setor público (veja quadro). Entre os pesos-pesados, estão Tribunais Regionais do Trabalho (TRTs) distribuídos por todo o Brasil. A previsão é que 2.741 oportunidades surjam em 15 estados e no Distrito Federal. A estimativa é de que 1.271 pessoas sejam convocadas por esses tribunais em 2012. São cargos como de técnico, analista judiciário e juiz, com salários que variam de R$ 4 mil a R$ 21,7 mil.

Propósito

No Tribunal de Contas da União (TCU), serão criados dois cargos em comissão e 70 funções comissionadas, todos para serem providos em 2012, ao custo de R$ 4 milhões. O Ministério da Educação será um dos maiores agraciados: ganhará, ao todo, 94.032 cargos, entre efetivos e comissionados. Desses, 33.568 são para preenchimento já no ano que vem. O propósito do governo é alavancar o projeto de expansão das escolas técnicas e das universidades federais no país. Haverá ainda 68 cargos comissionados para materializar a criação da Secretaria de Micro e Pequena Empresa, prevista no Projeto de Lei nº 865/11.

No ano que vem, o governo também quer instituir a carreira de analista executivo, para realizar atividades administrativas de nível superior nos órgãos federais. Ela ganhará, ao todo, 2.190 cargos, com salário inicial de R$ 2.906,66 e final de R$ 5.093,43. Mas essas vagas não serão preenchidas em 2012. Para a implementação da Comissão Nacional da Verdade, que vai esclarecer casos de violação de direitos humanos ocorridos entre 1946 e 1988, serão destinados 14 cargos em comissão.

O inchaço nas despesas se justificará pela abertura de 141.142 vagas, com preenchimento ao longo dos anos. Se aprovados, os novos postos representarão um aumento de 458% em relação às 25.288 previstas para 2011.

Contradição

Os números são de encher os olhos para quem quer ingressar no funcionalismo, mas representam um risco para as contas públicas. Na visão de especialistas, eles não condizem com os anúncios que preveem mais austeridade fiscal em 2012. "Sabemos que o orçamento é apenas autorizativo. Ele não impõe que esses postos sejam abertos. Mas esse já é um dos muitos sinais de que o governo pode abrir mão da trajetória de responsabilidade fiscal que vinha sendo praticada", afirma Frederico Araújo Turolla, professor de administração da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM-SP) e sócio da Pezco Consultoria.

Na avaliação de Fernando Montero, economista-chefe da Corretora Convenção, o problema das grandes convocações não é o impacto nas contas públicas apenas em 2012, mas nos próximos anos. A seu ver, o governo pretende chamar mais aprovados no ano que vem para compensar o corte de concursos públicos e nomeações realizado ao longo em 2011. "Pontualmente, o aumento da folha salarial não será grande. Mas, como ele se torna uma despesa fixa, o efeito virá nas décadas seguintes", ressalta.

Marlos Lima, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) e sócio-diretor da Cenários Prospectivos Consultoria, analisa que, se a proposta orçamentária for cumprida à risca, as contas públicas ficarão comprometidas. "Qualquer aumento no gasto tem um impacto grave na economia", resume.

Autor(es): CRISTIANE BONFANTI

Correio Braziliense - 26/09/2011 http://www.correioweb.com.br/

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

BC intervém para conter disparada do dólar

BC age para conter disparada do dólar

Temor de recessão global amplia tensões no mercado de câmbio e moeda chega a R$ 1,95; intervenção do governo reduz alta para R$ 1,91

A expectativa de uma nova recessão global derrubou os mercados ontem. Ações, commodities e moedas de países emergentes, entre outros ativos de risco, caíram fortemente. A exceção, como costuma ocorrer em momentos de estresse, foi o dólar. No Brasil, a moeda americana subiu 3,52%, para R$ 1,91 no fechamento. Durante o dia, porém, chegou a superar R$ 1,95, o que levou o Banco Central (BC) a efetuar a primeira venda no mercado futuro desde junho de 2009.

Conforme o Estado antecipou ontem, apesar das negativas em público, o governo está incomodado com a disparada do dólar, principalmente por causa do efeito sobre a inflação. Somente em setembro, a moeda acumula valorização de 20%.

O ex-presidente do BC Affonso Celso Pastore estima que, para cada 10% de queda do real, o índice oficial de inflação do País (IPCA) fica 1,2 ponto porcentual mais alto em um prazo de até cinco meses. O economista-chefe do Bradesco, Octavio de Barros, estima um impacto menor: 0,4 ponto porcentual.

