segunda-feira, 31 de outubro de 2011


Superávit primário atinge R$ 8,1 bilhões em setembro

Segundo o BC, o superávit primário acumula R$ 104,6 bilhões no ano, ou 3,5% do PIB

O superávit primário do setor público alcançou R$ 8,1 bilhões no mês de setembro, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (31/10) pelo Banco Central (BC). 

No mês, o governo central teve superávit de R$ 6 bilhões, enquanto os governos estaduais e municipais tiveram saldo positivo de R$ 2,2 bilhões. Já as empresas estatais tiveram déficit de R$ 46 milhões.

No ano, o superávit primário, que representa a economia do governo para o pagamento dos juros da dívida pública, atingiu R$ 104,6 bilhões, ou 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB). No mesmo período do ano passado, o superávit havia sido de R$ 76,9 bilhões.

No acumulado dos últimos 12 meses, o superávit atingiu R$ 129,4 bilhões (3,25% do PIB).

O resultado nominal - que inclui o gasto com juros da dívida - registrou déficit de R$ 9,2 bilhões em setembro. No ano, o déficit nominal atingiu R$ 72,8 bilhões (2,43% do PIB), comparativamente a R$ 64,3 bilhões (2,4% do PIB) no mesmo período de 2010.

O gasto com juros somou R$ 17,3 bilhões, frente a R$ 21,7 bilhões em agosto. No ano, os juros nominais apropriados totalizaram R$ 177,5 bilhões (5,93% do PIB).

A dívida líquida do setor público atingiu R$ 1,481 trilhão (37,2% do PIB) em setembro, reduzindo-se 2 pontos percentuais do PIB em relação ao mês anterior. Segundo o BC, a desvalorização cambial de 16,8% no mês contribuiu para reduzir a dívida líquida em R$ 80,9 bilhões.

Brasil Econômico (redacao@brasileconomico.com.br) 31/10/11
www.brasileconomico.com.br 

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

CÂMBIO FAZ RENTABILIDADE DA EXPORTAÇÃO CRESCER 15% 
CÂMBIO ELEVA RENTABILIDADE DAS EXPORTAÇÕES

A valorização do dólar deu ao exportador um ganho de rentabilidade de 14,9% em setembro na comparação com o mesmo mês do ano passado, segundo cálculos da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex). Obtido com um câmbio médio de R$ 1,75, parte expressiva desse ganho adicional se manteve em outubro. Na comparação com agosto, a rentabilidade subiu 7,5%.

Esse ganho em setembro ajudou a elevar a rentabilidade acumulada no ano, que está em 6,1% na comparação com os primeiros nove meses de 2010. Até meados de 2011, no entanto, todo o retorno adicional havia decorrido do aumento dos preços, especialmente das commodities. Agora, como seu principal componente é a desvalorização do real, beneficia o conjunto da exportação brasileira.

A oscilação cambial com desvalorização do real frente ao dólar contribuiu para elevar a rentabilidade das vendas ao exterior em setembro. A exportação total do Brasil teve em setembro elevação de rentabilidade de 14,9%, na comparação com o mesmo mês do ano passado. No acumulado até o mês, na comparação com os nove primeiros meses do ano passado, a alta é de 6,1%. O maior ganho proporcionado pela variação cambial e pela manutenção de preços de exportação em patamares mais elevados mudou a evolução da rentabilidade dos embarques nos últimos meses.

Até julho, explica Fernando Ribeiro, economista-chefe da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), a rentabilidade da exportação total já vinha com tendência de aumento. Na análise por setores de atividade, porém, o ganho estava muito mais concentrado em poucos setores, como os de produtos básicos - agricultura, pecuária e extração de petróleo e minerais metálicos, por exemplo. A alta de preços das commodities, explica o economista, puxava o ganho de rentabilidade da exportação total. Em julho, dos 20 segmentos da indústria de transformação, apenas 4 estavam com elevação de rentabilidade na comparação com o mesmo mês do ano passado.

Nos últimos dois meses, e de forma mais acentuada em setembro, a oscilação cambial permitiu um ganho de forma mais generalizada. Em setembro, na comparação com o mesmo mês de 2010, praticamente todos os setores industriais tiveram maior ganho com as vendas ao exterior. Apenas dois deles - máquinas para escritório e de informática e outros equipamentos de transporte - tiveram redução de rentabilidade, de apenas 0,6% para os dois setores.

Outros segmentos que acumulavam perda, porém, tiveram ganho de rentabilidade em setembro. No acumulado de janeiro a setembro deste ano, o setor de máquinas e equipamentos amargou perda de 2% na rentabilidade em relação ao mesmo período de 2010. Em setembro, porém, o setor teve ganho de 13,5%. Na mesma comparação, artigos de borracha e plástico também vinham nos primeiros nove meses do ano com perda de 2%. Em setembro, tiveram alta de 9,8%. Produtos de metal apresentavam perda acumulada de 4,6% e ficaram, em setembro, com ganho de 13,5%.