E o BC, segundo fontes de mercado, trabalharia com 0,3 ponto. Divergências de cálculo à parte, o fato é que o IPCA já está acima do teto da meta (7,23% nos últimos 12 meses, ante o máximo estipulado de 6,5%).

Ontem, o nervosismo foi tamanho que abalou até mesmo as cotações das commodities, que vinham se mantendo em níveis elevados. Se persistir, esse movimento pode beneficiar a inflação brasileira, ainda que represente menos receitas para os exportadores desses produtos. O petróleo, por exemplo, perdeu 6,30% em Nova York. O CRB, índice que reúne várias commodities, caiu 4,41%.

Fed. A onda de pessimismo que varreu os mercados começou ainda na quarta-feira, depois de o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) encerrar sua reunião de política monetária. Na avaliação de analistas, as ações do Fed indicam que a maior economia do mundo pode ter nova recessão. A última acabou no terceiro trimestre de 2009.

Na Europa, ainda não apareceu uma solução para a crise de dívida que atinge vários países - neste momento, o foco está na Grécia. A incerteza leva os investidores a temer a repetição do mesmo cenário do segundo semestre de 2008. Um calote dessas nações provocaria perdas trilionárias aos bancos que, por sua vez, travariam o mercado de crédito, jogando o mundo, novamente, em uma grave recessão.

O Índice Bovespa desvalorizou 4,83%, o Índice Dow Jones (de Nova York), 3,51% e o DAX (de Frankfurt), 4,96%. No mercado de câmbio brasileiro, houve pânico. "Se o BC não tivesse feito a intervenção no mercado futuro, hoje (ontem) seria um dia em que o dólar ficaria até sem referência de preço", disse um operador. A autoridade monetária vendeu contratos em valor equivalente a US$ 2,7 bilhões. Até agora, o BC não interveio no mercado à vista.

O Estado de S. Paulo - 23/09/2011

LEANDRO MODÉ - O Estado de S.Paulo http://www.estadao.com.br/

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

ALTA DO DÓLAR JÁ COMPENSA A QUEDA DAS COMMODITIES

A escalada do dólar em setembro, que chegou a 17,07%, já está trazendo mais dinheiro para o bolso dos agricultores que exportam, mesmo com a queda dos preços das commodities no mês. Ontem, a moeda americana teve a maior alta desde 22 de outubro de 2008, em plena crise financeira - subiu 4,25% e fechou a R$ 1,865. A desvalorização diária, consecutiva e rápida do real forçou as empresas com dívidas no exterior a procurar hedge para seus compromissos em condições menos favoráveis. Ele está mais caro e as incertezas sobre as cotações tendem a encarecê-lo ainda mais. Para o Banco Central, a corrida do dólar é apenas um fenômeno transitório.


A valorização do dólar em relação ao real, que ganhou força em setembro, até agora impediu a queda dos preços domésticos das principais commodities agrícolas exportadas pelo Brasil, que perderam sustentação nas bolsas internacionais nas últimas semanas em decorrência das turbulências financeiras em países desenvolvidos.

Mais do que isso: os preços de exportação de produtos como soja, milho, café e açúcar estão até mais elevados do que no fim de agosto, quando as incertezas em relação à economia global tornaram-se ainda maiores, amplificaram as dúvidas sobre o futuro da demanda e abriram espaço para o fortalecimento da moeda americana no mercado externo.

Para os produtores brasileiros que exportam e temiam que a crise no Hemisfério Norte provocasse uma baixa das cotações que reduzisse suas atuais margens de lucro elevadas, trata-se de uma boa notícia, que inclusive já acelerou as vendas antecipadas da colheita da safra que começou agora a ser plantada (2011/12). Do ponto de vista do combate à inflação, porém, ainda não há refresco à vista nesse fronte. Com a disparada de ontem, o dólar passou a acumular alta superior a 15% em relação ao real neste mês.

Produto com maior peso nas exportações agrícolas do Brasil, a soja fechou a quarta-feira em queda de 1,3% na bolsa de Chicago, cotada a US$ 13,32 por bushel (medida equivalente a 27,2 quilos). Com mais esse recuo, os futuros de segunda posição de entrega do grão (normalmente os de maior liquidez) passaram a acumular baixa de 8,6% em setembro. Apesar disso, o preço da oleaginosa convertido em reais ficou 5,2% mais alto no período. "Os preços praticados no Brasil estão acima dos picos de agosto", diz Antonio Sartori, da corretora gaúcha Brasoja.