O aumento de rentabilidade, diz Ribeiro, resulta da combinação da desvalorização do real e da manutenção de patamares de preços relativamente altos. O preço médio da exportação total em setembro teve alta de 21,1% em relação ao mesmo mês do ano passado. No acumulado até setembro em relação ao mesmo período de 2010, o aumento foi de 26,2%. Embora o aumento seja maior nos básicos, que apresentaram 38,1% de alta no preço, a tendência também é seguida pelos manufaturados, que tiveram elevação de 14,6%.

Ribeiro diz que essas exportações, contratadas há pelo menos dois ou três meses, ainda estão com preço que reflete a tentativa de repassar ao menos parte da perda com a tendência de valorização que o real mantinha até julho. "Essa é uma reação comum quando há valorização do real. Há uma elevação de preço na tentativa de manter alguma rentabilidade na exportação, mesmo que haja perda de quantidade. "

A desvalorização da moeda nacional frente ao dólar nos últimos dois meses, porém, diz ele, não deve resultar em redução de preço de exportação de manufaturados tão cedo. "Não há segurança de que a taxa atual vai se manter, muito embora não se acredite que o dólar se estabilize em um patamar como R$ 1,55", diz o economista. "Além disso, o câmbio atual não altera fundamentalmente as condições de competitividade da indústria."

"O que está acontecendo agora é um alento", diz José Augusto de Castro, vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). "A oscilação do câmbio criou expectativa positiva, mas ainda há muita dúvida no cenário internacional", diz. Ele acredita que as empresas irão alterar preços de exportação somente se houver estabilização do câmbio em taxa mais elevada. Um dólar a R$ 1,78, diz, ainda não oferece margem suficiente para redução de preço de modo que haja maior competitividade para produtos brasileiros, principalmente manufaturados.

"O ganho de rentabilidade maior em setembro é importante, mas não sabemos se é pontual", diz Rogério César de Souza, economista-chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). "O impacto disso para as exportações de manufaturados vai depender da demanda do mercado internacional e também do custo que a valorização do real pode trazer para a compra de insumos e bens intermediários."

Autor(es): Por Marta Watanabe | De São Paulo
Valor Econômico - 27/10/2011

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

O Brasil, entre Argentina e Turquia


Não faltam entusiastas no Brasil do modelo de desenvolvimento adotado pela Argentina. As altas taxas de crescimento econômico que o país vizinho vem experimentando desde 2003 inspiram alguns a defender a adoção desse modelo aqui dentro. Outros vão além: as mudanças promovidas pelo governo Dilma Rousseff na política econômica que vigorou nos últimos 12 anos são um sinal de que caminhamos para o exemplo argentino.

A Argentina, ao contrário do Brasil e de um grupo representativo de nações em desenvolvimento, não adotou o regime de metas para inflação. Depois da falência, em 2001, do regime de câmbio fixo, passou a tolerar inflação alta e, claramente, a trabalhar com política monetária frouxa, política fiscal relativamente apertada, meta para a taxa de câmbio e prioridade ao crescimento a qualquer custo.

Com exceção de 2008 e 2009, quando seu Produto Interno Bruto (PIB) avançou, respectivamente, 6,8% e 0,8% por causa crise mundial, a Argentina não cresceu, desde 2003, menos que 8% ao ano. A inflação, no entanto, disparou nesse período e segue invencível. Com um agravante: desde o início de 2007, graças à intervenção política do governo Kirchner no Indec, o IBGE argentino, as estatísticas oficiais de inflação perderam credibilidade. Neste momento, por exemplo, a inflação, segundo o Indec, está em 9,9% ao ano, enquanto estimativas mais realistas indicam alta de 24%.

Tony Volpon, estrategista de renda fixa da Nomura Securities, disse, em relatório recente, que, embora os níveis argentinos de inflação não sejam politicamente aceitáveis no Brasil, três decisões tomadas pelo governo Dilma vão na direção do modelo da Argentina. A primeira foi o aumento do superávit primário; a segunda, o início de um ciclo de alívio monetário, mesmo com inflação esperada para 2012 acima da meta oficial; e a terceira, a imposição de controles de capitais, por meio de impostos.

"A estratégia de elevado crescimento perseguida pelas autoridades argentinas resultou em taxas de inflação que só rivalizam, na América Latina, com as da Venezuela", ironiza Volpon. O que aparentemente tem ajudado a manter a popularidade da presidente Cristina Kirchner, que se reelegeu de forma esmagadora na eleição de domingo, é o crescimento da renda real dos trabalhadores da economia formal.