Atraídos pelos preços favoráveis, os agricultores aceleram a comercialização da próxima safra. De acordo com Sartori, os gaúchos já comprometeram aproximadamente 20% da produção que será entregue em maio de 2012, um resultado excepcional em um Estado onde as negociações antecipadas de soja são uma prática pouco comum. "Mais da metade desse volume foi comercializado nas últimas semanas. A alta do câmbio compensou até mesmo a queda dos prêmios pagos nos portos", observa. Segundo ele, há um ano nem 10% da safra do Estado havia sido negociada.

Fenômeno semelhante é observado em Mato Grosso, onde a cultura das vendas antecipadas é arraigada. Glauber Silveira, presidente da Aprosoja, associação que representa os produtores do Estado, calcula que metade da safra 2011/12 do Estado já foi comercializada, ante pouco mais de 30% em igual período do ano passado. Mais de um terço desse volume foi negociado neste mês.

O milho é outra commodity cujos preços resistem a cair, mesmo com a colheita da safrinha no Paraná. Em setembro, os futuros do grão recuaram 8,9% em Chicago, mas acumulam alta de 4,8% no mês na conversão para a moeda brasileira. Ontem, a commodity caiu 0,56% na bolsa americana, para US$ 6,99 por bushel (27,2 quilos), menor preço de fechamento desde 10 de agosto. Em compensação, o indicador Cepea/Esalq para o milho no mercado físico está no maior nível desde fevereiro, a R$ 31,65 por saca, alta de 3,94% no mês.

Historicamente, os preços domésticos do milho são pouco influenciados pelo comportamento do câmbio e do mercado externo, já que o Brasil sempre teve uma participação tímida no mercado internacional do grão. Mas o rápido aumento dos embarques nos últimos anos fez com que o cenário interno fosse cada vez mais influenciado pelo sobe-e-desde do preço oferecido aos exportadores. Sintoma dessa mudança, as vendas antecipadas de milho no Mato Grosso, que praticamente inexistiam até o ano passado, somavam 33% até o fim de agosto. Estima-se que, três semanas depois, estejam próximas de 50%. "É muito possível que, a essa altura, tenhamos vendido mais milho do que soja em Mato Grosso", afirma um trader.

O efeito cambial também é sentido nos mercados de café e açúcar, que desde o início do mês acumulam queda de 11,5% e 10,3%, respectivamente, em Nova York. Em moeda local, o café acumula alta de 1,9% e o açúcar, 3,3%, no mesmo período. Gil Barabach, analista da consultoria Safras & Mercados, pondera que a alta do real é um dos fatores que ajudam a pressionar os preços das commodities agrícolas lá fora, devido à posição do Brasil no tabuleiro. "A alta do dólar estimula as exportações, e os preços internacionais se ajustam a esse aumento de oferta".

No entanto, o ritmo da queda nos preços internacionais é insuficiente para fazer frente à erosão do câmbio, diz Fábio Silveira, da RC Consultores. Para ele, o resultado "inevitável" dessa equação será um aumento da inflação no Brasil. "O recuo dos preços internacionais ainda é muito tímido perto desse salto do dólar."

Autor(es): Por Gerson Freitas Jr.

Valor Econômico - 22/09/2011

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Inflação não dá trégua a consumidores e atinge 7,33% em 12 meses

A inflação não está dando trégua aos consumidores. Prévia do indicador oficial usado como referência para o sistema de metas definido pelo governo, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15) registrou alta de 0,53% em setembro, praticamente dobrando em relação ao 0,27% computado em agosto. No acumulado do ano, a taxa cravou 5,04%, superando o centro da meta perseguida pelo Banco Central, de 4,5%, e rompeu, com larga distância, o teto do objetivo, de 6,5%, ao bater em 7,33%, o nível mais elevado desde junho de 2005. A pressão inflacionária está tão forte que 66,3% dos preços e serviços medidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) foram reajustados nos últimos 30 dias.

Diante desse quadro, começou a se consolidar no mercado a visão de que o BC não conseguirá cumprir neste ano a sua missão de manter a inflação nas metas. Esse sentimento é sustentado, principalmente, por causa da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir a taxa básica de juros (Selic) para 12% ao ano, no fim de agosto, e dos sinais emitidos pelo BC de que o afrouxo monetário continuará por determinação do Palácio do Planalto e do Ministério da Fazenda.