De fato, a renda tem crescido desde meados do ano passado, embora não nos níveis declarados pelas autoridades - com a inflação expurgada, o crescimento real é superior a 16% ao ano; considerando a inflação real, é pouco superior a 1/5 disso. No Brasil, a renda real cresceu no período mencionado bem mais do que na Argentina e, em agosto, estava em 3,2% ao ano.

O desempenho favorável da renda real mitiga o impacto da inflação na percepção da população. Nos dois países, ela já está em queda, graças ao aumento da inflação e possivelmente ao desaquecimento da atividade econômica. É possível que o governo Dilma continue relevando os riscos de perda de popularidade associados à alta da inflação, em defesa de uma taxa mínima de crescimento econômico - 3% neste e no próximo ano.

Outro modelo citado em conversas dentro e fora do governo como passível de inspiração para o Brasil é o da Turquia. Ao contrário dos argentinos, os turcos possuem um regime de metas para inflação, mas, desde a crise de 2008, o vêm deixando de lado para priorizar a queda dos juros e taxas mais altas de crescimento. O custo da opção, embora não seja na mesma magnitude do incorrido pela Argentina, tem sido inflação elevada, permanentemente acima da meta oficial.

A Turquia derrubou os juros na marra em 2008 e 2009. A ideia por trás do movimento era a de que o país precisava testar o mercado, que estaria viciado em juros altos. Se necessitasse aumentar a taxa novamente para combater altas de preços, como já ocorreu depois do início do experimento, o faria a partir de um patamar mais baixo. Os juros, de fato, mudaram de patamar, mas a inflação se tornou saliente.

O caso brasileiro é mais complexo. Embora a presidente Dilma tenha dado a entender, em mais de uma ocasião, que a ênfase de sua gestão, neste momento, é garantir o crescimento, a despeito da inflação, o regime vigente ainda é o de metas para inflação, embora o governo trabalhe para flexibilizá-lo. Por esse regime, o Banco Central (BC) persegue a meta oficial. Se a inflação, que aparentemente começou a recuar, voltar a subir, o banco elevará os juros.

Há quem veja, no governo e entre simpatizantes de mudanças no tripé de política econômica vigente no Brasil, exemplos a serem seguidos tanto no modelo argentino quanto no turco. Falta combinar com o BC. Este surpreendeu o mercado com o início do alívio monetário antes do esperado, mas nas decisões e sinalizações recentes avisou que só tem uma meta: trazer o IPCA para 4,5% até o fim de 2012.

O governo tem expectativas distintas: quer que o BC controle a inflação, mas assegure uma determinada taxa de crescimento e uma certa desvalorização do real, em meio um patamar de gasto público elevado. Esse conflito de expectativas produzirá dias animados em Brasília nas próximas semanas e meses.

Cristiano Romero
Cristiano Romero é editor-executivo e escreve às quartas-feiras
Valor Econômico - 26/10/2011 www.valoronline.com.br

segunda-feira, 24 de outubro de 2011


Crise externa não assusta consumidor de baixa renda, dizem analistas

O agravamento da crise internacional deve ter efeito limitado sobre o consumo das classes de menor renda no Brasil. Na avaliação de empresários e analistas, enquanto as condições do mercado de trabalho permanecerem favoráveis, esses consumidores não desaparecerão das lojas, mesmo com a possível piora do cenário externo. Além disso, em janeiro do próximo ano as classes C, D e E serão beneficiadas pelo aumento de cerca de 14% no salário mínimo. Desse total, 7,5% representarão um aumento real de renda destinada ao consumo.

Nos últimos meses, a população de baixa renda já ganhou poder de compra pela forte geração de emprego e pelo aumento dos salários, passando a responder por 60% do consumo no país, segundo dados do instituto de pesquisas Data Popular. "A baixa renda não deixa de comprar por conta de crise. Ela só para de gastar quando vê o vizinho perder o emprego", diz Renato Meirelles, sócio do Data Popular.

A forma como a base da pirâmide social lida com o consumo, segundo Meirelles, é bastante distinta da verificada nas camadas sociais mais altas. "O noticiário impacta mais as classes A e B, ao passo que a baixa renda só se preocupa quando percebe o desemprego e a inflação baterem à porta", explica.