“Infelizmente, a corda apertou no pescoço de Alexandre Tombini, presidente do BC, principalmente porque 78% do caminho até o teto da meta de inflação já foi percorrido em apenas nove meses”, disse um técnico do governo. Os riscos inflacionários permanecem intensos. Se houver alta de mais de 1,5 ponto percentual no índice próximos três meses, o esforço do primeiro ano do governo de Dilma Rousseff irá por água abaixo. O receio é justificado pela disseminação da alta de preços, sobretudo os dos alimentos — que subiram 0,72% no mês.

Os consumidores tiveram de arcar com a disparada das passagens aéreas, que encareceram 23,40%, e dos artigos de vestuário (1%). Esses dois itens responderam por 30% do IPCA-15 do mês. “Apesar de o mercado já estar desconfortável com a inflação, desta vez o BC tem razões para lamentar alguns fatos estranhos na coleta do índice divulgado pelo IBGE”, afirmou Luís Otávio de Souza Leal, economista-chefe do Banco ABC Brasil. (VM)

Anac aprova compra da Webjet pela Gol

A compra da Webjet pela Gol foi aprovada ontem pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). A decisão levou em conta o aspecto financeiro da operação, ou seja, o órgão permitiu à Gol assumir a administração da companhia. A operação será avaliada ainda pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que analisará o impacto sobre os consumidores — uma forma de evitar mais concentração e, consequentemente, encarecimento das passagens. A disparada de 23,40% nos preços medidos pela prévia do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15) de setembro, foi justificada pela Anac pelo aumento da procura em agosto, de 13,45%. No acumulado do ano, a demanda avançou 20,14%. A agência informou ainda que o mercado permanece concentrado entre a Gol, que detém 38,84% do setor, e a TAM, com 38,37%.

A mordida do dragão (Em %)

Produtos que mais encareceram no mês

Limão 38,88%
Chuchu 30,74%
Passagem aérea 23,40%
Capa de filé 5,16%
Açúcar cristal 4,72%
Leite 4,39%
Contrafilé 4,17%
Alcatra 3,29%
Feijão Carioca 2,96%
Frango 2,51%

Fonte: IBGE

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Cheques sem fundos caem em agosto

Antecipação da primeira parcela do 13º dos aposentados contribuiu para queda.

Em agosto foi devolvido, pela segunda vez por falta de fundos, 1,88% dos cheques compensados em todo o país, conforme revela o Indicador Serasa Experian de Cheques Sem Fundos. Houve recuo de 0,11 ponto percentual em relação à devolução de 1,99% do total de cheques compensados em julho.

Já na comparação entre os acumulados de janeiro a agosto de 2011/2010, o levantamento apontou elevação no percentual de cheques sem fundos. Houve 1,93% de devoluções nos oito primeiros meses deste ano, contra 1,82% em igual período do ano anterior. A alta também foi verificada na relação anual, entre os meses de agosto 2011/2010, já que no oitavo mês do ano anterior foram devolvidos 1,62% de cheques.

De acordo com os economistas da Serasa Experian, o fato da utilização de cheques ter aumentado 10,6% entre agosto e julho, ao passo que os cheques devolvidos pela segunda vez por falta de fundos cresceram 4,3%, contribuiu para a elevação da qualidade deste meio de pagamento, levando à queda no percentual de devoluções de cheques. Isto pode ser explicado pelo Dia dos Pais, cujos parcelamentos com cheques tiveram um melhor grau de pagamento.

Além disso, a antecipação da primeira parcela do 13º salário dos aposentados para agosto contribuiu para a redução dos cheques sem fundos. Cabe destacar que, normalmente, o problema não ocorre com o primeiro cheque e sim com os seguintes.

Já os cheques devolvidos em relação aos compensados na comparação agosto 2011/2010 e entre os acumulados de janeiro a agosto 2011/ 2010 com crescimentos de 0,26 e 0,11 ponto percentual, respectivamente, são decorrentes do aumento do endividamento, da inflação e dos juros altos na economia, fatores que distinguem este ano do anterior.

*Confira abaixo tabela completa com os números de cheques sem fundos:



Nos estados e regiões

De janeiro a agosto, Roraima foi o estado com o maior percentual de cheques devolvidos (11,99%). São Paulo, por sua vez, foi o estado de menor percentual (1,46%). Entre as regiões, a Norte foi a com maior percentual de devolução de cheques nos oito primeiros meses de 2011, com 4,07%. Na outra ponta do ranking está a Sudeste, com 1,57%.


Veja abaixo o ranking completo com o percentual de cheques devolvidos de janeiro a agosto de 2011, por estado e região:



segunda-feira, 19 de setembro de 2011

MULHERES DOMINAM A ELITE DA EDUCAÇÃO

SALVAS PELA EDUCAÇÃO
Ainda em desvantagem no mercado de trabalho, as brasileiras mostram-se atuantes na produção do conhecimento. De 2004 a 2010, as universidades concederam mais diplomas de mestre e de doutor às mulheres. Daiva Tupinambá, Michelle Pinto e Jéssica Bergmann se orgulham de aprofundar pesquisas na área de biotecnologia, mas reclamam do preconceito no ambiente profissional


Mulheres conquistam espaço cada vez maior no mercado de trabalho ao priorizarem o conhecimento. No Brasil, elas são 64% da mão de obra.

O desenvolvimento econômico destrancou os portões e as meninas e mulheres correram para as escolas em todo o mundo. Hoje, elas são maioria no ensino superior em dois terços dos países e estão em maior quantidade no nível médio em quase metade das nações. Obtêm melhores notas que os homens em geral, repetem menos de ano, tendem a ter desempenho excepcional em línguas e interpretação de texto e já invadem antigos redutos do sexo masculino, como a matemática e as ciências.

O resultado dessa revolução educacional permitiu às mulheres avançar a passos largos no mercado de trabalho. É o que revela Relatório sobre o Desenvolvimento Mundial, divulgado ontem pelo Banco Mundial (Bird), em Washington. Nos últimos 30 anos, houve aumento da participação da mão de obra feminina na geração de riqueza em todas as faixas etárias e em quase todas as regiões do mundo — as exceções foram a Europa Ocidental e a Ásia Central.

O crescimento foi mais rápido na América Latina e no Caribe, em especial no Brasil, onde as mulheres passaram a representar 64% do mercado de trabalho, quase o dobro dos 39% observados em 1980. Na Argentina, a participação, no mesmo período, passou de 39% para 51%. Tal evolução também se observou, mesmo que em um ritmo um menor, no Oriente Médio e no norte da África. Mas, nessas duas regiões, a representação da mão de obra feminina ainda é pequena, em torno de 26% do total. Já no leste da Ásia e do Pacífico, elas são a maior parcela: 64%. Na África Sub-Saariana: 61%.

Na avaliação dos pesquisadores do Banco Mundial, a maior presença das mulheres no mercado de trabalho tem contribuído para reduzir a lacuna em relação aos homens. Os estudiosos ressaltam que, na América Latina, o avanço médio de 42% da força de trabalho feminina em 10 países deve ser atribuído ao acesso à educação e a mudanças na estrutura familiar, com a postergação dos casamentos e a decisão de ter menos filhos.

Distorções

Mas, apesar de tanto esforço e dos visíveis avanços, as mulheres ainda ganham menos que os homens na mesma função e ocupam poucos cargos altos nos governos e de chefia nas empresas privadas. Nos países pobres, as melhorias são mais lentas, e elas ainda estão concentradas no trabalho agrícola ou nos afazeres do lar. A maioria nas escolas ainda é de meninos, embora as garotas estejam em plena maratona para encurtar a distância. Na África Sub-Saariana, para cada 100 meninos no ensino primário, o número de meninas subiu de 85, em 1999, para 91 em 2008.

Para os técnicos do Bird, o fim das barreiras em relação às mulheres — desde a discriminação no trabalho ao menor acesso ao crédito — resultará em aumento da produtividade da economia em vários países em até 25%, pois as "habilidades e os talentos" delas serão aproveitados de forma mais efetiva. "Na América Latina, esse ganho de eficiência é estimado entre 4% e 16%", afirma Ana Revenga, diretora da instituição e coautora do relatório. Ela diz mais: "O desenvolvimento econômico tem aberto as portas e reduzido as desigualdades entre homens e mulheres, particularmente nos países em que a renda da população tem melhorado".