Enquanto a prestação couber no bolso, complementa o professor do Ibmec Felipe Lacerda, as vendas do varejo estarão garantidas. A teoria encontra base nos números do setor. O grupo Máquina de Vendas, que reúne as redes Ricardo Eletro, Insinuante, Citi Lar e Eletro Shopping, prevê aumentar em 26% seu faturamento em 2011, com as vendas subindo de R$ 5,7 bilhões em 2010 para R$ 7,2 bilhões neste ano. A projeção, que inclui o desempenho da Eletro Shopping, adquirida em julho, supera o crescimento médio da receita do setor de móveis e eletrodomésticos, de 16,2% nos 12 meses encerrados em agosto, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

"Não percebemos nenhuma mudança no consumo devido à crise e, pelo menos até o fim do ano, não esperamos influência negativa. É possível que, se não fosse pela crise, nossas vendas estivessem crescendo 3% ou 4% mais", supõe Ricardo Nunes, presidente do grupo Máquina de Vendas. Pelos seus cálculos, as vendas de fim de ano devem aumentar 5% em 2011 em relação ao ano anterior.
Sem revelar números, Ricardo Marques, coordenador-geral da Lojas Rabelo, também diz que o faturamento vem crescendo e não há indícios de mudança de trajetória. "Até agora, a crise não chegou a nós. Estamos até reforçando nossas unidades no interior, onde está concentrada a baixa renda."

É por isso que, para Lacerda, a retração de 2,3% no volume de vendas do comércio entre julho e agosto, constatada pelo IBGE, não pode ser vista como uma tendência. "Essa queda deve ser pontual. Tudo indica que as vendas continuarão aquecidas. O governo tem sinalizado que quer crescimento econômico, já até baixou juros." No fim de agosto, o Banco Central (BC) acabou com o ciclo de arrocho monetário ao reduzir a taxa básica de juros (Selic) em 0,5 ponto percentual, para 12% ao ano. Na semana passada, cortou a taxa em mais 0,5 ponto percentual.

O brasileiro, segundo o professor do Ibmec, é um dos poucos povos que aceitam pagar juros elevados para ter seus desejos atendidos. O comportamento é compreensível. Durante muitos anos, recorda o economista da Fundação Getulio Vargas (FGV) André Braz, grande parte das famílias brasileiras se viu podada em seu desejo de compra. "Agora, elas estão colocando em dia o consumo reprimido. São fartas as tentações na compra de eletrodomésticos, automóveis, viagens", exemplifica, acrescentando que o acesso ao crédito facilita as aquisições.

Por enquanto, a única mudança percebida pelo comércio no comportamento dos consumidores de menor poder aquisitivo foi o encurtamento nos prazos de financiamento. Dados da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP) mostram que, na capital paulista, a parcela dos que se comprometeram com dívidas por mais de um ano caiu de 30% em agosto para 28,1% em setembro. "Na dúvida sobre o futuro, o consumidor prefere se comprometer por menos tempo com dívidas. Mas não deixa de comprar", diz Altamiro Carvalho, assessor técnico da Fecomercio-SP.

Para ele, é natural que em alguns momentos o comércio registre arrefecimento nas vendas, já que o ritmo de crescimento nos últimos meses tem sido forte. De janeiro a agosto, o setor acumulou expansão de 8,4% na comparação com o mesmo período de 2010, de acordo com dados do IBGE. O crescimento se dá sobre bases já altas, uma vez que em 2010 o varejo contabilizou aumento de 12,2%.

Além disso, Meirelles lembra que não são apenas os produtos que estão na mira da baixa renda. Os serviços também fazem parte da lista de desejos. "Não é à toa que a inflação de serviços está disparando", pontua. Os preços nesse setor vêm subindo num ritmo ao redor de 9% ao ano e, pelos cálculos da LCA Consultores, devem fechar 2011 com alta de 8,8%. Para 2012, a expectativa é de aumento de 8,3%, com a demanda sendo impulsionada pelo reajuste de cerca de 14% no salário mínimo.

"É típico do brasileiro contar com um dinheiro que ainda não está na carteira. Se ele fica sabendo que vai ter aumento, gasta por conta", observa Lacerda, acrescentando que o futuro reajuste no salário mínimo já está produzindo efeitos no consumo. "Como não há no país a cultura da educação financeira, também não existe a consciência de poupança", complementa.
Esse comportamento preocupa grande parte dos especialistas, que não descarta um aumento da inadimplência nos próximos meses. "Se a crise lá fora piorar e provocar desemprego no Brasil, os consumidores não conseguirão pagar suas dívidas", diz Lacerda.

Em setembro, 62,7% das famílias brasileiras com renda mensal de até dez salários mínimos estavam endividadas e 25,4% admitiam estar com contas em atraso e 8,6% afirmavam não ter condições de pagar, segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). A parcela de endividados aumentou na comparação com setembro de 2010, quando o percentual era de 60,8%. Entretanto, o número de inadimplentes caiu, já que em setembro do ano passado 26,5% das famílias diziam ter dívidas vencidas e 9,9% admitiam não ter condições de honrar seus compromissos.