Porém, de forma geral, as mulheres ao redor do mundo detêm empregos de menor produtividade e que pagam menos. "Elas trabalham em fazendas menores, no caso das que estão na atividade agrícola, dirigem negócios pequenos, atuam mais na informalidade e raramente estão no poder", destaca o documento do Bird. Entre os agricultores, as mulheres raramente são donas de terras e suas propriedades são geralmente menores do que as dos homens e valem menos. No Brasil, elas representam apenas 11% dos proprietários. No Quênia, na África, são 5%.

Sinal de alerta

Embora saindo em desvantagem — eram 10,8 milhões em 1970 contra 17,7 milhões de homens — o número de estudantes femininas nas universidades aumentou sete vezes nas últimas quatro décadas nos 96 países pesquisados pelo Banco Mundial e atingiu 80,9 milhões em 2008. No mesmo período, a quantidade, de homens no ensino superior cresceu apenas quatro vezes, para 77,8 milhões. Além de dominarem os bancos do ensino médio e das universidades, o melhor desempenho das mulheres já acendeu alerta nos países desenvolvidos.

Não à toa, afirma os especialistas da instituição, as economias de renda mais alta estão preocupadas com as notas baixas dos meninos frente às obtidas pelas garotas. Eles assinalam ainda a invasão das mulheres nas universidades ao incremento da demanda no mundo globalizado por empregos de natureza intelectual e não braçal.

Vantagens e desvantagens

A repetição e a taxa de desistência são maiores entre os meninos que entre as meninas, informa o Banco Mundial. Garotos acima de 15 anos ainda mantêm vantagem em relação às garotas na matemática, mas a diferença vem ficando cada vez menor. Nos Estados Unidos e em Israel, as estudantes femininas obtêm notas melhores nas principais disciplinas, incluindo matemática e ciência. Na França, elas são maioria nas matrículas das grandes escolas de negócios.

Autor(es): Ana D"angelo
Correio Braziliense - 19/09/2011

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

CARROS IMPORTADOS VÃO FICAR MAIS CAROS

SOCORRO A MONTADORAS CONTRA OS IMPORTADOS

 

Ministro Guido Mantega

O governo decidiu aumentar em 30% a alíquota do Imposto sobre Produtos Importados (IPI) que incide sobre automóveis vindos de outros países. Com isso, os preços desses veículos devem subir de 25% a 28%, dependendo do modelo. Anunciada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, a medida valerá até dezembro de 2012. A decisão foi tomada após reunião com dirigentes de montadoras e representantes de trabalhadores do setor, que reclamam da concorrência e do corte de empregos diante da avalanche de importados no mercado nacional. Devido ao dólar baixo, o segmento cresceu 11,3% só em agosto e bateu recorde de vendas. “Ficamos preocupados quando vemos carros no pátio e fábricas dando férias coletivas”, justificou Mantega.

Governo aumenta IPI para brecar carros de fora e preservar a produção nacional. A medida atinge modelos completos e mais baratos

O governo anunciou, ontem, medidas que deixam mais caros os carros importados,  Segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, as alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) que incidem sobre carros vindos de fora foram aumentadas em 30%. Na ponta do lápis, os preços vão subir entre 25% e 28%, dependendo do modelo. Todos os veículos que tiverem mais de 35% das suas peças oriundas de outros países serão sobretaxados. A decisão, que começa em 60 dias e vai até dezembro de 2012, foi tomada após pressão de industriais brasileiros e representantes de trabalhadores do setor, que têm reclamado de perda de competitividade e de cortes de empregos diante da enxurrada de importados que vem inundando o mercado nacional.

A gota d"água para a indústria doméstica foi o recorde de vendas de importados. Devido ao dólar baixo, o segmento cresceu 11,3% apenas em agosto. Dados da Associação Brasileira das Empresas Importadoras de Veículos Automotores (Abeiva) mostram que foram emplacados 20.420 carros no mês passado. Apenas nos primeiros oito meses de 2011, as vendas deram um salto de 112,2%, quando foram comercializados 528.082 automóveis vindos de fora. Os preços menores dos importados, principalmente dos chineses e coreanos, favoreciam o consumidor, que, além de pagar menos por um veículo, conseguia levar para casa um modelo completo — diferentemente das montadoras instaladas no país, os orientais vendem automóveis com todos os itens de segurança e conforto e a preços mais acessíveis que os modelos nacionais, nos quais se cobra até pelos tapetes.