Autor(es): Por Francine De Lorenzo | De São Paulo
Valor Econômico - 24/10/2011

sábado, 22 de outubro de 2011

Empréstimo mais barato
 
Depois da Caixa Econômica Federal, o Banco do Brasil também anunciou redução nos juros dos empréstimos destinados a pessoas físicas e a empresas. Seguindo a trajetória de queda adotada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que já encolheu os juros básicos duas vezes, as operações de financiamento ficarão mais baratas para os clientes a partir de segunda-feira. No BB, a taxa caiu 0,5 ponto percentual ao ano.

Para as pessoas físicas, o empréstimo mais em conta no banco é o destinado ao financiamento de veículos, cuja taxa cairá de 1,40% ao mês para 1,36%. O valor mínimo do cheque especial, para os clientes que possuem relacionamento com o banco, como aplicações, é agora de 2,07%. O máximo caiu de 8,45% ao mês para 8,41%.

No caso das empresas, os juros do desconto antecipado de cheques caiu de 1,33% ao mês para 1,31%. Os recursos necessários para o pagamento do 13º salário dos empregados podem ser obtidos com taxas de 1,86% ao mês (antes, era de 1,88%). O BB Giro Rápido, para a firma que precisa de capital do dia para a noite, pode ser contratado por 2,43% ao mês.

Autor(es): » Vânia Cristino
Correio Braziliense - 22/10/2011 www.correioweb.com.br

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Quanto mais pobre o cidadão, mais impostos



A partir da declaração do megainvestidor americano Warren Buffett, a terceira maior fortuna do mundo, pedindo aumento dos impostos para os mais ricos nos Estados Unidos, vários milionários europeus também passaram a defender essa medida naquele continente. Nesse contexto, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, encaminhou ao Parlamento proposta para que os ricos que tenham renda anual acima de € 500 mil passem a pagar uma sobretaxa provisória de 3%.

Esse fato é um bom motivo para discutirmos a carga tributária brasileira, já que nosso país é um dos mais injustos do planeta na cobrança da tributação. Os mais pobres são quem paga, proporcionalmente, mais tributos no Brasil, e não os ricos.

Nesse contexto, é importante lembrar que há um projeto de reforma tributária na Câmara dos Deputados que permanece "adormecido", aliás, como ocorreu com todos os outros elaborados nos últimos anos no Brasil. O debate em torno desse assunto no país acaba centrado em grande parte no aspecto da diminuição dos impostos porque a carga tributária é alta em relação aos serviços que o Estado oferece. Os que mais defendem a diminuição dessa carga são os empresários, baseados no argumento de que pagando muitos impostos seus negócios são dificultados. Fica praticamente excluída do debate a maioria da população brasileira e, principalmente, sua camada mais pobre - proporcionalmente a que paga mais impostos -, que não tem a menor ideia de quanto eles pesam no seu bolso.

Estudos desenvolvidos pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA) comprovam claramente tal situação. Segundo um levantamento de 2008, pessoas cuja renda mensal familiar alcançava até dois salários mínimos comprometiam 53,9% de seus ganhos com o pagamento de tributos, enquanto que outras, com renda superior a 30 salários mínimos, comprometiam apenas 29%.

Outro dado de destaque nesse estudo do Ipea: um trabalhador que recebia até dois salários mínimos precisava trabalhar 197 dias para pagar os tributos, enquanto outro que ganhava mais de 30 precisava de três meses a menos de trabalho, ou exatos 106 dias.

Essa situação ocorre porque cerca de 50% da nossa carga tributária é indireta, isto é, incide sobre o consumo, atingindo indiscriminadamente toda a população, independentemente da renda e da riqueza de cada um. A cobrança da maioria dos tributos vem embutida no preço final das mercadorias. Vejamos um exemplo significativo:

Um cidadão que ganha R$ 1 mil por mês e coloca R$ 100 de gasolina no tanque do seu carro está pagando R$ 53 de impostos. Enquanto outro que ganha R$ 30 mil e abastece o tanque pelo mesmo valor também paga os mesmos R$ 53, levando isso à injustiça apontada.
Nos países capitalistas desenvolvidos, ao contrário daqui, a maior parte da carga tributária é direta e recai sobre a renda, a riqueza, a propriedade e a herança. Esses critérios são mais justos do que os existentes no Brasil porque tributa diretamente quem ganha mais e tem melhores condições de pagamento.

Segundo dados da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), nos Estados Unidos a renda é responsável por 49% da carga tributária. Se comparado com o Brasil, que é de 19%, naquele país é 150% maior que a nossa. A média desse tributo nos países pertencentes à OCDE é de 37%, quase 50% maior que a brasileira.

Sobre a propriedade a carga americana é 10%, cerca de três vezes maior que a brasileira, que é de 3%. Na OCDE a média desse tributo é 6%, o dobro da nossa. Em relação ao consumo, ocorre justamente o inverso. Enquanto na carga tributária brasileira esse tipo de tributos representa em torno de 47%, na americana representam 16% e na OCDE ela representa na média, 37% do total. Esses dados confirmam que nos países desenvolvidos há muito mais justiça tributária que no Brasil.