A medida foi anunciada em seguida a uma reunião com representantes do setor automobilístico e sindicatos dos trabalhadores. No encontro, estavam os ministros da Fazenda, Guido Mantega; do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), Fernando Pimentel; e da Ciência e Tecnologia, Aloízio Mercadante. A intenção do aumento do IPI, segundo os ministros, é fortalecer a economia brasileira e estimular a indústria automobilística nacional e a do Mercosul. Mas, embora o Brasil tenha optado por mexer na tributação interna e nas exigências tecnológicas, analistas não descartam que países exportadores questionem a decisão na Organização Mundial do Comércio (OMC).

Preocupação

Para as marcas que não se habilitarem às novas exigências, o IPI subirá de 7% para 37% nos automóveis de até mil cilindradas. O imposto para carros com mais de mil e até 2 mil cilindradas irá ainda de 11% (modelos bicombustíveis) a 13% (movidos a gasolina) para 41% a 43%, respectivamente. No topo da tabela, estão os carros com mais de 2 mil cilindradas, para os quais a tributação subirá dos atuais 18% a 25% para 48% a 55%.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, explicou que, a princípio, todas as empresas estão sujeitas à alta do imposto. Elas terão dois meses para provar aos técnicos do governo que se enquadram às normas e, assim, ficarão isentas da alíquota extra. "Caso contrário, se o Mdic não certificar a habilitação, a cobrança do imposto será retroativa", avisou Mantega. Para se habilitar, a montadora terá que preencher pelo menos seis dos 11 requisitos técnicos exigidos pelo governo e desenvolver tecnologia no país.

"Nos últimos tempos, as vendas de automóveis no Brasil têm escasseado. O consumo de veículos está sendo apropriado pela indústria internacional. Ficamos preocupados quando vemos carros no pátio e fábricas dando férias coletivas", ressaltou o ministro da Fazenda. Ele lembrou também que o Brasil é o quinto maior mercado de consumo de automóveis e o sétimo produtor. "A produção pode cair por conta da importação. O que queremos é ser o quarto maior produtor, e não o contrário", destacou.

Mercadante fez questão de ressaltar que não é contra a entrada de carro estrangeiro. "Quem quiser comprar carro importado pode comprar, mas não ao custo do emprego e do sacrifício do mercado interno", ressaltou. Pimentel admitiu que metade dos veículos de montadoras estrangeiras ficam de fora porque elas têm fábrica no Brasil e criam empregos. "Esse será mais um incentivo para que outras empresas se instalem no país", argumentou. Nas estimativas do Ministério da Fazenda, de 12 a 15 empresas do setor estão sujeitas ao aumento de 30 pontos percentuais do IPI.

Metalúrgicos

André Rebelo - FIESP
André Rebelo, economista-chefe da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), considerou a medida positiva. "Foi uma atitude acertada, que favorece e protege a produção de riqueza nacional", disse. Na avaliação de Gilberto Braga, professor de finanças do Ibmec, a decisão do Ministério da Fazenda impactará principalmente os modelos de carros asiáticos, com destaque para os chineses, que vinham inundando o mercado brasileiro devido aos preços extremamente competitivos. "Mas, em menor escala, afetará também mexicanos e argentinos, que vêm ganhando participação de mercado no Brasil", ponderou.



Prof. Gilberto Braga - IBMEC
Braga acredita que o aumento de preços será pontual. "É uma medida semelhante à adotada em 2008, quando o IPI foi reduzido para estimular a indústria em época da crise. O consumidor que pretendia comprar algum dos modelos atingidos acabará por desistir da compra ou mudará a escolha para um veículo nacional", acrescentou. A JAC Motors, chinesa que vem atingindo fortemente o mercado brasileiro com carros completos a preços baixíssimos, preferiu não se manifestar até conseguir avaliar todos os impactos da medida.

Na avaliação de Miguel Eduardo Torres, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes, as medidas anunciadas pelo governo atenderam apenas em parte as reivindicações dos trabalhadores. A seu ver, embora o aumento da alíquota do IPI eleve a competitividade da indústria nacional, as montadoras precisam se comprometer em melhorar as condições de trabalho de seus empregados. "Foi uma medida importante, mas faltou um pouco de coragem ao governo. Os trabalhadores precisam de uma contrapartida", criticou. As centrais reivindicam a limitação da jornada a 40 horas semanais, menos rotatividade de trabalhadores e piso salarial nacional.(Colaboraram Cristiane Bonfanti e Gustavo Henrique Braga).

Autor(es): Vera Batista e Victor Martins
Correio Braziliense - 16/09/2011