Dois exemplos ilustram as diferenças entre aqueles países e o Brasil. Na Inglaterra, por exemplo, o imposto sobre a herança é cobrado há mais de 300 anos. Quando da morte da princesa Diana, em 1997, os jornais noticiaram que o fisco inglês cobrou de sua herança o imposto de US$ 15 milhões, metade dos US$ 30 milhões deixados para seus filhos. Naquele país, a taxação é apoiada até mesmo pelos conservadores. Segundo matéria da revista "Veja", publicada em setembro de 2007, o primeiro-ministro inglês Winston Churchil, que conduziu a Inglaterra na luta contra os nazistas, costumava dizer que o imposto sobre a herança era infalível para evitar a proliferação de "ricos indolentes". Por outro lado, no Brasil, o Imposto Territorial Rural - ITR arrecadado em todo o ano de 2007 e em todo território nacional, foi menor do que dois meses de arrecadação do IPTU da cidade de São Paulo. Esses dados falam por si.

Não há dúvida que esse é um tema delicado e já causou ou foi pretexto para inúmeras revoluções. Dois exemplos são significativos. A data nacional da independência americana, 4 de julho, faz lembrar que uma das razões que foram amadurecendo para o início da guerra de libertação foi a cobrança de impostos como o Sugar Act (1764), do Stamp Act (1765) e o Tea Act (Lei do Chá, 1773). No Brasil, a Inconfidência Mineira, tentativa de libertar o Brasil de Portugal, que resultou no enforcamento do herói Tiradentes e no desterro das lideranças envolvidas no movimento, teve como motivo principal da revolta a "derrama", isto é, a cobrança de impostos atrasados feita pelos colonizadores portugueses aos moradores de Minas Gerais.

Diante dessa realidade, é necessário e urgente abrir um espaço na mídia e na sociedade brasileira para discutir a enorme injustiça que há entre nós e, consequentemente a necessidade de aprovação de uma reforma em que os tributos diretos pesem mais que os tributos indiretos na composição da carga tributária. Isso significaria uma das formas mais importantes de redistribuir a renda entre nós.

Finalmente cabe uma pergunta: por que no Brasil os banqueiros, grande empresários do agronegócio, das empresas nacionais e multinacionais, não tomam a iniciativa que foi tomada pelos ricos nos EUA e na Europa, isto é, propõem uma sobretaxa sobre seus ganhos?

Odilon Guedes é mestre em economia pela PUC/SP. Professor universitário e membro do Conselho Regional de Economia-SP. Foi presidente do Sindicato dos Economistas no Estado de São Paulo, vereador e subprefeito de São Paulo.

Odilon Guedes
Valor Econômico - 21/10/2011

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Copom reduz juros para 11,5% ao ano

Esta foi a segunda redução consecutiva dos juros básicos da economia.

Taxa cai ao nível de janeiro de 2011; em termos reais, é mais alta do mundo.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, colegiado formado pela diretoria e presidente da autoridade monetária, se reuniu nesta quarta-feira (19) e decidiu baixar os juros básicos da economia brasileira, que recuaram de 12% para 11,50% ao ano.

Trata-se da segunda reunião consecutiva de redução dos juros, que já haviam caído no fim de agosto, pegando parte do mercado financeiro de surpresa. Com a decisão desta quarta, os juros  retornam ao menor patamar desde o começo do ano, visto que, em janeiro de 2011, estavam em 11,25% ao ano.


 Crise financeira

A decisão do Banco Central foi tomada em meio ao agravamento da crise financeira internacional, que começou em setembro de 2009, mas que voltou a piorar há poucos meses - com o rebaixamento da dívida dos Estados Unidos pela agência de classificação de risco Standard & Poors.

Para o BC, a "transmissão" do cenário de crise externa para a economia brasileira pode acontecer por meio da redução do volume de comércio e do menor aporte de investimentos, além de restrições ao crédito e da "piora" no sentimento de consumidores e empresários. A crise também deve gerar, segundo analistas, redução dos preços dos alimentos - contribuindo para moderar as pressões inflacionárias.

"A situação externa não encontrou, desde a última reunião do Copom [no fim de agosto], definição de melhores alternativas. Houve agravamento e há grande possibilidade de recessão na Europa e Estados Unidos, sendo a queda gradual da atividade da economia chinesa já uma realidade", avaliou o economista Sidnei Nehme, da NGO Corretora, que defendia um corte maior dos juros, da ordem de um ponto percentual, para 11% ao ano.

Sinais do BC e previsões do mercado

O novo corte nos juros básicos da economia brasileira foi amplamente sinalizado pelo Banco Central, que já havia comunicado que "ajustes moderados" nos juros seriam compatíveis com a inflação no centro da meta de 4,5% em 2012. Deste modo, a decisão já era esperada pelo mercado financeiro, que projetava justamente uma redução de 0,5 ponto percentual nesta quarta-feira, para 11,50% ao ano.

Além das indicações do BC, indicadores econômicos divulgados nas últimas semanas confirmaram o cenário de desaceleração da economia brasileira. A prévia do PIB, divulgada pela autoridade monetária, mostrou recuo de 0,53% em agosto, ao mesmo tempo em que a produção industrial, e as vendas do varejo de agosto, também indicaram desaceleração da economia. Dados dos empregos formais, assim como a arrecadação, também mostram sinais de arrefecimento do nível de atividade.

Explicação do BC

Ao fim do encontro do Copom desta quarta-feira, o Copom divulgou o seguinte comunicado: "Dando seguimento ao processo de ajuste das condições monetárias, o Copom decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa Selic para 11,50% a.a., sem viés. O Copom entende que, ao tempestivamente mitigar os efeitos vindos de um ambiente global mais restritivo, um ajuste moderado no nível da taxa básica é consistente com o cenário de convergência da inflação para a meta em 2012".

Metas de inflação

Pelo sistema de metas de inflação, que vigora no Brasil, o BC tem de calibrar os juros para atingir as metas pré-estabelecidas. Neste momento, a autoridade monetária já está nivelando a taxa de juros para atingir a meta do próximo ano.

Para 2011 e 2012, a meta central de inflação é de 4,5%, com um intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Deste modo, o IPCA pode ficar entre 2,5% e 6,5% sem que a meta seja formalmente descumprida. O BC busca trazer a inflação para o centro da meta de 4,5% em 2012.

Recentemente, o BC informou, por meio do relatório de inflação do terceiro trimestre deste ano, que prevê um IPCA de 6,4% para este ano, com 45% de chance de "estourar" o teto de 6,50% do sistema de metas, e uma inflação de cerca de 5% para o próximo ano.

Juros reais mais altos do mundo

Em 11,50% ao ano, de acordo com estudo do economista Jason Vieira, da corretora Cruzeiro do Sul, em parceria com Thiago Davino, analista de mercado da Weisul Agrícola, a taxa real de juros (após o abatimento da inflação) do Brasil ficou em cerca de 5,5% ao ano, mais do que o dobro do segundo colocado (Hungria, com 2,3% ao ano). A taxa média de juros de 40 países pesquisados está negativa em 0,8% ao ano. Juros altos tendem a atrair capitais para a economia brasileira, pressinando para baixo a cotação do dólar.

Alexandro Martello Do G1, em Brasília

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

China cresce menos e pode afetar o Brasil

Locomotiva mais lenta

Autor(es): agência o globo:Henrique Gomes Batista, Martha Beck e Roberto Maltchik
O Globo - 19/10/2011
China registra menor crescimento trimestral desde 2009. Brasil pode ser afetado
O principal motor econômico do mundo na atualidade desacelerou: a China cresceu 9,1% no terceiro trimestre do ano sobre igual período de 2010. É o terceiro trimestre seguido em que o crescimento da economia do gigante asiático desacelera, após expansão de 9,7% (primeiro trimestre) e 9,5% (no segundo trimestre). E mais: essa expansão, embora altíssima para a maior parte dos países do mundo, é a menor desde o início de 2009, quando a crise global de 2008 estava no auge.

Analistas acreditam que a freada chinesa ocorre em parte por vontade do governo - que quer conter a inflação e evitar bolhas internas em sua economia, como no mercado imobiliário - mas parte disso já é impacto da piora econômica de Europa e EUA. Já esperada, uma acomodação da atividade chinesa pode afetar o Brasil, uma vez que a China é o maior comprador de produtos nacionais e o saldo comercial com o país representa 41% do superávit total brasileiro nos nove primeiros meses do ano.

Com estes dados divulgados ontem, a economia chinesa - a segunda maior do mundo, com PIB de US$5,878 trilhões - parece abandonar o crescimento na casa dos 10% que se acostumou na última década. Mas os números chineses trazem dados domésticos saudáveis, que sugerem que há pouco espaço para relaxar a política monetária no curto prazo.

Indústria brasileira também pode sofrer

O crescimento da formação bruta de capital fixo - uma medida dos investimentos - foi de 24,9% entre janeiro e setembro, ante expectativa de 24,8%. As vendas no varejo subiram 17,7% em setembro ante igual mês de 2010, acima das previsões de 17%. A produção industrial de setembro cresceu 13,8%, superando o prognóstico do mercado de 13,3% e sugerindo que o terceiro trimestre foi encerrado em ritmo um pouco mais forte. Essa força doméstica e a inflação de mais de 6% dão espaço para o banco central manter a batalha contra os preços.

- O Brasil pode perder, além do óbvio impacto na queda dos preços e da demanda das commodities (produtos básicos, como soja, minério de ferro e petróleo), nas exportações da indústria, pois atinge outros países que estão crescendo no embalo chinês e que compram nossos produtos industrializados, como os vizinhos sul-americanos - disse Júlio Gomes de Almeida, economista do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) e ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda.

Almeida acredita que, com o atual cenário mundial, o crescimento sustentável da China é na casa dos 7%:

- Eles ainda dependem de exportação e União Europeia (UE), EUA e Japão, que representam 40% da economia global, estão crescendo muito pouco ou tangenciando a recessão. Mas tenho que lembrar que os economistas estão se acostumando a errar projeções sobre a China.

Marcelo Nonnenberg, economista do Ipea, acha que a situação não é tão preocupante. Para ele, grande parte do desaquecimento chinês é programado. O economista crê que o avanço chinês deve se reduzir para cerca de 8%, e um problema maior ocorreria se a queda for abrupta, para algo entre 5% e 6%:

- Se a China crescer 9% neste ano, apenas 0,5 ponto percentual será pelo saldo comercial e 8,5 ponto percentual virão dos investimentos e do consumo interno.

Rubens Ricupero, diretor da Faculdade de Economia da Faap e ex-ministro do Planejamento, lembra que a desaceleração já era prevista e que, pelo que tudo indica, ela deve ser suave - isso se a China não surpreender mais uma vez e voltar a acelerar sua economia:

- O atual plano plurianual da China já fala em desaceleração. O anterior também dizia e houve momentos que a economia cresceu mais - disse ele, alegando que um avanço do PIB um pouco menor, na casa dos 8% piora um o cenário mundial - mas não de maneira decisiva, o que só ocorreria se a queda for rápida.

A desaceleração da China ainda é moderada e não representa um risco grave para o Brasil, avalia a equipe econômica. O maior impacto que a queda do PIB chinês traz para a economia nacional é nos preços das commodities. Menos aquecida, a China reduz a demanda por produtos primários e afeta as cotações dessas mercadorias no mercado internacional.

Mesmo assim, os dados mostram que a atividade na China ainda está forte. O PIB do país continua crescendo forte. Um técnico lembrou que, para manter a economia equilibrada, a China precisa crescer perto de 7%, ou seja, a situação ainda é confortável:

- A situação não é grave.

Outro impacto da desaceleração chinesa está na taxa de câmbio. O real poderia acabar se enfraquecendo muito, com a aversão ao risco com a crise internacional, com a tributação na entrada de capitais, com possível deterioração de termos de troca com a redução nos preços das commodities, além da queda dos juros aqui. Tudo isso atrai menos dólares, forçando a cotação para cima.

Em Pretória, na África do Sul, na abertura da 5ª Cúpula do Ibas - grupo de países formado por Brasil, Índia e África do Sul - a presidente Dilma Rousseff mandou um duro recado aos países europeus para que encontrem soluções urgentes para a crise. Em coro com o primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, a presidente foi enfática ao pedir que o Ibas esteja unido na próxima reunião de chefes de Estado do G-20, marcada para novembro, na França, para pressionar a Europa a impedir a estagnação mundial.

---- Na cúpula do G-20 precisamos transmitir uma forte mensagem de coesão política e de coordenação macroeconômica. Não podemos ficar reféns de visões ultrapassadas ou dos paradigmas vazios de preocupação social em relação ao emprego e em relação à riqueza dos povos. Como vivemos em um mundo globalizado e sofremos as consequências das turbulências do mundo desenvolvido, temos também o direito e o dever de participar da busca de soluções para essa situação de crise - disse Dilma.

A presidente brasileira reforçou o pleito do Ibas para oferecer novos aportes de recursos ao Fundo Monetário Internacional (FMI), que, em última análise, aumentariam o poder do grupo no processo decisório da entidade. Ela disse que é inadiável a regulamentação do sistema financeiro e acabar com a guerra cambial. Dilma lembrou ainda que provocar uma recessão não é saída para a crise:

- Sabemos que processos recessivos jamais conduziram país algum a sair das crises e do desemprego. Temos credenciais sólidas para exigir novos fundamentos para a arquitetura financeira mundial. Esse legado deve se refletir no processo de reforma em curso no Fundo Monetário e no Banco Mundial. As reformas acertadas em 2009 têm de ser levadas a cabo.

A presidente acrescentou que o Ibas tem condições de dobrar o comércio trilateral nos próximos quatro anos. Em 2010, o comércio entre Brasil, Índia e África do Sul foi de US$16 bilhões.